Capitulo IX
Gina deu um suspiro e despertou. Ela se espreguiçou e seus mús culos, raramente usados, protestaram. Mas ao se lembrar da causa dessa rigidez matutina esboçou um sorriso. A noite anterior havia sido do outro mundo! Fazer amor com Harry a levara a um êxtase que não achava possível atingir. Aquilo havia sido surpreendente, excitante e... não se importaria de repeti-lo.
Com essa idéia em mente ela se virou e descobriu que o outro lado da cama estava vazio. Apoiou-se em seu cotovelo e afastou os cabelos dos olhos. Harry estava saindo do seu quarto de vestir enfiando pela cabeça um suéter de padrão Argyle.
Gina sempre havia achado que Harry ficava bonito com roupas formais, mas também ficava maravilhoso com roupas esportivas. O jeans salientava os músculos das suas pernas e o suéter delineava o peito que agora conhecia bem. Ela se sentiu um pouco desapontada por vê-lo de pé e vestido.
— Por que não me acordou?
Harry a olhou e sorriu. Então se sentou na beira da cama, abaixou a cabeça e lhe deu um longo beijo que diminuiu um pouco o desa pontamento dela. Depois se afastou com óbvia relutância, antes que as brasas da paixão fossem acesas de novo.
— Bom dia — cumprimentou-a com uma voz rouca.
— Bom dia — respondeu Gina com uma voz igualmente rouca. Os olhos esverdeados examinaram o rosto de Gina, e ele passou os nós dos dedos gentilmente em suas bochechas.
— Como se sente?
— Agradavelmente exausta — respondeu, sorrindo. — Mas tenho uma ótima capacidade de recuperação — acrescentou sugestivamen te, fazendo-o rir também.
— E bom saber, meu bem, mas não era exatamente isso que eu queria saber — retrucou, sustentando o olhar dela. — Foi difícil para você, não foi?
Gina tinha se esquecido daqueles breves momentos de descon forto, e achava que ele também.
— Você ficou desapontado — disse, sentindo-se tola, mas Harry corrigiu rapidamente seu erro.
— Nada em você me desaponta, Gina. Longe disso. Só mencio nei esse fato porque era algo que eu não esperava. Achei que talvez tivesse sido muito rude, e machucado você.
Ela relaxou de novo.
— Ah, eu entendo. Bem, deixe que eu lhe diga, Sr. Potter, que não me machucou de forma alguma — disse honestamente.
— Isso é bom, mas eu gostaria de ter sabido antes. Teria tomado mais cuidado.
Mais cuidado? Ela não pôde evitar rir.
— Mais cuidado? Harry, você não poderia ter tomado mais cuidado do que tomou.
— Então o que houve? Todos os outros homens eram cegos? — provocou-a, como costumava fazer.
Gina suspirou.
— Não. O problema foi meu. Depois de Draco, não tive ninguém -— admitiu, surpreendendo-o de novo.
— Não teve ninguém depois deDraco? — repetiu, incrédulo. Ela gostava de se lembrar do quanto havia sido estúpida.
— Eu me enganei em relação a ele, confundindo desejo com amor. E o único modo de garantir que isso não aconteceria de novo era manter distância dos homens. Quando você já se queimou, aprende a ficar longe do fogo. — Aquilo era uma filosofia que tinha dado certo ao longo dos anos, protegendo-a.
— Ah, eu entendo. Então por que eu? Por que agora? — perguntou curiosamente.
Ela poderia não ter dito nada, mas já dissera tantas coisas que não fazia sentido esconder a verdade.
— Porque você é o único homem que já me fez querer mudar de idéia. — Essa era a simples verdade.
— Fico lisonjeado com isso.
Sentindo-se estranhamente emotiva, ela teve de esclarecer aquilo ou fazer algo bobo como explodir em lágrimas.
— Deve ficar. A verdade é que não estou iludida desta vez. Você está aqui e eu o quero, e por mais que tentasse não consegui encontrar um motivo convincente para não ter você.
Isso fez os olhos dele brilharem.
— Então, você tentou?
A risada dela foi claramente provocante.
— Ah, sim. Eu não queria que o sexo se tornasse um problema e atrapalhasse a minha vida, mas a julgar pela noite passada fiz a escolha certa.
