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X.

Quando James e Sirius tomaram suas posições de duelo, quase todos os outros alunos já haviam dado fim aos seus próprios duelos e observavam, em volta do palco, enquanto os dois amigos se encaravam, esperando o sinal para começarem. Muitos duelos até ali haviam sido esperados por alunos ansiosos, mas aquele era, talvez, o que reunia mais pessoas.

Não era novidade para ninguém que Sirius e James eram melhores amigos e um duelo entre melhores amigos talentosos era, com certeza, atraente. Acrescente a isso que os dois amigos eram os dois garotos mais populares de Hogwarts — para algumas, os mais bonitos — e não será difícil concluir por que tantas pessoas queriam presenciar aquela disputa.

Sirius parecia mais relaxado que James, mas eram somente as aparências. Mascarava seu nervosismo com eficácia, mas interiormente adrenalina corria livre em sua veia, fazendo seu coração bater com exaltação intensa. Com a varinha na mão, observou James enquanto este o fitava confiante e nervoso ao mesmo tempo. Sorriu para o amigo com tranqüilidade, recebendo um sorriso igualmente ridículo e estupefato no rosto.

O sinal indicando o começo do duelo foi dado. E Sirius não esperou nem um segundo para jogar seu primeiro feitiço em James. Não era por que eles eram amigos que Sirius ia dar aos espectadores um show menos interessante.

Surpreso com a agilidade, mas não o suficiente para não conseguir se defender, James rebateu com tanta ou mais intensidade usando o mesmo feitiço. E jogou outro, esse último escapando Sirius por um triz.

Jatos de luzes escaparam pelas pontas das varinhas enquanto gritos enfurecidos eram dados pelos donos dos objetos.

Expelliarmus!

Protego!

Estupefaça!

Protego!

Locomotor Mortis!

Protego!

Sectusempra!

Imobullus!

Petrificus Totalus!

Protego!

Furunculus!

Serpensortia!

E assim continuou pelo que pareceu uma eternidade, mas não eram mais do que trinta poucos minutos. Sirius e James estavam cansados, mas nenhum queria deixar transparecer a inevitável fadiga que tomava seus corpos.

Os outros dois únicos duelos que aconteciam durante o duelo dos grifinórios haviam acabado e haveria total silêncio no jardim de Hogwarts se não fossem os gritos de James e Sirius e as respirações aceleradas de ambos.

Ninguém teve certeza quem dera o grito. Na confusão de luzes, as vozes se confundiram e foi somente quando James tombou para trás, após um grito de "Estupefaça!", que ficou claro que o grito fora dado por Sirius.

O silêncio seguiu a queda, nem mesmo com a respiração de Sirius capaz de perturbá-lo. Seria exagero dizer que o mundo deixou de girar ou que foram minutos grandiosos de silêncio. Não foram mais do que poucos segundos, mas pareceram absurdamente longos para James, que permanecia deitado no chão, seus ossos doloridos, observando a neblina que cobria o céu escuro, sem ousar respirar.

Prof. Maurice deu sinal indicando o fim do duelo e vários alunos aplaudiram, outros gritaram, alguns até sorriram. Uns contentaram-se em correr atrás de Emily Greenleaf e cobrar o dinheiro ganho em suas apostas.

Remus foi primeiro até James. Conhecia a sensação de perder para um amigo. O capitão sentou-se devagar, vendo Remus aproximar-se e estender a mão:

— Eu perdi – James disse com um meio sorriso forçado e sem graça, como se Remus não estivesse assistindo a tudo, e aceitando a mão e levantando-se.

— Eu notei – Remus deu um sorriso tímido e tranqüilizador como todos os seus sorrisos, largando a mão de James —, mas parabéns. Foi um bom duelo.

— Eu sei que foi — desconversou James com seu típico e charmoso jeito autoconfiante demais, arrogante em excesso, sorrindo da forma que lhe era característica ao mexer no cabelo pela milésima vez aquele dia. Viu então, com o canto dos olhos, Sirius se aproximar junto a Peter. O vencedor sorria com hesitação, não tão confiante quanto era comum, e quando os olhos negros cruzaram com os olhos castanhos de James, o sorriso tornou-se mais firme.

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Remus suspirou ao arrumar a mochila com os seus pertences, jogá-la sobre os ombros e rumar para fora da biblioteca. Já havia acabado de fazer seus deveres há alguns minutos, bem antes de Sirius ou James terminarem os seus próprios e saírem da biblioteca reclamando do silêncio absoluto e tedioso. Não acompanhou os dois amigos até o Salão da Grifinória, no entanto, como seria comum. Não o fez, pois seu plano constituía esperar, ali, na biblioteca, naquela exata mesa onde havia uma perfeita vista da entrada do cômodo. E, por essa entrada, passou uma quase entediada Sophie Malfoy, acompanhada de sua amiga Úrsula Mascenalli, com os livros presos entre os braços conforme caminhava com elegância até a mesa de sempre, sentando-se indiferente ao par de olhos que a espiava.

Tomando coragem, Remus caminhou por entre as mesas que o distanciavam da mesa ocupada pelas duas sonserinas. Viu quando Sophie percebeu sua presença e levantou a cabeça, o espiando com aqueles inigualáveis olhos azuis acinzentados que, nos últimos dias, pareciam mais frios que o habitual.

