Título: Seis Anos E Uma Noite
Autora: Lab Girl
Categoria: Bones, B&B, 6ª temporada, POV Booth, cena perdida, sexo, romance
Advertências: Spoilers dos episódios 6x22 (The Hole in the Heart), 6x23 (The Change in the Game) e... sexo!
Classificação: NC-17
Capítulos: 10/?
Status: Em andamento
Resumo: Eles levaram seis anos avançando e recuando... e apenas uma noite para romper as barreiras que construíram.
Notas da Autora: Taraaan! Mais um capítulo pra vocês :D
* Linha do tempo: Este décimo capítulo se passa alguns meses após o anterior... quantos? Vocês ficam sabendo no meio da leitura ;)
~ 10 ~
Perspectivas
"Não, Booth! Eu preciso entrar aí para examinar a ossada."
"Não precisa, não. Eu posso muito bem mandar isso pro Jeffersonian e você analisa no laboratório como uma boa squint."
"Vai mandar um pântano pro Jeffersonian?" ela lança um olhar indignado na minha direção.
"Drenar, Bones. Vou mandar drenar o pântano e a ossada vai pra lá."
"Não é preciso drenar o pântano, os ossos não estão na parte mais profunda, eu posso perfeitamente entrar aí, me abaixar e fazer um exame..."
Eu seguro o braço dela – talvez com um pouco mais de força do que o necessário – mas não consigo sequer me imaginar deixando-a fazer isso.
Ela me olha com reprovação, mas eu não me importo.
"Bones, eu não quero que você se arrisque sem necessidade" eu tento manter a voz baixa, ciente de que outros agentes estão ao redor. "Vou mandar drenar e envio o esqueleto pro seu laboratório."
Ela lança um olhar firme para a minha mão que segura seu braço, em seguida se liberta do meu aperto e me encara, séria. E eu não preciso de mais nada para saber que sim, ela vai resistir.
"Booth, eu posso perfeitamente fazer meu trabalho sem a necessidade desta sua intervenção exagerada" ela se vira na direção do aguaceiro à nossa frente. "E além do mais, esta investigação também é minha. Pare de agir como um mandador!" ela dá dois passos, disposta a se afastar.
"É mandão, Bones" reviro meus olhos, pegando no braço dela novamente – mas desta vez apenas tocando de leve. "E você está errada, eu não estou agindo como se a investigação fosse só minha."
"Está, sim" ela vira o corpo para mim novamente, me encarando. "Você está dizendo como eu devo fazer o meu trabalho."
Eu fecho a expressão, apertando a mandíbula por um segundo. "Se eu estivesse agindo como se fosse apenas meu caso, pode ter certeza de que eu nem estaria me preocupando" então lanço um olhar rápido e incisivo ao ventre dela.
Bones leva a mão quase que instintivamente à barriga. E ela me entende. Eu sei que agora ela me entende.
"Você acha que eu faria alguma coisa deliberadamente para arriscar o nosso filho?" ela sussurra, uma pequena ruga se formando na testa alva.
Não posso evitar... um sorriso vem automaticamente nos meus lábios. Nosso filho. Eu ainda me arrepio toda vez que ela diz isso.
"Bones, meu bem..."
"Não me chame de meu bem!" ela chia, olhando disfarçadamente para os lados.
Mas eu sei que no fundo ela não está chateada, apenas envergonhada – afinal, nossas demonstrações de carinho não costumam ser públicas, apenas quando estamos sozinhos, só nós dois.
Sei que falei baixo o suficiente para que ninguém mais tenha ouvido o termo de carinho além de Bones, mas contenho o riso e deslizo minha mão pelo braço dela, sentindo a maciez do casaco que ela veste e desejando poder sentir a textura da pele delicada sem nenhum obstáculo.
"Bones, eu não acho que você faria nada para arriscar nosso filho" eu digo as palavras com um nó de orgulho na garganta. "Mas você ainda não se deu conta que nestes últimos três meses não alterou em nada a sua rotina?"
"E eu deveria? Não estou doente, Booth. Apenas em estado gestacional" ela fala baixinho, com a maior naturalidade.
"Não era você mesma quem estava preocupada com o primeiro trimestre?" eu sussurro, quase sem querer.
Vejo a expressão de Bones mudar em um segundo, o rosto decidido adquirindo uma nota de insegurança. Não que eu queira causar isto de propósito, mas acho até bom que ela fique preocupada, quem sabe assim ela me dá razão?
Então ela abaixa a cabeça, desviando os olhos dos meus.