— Estou feliz por ter ficado satisfeita.
Gina passou um dedo pela gola em V do suéter dele.
— Eu fiquei satisfeita na noite passada, mas nesta manhã... Você deveria ter me acordado. Por que não me acordou?
— Ah, pode acreditar que eu tive vontade de fazer isso. Não sabe o quanto foi difícil ficar com as mãos quietas e sair da cama. Tudo que eu queria era acordar você com um beijo e começar tudo de novo. Mas achei que precisava dormir mais, e que a coisa nobre a fazer era deixá-la em paz.
— Para seu governo, não estou interessada em nobreza — disse Gina ironicamente. — Então por que não volta para a cama? — sugeriu com um sorriso cativante.
Harry gemeu mas resistiu à tentação.
— Devo estar louco para recusar uma proposta desse tipo, mas não temos muito tempo e quero falar com meu pai antes de ele ir embora esta manhã.
Gina ficou desapontada, mas compreendeu.
— Então por que está perdendo tempo aqui? Vá procurar o seu pai. — O desejo deles um pelo outro não seria satisfeito tão rapida mente.
Ele lhe deu um beijo rápido e saiu do quarto. Nada neste fim de semana havia sido como Gina esperava, e contudo nada poderia ter sido melhor. Havia reencontrado a sua família, e só isso fazia tudo que havia acontecido ter valido a pena. Até mesmo seu encontro inesperado com o pai.
E também havia Harry. Nenhum deles havia esperado que isso acontecesse, que acabassem dormindo juntos. Mas Gina não estava arrependida. Pela primeira vez em muito tempo se sentia ela mesma. A Gina que lutava pelo que sabia que queria, sem medo.
Agora era mais velha e experiente, e não confundiria desejo com amor. Aquilo seria apenas uma aventura. Não havia amor de nenhum dos lados, apenas um forte desejo. Quando acabasse, iria embora com seu orgulho intacto. Sem falsas promessas ou exigências impossí veis. Eles se desejavam e aproveitariam cada momento enquanto a paixão durasse.
Era ótimo se sentir livre do passado, e Gina ficou deitada apre ciando aquela sensação nova. Então seu estômago roncou e ela começou a pensar em comida em vez de no que poderia estar fazendo se Harry ainda estivesse ali. Sentando-se, pegou o relógio na mesa-de-cabeceira e ficou surpresa ao descobrir que eram quase onze horas da manhã.
— Nossa! — exclamou, pensando em tudo que tinha de fazer antes de comer. Reanimada, afastou as cobertas, saiu da cama e entrou apressadamente no banheiro.
Se um dos dois tivesse achado que em uma semana ou até mesmo um mês a paixão diminuiria, estaria enganado. Seis semanas depois da volta do casamento, a atração entre eles estava tão forte quanto antes. Na verdade, Gina achava que estava ainda mais forte.
Nesses dias, ela e Harry eram praticamente inseparáveis. No trabalho continuaram a ser profissionais, mas não tinham mais as escaramuças verbais que todos esperavam, o que causava ainda mais comentários entre a equipe. Gina se viu sendo observada, e sabia que falavam sobre eles, mas não se importava com isso. Sentia-se feliz e despreocupada até mesmo nos dias mais agitados porque sabia que à noite estariam juntos e se esqueceriam do mundo.
Harry também parecia feliz. Pelo menos o cesto para papéis estava sendo poupado. Passava a maior parte do seu tempo livre no apartamento de Gina, só voltando ao dele para pegar a correspon dência. Às vezes não saíam de casa. Mas geralmente comiam fora ou assistiam a um show, e quando voltavam para casa sempre faziam amor.
Gina estava se acostumando a adormecer nos braços de Harry, e a acordar com o toque suave dos lábios e das mãos dele. Como agora. Estava acordada há algum tempo mas fingia dormir porque adorava a sensação daquelas mãos acariciando-a. Harry era muito gentil, mas atiçava o fogo nela a qualquer momento. Eles dormiram abraçados, e Gina pôde sentir a excitação de Harry. Estava sendo muito difícil ficar deitada quieta, porque seu corpo reagia fazendo-a aconchegar-se a ele e ronronar como um gato.
