Os dias de espera até que a Polícia de LA e seus peritos liberassem a escola e a sala de aula de Judy eram lentos e melancólicos para ela. Era difícil esquecer do incidente e pior ainda lidar com ele sozinha. Lembrou-se da ajuda que Nick Jakoby havia lhe oferecido, mas ao mesmo tempo que estava desesperada e disposta a aceitar sentia-se culpada em abusar da boa vontade dele.

Depois de mandar aquele pequeno SMS, foi criando coragem de procurá-lo pessoalmente. Só não sabia a que hora do dia fazer isso, já que Nick trabalhava o dia todo.

As horas livres de Judy iam sendo preenchidas com seu planejamento de aula, pensando também em como seus alunos voltariam depois do tempo de recuperação. De uma coisa ela sabia, teria que ser mais forte que eles. Contariam com ela para dar apoio e consolo nos dias que viriam. Era por isso que Judy procurava conforto para ela mesma, para que ficasse bem o suficiente para apoiar seus alunos.

Quando sentiu a barriga roncar, ela pediu uma pizza e enquanto esperava, continuava lendo sobre Magia, chegando a termos pouquíssimo explicados. Sabia dos mitos e mistérios sobre a varinha mágica, considerada uma arma nuclear e sobre os poucos e raros Brights que podiam empunha-las. Comeu quase toda a pizza, sem perceber que devorava uma fatia após outra, de tão distraída que estava. Foi quando deu 7:30 pm que decidiu tomar coragem e ir atrás de Nick, já que precisava desesperadamente de alguém para conversar. Tomou trem após trem em três estações de metrô, tentando passar desapercebida no meio da multidão. Antes que desse 8 da noite, Judy estava tomando fôlego à porta de Nick, prestes a bater. Até ser interrompida por ele mesmo.

-Srta. Snow?-Nick ficou confuso ao vê-la ali-está tudo bem? O que faz aqui? Não, que não pudesse me procurar é que... não esperava que viesse pessoalmente me procurar.

-Ah me desculpa-Judy sentiu-se sem graça-eu percebi, você já está de saída e eu estou te atrapalhando, eu sinto muito mesmo...

-Judy...-o próprio Nick se surpreendeu ao chamá-la pelo primeiro nome -eu vejo que está bastante aflita, por que não entra um pouco? Posso avisar a Tikka que não vou lá hoje.

-É a sua namorada não é?-Judy tentou deduzir e se sentiu triste-atrapalhei o encontro de vocês...

Nick se viu obrigado a usar uma tática policial, tocar o braço dela, para reafirmar sua presença, para que ela prestasse total atenção nele.

-Tikka é uma amiga, nada além disso, te garanto-ele esclareceu-agora entre por favor.

Ele pediu com toda calma e Judy acabou aceitando finalmente.

Suspirou e seguiu o policial para sua casa adentro. Observou o simples apartamento, pequeno mas confortável, sem nenhum sinal de que vinha alguém ali com frequência.

-Fique à vontade-Nick ofereceu e ela sentou-se no sofá, se sentindo tímida outra vez.

-Eu me sinto mal por ter feito você perder seu compromisso-Judy lamentou mais uma vez-eu... não sabia mais o que fazer, eu... na verdade, Nick é que, precisava de alguén pra conversar sobre o tiroteio. Eu ainda tenho pesadelos, não sei como vou poder confortar meus alunos quando voltarmos à escola e, tenho medo de que aconteça de novo.

Nick se abaixou à frente dela, ignorando a própria timidez, tomando as mãos dela, sentindo o tremor de Judy.

-Infelizmente não posso garantir que não vai acontecer-ele disse explicando-uma violência pequena ou grande nós sempre vamos sofrer, mas precisa ter esperança, mesmo que raramente não aconteça nada, nas ainda assim há a possibilidade de tudo ficar bem. Tente acreditar nisso.

-Eu... preciso tentar de novo crer que vai ficar tudo bem-Judy apertou mais um pouco as mãos de Nick-tenho medo de sair e... ver algo como aquilo de novo. Sei que não estamos isentos disso, eu... só queria lidar melhor com isso.

-Sabe, eu tive um trauma como o seu durante muito tempo-Nick começou a contar, agora sentado ao lado dela-deixei meu parceiro ser baleado, só fiquei realmente bem depois que conversamos sobre isso. Eu expliquei meus motivos. E... conforme o tempo está passando, acho que o Daryl está começando a me entender melhor.

-Daryl... seu parceiro...-por um momento a mente de Judy se atentou a outro assunto-era o policial humano que estava com você naquele dia?

-Ele mesmo-Nick confirmou.

-Ele foi gentil comigo-lembrou-se Judy-muito diferente da maioria dos policiais.

-Ele está começando a mudar, como eu disse-constatou Nick mais uma vez-Mesmo que não queira admitir.

-Mas sabe, pelo menos, ele está mudando, o que já é um começo, e um tanto promissor, você pode começar a ter um pouco de-Judy comentou.

-Esperança-Nick respondeu logo depois.

-Era o que eu estava pensando-ela concordou-talvez deveria ver a minha situação assim também. Acho que já estou melhor para voltar pra casa, desculpe de novo por incomodá-lo.

-Não, não é incômodo nenhum-Nick assegurou-sério, confie em mim. Aliás se não estivesse com pressa, a convidaria pata ir comigo até a casa da minha amiga.

-Na verdade, isso soou como um convite-Judy percebeu mas viu que Nick não falou por mal-eu não sei se deveria aceitar...

-Venha, por favor-ele insistiu.

-Está bem Nick-ela já confiava nele o suficiente para ir com ele onde quer que ele a levasse.