10 Não tem algo faltando?
Na terça-feira pela manhã, no Grande Salão, havia a algazarra habitual, o barulho de conversas, pratos e talheres. Amigos sentados à mesa. Bem, em qualquer caso, Hermione e Rony estavam sentados, porque Harry parecia estar deslocado num outro plano, ao remexer sua comida no prato fingindo selecionar algo, pela décima vez, derramou o saleiro.
- Harry, algo aconteceu com você? Dói-lhe alguma coisa? - A voz de Rony estava preocupada. – Notamos que há algo errado com você.
Harry limpou a garganta e parou de remexer a comida, embora ele não conseguisse ficar quieto nem por um momento. A bunda estava tão machucada, sentia como se houvesse sido penetrado pelo cabo muito duro e longo de uma vassoura.
- Não. - Ele tentou fazer sua voz não soar muito nervosa. - Não, eu estou bem.
Ele observou que Hermione sentada na frente dele ruborizou delicadamente e olhou para ele. Harry novamente voltou a remexer-se, mudou de posição, tentando sentar numa posição que aliviasse um pouco a dor. Ele não sabia como iria sobreviver às aulas do dia. Felizmente, a primeira aula era para ser Defesa, e raramente era ministrada com alunos sentados em bancos, principalmente depois que a disciplina passou a ser dada por Nimphadora Tonks.
De repente, pelo canto do olho, viu uma silhueta escura na mesa destinada aos professores. Uma corrente rasgou seu corpo. Mas desta vez, ao invés de aquecê-lo – o esfriou.
- Eu não estou com fome - ele murmurou, empurrando o prato e levantando-se da mesa. Ron e Hermione olharam para ele com surpresa. – Encontro vocês na sala de aula.
Quando Harry passou entre as mesas, ele sentiu ser atingido por trás pelo olhar intenso de Snape. Somente no corredor notou com espanto que havia prendido a respiração e com um suspiro alto, ele preencheu seus pulmões. Se moveu lentamente em direção à classe.
Ele prometeu a si mesmo que não iria pensar nisso. Não haverá mais nada, lembrou-se. Nunca mais deixará isso acontecer! Ele devia tirar da memória. Completamente e para sempre!
Como ele podia ser tão tolo? Como ele poderia pensar que seria capaz de fazer Snape se importar com ele ao menos um pouquinho? Ninguém pode mudar à força. Ninguém podia forçar a mudança na sua maneira de ser. Especialmente Snape, um homem sem sentimentos, ou até mesmo um pouco de compaixão.
Ele lamentou por tudo isso ter começado por conta do seu tolo idealismo grifinória e na fé de que ele poderia vencer essa luta.
Foi derrotado. Derrotado e arrasado. Ele já não tinha forças para continuar lutando. Sabia que se tentasse, teria apenas uma derrota dolorosa. Ele não queria vivenciar aquilo de novo. Com a simples menção de um sentimento de derrota e da traição que ele sentiu no dia anterior, seu corpo foi tomado por calafrios, e seu estômago apertou dolorosamente. Ele deu tudo, e em troca recebeu nada além de dor e humilhação.
Ele sabia que não deveria pensar assim. Havia seguido o caminho para o que ele queria. Ele sabia que queria Snape. Não podia culpar ninguém. Mas o sentimento de injustiça e a frustração era mais forte. A memória de como ele se sentiu ontem, acabou com todos os outros sentimentos e memórias, substituindo-os apenas por decepção e amargura.
Em sua cabeça, ainda soava o eco doloroso:
"Nada".
"Nada".
"Nada".
Essas palavras esmagavam tudo em sua mente. Agredia o espaço em que deveriam permanecer ocultas e inacessíveis, causando dor tão grave a ponto de ser difícil de suportar.
Ele sempre foi nada. Ao longo de sua infância sempre foi assim. Não era nada, ninguém se dirigia ao nada, ninguém o via, ele era nada. E isso era verdade. Os Dursleys ou o torturavam, ou fingiam que ele não existia. Ele era como um fantasma, não desejado, invisível, inútil. Era para todos o nada.
Em Hogwarts isso mudou um pouco. Mas ainda tinha medo que um dia alguém o considerasse inútil e o seu belo sonho se acabaria. Todos o viam como um herói, o Menino-que-sobreviveu. Mas se alguém descobrisse que ele é apenas um adolescente normal... novamente seria um ninguém. Talvez por isso fosse sempre o primeiro a se lançar à luta, sempre tentava ajudar a todos, fazia tudo, mesmo excedento o que estava além de suas capacidades. Outros diziam que ele era corajoso... ele sabia que não era verdade. O que o levou a esses atos foi... o medo. Medo da rejeição. De retornar para a cela debaixo da escada, sozinho, chorando no escuro.
Portanto, ele não pôde suportar quando Snape o tratou de forma indiferente após o incidente no armário. Ele se comportou como se Harry não existisse, como se não se importasse... e doeu muito mais do que ver os olhos cheios de desprezo e o sorriso zombeteiro. Muito mais do que a humilhação e a vergonha. Nada lhe parecia mais doloroso...nada.
Não! Não pensará mais sobre isso! Deve enterrar isso profundamente nele. Num lugar onde ninguém possa ter acesso, de onde não possa fluir nenhuma pequena palavra.
Ele passou pela esquina e parou de repente. Viu no final do corredor, uma familiar figura de cabelos loiros. Luna, aparentemente, estava esperando por alguém que estivesse além no corredor próximo à classe a qual Harry estava indo.
Moveu-se em direção a corvinal, tentando aproximar-se sem causar muito barulho de modo a não assustá-la.
- Você poderia andar mais silencioso, Harry. – ouviu-a dizer quando estava a poucos passos dela.
"Droga! Como ela sabia que era eu?"
- O que você está fazendo aqui? - Ele sussurrou, em pé atrás dela.
