Capítulo 10
#8 DIA
Eles não se falaram por dois dias completos, desde a discussão sobre como Draco Malfoy se posicionava naquele não-relacionamento. Pansy Parkinson, o buldogue de Draco, seguiu muito bem as instruções do garoto sobre não comentar nada com ninguém e não deixar que as pessoas suspeitassem do que poderia estar acontecendo principalmente porque acreditava que em poucos dias ele seria inteira e somente seu. Não havia como dizer se aquilo era mesmo uma afirmação verdadeira ou falsa. Era mais uma indagação, um enigma, como tudo que havia acontecido naqueles últimos oito dias.
Ele — o slytherin — nunca havia acreditado em coisas como destino. Acreditava que aquilo era para perdedores. É apenas uma desculpa para as pessoas deixarem as coisas acontecerem em vez defazer com que elas aconteçam, mas tinha em mente reconsiderar tudo em que acreditava após repassar todo aquele romance bruxo mexicano onde, nada daquilo, haveria acontecido se, no dia zero ele não tivesse pego os malditos livros de Granger do chão e levado até ela na biblioteca. E se Harry Potter tivesse feito isso? E Ronald Weasley tivesse feito isso? As coisas, definitivamente, estariam diferentes, mas como?
Hermione ainda estaria de coração partido por causa de um retardado com uma cicatriz na testa? — existem lugares mais interessantes para se ter uma cicatriz. E, por mais irritada, chateada, de coração partido e decepcionada que estivesse com as mentiras que Draco Malfoy havia lhe contato, não podia negar que ao menos nos momentos em que passou com ele, Harry Potter foi um dos muitos nomes que nem cruzaram sua mente. Mas do que adiantava cuidar de um coração partido se agora era como se ele tivesse ajudado a catar os pedaços, mas não ajudado a colocá-los junto novamente.
O problema de viver uma ilusão ou algum tipo de sonho com mais alguém é que, uma dessas duas pessoas, sabe o que é o real e o que é o sonho e está nas mãos dela, e apenas dela, determinar o limite de cada um desses dois. E quanto mais você se ilude, quanto mais você quer sonhar, mais você sobe e mais as coisas ficam melhores lá em cima. No sonho tudo acontece conforme você deseja e a perfeição é notória e a simplicidade é bobagem. Porque querer um amor de verão se você pode ser um amor para a eternidade? Porque morrer um dia se você pode viver para sempre? Ah, sim. Sonhar é uma dádiva, o pesadelo é quando é necessário acordar.
Quanto mais fundo você vai numa ilusão, mais alta será a queda quando te acordarem. Mais dolorosa será a sua recuperação e, mais próximo da infelicidade você fica. Hermione Granger e Draco Malfoy estavam passando por aquilo. Por mais que, para ela, a traição tenha sido inteiramente dele por ter mentido, sentia que deveria ter dado a ele o poder de expressar a sua versão da história; afinal todos merecem uma segunda chance. Mas não podia ser enganada e manipulada mais uma vez. Ele também se sentia da mesma forma.
Ainda dividindo o corpo um do outro a conexão entre os dois era por demais de grande e, portanto, eles podiam sentir o coração um do outro bater contra seu peito. Sentir quando uma lágrima ia escorrer de seus olhos. E sentir quando um deles, no fim, decidisse desistir.
Nas aulas, eles não ousavam olhar-se nos olhos nem por um segundo se quer. Ela, sendo Draco Malfoy, estava de fato sendo o slytherin perfeito — tratando a todos que podia de forma mal intencionada, devido ao mau o humor, e com uma cara fechada devido a falta de vontade de se expressar. Ele, como Hermione Granger, parecia simplesmente uma garota focada nos estudos que tivera um caso com Draco Malfoy alguns dias atrás e agora estava sentando sozinha nas aulas porque a sua dupla de amigos não a queria por perto. Como se ele ligasse...
Achou o oitavo dia o pior de todos. Era o último onde poderia pensar em algum plano para conseguir seu corpo de volta, mas no fundo sabia que seria impossível a não ser que fizesse o que lhe fora pedido. Amizade com Hermione Granger estava fora de questão; ela não queria nem olhar-lhe nos olhos.
— Eu não quero conversar, Malfoy.
— Granger, nós temos que ficar juntos.
