De facto, seu pensamento não estava de todo errado. Ali estava ele, acompanhado do rapaz loiro, indiano. Diante de si, com olhares descontentes e intrigados, seus alunos.
Se perguntavam, quem era aquele rapaz!? O que fazia, ele, ali?
Era claro que não pertencia aquele mundo e, com aqueles traços do rosto tão delicados, faziam Shura, Miro e Aioria desconfiarem de sua masculinidade.
Giovanna, assim como Liese estavam impressionadas com a beleza do rapaz. Lana, assim como os outros, acharam, aquilo, uma afronta.
O ruído de descontentamento se fez sentir, deixando o novato sem graça, e com um pouco de receio de estar ali.
Shion ergueu a mão, fazendo com que todos se calassem.
- Silencio, por favor – Pediu de forma autoritária – Este é Shaka – Começou, puxando o rapaz para frente – Ele ira frequentar as aulas, a partir de hoje.
- É seu filho? – Lana indagou, de repente, fazendo todos se entre olharem.
Shion sorriu. Lhe agradou a pergunta.
- Não, não é meu filho.
"Que bom" – Giovanna pensou. Um homem tão bonito com filho, era significado de ser casado.
- Meu filho tem outros afazeres – respondeu, fazendo a moça de pensamentos impuros baixar o olhar.
- Então o que ele faz aqui? – Mascara da Morte se aproximou, olhando Shaka de cima a baixo.
- Como já disse: veio ter aulas com vocês. – Falou isso, já perto de uma cadeira, onde depositou o casaco.
Os outros, permaneciam onde estavam, olhando para o loiro que também não se movera, como se este fosse uma atracção de circo.
- Bom – Shion recomeçou, se aproximando do grupo – Já que está tudo resolvido, vamos começar, pois não temos muito tempo. Façam pares – Ordenou.
Com toda a má vontade e péssima disposição, começaram um tumultuo, no centro da sala, pois não sabiam quem escolher.
Shura estava indeciso, pois não sabia como se aproximar de Lana. Está parecia nem se quer lhe ver. Não estava com muita vontade para aquela aula. Sabia que tinha que trabalhar e já estava cansada. Limitava-se a não escolher ninguém.
Aioros era muito tímido para chegar perto de Aiysha e lhe convidar para ser seu par. A moça parecia irritada. No meio do tumultuo, teve que ouvir uma gracinha de Aioria, sobre o lenço que usava naquele bendito baile. A vontade que tinha, era de estrangular aquele maldito, que só tinha lábia para afronta-la, pois, coragem para tirar Saphira para dançar, não tinha muita. A moça que discutia, qualquer coisa com Mascara da Morte, parecia querer tudo, menos dançar.
Mascara da Morte, dizia coisas em calão para Saphira que, cada vez mais se alterava. Nem percebia que Lune, lhe olhava com raiva, enquanto que Shura e Liese tentavam acalmar as coisas. Kamus, observava tudo, do sofá. Para ele, Liese só piorava a situação. Ela era a causa dos males do mundo. Dakota e Aiyuki corriam atrás de Miro, que, aproveitando-se da confusão, decidiu apalpara as duas moças.
Com tamanha confusão, Shion soltou um pequeno grito que fez os presentes na sala, congelarem. O silêncio pairou sobre os presentes e, Shion, agradeceu mentalmente.
- Muito bem – Começou – Como vocês não têm disciplina, nem para arranjarem um par, eu me encarrego disso.
Os rapazes se sentiram um pouco irritados com o comentário do professor, mas decidiram que era melhor estarem calados.
- Lana – O homem loiro chamou a moça que se aproximou – Você faz par com Aldebaran. – O rapaz se colocou do lado da moça.
Ele era grande. Lana se perguntava, como iria dançar com um rapaz tão alto. E se ele pisasse no seu pé? Esbugalhou os olhos na direção do grande moreno, que lhe olhou sorrindo. Deu um sorriso amarelo para ele.
- Lune, você fica com Aioria, enquanto Giovanna com Aioros.
Se aproximaram.
Lune nunca teve muitos problemas com Aioria, mas se ele decidisse ter a infeliz ideia de se fazer de engraçadinho, levaria sua dose. Enquanto Giovanna, agradecia por ter lhe calhado Aioros em vez de Kamus ou Mascara da Morte…ou Miro. Riu. Aquele rapaz era um abusado e, não queria que pequenos problemas interferissem na amizade de ambos.
