Quando
Draco sentiu os pés baterem no chão, seus ouvidos foram invadidos
por um silencio calmo. Aos poucos abriu os olhos e viu que estava
sozinho no Beco Diagonal. Olhou em volta uma, duas, três vezes, mas
a única coisa que conseguia ver era aquela névoa branca e, apesar
de não estar no inverno, fria. Alguma coisa estava acontecendo, ou
então ele realmente tinha pousado em outro lugar longe da batalha.
-
É, fui tapeado pelo meu próprio senso... - Disse para si
mesmo.
Preparou-se para poder aparatar para o topo da Montanha de
Ísis, um pouco mais longe do Beco, quando sentiu o seu corpo todo
ser preso. Quando olhou para os braços e pernas, viu que nada o
segurava: fora preso por um Feitiço do Corpo-Preso. De longe, uma
voz começava a se formar no vento.
- Bem vindo, meu amor. - Era a
voz de Pansy Parkinson. - Quanto tempo!
Malfoy olhou para ela, os
olhos começando a lacrimejar de dor, pois o feitiço estava se
tornando mais apertado a cada minuto. Encheu os pulmões com muita
dificuldade e disse:
- Ora, ora... Você virou mesmo, hein? -
Disse ele, forçando a voz ao máximo para parecer debochado,
enquanto tentava empunhar a varinha corretamente e murmurar o
contra-feitiço.
- Virei? - Perguntou Pansy, sorrindo.
-
Lógico. - Disse Draco conseguindo empunhar a varinha direito. - Você
virou uma das Paquitas de minha tia.
Pansy encarou Draco. Sem
perceber, ele estava conseguindo manter a atenção de Pansy nas
palavras e não na varinha. Ela o fitou por um instante e então
falou com a sua vozinha delicada:
- Ah, claro. É sim... Virei uma
"Paquita" - (Ela fez o símbolo das aspas com as mãos) -
da sua Tia. Mas se me lembro bem, sua tia não está no corpo de
Hermione Granger?
Draco parou de mexer na varinha na hora e voltou
a encarar Pansy.
- Aah, sim... Está. E quem será que está nos
liderando agora? - Perguntou ele se fazendo passar por Hermione na
época de escola. - Eu respondo! - (Ela levantou a mão) - Hermione!
- Vendo a expressão de fúria que começava a se espalhar pelo corpo
de Draco, ela continuou: - E quem será que está doida com a vitória
dos Comensais da Nova Era?
- Você não sabe de nada, Parkinson! -
Vociferou Draco. A varinha na mão.
- Haha... Será? - Riu-se ela.
- Você não acha que a Sra. Lestrange está fazendo tudo sozinha,
acha? Não... Eu sei do processo... Eu ajudei... - Ela tinha uma
expressão de verdadeiro orgulho nos olhos vidrados e muito pretos. -
Ah, sim... "A pessoa cujo corpo é tomado fica adormecida..."
, dessa parte você já sabe, não Draquinho?
Draco ainda
olhava para ela com raiva, parecia ter esquecido que tinha a varinha
não mão.
- Agora, a melhor parte... - Ela levantou mais a
varinha e, inconscientemente, as cordas invisíveis de Draco
começaram a se afrouxar. - "Mas a pessoa que tomou o corpo não
pode vir à vida sem o consentimento do verdadeiro dono..." -
Pansy riu. - Dessa parte você não sabia, né? Não sabia que a sua
Hermione queridinha que deixou a nossa senhora vir hoje?
- Cala
boca. - Começou Draco, se aproveitando que ela havia afrouxado suas
cordas invisíveis.
- Ah, por quê? - Perguntou Pansy. - Estamos
conversando tão bem. Está até legal!
- Por que eu mandei você
fazer... - Com um movimento rápido da varinha se livrou do Feitiço
do Corpo-Preso e bradou alto: - SILENCIO!
No exato momento, Pansy
calou-se com um baque surdo, entrou em desespero e começou a agitar
varinha em varias direções, produzindo nada mais do que faíscas.
Draco acenou a varinha rapidamente e Pansy caiu de costas no chão.
Ainda estava com muita raiva por Pansy saber mais sobre isso
do que ele.
- Agonize bastante, Parkinson. - Disse ele em tom
frio. - Espero que apareça um dementadorzinho aqui para pegar você.
- Ele sorriu. - Eles não precisam reconhecer pessoas disfarçadas
mesmo.
Draco apontou a varinha para o rosto de Pansy e abriu a
boca para falar o encantamento quando palavras cravadas no ar, em
fogo, começaram a aparecer na sua frente. Quando percebeu, Pansy que
estava fazendo as palavras, seus olhos estavam fechados apertados e
ela mexia a varinha da exata forma de cada letra.
