As personagens de Inuyasha não me pertencem e possuem todos os seus direitos reservados.

AVISO: O capítulo a seguir possui cena hentai, quem não gostar ou não se sentir à vontade de ler, NÃO LEIA!


CAPÍTULO IX

Rin apertou a mão de Harcourt, que a congratulou pelo bom dia de trabalho, antes de levar o equipamento até o furgão. Estava tudo pronto para que voltassem ao hotel. O sol se punha, e depois de doze horas de calor, nada parecia mais desejável do que um banho e uma cerveja gelada, não necessariamente nessa ordem.

Jakotsu estava ao volante e olhou pelo espelho retrovisor.

Onde está Sesshoumaru? Achei que estivesse com você.

Nós não somos gêmeos siameses, Jakotsu. Não estamos atados um ao outro.

Jakotsu suspirou e olhou para o teto.

Posso falar livremente o que penso, chefe?

Desde quando você pede permissão para falar?

Desde que Sesshoumaru me disse que tenho de ter tato. Estou tentando seguir o conselho dele. Se me der permissão, eu...

Fale logo, Jakotsu.

Sesshoumaru é louco por você. Quero dizer, teria que ser cega para não perceber como ele olha para você.

Rin havia notado a forma como ele a seguira com o olhar o dia todo. Porém, sabia que era parte do jogo para enganar Kohako. Infelizmente, a equipe também estava sendo iludida.

E, mesmo correndo o risco de ser acusado de não ter tato, tenho de dizer que vi você olhando para ele do mesmo jeito.

Rin não podia negar. Não conseguira deixar de fitá-lo, especialmente depois que ele tinha despido a camiseta para aliviar o calor. Ela o cobiçara, e havia pensado que ninguém perceberia.

Acho que vocês devem se casar o mais depressa possível.

Obrigada pelo conselho, Jakotsu.

Vocês formam um casal perfeito.

Onde está Sesshoumaru? — Ela mudou de assunto, olhando ao redor — Estou exausta, faminta e...

Naquele momento, avistou-o à beira do desfiladeiro, gravando o maravilhoso pôr-do-sol, e receou que Jakotsu ouvisse as batidas desenfreadas de seu coração. Saiu do furgão e se aproximou devagar, deslumbrada com a beleza do perfil solitário delineado pela luz dourada do sol.

Sesshoumaru abaixou a câmera quando ela parou ao lado dele.

É tão lindo que não parece real — ele murmurou. — É perfeito... E talvez seja isso que me assuste tanto. Eu desconfio da perfeição, pois fico sempre esperando que algo bom demais desapareça — ele refletiu.

Ela fitou-o. Os cabelos estavam em desalinho e úmidos de suor na altura da nuca. O sol quente do deserto deixara a pele ainda mais bronzeada e o contraste com os olhos fazia com que parecessem mais claros. Ele ainda exibia o peito nu.

Sim, eu entendo. — Virou-se para o furgão — Vamos, Sesshoumaru. Precisamos de uma cerveja gelada.

Não, obrigado. Ainda estou me recobrando da ressaca de duas noites atrás.

Nesse caso, vamos tomar um refrigerante gelado.

Sesshoumaru abriu a boca para dizer alguma coisa. Queria aproveitar a oportunidade para mencionar que estava sóbrio. Precisava saber como ela reagiria, constatar se ela dissera mesmo aquelas palavras com as quais temia ter apenas sonhado: "Se ainda quiser fazer amor comigo quando estiver sóbrio, me avise."

Rin... — começou, mas ela já tinha voltado para o furgão. Jakotsu estava ao volante, e sua chance se foi.

Em algum momento naquela noite estariam sozinhos. Então reuniria a coragem para se declarar. Na pior das hipóteses, veria uma expressão de pena nos lindos olhos. Nesse caso, ele encontraria uma desculpa para partir no final da semana, pegaria sua moto e iria para algum lugar, a fim de viver infeliz para sempre, com o orgulho ferido e o coração partido. Na melhor das hipóteses...

Sesshoumaru sorriu conforme se afastavam do parque nacional.

