Eu rolei na cama, entre o acordar – por causa daquele latejar constante em minha cabeça que, somado com o sol raro de Londres, me faziam pensar que as aspirinas seriam algumas das minhas melhores amigas no dia de hoje – e o querer continuar dormindo, apertando meus olhos contra as costas de James para que pudesse levar mais tempo me decidindo. Ele reagiu a mim; tateando com a mão, pegou a minha e puxou para frente, beijando minha palma uma única vez antes de voltar a enfiar o rosto no travesseiro.
É, eu poderia ficar dormindo um pouquinho mais.
"Acordada?"
"Não" respondi, e bocejei contra a pele que era meio de seu ombro, meio de suas costas e meio de sua nuca, o ponto exato da dobra de seu músculo "E nem quero"
Eu escutei uma risada, baixa, praticamente inaudível – como a primeira pergunta, aliás, que eu acho que só entendi porque era o que eu perguntaria para ele também – e incompreensível enquanto ele puxava a minha mão e, consequentemente, meu corpo para cima do dele. Eu fui com um muxoxo de prazer – o corpo dele era mesmo delicioso para se apoiar – e aproveitei para deixar meus dedos passar por seus fios e arranharem sua nuca, minha boca beijando seu pescoço e escorregando por seu ombro até suas costas para, depois...
"Ei" eu murmurei, tentando arrumar de todos os lugares um pouquinho de força para abrir os olhos e me separar um pouquinho dele "Esse seu braço tá doendo?"
Dei um beijinho para identificar seu braço esquerdo.
"Não"
"Não?"
Ele virou o rosto no travesseiro para que eu entendesse melhor.
"É" ele disse, e eu meio que soube que ele abriu os olhos e os piscou depois de um tempo. Eu sorri, sem conseguir me impedir, e desci meus braços até que meus cotovelos se apoiassem na cama e minhas mãos tivessem livre acesso ao seu cabelo da mesma forma de antes "Deveria por alguma razão em... ruiva?"
"O que é?"
"Eu não tinha reparado que você tinha uma tatuagem" ele murmurou, a boca beijando a parte interna de meu braço perto do cotovelo. Como se eu precisasse daquilo, senti que a minha pele ardia um pouco, e pisquei meus olhos para tentar entender o que acontecia ali "O que está... 'Homens de óculos são...' cadê meus óculos?"
Eu, sem entender nada – eu realmente não tinha uma tatuagem – pisquei meus olhos e me levantei, caindo para o lado quando ele se levantou também. James ainda se virou rapidinho para mim e me deu um selinho rápido antes de tatear no colchão pelos óculos. Eu pisquei de novo e olhei para suas costas, reparando que ali havia uma coisa que, até ontem, não estava. Da minha distância, pareciam simplesmente tracinhos pretos, mas foi só eu meio que engatinhar até ele para ver que tinha uma frase ali.
"Certo" ele disse, achando os óculos e os colocando no rosto, virando-se para, puxando meu braço esquerdo, analisá-lo "Parece que homens de óculos são os melhores na cama, e sabem fazer sexo oral como ninguém"
"Certo" eu retruquei, por um momento me sentindo como uma criancinha prestes a ter vingança "E me parece que as ruivas são as mais indomáveis na cama e conseguem... hmm, domar seu negocinho como ninguém"
Eu olhei para ele ao terminar de falar. Ele olhou para mim quando eu terminei de falar. Eu pendi meu rosto para o lado esquerdo, ele soltou um de seus sorrisos de canto. Eu não consegui me impedir de sorrir também, e ele começou uma risada leve.
E, de repente, nós dois começamos a gargalhar.
"Puta que pariu" eu tentei começar, tentando ser a parte racional daquilo tudo. Quer dizer, poderia até ser divertido agora, mas quando todo e qualquer resquício de álcool estivesse fora do meu corpo eu não ia achar muito legal passar meu verão no sul da França ou em Ibiza com um pedaço de pele não bronzeado por causa de uma noite bêbada no subúrbio londrino "Eu não acredito que nem me lembro de... espera, era aquele cara com trezentos piercings na cara e..."