"EU POSSO
TE MOSTRAR OS OUTROS".
Draco sorriu e olhou para Pansy.
Traidora..., pensou ele.
- Tá, mas você vai caladinha. -
Ele a puxou pelo braço para levantar-se. - Mas você vai presa. -
Ele ordenou um feitiço não-verbal e uma corrente apareceu ligada ao
pescoço de Pansy. Ele pegou a outra ponta da corrente e a varinha de
Pansy. - Me mostre o caminho.
Pansy indicou a porta de uma loja
escura com cartazes na porta. Parecia estar desligada a meses. Na
porta da loja era o único lugar onde não havia neblina. Draco logo
concluiu que a porta estava...
- Enfeitiçada para ser um Portal
de Luz? - Perguntou ele a Pansy. Ela afirmou com a cabeça e ele a
empurrou para dentro do Portal. - Você primeiro.
Pansy atravessou
o Portal tropeçando, seguida de Draco. Quando chegou do outro lado,
Draco viu o que esperava ter visto na hora em que desaparatou no
Beco. Havia jatos de luz por todos os lados, Draco viu Harry e Ron
brigando com um rapaz loiro e alto, que muito se parecia com ele, mas
ele não sabia quem era. Viu Sr. Weasley lutando com seu Tio
Rodolpho, Luna brigando com Paulette, que parou na hora em que viu
Pansy acorrentada nas mãos de Draco. Quando Paulette se virou para
olhar para eles, Luna a atingiu com um Sectumsempra no meio das
costas. O sangue de Paulette jorrou e ela caiu no chão. Luna, como
Draco percebeu, parecia ter quebrado um braço, o direito, pois
parecia estar pendurado em seu ombro.
- Satisfeito, Draco? -
Perguntou Pansy. - Agora você pode me soltar? Tenho que ir pra
longe. Minha senhora vai me caçar depois do que eu fiz.
Draco
soltou a corrente de Pansy das mãos. Sorriu e perguntou
suavemente:
- E o que você fez? - Ele queria ouvir de sua boca.
-
Eu... A traí. Eu te trouxe até ela.
- Sabe, Parkinson... Eu e a
sua senhora temos uma coisa em comum. Sabe dizer o que é?
- Têm?
- Pansy parecia assustada. - O que?
- Nós dois odiamos... - Draco
parou e olhou para o lado do rosto de Pansy que estava visível. -
Traidores!
Apontou a varinha para a cabeça de Pansy e gritou:
-
AVADA QUEDAVRA!
Fora o primeiro Avada que se era escutado naquela
batalha. Muitos olharam. Quando Draco se deu por si, entendeu o que
estava se passando em sua cabeça: ele queria matar, ele queria
Hermione de volta e ele realmente queria entender tudo o que havia
acontecido.
Hermione,
sentada no alto do Gringotes, com Dolohov, observava a batalha que já
havia começado novamente, sem ter uma ampla visa do que estava
acontecendo. Ela ouvira o Avada Kedavra, com certeza, mas não pode
ver quem lançou e quem foi atingido. Mas tinha plena certeza de que
o lançador era um dos seus. Esse foi seu maior erro.
- Madame? -
Chamou Dolohov.
- O que? - Respondeu Hermione com a arrogância de
Bellatrix.
- Perdemos um, senhora. - Disse ele com a voz carregada
de medo da reação de Hermione. - Ou melhor, uma.
Hermione que
tinha agido com indiferença até agora, se sobressaltou e olhou para
Dolohov com uma preocupação mal disfarçada.
- Uma? - Perguntou
ela, mentalmente pedindo para não ter sido Ginny. - Quem?
- A
Srta. Pansy Parkinson. - Respondeu Dolohov. - Mas ainda não sei quem
a matou.
Hermione soltou uma exclamação de ódio pela perda de
uma de suas melhores feiticeiras e alivio, por não ter sido sua
preciosa bonequinha. Olhou para Dolohov e sorriu um sorriso mal.
Dolohov entendeu o recado e voltou ao seu posto de observador.
Hermione só sairia da segurança de sua toca no Gringotes, quando
fosse a hora. E a hora não iria demorar para chegar.
Valentino
avançava com toda a força para Harry e Luna, que agora lutavam lado
a lado. Valentino estava com o rosto ensangüentado e mancava, mas a
varinha ainda estava firme em seu punho. Harry sempre se atirava na
frente dos feitiços, visando proteger Luna, já que estava grávida,
mas não adiantava muita coisa, ela ainda estava sofrendo o efeito de
alguns feitiços.