- Liese fica com Miro.
O rapaz sorriu, se aproximando com ar sedutor.
- Eu só te digo: que se passar a mão em mim, você vai ficar sem um bem precioso – E dito isso, apontou discretamente para as partes baixas do rapaz, que engoliu a seco.
- Aiyuki ficara com Mascara da Morte e Dakota com Kamus.
Mascara da Morte apenas se aproximou, não dizendo nada. Não queria saber daquela menina, que revirou os olhos ao vê-lo ao seu lado. Definitivamente, não merecia aquilo.
O mesmo, era o que Dakota pensava. Kamus era um mal-humorado. Não tina a mínima vontade de dançar com ele. Kamus podia ter mil defeitos, mas nunca deixou ninguém na mão. Se levantou, e foi de encontro a seu par.
- Aiysha – Shion chamou, apontando para o rapaz que se encontrava atrás de si.
Fez um ar de descontente. Tinha que ser logo com ele!?
Shaka por sua vez não falou nada. Apenas retirou o casaco, e se aproximou da moça.
Shion suspirou, olhando para cada um. Agora sim, poderia começar seu trabalho.
- Um de frente para o outro – Comandou. Os alunos lhe obedeceram.
- Eu irei colocar uma valsa. Quando começar, quero que vocês se juntem como fiz no outro dia, com a vossa colega e, deixem que a musica tome conta de vossos espíritos, comandando o seu corpo ao som que entrar no ouvido. – Gesticulava, enquanto falava isso.
Mascara da Morte, repetia baixinho tudo que o homem loiro dizia, fazendo caretas e distorcendo a voz, fazendo Aiyuki dar risada. Os outros, alguns sem paciência, ouviam atentamente.
- Estão prontos?! – Perguntou alto, ouvindo um murmurar positivo.
Ouvindo isso, apertou o "play" da aparelhagem. Não deu tempo para reacção.
- Cabeção!! – Aioria gritou com a mão no nariz, se afastando de Lune.
- Cabeção e você, seu retardado – Lune, vociferou.
- Calma…
- A mão não é aí, seu tarado – Liese deu um tapa de Miro, que colocou a mão abaixo da cintura de sua companheira.
- Deixa de ser fresca, garota – Kamus, que estava ao lado, se voltou contra Liese.
- Não é questão de ser fresca…
- É isso mesmo, Liese – Dakota apoiou a amiga – Mostra para ele quem manda.
- Cala a boca!!
E com o grito de Miro, uma gritaria começou. As moças tomaram as dores de Liese, que por sua vez, foi encorajada a dar outro tapa no abusado, estendendo sua agressão em direção de Kamus, que, com raiva, esquecia que "seu" oponente era uma mulher. Foi segurado por Shura e por Mascara da Morte.
- Acalmem-se!! – Ordenou, inutilmente, Shion.
A barulheira era tanta, que Shion teve que se altera de tal maneira, que quando os alunos se voltaram para ele, viram um rosto vermelho como tomate.
Se surpreenderam.
- Vamos recomeçar, com mais calma, agora – Disse baixo, tomando fôlego. – Posição, por favor!!
Apertou novamente o "play".
- AI!! SEU IDIOTAAAAAAAAA!! Você fez de propósito! – Lune gritou, assustando os de mais, incluindo seu companheiro.
- AH…VAI TE CATAR!! – Aioria vociferou, se afastando, assustando a moça. A turma caiu em um silêncio profundo, pois nunca tinham visto o moreno daquela maneira.
Podia fazer gracinhas. Irritar. Mas nunca de maneira tão agressiva.
Ainda irritado, foi se sentar no sofá.
Shion, compreendia que muitos tinham seus problemas, mas havia momentos, em que se tinha que esquecer, aproveitar o momento, se não ficariam loucos. Suspirou, pedindo paciência.
- O que foi agora? – Perguntou, se controlando.
- Não dá – Lune, voltou a sua ira, pois agora, teria que trabalhar com o pé doendo. – Eu já não danço.
- É assim – Shion aumentou a voz – Ninguém vai sair daqui, até conseguirmos o proposto.
- Mas eu tenho que trabalhar – Lana se exaltou.
- Eu também – Aiyuki resolveu se manifestar.
- Então, tratem de colaborar – Shion completou, sério.
- Mas eu e o Aldebaran, não conseguimos, juntos – Lana insistiu.
