10. A primeira ou quarta noite.

Hermione jantou no castelo aquela noite, e assumiu a tarefa árdua de contar para seus colegas da grifinória que estava deixando o castelo porque tinha se casado com ninguém menos que Severo Snape. Os grifinórios ficaram completamente chocados com a notícia, fazendo perguntas a moça, que respondeu que gostava do homem em questão e que estava feliz. A moça pediu com simplicidade o apoio de seus colegas. Muitos dos grifinórios, mesmo contrariados e confusos com a situação, não disseram mais nada pelo respeito e admiração que tinham por Hermione.

Quando o relógio bateu 21:00, ela estava de malas prontas, às portas da sala de DCAT. Snape abriu a porta, conduzindo a jovem para a lareira de sua sala, que tinha sido ligada pela rede de Flu para a residência em Hogsmeade, para que eles pudessem ir e vir com mais facilidade para Hogwarts todos os dias. Em alguns segundos, os dois tinham deixado a escola.

Hermione adentrou a sala de estar de Snape, explorando a casa com curiosidade. Era uma sala muito sóbria, com poltronas e tapetes confortáveis e moveis escuros. Os Elfos Domésticos tinham deixado a casa muito limpa e arejada. Havia uma grande janela pela qual entraria muita luz durante o dia se as cortinas fossem mantidas abertas. Havia uma cozinha pequena, ligada a uma sala de jantar com uma grande mesa de mogno. Era uma casa térrea, com dois quartos, ambos com camas de casais, muitos cobertores e armários.

- A senhorita pode ficar com o quarto da esquerda, pode decorá-lo como quiser. – o homem disse, com algum nervosismo na voz.

- O senhor pode me chamar de Hermione. – ela disse, percebendo que ele estava nervoso – Merlin sabe que já me chamou antes.

- Parece que faz tanto tempo desde que estivemos juntos. – ele comentou, lembrando dos momentos de prazer nos quais ele a chamara pelo primeiro nome. – Aliás gostaria de me desculpar pela forma como a tratei naquela noite que lhe dei a detenção... Se eu soubesse que hoje estaríamos nessas circunstâncias... que a senhorita faria isso por mim...

- Não foi nada má aquela detenção. – Hermione sorriu, travessa.

O desejo brilhou nos olhos dele, enquanto ele recordava a última noite que passaram juntos.

- Não a assustei? – ele questionou, um sorriso brincando no canto dos lábios.

- Talvez um pouquinho. Mas eu gostei muito, de todas as vezes. – ela ficou levemente ruborizada ao confessar aquilo.

- Eu também. – ele disse, intenso.

- É mesmo? – Hermione questionou, levemente insegura.

- Por que? Demonstrei não estar gostando? – Severo sorriu pra ela.

- Não, é verdade. – ela sorriu. – Mas você sabe que não tenho nada para comparar.

- Sei? – ele franziu a testa.

- Sabe... – ela falou, mas depois pareceu incerta. – Na primeira vez você sabia que eu nunca tinha feito aquilo antes, não?

- Você era virgem? – ele questionou. – Por Merlin, isso me faz parecer ainda mais um abusador.

- Eu era virgem Severo, não uma donzela indefesa do século XIX. – a moça riu. – Não precisa agir como se tivesse me deflorado.

- Porque estava tão certa de que eu sabia? – ele questionou.

- Bom, porque você foi gentil, esperou que eu me sentisse confortável. – ela falou.

- Os homens não deveriam ser gentis todas as vezes? – ele perguntou.

- Bom, imagino que sim. – a jovem ponderou. – Mas novamente não tenho um parâmetro de comparação. Apenas as experiências de algumas meninas da grifinória, de alguns garotos que não pareceram tão pacientes assim.

- Eu não sou um garoto de 18 anos excitado, Hermione. – o homem argumentou. – Embora, Merlin me ajude, você me faça sentir assim as vezes. Estou cansado de condenar a mim mesmo por não conseguir me controlar com você, me martirizei por isso todas as três vezes que estivemos juntos.

- Eu também me perguntei o que estava me levando a querer tanto aquilo. – Hermione ponderou. – Mas agora não há mais nada de errado, estamos casados e temos que fazer isso muitas vezes.

A menina sorriu travessa.

- Assim vou achar que você se ofereceu para me ajudar apenas para poder abusar de mim. – ele brincou, aproximando-se dela.

- Shhh... – ela disse, colocando o dedo sobre os lábios do homem. – Não deixe que as pessoas descubram a verdade.

Ele estava admirado. Ela flertava com ele com naturalidade, parecendo extremamente confortável em estar ali, casada com um ex comensal da morte. Ele a desejava de um jeito que o assustava, estava nervoso por agora ela ser sua esposa, pelas circunstâncias nas quais isso tinha acontecido, pela confusão de sentimentos que aquela jovem grifinória despertava nele.

Ele desabotoou a própria camisa, sentando-se em uma poltrona, nu da cintura para cima. A grifinória fez o mesmo, revelando os seios perfeitos, arredondados. Ela tirou a saia devagar, revelando uma pequena calcinha vermelha, rendada.