O que aconteceu em seguida foi rápido demais. Remus enfiou a mão no próprio bolso das vestes douradas e vermelhas, tirando um pedaço de pergaminho quase insignificante. Passando pela mesa de Sophie, deixou cair discretamente o pedaço no colo da garota, sem nem mesmo tirar os olhos da porta, continuando seu caminho como se nada tivesse acontecido.

Foi depois de segundos, quando já estava alcançando a saída, que ele se virou e viu Sophie abrir o papel, sem olhar para Remus. Satisfeito porque, ao menos, ela leria o papel, o grifinório foi para seu Salão, sabendo que teria que esperar até amanhã para, enfim, saber o que diabos estava passando pela cabeça da sonserina quando ela estava o evitando.

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Sophie percebeu o constante olhar de Remus em sua direção. Não precisava olhar para saber que era ele. Fingindo completa indiferença, sentou-se na cadeira de sempre e viu, portanto, quando o grifinório levantou-se e começou a caminhar em sua direção.

Ela vinha ignorando Remus há alguns dias já, sem saber o que dizer se não uma porção dispensável de ofensas. Apesar de absurdamente paciente, Remus parecia ter chegado ao seu limite conforme caminhava em passos largos e firmes em sua direção, o semblante desnecessariamente sério. Sentiu um frio na espinha ao imaginar Remus querendo tirar satisfações naquele momento, no lugar mais inoportuno existente.

Mas ele não o fez. Ele passou indiferente, como se não estivesse a encarando pelos últimos segundos e jogou, com desleixada precisão, um pedaço de pergaminho em seu colo.

Com as mãos trêmulas devido a curiosidade — e nada mais —, Sophie desenrolou o pergaminho, notando que Úrsula estava ocupada demais copiando suas anotações das aulas de Transfiguração para reparar no bilhete que Sophie havia recebido.

"Sophie,

Amanhã teremos um passeio a Hogsmeade, como você bem sabe. Espero ver você no lugar de sempre, na hora de sempre. Temos muito que conversar, não acha?

Vá, por favor.

R.J.L."

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As lojas estavam tão abarrotadas como sempre estavam. Alunos, principalmente os do terceiro ano que visitavam o povoado pela primeira vez, corriam para lá e para cá, fascinados por tudo.

James, Sirius, Remus e Peter já conheciam o lugar de ponta a ponta, inclusive as passagens que levariam a Hogwarts. Tanto conheciam que já não viam tanta graça em sair de Hogwarts para andar pelas mesmas ruelas de sempre, passando pelos mesmíssimos rostos simpáticos ou antipáticos. Mas, ainda assim, era uma oportunidade de escapar dos corredores de Hogwarts que, por mais que eles adorassem, podiam ser claustrofóbicos às vezes.

— Onde vamos, então? — quis saber Peter que, de longe, era o mais animado do quarteto. Bateu uma mão na outra, olhando com expectativas para Sirius e James.

— Eu queria comprar minha fantasia — falou Sirius que, entre os quatro, era o único que não havia se decidido sobre que roupa usaria na Festa da Halloween que aconteceria no final daquele mês de Outubro.

— Falando nisso — James, de repente, lembrou-se, dando um tapa no meio de sua testa — precisamos descobrir de que a Evans irá na festa.

— Precisamos, não. Você precisa — corrigiu Remus, com um leve sorriso divertido nos lábios — Mas, vou deixar vocês, crianças. Tenho uns, hm, — limpou a garganta, um pouco hesitante, antes de continuar: — compromisso como monitor, hoje.

— A Mayfear não deixa vocês descansarem nem no passeio? — James não notou a insegurança nas palavras de Remus e falou, ligeiramente, revoltado — Essa garota é inacreditável.

— Não deve demorar. Eu só tenho que me certificar que os alunos estão se comportando... — deixou sua voz se perder, enquanto suspirou — Bem, boa sorte com a roupa, Almofadinhas. Encontro vocês mais tarde no Três Vassouras?

Os três concordaram com a cabeça, antes de irem à direção da pequena loja de vestes que aparecia, timidamente, no fim daquela rua.

Remus permaneceu parado, esperando os três entrarem na loja. Quando enfim Peter, seguindo James e Sirius, passou pela porta, fazendo um sino tocar, Remus se virou e rumou para uma ruela escondida, indo na já conhecida direção de Mira Estrela.

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Mira Estrela era, talvez, um dos lugares mais aconchegantes de toda Hogsmeade. Era certamente menor que o famoso Café Madame Puddifoot, adorado pelos alunos, e — por ser absurdamente distante da rua principal, quase no fim de Hogsmeade — Mira Estrela se encontrava geralmente vazio.

Remus era o único cliente presente, o que, ele precisava admitir, não era um fato inédito. Ele não sabia como o Sr. Bennet sobrevivia com seu estabelecimento sempre vazio, mas não iria perguntar. Além do que, era provável que ele tivesse outro negócio, tendo em vista que sempre estava sorrindo — prova de que não estava indo a falência.

Sendo o único cliente no lugar, ele escolheu seu lugar. Era sempre o mesmo, mais afastado do balcão e da entrada, ligeiramente escondido por uma planta que não parecia crescer. As mesas eram cercadas por cadeiras confortáveis parecidas com sofás, todas de tamanho pequeno para não acolher mais do que três pessoas. A decoração era simples; a maioria dos móveis era de madeira bem polida. No balcão, havia os preços e um número absurdo de tipos de cafés — motivo, aliás, que levava Sophie a gostar do lugar, visto que ela era a única pessoa em toda Inglaterra que parecia não gostar de chá e bebia só café, litros e litros de café.

