Quando a sua vida perfeita dá um giro de 360°, é natural que se sinta assustado ou, no mínimo, preocupado. Ao menos era assim que Sasuke pensava. Não sabia se considerava um sonho ou um pesadelo, porém sabia que finalmente tinha o Uzumaki para si, apenas não imaginava que junto viria tamanha dor de cabeça. Quem em sã consciência acreditaria que a maldição dos clãs realmente existia? Suas vidas já eram consideradas um mistério para a sociedade de humanos, como então eles considerariam se soubessem dos verdadeiros mistérios? Nem mesmo os descendentes conseguiam explicar como surgira a maldição ou o motivo de surgir. Apenas estava ali:
- Droga...
O moreno olhou para o lado, a felpuda raposa continuava o seguindo, os olhos vermelhos vigiando até a sua alma de tão penetrante que se encontrava o olhar. Não entendia por que estava com ele ao invés de acompanhar Naruto, aquele sim precisava ser muito bem vigiado:
- O que você quer, bola de pelo?
Um rosnado baixo o avisou de seu equívoco, coisa que apenas o fez suspirar cansado. Voltou o olhar para o caminho que seguia, a sala de Ninpo nunca parecera tão afastada antes. Possuía esperanças de que encontraria Itachi lá, precisava conversar com ele ou acabaria cometendo algum erro no futuro breve. Seus passos pareciam mais pesados a medida que avançava pelo espaço do colégio, no próximo ano, lembraria seu pai de o enviar os rollers.
Ao chegar em seu destino, respirou fundo e deslizou a porta, abrindo-a. Seu irmão organizava as espadas para a próxima turma do dia, porém mesmo de costas percebeu sua presença, pois fez um aceno com a cabeça, convidando-o para entrar:
- Boa tarde, otouto...
- Hm...
Itachi parou o que fazia e o observou, algo no olhar de seu irmão o dizia que sabia por que estava ali. Suspirou cansada e sentou-se no tatame, tendo Kurama pulado em seu colo na primeira oportunidade e ali se aconchegado. Olhou indignado para a raposa, ainda não entendia o motivo da mesma não estar com o Uzumaki:
- Eu poderia dizer que você e o Naruto-kun foram para a cama pelo comportamento da Kurama...
Sasuke encarou surpreso o irmão, era algo tão óbvio assim? O maior apenas balançou a cabeça, as coisas realmente estavam saindo de controle:
- Ao que parece seu loirinho não confia em te deixar sozinho por aí... – o Uchiha aproximou-se pegando a raposa no colo e a acariciando – Kurama será seu guardião até que o seu próprio decida aparecer...
- Nekomatas não possuem guardiões! Somos superiores a eles!
Um rosnado por parte do animal serviu de alerta para o mais novo. Itachi voltou a balançar a cabeça, devolveu a raposa ao colo de Sasuke e se dirigiu para um armário. Sentia-se observado enquanto procurava um pergaminho em especial dentre todos que haviam ali:
- Se somos superiores, por que todos os descendentes fazem questão de caçarem e até matarem os Kyuubis? – perguntou achando o que procurava.
- Hm...
- Os guardiões são espíritos que protegem os mais fortes entre os da nossa raça, de forma a garantir sua linhagem...
O professor sentou-se no tatame ao lado do irmão e abriu o pergaminho no chão. Desenhos de vários animais preenchiam o papel de aspecto antigo:
- Qualquer Clã pode possuir um membro com guardião, incluindo o nosso... – apontou para as panteras de diferentes aspectos em um canto do papel – Mas nenhum guardião irá se comparar à Raposa de Nove Caudas...
Sasuke observou o desenho central do pergaminho, uma grande raposa se destacava, as caudas dirigindo-se a todos os demais animais que estavam ali. Abaixo dela, encontrava-se uma grande raposa cinza acompanhado de outra branca. Por alguma razão, sentiu alguma familiaridade naquele desenho:
- O grande casal de raposas são, hoje, os líderes do Clã Kyuubi... – o moreno mais velho suspirou - Namikaze Minato e Uzumaki Kushina...
- Os pais de Naruto...
Isso explicava, de certa forma, a familiaridade que aquelas imagens lhe traziam:
- Dos grandes líderes nasceria a criança com o maior poder, capaz de trazer a guerra ou a paz definitiva, protegida pelo rei dos guardiões, a Raposa de Nove Caudas... – Itachi observava as expressões do irmão – Ou, como você a conhece, a Kurama...