- Achei que você tinha terminado de me enlouquecer no nosso último encontro. – ele falou, lembrando a langerie que ela utilizara na ocasião.

- Pensei que seria uma boa escolha para a primeira noite com um marido sonserino. – Hermione brincou.

Mas depois olhou para os olhos dele, onde vivia aquele familiar fogo que a consumia. Ela se adiantou na direção dele, que a puxou para seu colo, tomando seus lábios. Os dois beijaram-se com a mesma urgência já costumeira, aquele desejo incontrolável transbordando de ambos.

- Eu quero você. – ela sussurrou entre um beijo e outro, acendendo ainda mais o homem.

- Merlin me ajude, Hermione. – ele disse. – Mas eu também quero você.

Ambos mergulharam em mais um beijo, enquanto Hermione desabotoava a calça de Severo Snape, libertando sua ereção. Ela esfregou-se úmida e quente no membro rígido do homem, fazendo-o ofegar. Ele tomou os mamilos dela nos lábios, lambendo-os, mordendo-os, provocando a jovem e fazendo-a gemer.

Ela encaixou o membro dele em sua intimidade, enterrando-o para dentro dela, sentindo-se preenchida e plena. Ela movimentou-se para cima e para baixo, ajudada pelas mãos dele em sua cintura, voltando a beijá-lo. Os dois moveram-se em um ritmo delicioso, enquanto Severo Snape acariciava o clitóris da jovem. Eles se beijaram cheios de desejo até atingirem o orgasmo juntos.

Ao final, ele abraçou o corpo delicado da moça, trazendo-a para junto de seu peito. Hermione ficou ali, sentindo o coração dele bater, sentindo que não existia nenhum outro lugar que quisesse estar.

- / -

Um mês havia se passado e, depois daquela noite, a vida de Hermione mudara completamente. Alguns amigos mais próximos, da grifinória, a apoiaram apesar de tudo; mas ela percebia muitos alunos de Hogwarts apontando e comentando sobre ela quando ela passava. Ela era a aluna que tinha se casado com Severo Snape e todo mundo parecia ter uma opinião sobre o assunto, especulando sobre a vida do casal.

Além disso, a relação dela com os melhores amigos tinha mudado. Rony não falou mais com ela no último mês e Harry, embora se esforçasse a permanecer do lado dela, agora parecia pisando em ovos, como se não soubesse mais como trata-la. Ela focou-se nos estudos para os NIEMs, que se aproximavam.

Mas apesar de tudo isso, as noites estavam sendo as melhores da vida dela. Todas as noites ela jantava em Hogwarts e ia para a casa de Severo em Hogsmeade. Ele a tratava bem, os dois riam juntos e faziam amor até dormir. Mas uma rotina se estabelecera: depois do sexo, ela ia para seu quarto e ele para o dele, e os dois dormiam separados. De manhã os dois se despediam e vinham para Hogwarts, onde quase não se falavam, sobretudo agora que um Auror o substituíra nas aulas de DCAT.

Ela vinha descobrindo, nos momentos que passaram juntos, que Severo Snape podia ser gentil e bem humorado quando queria, e a fazia se sentir muito bem. A moça desconfiava que estava se apaixonando por ele, mas o homem (e todas as outras pessoas) pareciam acreditar que eles se separariam quando a criança nascesse. Aliás, colocavam em palavras que ela iria deixa-lo. Mas na verdade, ela sabia, que era ele quem a deixaria quando percebesse que ela não conseguiria fazer isso.

Quanto a gravidez, Hermione acordara naquela manhã com a certeza que já esperava um filho. Ela vinha tomando algumas poções fertilizantes para estimular a ovulação que Snape lhe dera, e com as relações sexuais frequentes, a gravidez foi um resultado óbvio. Logo naquele primeiro mês sua menstruação já estava atrasada há vários dias; no horário do almoço a jovem foi até a enfermaria de Hogwarts e confirmou tudo com um teste.

Passara o dia insegura, pensando no momento que contaria para ele, a noite. Seria uma excelente notícia, tão cedo assim o bebê nasceria antes que o feitiço pudesse causar muito mal a Severo. Mas ao mesmo tempo ela pensava em como ficaria a relação deles daí em diante. Será que não ficariam mais juntos? Será que agora os dois apenas se fechariam cada um no próprio quarto e não se falariam mais? Não se beijariam mais?

Quando a noite chegou, ela não conseguiu disfarçar o nervosismo ao atravessar a rede de Flu e encontrar Severo Snape em Hogsmeade.

- Boa noite, Hermione. – ele sorriu para ela. – Como foi seu dia?

- Bom. – ela se limitou a dizer, mexendo as mãos de modo nervoso.

- Você parece estranha... o que houve? – o homem aproximou-se dela, com o olhar preocupado.

- Eu tenho uma coisa para lhe dizer. – ela disse, muito séria.

- Diga logo, está me deixando preocupado. – Severo Snape segurou a mão dela.

- Conseguimos. – ela contou. – Estou grávida.

- Que bom. – os olhos dele se iluminaram. – Você me assustou, achei que fosse algo ruim.