Qual é a graça? — Rin perguntou. Ele apenas meneou a cabeça.

...

Rin, é melhor ir mais devagar... — Sesshoumaru apontou para os copos vazios sobre a mesa.

Ela arqueou as sobrancelhas e ergueu a voz acima da música alta.

Acha mesmo que é a pessoa mais indicada para me dar esse conselho? — provocou.

Pode aproveitar a oportunidade de aprender com meus erros. Você nunca bebe mais de uma cerveja, e já pediu a quarta caneca. Vou ter de carregá-la para o quarto.

Rin abriu a boca para explicar que três das canecas vazias não continham nada além de refrigerante, mas se deteve. Deixaria que ele acreditasse no que quisesse. Estava cansada, frustrada e louca para ir para a cama.

Toda a equipe havia se reunido para o jantar, e Rin percebeu com o canto dos olhos quando Sesshoumaru terminou a refeição e se recostou à cadeira. Logo depois, aproximou-se, passou o braço sobre seus ombros e inclinou-se, falando em seu ouvido:

Kohako acabou de entrar.

Ela fitou Sesshoumaru e, por um momento, perdeu-se no calor de seus olhos. Porém, irritou-se ao vê-lo sorrir, pensando em como estava cansada daquele jogo. Levantou-se abruptamente, livrando-se do abraço.

Com licença. — Foi até o bar.

Em poucos dias, Sesshoumaru iria embora. Mesmo que tivesse medo de ele nunca mais voltar caso descobrisse seu amor, deu-se conta de que seria muito pior deixá-lo partir sem revelar seus sentimentos. Ou demonstrá-los. Sim, poderia simplesmente mostrar a ele...

Pediu outra cerveja, sorrindo. Sesshoumaru achava que ela havia bebido além da conta. Deixaria que pensasse assim... Se ela fizesse tudo da maneira certa, ele provavelmente a carregaria mesmo dali... Decidiu que as regras do jogo tinham acabado de mudar. Talvez ele partisse, mas não sem antes saber o que estaria perdendo.

Senhorita Nakagawa... — A voz de Kohako a sobressaltou. Ele sorria, com o cotovelo apoiado no balcão. — Fizemos um bom trabalho hoje, não acha?

Ela se forçou a parar de pensar em Sesshoumaru.

Creio que sim, mas apenas saberei com certeza após assistir a gravação.

Quais são seus planos para amanhã?

Bem, se o clima estiver bom como o de hoje, vamos...

Olá, Kohako.

Rin ergueu o rosto para ver Sesshoumaru parado atrás dela. Embora não a tocasse, a postura corporal era obviamente possessiva.

Sesshoumaru. — Kohako retornou o cumprimento.

Rin tomou um gole de cerveja, retomando o assunto como se não tivessem sido interrompidos.

Vamos ao chalé gravar algumas cenas de Harcourt com a família.

Segundo a previsão do tempo, o dia será chuvoso — Kohako informou.

Nesse caso, teremos de improvisar.

Querida, posso tomar um gole da sua cerveja?

Sesshoumaru não esperou pela resposta. Apanhou a caneca das mãos dela com naturalidade e bebeu todo o conteúdo. Rin olhou para a caneca vazia.

Sesshoumaru...

Venha, vamos dançar. Com licença, Kohako. – Ele a puxou para a pequena pista.

Você tomou toda a minha cerveja — ela reclamou, indignada. — Achei que não ia beber hoje à noite.

E eu achei que você já havia bebido demais.

Ele a estreitou entre os braços, e Rin resistiu por apenas um segundo antes de relaxar. Estava exatamente onde queria. Não havia motivos para lutar.

De repente, percebeu as mesas vazias.

Para onde foram todos?

Decidiram ir para um bar com música ao vivo. Queriam que fôssemos junto, mas achei que você preferiria ficar.

Por quê? — ela questionou de maneira acusadora. – Podia ao menos ter me consultado.

Ele utilizou a desculpa mais fácil.

Porque Kohako está aqui.

Na verdade, desejava uma chance de ficar com Rin a sós, mesmo que ela já tivesse bebido demais para ter uma conversa séria.