- Eu não posso te dizer – disse também num sussurro, virando a cabeça em sua direção. Então ela olhou para o corredor, observando atentamente as paredes e o teto. – Oh, Zonzóbulos, criaturas que entram pelos nossos ouvidos e nos embaralham a mente.
- O quê? - Harry piscou, seguindo o olhar de Luna, mas o corredor estava completamente vazio. - Mas não há ninguém lá.
- É o que eles querem que você pense. Mas eles pode facilmente escutar. Porque ninguém lhes pode ver - explicou Luna.
Harry pensou por um momento sobre essa lógica distorcida.
Luna fez um gesto com a mão. Inclinou-se em seu ouvido e sussurou:
- Você pode levar algumas laranjas?
- O quê? - Desta vez, Harry se sentiu completamente perplexo. – Que laranjas? Por quê?
- Isso os afasta - explicou a corvinal num sussurro conspiratório. - O cheiro e a cor da laranja. Embora possa usar tangerina.
Harry desistiu de tentar entender a menina. Era acima de suas forças. Mesmo o misterioso envelope, que ela espremia na mão, não valia a pena o esforço mental que teria de realizar para fazer seu cérebro funcionar na mesma faixa do da corvinal.
Ele deixou Luna no corredor e seguiu em frente. Ele era da turma da primeira aula, era uma surpresa ver Luna ali, já que ele a deixou no meio do café da manhã. Mais surpreendente ainda era o comportamento de Luna. Ela tinha saído do hospital na noite passada, e durante toda a conversa ele esqueceu de perguntar como ela se sentia.
Virou-se no mesmo minuto para voltar a falar com ela, mas antes de chegar ao final do corredor, congelou, vendo surgir de trás de uma esquina três silhuetas familiares. Ele reconheceu imediatamente Goyle e Crabbe. E junto com eles, em vez de Malfoy, andava Zabini .
Harry franziu as sobrancelhas, espantado com o inusitado e decidiu ultrapassá-los o mais rápido possível.
Não podia parar...
- Potter, o que você está fazendo aqui? -Rio Zabini, bloqueando seu caminho. – Está esperando uma bruxa ? Gosta de variar?
"O quê?"
Harry ficou repentinamente sem ar, parando e cravando um olhar de advertência no sonserina que sorria maliciosamente.
"O que ele quer dizer, o que diabo queria dizer?"
- Oh, eu vejo que você não entendeu - Zabini parecia ler seus pensamentos. - Será que o seu grande amor não é ciumento, Potter?
"Sobre quem ele estava falando? A Luna?"
- Saia da minha frente - resmungou Harry, tentando passar por ele, mas Crabbe e Goyle surgiram para bloquear o seu caminho no corredor.
- E o que você vai fazer? Vai reclamar para o Snape? Ontem você fez para ele olhos tão amanteigados durante a aula que certamente irá satisfazer todos os caprichos de sua putinha, não é, Potter?
Harry sentiu uma onda dura e gelada de terror inundar sua mente abalada.
"Ele viu! Se ele viu, provavelmente a Sonserina toda já sabia...E Malfoy..."
- O que é isso, Potter? Você ficou lá, deve recordar os momentos íntimos e quentes, não? Considerando a sua cara ontem, parecia que...
- O que está acontecendo? - Uma voz aguda e fria interrompeu o fluxo de palavras afiadas provindas da boca do sonserina. Zabini calou-se quando Malfoy surgiu. Seus olhos se estreitaram quando viu Harry. Queimavam de ódio. Tóxicos e desenfreados.
Harry estremeceu ligeiramente, mas decidiu não ser provocado a todo o custo. Nem mesmo o que Malfoy dissesse lhe faria perder o controle...
- Eu disse a Potter como foi maravilhoso admirar as façanhas dele na aula de Poções de ontem. Os olhos sonhadores, os gestos sedutores ... – dizia Zabini com ar entediado. Crabbe e Goyle riam, segurando a barriga. - Você sabe o que eu acho, Potter? Que você e Snape realmente ...
- Cale a boca! – Malfoy interrompeu de repende, o que fez Crabbe e Goyle quase que imediatamente ficar em silêncio. Zabini fez uma pausa e olhou desconfiado para Malfoy, que estava fitando-o com olhos duros como aço. - Eu não vi isso. Estamos entendidos? - Falou lentamente, sem tirar os olhos da careta de descontentamento do outro sonserina. Zabini abriu a boca para dizer algo, mas Malfoy levantou a voz trêmula de raiva reprimida. - Não notei nada. Se você tentar mencioná-lo a alguém, serão as últimas palavras que você será capaz de comentar.
O corredor ficou em silêncio. Zabini rangeu os dentes e, lentamente, com esforço, assentiu.
- Vamos lá - Malfoy disse e foi para a aula, batendo o braço de Harry quando ele passou, mas não olhou para ele nenhuma vez. Crabbe e Goyle seguiram seu líder. Zabini jogou um olhar cheio de raiva para Harry e depois se juntou aos outros.
Harry ficou no meio do corredor, completamente sem palavras. Os Pensamentos corriam em sua mente e competiam furiosamente entre si tentando encontrar alguma explicação para o que tinha acontecido.
O que isso queria dizer? Por que Malfoy o defendeu? Afinal de contas, deveria ter se juntado a Zabini e seus gorilas. Sempre o fez. Por que não deixou que zombassem de Harry, deixando Zabini furioso e dizendo-lhe para esquecer tudo? O que mudou? Havia planejado algo com Snape? Mas se eles estavam em conluio, Snape não os puniu quando atacaram Harry. Aquilo seria só uma cortina de fumaça para que Harry pensasse que eles estivessem em lados opostos? Mas como eles seriam de lados opostos, já que ambos servem Voldemort? É verdade que Snape é um espião, mas não se sabe sobre Malfoy.
"Que diabos está acontecendo?"
O pior é que Zabini tinha observado o comportamento de Harry. Ele sabia dos riscos, mas, naquele momento, não estava pensando nas consequências. Ele estava completamente cego. Porém se Zabini reparou, quantas pessoas mais puderam observá-lo? Os grifinórias? Se deram conta, também?