Sasuke arregalou os olhos, perante o maior não tinha medo de demonstrar emoções. Olhou para o animal que descansava em seu colo e novamente para o pergaminho. Eles não eram exatamente parecidos, embora a coloração dos pelos batia. A imensidão de poder que estava em suas mãos o assustou, sabia que os Kyuubis eram fortes, porém ter o mais forte de todos consigo, era algo que nunca imaginaria:
- Essa é a profecia que deu início às caçadas ao Clã deles... – Itachi voltou a pegar Kurama para si – E ao atentado a Uzumaki Naruto há 10 anos atrás...
- Atentado? – um aperto no peito ao imaginar o louro machucado – Quem...?
- Nosso querido otou-san, Uchiha Fugaku...
O Uchiha menor sentiu o coração falhar, encarou o irmão procurando o menor sinal de que mentia, mas a expressão séria o provava o contrário. O olhar, agora vermelho sangue, do mais velho o assustava; podia sentia a aura de ódio que o circundava, o que nunca imaginava ser possível para o homem à sua frente, sempre tão calmo:
- Tome cuidado com o que fará ao Uzumaki, otouto... – a voz, agora fria, encheu seus ouvidos – Eu o salvei uma vez e irei salvar quantas vezes forem preciso...
- Por isso você saiu de casa quando éramos crianças...
- Fui criado pelos Uzumakis, mesmo com as lembranças de Naruto tendo sido seladas e eu me mantendo nas sombras... – Itachi levantou-se indo guardar o pergaminho – A Maldição dos Clãs também surgiu dessa profecia... Se eu fosse você, orasse para que tenha um guardião...
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Gaara observava o colégio, sentado em uma árvore, os olhos verdes vasculhando todo o terreno. Pela movimentação que havia, pressentia que alguns alunos já possuíam conhecimento do que estava acontecendo. Isso poderia ser perigoso para o Naruto, essa exposição repentina acabaria o trazendo muitos problemas:
- A profecia então tem fundamento... – um suspiro.
Todos que faziam parte de seu mundo conheciam a famosa profecia, embora eram poucos os que realmente deram credibilidade a ela. O Sabaku inclusive sabia quem havia sido a profetisa, afinal, a mulher, agora idosa, era uma anciã pertencente ao seu Clã. Por ser uma Shukaku, muitos negaram suas palavras e a consideraram insana, todavia, parecia que logo chegaria o dia em que nenhum descendente poderia negar a verdade em sua visão.
Reparou ao longe uma cabeleira loura e então desceu da árvore, dirigindo-se ao amigo que parecera perceber sua presença. Sorriu minimamente ao ver o Kyuubi o acenar empolgado, ele era o único que ainda não fora falar com o garoto desde a alta do mesmo.
Gaara aproximou-se do amigo e foi pego de surpresa por um abraço, sem saber o que fazer, apenas afagou os fios dourados, sentindo o perfume que exalavam. Poderiam até pensar que se apaixonara pelo Uzumaki, porém era algo mais forte, via no rapaz um irmão mais novo a cuidar e um líder a seguir. Em nenhum momento jurara lealdade a Sasuke e não pensaria duas vezes em lhe dar as costas, caso fosse necessário para proteger o louro em seus braços:
- Ne Gaara! Eu quero comer lámen! Vamos, vamos?! – o mesmo sorriso quente e inocente de sempre.
- Hm...
Naruto sorriu mais ainda, feliz que o ruivo parecia exatamente o mesmo.
Ele notara a diferente atmosfera no colégio e os olhares que recebia dos amigos e de outros, sabia que seu segredo não estava mais tão seguro. Temia pelas consequências disso, mas decidira, com os pais, que ficaria ali. E agora, tinha o Uchiha e a situação toda o envolvia mais perigosamente do que desejava. Antes de Tsunade o liberar da enfermaria, havia sido avisado de que teria que lidar com novas coisas. Ao que parecia, suas lembranças passadas, que agora sabia terem sido seladas, eram uma dessas coisas; a outra era as consequências da profecia, na qual antes nunca acreditara. Porém a mais complicada, seria o seu poder, Jiraya o treinaria para que aprendesse a usar todo o poder que Kurama o dava, fazendo com que a própria raposa se tornasse o lendário rei. Sabia que o guardião só estava naquela forma pequena porque seu poder estava selado em si, caso a situação se tornasse realmente perigosa, seria sua obrigação liberar essa força:
- Naruto...
A voz do Sabaku o chamou para a realidade, olhou ao redor constatando que já estavam no refeitório. Coçou a cabeça envergonhado perante o olhar indagador de Gaara:
- Acho que me distrai um pouco...
- Um pouco...?