- Nem eu e o Miro – Liese se manifestou – Ele não para de passar a mão em mim.
E um rumor de descontentamento recomeçou.
- Esta bem!! Está bem!! – Shion ergueu a mão e, aos poucos foram se calando. – Eu irei alterar os pares. Mas é a ultima vez.
Os alunos se entreolharam. Shion era observador, já sabia o que ia fazer.
- Lana, você passa a fazer par com Shura – Os dois se entreolharam. O que tinha feito para merecer aquilo. Viu o espanhol sorrir. Já imaginava o que ele estava planeando aprontar, mas Shura não tinha nada em mente. Apesar de reparar que a moça não estava nada agradada de fazer par consigo, iria ter mais tempo para irrita-la. "Buguesinha, mimada"
- Aioros – Shion chamou, fazendo o rapaz se colocar na frente dos outros – Você faz par com Aiysha.
- Mas… - Aiysha ia contestar, mas Shion fez má cara. Resolveu não falar nada.
Aioros era legal, mas muito quieto. Muito parado e, isso, irritava a moça profundamente. Eram raras as vezes que tomava uma decisão e, estas, quando eram tomadas, eram por causa do irritante Aioria.
Aioros, internamente, dava saltos de felicidades, por poder estar mais perto de Aiysha, de uma forma que seu irmão não começasse com suas gracinhas.
Pensava ele. Ingénuo.
Mal a moça se colocou do lado de Aioros, Aioria não resistiu:
- Será que homens muçulmanos também usam lenço na cabeça? – A intenção da pergunta, foi percebida por todos, que deram risada. Aioros voltou-se com brutalidade para trás, juntamente com Aiysha que já tinha uma resposta, para o espertinho. Não deu tempo.
- E você Senhor Aioria – Shion chamou, fazendo o rapaz perder o sorriso – Ira fazer par com Saphira.
- Porque eu?
- Porque eu decidi assim, Saphira – Shion esclareceu.
Com tanto rapaz para fazer par, tinha que ser com encrenqueiro do Aioria. Mas sabia que não era só isso. Ele era de facto bonito, e isso, poderia fazer ela perder o controle. Aioria se mostrou, estranhamente, satisfeito, o que fez a moça desconfiar.
- Dakota fica com Miro. - Shion viu o rosto do rapaz se iluminar, enquanto que, o da moça se retorceu, no sentido negativo. – Se fizer alguma coisa com a moça, te ponho para fora – O loiro advertiu, fazendo o rapaz perder o sorriso.
Dakota não disse nada. Já algum tempo notava seu sentimento pelo rapaz e, se recriminava por isso. Ele era tão…tão…tão tarado.
Miro, por sua vez, em nenhum momento, pensou em fazer algo do tipo com Dakota. Não com Dakota. Um dia ela seria sua mulher. Estava convicto disso, porque ela era sua vida. Apesar de demonstrar o contrario.
- Aiyuki, ficará com Shaka.
A moça oriental, olhou o loiro, de cima a baixo e, se aproximou. Não sabia o que pensar, mas o facto é que aquele rapaz loiro não era bem-vindo. Mas fazer par com ele, também podia não ser tão desagradável assim.
- Indiano, ham!? – Murmurou, quando parou do lado do rapaz.
Shaka nada disse. Tudo ali era novo para ele. Tão novo, que não podia dizer se era bom ou ruim. Aquelas pessoas eram tão diferente das de onde tinha vindo, que até lhe davam um pouco de graça.
- Giovanna ficara com Aldebaran.
Aldebaran, levantou o olhar na direção de Shion. Ele ouvira direito? Giovanna? Não podia. Pela primeira vez, depois de tanto tempo iria chegar perto daquela moça, que nunca lhe dera muita bola.
Giovanna não contestou. Antes Aldebaran, que Mascara da Morte ou Kamus. Aldebaran era simpático e querido. Apesar de nunca ter falado direito com ele, admirava a alegria com que fazia as coisas. Sabia que o rapaz tinha uma vida difícil e, mesmo assim, estava sempre do lado de quem considerava amigo. Ou amiga, como era o caso da…
- Lune, ficara com Mascara da Morte – Shion disse surpreendendo a todos.
- Desculpa!? – Foi a vez de Lune se mostrar indignada – Acho que não entendi.
- Mascara da Morte será o seu par – Shion repetiu de forma natural.
