Capítulo 10 – Na Fazenda Potter

Hold my hand and fly […]
Leave the world behind
(Segure minha mão e voe
Deixe o mundo para trás)

How To Believe - Ruby Summer

O dia que se seguiu começou agitado. Arrumações de última hora e a mãe de Lily fazendo perguntas do tipo: "Pegou o uniforme que passei ontem?", "E a escova de dente?", "Limpou a gaiola de Clio?" Isso fazia a ruiva abrir seu malão a intervalos mais ou menos regulares para conferir.

Chegando à cozinha, encontrou a família à mesa.

-Pai, você pode me ajudar a descer meu malão?

-Claro, Lily.

-Matheus, aproveite e coloque no porta-malas do carro. – a mãe dela falou – Lily, eu te levo até a casa de Alice, assim você não precisa levar esses livros de feitiço na rua.

Petúnia entre uma torrada e outra soltou uma espécie de murmúrio soprado parecido com 'Puff'. Lílian nem olhou pra ela.

-Obrigada, mãe.

. . .

Cerca de duas horas depois, Alice fazia o malão de Lily levitar até ao lado da lareira.

-Acho que podemos ir. – Lice falou

-E a sua mãe? – Lily perguntou – Queria dar um abraço nela.

-Meus pais saíram cedo. Muito trabalho no Ministério pelo que entendi.

-Ah, então diz pra ela que mandei um beijo.

-Digo. Agora vamos? –Lice pegou uma caixinha sobre a lareira que a ruiva sabia conter Pó de Flu.

-Lice, se importa de ir primeiro? Ainda não acredito muito que estou fazendo isso.

-Lily, - ela desconfiou – Você não está falando isso pra poder desistir, está?

-Não precisa se preocupar. Eu disse que ia, então vou. Só que qualquer tempinho extra pra me acostumar com a idéia é bem-vindo.

-Olha lá, hein?

Dizendo isso, a amiga entrou na lareira e sumiu.

Lílian respirou fundo.

-Merlin, o que eu estou fazendo?

Jogou um pouco de pó de flu nas chamas.

-Fazenda dos Potter. – disse e fechou os olhos em uma tentativa de não enjoar na viagem.

Depois de muito rodopiar no canal que ligava as lareiras bruxas, ela sentiu seu corpo se chocar contra o chão. Ao abrir os olhos, viu uma mão lhe oferecendo ajuda para levantar.

-Oi, Lily.

-Sirius? – Lílian estreitou os olhos para enxergá-lo, ainda meio tonta

-Em carne, osso e charme – ele falou num sorriso – PONTAS! Elas já chegaram!

-Fez boa viagem, Lil?

Alice perguntou rindo da expressão meio grogue da amiga. Para ela, viajar pela rede do Flu era a coisa mais comum possível, de forma que já não sentia nenhum efeito colateral.

-Ai, acho que nunca vou me acostumar com esse negócio. – Lily massageava o cotovelo que fora o primeiro a bater no chão e tivera que sustentar o resto de seu peso.

Tiago chegou ao hall visivelmente afobado e bagunçando os cabelos.

Não tiveram tempo para cumprimentos, pois em seguida chegaram também Ana, Remo e Pedro. Tiago convidou a todos para um rápido tour pela casa.

Os Potter moravam em um enorme sobrado, sendo que os quartos ficavam no andar de cima. As meninas ficariam em um perto das escadas. Sirius dividiria um com Tiago e Remo, com Pedro.

Um pouco mais tarde, na sala, sentada entre Lílian e Tiago, Alice dizia:

-Lily, se você gosta de ficar na sacada do seu quarto por causa do jardim, vai adorar o jardim aqui em frente.

-Sério?

-É. Tiago, você poderia mostrar pra ela?

O rapaz gostando da oportunidade de ficar ao lado da garota (e suspeitando – acertadamente – que a senhorita Campbell sugerira aquilo propositalmente), logo se prontificou:

-Claro. – disse levantando-se – Vem, Lily.