Riu sem se segurar, adorava ver em como o temido Shukaku estava cada vez mais solto com ele, nunca que abriria mão dessa amizade que conquistara. Sentiu o amigo o encarar confuso e apenas balançou a cabeça, dirigiu-se a servente que os encarava alegre:
- Eu quero lámen, tia!
- Hai hai, Naruto-kun! – ela nem precisava de uma bola de cristal para servir aquele louro sorridente.
O moreno observava a cena dos dois, sentado em uma mesa afastada no grande salão. Seus olhos refletiam a ambição e o desejo, porque mesmo que fora atrapalhado no dia anterior? Se não fosse por Sasuke, teria o Uzumaki em mãos, no entanto não, aquele Uchiha hipócrita tinha que dar as caras naquela hora.
O Hyuuga apertou os punhos irritado e suspirou, ainda tinha uma chance, bastava encurralar o garoto quando sentisse que a raposa não estava por perto. Aquele poder seria o bastante para provar o valor de seu Clã e de sua pessoa, então todos que os inferiorizavam iriam se ajoelhar aos seus pés:
- Até mesmo Sasuke...
Percebeu quando os garotos se levantaram e Gaara se despediu do louro, ambos tomando direções diferentes. Não sentia a presença daquela bola de pelos, então viu a sua oportunidade perfeita. Levantou-se tomando o mesmo caminho de Naruto, andando devagar, avistando próximo os fios dourados que tanto chamavam atenção.
Tudo parecia transcorrer ao seu favor, afinal o mais novo pegara um atalho para o bloco C, atalho esse que, por sinal, quase nenhum aluno usava. Sorriu apressando os passos, já concentrava um pouco de energia em uma das mãos, poderia nocautear o Uzumaki facilmente:
- Naruto! – chamou.
- Hm? Ah... É você, Neji...
Antes que o outro ficasse em guarda, desferiu um golpe em sua nuca. Percebeu os olhos azuis se fecharem lentamente e pegou o corpo desacordado antes que chegasse ao chão. Temia que aquilo tudo estivesse sendo fácil de mais, todavia, não havia nenhuma presença por perto que pudesse indicar perigo. Carregou o garoto pelo resto do atalho, dirigindo-se ao seu quarto, por sorte, seu companheiro estava ausente do colégio durante a semana.
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Os pelos de Kurama se eriçaram enquanto o Uchiha a observava, o repuxar de lábios seguido de um rosnado baixo foi o bastante para que ele se levantasse. A raposa corria desesperada em direção aos edifícios e o moreno sentia: alguma coisa havia acontecido a Naruto. Não entendia por que estava preocupado, apenas aquele animal a sua frente bastaria para proteger o Uzumaki, mas seu corpo se movia sozinho. Estava precisando manter a concentração para não deixar seus instintos tomarem conta e se transformar ali mesmo, no meio do colégio em plena tarde de atividades. Algo fazia com que seu peito se comprimisse, sentindo-se ameaçado com qualquer coisa que pudesse machucar o colega de quarto.
Reparou que a raposa passava despercebida por todos os alunos, como se apenas os que ela desejasse, pudessem a ver. Não duvidou que aquilo poderia ser realmente verdade, aquele guardião possuía mais personalidade própria do que poderia imaginar. Acabou por esbarrar em Sasori sem querer e, por um momento, jurou que o professor o havia dito para ajudar o Uzumaki.
Viu Kurama entrar no bloco dos dormitórios e seguiu na mesma direção, felizmente ela sentia exatamente onde o Kyuubi estava, então não seria difícil chegar nele. Um, dois, três andares. Um arrepio percorreu o corpo do Uchiha, conhecia alguém que ficava naquele andar e não gostava de saber que esse "alguém" tinha conhecimento de Naruto:
- Espero que não esteja pensando em aprontar, Hyuuga... – a raiva começava a o consumir.
Percebeu que o guardião parou em frente da porta que imaginava, rosnava para o quarto, esperando que a porta fosse aberta. Sasuke fechou os olhos, tentando se acalmar para não fazer nenhuma besteira, porém uma pontada em seu peito seguida de um silvo de dor seu, foi o bastante para que invadisse o quarto. Os olhos cor de sangue vasculhavam cada canto na escuridão que havia, apenas descansando quando encontrou o corpo bronzeado em uma das camas:
- Naruto... – um fio de voz.
Kurama saltou no colchão e se alinhou junto ao rosto de louro, tentando o acordar com pequenas lambidas. O Uchiha percebeu que o outro se encontrava nu, podia sentir o cheiro de sangue no ar, apertou os punhos deixando o ódio o dominar. Não sentia a presença de Neji no ambiente, no entanto, o encontraria. Com certeza o encontraria!