Mascara da Morte não se admirou. Na verdade, Lune, de todas as moças, ali presentes, era aquela que poderia lhe interessar.
Lune não estava contente, assim como Aldebaran.
- Porque ela não pode ficar com Kamus? – Aldebaran indagou.
"Sai da panela, para cair no fogo" – Giovanna pensou.
- Porque Kamus, vai fazer par com Liese – Shion respondeu, simplesmente.
- Que?! – Kamus e Liese quase tiveram uma síncope ao ouvir tal barbárie.
- É isso mesmo.
- É agora que vai ter luta – Shura comentou com Lana. Esta não lhe olhou, mas pela primeira vez concordou com o espanhol.
- Eu acho melhor trocar – Miro argumentou, ao ver o olhar de ódio que os companheiros trocavam.
- Não haverá troca – Shion permaneceu com sua posição descontraída. Virou de imediato para os dois que se olhavam de uma maneira, que se soltasse uma faísca, iriam explodir – Parem com isso imediatamente.
- Eu não danço com ele, nem sobre tortura – Liese se afastou um pouco.
- Eu, é que não vou dançar com uma…uma…
- Diz, se você for homem! – Liese avançou, sendo segurada pelo braço, por Aldebaran.
- Uma garota de rua – Kamus completou convicto e, de cabeça erguida.
Aquela frase chocou a todos que estavam presente. Nem Mascara da Morte estava a espera daquela. Mas o mais chocante para todos foi o tapa que Liese deu na cara de Kamus, quando conseguiu se esquivar de Aldebaran.
Não deu tempo para que Shion falasse algo. Viram a moça pegar nas suas coisas e sair correndo pela porta de saída.
Shion suspirou, voltando-se para Kamus, que com ódio no olhar, fez sinal para que ninguém falasse nada. Também agarrou nas suas coisas, e saiu.
Pelos vistos o dia estava estragado. E agora? Já eram mais que horas de todos irem embora. Já passava da hora de almoço. Lana e Aiyuki, com toda aquela confusão não se deram conta do quão atrasadas, estavam. Aldebaran, também deu um salto, quando viu as horas.
Era hora de partir e, o professor, não precisou, se quer, dar ordem. Foi tão rápido, que só deu por si, quando estava sozinho na sala. Alias, sozinho não. A final, alguém ficara na sala.
- Eles são complicados – Ouviu a voz de Shaka.
- É verdade – Shion respondeu, com os pensamentos longe. Na verdade pensava em Liese e Kamus. Aqueles dois dariam mais trabalho que os outros. Mas Lune e Mascara da Morte, também representavam um obstáculo. Assim como Miro e Dakota. Miro era irresponsável e de facto devia ter algum distúrbio. – Todos estão com problemas…
- Todos temos… - Agora era Shaka que estava longe. Seu pensamento se fixava nos pais. Já não tinha aquela garra para a dança, como no começo. Começava achar que não ia conseguir.
Saiu de seus pensamentos, quando, sentiu uma mão em seu ombro. Shion sorria.
- Não adianta desistir – Ouviu o mais velho dizer – Temos que ultrapassar. Não adianta ceder.
Shaka sorriu. Não iria desistir. E, pensando bem, tinha um belo par. Aiyuki, alem de bonita, parecia boa pessoa.
E de facto, era boa pessoa. Enquanto corria para casa, para pegar seus doces, para começar a trabalhar, a imagem do loiro, indiano, não lhe saia da cabeça. Aquele rapaz, tinha algo diferente dos de mais. Não trocaram uma palavra se quer e, não conseguia deixar de pensar nele.
Balançou a cabeça, negativamente e entrou em casa. Seu pai havia saído e sua mãe estava dormindo. Ficou com raiva, pois a mãe estava um pouco pior que nos outros dias e, seu pai, irresponsável, devia estar no centro da cidade, bebendo e jogando, como um louco.
Sentou um pouco no sofá, para recuperar o fôlego e, passado, cinco minutos, levantou, para ir até o quarto da mãe, ver como ela estava.
Estava na porta do corredor, quando a porta de entrada se abriu. Uma imagem, surpreendente de seu pai apareceu. Estava…sóbrio.
- Olá – Ele disse com um sorriso. Na mão esquerda, trazia uma sacola – Venha me ajudar – Completou, quando viu que a moça não se mexia.
Demorou um pouco, para que pretendesse andar. Foi até o pai, e pegou na sacola, espiando o que tinha dentro. Tinha verduras.