Foi quando começou a pensar em Sophie e no comportamento, no mínimo, estranho da garota, que um som familiar preencheu rapidamente seus ouvidos, fazendo aparecer, perto da porta, a sonserina em questão.

Não estava exatamente frio, mas a garota se segurava firme no próprio casaco verde, os braços cruzados acima do peito, deixando claro, mesmo a distância, que ela não estava no melhor dos seus humores.

— Você não está atrasada — Remus constatou quando ela se aproximou, sorrindo para ela no que ele supôs fosse um sorriso gentil. Não queria deixar claro, mas ele não estava de forma alguma seguro perto de Sophie. Sentia como se, a qualquer momento, ela pudesse dar fim ao que acontecia entre os dois, fosse aquilo o que fosse — Isso deve ser algum milagre — comentou quando a garota se sentou.

— Está ficando engraçado, não, Sr. Lupin? — murmurou e o tom divertido em sua voz o tranqüilizou, mesmo que minimamente. Ela se sentou próxima de Remus, balançando o cabelo ao fazê-lo, e começou a explicar: — Eu aparatei. Coisa que você deveria ter feito, aliás — acrescentou no seu característico jeito de criticar sutilmente — Sabe, nós aprendemos a aparatar por uma razão. Você deveria ter aparatado em vez de ter andado tudo isso nesse vento.

— Eu gosto de andar — defendeu-se Remus com simplicidade, fazendo a garota revirar os olhos em órbita:

— Claro que gosta — murmurou com um traço de deboche na voz, sem poder continuar quando uma figura apareceu no balcão. A figura em questão era o dono do estabelecimento, o Sr. Bennet, um homem simpático, com uma barba que engolia parte de seu rosto, mas não escondia o sorriso sempre presente. De estatura média e roupa sempre com estampa quadriculada e bem-cuidada, ele se aproximou do casal, abrindo aquele sorriso que já lhes era familiar:

— Ora, ora, ora! Se não temos aqui os alunos de Hogwarts de que mais gosto — ele possuía um sotaque distinto e falava de um jeito típico de quem conversa com crianças. No começo, Remus havia pensado que o homem os tratava como meras crianças tolas, mas depois se deu conta que ele sempre falava daquela forma mesmo — Como vão, jovens? — perguntou, animado como sempre, sorrindo de orelha a orelha.

— Bem — respondeu Remus de forma educada, dando um sorriso contido —, obrigado. E o Sr.?

— Oh, tirando o fato de que estou cada vez mais velho — ele suspirou de forma dramática, fazendo alguns fios de cabelo de sua barba se levantarem e abaixarem em seguida, acompanhando a respiração —, vou muito bem. Dumbledore, por acaso, não lhes teria ensinado algum feitiço para retardar a velhice, teria? — perguntou com simpatia, dando uma risada leve, e arqueando as sobrancelhas para deixar claro seu entusiasmo.

— Sinto muito, Sr. Bennet, mas não — disse Remus, sorrindo ao acrescentar com sinceridade: — E o senhor nem é tão velho assim.

— Verdade — concordou Sophie com a voz maçante, um pouco distraída, mexendo nos fios escuros de seu cabelo, antes de continuar com espontaneidade bem vinda: — Dumbledore é bem mais caquético.

Remus sorriu para Sophie com estima, embora ela não tenha notado, enquanto o Sr. Bennet soltou alto sua já familiar risada que parecia ter algo de ingênuo:

— Havia me esquecido desse seu humor, Srta. Malfoy — Sophie lhe sorriu quase sem graça com o elogio, ou algo bem próximo disso, inesperado, e mexeu a cabeça na direção do homem, como se o agradecesse, enquanto colocava mechas do cabelo escuro atrás de sua orelha — Vocês vão querer o de sempre? — perguntou o Sr. Bennet, ainda com traços do sorriso no rosto — Café para a mocinha, e o chá de sempre para você, meu rapaz?

— Por favor, Sr. Bennet — o aceno afirmativo de Remus indicou que eles queriam, sim. Sr. Bennet, então, sorriu uma última vez antes de desaparecer atrás do balcão.

— Então... — começou Remus incerto quando viu a figura do dono do lugar sumir. Mordeu o lábio fracamente, procurando as palavras corretas enquanto os olhos claros de Sophie fixaram-se nos seus. Ela o olhava de uma maneira diferente, quase o querendo fazer sentir desconfortável com a intensidade com que o analisava. Sem piscar e sem desviar o olhar.

Abaixou a cabeça, em um reflexo, olhando a própria perna abaixo da mesa e percebendo, só então, a separação de Sophie. A garota estava a mais de um palmo de distância dele, imóvel, esperando o momento em que ele enfim falaria algo. Aquela distância não era comum e tampouco agradável; sentia vontade de se aproximar, como antes fizera sem pensar, e deu se conta que seu relacionamento podia estar indo pelo ralo sem que ele, ao menos, soubesse o motivo.

— Então — recomeçou ao suspirar —, desde a minha volta, eu sinto como...

— Ah é — ela enfim falou, aproximando-se com calma, sem nenhuma visível pressa, com espontaneidade fingida que Remus logo identificou: — Falando nisso, como foi o enterro da sua tia?