Luna pensava em Harry e no seu bebê. Não podia
acontecer nada a eles agora, não agora que estava dando tudo certo.
Luna olhou para Harry, mas não o viu, e sim, o corpo pesado de
Rodolpho Lestrange ser lançado, estuporado, contra ela. Tombou no
chão e bateu a cabeça com tanta força que parecia que seu crânio
iria rachar.
- LUNA! - Berrou Harry, indo em direção a ela. -
Luna! Luna acorda!
- Harry, eu tô acordada. - Respondeu Luna com
impaciência. - E to bem. Agora, só me ajude a levantar e ficará
tudo bem.
Harry assentiu e estendeu a mão para Luna. Nesse
momento, Harry avistou Draco, que ainda continuava quieto e
observador. Acenou, mas Draco apenas balançou a cabeça e voltou a
olhar a batalha. Harry não aceitou isso e, pela primeira vez, largou
Luna sozinha duelando com um Comensal de rosto cinzento e
baixo.
Draco viu Harry se aproximando e o encarou.
- O que você
está fazendo aqui parado? - Perguntou Harry.
- Nada que seja da
sua conta. - Respondeu Draco, com frieza.
- Mas você ficou cego?
Ou o que? - Harry estava com o que de indignação na voz. - Se você
não está vendo, há uma guerra aqui!
- Não, não há.
- O
que aconteceu com você, Draco? Você está agindo diferente.
-
Nada que seja da sua conta. - Repetiu Draco com a voz mais fria do
que antes. - E saia da minha frente. Não quero obstáculos no meu
caminho. - E saiu para o meio da multidão que duelava.
Harry
observou Draco sair e não agiu.
- Harry! - Gritou a voz de Ron e
trouxe Harry de volta ao presente.
Harry olhou e viu nos olhos do
amigo, uma expressão que ele temia mais do que tudo. Havia pavor e
pesar nos olhos de Ron.
- Harry! Ajude! - Berrou Ron novamente. -
A Luna...
Antes de Ron completar a sua frase, Harry já estava
correndo em direção a Valentino e Rodolpho, a varinha em uma mão,
mas ele parecia não querer usar magia, partiu para cima de Valentino
com toda a força e o atacou, socou a sua cara até sentir que havia
feito um corte no dorso da mão esquerda.
- Potter... - Disse a
voz de Rodolpho as suas costas. - Solte Valentino.
Harry olhou,
ainda segurando as vestes de Valentino, em posição de socá-lo
novamente. Mas a visão que teve o fez larga-lo na hora. Rodolpho
segurava Luna pelas vestes e ela estava desacordada, ela estava
perdendo muito sangue por um corte no braço esquerdo. Harry sentiu
seu coração quase parar. Olhou, procurando Ron e os outros, mas
tudo que viu foi seus amigos, nas garras de Comensais da Nova Era.
-
Então?! Largue Valentino. - Disse Rodolpho novamente.
Sem muita
idéia do que estava fazendo, Harry apontou a varinha para o peito de
Rodolpho e gritou:
- Avada Kedavra!
Um jato de luz verde
irrompeu da varinha de Harry e atingiu Rodolpho em cheio. Ele tombou
e Luna escapou de seus dedos e também tombou. Valentino se
desvencilhou dos braços de Harry e o empurrou. Estava sendo fraco.
Tinha deixado Luna sozinha e esse era o preço que ele tinha de
pagar.
- Ah... Potter, nas minhas mãos... Como eu sonhei com esse
dia. - Disse Valentino, pegando a varinha de Harry do chão e
examinando-a. - Sabe, eu queria vingar pessoalmente a morte de minha
mãe, sabe...
- Eu não matei a sua mãe. - Respondeu Harry,
tentando ser discreto e procurando a varinha de Luna.
- Claro...
Você não matou a minha mãe. - Valentino ofegava, mas seus olhos
transbordavam prazer. - Você não. Ela. - E apontou para Luna.
Harry
não entendeu, porque Valentino estava vingando a morte da sua mãe
nele sendo que quem a matou foi Luna?
- Eu respondo. - Disse
Valentino, e Harry percebeu que ele era Legilimente. - Porque você
vai sofrer mais do que ela. Porque ela é forte e você é um
fraco.
Harry olhou para Valentino sem acreditar que Luna havia
matado uma mulher, mas dessa vez, tentou bloquear a mente contra
Valentino. Harry sentiu, de repente, um suspiro em sua nuca, talvez
Luna estivesse acordando!