— Eu sei que você está acordada — murmurou Harry ao seu ouvido mordiscando-lhe o lóbulo da orelha.
Sem precisar mais fingir, Gina suspirou e olhou para ele.
— Oi, eu conheço você? — perguntou provocadoramente.
— Se não me falha a memória, muito bem — respondeu ele sarcasticamente, passando a mão na curva de seu quadril e coxa. — Humm, isso me parece muito familiar — acrescentou, sorrindo ma liciosamente.
Gina estremeceu em resposta à vibração que sentiu na pele.
— Me lembre do que exatamente você faz — continuou Gina, passando um dedo na linha do nariz e ao redor dos lábios de Harry.
— Ah, coisas como... isto — Com um brilho lascivo nos olhos, ele pôs uma das mãos em concha no seio de Gina, circundando com o polegar o mamilo intumescido.
Gina suspirou de prazer.
— Ah, sim, agora me lembro de você. Trabalhamos juntos — declarou, pondo a mão no peito dele e encontrando um liso mamilo masculino entre os pêlos sedosos.
— Isso mesmo — concordou Harry. — É sempre melhor quando duas pessoas trabalham juntas. Isso aumenta o prazer.
Os olhos castanhos flertaram com ele.
— É mesmo?
— Quer que eu prove para você?
— Achei que nunca ia perguntar — respondeu ela rindo. — O que quer que eu faça?
Rindo também, Harry a deitou de costas e afastou as cobertas.
— Nada. Só tem que ficar deitada aqui e fazer anotações — respondeu-lhe contra a pele macia do seu pescoço. Com infinito cuidado, ele começou a traçar com os lábios e as mãos um caminho sinuoso no corpo dela.
Mordendo o lábio ao ser varrida por uma onda de prazer, Gina teve de pigarrear para falar.
— Você fará perguntas depois? — perguntou, seu riso se trans formando em um gemido quando ele passou por cima dos seus mamilos.
Harry parou em algum lugar perto do umbigo dela e olhou para cima.
— O teste será prático. Você tem de repetir o que aprender aqui. Ganhará pontos por inventividade — acrescentou, voltando ao que estava fazendo.
Gina riu, mas quando as mãos de Harry afastaram-lhe as coxas e ele procurou o interior dela com fortes movimentos da língua, o riso deu lugar a gritos sufocados e gemidos de prazer. Com tranqüi lidade, ele a fez atingir um clímax que satisfez sua necessidade imediata, mas a deixou querendo mais.
Harry se ergueu ao lado dela, sorrindo maliciosamente.
— Está entendendo o que tem de fazer? — perguntou provocado ramente, e Gina se sentou, seus olhos prometendo retribuição.
— Vamos ver, começamos aqui... — Ela passou os dedos pela região abaixo do estômago de Harry, e ele se contraiu com seu toque, tomado de surpresa. Sorrindo para si mesma, Gina se ajoelhou. — Não, não, não era isso. — disse. — E que tal... — A mão dela se fechou sobre a extensão aveludada do pênis dele e o apertou gentilmente. Harry er gueu-se nos cotovelos com as faces afogueadas.
Imediatamente, Gina o tranqüilizou, fazendo-o se deitar de novo.
— Tenha calma. Vou acertar desta vez — prometeu, sorrindo diabolicamente, o que o fez gemer e cobrir os olhos com o braço.
— Você não passa de uma grande provocadora, Gina Prewett — disse-lhe.
Gina passou as mãos no peito dele, fazendo os mamilos se enrijecerem.
— Sinto muito, eu me esqueci de fazer anotações. Algo deve ter me distraído. Agora, me diga o que sente. — Antes de Harry poder adivinhar o que Gina ia fazer, ela se sentou com uma perna em cada lado do quadril dele e o introduziu nela.
Harry tirou o braço dos olhos e ficou deitado observando-a, com a respiração entrecortada.
— É ótimo — murmurou com a voz rouca.
— E agora? — perguntou se movendo e mordendo os lábios quando o prazer começou a aumentar nela.
— Oh... oh, sim — disse ele por entre os dentes.