Sem grande trabalho, Remus percebeu que não havia nada de normal naquela situação. Sophie parecia a mesma, os mesmos fios brilhantes e escuros emoldurando seu rosto, os mesmos olhos azuis acinzentados o fitando com intensidade e sem, no entanto, deixar transparecer qualquer sentimento. Mas, Remus notou, apesar de toda densidade, que ela queria uma resposta que não fosse a óbvia; ela queria saber algo além da resposta que ele daria.

— Teria sido melhor se você estivesse lá.

Ele podia dizer que a havia surpreendido com a resposta rápida, quase natural, quando ela suspendeu ambas as sobrancelhas e piscou inúmeras vezes, afastando-se com lentidão e voltando ao seu lugar anterior.

— Isso não responde exatamente a minha pergunta — insistiu e, se Remus tivesse uma resposta aceitável que enfim acabasse com as dúvidas dela, teria achado uma graça a forma como os olhos dela o fitaram quase o desafiando, com a testa franzindo.

— Enterros são sempre iguais — disse, por fim, tentando não pensar muito e demorar em suas respostas — Foi exatamente como o da minha outra tia... Talvez mais triste — acrescentou para parecer mais sincero, mais verídico.

— Bem, você nunca me contou como foi o da sua tia anterior — ela mencionou sendo bastante casual, apoiando a cabeça nas mãos, ao continuar interessada: — Como foi então?

A sensação era de estar sendo cercado, aos poucos, de forma sutil, enquanto a garota o observava, parecendo achar divertido vê-lo se esforçar para achar as palavras certas.

— O que há com esse interrogatório sobre enterros? — perguntou, enfim, mais alto do que gostaria, mais do que ligeiramente exaltado, cansado daquela forma com que corriam em círculo.

— Nada — respondeu ela de imediato e Remus pôde ver, realmente ver, os traços de um sorriso que queria se formar. Não um sorriso de felicidade, mas um de alguém que consegue o que quer. Sem se render a vontade de sorrir, ela continuou, impassível — É que você nunca fala sobre a sua família e...

— Não sou o único, sou? — estava irritado, sabia disso, mas seu tom não demonstrou tanto. Esse transparecia o cansaço que sentia com esse jogo que estavam jogando: — Eu precisei saber na cerimônia de seleção que você tinha um irmão que, aliás, é a cópia do idiota do seu primo.

— Esse assunto nunca apareceu — afirmou sem parecer surpresa com o que Remus lhe dissera; ela, aliás, parecia quase entediada antes de dizer com nítido escárnio — Ou você queria que, no meio de um beijo, eu falasse "Ah, sabe, Remus, eu tenho um irmão de dez anos. Ele é igualzinho ao Lucius"? Por favor.

— Bom, nunca surgiu oportunidade de falar sobre o enterro também — rebateu Remus, em um tom ameno e não menos irritado — E, aliás, você nunca se importou.

— Eu continuo sem me importar — afirmou Sophie rápido, rápido demais aliás, e de repente o comportamento estranho de Sophie fez sentido:

— É por isso que está me evitando? — perguntou incrédulo, quase sorrindo ao absurdo do que dizia, vendo o rosto de Sophie contorcer-se suavemente com insatisfação, no que ela suspirou:

— Eu não estou evitando você — disse enfim, parecendo achar a suposição de Remus tão absurda quanto ele próprio — Por que eu evitaria você? — por mais irritado que estivesse, Remus pôde identificar o sarcasmo, quase imperceptível, sob o tom neutro que ela tentava sustentar.

— Era isso que eu estava querendo saber...

— Desculpe-me a demora. Mas estou fazendo umas experiências lá atrás e não posso me descuidar do meu caldeirão — Sr. Bennet aproximou-se do casal, sorrindo daquele jeito ingênuo e feliz, e logo percebeu que algo não estava certo, que algo não estava em seu lugar — Interrompi algo?

— Não, não — Remus garantiu, sorrindo desconcertado para o dono do café no que ele colocou duas xícaras fumegantes na frente de cada aluno — Obrigado, Sr. Bennet.

— De nada, meu rapaz. Agora me deixe ir antes que eu cause uma explosão nesse estabelecimento — dizia com desleixo intencional, fazendo os olhos de Remus e os de Sophie esbugalharem. Sr. Bennet riu das expressões idênticas de incredulidade nos rostos — Oh, é só uma brincadeira...

— Claro — Sophie murmurou no que o Sr. Bennet afastou-se, novamente, e desapareceu pela porta atrás do balcão. Com seus olhos azuis acinzentados que, naquele dia, pareciam mais azuis do que cinzas, ela fitou a porta por onde ele saiu. Pegou, então, sua xícara e bebeu em grandes goles todo o conteúdo.

— O enterro foi horrível e eu não gosto de falar sobre isso. Podemos parar, então, com esse assunto? — ele disse e, se deixando levar por um impulso bem-vindo, massageou com as mãos as bochechas da sonserina com carinho, demorando longamente, enquanto fitava os olhos que, agora, pareciam translúcidos de tão azuis. Suspirou fundo, e murmurou, então, ainda com receio: — Então...

— Então...? — repetiu ela e Remus pôde notar um quê de divertimento atrás da simples palavra em tom de indagação.

— Sobre o que quer falar? — perguntou Remus no mesmo tom de Sophie, percebendo onde a sonserina queria chegar conforme ela aproximava-se consideravelmente dele, observando com cuidado os lábios dele movendo.