Como está minha linguagem corporal agora?

Você parece brava comigo — Sesshoumaru respondeu sem pensar.

Ela o envolveu pelo pescoço, e o movimento os aproximou. Rin roçava o corpo em seu peito, acariciando-o na nuca com o polegar.

Melhor agora? — ela perguntou.

Rin, isso não é...

Ela o interrompeu, colocando-se na ponta dos pés para cobrir a boca provocante. Sesshoumaru hesitou por um instante antes de se render ao beijo lento e sensual.

O que diz minha linguagem corporal agora? — Rintentou parecer casual, mas a voz um pouco ofegante a traiu.

E melhor ter cuidado. Não sei se tem certeza da mensagem que está enviando. Kohako...

Por que ele tinha de se referir a Kohako? Estava na hora de parar com aquela história, Rin decidiu.

Kohako acha que vivemos juntos. Não se surpreenderá ao me ver beijando você. Além disso, não foi você mesmo quem disse que o brinquedo dos outros meninos sempre parece mais interessante?

Rin pousou o olhar na boca de Sesshoumaru, naqueles lábios que podiam beijá-la de forma tão fabulosa, que a faziam sentir-se consumida pela paixão.

Ele não soube como conseguiu continuar dançando. Rin estava enganada ao presumir que estava preocupado com o que Kohako iria pensar. Na verdade, Sesshoumaru estava se referindo a si mesmo. Ela o fitava, enviando sinais de que ansiava por um beijo. Por quê? Porque Kohako estava ali, observando? Porque precisava praticar a linguagem corporal? Ou simplesmente porque queria, de fato, que a beijasse?

Ele ousou ter esperança...

Buscou nas profundezas dos olhos fascinantes algo que revelasse que aquilo não se tratava de um jogo. Identificou desejo, assim como insegurança. Ela duvidava da atração que exercia e temia que ele a rejeitasse. E, quanto mais ele demorava para agir, mais a insegurança crescia.

Sesshoumaru não resistiu. Beijou-a intensamente, pegando-a de surpresa, e conduziu-a para um canto isolado do bar.

Rin nem sequer percebeu que se moviam até que se viu de costas para a parede. E ele continuava avançando, beijando-a, aproximando-se dela.

Uma das mãos mergulhou em seus cabelos, segurando-a com força. Os beijos longos e íntimos enviavam ondas de calor pelo seu corpo, incendiando seu sangue e fazendo-a derreter. A outra mão acariciava-lhe as costas, apertando-a de encontro ao abdômen rijo. Ela sentiu a inconfundível força da ereção pressionando-a no ventre.

Ele a desejava... A certeza a fez delirar, e Rin correspondeu às carícias com paixão. Moveu os quadris de maneira lenta e provocante, roçando o ventre em sua virilha, provocando um gemido baixo e sensual. Sim, ele a desejava.

Sesshoumaru não suportaria aquela situação por muito tempo. No canto escuro do bar, eles eram apenas duas sombras, fundidas em uma só. Ele podia beijá-la na privacidade proporcionada pela escuridão, mas sabia que não seria o suficiente. Queria tocá-la, sentir a pele nua se arrepiar sob seus lábios, inalar o perfume doce e tentador sem nenhuma barreira que os separasse.

Porém, sabia que havia barreiras maiores entre eles do que as roupas.

Precisavam conversar. Mas quando se afastou, Rin beijou-o de novo, deslizando as mãos sob sua camiseta. A sensação dos dedos dela em sua pele quente o fez ofegar.

Ouviu-a gemer de prazer quando correu as mãos por suas costas e envolveu-o com uma das pernas.

Rin... — sussurrou. Podia sentir o calor do corpo macio e a pressão torturante dos seios firmes em seu peito. Ela sabia o que estava fazendo com ele? Quanto ela tinha bebido? Quase quatro cervejas, lembrou, fechando os olhos com desespero. Ela bebera demais. Aquilo não era justo.

Não podemos ficar aqui — gemeu, à beira da insanidade.

Então, vamos para o quarto.

Sesshoumaru mal conseguiu respirar ao ver o sorriso provocante quando ela o tomou pela mão e o puxou para a porta.