Hermione sorriu de um jeito esquisito. Severo estava aprendendo a reconhecer as expressões dela, a jovem se tornara parte da rotina dele, ele percebeu que ela não estava bem.

- Você não está bem. – ele disse, levando ela para o sofá, sentando-se ao lado dela. – Você está sentindo alguma coisa? Algum enjoo?

- Não. – ela disse baixinho.

- Está arrependida? Não quer levar a diante o plano? – ele perguntou, aflito. – Me diga, Hermione, para que eu possa ajudar.

- Não, eu quero isso, quero continuar nosso acordo. – Hermione falou.

- Então o que foi?

- Não é nada, na verdade. – a jovem mentiu. - Estou emotiva, devem ser os hormônios da gravidez.

- Eu sei que está mentindo, você se esquece que eu fui espião durante tanto tempo. – ele disse. – Por favor, me diga a verdade.

A jovem olhou pra baixo.

- Eu não sei, na verdade é uma boa notícia, está acontecendo como nós queríamos. – ela falou. – Mas é que agora tudo vai mudar...

- Quando o bebê nascer? – ele perguntou.

- Não, agora. – ela falou. – Eu estava acostumada com a nossa rotina, estar com você.

Ela olhava para baixo, o rosto completamente vermelho.

- Estar comigo? – ele perguntou, confuso.

- Sim. – ela confirmou, ainda sem olhar para ele. – Vir pra cá todas as noites, conversar, tocar você...

- Me tocar? – ele disse, sentindo-se um idiota. – Eu não estou entendo, você está chateada porque agora que já conseguimos conceber uma criança não precisamos mais transar?

- Sim. – a jovem concordou, constrangida. – Você sempre deixou claro que nos separaríamos quando a criança nascesse. Achei que você só me quisesse enquanto fosse necessário.

- Eu? – ele disse. – Mas eu já a queria antes disso. Nunca achei que você duvidasse do meu desejo por você.

- Não estou falando só de desejo, Severo. – Hermione levantou os olhos para contemplar o rosto daquele homem.

- Você está querendo dizer que... gosta de mim? – Snape parecia chocado, como se uma borboleta tivesse se apaixonado por um morcego. Como aquela jovem poderia gostar dele?

- É obvio. – ela disse. – mas você parece achar que quando a criança nascer eu vou me separar de você e nós vamos manter o contato apenas para cuidar do bebê.

- Sim, era o que eu acreditava. – ele falou. – A diretora, seus amigos, todos pensam a mesma coisa.

- Você vai descobrir que terá que ser você a me deixar. – ela falou, olhando para baixo novamente. – Porque Merlin me ajude, acho que não sou mais capaz de deixa-lo. Da mesma forma que não fui capaz de deixar que você procurasse outra mulher para se salvar.

- Foi por isso que você se ofereceu? – Severo perguntou, os olhos intensos.

- Eu pensei em você se casando com outra pessoa, tendo um filho com ela, não consegui ficar feliz com a ideia. – ela explicou.

- Eu também não. – ele falou.

- Não? – ela questionou.

- É claro que não. Eu a escolhi, mesmo achando que estava lhe fazendo mal, eu fui egoísta e deixei que fosse você a me salvar; porque eu a queria. – Severo declarou. – E depois que nos casamos, passei a quere-la ainda mais. Não só na cama, mas em minha vida.

- Por que você nunca me disse? – Hermione ergueu os olhos para ele.

- Porque nunca achei que você pudesse sentir o mesmo, achei que você estava sendo altruísta; uma amiga, como você disse no dia que se ofereceu para me ajudar. – ele explicou. – Você é uma mulher maravilhosa, pensei que fosse querer me deixar, encontrar um outro homem...

- Eu não quero nenhum outro homem. – ela falou com franqueza, deixando transbordar todo o sentimento que guardava, em uma inevitável declaração. – Estou apaixonada por você.

Ela tocou o rosto dele com a ponta dos dedos, fazendo o coração de Severo Snape bater mais forte. Ele não podia acreditar que Hermione estava lhe dizendo aquelas palavras. Ele segurou o rosto dela entre as mãos.

- Se você me quer, Hermione, eu nunca vou deixa-la. Eu continuo querendo você todas as noites, e vou querer você depois que nosso filho nascer; e mesmo que esse feitiço me matasse, eu iria querer você até meu último suspiro. – ele se declarou, as palavras escapando de seus lábios carregadas pela paixão que ele sentia. – Porque desde aquela primeira noite que eu encontrei você andando pelo castelo a noite e te levei para a minha sala, ali foi a minha perdição. Eu achei que eu ainda era aquele espião endurecido, um professor rígido que encontrara uma jovenzinha, a sabe tudo da grifinória, fora da cama. Mas nós já não éramos mais os mesmos e quando eu me dei conta disso, já estava em seus braços. Desde então venho me perdendo pouco a pouco para você todos os dias. Até ser seu por inteiro, como agora.

Atordoada pela intensidade daquelas palavras, Hermione avançou na direção dele, e ambos mergulharam em um beijo apaixonado.