Gina o olhou nos olhos enquanto continuava a se mover. Era muito excitante seduzi-lo daquela forma, mas a necessidade de satis fação estava aumentando nela.
— Se solte — disse Harry ofegante e, com um grito sufocado, Gina perdeu o autocontrole e se lançou na direção do objetivo que seu corpo buscava. As mãos de Harry apertaram-lhe os quadris enquanto ela jogava a cabeça para trás em uma agonia de prazer, com ele seguindo seu ritmo frenético. Minutos depois atingiram o clímax juntos.
Deixando-se cair em cima dele, Gina fechou os olhos e esperou sua pulsação voltar ao normal. Finalmente conseguiu falar.
— Cada vez fica melhor, não é? -Harry acariciou-lhe as costas.
— Acho que estamos fazendo algo certo.
Suspirando, ela ergueu a mão e afastou os cabelos dos olhos.
— Isso foi bastante inventivo para você?
— Pode apostar que sim. Não sei como vou me levantar e ir trabalhar agora.
Gina sabia como ele se sentia, mas o comentário a fez pensar em outra coisa.
— Você sabe que estão falando sobre nós no escritório.
— Não há nada de novo nisso. Sempre falaram — salientou Harry rapidamente.
— Sim, mas agora estão falando porque não estamos discutindo. Você acha que suspeitam de alguma coisa?
— Provavelmente. — Harry afastou com um dedo um fio de cabelo que ficara preso no rosto dela. — Você se importa com isso?
— Não — respondeu Gina balançando a cabeça. O que a inco modava não era a suspeita, mas saber que a equipe agora estaria especulando sobre o quanto aquilo iria durar, e como ela lidaria com o fim de tudo.
Percebendo que algo estava errado, Harry franziu as sobrance lhas.
— Mas?
Gina se afastou dele e se sentou, com uma expressão de desa grado. — Não é nada, realmente. Só percebi que, se eles suspeitam de que estamos tendo um caso, também devem estar apostando quanto vai durar. Seu histórico não é bom — lembrou-o sarcasticamente, mas na verdade não estava achando graça. Embora a atração entre eles não parecesse estar diminuindo, ela não podia ignorar o fato de que quanto mais o caso durasse mais perto chegaria do fim. Uma perspectiva que estava longe de ser agradável, embora ela não estivesse pronta para se perguntar por quê.
Harry também se sentou.
— Lamento que isso a esteja incomodando. Quer que eu ponha um ponto final?
Gina balançou a cabeça e deslizou para fora da cama, procurando seu roupão e vestindo-o.
— Você não pode fazer com que parem de especular. É a natureza humana.
— Talvez não. Mas não gosto da idéia de as pessoas fofocarem sobre a nossa vida privada.
Gina riu ironicamente.
— O único modo de fazer com que parem é terminar comigo. É isso que quer?
— Você sabe muito bem que não — rosnou Harry com um brilho malicioso nos olhos. — Não sei o que a torna diferente, mas não consigo me fartar de você. De modo algum vamos terminar.
Foi bom ouvir aquilo, porque ela também não estava pronta para terminar.
— Então simplesmente deixamos as fofocas continuarem?
— Somos novidade agora, mas deixaremos de ser no minuto em que surgir outra melhor.
Ele estava certo, é claro, mas enquanto Gina tomava banho, um pouco depois, não pôde deixar de se lembrar de que se eles eram novidade agora um dia ela mesma deixaria de ser. Aquela idéia lhe deu a sensação de que dedos invisíveis apertavam seu coração.
Gina estava ocupada trabalhando em um projeto de cores para um dos pequenos hotéis que seria redecorado na baixa estação, quando Harry entrou em seu escritório pela porta de comunicação. Ela ergueu os olhos, sorriu e olhou para o seu relógio.
— Oi. Achei que você tinha um almoço de negócios — lembrou-o, erguendo a cabeça para receber o beijo que ele depositou em seus lábios.
— Eu tenho — confirmou Harry, sentando-se em um dos cantos da escrivaninha. — Acabei de falar com Hermione pelo telefone.
— Eles finalmente voltaram da lua-de-mel? Como estão?
— Bem. Parece que voltaram há duas semanas. As sobrancelhas de Gina se ergueram.