Ele tentou resistir. Pretendia sentar e conversar, colocar alguma distância entre eles, permanecer em um lugar seguro, que evitaria que ele a tomasse de novo nos braços.

Querida, espere...

Porém, ela não parou até que tivessem saído de lá. A noite estava fria e o perfume dos pinheiros pairava no ar. Rin respirou fundo sem soltar a mão dele, e sentiu-lhe a palma úmida. Ela tinha mesmo feito Sesshoumaru Taisho suar? Fitando-o, percebeu que sim e sorriu.

Rin, você sabe, eu acho que...

Sesshoumaru, não diga nada. Apenas me beije.

Não queria que ele pensasse nem analisasse o rumo que estavam tomando.

Teriam tempo para isso no dia seguinte. Naquele momento, tudo o que Rin queria era seduzi-lo. Se conseguisse, ao partir ele ao menos saberia como ela se sentia. Tinha certeza de que ele a desejava.

Vamos — sussurrou, tentando aproximá-lo dela — Beije-me novamente.

Por quê?

Ela sustentou o olhar intenso. Porque eu te amo. Não conseguiu, porém, pronunciar as palavras.

Kohako está olhando — respondeu, escolhendo a saída covarde.

Não era o que ele queria escutar, e desviou o rosto para que ela não visse a decepção em seus olhos. Kohako. Naquele momento, não se lembrou de alguém que odiasse tanto.

Sentiu-a envolver seu pescoço e gemeu. "Rin, não faça isso comigo."

Porém, antes que pudesse falar, ela ficou nas pontas dos pés e pressionou-lhe os lábios. Fechou os olhos e deixou-se perder num turbilhão de emoções. Diabos, ele a amava. Desejou afastá-la, gritar e implorar que ela não o usasse daquela maneira. Mas também queria permitir que fizesse com ele o que desejasse.

Por isso, correspondeu ao beijo com paixão, rezando para conseguir parar quando ela pedisse, rezando também para que ela não pedisse. Através da bruma do desejo, percebeu que, de alguma forma, haviam se afastado da varanda e seguiam na direção do hotel. Rin apertou a mão dele e subiu os degraus. Mas ele não conseguia parar de beijá-la. Havia passado da hora de se declarar. Inseriu a língua na boca macia, saboreando-a, invadindo-a, sucumbindo aos sentimentos que mantivera escondidos durante tantas semanas.

Em um momento desesperado, soube exatamente o que tinha de fazer.

Precisava levá-la para cima e contar-lhe a verdade. Se ela tivesse bebido demais para entender, ele a colocaria na cama e a deixaria dormir. E então conversariam de manhã.

Rin se pressionava contra seu corpo, enlouquecendo-o. Céus, ela sabia como a desejava. Bem, sua ereção era mais do que evidente. Mas ela não parava de provocá-lo. A linguagem corporal dela era inconfundível. Com um gemido estrangulado, pegou-a no colo e subiu as escadas de dois em dois degraus. Logo, abriu a porta do quarto e colocou-a no chão.

Apesar de ele não tê-la soltado, Rin percebeu que mentalmente ele recuara um passo. A porta estava fechada, assim como as cortinas, e, a menos que Kohako Yamamoto tivesse visão de raio-X, não havia maneira de usá-lo como desculpa. Sesshoumaru soltou-a, e ela soube que não tinha escolha. Teria que revelar a verdade.

Quando o viu se afastar com expressão séria percebeu que precisava falar. Naquele momento. Aproximou-se dele e respirou fundo.

O que você faria se eu pedisse para não parar?

Sesshoumaru congelou, e ela deu mais um passo em sua direção. Estava perto o bastante para sentir a vibração do corpo quente. Porém, ele não a tocou. Em vez disso, fitou-a intensamente, e a conexão entre eles era quase palpável.

Suponho que teria de perguntar por quê. A menos que você me dê uma boa razão para não parar, terei de presumir que está agindo assim por causa das cervejas que tomou.

