Título: Espelho D'água
Subtítulo: Parte 1 Reflexo do Destino
Epílogo
Harry foi deixado aos cuidados de Madame Promfrey, ficara desacordado por quase uma semana inteira, e sempre era visitado pelos amigos, incluindo um certo loiro, que quando Hermione e Rony iam embora, ele entrava silenciosamente na enfermaria e ficava a observar o moreno, tocando levemente ao rosto deste, com carinho contido e às vezes ao cabelo sedoso.
Numa dessas visitas, Draco sentou-se ao lado de Harry e o admirou por um bom tempo, depois, se debruçou de leve e selou os lábios rosados com os seus. E ao afastar-se, o outro abriu os olhos sorrindo, o verde brilhando distintamente.
- Seu tarado! Aproveitando de um doente! – brincou.
- Estava a fingir, me enganando como se ainda adormecido! – ficou nervoso.
- Queria te surpreender.
Mesmo Draco sendo reservado, dessa vez pareceu bem humorado e riram muito, relembrando o que aconteceu nos últimos dias. Esqueceram-se das horas e apenas aproveitavam a companhia um do outro.
- Havia me esquecido! Hoje, se não me engano, é o último dia em Hogwarts, amanhã de manhã pegaremos o trem!
- É sim... – Draco pareceu entristecer.
- A festa de Dumbledore! Hermione e Gina devem estar alarmadas, atormentando o Rony!
- Não se preocupe, eu cuidei de suas tarefas para a festa, as poções estão escondidas no Grande Salão e as duas já estão terminando os preparativos.
- Você é incrível! – Harry abraçou Draco com alegria, finalmente fariam algo para homenagear Dumbledore.
De rostos colados, ambos enrubesceram, mas deixaram a vergonha de lado e se beijaram mais um pouquinho, sentindo como era gostoso permanecerem juntos.
- Potter... – Draco interrompeu o beijo. - Eu vou contra tudo que me ensinaram e contra o meu próprio pai... Tem certeza de que...
- Claro! Gosto de você, e agora tenho certeza de que você também gosta de mim!
Malfoy observou o menino de óculos e notou o distinto e inigualável brilho de Potter. Realmente, este era o verdadeiro Harry, aquele cuja presença marcou desde que o viu no primeiro dia de aula. Trocaram mais algumas palavrinhas e beijinhos, até que com custo, Draco saiu da enfermaria, para que Harry se arrumasse e se dirigisse ao Grande Salão.
A festa foi um sucesso e surpreendeu a todos os professores, que não sabiam como os quatro amigos fizeram para aprontarem tudo em total segredo. Divertiram praticamente o dia inteiro. Harry olhou a Dumbledore, que sorria animado pela diversão de todos, mas em seu rosto, Potter notou que no fundo, mesmo sem dizer nada, ele sabia da festa, dos acontecimentos que se sucederam e quando seu olhar sábio, fitou-se aos seus verdes, soube que estava orgulhoso com sua atuação.
"Ainda terá de passar por muitas coisas... Harry Potter" – dizia o olhar do mago.
Após a festa, todos se encontravam dormindo exaustos, além de homenagearem Dumbledore, serviu como uma despedida para o próximo ano, e todos, sem exceção, adoraram. Regressando a seu Salão Comunal, Harry e Draco caminhavam juntos e pararam num corredor deserto.
- Me mandará correspondências? – o moreno perguntou desconfiado.
- Todos os dias!
- Seu pai me odeia... Será que vai aceitar?
- Não se preocupe, ele não é tão insensível, a ponto de ferir o próprio filho, afinal, foi ele quem nos salvou de... Você sabe quem.
- Tem razão.
Mais animados, se despediram calorosamente num abraço demorado e num beijo sufocante. Não poderiam se despedir no trem, isso era óbvio. Cada um foi para seu Salão Comunal, e quando Harry se dirigia ao seu, notou algo de estranho, perto da janela. Ao se aproximar, um vento lhe tocou o rosto, fazendo-o sentir um estranho calafrio, e uma frase se apoderou de sua mente:
- Obliviate! Esqueça que ama Draco Malfoy!
Com uma forte tontura, Harry caiu ao chão, e do escuro, a silhueta de uma garota se fez ao lado do corpo estendido, uma varinha em mãos e um brilho nos olhos.
Todos embarcavam no trem, o tumulto era grande, mas nada de alarmante, logo, todos estariam em suas casas e curtindo as férias.
Harry caminhava sozinho, pois Hermione e Rony se apressaram em tomarem lugar no trem lotado, e não queriam perder a condução.
- Potter.
- Malfoy? – olhou surpreso por estar sendo chamado pelo loiro arrogante que o odiava.
- Em que parte vai ficar? Assim poderei ocupar um lugar perto do se" – disse baixinho.
- Nem pensar! Você e suas brincadeirinhas sem graça! Quero distância de você e de confusões!
- Do que está falando? Parece que nem mais se lembra do que passamos.
- Não passamos nada, aliás, se passamos alguma coisa, só pode ter sido horrível e eu estava enfeitiçado!
Um tapa chamou a atenção de alguns que passavam, e chocado, meio que abalado, Harry viu Draco passar correndo pelos outros e sumir na multidão. Levou a mão ao rosto que ardia e avermelhava com rapidez, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo.
- O que eu fiz? – se perguntou espantado, jamais imaginaria que isso magoasse tanto um Malfoy, que o desprezava pior do que ele próprio havia falado.
No trem, não encontrou nenhum sinal do loiro, e lá no fundo, estava agoniado, seu interior se arrependia amargamente de ter dito aquilo para Draco. Não sabia porquê, mas o via de forma diferente do de costume, era como se tudo havia mudado, as rinchas, as brincadeiras, os insultos... E só se lembrava que passou pelas aventuras na Floresta Proibida e que o viu na enfermaria, nada mais lembrava. Foi com esta 'falta de algo', que Harry voltou para a casa de seus tios e se consumiu durante toda a férias nesse tormento estranho e na lembrança de Draco, que agora, passaria, com certeza, a odiá-lo ainda mais.
Fim da primeira parte
N/A: este é o final da primeira parte. A segunda parte eu escrevi os primeiros capítulos, mas não postarei, visto que não tenho muitos reviews, sinal de que a fic deixou muito a desejar. Para não pará-la pela metade da primeira fase, eu decidi postar até aqui.
Talvez eu a continue, mas por enquanto fica suspensa em tempo indeterminado para novos capítulos. Obrigada quem comentou, e quem acompanhou até aqui. Bjus.