"Pode mandar drenar. Espero os ossos no Jeffersonian" ela murmura, se afastando na direção do carro.
Deixo um suspiro escapar, me sentindo mal. Consegui o que queria – frear o ímpeto dela e fazê-la pensar na gravidez antes do trabalho. Mas não me sinto bem por deixá-la desse jeito, com a carinha triste e emburrada. Tomo uma nota mental de que tenho que consertar isto assim que possível.
Viro o corpo na direção do guarda local, que cuida da reserva onde estamos e ficou esse tempo todo a alguns metros de distância, esperando pelos meus comandos.
"Drenem a parte onde o esqueleto está, depois quero que os ossos sejam levados para o Instituto Jeffersonian!" anuncio, falando em voz alta para que toda a equipe de agentes escute.
O meu pessoal começa a se movimentar a fim de executar o comando. Já o guarda local, um sujeito careca e magro, coloca as mãos nos quadris e me olha com um sorriso divertido no rosto.
"É sempre assim?" ele pergunta.
"O quê?" eu devolvo, sem entender do que ele está falando.
"Com vocês dois" ele sorri ainda mais, meneando a cabeça na direção do Sequóia preto estacionado a quase dois metros do local, onde Bones me espera.
Volto a olhar para o guarda, mas antes que eu possa sequer pensar em algo para dizer ele torna a falar.
"Eu adoraria ter emoções assim no meu trabalho, se é que me entende... com uma parceira dessas, de gênio forte" o sujeito ri, arqueando as sobrancelhas. "Deve ser divertido!"
Eu não respondo. Apenas fecho a minha expressão, colocando as mãos ameaçadoramente nos quadris.
O guarda interrompe a risadinha maliciosa e pigarreia. "Bom, acho melhor voltar ao meu posto enquanto a sua equipe faz a drenagem."
"Também acho" é tudo o que digo, curto e seco.
O sujeito dá de ombros e vai se afastando.
Solto um novo suspiro, pensando que esse cara nem faz ideia do quão pouco eu estou me divertindo bem agora, enquanto olho outra vez para a minha parceira, recolhida no carro.
~.~
"Você tinha razão" a voz dela chega até os meus ouvidos inesperadamente, me arrancando do comentário esportivo do telejornal.
Ergo os olhos para vê-la parada na porta do meu quarto. Sinto o coração dar um pequeno salto... não sei se algum dia vou me acostumar a vê-la assim, tão à vontade dentro da minha casa... da minha vida. Com os cabelos soltos, caindo de leve nos ombros, uma camiseta acinzentada, uma calça de algodão e descalça, ela nunca me pareceu tão linda... tão perfeita!
O dia hoje foi puxado, o trabalho nos separou – enquanto eu fiquei em campo fazendo as minhas coisas ela ficou no laboratório, fazendo as coisas dela. Assim que cheguei em casa a primeira coisa que fiz foi jogar os sapatos de lado, pegar uma cerveja na geladeira e me jogar no sofá para assistir a primeira coisa que me apareceu na TV. De forma que eu nem percebi que Bones já estava aqui - pelo visto ela resolveu me fazer uma surpresa.
Eu a observo dar três passos, entrando na sala. Então ela suspira, me encarando.
"Eu devia ter sido um pouco mais prudente em vez de insistir em me abaixar na beirada daquele banhado para examinar a ossada" ela torna a falar, olhando de maneira séria para mim. "Principalmente porque os três primeiros meses são os mais críticos."
Finalmente eu entendo a que ela se refere... à nossa breve discussão de hoje cedo. Não tivemos tempo de falar sobre isso, assim que a equipe do FBI terminou de drenar o pântano e remover o esqueleto para enviar ao Jeffersonian eu corri para o carro a fim de deixá-la no laboratório e durante o trajeto ela decidiu falar apenas do caso. Para evitar maiores discussões, aceitei o acordo implícito e também mantive o foco na investigação. De modo que depois de deixá-la no laboratório, não nos vimos mais... até agora.
Eu deixo a cerveja sobre a mesinha de centro e pego o controle remoto, tirando o som da televisão. Então me levanto do sofá e fico de pé, parando em frente a ela.
"Desculpe se eu falei e agi de uma forma meio autoritária hoje cedo, Bones. Eu só estava pensando em você. Em você e no bebê..." digo, estendendo a mão para tocar-lhe a barriga.
Meus olhos encontram os dela, e Bones morde os lábios rapidamente antes de voltar a falar.