Os olhos dele eram lindos. Ao observá-lo, percebeu que ele os desviava para seus lábios. Foi um movimento muito rápido, mas transmitiu uma mensagem inequívoca. Apesar das palavras de cautela, ele queria beijá-la. Saber disso deu a Rin a confiança necessária.

Sesshy... — A voz não passava de um murmúrio. — Qual seria uma boa razão? Quero dizer, você pode me dar um exemplo...?

Ela umedeceu os lábios, atraindo o olhar dele novamente.

Sim. Por exemplo, se você dissesse que me deseja. A mim, e não a Kohako. Essa seria uma boa razão.

Se eu dissesse isso, o que você diria, então?

Sesshoumaru fechou os olhos por um breve instante, e quando os abriu, olhou diretamente para ela.

Eu amo você, Rin — sussurrou. — Eu diria que estou apaixonado por você.

Sesshy a amava. Ela mal podia respirar.

E então — ele acrescentou suavemente — , se você me convencesse de que não bebeu muito, se eu tivesse certeza de que você sabe o que está fazendo, eu a tomaria pela mão a levaria até aquela cama e faria amor com você.

Rin o encarou por longos segundos, enquanto as palavras dele pareciam ecoar no quarto. Percebeu, então, que ele esperava uma resposta.

Tomei apenas uma cerveja. – Ele franziu o cenho.

Mas...

Sim, havia quatro canecas na mesa — ela respondeu antes que ele formulasse a pergunta. — Porém, três delas continham refrigerante. Estou sóbria. E você?

"Se ainda quiser fazer amor comigo quando estiver sóbrio, me avise."

Não foi um sonho, então?

Rin apenas meneou a cabeça.

Eu também estou sóbrio. — Ele sorriu — Deus, acho que nunca estive tão sóbrio em toda a minha vida!

Então, não pare... Faça amor comigo, Sesshy.

Por quê? — Sesshoumaru perguntou.

Rin olhou para si mesma, dando-se conta de sua postura, e franziu a testa de leve. Relaxou os braços e estendeu as mãos para ele, com as palmas para cima.

Porque eu quero você. Porque eu te amo.

Ela prendeu a respiração, espantada com o brilho de lágrimas nos olhos dourados. Sesshoumaru tomou-a nos braços.

Eu amo você — repetiu, antes de dar-lhe um beijo longo e profundo.

As mãos dele foram gentis ao abrirem os botões de sua roupa. Tateou a pele macia quase com reverência, antes de deslizar a blusa pelos ombros delicados.

Isso é estranho... Eu o conheço tão bem, mas...

Sim, é estranho — Sesshoumaru concordou — Deliciosamente estranho.

Beijou-a novamente e mergulhou os dedos nos cabelos sedosos. Tomando-a pela mão, levou-a para a cama. Antes de se unir a ela, retirou a camiseta e jogou-a no chão.

Lembra-se daquela vez em que pisei num anzol de pesca? — Rin perguntou de repente.

Havia surpresa nos olhos de Sesshoumaru quando a encarou, sentada seminua na cama, com as pernas dobradas e abraçada aos joelhos. Após um instante, ele sorriu e deitou-se ao lado dela. Quase como por mágica, ele era de novo seu velho amigo Sesshoumaru. O corpo espetacular ainda estava ali, seus olhos ainda brilhavam com o calor do desejo, mas essa postura relaxada lhe era mais familiar.

Claro que me lembro. Foi no verão em que você tinha quatorze anos. Eu a levei para o hospital, carregando-a por quase cinco quilômetros. Você gritou durante o caminho todo.

Estava apavorada. Doía muito.

Sesshoumaru apoiou-se em um cotovelo, estendendo o braço para acariciar os pés descalços de Rin.

E quando a levei para casa, sua mãe teve uma crise, expulsou-me e disse para eu nunca mais voltar.

Rin olhou para a mão forte que tocava seus dedos. Como um gesto simples podia ser tão sensual?

Você subiu a escada de incêndio e foi ao meu quarto naquela noite.

Estava preocupado. Do jeito que sua mãe reagiu, achei que você morreria de tétano ou algo parecido. Queria ter a chance de me desculpar.

Você se lembra do que disse?