Alice os vira saindo da sala satisfeita. Embora Tiago não dissesse explicitamente, para ela era muito claro que ele era apaixonado pela ruiva, embora Lice ainda não tivesse certeza sobre os sentimentos da amiga.

Os dois passaram pelo hall, atravessaram a entrada principal da casa e pararam por rápidos instantes na varanda. Fazia um belo dia de verão com nuvens esparsas. Desceram cerca de dez degraus e caminharam por uma trilha demarcada por pedras. Flores da estação desabrochavam colorindo o espaço verde.

Jogavam conversa fora já há uns dez ou quinze minutos, quando um enorme cachorro negro saiu de entre as árvores correndo e pulando na direção deles com o rabo abanando e ar brincalhão.

-Bonito cachorro, Tiago.

Sabendo de quem se tratava, ele provocou:

-Ah, é só um vira-lata que apareceu por aqui e ficamos com ele.

Ainda abanando o rabo, Sirius rosnou.

-Ele morde? – ela perguntou

-Não, só é orgulhoso mesmo.

-Qual o nome dele?

-S… Almofadinhas

-Almofadinhas? Não é esse o apelido que vocês deram ao Sirius?

-É… - ele precisava pensar rápido – Na verdade, o cachorro ganhou o nome por causa do Sirius. Não lembro bem porquê, o apelido acabou ficando.

-Hum… Olá, menino. – ela disse em voz doce enquanto acariciava atrás da orelha do animal, ou, animago

Levemente enciumado, pelas costas de Lílian, Tiago fez um gesto com a cabeça pedindo ao amigo que saísse. E depois de um latido que mais parecia uma risada, Sirius saiu correndo em direção à casa.

-Gosto de cachorros. – Lily voltou a seu tom normal de voz – Quando era criança, ganhei um dos meus pais. A pessoa de quem ele mais gostava era meu avô.

Continuavam caminhando pela grama.

-Está tudo bem com ele? – perguntou à sombra de uma faia

-Está.

-E com você?

-Está, agora está. Ficamos tão preocupados... É por causa dele que sou apaixonada por livros. Eu me lembro que quando minha prima nasceu, eu ficava no quarto dela ouvindo as histórias que ele contava para Debbie dormir, o barulhos dos pingentes de madeira do móbile balançando ao vento, sua voz tão calma. – ela sorriu – Acho que depois do que aconteceu fiquei mais apegada a lembranças.

-Sabe, eu sempre vi você como uma pessoa que eu queria proteger. Parece tão frágil. É tão delicada para fazer tudo, que parece estar sempre tocando em pétalas de flores. Você continua sendo uma pessoa que eu gosto que esteja por perto, que eu quero defender e, ao mesmo tempo, é tão forte.

-Eu não sou tão forte. Realmente tive medo de perdê-lo.

-E mesmo assim deu suporte para todos que estavam ao seu lado. Ouvi uma vez que a coragem não é a ausência do medo, mas a consciência de que algo é mais importante que o medo.

-Bonita frase. – Lílian sorriu

Após isso, conversaram sobre amenidades por mais algum tempo antes de voltarem para dentro.

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Na sala, os outros quatro discutiam os últimos acontecimentos.

-Não tenho certeza, mas acho que a Lily ainda não sabe de nada disso. – Alice ia dizendo

-Não sei o quê? – a ruiva chegara acompanhada de Tiago

-Lily, você tem acompanhado o Profeta Diário? – Remo perguntou

-Não. – respondeu ela sentando-se ao lado de Ana – Com Debbie em casa, achei melhor suspender minha assinatura.

-Bom, então é melhor contar do início. – Remo começou – Tem uns dois meses que começaram a surgir pichações… anti-trouxas. No Gringotes, lareiras do Ministério e pontos do Beco Diagonal, por exemplo. Depois foram cartas ameaçando membros do Ministério e exigindo que nascidos trouxas não fossem aceitos em escolas bruxas entre outras coisas.