— Correção. Você acha que nós temos que fingir estar juntos para que você tenha sua vidinha perfeita de volta! GUESS WHAT! Não dou a mínima par ao que você acha!
— Bom, aproveite o resto da sua vida sendo um Malfoy, meu bem, não vejo à hora de você ir encontrar meus pais. SOZINHA!
— Espero que me torturem, mesmo assim, garanto que não vai ser pior do que isso está sendo!
Acabava, basicamente, com ela batendo a porta do quarto da monitoria na cara dele e ele voltando para o seu quarto sem saber o que fazer e começando a sentir raiva pela castanha. Ela não dava nem tempo pra ele tentar se explicar. Talvez não quisesse uma explicação. Talvez devessem simplesmente deixar aquilo para trás e... Serem amaldiçoados pelo resto de suas vidas.
#9 DIA
O dia do juízo final finalmente havia chegado, apesar da dolorosa lentidão. Ambos receberam um envelope ao acordarem com a mensagem de que, a meia-noite, se tivessem provado aos mágicos que lhes amaldiçoaram que agora já tinham virado amigos e nutriam sentimentos um pelo outro, voltariam para seus corpos. Caso contrário, amaldiçoados seriam pelo resto de suas vidas. Hermione apenas amassou o papel e o jogou longe, enfiando a cabeça no travesseiro e decidindo que não iria aula. Draco que estranhou não velha nas aulas de Runas Antigas, mas o que podia fazer? Procurar alguém que não quer ser achado? Idiotice.
Teve que ficar aturando Pansy nos intervalos falando em seu ouvido sobre como seriam felizes se ele conseguisse voltar para seu corpo e, que se não conseguisse, também não seria problema porque avisariam Lucius Malfoy e ele com certeza faria algo sobre isso; não ia conseguir viver com o fardo de seu filho estar preso dentro daquela carcaça. O fato era que, Draco nem conseguia pensar nisso. Estava vidrado demais nas horas.
18 horas. 22 horas. 23 horas.
O tempo parecia estar parado! Uma hora dessas, estava no jardim, sentado próximo a uma enorme árvore — escondido de Parkinson — e tentando viver sua humilde vida como gryffindor em paz. A luz estava cheia; lobisomens. Ótimo, podia aproveitar e se oferecer para um, assim que sabe todo aquele sofrimento se acabava. Sentiu um aperto no peito, como quando os mais velhos tem um ataque cardíaco, seguido de uma dor que lhe deixou preocupado. Pensou em ignorar, mas... Tarde demais.
— Sentiu isso?
Perguntou Stuart, que estava ao seu lado, encostado na árvore olhando para o céu com a mão sobre o próprio peito, mas no exato lugar onde Draco havia sentido a pontada de dor. Não disse nada, não estava afim de conversas.
— É o vazio.
— Vazio?
— É. Esse corpo não é seu e, portanto, quando ele notar que você realmente não faz parte dele, vai se desligar.
— Desligar?
— É. Você vai entrar em coma, Draco Malfoy. Ou devo dizer... Hermione Granger?
A princípio ficou um tanto preocupado, mas depois apenas revirou os olhos pegando uma pedra no chão e jogando longe enquanto levantava.
— Eu gostaria de me importar com isso, mas não me importo.
— Me diga uma coisa... Você se importa com ela?
— Com quem?
— Com a Mamãe Urso. Com Hermione Granger, é claro!
— Eu... Acho que sim.
— Você acha? É, você vai entrar num coma mesmo...
— Ok. Eu... Me importo com ela.
— Então porque não diz isso pra ela?
— Faz diferença, agora?
— Eu não sei. Você sabe? Se eu não sei, como você saberia?
— Você não sabe? Você nos colocou nisso, pra começar!
— Eu? Não, não! Eu só sigo ordens... — ele apontou para o céu.
— Das estrelas?
— Você não lê livros, né? De MERLIN!
— Merlin fez isso comigo?! Aquele filho da p...
— EI! Se ele fez isso pode fazer pior, ok?
— Não interessa! Manda uma coruja pra ele e diz que preciso do meu corpo de volta.
— Não, Malfoy, você não entendeu... É ele quem está mandando uma coruja pra você...