— Quem disse que eu quero falar alguma coisa? — murmurou ela em tom sugestivo, arqueando uma sobrancelha ao deixar um sorriso malicioso tomar seus lábios conforme esses tocaram os de Remus com suavidade e leve hesitação. Os dedos de Sophie circularam a gravata de Remus, com vontade, puxando o corpo do garoto para perto do seu, deixando os lábios de Remus fecharem-se sobre os seus, entreabertos, e envolvê-la num beijo.

Todos os pensamentos que estivessem corroendo o grifinório nos últimos dias se esvaeceram conforme ele sentia os lábios, a boca, a língua, os dedos, a pele, os cabelos dela contra si. Os braços sonserinos envolviam seu pescoço, as unhas perfeitas acariciando-o na nuca, com uma lentidão proposital que o deixavam perturbado; as mãos grifinórias se espalmaram sobre as costas de Sophie, descendo até a cintura em uma provocação igualmente lenta, e ele sentiu os arrepios percorrerem o corpo da garota conforme suas mãos ásperas percorriam seus lados sem reserva — então, sorriu entre os lábios dela, satisfeito por causar tanto efeito nela quanto ela causava nele.

Beijar Sophie lhe dava uma sensação de quase descontrole, e ele perdia-se inteiramente. Ignorava a necessidade de oxigênio e afundava no mar de percepções diversas que ele não poderia definir, mesmo que quisesse. Envolvia-a com uma possessividade não familiar, quase peculiar nele, mas que ela não parecia objetar. Ela agarrou com afinco o seu uniforme e o puxou para perto, não aceitando que ele se afastasse — o que ele, inevitavelmente, fez quando a ausência de oxigênio tornou-se intolerável para seu cérebro.

— Isso é bem melhor do que falar de enterros — ele murmurou quando os lábios desgrudaram-se tão levemente; e sua voz saiu roca, baixa, divertida e ofegante. Ela contentou-se em lançar um olhar malicioso, com provocação mal dissimulada, para Remus, antes de colar seus lábios novamente nos deles. Mordiscava com volúpia o lábio inferior dele, com uma calma irritante, demorando-se tanto quanto podia antes de sussurrar:

— Decididamente melhor.

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— Essa cor não combina com seus olhos — Emily disse em um tom bastante desaprovador ao analisar o milésimo vestido que Elizabeth vestira somente naquela tarde. A corvinal entrava e saia da pequena cabine da movimentadísima loja de Hogsmeade a cada minuto, usando sempre um novo traje. Ela já tentara todas as fantasias de criaturas mágicas imagináveis, e Emily sempre parecia ter uma nova crítica.

— Meus olhos são castanhos — declarou Elizabeth exasperada, suas mãos firmes na barra do vestido verde que usava —, como é possível que essa roupa não combine com eles?

— Simplesmente não combina — Emily deu os ombros com tal displicência que Elizabeth nada pudera fazer se não rolar os olhos, exaltada e a um minuto de rasgar tudo ali e ir nua para o baile que se realizaria no fim daquele mês, no dia 31 de Outubro.

Elizabeth voltou para a sua cabine, e ela acreditava, sim, que ela tinha todo o direito de chamar aquela cabine de sua, afinal ninguém mais entrara nela desde que a corvinal resolvera se apoderar daquele metro quadrado miserável para buscar a perfeita fantasia que — ela começava a acreditar — não existia.

— Onde estão a Martha e a Lily? — Elizabeth perguntou de dentro da cabine, e sua voz saiu um tanto abafada por conta de uma peça de roupa que ela tentava passar pela cabeça.

— Lily encontrou a roupa que ela queria, e elas estão pagando, eu acho.

— E a sua roupa, você não deveria procurar?

— Eu já achei — Emily disse com uma expressão bastante satisfeita e voz cantarolada, enquanto olhava mais uma vez para a roupa em suas mãos.

— E qual é? — Elizabeth colocou a cabeça para fora da cortina que envolvia sua cabine para ver a fantasia que Emily escolhera. Seu rosto deixou de refletir curiosidade para refletir irritação em uma fração de segundos — Emily! — A corvinal exclamou, só sua cabeça exposta: — Você disse que essa roupa me deixava gorda!

— Mas ela não me deixa gorda, e isso que importa — murmurou Emily com uma simplicidade significativa, encarando os olhos furiosos de Elizabeth com tanta calma quanto fosse possível, ainda que notasse o olhar fatal em sua direção: — Não sei por que está com essa cara de traída, Liz. Você também achou que tinha ficado gorda nela.

— Isso foi depois de você ter me dito três vezes que ela me engordava! — Lizzie disse com um tom agudo, balançando a cabeça de maneira desaprovadora e energética — Eu não acredito em você, Emily. Como é cara-de-pau — sussurrou, mais para si do que para a grifinória, voltando a sua cabine para terminar de trocar de roupas. De lá, gritou para poder ser ouvida, com um quê de provocação em suas palavras: — A sua sorte é que eu já sei com que roupa eu vou, e será bem mais original que essa sua!

— E qual é?

— Segredo! — Emily girou os olhos em órbita a ouvir isso, mas não disse nada; olhou a sua volta a tempo de ver Martha e Lily se aproximando. A ruiva trazia um pacote grande em suas mãos, mal conseguindo equilibrá-lo de tão pesado.

— Ah, fiquem aqui — a grifinória disse em um tom ligeiramente autoritário antes que as duas amigas pudessem parar de andar em sua direção — Eu vou pagar o meu lindo vestido e volto já, já!