— Duas semanas? Onde estavam se escondendo?
— Em uma casa que compraram em Surrey. Já receberam os seus pais e a minha mãe. Agora é a nossa vez. Fomos convidados para jantar com eles esta noite — informou-a, e a expressão sorridente dela se tornou desconfiada.
— Rony sabe? — O último encontro com o irmão não havia sido nada agradável.
— Hum-hum. Aparentemente ele está muito relaxado. Até mesmo discutiu com seu pai durante a visita.
— Discutiu? — Gina não poderia ter ficado mais surpresa. Rony havia sido anulado pela rigidez do seu pai há muitos anos. Discutir com o pai equivalia a uma traição. — Não posso acreditar! O Briga deiro deve ter ficado furioso!
Harry coçou um dos lado do nariz pensativamente.
— Não ficou muito satisfeito.
Gina desatou a rir.
— Ah, eu gostaria de ter visto isso — disse, enxugando uma lágrima no olho. — Hermione não disse nada sobre Luna?
Ela havia esperado que a irmã aparecesse à sua porta desde que voltara da Suíça, mas não houvera nenhum sinal dela. Embora sou besse que Luna não corria qualquer perigo, imaginava que o pai a vigiava com olhos de águia, tornando difícil para ela escapar.
— Não. Terá de perguntar a ela esta noite. Está preocupada com a sua irmã? — perguntou Harry, e Gina suspirou, tamborilando com os dedos na escrivaninha.
— Não mais do que de costume. Só queria que estivesse aqui. - Harry pôs a mão em seu ombro para confortá-la.
— Luna me pareceu desembaraçada. Ela virá no momento certo. Ninguém mais sabe disso.
— Tem razão. É o meu lado maternal que se preocupa. Eu a quero onde possa cuidar dela — respondeu Gina, e então franziu as sobrancelhas quando sons crescentes de uma comoção no escritório geral os fez virar e olhar para a porta.
— Que diabos...? — murmurou Harry, mas antes mesmo de poder se mexer para descobrir o que estava acontecendo a porta foi fortemente empurrada e eles viram Jenna em pé.
— Jenna? — exclamou surpreso, levantando-se.
— Em pessoa, seu safado! — declarou sua madrasta em voz alta. Ela deu vários passos incertos na direção da escrivaninha de Gina, e não era preciso ser um gênio para perceber que estivera bebendo. Então finalmente reconheceu com quem Harry estava, e sorriu desdenhosamente. — Não é que é a sua companheira de quarto! — exclamou, e Gina sentiu um aperto no coração ao ver o grupo de pessoas à porta. A julgar pelos olhares delas, tinham ouvido cada maldita palavra.
Harry também percebeu a situação, porque fez um sinal para elas irem embora. Elas foram relutantemente, fechando a porta à sua passagem. Então Harry voltou sua atenção para a outra mulher.
— O que você está fazendo aqui, Jenna?
— Vim lhe dizer o que penso de você, seu safado! Estão orgulho sos de si mesmos, não é? Você e essa vagabunda! — Ela apontou na direção de Gina.
Paralisada em sua cadeira, Gina olhava de um para o outro como um espectador em uma partida de tênis, mas a expressão de fúria no rosto de Harry quando ouviu isso a fez prender a respiração.
— Diga o que quiser de mim, Jenna, mas nem pense em insultar Gina na minha frente. Pode acreditar, não iria gostar das conseqüên cias — disse com tanto desprezo na voz que a outra mulher deve tê-lo percebido apesar da sua condição.
— Então é assim, é? Você deve ter ficado louco para defendê-la desse jeito. — Ela riu desdenhosamente.
— O que eu sinto por Gina não é da sua conta.
— O que ela tem que eu não tenho? — quis saber. Harry cruzou os braços e a olhou duramente.
— Em primeiro lugar, integridade. Capacidade de se importar com os outros. E ela não vê dinheiro quando olha para um homem. Isso basta?
Jenna lhe lançou um olhar perverso.
— Tudo que eu queria era me divertir um pouco, seu grande hipócrita. O que havia de tão errado nisso?
— Você estar casada com o meu pai, mas deduzo pela sua pre sença aqui que logo não estará mais.