- Eu peguei aquele dinheiro que estava em cima da mesa. Espero que você não se importe.
- Não faz mal – Aiyuki respondeu surpreendida. – Você não jogou? – Perguntou ainda incrédula.
O pai suspirou alto. Já estavam na cozinha.
- Não – Disse. – Eu prometo… - Começou, fazendo a menina lhe olhar – Que não vou jogar mais. Não vou estragar mais a sua vida e de sua mãe.
Aiyuki desconfiou. Se sentiu mal por isso, mas já tinha ouvido aquilo tantas vezes…
- E desta vez, é sério – Ele falou convicto e, com voz grave.
- E como você pretende…
- Já comecei a procurar ajuda – Ai estava algo novo. Das outras, vezes ele se recusara procurar ajuda. Dizia que conseguia sozinho. – E vou procurar emprego.
Mais uma coisa da qual Aiyuki precisou se apoiar na cadeira, para não cair de costas.
- Você não precisará mais trabalhar – Disse – Quero que você se dedique apenas aos estudos. Que tenha um futuro.
"Um futuro" – pensou – "nunca pensei que eu tivesse isso"
Sorriu. Talvez agora pudesse pensar nisso.
"Eu não vou conseguir ter futuro assim" – Lana corria – "estou tão…"
- Atrasada – Ouviu a voz irritante da gerente – De novo!
- Eu posso explicar.
- Chega de explicação! Essa já é a terceira vez, nessa semana.
- É que tenho aula…
- Não se preocupe, vai ter bastante tempo para isso.
- Desculpa – Disse aflita – Não volta a se repetir.
- Não mesmo – A mulher virou de costas, e começou a caminhar pelo corredor de produtos de limpeza – Você está despedida.
- Não! Espera – Lana correu atrás da mulher.
- Chega – A mulher falou alto, se voltando para a moça, que tinha lágrima nos olhos, chamando atenção de alguns clientes que passavam – Não há mais desculpas. Não precisamos mais de seus serviços. Passe na minha sala daqui uma hora, para acertar suas contas.
Lana viu a mulher se afastar. Precisava se controlar. Precisava de um plano. A vontade que tinha, era de pegar fogo naquele supermercado. Melhor, tocar fogo naquela mulher que sempre pegou no seu pé. Provavelmente era inveja de sua beleza. Que mulher irritante.
Raiva era tudo o que senti, não deixando que esta, raciocinasse direito. Tinha que ir para casa e tomar um banho frio, para por as ideias no lugar. Armar o "plano B".
Quem também não estava munido de um "plano B", era Aldebaran, que como um foguete entrou na porta do estabelecimento onde trabalhava a já algum tempo, dando de cara com o dono da loja.
- Peço desculpas Sr. Agildo. São as aulas…
- Ah – O homem fez, pegando em uma caixa em baixo do balcão – fico feliz que você tenha se dedicado mais aos seus estudos – Disse o senhor, que já contava com seus 67 anos – Você faz muito bem, Aldebaran.
O moreno, ainda ofegante, sorriu.
- Você tem que dar bom exemplo ao seu irmão – O homem depositou a caixa, na prateleira atrás de si – hoje em dia – o velhinho lhe olhou – os jovens estão perdidos. Venha – Chamou o rapaz com um sorriso – hoje o movimento não foi muito, como nos outros dias.
Aldebaran percibeu que seu patrão o compreendia. Agradeceu ao senhor e aos céus, por ter um patrão como aquele. Se lhe faltava sorte em alguns aspectos de sua vida, tinha sorte nas pessoas que lhe cercavam.
Sorte esta que faltava na vida de Liese, que vagava pela cidade sem rumo. Kamus era craque em deixa-la sem rumo, no pior sentido.
- Então a briga foi para valer – Ouviu a voz de Shura atrás de si, voltando-se de imediato.
Ao lado do espanhol estava Saphira, que lhe sorria.
Liese não respondeu.
- Você não devia ficar assim, por causa do estúpido do Kamus – Saphira se aproximou – Ele não sabe o que diz.
- Ele tem direito – Shura disse, espantando as duas.
- Não seja idiota – Saphira recriminou. Liese não dizia nada.
- Ambos perderam os irmãos – Shura se defendeu, sem se importar com os sentimentos de Liese. Falava como se ela não estivesse ali – Têm o direito de estar zangado.