Dizendo isso, Emily começou a andar apressada em direção a uma das ocupadas vendedoras da loja, acenando com o vestido seguro entre seus dedos. Ela saltitava, toda contente por ter achado a roupa que achara — até aquela manhã só Martha sabia que roupa usaria.

— Achou sua roupa também, Lizzie? — Lily quis saber assim que aproximou-se da cabine de Elizabeth. A sua volta, várias outras garotas de Hogwarts caçavam uma roupa para o mesmo baile. Era um entra-e-sai de cabine incessante, umas eventuais gritarias e até discussões sobre quem vira o que antes de quem, mas Lily já se acostumara com a insanidade de outros anos.

— Não — a corvinal gritou por trás da cortina — Eu mesma farei a minha.

— Lizzie — Lily começou hesitante, encontrando os olhos de Martha, que já se posicionara ao seu lado, com as sobrancelhas ansiosas —, você não sabe costurar.

— Eu não tenho uma varinha só porque eu acho que andar com uma vareta torta por aí é chique, Lily — comentou Elizabeth com ironia, e as outras duas garotas se entreolharam antes de rolarem, resignadas, os olhos em órbita.

— Se é assim que prefere...

Naquele exato momento, outra pessoa aproximou-se do grupo. Loira e altiva, com a cabeleira platinada descendo pela costa ereta, Úrsula Mascenalli observava as duas com seu típico olhar superior, as sobrancelhas levemente erguidas, e os lábios curvados para cima em um sorriso:

— Olha se não são as minhas monitoras preferidas!

— Mascenalli — Martha murmurou de volta, e seu tom era carregado de desprezo. Seus olhos refletiam o sentimento ao fuzilar a recém-chegada e Lily percebeu como a postura da amiga mudara em segundos. Era mais rígida, mais arrogante, e seus braços estavam cruzados e fixos sobre seus seios.

— Eu sabia que os Mayfear estavam em decadência, mas nunca imaginei que fosse tanto assim — comentou Mascenalli com casualidade, olhando a sua volta, como se nenhum Mayfear estivesse bem na sua frente. Em seus olhos, no entanto, um claro brilho de satisfação fazia-se presente — Chegou ao fundo do poço, hein? Comprando essas roupinhas fajutas... — complementou, desta vez olhando com fixação para os olhos furiosos que lhe analisavam; as mãos sonserinas passearam por um pano próximo, sentindo a textura das "roupinhas fajutas".

— Para a sua informação, Mascenalli — Martha respondia com toda calma que podia ministrar, como se seu interior não estivesse em chamas de raiva —, eu tenho uma fantasia sendo feita para mim por um dos melhores estilistas bruxos.

— Verdade? — Mascenalli perguntou com desdém, mas óbvia surpresa — E o que o seu avô precisou vender da sua casa para bancar essa 'extravagância'?

— Você está extraordinariamente ousada, hoje, Mascenalli, sem a sua amiguinha aqui para lhe defender — Lily disse sem conseguir dissimular a raiva com a mesma eficiência que a amiga corvinal.

— Eu não preciso da Sophie; posso me defender muitíssimo bem sozinha — admitiu, mas sem olhar para Lily. Os olhos sonserinos permaneciam presos unicamente nos olhos de Martha; o clima entre as duas parecia mais tenso que o normal após Mascenalli concluir em um tom nebuloso: — Claro que minha especialidade é atacar.

— Tenho certeza que suas habilidades virão a calhar num futuro próximo, Mascenalli — Martha murmurou inexpressivamente, com mais desprezo que nunca em sua voz.

— Tenho certeza que sim, Mayfear — Mascenalli concordou, um aceno rápido na cabeça e só Merlin poderia saber o que cada uma ponderava enquanto se estudavam com os olhos, indiferentes a tensão que pairava entre as duas e indiferentes a Lily, que observava tudo com receio.

— Eu vou indo, senhoritas — Mascenalli enfim falou, e havia um sorriso contentíssimo em seus lábios avermelhados, ainda que ela tentasse comprimi-lo. Ela olhou, então, para Lily e de volta para Martha, murmurando as seguintes palavras de forma possivelmente inaudível: — Divirtam-se enquanto podem.

— E Mayfear? Se o seu avô estiver precisando, tenho certeza que existem bruxos decadentes o suficiente para empregar alguém relacionado com a escória — disse com displicência como se pronunciasse somente palavras gentis. Seus olhos caíram sobre Lily por dois segundos, cheios de más intenções — Se até no Ministério estão aceitando essa gentinha!

A sonserina virou os calcanhares e perdeu, por muito pouco, os olhares furiosos em sua direção. Ao girar, no entanto, encontrou outra grifinória lhe encarando com uma expressão vazia de quem não ouvira a conversa:

— Você está aí, Greenleaf? — comentou Mascenalli observando Emily da cabeça aos pés. Fez um movimento ágil com a cabeça para tirar os fios loiros de cima dos seus olhos — Achei que estivesse ocupada dando em cima de alguém, para variar — sugeriu com um quê de tédio e bastante desprezo, passando pela garota sem preocupar-se com a face estupefata — Com licença, sim?

Dito isso, Mascenalli saiu, deixando três alunas de Hogwarts com caretas idênticas que misturavam raiva, perplexidade e desdém.

— Como eu não suporto essa garota — foi Emily quem disse primeiro, bufando de descontentamento — Essa cretina!