-Mas, Remo, isso é um passo para todos os nascidos trouxas serem perseguidos.

-Concordo com você, Lily. – ele continuou – E há cerca de uma semana surgiu um boato de que haveria uma votação no Conselho dos Bruxos a respeito dessa história.

-Boato?

-É, Lily, o Ministério ainda não confirmou, nem desmentiu. – Alice respondeu

-E agora?

-Bom, não temos muito o que fazer, precisamos esperar. – Tiago concluiu – Pelo menos por precaução, é melhor você e Ana tomarem certo cuidado.

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Apesar da recente notícia, os dias seguintes se passaram tranqüilos e sem grandes novidades.

No dia trinta e um de agosto, véspera do retorno a Hogwarts, Tiago pensou em algo… especial.

Depois do almoço, quando todos concordaram em jogar Quadribol (na verdade, uma versão mais simples sem balaços e pomo) com exceção de Lílian que preferia apenas assistir, o rapaz perguntou:

-Lily, em vez de ver o jogo, pode vir comigo? Quero te mostrar uma coisa.

-Claro.

-Então, espere por mim na sala.

-Está bem.

Sozinha no cômodo, sentou-se na ponta de uma poltrona e ficou observando os porta-retratos. Quando menos esperava, sentiu seus olhos serem vendados ao ouvir uma voz dizendo:

-Voltei.

-Tiago, o que está fazendo?

-É uma surpresa. Vem.

Gentilmente, ele pegou em uma de suas mãos para guiá-la.

Interessantes como nossos sentidos às vezes tendem a compensar a falta um do outro. A casa, que antes parecia silenciosa, agora era cheia de pequenos barulhos. Pessoas que se moviam em quadros, ruídos de aparelhos mágicos que ela não conhecia, pássaros cantando ao longe e o som dos passos deles.

-Vão ter alguns degraus. – ele informou

Pela fala de Tiago, Lily esperava ainda ter um ou dois passos antes de chegar à escada, mas quando tentou apoiar o pé, não encontrou o chão. Tiago precisou quase abraçá-la para evitar que caísse.

Lily não podia ver, mas de alguma forma sabia que estavam muito próximos.

"Merlin, ele é rápido.", pensou

-Obrigada. – disse por fim

Sentindo a respiração dela a centímetros do seu rosto, ele demorou alguns segundos até lembrar de responder:

-Não tem de quê.

Segurando agora nas duas mãos de Lílian, Tiago a ajudou a descer os quatro degraus. Andaram mais um tempo. Quando ela começou a sentir uma leve descida...

-Pronto. – Tiago disse ao desamarrar a venda

Lily se viu ao ar livre, sob a sombra de uma árvore. A uns metros de distância corria um rio. Encostado à margem, havia um pequeno barco a remo.

-Não descemos tantos degraus para ter saído da sua casa. – ela estranhou

-Fomos pela porta dos fundos. – Tiago explicou encaminhando-a para o barco

Batendo de leve com a varinha nos remos, ele colocou o barco em movimento. Os dois se sentaram de frente um para o outro.

A ruiva estava encantada com a paisagem. Às margens, a vegetação se debruçava sobre a água, e o reflexo do sol no rio a convidava a tocar sua superfície.

-Que rio é esse? – ela finalmente perguntou

-Severn.

-Ah, isso vai parecer estranho uma vez que eu já estou aqui, mas onde fica sua casa?

Ele riu ao dizer:

-Perto de Gloucester.

Nem bem tinha dito isso, o barco parou encostando na margem em que havia uma clareira. Tiago a ajudou a desembarcar vendo a curiosidade crescer no rosto da amiga.

Em uma árvore próxima, estava amarrado um… Não era possível.

-Um hipógrifo? – Lily se espantou

-É, ele vai nos levar ao lugar que quero te mostrar.

-Como assim "ele vai nos levar"? – ela brecou instantaneamente

-Era parte da surpresa. Achei que gostaria de voar.