O cara simplesmente desapareceu no ar e, deixou em seu lugar, um bilhete branco onde estava escrito:
Escute seu coração e fale por ele, porque ela não está ouvindo.
Ele fechou os olhos por alguns segundos e lembrou-se de tudo que passou com ela. Tudo. Havia momentos ruins, momentos bons e momentos maravilhosos. Aquela era a receita para algo que, alguns, chamam de amor. Ele entrou no castelo, ainda atordoado com a montanha de pensamentos que lhe vieram a toa e, então, ao olhar para um dos relógios que havia na parede, notou o horário. 23:55. Tinha cinco minutos para transformar tudo o que castanha sentia em puro e verdadeiro amor só para ter seu corpo de volta. Se valia a pena fazer aquilo? Valia. O prêmio que vinha a seguir é o melhor de todos.
Correu até o quarto da monitoria e bateu na porta do quarto dela. Estava já de pijamas, sentada na cama enquanto fitava o relógio sobre a cabeceira da cama. Olhou para porta rapidamente, assustada.
— Granger, me deixa entrar!
— EU NÃO QUERO FALAR COM VOCÊ, MALFOY!
23:56.
— Eu não ligo para o que você quer. — seu lado slytherin finalmente despertou e ele tirou a varinha das vestes. — BOMBARDA! — a porta foi pelos ares e eles simplesmente protegeu a face dos pedaços de madeiras que voaram por ali. Entrou rapidamente no quarto e Hermione já estava de pé, preocupada em saber se ele estava bem, mas cheia orgulhosa demais para perguntar.
— Podia ter usado Alohomora, era mais simples. E limpo.
— Simples e limpo. Desde quando você gosta de simples e limpo, Granger? Você fez do nosso relacionamento a coisa mais complexa e suja que poderia existir no mundo!
— Do nosso RELACIONAMENTO? Desculpe, mas acho que nunca tivemos um relacionamento!
23:57.
— Ah, tivemos sim. Tivemos desde a primeira vez que meus lábios tocaram o seus, Granger.
— E como sabe disso?
— Sei porque, desde aquele momento, eu soube que não queria mais ninguém beijando os teus lábios a não ser eu.
Ela se calou por alguns segundos, surpresa, mas não ia deixar-se levar por algumas frases bonitas.
— E a sua boca pode ser beijada por mim e por Parkinson?
— Granger, entenda uma coisa, EU NÃO GOSTO DA PARKINSON!
— PROVE!
— Eu estou tentando! O que você ouviu no banheiro era eu tentando proteger o fato de que nós dois estamos trocados. Eu falei tudo da boca pra fora. Você é um sangue-ruim mesmo, sempre vai ser... Mestiça, grifinória, todas as essas coisas que eu achei que eu odiava, mas na verdade eu confundi as coisas.
— Com o que?
23:58.
— Com amor.
I know there's something in the wake of your smile
I get a notion from the look in your eyes
You've built a love but that love falls apart
Your little piece of heaven turns too dark.
— Você é chata, você é faladeira, você sabe de tudo. Você era apaixonada por aquele idiota do Potter e você é toda cheia desses defeitinhos que algumas pessoas não aceitariam, como meus pais, mas eu... Eu... Eu só...
— Você o que?
23:59.
— Eu acho o seu imperfeito... Perfeito. Você é linda. Seus olhos são lindos. Você é inteligente, e só é burra por gostar de um perdedor como Potter, mas... Não importa. O que importa é que pra mim seria uma maldição ficar dentro do seu corpo pra sempre por que... Eu jamais ia poder acordar e ver seus olhos. E ver você deitada comigo. Eu não ia poder te tocar da forma que eu mais desejo. E o pior de tudo... Eu ia ter que viver sabendo que eu causei a sua infelicidade sendo que, agora, tudo que eu quero é que você seja feliz, mas antes de tudo... Eu quero ser a razão da sua felicidade.
And there are voices
that want to be heard
So much to mention
but you can't find the words
The scent of magic,
the beauty that's been
when love was wilder than the wind.
00:00.
#10 DIA
— Eu te amo, Hermione Granger. Hoje mais do que ontem... E amanhã? Mais do que nunca.
— Draco... Eu...
— E tem mais...
Ele deu um passo à frente e a puxou para um selinho demorado, mas foi empurrado.