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Sirius e James conversavam animadamente sobre quadribol no Três Vassouras, a espera de Peter, que havia ficado preso em uma fila imensa da Dedosmel — Ambrosius Flume e sua esposa estavam fazendo uma grande oferta e Peter não podia perder —, e Remus, que estava metido Merlin sabe onde cumprimento os deveres de monitor.

Madame Rosmeta havia acabado de trazer duas cervejas amanteigadas como cortesia da casa — sem deixar de dizer que, mais tarde, eles colocariam a conversa em dia —, quando Sirius ouviu Jack Hallward, na mesa ao lado, murmurar para Snape algo, no mínimo, suspeito, em um tom furtivo diferente do comum:

— Todas as pessoas já confirmaram a participação no... você sabe? — Hallward perguntou, olhando para os lados, intensificando as últimas palavras ao levantar a sobrancelha para indicar a Snape sobre o que falavam.

Sirius percebeu o olhar oculto de Hallward e, mesmo com Snape de costas para ele, o grifinório sabia que a mesma expressão poderia ser vista no rosto ossudo do Seboso. Cutucou James, indicando com uma aceno da cabeça a dupla ao lado, e seu semblante sério deixou claro para o outro grifinório que Sirius não estava querendo iniciar mais uma de suas brincadeiras. Murmurando um simples "Ouve só" para James, Sirius voltou sua atenção para os sonserinos indiferentes ao bisbilhoteiro:

— Todas, não — o tom de Snape era delongado, entediado.

— Quantas, então? — Hallward perguntou, tomando um gole de sua cerveja amanteigada e lançando um olhar impaciente a Snape, que parecia intencionalmente demorar a responder.

— Algumas — nenhuma emoção era identificável na voz do monitor-chefe.

— Você é um cretino, sabia? — apesar de impaciente, Hallward não conseguiu esconder o sorriso cheio de escárnio. Balançou a cabeça em negativa, antes de bebericar mais de sua cerveja — Todo pomposo só porque foi nomeado para liderar todo o, hmm, evento — pela pronúncia arrastada, Sirius conclui que essa era mais uma das palavras que estavam, claramente, substituindo outra secreta, que não poderia ser pronunciada ali.

— Bom — começou Snape, com calma, torturando Hallward com sua demora —, você não quer que eu conte todos os detalhes para qualquer um, quer?

A expressão ofendida, ou que pretendia ser assim, de Hallward era impagável e Sirius quase engasgou com o cinismo nas seguintes palavras de Hallward:

— Pensei que fossemos amigos.

— Não somos e você sabe disso — afirmou com impassibilidade — Aliás, mesmo que fossemos — a nuança na voz de Snape deixou claro sua descrença naquela hipótese —, você continuaria a desconhecer os detalhes. Ele não quer que vaze informações.

À última frase, os olhos de Sirius e James se cruzaram em dúvida e desconfiança. A boca de James formou as palavras "Quem é ele?" fazendo Sirius apenas dar os ombros, querendo — mais do que nunca — ouvir as próximas palavras:

— Mais cedo ou mais tarde, saberei tudo mesmo — Hallward rolou os olhos, voltando então sua atenção para Snape, dando a crer que Snape poderia lhe contar, que não faria diferença.

Naquele momento Remus chegou, dando uma batida ligeira no ombro de James para que esse lhe desse espaço para sentar. Ia falar, quando James, com urgência, tocou sua própria boca com o dedo, sinalizando que era para ficar quieto. Às sobrancelhas levantadas de Remus, questionando aquele comportamento, James indicou, com um movimento brusco da cabeça, a mesa dos sonserinos. Indicou, então, seu próprio ouvido.

Remus não precisou mais informação. Sentou-se e, sem pedir por nenhuma bebida, começou a ouvir a conversa ao lado:

— Sim — concordou Snape com um aceno rápido da cabeça, fazendo balançar os cabelos oleosos — E saberá com todos os outros. É assim que ele quer — a menção do homem misterioso, Hallward pareceu se aquietar, enquanto Snape completou com a mesma apatia que lhe era rotineira: — Assim não daremos chance de nada sair do caminho planejado.

— Ele — Hallward repetiu o pronome, pensativo, balançando os dedos ao analisar a figura autoconfiante de Snape, que bebia sua cerveja aos poucos, indiferente às visíveis dúvidas que Hallward tinha. Com admiração e ligeira inveja, finalmente perguntou: — Você tem tratado tudo diretamente com ele?

— Mas é lógico que não. Você acha que somos os únicos a querer nos aliar? — era uma pergunta retórica feita em um inquestionável tom de ironia — Ele não perde tempo com isso — afirmou, antes de completar baixo, tão baixo que Sirius quase não conseguiu ouvir — Estou tratando tudo com um dos parentes da Sophie.

— Com Lucius? O primo da Sophie?

— Não, o irmão de onze anos da Sophie — respondeu sério, genuinamente sério, como se aquele absurdo pudesse, em alguma ocasião, ser levado como verdade. Completou, em seguida, num tom ríspido, impaciente e quase feroz — Mas é claro que é com Lucius!

Se Hallward parecia ofendido com o tom de Snape, não deixou transparecer, tendo em vista que logo perguntou em sua voz normal:

— Falando nos Malfoy, a Sophie já confirmou? — Remus olhou para James e Sirius, procurando algum referencial para entender o que a frase inferia, mas os dois continuavam concentrados na conversa.