"Foi bom que tenha feito aquilo" ela murmura, pousando de leve uma das mãos sobre a minha, que repousa em sua barriga. "Apesar de detestar quando você fica todo controlador, sua atitude me fez lembrar que agora eu preciso pensar duas vezes antes de agir."
Eu meneio a cabeça, feliz que ela tenha compreendido a minha posição.
"Eu sei que você me entende, Bones" murmuro, acariciando de leve seu ventre ainda bem pouco volumoso. "Afinal, é assim que funcionamos... aparentemente indo em direções diferentes, mas chegando sempre no mesmo lugar. É apenas uma questão de perspectiva... vemos a mesma coisa de maneiras distintas."
Ela sorri e meneia a cabeça em concordância.
"Eu sei" ela desliza os dedos pelas costas da minha mão que passeia em sua barriga. "Como eu disse, mesmo que sua atitude tenha me irritado, foi bom para me fazer pensar nas prioridades..." Bones olha para nossas mãos e as aperta de leve sobre o ventre, e eu faço o mesmo. "Além do que, também me fez lembrar que tenho uma consulta marcada para a próxima semana... para ver como está o desenvolvimento do feto. Vai ser feita a primeira ultrassonografia. Se quiser ir comigo..."
"Se eu quero?" ergo os olhos para ela e deixo um riso de satisfação escapar. "É claro que eu quero, Bones!"
Não contenho a minha felicidade e envolvo o rosto dela entre as mãos. O que eu mais quero é participar de cada passo desta gravidez. E ela nem imagina a enorme felicidade que toma conta do meu peito bem agora.
"Obrigado" eu sussurro.
"Por quê?" ela pergunta, franzindo as sobrancelhas de um jeito adorável.
"Por me deixar ir com você na consulta" deslizo os polegares pelas bochechas dela, sentindo a textura da pele suave contra os meus dedos.
"Você é o pai. É natural que os pais acompanhem as mães nas consultas pré-natais..."
"Repete" murmuro, um pouco rouco.
"O quê?" ela pergunta, sem entender.
"Que é natural levar o pai nas consultas pré-natais..."
Meu sorriso deve ser tremendamente idiota, mas quem disse que eu ligo? Quero desfrutar deste momento com tudo o que eu tenho direito.
Bones ri. E o som faz meu coração saltar dentro do peito.
"Eu disse que queria que você participasse, não disse?" ela me pergunta com um belo sorriso no rosto.
"Disse, mas eu não pensava que seria tão bom ver isto acontecendo" deslizo uma das mãos pelo rosto de Bones e levo a outra para envolvê-la pela cintura, trazendo-a para junto de mim.
"Então é bom ir se acostumando" ela enlaça meu pescoço com os braços, ainda ostentando um sorriso vibrante.
E eu me deixo contagiar por ela, sorrindo mais abertamente enquanto aproximo nossos lábios. E em questão de segundos, meus olhos se fecham e nós nos beijamos... minha boca desfrutando do sabor sempre inconfundível dela... Bones! Minha Bones!
I´m back, babies =D
Demorou, mas cá estou! Quero aproveitar para dizer que não vou abandonar nenhuma das minhas fics, mas peço paciência a vocês porque irei retomando aos poucos. Tive problemas com tempo - e eles ainda continuam - por esta razão vou ter que ir retomando as fanfics com calma... e começarei por esta aqui.
Quero também aproveitar a oportunidade e agradecer demais a todos vocês que não desistiram de mim ainda, que comentaram, que cobraram, que pediram mais... e é por vocês que eu estou de volta. Obrigada de coração pelo carinho, vocês são sem dúvida os melhores leitores que uma escritora de fanfictions pode ter *.*
Como eu disse na N/A, neste capítulo já se passaram alguns meses. Mas foram apenas três, afinal eu não queria privar vocês de acompanharem um pouco melhor a gravidez mais esperada dos últimos seis anos... nosso baby B&B ^^
Pois é, acho justo que os fãs tenham - pelo menos no mundo das fanfics - acesso àquelas coisas que eu sei que HH nunca vai nos dar (intimidades entre B&B) e outras que eu ainda estou na dúvida se e como ele vai nos proporcionar (B&B evoluindo como pais e no relacionamento a dois). Espero estar conseguindo isto através desta fic... vocês, o que me dizem?
Sei que deixei minhas leitoras e leitores meio órfãos nos últimos tempos, mas se não for pedir muito... comentem, sim? *.* vou esperar ansiosa os comentários de vocês!
Beijos,
Lab