— O miserável está se divorciando de mim! E a culpa é dela. — Ela apontou um dedo para Gina.
Isso fez Gina se levantar.
— Eu não fiz nada, Sra. Potter. Tudo isso foi obra sua. - Jenna a olhou fixamente.
— Você disse alguma coisa para ele. Sei disso!
— Eu não disse nada. Admito que ia dizer, mas não foi preciso. James já tinha percebido quem era você.
A outra mulher espumou de raiva, fazendo desaparecer qualquer vestígio da sua beleza.
— Acha que é muito esperta, não é? Bem, Harry pode ter atração por você, querida, mas nunca vai se casar. Ele nem quer ouvir falar em amor e casamento. Por isso, não pense que conseguiu! Não vai ficar com ele.
Gina a olhou friamente.
— Acho que deve ir agora, Sra. Potter. - Jenna os fulminou com os olhos.
— Não se preocupem, estou indo. Quanto mais cedo eu me livrar dessa maldita família, melhor! Há outros peixes no mar, e vou pescar! — exclamou, e saiu do escritório dando outro empurrão na porta.
Depois de um momento de perplexidade, Harry atravessou a sala e fechou a porta. Respirando profundamente, passou a mão pelos cabelos.
— Espero que tenha sido a última vez em que a vimos — disse sinceramente. — Sinto muito pelo modo como falou com você.
Gina esboçou um sorriso.
— Tudo bem. Eu tenho ombros largos. - Harry deu um sorriso triste.
— Vai precisar deles. Se a equipe ainda não sabia sobre nós, agora sabe.
A expressão dela se tornou igualmente triste.
— Acabou-se o segredo. — Aquela altura a notícia já devia ter se espalhado. — O que trouxe Jenna aqui?
— O desejo de me magoar. Ela acha que se nos fizer romper terá feito justiça — explicou Harry balançando a cabeça.
— Mas não há nada para romper. Não estamos apaixonados um pelo outro — acrescentou, quando ele a olhou indagadoramente. — Só estamos...
Harry a olhou com curiosidade e pareceu divertido.
— Só?
Ela apertou os olhos.
— Você sabe o que eu quero dizer. Não temos esse tipo de relacio namento.
Harry franziu os lábios enquanto refletia.
— Não, não temos. E só o bom e velho sexo — concordou finalmente.
Não havia como negar a verdade. Era só sexo.
— Seja como for, não estou esperando uma proposta de casamento.
— Isso é confortador — observou ele sarcasticamente, e Gina franziu as sobrancelhas.
— Eu só queria que você soubesse...
— Que não temos um caso de amor. Entendi a mensagem. - Gina pestanejou àquele comportamento estranho.
— Está se sentindo bem? - Ele deu um sorriso triste.
— Para falar a verdade, não sei. Olhe, estou atrasado para o almoço. Vamos nos esquecer de Jenna, está bem?
Atirando-lhe um beijo, Harry desapareceu em seu escritório e Gina desabou em sua cadeira, revendo mentalmente a última meia hora. O súbito aparecimento de Jenna certamente causara um alvo roço. Agora o segredo havia sido revelado, mas ela descobriu que isso não a incomodava. O que a incomodava era a descrição deHarry do relacionamento deles.
É verdade que o sexo era ótimo, mas não tudo. Ela gostava de estar com Harry, e eles tinham muito em comum. Então não era só sexo. Por outro lado, não sabia que palavra usar para descrever exatamente o que era. Certamente não era amor! Ela não amava Harry. Desejava-o, mas isso não era amor. Então tinha de ser sexo, e no entanto... a descrição não a satisfazia.
Mais tarde, naquela noite, Gina se sentou ao lado de Harry no carro com o estômago agitado pelo nervosismo. O jantar com Hermione e Rony seria muito importante e esperava não fazer ou dizer nada para estragá-lo. Ela olhou de relance para Harry, concentrado na estrada. Desde que voltara do almoço de negócios ele estava estranhamente quieto, quase introspectivo, o que aumentava a in quietação de Gina. Ela não pôde evitar achar que isso tinha a ver com a visita de Jenna.