- Mas não da o direito ao Kamus, me tratar como me tratar. – Liese reivindicou.
Se assustou ao ver Shura lhe olhar diferente.
- Se teu irmão tivesse feito metade do que fez com meu irmão, eu te tratava do mesmo jeito.
Essa frase, deixou as duas moças perplexas. Liese nem se deu conta, quando Saphira se voltou contra o rapaz, lhe dando um soco.
Shura não sabia como reagir. Tinha certeza que não revidaria, em cima de uma mulher.
- Você vai se arrepender – Foi a única coisa que o espanhol conseguiu dizer, antes de sair pisando duro.
- Não era preciso tanto – Liese não conseguia tirar os olhos arregalados da moça, que estava claramente perturbada.
- Ele foi grosso – Foi a resposta de Saphira, que se recompunha – Mas não quer dizer que discorde de todo com ele.
- O que?
- Liese – A moça virou-se para a amiga – Não podemos censurar Kamus, por estar revoltado.
- Não foi só o irmão dele que morreu…
- O facto é, que, foi seu irmão que levou-o para o mal caminho, o que ajudou para o destino dos dois. Kamus só está chateado.
- E eu não tenho direito de estar chateada!?
- Claro que sim – Saphira compreendia Kamus. Mas, também, compreendia-a – Mas alguém tem que tomar o primeiro passo para a compreender o outro. Bem, tenho que ir.
Liese não disse nada. Nem parecia Saphira falando. O que será que tinha acontecido com aquela menina?
Nem mesmo Saphira sabia responder. Talvez a expectativa de começar a ter uma actividade saudável, estivesse ajudando a compreender melhor as coisas.
Sorriu, convencida. Talvez estivesse se transformando em uma sábia.
Sábia como o professor, que sabia persuadir as pessoas. Sim, estava orgulhosa de suas palavras. Apenas se arrependera de ter agido daquela forma com Shura, que por sua vez, chegara em casa revoltado. Nem se quer ouviu o pai lhe chamar.
Deitou na cama com raiva, mas agora não sentia raiva de Saphira, pelo soco que levara. Sentia raiva de Kamus e Liese, por serem tão mimados. Os irmãos tinham morrido, mas eles estavam vivos. Tão vivos quanto ele e… Lana. Ah, quando tinha conseguido chegar perto dela, aqueles dois idiotas tiveram que armar a deles. Que raiva que sentia.
Com menos intensidade, Aioria, sentia raiva daqueles dois. Estava tudo tão perfeito. Ele e Saphira, ali agarrados. Mas tinha que dar tudo errado.
- Tudo errado – murmurou.
- O que esta tudo errado? – Aioros acabava de entrar no quarto.
- Nada não – Aioria respondeu – Então? Qual a sensação de estar em volto em lenços coloridos? – Desconversou, rindo.
- Pare com isso! – O mais velho corou.
- Deixa de onda, Aioros. Eu sei que você gosta da árabe.
- O nome dela é Aiysha. Pare de trata-la desta forma.
- Sim Senhor – Aioria desdenhou – A final ela vai ser minha cunhadinha. A ARABE!!
Aioros não aguentou. Porque ele tinha que ser assim?!
Sabia que ele estava brincando. Queria lhe provocar. Mas não aguentou. Voou para cima do irmão, lhe dando socos, que eram defendidos como podia.
Aioria tinha força, mas Aioros era mais velho e. tinha mais ainda.
- HORA DE COMER – Ouviram o pai gritar da sala.
- Já vamos – Foi o que o pai ouviu, pois, o "ai" de Aioria, foi abafado por um travesseiro.
Mesmo enquanto batia no irmão, seu pensamento estava nela. Só nela.
E ela, espirrou uma…duas…três vezes.
- Nossa! Alguém deve estar pensando em você – A criada falou, enquanto recolhia a roupa que Aiysha largava no chão.
Aiysha seguia vestindo algo mais confortável
- Garanto que deve ser seu noivo. – A mulher disse distraída.
- Que noivo?! – A moça parou de vestir a calça e, olhou, seria, para a mulher que, percebeu ter feito uma burrada. – Ande!, diga!
- Moça Aiysha, não se preocupe. Eu pensei…
- Não venha com essa – A moça não ia cair em desculpas esfarrapadas – O que está acontecendo?! Diga!!
- Eu ouvi um comentário…mas foi sem querer…
- Tá! O que é!?
- Seu pai contactou com um amigo. Prometeu você para um filho dele.