Não.

Disse que não deveríamos ter ido pescar, que fora uma idéia estúpida e que era culpa sua que eu tivesse me machucado.

Talvez a culpa não tivesse sido totalmente minha. Você não foi exatamente um gênio ao não olhar por onde andava. Mas o fato é que fui eu quem teve a brilhante idéia de ir pescar. Se não fosse por isso, você não teria se machucado.

Se não tivesse nascido, eu nunca me machucaria. Fico brava ao pensar que nunca mais tentamos pescar.

A mão continuava as carícias suaves, mas ele franziu o cenho.

Não fui feito para ser pescador, ao menos do tipo que se senta no píer e espera que o peixe fisgue o anzol. Depois que você se machucou, pareceu sem sentido tentar novamente. Mas por que estamos falando de pescaria?

Ela fechou os olhos e respondeu honestamente.

Porque estou me esquivando. Estou assustada.

Sesshoumaru permaneceu em silêncio por um momento.

Eu também estou — disse por fim — Mas é um tipo de medo bom, um estímulo, como andar na montanha-russa.

Ele girou o corpo e puxou-a para perto. Beijou-a com gentileza, e a ternura logo se transformou em paixão.

Rin correspondeu e o abraçou, agarrando-se a ele, segurando-o pelo pescoço como se sua vida dependesse daquilo. Ela sempre gostara de montanhas-russas. Mas era uma relação de amor e ódio. Temia o pensamento da subida pelos trilhos. E a primeira queda era um tipo de tortura. Ainda assim sempre se pegava querendo mais...

Rin, qual é o problema? — A voz suave de Sesshoumaru interrompeu seus pensamentos. Abriu os olhos e viu que ele a fitava. Ele a conhecia muito bem — Não temos que fazer isso. Podemos esperar. — Após dizer aquilo, ele revirou os olhos e sorriu — Nossa, eu disse mesmo isso? — perguntou — Quem poderia acreditar que tais palavras sairiam dessa boca? — Ele parou de sorrir, e o brilho divertido em seus olhos se transformou em calor, refletindo o desejo que o tomava — Na verdade, querida, eu não quero esperar. Eu a desejo. Nunca fiz amor antes da forma como quero fazer com você. — Ele respirou profundamente — Porém, se não estiver preparada...

Sesshy, eu não quero apenas uma noite. — As palavras escaparam antes que conseguisse reprimi-las.

Quando eu disse que amo você, estava falando sério — ele disse — Também não quero que seja apenas uma noite. Quero que seja para sempre.

Para sempre. Ela encarou-o, surpresa com a escolha das palavras. Para ele, qualquer coisa que durasse mais de três meses era eterna. Não se permitiria sonhar com algo duradouro. Ainda assim, aquelas palavras lhe deram esperança de que ele ficasse até o verão, talvez um pouco mais, até que fosse novamente seduzido pela liberdade e se afastasse dela. No que se referia a Sesshoumaru Taisho, estava disposta a aproveitar ao máximo o que ele estivesse disposto a oferecer.

Ela o beijou, puxando-o para cima de seu corpo, entreabrindo as pernas, e escutou-o gemer, um som que era uma mescla de dor e prazer.

Quero que tenha certeza disso — sussurrou.

Tenho certeza — Ela nunca quisera ninguém daquela forma. Porém, sabia também que depois que ele partisse passaria o resto da vida procurando um homem que a fizesse sentir a metade do que sentia no momento. E tinha certeza de que não encontraria ninguém que se aproximasse. Mas o futuro ainda estava distante, e não pensaria mais naquilo — Sabe do que não tenho certeza?

Ele meneou a cabeça em silêncio.

Não sei por que ainda não estamos sem roupas.

Ele relaxou e sorriu.

Posso cuidar disso. A não ser que você queira falar sobre, não sei..., a primeira vez que jogamos boliche?

Sesshoumaru a beijou de maneira possessiva e faminta, transformando o som do riso em um gemido de prazer. E cumpriu a promessa. Num instante, fez com que as roupas desaparecessem. A sensação do corpo quente de encontro ao dela era muito melhor do que qualquer outra que Rin tivesse imaginado. As mãos eram gentis e a acariciavam sem pressa, tocando-a em lugares secretos, sendo logo substituídas pela língua.