Tendo atravessado o Tâmisa, eles dirigiam através de um subúrbio arborizado. Harry entrou em uma estrada cheia de grandes casas afastadas umas das outras e da estrada. Então passou por um par de portões de ferro forjado e estacionou o carro diante de uma casa.
— Muito bonita — disse dando a volta para abrir a porta para ela. — Eu diria que foi um presente de casamento da nossa mãe.
— O Brigadeiro deve ter ficado impressionado — observou Gina secamente. Um som atrás deles os vez se virar e ver os portões se fechando. Ela riu. — Nada de convidados indesejados. Boa idéia. — Poderia haver um problema de crimes ali, mas Gina preferiu pensar que os portões tinham sido idéia de Hermione.
Harry sorriu enquanto se dirigiam à porta.
— Eu disse que Hermione era uma mulher determinada.
— Não só determinada — declarou a irmã dele da porta onde os esperava, antecipando sua chegada. — Mas esperta também. — Ela recuou com um sorriso, para lhes permitir entrar. — Estou tão feliz em ver você de novo, Gina! — disse, abraçando-a. — Harry tem se comportado direito? — perguntou, beijando carinhosamente o irmão na bochecha.
— Na maioria das vezes — respondeu Gina, entregando seu casaco para a governanta que a esperava.
— Ótimo. Fico feliz em saber que ainda estão juntos. Mas é claro que eu estava certa de que estariam — acrescentou com um piscar de olhos.
Gina trocou um olhar divertido com Harry.
— Onde está Rony? —perguntou. O fato de ele não estar na porta não era um bom sinal.
A resposta de Hermione a surpreendeu.
— Está na sala de visitas, nervoso.
— Nervoso? — Isso era novidade! Rony sempre parecera muito seguro de si.
A irmã de Harry os levou na direção de uma porta.
— Rony acha que você pode estar zangada com ele, porque não foi muito gentil no casamento — explicou.
— Não foi, mas isso me deixou triste, não zangada — respondeu Gina seriamente.
A sala de visitas era grande e confortável. Rony estava em pé junto a um aparador, despejando um líquido de uma coqueteleira em quatro taças. Ele olhou ao redor quando eles entraram, pôs de lado a coqueteleira e respirou profundamente antes de ir ao encontro da mulher.
— Oi, Harry. — disse apertando a mão do cunhado, e então olhou cautelosamente para sua irmã. — Gina.
Gina procurou nos olhos dele algum desconforto, mas a tensão nervosa que sempre o acompanhara quando seu pai estava por perto havia desaparecido. Como Hermione havia dito semanas atrás, afas tá-lo do pai lhe faria muito bem, e Gina pôde ver que ela estava certa. Então sorriu para Rony e lhe estendeu a mão.
— Oi, Rony.
— Foi bom você ter vindo — acrescentou, pigarreando. — Não tinha certeza de que viria.
A incerteza do irmão a fez ficar com os olhos úmidos. Então balançou a cabeça e riu, dominada por uma mistura de emoções.
— Você me conhece. É meu irmão e eu o amo.
Rony sentiu um nó na garganta, e olhou de relance para a mulher, que fez um sinal para encorajá-lo.
— Eu disse algumas coisas bem desagradáveis para você. - Gina suspirou, incapaz de negar.
— Sim, mas eu entendi por quê, Rony. Tudo que importa agora é que posso vê-lo e falar com você. Não tem de contar ao nosso pai nada sobre isso. Vamos nos esquecer dele e do passado e ser apenas amigos. Pode fazer isso? Vai fazer?
— É o que eu gostaria, se puder me perdoar — e sem pensar duas vezes Gina o abraçou.
— Não há nada para perdoar. Nada — disse-lhe, dando um passo para trás. Então Hermione se aproximou e abraçou todos, e as lágrimas foram substituídas por risadas.
Depois disso eles passaram a noite rindo. Gina não se lembrava de ter visto o irmão tão relaxado, e quase se esquecera de que tinha um ótimo senso de humor. Ela não saberia dizer o que comeram no jantar, embora fosse muito saboroso. Estava ocupada demais vendo e ouvindo. As brincadeiras entre Harry e a irmã lhe mostraram como deveria ser a vida familiar, e Gina estava determinada a que fosse assim quando Luna chegasse.