Harry foi agarrado pelo pânico.
Pode, no entanto, ninguém mais ter visto. Ninguém mais o flagrou ontem. Hoje no café da manhã não notou nada. Mas poderiam ter notado e não terem feito comentários uns com os outros. Provavelmente ainda tinham medo de Snape, que, sem dúvida, saberia se ainda estavam fazendo insinuações sobre ele e Harry.
Ocorreu-lhe algo.
Exatamente! É por isso que Malfoy fez aquilo, estava se preservando. Ele tinha medo de que Snape descobisse. Tal comportamento não era do feitio do sonserina, mas quem sabe o que Snape fez com ele ou disse... para que Malfoy estivesse com tanto medo dele? Isso explicaria por que ele não atacou Luna e Harry.
- Harry, você olha como se tivesse visto Você-Sabe-Quem. Você está bem? – a voz preocupada de Tonks perfurou através de seus pensamentos assustando-o. A professora ficou ao lado dele, segurando uma mala nas mãos, e olhando-o com cuidado.
- Ah, não, nada. Está tudo bem, realmente - ele sorriu levemente.
Ao longo dos próximos dias, Harry se comportou como se estivesse completamente ausente em espírito. Vagava nos corredores, perdido em pensamentos, sem falar com quase ninguém. Passava as tardes sentado na biblioteca ou lendo um livro no dormitório. Hermione e Ron estavam um pouco confusos com as mudanças que ocorreram. Eles tentaram falar com ele, mas seu amigo ficava extremamente silencioso e tranquilo. Ele raramente sorria, raramente falava algo. Ele se afastou da prática de quadribol, se escondendo atrás de uma dor de cabeça. Ao invés de treinar, ele usava a tarde para visitar Hagrid e ajudá-lo no viveiro dos Cracovinos peçonhentos.
A partir da perspectiva de Rony e Hermione, ele se tornou um solitário, introvertido perpetuamente ocupado, com o qual era difícil de se comunicar, mesmo na questão de saber se preferia o molho de frango, de tomate, ou alho. Ambos estavam muito preocupados com ele, mas não podiam fazer nada por ele, caiu em depressão, não notava nada ao seu redor.
O que nenhum deles sabia era que Harry estava empenhado em parar de pensar em Snape e no que havia acontecido entre eles. Isso exigia um grande esforço da sua força de vontade, mesmo assim, as memórias voltavam como um bumerangue, acertando-o nos momentos menos apropriados. Ele queria esquecer, e que melhor maneira para tirar isso da sua cabeça do que ocupando-a com outras coisas?
Harry não tinha planejado o que estava fazendo. Tudo vinha por si mesmo. Ele apenas atirou-se em atividades que lhe permitissem não pensar sobre aquelas coisas e em como tem sido tratado. Especialmente a alimentação dos Cracovinos com seus espinhos venenosos, era uma ocupação muito dura e ajudava a distrair.
Teve que desistir temporariamente do quadribol, porque não seria capaz de se sentar em uma vassoura ... Mas a ciência também foi uma ótima maneira de desviar os pensamentos das lembranças perigosas.
Todas essas atividades preencheram perfeitamente o vazio deixado pelas palavras do Mestre de Poções.
Ele percebeu que havia se afastado completamente.
Ele evitou Snape da maneira mais eficaz que pôde. Deixou de fugir das refeições, quando o Mestre de Poções aparecia, mas durante todo o tempo, não dirigia um olhar se quer para a silhueta preta. Por sua pele, notava que Snape o fitava o tempo todo. Sentia como se tivesse comido um feijãozinho sabor vômito, o homem dava-lhe a entender que não poderia esquecer...
Outra aula de Poções estava se aproximando a passos largos e a cada momento que passava, Harry sentia-se cair em pânico. Tentou se preparar mentalmente para isso durante toda a semana, a ideia de que se reencontraria com Snape e com a classe, fazia com que sentisse um força invisível apertar seu estômago e pulmões.
Para o total alívio de Harry, Snape não apareceu no café da manhã de sexta-feira, mas veio para o almoço, o que efetivamente lhe privou o apetite. Imediatamente após o almoço ocorreria a aula de Poções, a aula que ele tanto temia. Tudo isso resultou em sua incapacidade de ingerir qualquer coisa.
- Harry, você tem que comer algo! Ultimamente você tem comido menos do que um gnomo. Você não terá força para aprender – Hermione perturbáva-o, ele e outros estudantes deixaram o Grande Salão e foram em direção as masmorras.
- Que cheiro é esse? - Ron interrompeu-se, cheirando e olhando ao redor em todas as direções.
- Que cheiro? - Os três amigos pararam, Neville e Hermione buscavam no ar o cheiro. - Tem cheiro de... quantidade muito grande de suco de laranja.
- O Merlin! - Ron resmungou, olhando para algo correndo pelo corredor. Os outros se viraram e ficaram mudos.
Era Luna. Sobre a sua cabeça havia um chapéu enorme, sob o qual estava uma pilha de laranjas semi-esmagadas, cortadas ao meio, ou espremidas. O topo da cabeça estava cheia de suco de laranja, que derramava-se e espirrava no chão de pedra a cada passo dado. Estudantes afastavam-se e apontavam os dedos rindo baixinho. Hermione tinha um aspecto de quem havia sido atingido por um raio, e Ron, alternadamente, abria e fechava a boca. Quando a corvinal passou por eles, algumas laranjas caíram fora de seu chapéu e por pouco não se esborracharam em seus pés. Além do cheiro azedo que enchia a boca de saliva. Luna também usava um colar de tangerinas e rodelas de laranja nos bolsos do casaco. Ela lançou-lhes um sorriso sonhador e seguiu em frente, cantarolando alguma coisa baixinho. Apertando um envelope na mão.
Hermione falou primeiro.
- Será que alguém pode me explicar por que ela tinha aquilo na cabeça?
