Desculpem-me se houver algum erro.

Capítulo 8

Um dia fazia diferença. Dois dias faziam muito mais.

Dois dias haviam se passado, e Isabella já tinha as emoções sob controle o bastante para se juntar à mãe atrás do balcão do bar à. Noite, servir cervejas e conversar com os fregueses. Quando o assunto era o tempo que passara na montanha com Edward Cullen, ela permanecia irredutível. Preferia dar um rápido sorriso e mudar de assunto. Se isso não funcionava, Isabella passava a falar sobre como fora assistir à avalanche de dentro da gôndola, pouco antes de despencarem.

Isso costumava ser o bastante para calar os curiosos.

O bar de Esme não era grande. Tinha, porém, uma boa carta de vinhos, bons drinques e cervejas e uma excelente chef polinésia chamada Sua, responsável pela cozinha.

Esme abrira o bar como um desafio, um projeto inapropriado para tirar de sua cabeça o relacionamento igualmente inapropriado com um homem casado. Em algum momento no meio do caminho, o lugar se tornara o refugio e o conforto de Esme. Um lugar aconchegante onde ela podia manter a cabeça erguida e se tomar bem mais do que a amante de Cullen.

Já no fim da vida, Carlisle Cullen passara a aparecer com frequência cada vez maior no bar. Para passar algum tempo com Esme e para comer os pratos que Sue preparava, sem dar a mínima para as fofocas e para os problemas que elas poderiam causar. Carlisle Cullen parecia não se importar mais em ser discreto.

Isabella nunca vira Edward Cullen no bar.

Até aquele dia.

Esme obviamente o vira entrar, mas deixara que Isabella o atendesse.

— Edward. O que posso lhe servir? — Isabella era o retrato da educação quando entregou o cardápio de drinques para ele.

— Não estou aqui para tomar nada, Isabella. — Pela raiva mal disfarçada na voz dele, Edward também não estava ali para socializar.

— Então me deixe refazer a frase — disse ela, sem alterar o tom de voz. — O que deseja?

— Isso não tem importância, não é verdade? Estou aqui para lhe dar isto. — Ele colocou um envelope sobre o balcão diante dela. — Meu pai citou-a no testamento. E sua mãe, também. Qualquer advogado saberá o que fazer para completar a transferência. Por outro lado, se houver alguma coisa que você não entenda em relação aos documentos, quem sabe poderá então tentar retomar um dos meus telefonemas.

Ele cumprimentou Esme com um aceno de cabeça. E lançou mais um olhar abrasador para Isabella.

Então, partiu.

Isabella pegou o envelope, pensativa. Era pesado. A irritação de Edward acabara despertando sua curiosidade em relação ao conteúdo. Ela imaginara... Bem, eles jamais seriam amigos, mas Isabella pensara que talvez pudessem ter um relacionamento mais amigável depois do que acontecera na montanha.

Ao que parecia, estava errada.

Obviamente, alguma coisa acontecera e mudara o humor dele em relação a ela. Algo relacionado ao testamento do pai dele.

Isabella deixou escapar um suspiro e se afastou para um canto da cozinha, onde pegou o maço de papéis que estava dentro do envelope. Na frente, havia uma carta dos advogados de Carlisle.

— O que Edward queria? — perguntou Esme, da porta, alguns minutos depois.

— Provavelmente me estrangular — respondeu Isabella lentamente, enquanto folheava os papéis mais uma vez para se certificar de que não entendera mal. — Ele disse que me deixou várias mensagens para que eu entrasse em contato com ele, mas meu telefone está com defeito. Não funciona direito desde a avalanche. Terei que comprar um novo. De qualquer modo, não é nada importante. Eles leram o testamento de Carlisle. Edward é o testamenteiro. E parece que Carlisle me deixou uma casa em Christchürch e um apartamento em Auckland.

— Que homem tolo! — Mas Esme não parecia surpresa. — Eu lhe disse para não fazer isso.

—Você sabia?

— Eu sabia que ele queria fazer alguma coisa por você. Carlisle sabia que sua vida não era fácil, por causa do relacionamento dele comigo.

Isabella fechou os olhos e balançou a cabeça.

— Pena que ele não pudesse legitimar o relacionamento com você — resmungou ela, ganhando um olhar severo de Sue.

— Para que eu vou querer uma casa e um apartamento?

— Segurança financeira? — sugeriu Esme, friamente. — A possibilidade de morar em outro lugar que não aquela casinha de cachorro em que você vive?

— É uma casinha de cachorro muito bonitinha — resmungou Isabella, novamente. — E tem mais. Lá, eu pago o aluguel. Abro meu próprio caminho, mamãe. Você sabe disso. Você me ensinou isso.