- Harry...! - Sussurrou Luna no ouvido
de Harry, mal mexendo a boca, com medo de ser descoberta. - Se segura
no meu braço.
- Não, Luna, me dê a sua varinha, você está
fraca e perdeu... - As palavras lhe sumiram no momento em que viu
Draco subindo em direção a Grande Sala Superior do Gringotes. Ele
sabia, que lá estava ela.
- Harry, eu to bem. - Disse
Luna.
- Luna, olhe - Disse Harry indicando com a cabeça Draco -,
quando ele subir, fará barulho porque o feitiço vai disparar...
-
Sim... - Respondeu Luna.
- E eles vão olhar, com certeza.
-
E...
- Você estupora Valentino e eu pego minha varinha, ok?
-
Ok.
- Daqui em diante não te deixarei sozinha mais. Vamos pegar
os outros.
Luna sorriu. Por um instante, pensou que estava tudo
perdido, mas apareceu ser principe Harry...
-
Dolohov? - Chamou Hermione.
- Sim, senhora?
- Onde está
Ginny?
Dolohov a encarou.
- Não sei, senhora.
- Hm... Pare
de olhar esses inúteis e vá se juntar a eles, essa batalha já está
me entediando. - Disse ela, impertinente.
- Sim, senhora. - E
Dolohov começou a descer os degraus circulares da Grande Sala e
desapareceu de vista.
Hermione o observou sumir e voltou a sua
atenção para o novo visitante.
- Pensei que não vinha mais,
Draquinho. - Disse ela sem se virar para Draco.
- E quem disse que
eu perderia uma oportunidade dessas de acabar com você, titia? -
Respondeu Draco, que estava encostado nunca parede e brincava com a
varinha.
- Foi você que matou Pansy? - Perguntou Hermione ainda
com um tom sereno.
- Foi.
- Hm.
- Então, não se cansou de
ser outra pessoa? - Perguntou ele, ainda encostado na parede. - Ou
será que você gostou de estar num corpo que não possua
sangue-puro? - E riu.
- Não foi minha escolha. - Disse ela, um
sorriso se formando em seus lábios. - Mas mesmo se fosse, você
achou mesmo que eu perderia a chance de te machucar igual
agora?
Draco parou de brincar com a varinha na hora. E a encarou,
ela havia se virado para ele.
- Ah, Draquinho, você acha que eu
não te conheço? - Draco sentia suas palavras como se fosse a
verdadeira Hermione falando. Seu sorriso era tão lindo quanto o
dela. Esse era o seu sorriso.
- Você não sabe de nada,
sua louca. - Retorquiu ele, ainda sustentando o seu olhar.
- HOHO!
- Disse Hermione. - Mais respeito com a sua tia, Draquinho.
- Não
devo respeitar seres inferiores que necessitam do corpo de outros
para poder se por de pé. - Dizendo isso, Draco jogou seu cabelo
loiro para trás, deixando seus olhos cinzas e frios a
vista.
Hermione se pôs de pé, parecia que o comentário de Draco
a afetara de verdade. Ela apontou sua varinha para ele, que continuou
a encara-la sem reação.
- Você deve sim, respeito a mim. Se sua
mãe estivesse aqui... - Começou ela em tom ameaçador.
- É, mas
ela não está. - Respondeu Draco com um tom de voz igual e se
virando para ela. - Se você não sabe, eu te conto. Seu marido matou
minha mãe depois da rendição dela e de papai ao novo
Ministério!
Hermione não acreditava no que ouvia, não sabia
disso.
Ela sorriu, não se daria por vencida por causa disso.
-
Vamos duelar. - Disse ela de repente.
- Como?
- Vamos duelar,
tá surdo?
- Não. Mas se você quer perder isso também.
Hermione
se colocou em posição de duelo e Draco também. Ambos fizeram a
reverencia e empunharam as varinhas. Quando Draco abriu a boca para
falar, Hermione foi mais rápida:
- Crucio! - Gritou ela e Draco
se contorceu e caiu no chão, gritando de dor, a varinha ainda firme,
mas a agonia e dor que estava sentindo não o deixavam pensar em
nada. - Crucio! - E a Maldição se retirou de Draco. - Desculpe
sobrinho. Ou melhor, você é que devia me pedir desculpas,
não?
Draco levantou a cabeça e com muito esforço olhou nos
olhos de Hermione, e neles apesar da sombra de sua tia, ainda
conseguia ver aqueles castanhos lindos, que brilharam para ele uma
vez.
- Des-desculpas? - Gaguejou ele, o efeito da Maldição não
tinha sido tão grande, ele ainda fingia.