— Você não me deixou falar, idiota. Você não pode simplesmente explodir a porta do meu quarto só porque sabe que eu te amo, também, Draco Malfoy!
Listen to your heart
when he's calling for you
Listen to your heart
there's nothing else you can do
I don't know where you're going
and I don't know why,
but listen to your heart
before you tell him goodbye.
Sorriu, pra ela, e andou até próximo de seu corpo e fechou os olhos dela com o dedo indicador pedindo que ela fizesse o mesmo. Ambos morderam o canto dos lábios e ao abrirem os olhos tiveram uma surpresa...
Nada havia acontecido. Não, não podia ser! Tinham se declarado tarde demais?
— Qualé, Merlin! Me dá um tempo. Eu tinha cinco minutos pra me expressar aqui! Não tem prorrogação?
Sentiram algo estranho passar por eles, como se fosse um vulto ou algo assim e, ao olharem para o relógio na cabeceira notaram que ainda eram 23:59. Agora era a hora. Hermione, que ainda tinha os braços fortes de Dracos, o enlaçou pela cintura e Draco, que ainda estava com expressões bem femininas, passou os braços em volta do pescoço dela. Estavam sorrindo e, antes de se beijarem disseram em uníssono:
Eu te amo.
Aquelas eram as três palavras e sete letras que faziam a maldição ser desfeita e, proferida antes da meia-noite, eles conseguiram se ajeitar. Estavam de olhos fechados portando não viram como duas pequenas bolhas, uma rosa e uma azul saíram do corpo de ambos e, antes de entrarem aos seus corpos corretos, se uniram formando duas bolhas douradas. Era o amor que já havia passado por ali. Uma vez fixadas dentro de seus corpos de origens, veio aquele momento onde eles perdem o ar por alguns segundos e, então...
— Draco? — perguntou Hermione em sua voz de garota.
— Eu. — rebateu ele, num tom masculino.
Não perderam tempo, nem por um segundo. Aliás, Draco não perdeu.
Foi logo pegando a castanha no colo levando-a para o outro quarto da monitoria, já que este tinha a porta explodida, colocando-a sentada, primeiramente, pra conseguir tirar a camisola dela com facilidade. Atacou-lhes os seios. Fazia, exatamente, dez dias que queria colocar aquelas belezuras na boca e, agora, finalmente ia conseguir. Hermione não parecia ter objeções quanto isso, aliás, os gemidos que ecoavam pelo quarto pareciam ser a favor de boas chupadas. Ele lhe mordeu o biquinho de um seio enquanto o outro era acariciado por aquela mão fria que a fez estremecer em seus braços. Não havia sensação melhor do que ser tocada e acariciada por Draco Malfoy. Acredite.
Ao notar que ela estava com os olhos fechados, fez questão de subir os lábios para beijá-la daquele seu jeito selvagem e desceu os lábios até a orelha dela, mordendo o lóbulo de leve e sussurrando com uma voz rouca e os lábios tão próximos que faziam uma corrente de ar quente bater contra seu pescoço, fazendo-a gemer ainda mais.
— Abra os olhos.
— Eu não quero.
Estava com medo daquilo não ser real e não sabia exatamente se ia suportar mais uma ilusão em menos de cinco dias.
— Confia em mim.
Levou alguns segundos, mas ela o fez e, sorriu ainda mais pra ele quando o seus olhos castanhos, fitaram os dele, acinzentados. Sua mão pequena foi até o rosto dele, acariciando docemente e, em alguns momentos, entrando os dedos pelo cabelo dele, com um sorriso adorável no rosto. Estava apaixonada. Por Draco Malfoy. E ele sabia disso.
— Você tem olhos lindos.
— Eu sei disso.
— Você não podia ter dito que os meus também são, né?
— Nem reparei nos seus, Granger, se toca. To olhando mais pros seus peitos, aqui!
Ela deu um belo de um tapa no ombro dele e não pensou duas vezes antes de retirar a blusa do garoto, voltando a beijá-lo cheio de paixão. Tinham que aproveitar cada segundo, antes que Merlin resolvesse pregar uma peças no casal mais badalado de Hogwarts.
É como Merlin sempre diz: algumas pessoas só aprendem quando estão... Em seu Lugar.
The End
Nota da Autora:
Aguardem epílogo.