-Tiago, acho que não sabe, eu não reprovei em vôo porque não teve prova.

-Eu lembro que você tinha problemas com vassouras, por isso trouxe um hipógrifo.

-Ah... Se você precisa mesmo saber, meu problema não é com vassouras, é com altura.

-Mas… - ele desconcertou-se por um momento – Espera. Ano passado ouvi você dizer que queria ter asas.

-O quê?

No Salão Comunal, Ana fazia mais uma vez as amigas responderem um teste que achara em uma revista trouxa nas férias. A última pergunta era: Qual animal você gostaria de ser?

Maia respondera um cisne; Alice, um gatinho; Ana, um dálmata.

Após pensar um pouco, Lily apenas dissera:

-Um que tivesse asas.

Lily precisou parar um momento, não imaginava que ele tivesse visto aquela cena.

-Era uma situação hipotética. – disse por fim

-Está bem… Pelo menos, venha conhecer Pride.

-Quem?

-Pride. É o nome dele. – Tiago indicou o hipógrifo que tinha uma cor castanha

Puxando-a de leve pela mão, se aproximou e fez uma reverência, no que foi imitado pela garota.

Assim que Pride retribuiu o cumprimento, ele sugeriu:

-Toque nele.

-O quê?

-Toque nele. – repetiu com calma

-Eu… não sei se é uma boa idéia.

-Tenta. – disse simplesmente

Com receio, Lily aproximou a mão do dorso do animal e logo sentiu suas penas fofas. Pride virou-se encostando a cabeça baixa na mão dela como quem pedisse carinho.

-Uau. – foi tudo o que Lily pôde murmurar

-Tem certeza de que não quer voar? – ele convidou mais uma vez – Sentir aquela sensação de liberdade, uma bela paisagem…

-Eu não sei… - ela levantou o rosto para olhá-lo

A simples visão daquele olhar… fez com que se sentisse segura.

-Vem. – ele estendeu a mão

-Está bem. – disse dando-lhe a mão após respirar fundo

Tiago a ajudou a montar e subiu atrás dela. Em seguida, Pride abriu as asas e levantou vôo.

O termo "domesticado" não cai bem para criaturas orgulhosas como os hipógrifos. No entanto, talvez seja essa a palavra que mais se aproxime de Pride. Tiago estava acostumado a voar nele, e ele estava acostumado a Tiago. De forma que havia uma espécie de cela nos lombos do animal. Era ali que Lílian segurava e, com tanta força, que os nós de seus dedos estavam brancos.

Demorou um pouco para ela se acostumar, mas era o que o amigo dissera: o ar de liberdade e a paisagem exuberante. E algo mais...

O rapaz, por sua vez, apesar de inebriado pelo perfume que exalava dos cabelos dela, percebia que estava tensa. Colocando suas mãos sobre as dela, tentava fazê-la soltar o apoio. A princípio, Lílian resistiu, porém acabou cedendo e abrindo as mãos. Tiago esticou seus braços como alguém que voasse e, para transmitir-lhe segurança, com um dos braços segurou sua cintura. O sorriso dela era simplesmente…

A descida foi tão suave que a garota nem sentiu. Uma vez no chão, ficou sem palavras. Era, de longe, o jardim mais belo que já vira.

-Achei que ia gostar de conhecer o jardim da minha mãe.

-É lindo. – foi tudo o disse

E de fato era. A senhora Potter cuidava do lugar pessoalmente. Lançara um feitiço para que ali sempre houvesse flores. A grama parecia um tapete. O rio Severn cortava o jardim e sobre ele havia uma pequena ponte. O ambiente parecia-lhe levemente familiar.

-Esse lugar… - disse olhando em volta – me lembra alguma coisa, não sei bem o quê.

-Veio de inspiração trouxa. Minha mãe viu algo parecido em um livro da senhora Pendleton.

-Ainda não me lembro de onde é…

-Quer uma dica?

-Quero.

-Pintor impressionista.