- É, desculpas, estou
desapontada com você. - Hermione deu um risinho de desdém. - Eu
pensei que você não fosse sucumbir a primeira Maldição que eu te
lançasse. - Ela acenou a varinha e a sua faca de prata apareceu na
sua mão. - Você não consegue, Draquinho. Você é fraco, como a
Granger, como o Potter, como o Weasley. Você é só mais um no meio
deles... - Ela abriu a capa da faca e deixou a faca cair em direção
a Draco, e feriu seu braço.
Draco viu Hermione se afastando e se
levantou. Tirou a faca de Hermione de seu braço direito e empunhou a
varinha novamente. Mas quando se virou para Hermione, só pôde ver
seus cabelos castanhos desaparecendo à medida que ela pulava do
parapeito da janela da Grande Sala e descendo em direção a batalha.
Harry
e Luna haviam se safado graças ao plano de Harry e agora davam
combate a Valentino e Dolohov. Ha muito perderam Ron e os outros de
vista, mas hora e outra ouviam gritos. Se eram dos seus, não
poderiam dizer.
De repente ouviu-se uma voz feminina e conhecida
que ecoou por todo o Beco e vinha da entrada do Gringotes:
- Já
basta.
Harry e Luna olharam e os seus combatentes também.
Hermione se achava parada em pé, nos degraus de mármore
branquíssimo do Gringotes. Sua varinha estava abaixada e ela olhava
os outros com enorme desprezo.
- Harry...? - Harry ouviu uma voz
sussurrando as suas costas e virou o olhar com cautela para trás. -
Escute...
- Quem é você? - Perguntou ele a pessoa que estava
atrás dele e abaixada, e vestida com um manto negro da cabeça aos
pés.
- Fre... - Começou ele, mas Harry não sabia que Fred ainda
estava vivo e tinha vindo no lugar de George. - George!
Quando
Harry assentiu, ele continuou.
- Não baixe a guarda!
- Por
que?
- Você verá, mas não deixe a Luna baixar a guarda
também.
Mesmo Harry estando desconfiado, ele concordou. Mas antes
que Fred pudesse se distanciar o bastante, ele perguntou:
- Mas
como eu posso saber que é você mesmo, George?
Fred parou e fitou
o amigo. Pensou que ele não fosse perguntar isso.
- Porque sim. -
Ele sorriu. - Vou te provar.
Harry assentiu novamente.
- Você
deu para mim e para Fred mil galeões que você ganhou no Tribruxo,
você descobriu as Horcruxes ou que nome tenham e você - Ele fez uma
pausa. - é o único que consegue compreender a gente, Fred e eu.
Quero dizer, eu.
Harry se deu por satisfeito e ergueu o polegar
para o amigo, que entendeu como um sinal positivo e se
afastou.
Durante a conversa, Harry não havia reparado, mas
Hermione agora estava andando para ele e Luna. Quando virou a cabeça,
viu que Luna estava com a varinha erguida e seu rosto estava lívido.
Ao menos sinal da varinha de Hermione, todos os seus Comensais
começaram a duelar com os outros, e estes deram combate em resposta.
Hermione ergueu a varinha e começou a duelar com Harry e Luna.
-
Estupefaça! - Berrou Luna, mas o feitiço errou por um milímetro.
Hermione parecia estar se divertindo.
Foi só quando um
Sectumsempra de Harry acertou a perna esquerda de Hermione parou. A
varinha em punho e ela se virou para Luna apontou a varinha no meio
de sua testa e berrou:
- Avada Kedavra! - O jato de luz verde tão
conhecido por Harry passou como em câmera lenta.
Seu feitiço
escudo não foi rápido o bastante... Luna não havia sido
rápida o bastante. Ela caiu dura e fria, estatelada no chão, os
olhos abertos e bem vidrados, olhando para as estrelas que começavam
a aparecer. Harry sentiu seu coração despencar. Virou-se para
Hermione e com toda a sua raiva, começou a berrar encantamentos
aleatórios.
- Estupefaça! Rictumsempra! Expelliarmus! Crucio! -
Hermione começava a se divertir novamente com as tentativas em vão
de Harry de acertá-la.
Hermione nem se deu ao trabalho de dizer o
encantamento. Somente apontou a varinha para Harry e o jato de luz
verde novamente passou por ele o atingindo em cheio. A ultima coisa
que conseguiu ver foi Draco descendo da Grande Sala e vindo ao seu
encontro e ao de Luna. Mas agora, já era tarde de mais. O "grande"
Harry Potter havia morrido pelas mãos de sua melhor amiga. Agora,
ele, Luna e seu filho, podiam viver juntos para todo o sempre...