"... dois daqueles 'my precious' do senhor dos anéis na barriga" ele completou, e eu me lembrei de que ele não conseguia parar de rir em minha nuca ao ver todos os desenhos no corpo do cara "Pelo visto, eu estava bêbado o suficiente para que deixasse um cara saído de filmes épicos tocar em mim"
Eu não respondi, com esforço tentando me lembrar de como nós havíamos chegado ao ponto de fazer uma tatuagem. Era quase tudo um borrão – como naquela música da Britney que Mary adorava – e só alguns vislumbres eram um pouco mais claros; eu subindo em uma mesa e me equilibrando nos saltos enquanto minha roupa favorita rasgava, ele com a boca correndo por meus seios no limite do decote antes de me deitar contra o banco acolchoado e falar que queria uma dança particular, nós dois juntando todas as notas e libras que nós tínhamos para...
Ei.
"Nós roubamos"
"E roubamos muito" ele já tinha chegado a essa conclusão sozinho, pelo visto "Pagamos um cara para arrumar confusão com o barman, e pegamos uns..."
"...dez tubos daqueles"
"100 libras a menos"
"Gastas..."
"... em tatuagens. Pornográficas, além disso" ele riu, e essa risada me lembrou de alguns momentos depois da boate; nós dois apoiados na parede de um muro qualquer, meu sobretudo jogado no chão e meu vestido levantado enquanto eu gemia sem nenhum pudor no que deveria ser uma noite silenciosa. Eu me abaixando na calçada e descendo de vez sua cueca, ele passando as mãos pelo meu cabelo e murmurando algumas coisas incompreensíveis antes de termos que sair dali por alguma razão que eu não me lembrava, escapando para a avenida e quase sendo atropelados por um carro que estacionou em frente à uma loja de...
Tatuagem. Claro que sim, porque era a única loja – segundo James, claro, mas nós dois estávamos bêbados e aquele momento não tinha mesmo que ter lógica – que estaria aberta na madrugada de sexta além das boates e dos sex-shops.
"De onde tiramos essas frases?"
"Eu sei de onde" murmurei, sem dar muita atenção de primeira para simplesmente seguir a ordem que começava a se estabelecer na minha cabeça. A única coisa que eu me lembrava da tatuagem era do cara me pedindo para ficar quieta e de James me perguntando alguma coisa sobre um piercing em lugares secretos mas, depois, uma sequência quase lógica surgia; nos despedimos do cara, saímos pela rua, encontramos o carro que quase nos atropelara – James baixou as calças e fez xixi nele em vingança, e eu deixei minha curiosidade aflorar e pedi para mirar. Acertei a janela quando deveria ter acertado a porta, o que me fez pensar que talvez nós, mulheres, não devamos reclamar da falta de pontaria dos homens – e seguimos reto até encontrarmos esse motel daqui.
Tirando essa última parte, eu preferia o borrão.
"Um livro que eu li tinha isso"
"Um romance de quinta da Nora Roberts?"
"Um quase de primeira da Marian Keyes" discordei, sem estar exatamente a fim de entrar em uma discussão sobre uma coisa tão boba quanto opinião sobre literatura. Ele poderia continuar com Stephen King ou similar e eu com meus romances açucarados sem mistérios maiores que descobrir como o mocinho vai ficar com a mocinha "O que você vai fazer com a sua?"
Ele não me respondeu de imediato, endireitando o corpo na cama para abrir o frigobar e pegar duas garrafas d'água. Jogou uma para mim e voltou a se apoiar no final da cama, bebendo goles longos enquanto eu ainda lutava contra minha tampa.
"Esquece isso agora" disse, deixando a garrafa na cama mesmo, os olhos olhando para os meus com um quê meio cafajeste "Me lembro de uma aposta"
Eu pisquei, meio surpresa, só entendendo o que ele falava depois de uns quase cinco segundos. Pensei em ser dissimulada – 'hmm, do que você tá falando? Tá querendo se aproveitar de mim só porque não me lembro de nada?' – ou, então, simplesmente alegar que não era justo que ele se aproveitasse de mim só porque eu estava bêbada, mas desisti de tudo isso quando ele inclinou o corpo e me puxou pelo meu novo braço tatuado à lá Lady Gaga.