Queria que ele preenchesse seu corpo da mesma forma que preenchia sua alma. Agarrou os cabelos macios e arquejou quando ele sugou um mamilo. Não podia mais esperar. Ergueu os quadris, pronta para recebê-lo.

Mas ele se afastou, prosseguindo com a exploração sensual, percorrendo seu ventre, inserindo a mão entre suas coxas. Ela se entregou às deliciosas sensações provocadas pelos dedos hábeis.

Por favor — ela sussurrou — Sesshy, por favor, eu preciso de você agora.

As palavras suaves fizeram com que ele se lembrasse de procurar o preservativo que carregava consigo desde que decidira viajar até Phoenix para declarar seu amor. Ao se afastar um pouco, percebeu que ela o observava.

Deitada no travesseiro, os cabelos formavam um halo negro ao seu redor, a pele brilhava sob a luz tênue e os mamilos intumescidos pareciam esperar o toque dele. Tinha os olhos semicerrados e a intensidade daquele olhar o excitou ainda mais. Quando se fitaram, um sorriso de expectativa iluminou o lindo rosto.

Se eu acordar de manhã e descobrir que isso não passou de um sonho erótico, ficarei deprimida.

Ah, querida... Há quanto tempo tem tido sonhos libidinosos a meu respeito? — Sesshoumaru provocou, deitando-se novamente ao lado dela.

Rin baixou os olhos, consciente de que se entregaria.

Há uns dez anos, mais ou menos — respondeu honestamente.

Meu Deus, Rin, todo esse tempo? Eu não tinha idéia — disse, espantado.

Claro que não. Eu nunca falei e... bem, você sabe, naquela época eu era totalmente ignorante no que dizia respeito à linguagem corporal.

Ele sorriu, percorrendo seu corpo nu com um olhar faminto.

Você parece ter resolvido seu problema de comunicação. No momento, posso dizer, pela linguagem do seu corpo, exatamente no que você está pensando.

Rin riu.

Estou deitada aqui sem roupas. É melhor você saber mesmo, ou estarei em apuros.

Você está pensando que tem fome — ele brincou — E quer pedir uma pizza.

Ela o atingiu com o travesseiro.

Eu estava brincando — ele protestou, agarrando-a para impedi-la de repetir o gesto.

Ele prendeu seus pulsos com uma das mãos, mantendo seus braços acima da cabeça. Sentia a suavidade dos seios e ventre enquanto a fitava nos olhos.

Você me ama mesmo? — ela perguntou em voz baixa.

Sim. É tão difícil de acreditar?

Rin ficou em silêncio um instante, e então riu.

Bem, na verdade, é. Acho que preciso ser convencida.

Sesshoumaru sorriu e beijou-a, perdendo-se no calor daquela boca.

Eu te amo — sussurrou.

Ela era tão doce e suave. Abraçou-o e retribuiu cada beijo com ardor.

Convencida? — ele perguntou, acariciando-a.

Ainda não. — Ofegou ao sentir que ele voltava a tomar um seio na boca.

Eles ardiam de desejo. Os lábios de Sesshoumaru eram ávidos, o toque intenso, e havia um brilho febril em seus olhos. Rin, envolveu-o com as pernas, aproximando-o ainda mais. Sentia o membro rijo pressionando-a. Arqueou os quadris, incitando-o a possuí-la. Ele investiu com ímpeto, profundamente, completando-a à perfeição, fazendo com que se sentisse realizada. Prestes a perder o controle, ele parou de se mover, e mergulhou nos olhos dela.

Estava imaginando se chegaríamos nesse momento ou se passaríamos o resto da vida apenas nos beijando — ela sussurrou.

Ou falando sobre pescaria. Foi você quem começou, lembra?

Ela riu e se mexeu. Sesshoumaru respirou profundamente.

Rin, quero fazer amor com você devagar. Saborear cada segundo. Quero que dure horas, mas, querida, você me excita tanto que acho que não vou...