Então houve uma calmaria quando eles trocaram o vinho por café, e Caroline disse algo que causou embaraço.
— Então — disse, olhando de seu irmão para Gina. — Quando vocês vão ficar noivos?
Gina piscou os olhos e quase se engasgou com o seu café com menta. Harry ficou parado, com sua xícara a meio caminho dos lábios.
— O quê? — perguntaram em uníssono.
— Ora, vamos! — repreendeu-os. — Não me lembro de ter visto você tão feliz, Harry. Deve ser o amor!
Harry colocou sua xícara no pires batendo de leve uma peça de porcelana na outra.
— Eu não estou apaixonado — disse rudemente, e Gina prendeu a respiração ao sentir uma dor inesperada. — Nenhum de nós está. — Ele olhou para Gina esperando confirmação, e ela se virou para Hermione.
— Não temos esse tipo de relacionamento.
— Que bobagem! — exclamou Hermione. — Vocês dois são avestruzes? Que tipo de relacionamento acham que têm?
Rony pôs a mão no braço da mulher.
— Mione, acho que este não é o momento certo — preveniu-a desajeitada.
— Mas isso é óbvio!
Rony sorriu para Gina e Harry e sustentou o olhar da mulher.
— Para eles não, querida. -Hermione pareceu confusa.
— Mas... — Ela olhou carrancudamente para seu irmão. — Vo cês... não... estão apaixonados?
— Não.
Mais uma vez eles falaram em uníssono.
Hermione deu de ombros e balançou a cabeça.
— Está bem, se dizem que não, não estão. Quem sou eu para dizer o contrário?
— Nós saberíamos se estivéssemos? — perguntou Gina, tentan do diminuir o desconforto do momento, e Hermionesorriu pesarosa mente.
— É claro que sim, Gina. Esqueça-se de que eu disse isso — ordenou, sorrindo para todos. —- Agora, quem quer um conhaque para acompanhar o café?
E então o momento de embaraço passou, e durante o resto da noite não houve mais nenhum acontecimento desagradável. Contudo, en quanto voltavam de carro para casa, Gina não pôde evitar pensar no ocorrido.
— É engraçado a sua irmã achar que estamos apaixonados — comentou. —- O que a fez achar isso?
— Sem dúvida o fato de ela própria estar em um estado de felicidade — respondeu Harry sarcasticamente, e então a olhou de relance. — Você não me ama, ama?
— Acho que eu saberia se amasse. Você não?
— Você sabe o que eu penso sobre isso. O amor não é para mim.
— Então é só sexo? — Ela buscou confirmação.
— Sim — confirmou Harry, e eles ficaram em silêncio. Gina olhou para a escuridão lá fora e viu o seu próprio reflexo que parecia estar lhe fazendo uma pergunta. Se era só sexo, por que subitamente se sentia tão vazia?
- Até o Próximo Capitulo -
N/A: Ola Pessoal, tudo bem?
Penúltimo capitulo postado hoje, espero que vcs tenham gostado, pois a próxima vez que me verem aqui será para dar tchau a fics.
Peço Desculpas por anteriormente não agradecer a todos direito pelos comentários, fui péssima sei, mas era falta de tempo eu postava e já saia correndo para fazer outra coisa, mas acho que não fui tãoooo má com vcs, afinal postei até que bem rápido a fics.
Então quero agradecer em especial a todos que comentaram : Bia997, fermalaquias, JackieMooneyLestrange, Mila Pink, SweetLily2801, Julia, Maria Luiza, , Lys Weasley, Maroggedom, gab, Joana Patricia, Victoire, nathalia cristina da silva, Pedro Henrique Freitas, e lógico a Dressa Potter que fica por trás dos batidores, ou seja no MSN, me irritando para postar e enviar para ela mais.
Aqueles que não comentaram ainda teram suas últimas oportunidades agora, no último capitulo eu responderei os comentários.
Quando será postado? Isto depende de vcs, mais 6 comentários e será postado, lembrando que só chego do trabalho depois da 23 horas, então só posso ver a noite. xD
Recomendo que leiam também O Pulsar do Desejo, assim como aqui esta no final, então não vão nem precisar ficar pedindo para postar. =D