- Como?
- Já que você se recusa casar com outro…
- Que absurdo!! Meu pai não entende nada!! – Dito isso se vestiu rapidamente e foi até a sala.
Mais uma vez, uma grande discussão foi armada, no qual o pai se viu obrigado a colocar a filha de castigo. Disse que dessa vez ela iria se casar, pois já estava na idade. Não admitia um não. Onde já se viu. No tempo dele, não era nada assim.
E não era mesmo.
Tão pouco, um pai querer que uma filha arrumasse namorado urgentemente. Mas as coisas haviam mudado e, o pai de Lune não perdia uma oportunidade para fazer seus comentários irritantes. Em especial quando a menina voltava de algum lugar.
- Onde está seu amigo? – Ouviu a voz do pai, mal passou pela porta de entrada.
- Que amigo?! – Perguntou já desconfiada.
- Aquele, que eu faria muito gosto que você namorasse – disse sorrindo.
Lune fechou mais a cara.
- Pai, você gostaria que eu namorasse com qualquer um…
- Isso não é verdade – O pai se alterou um pouco – Apenas quero que você aja normalmente.
- Eu ajo normalmente…
- Não comecem, por favor – A mãe apareceu na porta da sala – E vamos comer.
- Qualquer dia, convido aquele rapaz para jantar aqui em casa – O pai comentou se retirando.
"Como queira" – Lune pensou, revirando os olhos. Ele era seu amigo mesmo. Nunca teria nada com Aldebaran Era como um irmão. Não dava.
"Não dá mesmo."- Giovanna dizia a si mesma, quando pensava no moreno de forma diferente.
De facto, aquele rapaz era muito querido. Fazia de tudo para não lhe pisar, enquanto dançavam. Mas dai pensar besteira em relação a ele. Coitadinho. Nem se trabalhasse mil anos, iria conseguir chegar ao seu nível. Definitivamente era areia de mais para a charrete dele.
Precisava de alguém com o mesmo brio. Com o mesmo estatuto.
Estatuto, esse, que custava entender que não tinha mais. Apesar de chegar em casa e deparar com a pura realidade: Seu pai no sofá, sem forças para ir até o quarto e, deitar na cama.
Que martírio. Como o mundo era injusto. Precisava se recompor. Nessas vezes caía na real. Mas hoje, o cair na real, era pensar em Aldebaran. Pensar de maneira diferente. Era aquele mundo que ela pertencia agora e, isso, lhe doía muito.
Doía talvez, tanto, quanto o puxão de orelhas que Dakota levara de sua tia, quando esta chegou em casa.
- Você não limpou seu quarto, como prometera – A tia ralhou.
- Esqueci – Argumentou, queixosa, se livrando das mãos da mulher, que insistiam em agarra-la.
- Vai agora arrumar aquela pocilga!!
- Estou cansada…
- Cansada de que? – A voz do irmão invadiu a sala – A única coisa que faz é ir a escola…
- E você nem isso faz – respondeu de repente.
Poucas coisas incomodavam Dakota e, aquela expressão de tristeza do irmão era uma delas. Sabia que ele tinha sido demitido a três dias atrás. Não lhe custava ser mais compreensiva. A final, ele é que trazia sustento para aquela casa.
A moça suspirou e baixou os olhos.
- Desculpa!? – Murmurou.
O irmão sorriu. Era raro ver a irmã pedir desculpas.
- Arrume o quarto e, venha comer – Foi o que ele disse, fazendo a moça sorrir.
Não estava convicta em arrumar o quarto, mas estava com fome. Passou pelo irmão, lhe dando um beijo e, correu para o quarto.
- Ela não tem jeito – A tia, que até ai tinha estado calada, disse seria para o rapaz.
- Um dia ela toma jeito. – Disse se aproximando e, depositando um beijo na senhora – Eu te ajudo com a mesa.
Como o irmão disse: um dia ela tomava jeito. Mas não hoje. Hoje, agarrou aquilo que considerava bagunça em seu quarto e jogou tudo para dentro do armário. Sorriu esperando meia hora e foi para a cozinha comer.
- Parece delicioso – Ouviu Gabriela, apreciar o que Mu depositava na mesa.
- Macarrão branco – O rapaz falou – Especialidade do meu pai e… de ontem.
Essa frase fez os dois rirem. Se perguntavam se re-aquecido no microondas ficava bom.
Iam descobrir agora.
