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Memória IX: Arrependimento
Dono: Remus Lupin
Música: Bruce Dickinson - Tears of the Dragon
A melancolia presente no ar podia ser sentida até mesmo de fora da penseira...
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Eu fiz tudo aquilo para protegê-la? Será mesmo? Ou foi para me proteger? Proteger-me de uma possível dor de quando ela souber o que eu sou? Só sei que ainda dói, como se houvesse prata em minhas veias, me deixando fraco. Não quero comer, não quero dormir. Vegetar pode não ser a melhor das opções, mas é a que menos está me causando problemas.
Sirius, James e Peter concordaram em me deixar sozinho no dormitório pela parte da tarde. Concordaram, ainda que relutantes, em não tocar no assunto Emmeline. Eles queriam saber, era lógico. Eram meus amigos, queriam saber no que poderiam ajudar, mas, ainda assim, eu não quero. Eu ferrei tudo, eles não têm que consertar. Ninguém precisa fazê-lo.
Deitado em minha cama, não saio do dormitório há pouco mais de dois dias. Sirius e James vêm aqui pela tarde para me deixar o que comer e beber. Dizem que se eu não me alimentar, vou acabar definhando, sem forças... Seria bom, porque tudo o que eu quero agora é morrer. Quem sabe essa dor acabe? Quem sabe eu possa finalmente deixar de ser um fardo para os meus amigos?
Suspirei. Não era a primeira vez nesses dois dias em que eu pensava sobre isso. Em uma delas, eu peguei a faca que estava junto com a comida e coloquei sobre o meu pulso. Suicídio. Não sei se fiquei feliz ou triste em perceber que até para isso eu sou um covarde.
Eu não consigo comer. Essa é a verdade. O nó na minha garganta trava qualquer coisa que eu coloco na boca e, durante a noite, minhas lamúrias fazem com que, se eu consigo colocar alguma coisa no estômago, volte para fora... Alguns podem achar que é frescura. Frescura seria eu estar assim por nada e, definitivamente, eu afastar a única garota que eu realmente amei de mim, não é frescura.
- Moony? – perguntou uma voz conhecida e eu não me virei, continuei encarando o vazio, com curiosidade. Era James. Ele se aproximou e sentou-se ao lado de minha cama – Hey, Moony. Cara, nós precisamos conversar. – eu não respondi – É sobre a Emme. –
Eu fechei os olhos, esperando que algo me matasse antes dele começar. Tentei negar com alguma coisa, mas ele me cortou antes mesmo de eu começar.
- Quem vai voltar com o outro primeiro? – ele me encarou – Os dois não saem mais do quarto, você fica com essa merda de estado de fossa, nem come, só chora, só fica deprimido. Acorda, Remus! – ele falou me pegando pelos ombros e chacoalhando suavemente.
Eu estava assustado. Era o James mesmo que estava ali? Não parecia nem um pouco com ele. Estava estranho. Tinha olheiras embaixo dos olhos e uma aparência e gestos tão cansados que parecia comigo antes da lua cheia. Só tinha um motivo, eu tinha certeza: Lily.
- Eu sei que você a ama. Todos sabem. Só que por causa dessa sua merda de situação, você fica tentando se poupar... Ah, Remus, faça-me o favor! – falou James. Eu o ouvi silenciar a porta antes de vir até mim. Menos mal.
Ele me lançou um olhar triste. Tão triste que eu parecia ver a minha tristeza refletida.
- Não precisamos de mais ninguém com problemas aqui... E você precisa aprender a parar com essa mania de auto-sacrifício. Qual será o próximo passo, hã, Moony? – ele me perguntou com escárnio. Definitivamente não era o James – Lançar uma maldição da morte em si mesmo? –
Eu virei o rosto para ele com um pouco de dificuldade.
- Eu não quero que nada aconteça a ela e... – James riu. Riu bem alto. O último riso que eu esperava ouvir da boca dele.
- Pensei que você fosse mais inteligente, Remus. – ele sorriu com pesar. – Porque você já fez algo a ela. Ela está se torturando mentalmente no quarto dela, pensando no porquê de você terminar com ela. Ela está sofrendo mais do que sofreria com qualquer pessoa... – ele me olhou e eu senti o impacto de suas palavras. - Não me importo se isso o que eu falei custe a nossa amizade, mas, ainda assim, tudo isso o que você está fazendo, é patético. Você não está se sacrificando por ela. Está com medo dela saber sobre você. – James se levantou e foi em direção à porta. – Quando você resolver se mostrar o grifinório que é, eu estarei te esperando lá embaixo. Mas saiba que a Emme não ficará a vida toda te esperando. -
Assim que eu ouvi a porta se fechar, tentei me levantar, para ficar sentado na cama. Não importava a dureza nas palavras de James, não importava o escárnio que ele mostrou... Tampouco a fala sarcástica. No fim das contas, era verdade. Tudo era verdade. Eu estava sendo patético... Em um movimento impensado e rápido, me levantei e fui para o banheiro. Não poderia descer para o salão comunal do jeito que eu estava.
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E então tudo ficou turvo, como se o vapor da água estivesse cobrindo nossa visão. Não era isso. Estávamos novamente fora da penseira.
Notas do Autor: Zoada, essa memória, não? Mas tive de escrevê-la. É algo com uma pequena passagem que o Remus teve de fazer, com a ajuda de um James igualmente deprimido. Enfim, foi uma depressão quase que infinita rolando por ali. Trágico.
Explicações: Tears of the Dragon foi a música que ouvi para escrever, o ritmo me inspirou a escrever, espero que lhes ajude na leitura. Minhas aulas começam amanhã... Talvez o próximo tema seja "Run To the Hiils", quem sabe? Aliás, no próximo capítulo as coisas podem melhorar um pouco...
Próxima memória: Relembrar (James)
Pedido: E aí, você. É, você! Isso, você. Eu quero pedir uma coisa. Sim, só uma. Mande reviews... Sinceramente, nunca pensei em pedir algo assim, mas é interessante saber como está sendo recebida a fic. Escreva se achou ridícula, escreva se achou legal. Eu quero saber o que você acha. Por isso, reviews, please. Thank you!
Resposta às Reviews:
Fernanda # Obrigado, muito obrigado! E, sim, terá uma memória do Peter sim. Eu não vejo muitas maneiras de encaixar memórias sobre eles, já que pouco se pode tomar como base para fazer uma memória de seu ponto de vista. Nunca se sabe quando foi que ele resolveu aderir ao lado negro da força...