Snape demorou mais do que o necessário para responder. Bebericou sua cerveja, pousou a garrafa na mesa e voltou a segurá-la entre os finos e pálidos dedos longos, não a pegando de novo, apenas alisando, com notável retardamento, as gotas resultantes do aquecimento do líquido interno. Sirius sabia que, diferente dos tópicos antes levantados, aquele Snape não tratava com indiferença:

— Não, ainda não — enfim disse, com monotonia, dando ênfase a palavra seguinte: — Ainda.

— Ainda? Você parece seguro de que ela vai concordar — comentou Hallward com intencional displicência, tomando alguns goles antes de seguir em frente com seu comentário malévolo: — Ela me parece bastante indecisa ainda. O que faz você pensar que ela vai concordar?

— Eu conheço a Sophie como ninguém — disse Snape após outra longa pausa, e Remus precisou todo o autocontrole do universo para não dar um soco no prepotente do Ranhoso. Indiferente aos três grifinórios ao lado, Snape prosseguiu com confiança: — Ela me escuta e, se ela não for burra — o que ela certamente não é —, ela vai confirmar em breve.

— Espero que esteja certo — foi tudo que Hallward falou em uma voz minúscula —, a Malfoy não é uma ajuda que podemos dispensar.

— Certamente não — concordou o outro sonserino.

— Falando nela — disse Hallward abrindo um sorriso que Remus caracterizaria como cínico e desnecessário. Esticou seu corpo, pegando a garrafa da cerveja amanteigada e cumprimentando a recém-chegada — Olá, Sophie.

— Falando em mim? – perguntou a monitora com um sorriso curioso, ao arquear a sobrancelha de um jeito tipicamente Malfoy. Snape se levantou de imediato, pedindo uma cerveja com um aceno e abrindo espaço para ela sentar entre os dois sonserinos: — Posso saber por quê?

— Estávamos apenas discutindo sobre... Bem, você sabe — e pelo olhar que Hallward recebeu em retorno, ela realmente sabia, para incondicional desgosto de Remus.

— Oh — ela enfim exclamou após uma pausa. Madame Rosmeta foi até o trio e os serviu com mais três cervejas amanteigadas, mas não se demorou na mesa; ela não gostava daqueles dois garotos e era indolente a terceira que havia se juntado. Malfoy olhou desconfiada enquanto a dona do lugar se afastou e então, disse finalmente: — Vocês realmente querem discutir isso aqui?

— Ela está certa — Snape respondeu prontamente, levando a garrafa até sua boca. Sirius e James se entreolharam antes de rolarem os olhos de madeira idêntica.

Grande coisa não discutirem mais isso, quando muito já havia sido relatado — ambos pensaram.

— E onde está a Úrsula, rapazes? — perguntou a sonserina quase divertida, bebericando a própria cerveja, e os observando com os grandes olhos azuis. Os dois, então, começaram a relatar as aventuras de Úrsula Mascenalli nas lojas de Hogsmeade.

O trio dos marotos se entreolhou, todos muito apreensivos e não mais interessados na conversa ao lado.

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Nota da autora: Sim, a partir daqui as coisas ficam mais interessantes. Eu gostei e desgostei desse capítulo. Poderia tê-lo escrito melhor, quem sabe, se alguma inspiração tivesse vindo – como não veio e como eu queria atualizar logo, só há isso. Espero que tenham gostado.

Pouco dos marotos, eu acho, mas no próximo capítulo isso irá ser recompensado – acho também.

E é, gente, o Sirius ganhou – antes de qualquer coisa, sou fã do Sirius. Aliado a isso, eu creio que há essa segurança no Sirius, essa sede de vencer sempre – talvez até por conta da família que ele renega – que o ajudaram. Mas ao menos foi um duelo equilibrado até o fim, né?

E sabem de uma coisa? Vocês sempre falam bem das minhas personagens originais, e uma curiosidade foi inevitável: afinal, quem vocês acham melhor? – sim, isto é uma enquete improvisada.

Opções:

A. Elizabeth Sawyer; B. Emily Greenleaf; C. Martha Mayfear; D. Sophie Malfoy e E. Úrsula Mascenalli.

Respondam e saciem a minha curiosidade, please.

Agora, as respostas as reviews que foram adoráveis como sempre:

Brainpan: Eu também adoro o meu "Jaminho" cretino XD Muito mais atraente. E você vê One Tree Hill? Eu também! Adoro essa série, mas não, a Elizabeth não é por conta da Peyton – apesar de ela ser minha personagem preferida. O "Sawyer" veio por causa do personagem de Lost; o "Elizabeth" veio ou de "Piratas do Caribe" ou "Orgulho & Preconceito" – eu não lembro. Só uns dias depois que eu percebi a coincidência, mas gostei. Você ganhou a aposta, pena que não tinha dinheiro sendo disputado...

Livvy.B: "Enfim, muitas mentiras e tensão: os ingredientes para um relacionamento fracassado, mas igualmente para um ótimo shipper". Adorei isso! E é bem verdade. Mas, sinceramente, até o Remus e a Sophie se acertarem e a situação de eterna tensão mudar entre eles... vamos apenas dizer que muita coisa ainda vai rolar até que eles acertem as diferenças.

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Obs.: Mira Estrela é uma cidade de São Paulo e o porquê de eu usar o nome é bastante tolo: eu o achei fofo e o ouvi vezes demais no ano passado – além da ambigüidade ser interessante, já que Mira é nome de estrela.

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Próximo capítulo: Algumas mentiras sendo descobertas, encontros de madrugada, supostas apostas e o primeiro jogo de quadribol do último ano dos Marotos.