Uma olhada para as ninféias, uma planta aquática, deu um estalo em sua mente:

-Monet!

Após uma volta pelo jardim, sentaram-se na grama.

-Por que não gosta de altura? – ele perguntou

-Acho que não está interessado na história de uma menina de sete anos.

-E se eu estiver?

-Está bem. – ela concordou após olhá-lo por um instante – Quando criança, eu, Felipe e Petúnia (quando ainda falava comigo) estávamos no sítio do meu avô e resolvemos brincar de esconde-esconde.

"Logo na primeira rodada, fui para o pomar. Escolhi uma árvore meio afastada, um pouco escondida e subi nela. Sentei em um dos galhos e fiquei olhando para cima observando as folhas, acho que tinham pássaros por perto também. O problema, é que enquanto eu subia, não vi o quanto subia."

"Quando eu finalmente olhei pra baixo, levei um enorme susto porque percebi que não ia conseguir descer. Passava o tempo e nem minha irmã, nem meu primo apareciam. Pelas minhas contas, fiquei ali mais de uma hora morrendo de medo daquele galho quebrar ou de eu escorregar e cair."

-Não teria sido mais fácil você chamar alguém?

-Eu bem que tentei, mas para o meu desespero, ninguém me ouviu e comecei a chorar. Só depois de um bom tempo, escutei passos e comecei a gritar outra vez.

"Felipe apareceu e tivemos uma breve discussão de: 'Eu vou subir aí', 'Não, você não vai', 'Vou sim', e 'Não, porque aí ninguém vai achar a gente'. Até que ele teve o bom senso de sair correndo e ir buscar alguém."

"Uns quinze minutos depois, apareceu meu pai que já não bastasse ter de andar uns 300 metros para resgatar a destrambelhada da sua filha caçula, ainda teve de fazer isso carregando uma escada ."

-Você tinha sete anos?

-É, isso já tem quase dez anos… Como o tempo passou… Naquela época eu nem imaginava que uma carta como a de Hogwarts chegaria. Pra falar a verdade, naquela época, eu nem andava pra todo lado com um caderno embaixo do braço.

-Hum, será que eu posso perguntar sobre o que você escreve?

-Situações, paisagens que eu vejo, personalidades que me chamam atenção.

-Um tipo de diário?

-Não exatamente. Às vezes costuro acontecimentos entre si, acrescento idéias, mudo nomes…

-Deve ser uma ótima contadora de histórias.

-Quem me dera. Meu avô sim, nunca vi alguém contar histórias como ele. Faz descrições tão vivas, tenho a impressão de estar andando entre cavaleiros da Idade Média ou de voar para a Terra do Nunca com Peter Pan. É simplesmente… fantástico. – disse com os olhos brilhando

-Peço licença para discordar de você.

-Como assim?

-Nunca ouvi seu avô, mas você é do mesmo jeito que descreveu.

-Como pode saber? Nunca me ouviu contando histórias.

-Tem certeza?

Lílian apenas lançou a ele um olhar de interrogação e ele explicou:

-Lembra o dia que Lice, eu e Sirius fomos visitar você? O dia que seu avô chegou à sua casa?

-Lembro, claro que sim.

-Naquele dia eu fiquei preocupado e voltei pra ver como você estava. Fiquei perto da sacada do seu quarto e como a porta estava aberta, ouvi você conversando com sua prima.

-Você voou até a sacada do meu quarto? – ela surpreendeu-se

-Eh… sim.

I'd walk a thousand miles
If I could just see you...
Tonight

(Eu andaria mil milhas
Se eu pudesse apenas ver você...
Essa noite)

-Como ninguém viu você?

-Pode guardar um segredo?

-Posso.

-Estava com uma Capa da Invisibilidade.

-Você... – estava pasma de mais para completar a frase

-É, mas não acaba por aí, tem mais.

Lily levantou as sobrancelhas.

-Acabei voltando outros dias para… ouvir histórias.