— Eu sei — disse Esme. — E disse isso a Carlisle. Mas o homem colocou na cabeça que precisava recompensá-la.

— Sei... Bem, ele também lhe deixou alguma coisa — disse Isabella. — E pode ter certeza de que o homem realmente estava querendo recompensá-la. Talvez estivesse planejando comprar a entrada dele no paraíso.

Esme descruzou os braços e levantou o queixo, com os olhos cinza flamejando.

— Carlisle não me deixou nada. Eu não queria nada. Nós concordamos com isso.

— Parece que ele mudou de ideia. Carlisle lhe deixou uma carteira de ações no valor de 16 milhões. — Isabella voltou a guardar os papéis no envelope e colocou-o nas mãos da mãe, e se encaminhou de volta para o bar. — Não em dólares. Em libras.

~~x~~

O escritório de Edward na Cullen Holdings era funcional, mas tinha uma bela vista e todo o necessário para que os visitantes sentissem que estavam lidando com alguém importante. O modo intempestivo como sua irmã, Alice, entrara na sala dele, com apenas uma rápida batida na porta, não era surpresa para ninguém, menos ainda para Edward. Mas ele ficou surpreso ao vê-la começar a falar sobre as determinações do pai deles em seu testamento. Alice costumava ser muito mais discreta que isso.

— Você realmente quer contestar o testamento de nosso pai? — Perguntou ele, quando ela finalmente parou de falar. — Porque posso lhe assegurar Alice, que o documento é incontestável. Papai não era estúpido, apenas voluntarioso.

Mas Alice não se acalmou. Em vez disso, voltou os olhos trágicos para ele e recomeçou a atacar Esme e Isabella Swan, culminando com uma declaração de que não conseguia suportar pensar no quanto as duas vagabundas provavelmente haviam extorquido do pai deles ao longo dos anos.

Edward que passara os últimos dois dias descobrindo exatamente o quanto Esme Swan não extorquira Carlisle Cullen, percebeu que estava na hora de compartilhar algumas informações com a irmã, ainda que ela não fosse gostar muito.

— Elas não tiraram nada dele, Alice. Nada que eu possa ver. Você mesma pode checar os demonstrativos financeiros, se quiser. Meu palpite é de que, cada vez que Carlisle queria dar um presente a Esme Swan e ela recusava, ele acrescentava mais algumas ações ao fundo que começou para ela 12 anos atrás. Esme Swan simplesmente na sabia.

— Oh, com certeza ela sabia. — Alice parecia um belo dragão pronto para atacar. — Edward, ela sabia.

— Como quiser. — Edward não gastaria seu fôlego tentando convencer a irmã do contrário. Não lhe importava o que a irmã, ou qualquer outra pessoa, pensava. — Escute Alice. Para começar, esse dinheiro nunca foi parte da estrutura da empresa. Sempre esteve separado.

— Você não vai dar esse dinheiro a elas — falou Alice, determinada.

— Na verdade, eu já dei. E antes que recomece a falar como louca tenho algumas sugestões para lhe dar. Pare de ficar tão obcecada com as Swan. Pare de idolatrar um pai que nunca mereceu isso e comece a pensar se quer assumir a diretoria que lhe ofereci, em Sydney. Você seria ótima para o cargo, e lhe faria bem se afastar deste lugar e das lembranças que ele lhe traz. Não é saudável. Você está se tomando uma cópia de nossa mãe.

— Oh, estou mesmo? — retorquiu ela. — E desde quando você se tomou esse santo? Sempre odiou o que Esme Swan fez à nossa família, Edward. Sei disso.

— Talvez ela tenha sido apenas um catalisador. Talvez nós mesmos tenhamos criado uma família cheia de falhas. E talvez seja a hora de pararmos. — Edward respirou fundo e encarou a irmã, avaliando-a. Alice tinha 25 anos e, até onde ele sabia, nunca havia tido um relacionamento sério. Formara-se com louvores em administração e, depois, em psicologia. E, por culpa das atitudes do pai, acabara se transformando em uma mulher emocionalmente perturbada, com um ódio profundo por tudo o que dizia respeito às Swan. Essa era mais uma das razões para Carlisle Cullen arder nas profundezas do inferno.

— Paul Lahote está querendo ser transferido de volta da Austrália. Ele me seria útil aqui. E você poderia me ser útil lá. O que devo dizer a ele?

— Você quer que eu vá embora — disse Alice, encarando-o com os olhos verdes furiosos. — Por quê?

— Quero que seja feliz — respondeu Edward com a voz baixa. — Isso é assim tão errado?