As palavras dele a estimularam ainda mais. Rin puxou-o pelo pescoço para beijá-lo enquanto retomava os movimentos. Ele gemeu e passou a acompanhar o ritmo. As investidas eram profundas e cada vez mais rápidas.

Estava completamente envolvido nas sensações proporcionadas pelo corpo quente, macio e receptivo, cada vez mais próximo do clímax. Sentiu a explosão de prazer atingi-lo com força e ouviu a própria voz à distância, gritando o nome de Rin.

Sentiu-a estremecer, tomada pelas ondas da própria liberação, e viu o êxtase estampado no rosto adorável.

Abraçou-a até recuperarem o fôlego.

Estou convencida — ela disse, a voz abafada contra seu ombro.

Ele ergueu-se e se deitou, puxando-a consigo.

Convencida?

De que me ama. — Traçou o contorno dos lábios sensuais com os dedos — Não poderia ter feito amor comigo dessa forma se não me amasse.

Queria fazer amor com você a noite toda. — Sesshoumaru fechou os olhos — Mas, meu Deus, não resisti nem três minutos.

Você contou? — perguntou, provocando — Vamos, Sesshoumaru, não me diga que se esqueceu da terceira regra de sua mãe para o sucesso masculino: "No que diz respeito a fazer amor, o que importa não é a duração, e sim a qualidade". E eu acho que nos saímos muito bem.

Ele abriu os olhos.

A terceira regra tinha a ver com...

O tamanho. Eu sei. — Rin revirou os olhos — Só achei que, uma vez que isso não é um problema para você, eu poderia criar uma variação.

Sesshoumaru começou a rir.

Meu Deus, eu amo você. Tem razão. Foi maravilhoso, não?

Acho que devemos repetir a experiência, muito em breve. Presumindo, claro, que, ao contrário da pescaria, seja algo que você queira tentar novamente.

Quer, por favor, parar de falar em pescaria?

Rin começou a rir e Sesshoumaru sentiu o peito transbordar de felicidade. A cada dia, pelo resto da sua vida, ele escutaria aquela risada. A cada noite, pelo resto de sua vida, ele a teria nos braços como naquele momento.

Eu vim para Phoenix porque descobri que estava apaixonado por você — ele finalmente revelou.

Espantada, ela ergueu a cabeça para fitá-lo.

Sim. — Ele sorriu com tristeza — Achei que poderia simplesmente tocar sua campainha e dizer que a amava. Mas não foi tão fácil, e você me jogou um balde de água fria quando falou sobre Kohako. Ele parecia tão perfeito, e eu fiquei tão assustado ao achar que tinha perdido minhas chances com você...

Rin mal podia compreender o sentido das palavras dele. Sesshoumaru fora até lá porque a amava? E ela o magoara. Sempre o achara uma pessoa confiante. Mas agora percebia em seus olhos o reflexo de todas as coisas que dissera a respeito de sua atração por Kohako.

Quero dizer — ele prosseguiu — o homem já é sócio de um grande escritório e possivelmente será o braço direito de Harcourt se ele ganhar a eleição. Ele nasceu em berço de ouro e já conquistou muitas coisas. — Ele inspirouprofundamente— Kohako é tudo o que eu não sou.

Kohako? Que Kohako?

A expressão de Sesshoumaru se desanuviou, e ele começou a rir.

Eu amo você, Sesshy. — Rin sorriu — Precisa ser convencido disso?

Ele a atraiu para si e a beijou.

Definitivamente — ele respondeu — Convença-me.


Desculpem a demora! Espero que tenham gostado desse cap!

Agradecimentos especiais para: Chelsea de Aguia, zisis e Yuuki-chan s2: ADOREI O REVIEW DE VCS!

Não sei qdo conseguirei postar o próximo cap, mas tentarei não demorar muito.

Ficarei imensamente grata e feliz se me deixarem reviews! ;-)

Bom...era isso...

Bjus e até o próximo capítulo!

=)

PS: perdoem se houver erros de português ou digitação, ou se esqueci de substituir o nome de algum personagem, é q não tive tempo de revisar!