- Hyuuga! – rosnou alto, os dentes pontiagudos a mostra.
Do lado de fora, o céu escureceu e um relâmpago cortou o ar, seguido da tempestade.
Carregava o menor, esse envolto em um lençol, pelos corredores; todos os demais alunos estavam presos no bloco A ou no refeitório devido a repentina chuva, então não encontrou ninguém até chegar em seu próprio quarto. Deitou Naruto na cama e foi ao banheiro, voltou de lá com um pano umedecido. Não o deixaria com o cheiro do Hyuuga impregnado no corpo, aquilo só lhe dava ânsias. Limpou o corpo bronzeado devagar e depois o vestiu, sendo observado atentamente por Kurama, em nenhum momento ela desgrudou do Kyuubi.
Sasuke deixou-se escorregar pela parede, ainda sentia o corpo tremer de raiva. Podia sentir os dentes furando os lábios e o gosto de sangue, no entanto, não se importava. Sentia a aura assassina que rodeava a raposa, ela também compartilhava dos seus sentimentos. Quando os olhos vermelhos se encontraram, teve certeza que nenhum dos dois descansaria enquanto não tivessem Hyuuga Neji em mãos, implorando pela vida:
- Naru... – levantou-se deitando na cama.
Puxou o menor contra seu peito, abraçando-o firmemente. Sentiu o aroma que emanava dos cabelos dourados e não se evitou que depositasse um beijo ali. Não conseguiria dormir mesmo que quisesse, os sentimentos em turbilhão em si não permitiam; deveria o proteger, mas não conseguira fazer isso. Percebeu algo úmido escorrendo por sua bochecha, aquilo seria uma lágrima? Há quanto tempo não chorava?
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Itachi observou a mudança repentina de tempo, estava em seu quarto lendo, mas não pode evitar de reparar. Algo havia acontecido a Naruto para que seu irmão se deixasse levar pela ira. Percebia a aura do Nekomata, envolta em um desejo por sangue, e também a de Kurama, alguém havia brincado com a pessoa errada e, sinceramente, Itachi não queria saber quem fora:
- Nunca pensei que veria meu otouto se mostrando tão protetor... – sorriu enquanto voltava a ler.
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Os olhos azuis se abriram para em seguida voltarem a se fechar, os raios de sol o cegaram momentaneamente. Usou a mão para fazer sombra e se sentou na grama, observou ao redor confuso, até se lembrar que viera ali para relaxar um pouco. Deveria ter pego no sono sem querer:
- Okaa-san deve estar preocupada... – coçou a cabeça nervoso.
Notou a pequena bola de pelo ao seu lado, Kurama dormia profundamente, não queria ter que a acordar agora. Eram poucos os momentos em que não estavam vigiados pelos amigos do seu pai, ou em treinamento com o ero-sennin. Ouviu passos se aproximando e ergueu a cabeça, deparou-se com um garoto de cabelos negros, ao ser ver ele era familiar:
- De novo... Você está no meu território...
Claro! Aquele era o mesmo garoto da vez em que viera ali brincar com a raposa. No entanto, algo naqueles olhos de ônix transmitiam tristeza, algo que não havia na última vez:
- Por que está triste? – a pergunta simplesmente saíra.
O moreno arregalou os olhos surpreso, porém logo voltou a sua expressão indiferente, não devia respostas àquele garoto. Naruto percebeu o equívoco e sorriu sem graça, levantou-se pegando o filhote nos braços:
- Estou indo... – deu um beijo na bochecha do maior – Tane Sasuke-chan!
O Uchiha, corado, observou o rapaz se afastar. Quem ele pensava que era?
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Naruto se virou na cama, aconchegando-se mais no moreno que também dormia.
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Estava novamente no labirinto, sentia isso, porém alguma coisa estava diferente. Havia muita energia negativa naquele ambiente e, por mais que tentasse, não conseguia perceber a presença do guardião em nenhum lugar. Embora tivesse certeza que não era apenas ele ali dentro:
- O que aconteceu afinal? – bagunçou os cabelos nervoso.
Precisava admitir, estava com medo, medo de ficar sozinho. Algo em seu peito se comprimia com essa possibilidade, deixando-o sem ar. Levantou-se, cansado de ficar sentado choramingando, observou o extenso corredor, decidindo por qual lado seguiria, escolheu o direito.