— Você está diferente — retrucou-a. — Desde o acidente na montanha. Está mais pensativo, trabalhando mais do que nunca. O que aconteceu lá Edward?

—Nada que você quisesse saber.

— Mas eu quero saber.

— Vi a natureza mover a montanha. Percebi minha própria insignificância. E vi uma mulher se recusar a desistir de mim e de si mesma. Eu sobrevivi. O que mais você gostaria de saber?

— Ela foi corajosa? — perguntou Alice, irritada.

— Ela tem nome, Alice. E já foi sua melhor amiga, um dia. E, sim, Isabella foi corajosa, determinada, irritante, engenhosa e, quando voltamos para Queenstown, a atenção da imprensa a deixou aterrorizada, porque Isabella achou que eu fosse jogá-la aos leões. — Edward jogou a caneta sobre a mesa. — Você tem ideia do quanto eu me senti pequeno nesse momento? Como me senti furioso com ela por imaginar que eu seria capaz de uma coisa dessas? Isabella não confia em ninguém, Alie. Não permite que ninguém se aproxime.

Alice mordeu o lábio. — Eu tive que romper aquela amizade, Edward. A situação...

— Eu sei. — A precaução lutava contra a necessidade de dizer a verdade. — Quero ver Isabella de novo, Alie.

— Para quê?

— Talvez eu queira me aproximar dela.

A partir daí, a conversa piorou.

Alice não concordou em ser transferida para Sydney. E teve um ataque de raiva em relação ao interesse do irmão por Isabella Swan. Pouco antes de sair tempestuosamente da sala, ela disse a Edward que, se ainda lhe restasse um mínimo de consideração pela família, ele deveria levar duas loiras para a cama e ligar para ela, Alice, depois que estivesse com a libido sob controle e com o cérebro de volta à cabeça.

Caius Volturi, o segundo homem no comando da empresa, entrou no escritório de Edward pouco depois da saída tempestuosa de Alice. Caius também não se incomodou de bater e fechou a porta atrás de si.

— Problemas? — perguntou o homem, acomodando-se em uma cadeira.

— E desde quando Alice não foi um problema? — resmungou Edward. — É mimada e temperamental. Meu pai foi indulgente demais com minha irmã. Será que ela realmente espera que eu faça o mesmo?

Caius ergueu uma sobrancelha.

— Sim. Falando nisso, se vocês estiverem planejando mais discussões aos gritos, sugiro que façam isso com um pouco mais de privacidade. As paredes são finas, Edward. Nesse momento já está correndo um bolão de apostas para saber quem serão as duas loiras. E há outra corrente apostando em uma ruiva.

— Em qual das duas possibilidades você apostou?

— Preciso de mais informações antes de me comprometer. Por que acha que estou aqui?

— Estava esperando que você tivesse as últimas estimativas sobre a limpeza em Silverlake.

— Eu lhe mandei isso há cinco minutos, seu déspota. Cheque seus e-mails.

Edward checou e lá estava. Ele abriu o arquivo e praguejou.

— Somos amigos há muitos anos, Edward — disse Caius, e Edward estreitou os olhos. Nos seis anos em que trabalhavam juntos e nos cinco anos de universidade antes disso, Caius jamais usara o argumento da amizade dele. — Não costumo questionar seu julgamento.

— Pode ir direto ao ponto — disse Edward.

— Está certo, farei isso. Sinceramente, não me importo com quem levará para a cama. Nunca assediou ninguém que trabalhasse para você e o que faz ou deixa de fazer com as mulheres nunca teve nenhum impacto sobre a Cullen Holdings. Serve apenas como alimento para fofocas.

— Isso deveria me tranquilizar de algum modo?

— Estou só lhe dando minha opinião.

— Continue.

— Está bem. Alice e Elizabeth não serão capazes de juntar votos para destituí-lo de seu cargo, Edward, mas você ainda precisa da cooperação delas. E se acha que pode se envolver com uma Swan e não enlouquecer sua irmã e sua mãe deve pensar melhor. Foi assim que as duas perderam Carlisle. E elas não vão aceitar tranquilamente perder você também. Vão lutar contra isso com todas as armas que tiverem.

— Meu pai conseguiu garantir a cooperação das duas.

— Você não é seu pai.

Edward quer continuar ver a Bella. O que vocês acham dessa decisão? E o que acharam da Alice?

Respondendo os reviews:

Guest: Obrigada por comentar! Beijos.

Patylayne: Pois é, Emmett foi importante para Bella já que foi praticamente o único que não a julgou pelos pecados da mãe. Eu não sei se você vai gostar da Alice. Eu, particularmente, achei a personagem bem irritante. Beijos.

Fantasminhas, fantasminhas apareçam! Beijos e até sexta-feira.