- É contra Zonzóbulos, para impedir que entrem pelos ouvidos- Harry respondeu suavemente, vagando em seus pensamentos.
- Contra o O QUÊ? - Hermione parecia prestes perder a calma.
- Para que não embaralhem sua mente - Harry explicou em voz ausente, ainda olhando para alguma coisa. Parecia totalmente alheio.
- Harry - Hermione começou, esforçando-se para ficar calma. - Pode explicar-me ...
- Eu não vou para Poções - Harry disse de repente. Foi tão inesperado que surpreendeu até ele.
- O quê? - Ron quebrou o silêncio, quase entrou em colapso após estas palavras. Ele olhou para Harry como se de repente lhe houvesse crescido uma segunda cabeça.
- Não, Harry! - Disse Neville. Sua voz tremia. - Ele vai te matar! Afinal, é o Snape!
- Estou com uma dor de cabeça e eu me sinto mal. Eu não posso ir para a aula de Poções - Harry respondeu com voz forte.
- Bem, vá até Madame Pomfrey, para que lhe dê algo para esse problema. Você tem que estar na aula de Poções! – Ron tentou convencê-lo. - Você sabe, como é Snape. Ficará bravo com você e pode fazer com você o mesmo que fez ao Malfoy.
- Não - disse Harry, sentindo uma onda de raiva nele.
"Eles não entendem!"
- Mas Harry... - Ron não queria desistir, quando de repente a voz aguda de Hermione interrompeu.
- Pare com isso! Harry está com dor de cabeça, você não ouviu? - Rony e Neville fecharam a boca, olhando para a garota com espanto. - Volte para o dormitório, Harry. Vou dizer a Snape que você se sentiu mal e não pôde vir.
- Está louca? - Ron sussurrou. - Mas ele nunca ... – parou vendo o olhar que a grifinória enviava para ele.
- Vamos agora, porque estamos atrasados - ela atirou o comando na direção de Rony e Neville.
Harry olhou para a amiga com gratidão, em seguida, virou-se e foi em direção a sala comunal. Ele queria encontrar o mais rápido possível o seu abrigo no dormitório silencioso.
Não foi uma decisão acertada, mas o que mais ele poderia fazer? Como sentar-se calmamente na sala de aula e olhar para a mesa, em que ele e Snape ...
Não, ele não ia pensar nisso!
Durante as próximas duas horas, leria um livro, e então, talvez desceria para o jantar.
Não se importava com as consequências. O mais importante era não o encontrar e evitar o confronto. Se Snape ao menos notar sua ausência, ele é como qualquer um...
"Não. Pare com isso!" – Repreendeu-se em pensamento enquanto entrava na sala comunal deserta e subia as escadas para o quarto. Ele se jogou na cama e olhou para o teto. Depois de algum tempo o silêncio começou a dominá-lo, empurrando-o, sussurando em seus ouvidos. Ele tinha a impressão de que todos os seus pensamentos ecoavam por todo o castelo. Em seguida, ele ouviu um som distante do quadro da Mulher Gorda deslizando. Alguém entrou na sala comunal! Mas quem? Todo mundo estava nas salas de aula!
E se... e se Snape veio atrás dele!
"Oh merda!"
Ele pulou da cama, puxou a capa de invisibilidade de dentro da bolsa e jogou-a em si mesmo no momento em que ouviu som de passos nas escadas que levam aos dormitórios dos meninos. Espremido no canto do quarto , prendeu a respiração. Ouviu as batidas do seu coração. No silêncio predominante todo som parecia-lhe ser extremamente alto. Ele teria dado qualquer coisa para ser capaz de silenciá-los.
Os passos pararam na porta. Ele olhou para ela tão intensamente que chegou a sentir lágrimas nos olhos. A porta se abriu, rangendo suavemente no quarto e ...
... Entrou Hermione. Harry sentiu um alívio tão grande que ele tinha a impressão de que havia derretido e escorrido pelo chão. Hermione olhou ao redor da sala e perguntou:
- Harry, você está aqui?
Harry tirou a capa de si.
- O que aconteceu? - Ele perguntou, sentindo, apesar do alívio, a ansiedade crescer-lhe. Hermione tinha um rosto muito concentrado.
- Snape me mandou aqui. Ele disse que não se preocupa com o seu mau humor e quer que vá imediatamente à sua aula. E se você não for, então ele virá atrás de você. - Ela fez uma pausa, lançando a Harry um olhar deprimido. - Ele está muito zangado, Harry. É melhor fazer o que ele mandou, será melhor se você simplesmente for para Poções.
Harry sentiu um ataque de pânico. Isso não pode continuar! Especialmente agora! Snape irá destruí-lo, machucá-lo! Mas ele não podia ficar ali. Snape ameaçou vir atrás dele. Lhe deixou sem saída... Mas como ele poderia saber que Snape era tão louco? Se Harry não era nada para ele, então, por que agora quer persegui-lo? Só por desafio, para humilhá-lo ainda mais? Oh, não, nada disso!
- Venha comigo - ele lançou a mão em Hermione e a puxou pelo braço. Atirou sobre si a capa da invisibilidade, a fez passar pelas escadas, sala comunal e em seguida pelo corredor.
- Para onde estamos indo, Harry? - Ela perguntou, enquato passava rapidamente pelas escadas e salas. – As masmorras ficam por outro caminho.
- Não iremos para as masmorras - ele disse calmamente. - Não tenho a intenção de me transformar em um troféu na parede da sala de Snape, quando ele terminar comigo. Você sabe que ele não perdoa.
Hermione mordeu os lábios.
- Não precisava subir e ficar sozinho. Você poderia simplesmente ir para a aula, em vez de se esconder no dormitório.
- Se você pretende me passar um sermão agora, acho que é tarde demais, hein? Eu não lembro de você me olhando indignada quando me disse para voltar para a sala comunal.
- Eu queria ajudar! - Sibilou baixinho enquanto descia as escadas.