Eu até que poderia, futuramente, sair ganhando dessa.
J/L
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J/L
Entrei no elevador de Lily com ela, apoiando-me na parede à esquerda do espelho enquanto bocejava. Ela foi para o outro lado e fez a mesma coisa, mantendo os olhos e a cabeça voltada para cima enquanto tentava fechar ainda mais o sobretudo para que ninguém que pudesse entrar nem as câmeras espalhadas pudessem reparar que sua roupa estava quase que totalmente rasgada.
Eu meio que terminara o serviço.
"Estou faminta" ela murmurou, desapoiando-se dois segundos antes de chegarmos no andar. Era quase uma sincronia "Talvez eu não devesse dizer isso, mas eu comeria tudo o que visse pela minha frente agora"
Eu ri, alto, e ela me deu um soquinho no braço para que eu parasse com aquilo tão logo a gente chegou à porta. Ela não abriu; apertou a campainha até que as risadas do outro lado da porta parassem e os passos começassem, parecendo se prender para não apoiar a cabeça na porta pelo medo de ser surpreendida e cair no chão.
"Onde está a comida?" Lily perguntou ao entrar, passando reto pela amiga e indo direto para a cozinha. Eu até poderia ter pensado em ser mais educado e lançar a ela mais que um olhar de cumprimento, mas também estava morrendo de fome e tinha a impressão de que nada suprimiria minha vontade de comer alguma coisa feita por...
Ei.
"Sirius" eu disse, sem saber por que sem estar surpreso. Quer dizer, eles realmente pareceram aptos a uma ou duas noites depois de passarem cerca de meia hora no banheiro de um bar "Também na hora de roubar comida?"
"Estou fazendo isso desde – claro, coloque intervalos ai - as três da manhã" ele retrucou, sorrindo, mostrando uma torrada com alguma coisa em cima como prova. Ele nunca fora mesmo de ter que almoçar – quando moramos juntos, tudo o que ele sempre comeu foi o café da manhã típico de Agatha Christie sem ligar muito para o fato de ser nove da manhã ou dez da noite - e, exatamente por isso, se sentia feliz em tudo quanto é lugar que houvesse o mínimo de comida "Elas têm um estoque em casa"
"Elas tinham um estoque em casa, corrigindo"
Sirius só riu.
"Desculpe, mas está prestes a diminuir" eu segui Lily até o outro lado da mesa, pegando a primeira das coisas que ela colocara na mesa pequena "Estamos famintos"
"Assim, de verdade" Lily concordou, sem levantar os olhos da lista telefônica que pegara enquanto comia um bolinho "Até pensamos em parar em algum lugar e trazer alguma coisa para cá, mas meu cartão está em algum lugar desconhecido, o dele retido pela polícia rodoviária ou alguma coisa assim, meu celular está de garantia em um motel e o dele quebrado"
"Retido na polícia...?"
"Por causa da minha moto. Ela estava em local proibido essa manhã, foi guinchada, procuraram o dono pela placa, ligaram para Marnie – já que não conseguiam falar com meu celular de verdade, usaram o comercial -, ela me mandou um e-mail, eu vi pelo computador do motel..."
"Que motel mesmo...?"
"... fui pegar a moto e pagar a multa com meu cartão, mas eles viram os últimos gastos para saber se eu era mesmo o James Potter – minha carteira também desapareceu, claro – e nos fizeram descobrir que gastamos 250 libras em tatuagens de um falso estúdio de um cara que tem um vício ímpar em Tolkien e, além disso, é procurado pela polícia"
"Ainda estou me perguntando como nós dois não fomos presos" Lily completou, e eu pude ouvir – ainda, porque segundo ela daqui a dois dias ela ia estar surtando por causa do braço tatuado – um tom de diversão leve em sua voz "Ele perdeu tudo, até as chaves de casa"
"E por isso tenho que acabar com a sua comida"
Mas a tal de Marlene só piscou os olhos.
"Tatuagem?" ela perguntou, meio surpresa, olhando para mim e depois para Lily "Vocês fizeram uma daquelas tatuagens românticas do tipo 'um coração completa o outro'?"