-Ouvir histórias? Tiago, quantos anos tem? Cinco? – ela quase riu

-Era com essa idade que me sentia ao ouvir você. – ele falou em um tom de carinho – Podia até sentir a areia do Deserto da Arábia. Uma pena que estava longe, acho que poderia ter visto o brilho dos tesouros de Ali Babá nos seus olhos. É encantadora.

Lily abaixou a cabeça sorrindo sem graça.

Mais tarde voaram de volta até próximo de casa. Tiago desceu primeiro para em seguida ajudar Lily. A ruiva, ao descer do hipógrifo, enroscou a perna na "cela" e, numa quase repetição da cena do início da tarde, ele a segurou.

Estavam tão próximos outra vez. Lily apoiava a mão no ombro do rapaz, e ele a segurava pela cintura.

-Como é que você aguenta uma pessoa tão desastrada como eu? – ela perguntou em voz baixa

-Docemente desastrada. – ele respondeu no mesmo tom

Por instante, apenas trocaram olhares.

Tiago não pensava com clareza em mais nada, muito menos na idéia de não deixá-la perceber o quanto era especial para ele não querendo afastá-la.

Com as costas da mão, tocou de leve o rosto da garota. Por sua vez, ela o via se aproximar e não se afastou, seus olhos estavam presos aos dele.

-Menino Potter. – Mira vinha ao encontro deles

A vozinha aguda da elfa pareceu trazer os dois de volta à Terra. Lílian abaixou o rosto e eles se separaram.

-Menino Potter, seu pai pediu para avisar que se atrasará para o jantar.

-Certo, obrigado, Mira.

Entraram em casa em seguida. Um fato, porém, fizera Tiago ganhar o dia: Lily não se afastara como todas as outras vezes.

E achar que isso é solução
Confundir amor com uma paixão.
Então vou te responder
Faça força pra entender
Preciso de atenção
Qualquer carinho me faz bem
Eu não sei lidar com a solidão
Tento enganar o meu coração.

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N/A – Oi!

Bom, acho que agora a fic está vindo em intervalos mais ou menos regulares. Como eu tinha falado estamos agora com os personagens de Hogwarts full time.

Espero que tenham gostado desse capítulo. Tem uma mini cena da Lily e do Tiago. Talvez não tenha sido o que vocês esperavam, mas tenham um pouquinho mais de paciência. Temos várias cenas deles por vir. : ) E não só deles, aliás.

Capítulo que vem chegamos a Hogwarts propriamente dita. Não percam!

Devidos créditos: A frase sobre coragem ouvi no filme "Diário da Princesa 2", vi por aí que talvez seja de Mark Twain, mas não tenho certeza.

Últimos versos que aparecem são da música "Meu jeito de agir" da Yasmin, que aliás, dá nome à fic. E um pouco antes aparece um trecho de "A thousand miles" da Vanessa Carlton.

Sobre o jardim da Alexandra Potter imaginei parecido com o jardim do pintor Monet, que é simplesmente lindo. Quem nunca viu, vale a pena dar uma olhada no Google Imagens.

Respondendo aos reviews (EBAAAA!):

Julia Menezes – Oi! Bem vinda! Que bom que está gostando, obrigada pelo elogio! – Palas ficando vermelha nesse momento – Aguarde, teremos mais cenas da Lily e do tiago logo, logo. O que achou desse capítulo, aliás?

Sassah Potter – Sim, era exatamente essa a ideia, mostras que James e Lily cresceram um pouco. Quanto à Maia... bom, veremos o que ela vai fazer... Quem sabe o Guilherme toma jeito na vida, hehe. Ah, eu faço faculdade de medicina, estou no 4º ano. Gostou desse capítulo?

Ninha Souma – Hehehe, Castelo Ra tim bum fez a minha infância! Que legal que mais alguém lembra! Eu não tenho as músicas deles no computador, tenho mais Disney, hahaha. Quanto ao capítulo, tivemos um pouquinho mais de Lily e Tiago, o que achou? Apareça sempre!

Beijos,

.:Palas:.