- Você ainda pode me ajudar - disse Harry, parando diante da porta principal para a ala hospitalar. Ele olhou diretamente em seus olhos castanhos e perguntou: - Você pode me ajudar?
Hermione olhou como se lutando consigo mesma. Olhou Harry atentamente, como se considerasse todos os prós e contras.
- Por favor - ele disse baixinho, olhando para ela suplicante. Provavelmente convenceu-a, porque ela balançou a cabeça um pouco e perguntou:
- O que devo fazer?
- Vamos lá juntos - Harry acenou com a cabeça para a porta. - Vou fingir que tenho uma dor de cabeça. Você vai dizer a Pomfrey que eu tive um ataque durante Poções e eu tive que sair da classe. O resto virá por si mesmo.
Hermione olhou para ele com incerteza.
- Se eu entendi direito, você quer que eu minta?
Harry não poderia abster-se de baixar seus olhos.
- Sim, Hermione. Faça-o por mim. A menos que você queira ver como Snape vai arrancar minha pele.
Hermione mordeu o lábio.
- Mas só desta vez, uma só. Porque você é meu amigo, Harry. A próxima vez que você tiver a ideia de ficar longe de uma aula, lembre-se que tem uma dívida de gratidão comigo e vai pagar desistindo, está bem?
- Eu prometo.
Harry voltou para o dormitório, e suspirando, caiu sobre a cama. Tudo correu conforme o planejado. Pomfrey acreditou em suas queixas, ela redigiu-lhe um atestado e Hermione levou para Snape. Ela também dirá para o professor que Harry passará a tarde no hospital para caso Snape decida o procurar e "arrastá-lo à força". Pomfrey é claro, imediatamente quis derramar um monte de poções na boca de Harry e mantê-lo no hospital até o dia seguinte, mas Harry, depois de engolir a primeira dose, disse que se sentia muito melhor e que poderia ir para seu dormitório, deitar e dormir. Ele também prometeu que não iria sair da cama. Recebeu outra parte da poção das mãos da enfermeira, agradeceu pela ajuda e voltou para a sala comunal. Ele sentia um pouco de remorso por ter mentido para ela, mas ele realmente não tinha outra escolha. Foi a única maneira de escapar vivo.
Snape agora podia ficar bravo com ele à vontade. Ele recebeu uma isenção, por isso não havia nada que ele pudesse fazer. E para a próxima aula ... Harry iria pensar em algo.
Ele puxou um volume amassado por repetidas leituras do livro "No ar com os Arpias", e mergulhou na leitura, não pensaria mais em Snape ou na aula de Poções.
Mas a cada minuto que passava, questionamentos varriam-lhe o coração, seu estômago rugiu de medo e nervosismo.
Ele convenceu-se que não havia nada a temer. Nada iria acontecer com ele, Snape não viria atrás dele. Não iria persegui-lo. Começou a imaginá-lo caminhando pelo corredor e...
"Basta! É preciso parar!"
No final, ele não conseguia ler. Largou o livro e começou a organizar o conteúdo de seu malão. Ele jogou tudo no chão e começou remecher, colocando de um lado livros, e do outro, roupas. Depois de algum tempo, mas agarrava e punha aleatoriamente as coisas do que as arrumava, criando assim uma confusão ainda maior.
Ele suspirou e sentou-se sobre os calcanhares, apoiando a testa contra a tampa fria da caixa. Ele estava respirando pesadamente e rapidamente tentou acalmar o coração batendo como louco.
"Tudo vai ficar bem, nada acontecerá. É apenas uma aula..."
De repente, ele ouviu passos na escada. O medo congelou seu coração. Não pensou sobre o que faria, ele saltou para o chão e apontou sua varinha para a porta ...
... por onde entrou Rony e Neville.
Harry deu um suspiro de alívio, mas a sensação de tensão não foi embora, nem um pouco. Ambos pareciam exaustos, parecia que correram 10 milhas. Tinham círculos escuros sob os olhos e expressões faciais semelhantes as de quem sobreviveu a algo muito grave.
- O que aconteceu? - Ele perguntou ansiosamente. Ron deu-lhe um longo olhar de reprovação.
- Snape - falou espumando de ódio. Harry sentiu como uma corrente de gelo penetrava dolorosamente nele, congelando todas as partes do seu corpo.
- O que ele fez? - Ele perguntou, tentando fazer com que sua voz não tremesse tanto. Neville se aproximou da cama e atirou-se nela com evidente alívio.
- O que ele fez? - Ron sussurrou. - O que ele fez? Se eu soubesse que acabaria assim, teria arrastado você para a aula, mesmo que à força! Você perdeu quase uma centena de pontos! - Gritou, elevando o olhar cheio de amargura e raiva para Harry. Harry tentou engolir, mas o nó em sua garganta não permitiu isso. - Nunca, em todos esses cinco anos, tinha visto Snape neste estado!
- Como em todos esse anos... louco? - Harry perguntou baixinho, com a esperança sincera de que o amigo não descontasse sua ira nele, mas ao mesmo tempo, percebeu que eram sonhos fúteis.
- Louco! Isso é um eufemismo. Ele enlouqueceu! Aterrorizou tanto que eu pensei que nenhum de nós ia sair daquela aula inteiro.
- Eu não entendo. Afinal, Hermione, ela levou o atestado para me justificar - disse Harry, tentando processar todas as informações em sua cabeça.
- E você acha que ele se importou com a sua justificativa? Rasgou e jogou no lixo!
Harry revirou os olhos.
- Ele fez a todos nós tomar poções horríveis –Neville gemeu com a cabeça pressionada no travesseiro. – A pior foi a última ...
- Nós todos começamos a pular atrás dele como loucos e não conseguíamos parar - explicou Ron trêmulo. – Por sua causa! Por você não ter aparecido! Ele veio para cima de nós descontando pontos. Neville pegou quinze pontos por ter apenas olhado para ele.