Deixou seu instinto fluir, trocando a visão pelos demais sentidos. Era a única coisa que o transmitia certo conforto em situações como aquela. Constatou que realmente não estava sozinho, mas quem quer que estivesse ali, estava atrás dele e as intenções não eram das melhores:
- Era só o que me faltava... – passou a correr.
Aquela presença continuava atrás de si, novamente perdera a noção de tempo naquele labirinto. O que deveria ser para sua proteção, estava apenas o aprisionando com algo perigoso:
- Kurama... – murmurou cansado – Cadê você?
Sentiu um leve conforto no peito, como se a raposa tivesse ouvido, onde quer que ela estivesse no momento. Percebeu a aura negativa mais próxima, em seu encalço. E quando se deu por conta, estava jogado no chão, pressionado por um corpo. Sabia que sem o guardião por perto, era questão de segundos até que perdesse suas forças. Abriu os olhos, recuperando a visão, querendo ver quem era:
- Quem é você? – arregalou as safiras confuso.
- Naruto-kun...
Um brilho chamou sua atenção para a katana que ele carregava, debateu-se desesperado. Morrer dentro de sua própria mente não era uma opção agradável. Seus pais não gostariam de saber o quão fraco ele foi, nem Itachi-sensei; e ele havia prometido levar adiante a amizade com Gaara. E o que aconteceria com Sasuke? Uma dor em seu peito o sufocou, sentia a lâmina passear em seu pescoço, aquela pessoa estava apenas se divertindo com seu estado. Aquela pessoa com olhos vermelhos tão parecidos aos do...
- Sasuke... – chamou.
Um sorriso se formou naquele rosto coberto pela sombra e a katana se levantou no ar:
- Sasuke! – gritou.
"Naruto, estou aqui!"
- Sasuke, salve-me... Sasuke! – debateu-se contra aquele corpo novamente.
"Naruto, acorda! Naruto..."
Sentiu um calor o envolver, o labirinto passou a desaparecer enquanto o vulto acima de si urrava de raiva.
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Abriu os olhos desesperado, olhou ao redor enquanto seu corpo tremia, denunciando seu medo. Encontrou os olhos vermelhos do Uchiha o observando preocupado. Sentia as lágrimas escorrendo e Kurama roçando o focinho em seu pescoço, tremia, tremia demais. Pulou no colo do moreno, escondendo-se em seu peito, deixando que o choro viesse. Sentiu aquele mesmo calor do labirinto, constatando que eram os braços do maior o envolvendo forte:
- Naruto? – aquela voz preocupada.
Um trovão rugiu do lado de fora, causando-lhe um sobressalto, fazendo com que aqueles braços o apertassem com mais força. Levantou os olhos, observando os vermelhos de Sasuke, aqueles olhos vermelhos eram tão diferentes do que os que vira no labirinto, porém ao mesmo tempo extremamente semelhantes.
Notou algo diferente no outro, sua presença estava mais forte. Viu algo balançando atrás dele e agarrou por impulso:
- Huh? Cauda...? – acariciou a cauda negra devagar.
- Naru... – um suspiro de contento.
Naruto olhou novamente para o Uchiha, reparando agora que também possuía orelhas felinas. As safiras brilharam quando o louro trocou a cauda pelas orelhas, acariciando-as de leve, vendo como se moviam a cada toque diferente:
- Né Sasuke! Você fica kawaii assim! – falou animado em meio as lágrimas perdidas que ainda rolavam.
- Usuratonkachi...
Sasuke segurava os gemidos que ameaçavam sair a cada toque do menor, observou o rosto bronzeado ainda marcado de lágrimas. Seu peito se apertou, o que acontecera para todo aquele desespero que vira? Sentiu Naruto morder uma das orelhas e deixou um gemido involuntário escapar:
- Sasu... – outra mordida.
- Naruto... – estava tentando se conter – Pare com isso...
Antes que o Uzumaki tentasse mais alguma coisa, puxou-o pelos cabelos, capturando seus lábios. Beijava-o com calma, transmitindo o conforto que ele sabia que o outro precisava. Deitou-se novamente, trazendo o menor junto de si, com os lábios ainda colados, entregues um ao outro. Apenas aquilo bastava por hoje, apenas o sentir em seus braços, correspondendo-o, bastava. Afastou-se um pouco, olhando os olhos azuis translúcidos, sorriu ao reparar o vermelho nas bochechas dele:
- Eu vou te proteger...
Puxou-o para si com força, escondendo o rosto na dobra do pescoço, sentindo o perfume que aquela pele emanava. Percebeu Naruto se aconchegando melhor no seu abraço e fechou os olhos, cansado:
- Eu sei... – ouviu a voz serena antes de voltar a dormir.