- Até está bom – A moça falou, após a primeira garfada.
- É verdade…
- Onde está seu pai? – Gabriela surpreendeu o companheiro.
Mu fez má cara. Shion parecia não se importar com mais nada, que não fosse aqueles garotos, daquela escola. E isso começava a irrita-lo.
- Não é possível – Dohko começava a ficar stressado em sua sala – Quando você vai acabar com isso, Shion!?
- Quando chegar o campeonato. – O loiro estava de pé, diante do moreno, que estava sentado.
- E vai por tudo a perder!?
- Confia em mim, Dohko?
O homem suspirou. Confiava, mas era tão arriscado.
- Os alunos sentem a sua falta, Shion! – Finalmente falou.
- Para que eles precisam de mim, tendo você?!
- Não é a mesma coisa. Saga, Kanon, Mário…as meninas…
- Já são grandinhos. E são bons.
Dohko riu. Era verdade. Todos eles eram bravos. Dançavam como ninguém. Se perguntava, as vezes, porque eles continuavam a treinar. Já eram suficientemente bons. Podiam treinar sozinhos.
Quando perguntava. As respostas iam sempre dar no mesmo:
- Porque ser bom, não basta. – Saga dizia.
- Ser a melhor, é o objectivo – Danijela, falava arrogante.
- Quero mais, que ser apenas bom – Kanon respondia, com seu sorriso maroto.
- A sempre mais para aprender – A doce Rissa, sorria.
- Quero mostrar todo meu potencial. E para isso é sempre preciso trabalho – Gabriela entusiasmava.
- Quero mostrar que posso ultrapassar até mesmo meu pai – Era Mu audacioso.
- Para isso treinamos – Mário completava.
Larissa concordava. O tango, a salsa e a rumba, não eram apenas para serem dançadas. Eram para ser vividas, assim como todas as danças de salão. Com paixão e garra. Mas não era apenas naquele grupo, que as emoções para melhorar fervilhavam. Afrodite e Caroline, empenhavam-se cada vez mais. Por vezes eram os últimos a saírem da academia.
Após o incidente com Shaka, Caroline se recusava a dançar com outro que não fosse Afrodite. Ele era insuportável, mas preferia as gracinhas dele, aos pisões nos pés.
Apesar dessa garra toda, o descontentamento, de todos, por não ter Shion por perto era evidente. Para muito, Shion era um ícone. Uma segurança de que tudo correria bem. Assim como Dohko. Mas os dois "amuletos" da escola, podiam não funcionar em separado e, isso, assustava a todos os estudantes.
Força era o que precisavam e, Shion parecia estar mais preocupado, em dar apoio para "outros" – como Afrodite, apelidara, com desprezo, os novos alunos de Shion.
Não percebiam que, aqueles meninos e meninas, precisavam de alguém que lhes estendesse a mão e, lhes desse um motivo para não ir pelo caminho errado. Pois aqueles que estavam dispostos a desencaminha-los, pareciam não dormir.
Espreitavam nas esquinas. Observavam, na penumbra das vielas da baixa da cidade, ou nas sombras dos caixotes nos armazéns.
E lá estava ele, a espera de Kamus. Deu o sinal de tarde, para que o francês aparecesse lá, aquela hora da noite.
- Você trouxe a arma que eu te dei? – Mascara da Morte perguntou, assustando o rapaz que tinha entrado com cuidado no enorme armazém.
- Sim – Ouviu o rapaz responder.
- Esta com medo? – O italiano provocou.
- Claro que não – Kamus se mostrou irritado. Nunca tinha medo. NUNCA!
- Que bom – Mascara da Morte respondeu – Porque é hoje, o primeiro carregamento. Vamos nos vingar…
Kamus não sabia se sorria ou ficava triste.
Queria vingar o irmão, mas sabia que este ficaria extremamente triste em vê-lo ali.
Era confuso, esse sentimento. A única coisa que não era confusa, era sua convicção.
Não iria desistir! Não podia desistir!
Era tarde de mais.
Continua…
Isso é que foi séculos para actualizar, não é!?
Peço desculpas, mas aqui esta mais um capitulo. Não ficou exactamente como eu queria. Se não ficou bom, peço mais uma vez desculpas.
Tenho escrito esse capitulo de madrugada, aos poucos, pois não tenho tido tempo e com um pouco de sono.
Obrigada pela paciência de vocês.
Fiquem bem.