- O quê? - Harry não podia acreditar nos seus ouvidos. - Mas ... mas como eu poderia saber? Não é minha culpa ...
- Não é sua! - Ron começou a gritar. - Não é sua! É claro, que é sua, caramba! Ele nos lembrou disso toda a aula, quando empurrava em nós todas aquelas porcarias. Ele dizia que era porque você não foi! Que se não podia se vingar de você, a vingança sobraria para nós porque somos seus amigos! - Ron quase cuspia nas laterais da boca. Para ilustrar o que aconteceu durante a aula, ele começou a imitar a voz de Snape - "Seu amigo não apareceu, Weasley, por isso não pode te salvar", "Sr. Longbottom, por favor, não olhe para o lugar vazio do Sr. Potter, porque ele não está aí "," Strª Granger, se o Sr. Potter não vem, então você receberá uma outra nota para o sua poção inacabada. Trasgo ".
Harry estava espantado, ouvindo tudo com a boca aberta e não podendo acreditar.
Mas isso era impossível, sua ausência na aula não podia colocar Snape em tanta raiva. Nada disso é compreensível. Afinal, era suposto que ele não significasse nada, fosse como qualquer um ...
Ron se sentou duramente na cama e enterrou o rosto nas mãos. A culpa caiu como um tiro violento em Harry. Foi por causa dele que todos sofreram. Esteve com tanto medo do confronto com Snape que expôs os outros ao perigo. Mas como ele poderia ter sabido que ele iria tão longe?
Bem, ele é Snape ... dava para prever seu comportamento.
- Desculpe - ele murmurou baixinho, sentindo-se como um porco sujo. - Me desculpe, eu joguei ele em vocês. Eu não queria que terminasse assim. Eu não sabia...
- Ah, finalmente, começa a pensar – respondeu Ron, não olhando para cima. - Bem, você sabe como Snape é. Talvez com os outros isso passasse sem problemas, mas não com ele. Você o conhece. Você sabe o que ele é capaz.
Oh sim, Harry sabia muito bem...
- E onde está Hermione? - Ele perguntou, quando de repente ele percebeu que ela não retornara com eles. Ron deu de ombros.
- Disse-lhe para ficar. Eu não sei por quê.
Uma onda de medo e culpa esmagadora o inundou.
E se Snape se vingasse de Harry em Hermione?
Não, ele não faria tal coisa. Enquanto ouvia a história de Ron, tinha a impressão de que Snape seria capaz de qualquer coisa.
- As coisas não acabaram nada bem para nós, Harry. – quase saltou ao ouvir a voz de Hermione, vindo da porta. A menina entrou na sala. Seu rosto estava contraído.
- Hermione... - Suspirou com alívio. - É bom que você esteja bem.
A menina lançou-lhe um olhar surpreso.
- E por que você pensou que algo aconteceria comigo?
- Ron disse que Snape reteve você - Harry explicou, olhando para ela atentamente. - O que ele disse?
- Infelizmente, não é algo divertido. Ele ordenou que lhe dissesse que se você não aparecer na aula seguinte, irá procurar por você, onde quer que se esconda e trará você em pessoa. Não lhe perdoará. E se você forçá-lo a fazer isso, fará você deixar Hogwarts para sempre.
Harry olhou para ela. Não sabia o que pensar sobre isso. Parecia realmente... ameaçador.
Ele engoliu em seco e disse:
- Ele disse alguma coisa mais?
- Sim, você tem que se preparar para a próxima aula, porque você fará um teste, deve estudar todos os assuntos dados até agora.
Harry franziu o cenho.
E o que ele tinha que fazer agora? Snape estava claramente chantageando-o. Não estava certo! Especialmente depois do que ele disse. Como ele pudesse esperar que Harry esquecesse de tudo e voltasse para a vida cotidiana? Como esquecer o que sente? Snape não têm quaisquer direitos de chantagear e intimidar seus amigos!
- Harry – a voz calma de Hermione cortava a tempestade na mente do grifinória. A menina olhou para ele atentamente, e seu rosto estava muito sério. - Parece-me que sei o que você está pensando, mas você não pode fazê-lo novamente. Você tem que ir para a próxima aula. - Ela baixou a voz para um sussurro, para Rony e Neville não ouvir nada. – Esqueça o que Snape fez para você, por favor, vá na segunda-feira para poções. Se você não for, pode terminar muito ruim para você. E para nós também.
Harry mordeu o lábio.
- Snape não fez nada comigo - ele rosnou baixinho, tentando fazer sua voz soar indiferente e não tremer muito.
- Se você diz ... – baixou os olhos para o chão, depois olhou para ele, em seguida se virou e saiu.
Harry não foi para o café da manhã no sábado. Ele afirmava que seria melhor não perturbar sua cabeça por um tempo. No almoço, no entanto, ele estava com tanta fome que nem mesmo um encontro com Snape poderia impedí-lo de ir. Principalmente porque Neville, Ron e Hermione foram proibidos de levar-lhe as refeições. Hermione disse a Harry que deveria sofrer as consequências do seu comportamento no dia anterior em relação a aula de poções, que seria melhor encarar a situação o quanto antes, porque não poderia escapar sempre.
Harry xingou audivelmente sem se importar ser percebido. Às vezes, ele sonhava que Hermione ficasse um pouco menos inteligente.
Durante o almoço, ele tinha a impressão de que todo mundo estava olhando para ele. De forma não muito amistosa e amigável. Especialmente o sexto ano da Grifinória e da Sonserina. Snape não poupou ninguém do seu mau humor na aula anterior, apesar do fato de que a Sonserina era costumeiramente tratada um pouco melhor. Os sonserinas lançavam-lhe um olhar irritado, mas não podiam fazer outra coisa porque o Chefe de sua casa também estava presente na refeição.
Harry foi sensivelmente cravado pelas costas por um olhar frio, mas decidiu que não iria olhar para Snape nem por nenhum tesouro do mundo. Mesmo que ele começasse a dançar o Cancan na mesa dos professores...
No entanto, a presença do Mestre de Poções, como de costume, desestabilizou seu equilíbrio e arrebatou seu apetite. Forçou um pouco de comida na boca e, junto com o resto dos estudantes, deixou o Grande Salão. Ainda nervoso, mas pelo menos agora, com o estômago cheio.
- Potter! - A voz aguda perfurou o ar, enquanto Harry e seus amigos voltavam para a sala comunal. Num primeiro reflexo endureceu todo, paralisado pelo medo, e só depois de um tempo, ele percebeu que aquela não era a voz de Snape. Ele se virou e viu que havia partido de um grupo de sonserinas, com Zabini liderando. Seus rostos não expressavam o desejo de convidar Harry para o chá da tarde.
Aproximou-se, pronto para repelir qualquer ataque e provocação verbal. Lembrava como olhavam para ele durante o almoço, ele não esperava que lhe dessem paz, especialmente depois do que eles tiveram que passar na classe de Poções no dia anterior. Ele tinha a impressão de que toda a escola o culpava.
Surpreendeu-o que agora o principal provocador fosse Zabini e não Malfoy.
No entanto, antes de qualquer um dos sonserinas tivesse tempo de sequer abrir a boca, se levantou diante deles uma silhueta, alta e magra.
- Voltem para as masmorras - rosnou Malfoy, medindo-os com seu olhar imperioso. - Vou lidar sozinho com Potter.
Por um momento, Zabini olhou para ele, considerando as possibilidades, então balançou a cabeça e, como uma manada de cobras dóceis, os sonserinas voltaram, deixando o assunto a cargo de seu líder. Alguns até se viraram para olhar como Malfoy acabaria com Potter, mas o loiro esperou até que todos desaparecessem na escada que levava para as masmorras. Em seguida, virou-se para Harry e lhe lançou um olhar cheio de ódio e raiva.
No entanto, naqueles olhos azuis havia algo mais. Resistência.
Parecia que Malfoy lutava consigo. Mas por que ele lutava e com o quê – era algo que Harry não podia adivinhar.
- Potter – O Sonserina sibilou, estreitando os olhos. - Precisamos conversar.
- O que você quer dele? - Ron interrompeu, com a voz vibrando de ódio reprimido.
- É uma questão entre nós - Malfoy sussurrou.
Harry ficou ... intrigado. Malfoy queria falar com ele sobre algo? Em particular? Não poderia fazer nada com ele ali. Havia várias pessoas em torno. Talvez valesse a pena o risco?
- Tudo bem - ele se virou para Rony e Hermione. - Vão em frente. Acompanharei vocês logo. - Vendo que Ron ia abrir a boca para protestar, o interrompeu. - Eu vou logo, Ron. Eu preciso falar com ele.
Quando os amigos desapareceram em torno de um canto, Malfoy olhou ao redor do corredor e andou um passo mais perto do grifinória, lançando-lhe um olhar frio, duro e com um brilho estranho.
- O que foi? - Harry perguntou, tentando manter um tom calmo. No entanto a curiosidade martelava nele, como hormônios.
- Sobre o seu comportamento débil, Potter! – o rosto de Malfoy mudou-se para uma máscara gelada. Apenas os olhos traiam a fúria gelada que tentava esconder. - Você é tão estúpido que às vezes quero ter pena de você. Se você quer fazer certas coisas com Snape, então, pelo menos, tente fazê-lo de uma forma menos espetacular.
Harry ficou sem fala. Esperava tudo, mas certamente não Malfoy concedendo-lhe um bom conselho sobre seu interesse no professor.
- O que te interessa? - Rosnou, quando ele finalmente conseguiu recuperar a capacidade de falar. Malfoy estreitou os olhos e continuou:
- Todos pensam que está louco. Primeiro, você flerta com ele, lança-lhe os olhos amanteigados durante a aula, e depois não vai em poções e tudo por que você deve estar mordido com alguma coisa. Controle-se, Potter. Eu aconselho você, se tiver amor ao seu segredo, a controlar-se, porque em breve todos saberão que o Garoto de Ouro tem uma queda pelo Mestre de Poções. A não ser que você queira ir para o centro da sala anunciar para todos. Se você não começar a dar um jeito de se comportar mais normalmente, será muito ruim para você.
Harry ficou parado por um momento, completamente aturdido e cabisbaixo. Ele sentiu como se o sonserina derramasse sobre sua cabeça um balde enorme de água gelada.
Não, ele não disse aquilo! Ele não seria aconselhado!
Malfoy zombou.
- Você recebeu um sermão, Potter? O que aconteceu? Snape não o satisfaz direito?
Mesmo que Malfoy tivesse lutando consigo para não provocar, no final sua natureza superou seus esforços e prevaleceu.
- Você está louco - finalmente Harry conseguiu responder, depois de superar o grande choque, que sofreu ao ouvir todas aquelas palavras da boca do seu maior inimigo.
Como Malfoy sabia sobre isso? Como é que pretendia usar? Queria chantagear Harry?
Deve reverter o quadro! É Melhor se comportar como se não soubesse de qualquer coisa, como se não fizesse a menor ideia.
- Engraçado - replicou o sonserina. – eu pensei a mesma coisa de você.
Ele sorriu, vendo a fúria que sentia, agora emanar do rosto de Harry.
- Você sabe... - Malfoy continuou cruelmente, agora ele poderia dar vazão a seu ódio e frustração, e nada poderia detê-lo. - Às vezes tenho pena de você. Basta observar quem você escolheu. Snape castiga você por desobediência, Potter? Porque ele gosta de infligir dor. Tortura suas vítimas vendo como se contorcem a seus pés, implorando por misericórdia. Também faz isso com você? Ou talvez te fode até você perder a consciência? Como ele é com você, Potter? Você gosta de tais coisas?
Harry podia sentir as palavras de Malfoy escorrendo em seu coração como um veneno, rasgando-o e arranhando brutalmente, com esforço ele tentou disfarçar. Quando falou, sua voz tremia tanto que ele mal pronunciava as palavras:
- Cale a boca. Não há nada sobre ele que você não saiba! Nada que você não tenha ideia!
Malfoy parecia jogar muito bem, pois no final das contas, ele conseguiu atingir um ponto sensível. Seus olhos se estreitaram ainda mais, e nos lábios finos apareceu um sorriso triunfante.
- Eu sei que você sempre será nada para ele.
Harry sentiu uma sensação familiar, como se algo nele se partisse. A ferida, que durante uma semana inteira buscara sinceramente curar em si, abriu. E junto com ela uma onda de fúria desenfreada inundaram sua mente. Onda tão grande e poderosa que sua força empurrou a turbina da vingança.
Harry parou de pensar. Ele só queria machucar Malfoy tanto como ele o havia machucado. Viu que o olhar do sonserina abriu amplamente assustado.
- Você parece saber muito bem como é, não é, Malfoy? - Sua voz pareceu-lhe tão anormalmente fria, que parecia não pertencer a ele. – Você ouve seu pai sussurrar em seu ouvido quando faz certas coisas, o que ele diz?
O rosto de Malfoy congelou.
Harry sorriu vitorioso. O atingiu.
- Sussurra em seu ouvido que você é um perdedor sem valor, ou que é adequado apenas para por o pênis para fora e depois se vestir? Se tranca com algém e quando recebe protestos você entope sua boca, enchendua-a com o seu... - Harry parou ao ver algo no rosto de Malfoy que o assustou. Ele entendeu que tinha ido longe demais, mas sabia que agora ele não podia voltar.
Nos olhos escurecidos do sonserina podia-se ver uma escuridão tão profunda que o fez sentir um formigamento nas costas. Por uma fração de segundos ele teve a impressão de que o rosto transparecia loucura.
Ele não pôde sequer dar um passo para trás antes de Malfoy agarrar-lhe pelo manto, atraindo-o para si. Seu rosto estava cheio de crueldade indescritível.
Harry prendeu a respiração.
De repente, os olhos de Malfoy vagaram por cima do ombro do grifinória, o sonserina viu alguma coisa à distância. O aperto no manto de Harry diminuiu, e depois de um tempo Malfoy o largou completamente. Mas o traço cruel não desapareceu da face pálida. Fixou seu olhar nos olhos escurecidos nos de Harry e sussurrou friamente:
- Pagará por isso, Potter. - Então ele se virou e foi embora rapidamente.
Harry ficou parado por um momento, tentando entender o que realmente aconteceu. Ele se virou para ver o que dissuadiu Malfoy. Ele viu um homem alto, uma silhueta vestida de preto de pé no final do corredor a observá-lo claramente.
Imediatamente ele se virou de novo e foi em frente o mais rápido que conseguiu, apenas para afastar-se daquele lugar.
Na sala havia penumbra. O fogo ardia na lareira da sala há muito acesa por elfos e agora com chamas quase extintas. As línguas de fogo lambiam a madeira formando sombras tremeluzentes que se projetavam nas paredes e estantes. O abrangente silêncio foi interrompido pelo ranger da porta abrindo traquilamente. Um vulto alto vestido de preto, entrou pela sala. Se aproximou da lareira, as últimas chamas refletiam em manchas vermelhas espalhadas em muitos lugares em um manto negro. De debaixo do manto sangrento surgiu uma mão segurando uma máscara branca em forma de crânio, agora coberta com gotas vermelhas.
A máscara caiu com um barulho na mesa, e Snape caiu sobre uma cadeira verde coberta de seda e olhou para as chamas. Ele sentou-se lá por algum tempo, sem tirar os olhos da floresta brilhante. Seu rosto salpicado de vermelho, nada expressava, como se o tempo todo fosse só uma máscara. Apenas os olhos negros refletiam a luz provinda da lareira, logo o fogo consumiu o resto da madeira e o fogo se extinguiu.
Depois de um tempo, o homem se levantou da cadeira, foi até a estante e tirou um dos livros que estavam em uma prateleira. Algo estalou na parede, quando a estante saiu e virou de lado, revelando uma pequena abertura para um quarto escuro. Os olhos do Mestre de Poções estreitaram-se ligeiramente quando ele entrou no centro. A estante da parede voltou para seu lugar, e o quarto foi mergulhado no silêncio e em assustadora escuridão.
Uns restos de luz abandonada dançaram sobre a máscara, refletindo glóbulos vermelhos escorrendo.
CDN
Alma Frenz:
Realmente, Ana Scully Rickman, foi de arrepiar os pelos o cap. 9, a tendência é ficar ainda mais arrepiante, com alguns intervalos tensos e outros fofos para aliviar um pouco. Beijos!
Olá, Beatriz'Faria, que bom que a fic conseguiu conquistar você, realmente no início fica-se meio em dúvida se realmente vai gostar. Snape de fato fez uma senhora sacanagem com o pobre Harry, como não posso adiantar muito sobre a trama para não tirar a graça da leitura, o que posso garantir é que o enredo ainda vai nos fazer roer muita unha! Bem-vinda à torcida pela vitória de Harry na luta pelo coração de Snape! A fic é longa mesmo, mas cada cap. vale muito a pena, você se pega torcendo para não acabar, mas um dia ela tem que finalizar, né? Mas vamos ficar com lembranças fortes dessa leitura. Muito obrigada pelos elogios, foram muito estimulantes. Beijos!
Tem razão, Giovana PMWS, eu também não esperava que Snape fosse ficar um doce de criatura nesse cap., mas mesmo assim deu vontade de esganá-lo com a própria capa (como ameaçou Pomfrey na vez que ele fez Neville tomar uma poção mal preparada).
Oi, fenixsnape21, que maravilha que você está gostando da trama, quando acho algo muito bom, gosto de compartilhar com o maior número de pessoas possível, pois assim a coisa se torna melhor ainda, fico feliz por você está acompanhando. Obrigada por comentar!