"Ou podem ter sido influenciados pelo tatuador e desenhado aqueles dois gêmeos nas costas"
"Quem sabe não foi o Frodo. A Lily era apaixonada por ele"
Olhei para Lily com um sorrisinho, mas ela só revirou os olhos e fez um gesto de descaso.
"Ou, então, o Gollum na barriga"
"De cada um"
"O dele, com a cara da ruivinha ali..."
"... e o dela com a cara do James ali..."
"Olhando para baixo..."
"... com cara de maníacos..."
"... enquanto dizem 'My precious'"
Os dois começaram a rir, quase gargalhar, ela chegando a se apoiar na bancada e ele a quase cair dela. Lily e eu nos entreolhamos – nós dois também com um sorrisinho no rosto – antes de nos decidirmos por ignorar os dois e a brincadeira interna deles com nosso momento de agir-sob-álcool e simplesmente continuar a procurar um almoço de verdade na lista telefônica.
Tivemos que prender a risada também.
J/L
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J/L
"Então, você realmente tem uma tatuagem" Marlene disse, parecendo divertida ao se apoiar na mesa do meu quarto e olhar para mim "'Wearing-glasses men are the best in bed and know how to do oral sex as nobody' foi respondido com...?"
"'Redheads can't be controlled in fucking but can ride my cock as nobody'" respondi, dando de ombros, pegando uma daquelas minhas blusas grandonas que servem exatamente para dormirmos quando não precisamos estar com roupas instigantes para o sexo oposto "Eu não consigo me lembrar de quase nada dessa parte"
"Você não consegue se lembrar de quase nada de todas as partes, Lily" ela discordou, jogando-se no puff que me dera de presente de aniversário no primeiro ano de nosso apartamento "O que é uma pena, porque eu realmente queria todos os detalhes do roubo"
Eu revirei os olhos, pegando uma calça jeans no fundo do closet e vestindo-a enquanto procurava por um par de chinelos para ficar em casa. Não era o melhor dos visuais para encontrar na sala o cara com quem dormia e o melhor amigo dele, mas a minha vontade de me enfiar no banheiro e fazer a maquiagem depois de colocar uma roupa minimamente sexy era zero.
"Lembra quando você roubou um lápis de olho daquela sua inimiga número 1 da escola?"
"Eu não roubei. Peguei emprestado para me maquiar para o dia de foto e..."
"... acabou por escrever uma redação com o lápis em questão com o nome dela e conseguiu uma suspensão para ela por atentado violento ao pudor ao algo que o valha"
Revirei os olhos de novo.
"Não fale desse jeito, Marlene" pedi, indo para o espelho para prender meu cabelo em um coque apressado. A franja, como sempre, ficava meio solta, mas eu também não estava afim de arrumá-la hoje "Estou até dez anos atrasada em relação à você"
Ela deu de ombros, me ignorando totalmente. Eu sabia que ela faria isso; era o que geralmente acontecia quando ela tentava deixar de lado alguma parte que ela não gostava.
E esse caso em especial era terreno proibido mesmo para ela.
"Desculpe"
Ela não parecia precisar de desculpas, mas era bom dizer mesmo assim.
"Uma condição" ela encostou o indicador na boca e fez uma carinha sapeca, o que me fez pensar que estivesse mesmo tudo bem. Quer dizer, eu sabia que poderia sempre estar quando a referência fosse a pequena tatuagem em seu punho, mas era sempre bom ter uma garantia ou outra "Vamos sair hoje à noite"
"Não me parece uma condição muito difícil" eu me virei para ela, meu rosto caindo para o lado "Quer dizer, já que aparentemente – e eu assim espero, porque James é realmente bom de cama e o amigo dele parece ser também, para você ficar com esse seu sorrisinho bobo na cara e deixá-lo comer seu bolo de cinqüenta libras – nós já temos com quem passar à noite, eu realmente gostaria de voltar a freqüentar aqueles barzinhos bonitinhos ao ar livre que..."
"E nós não podemos já ter pessoas para dormir em uma boate?" ela me interrompeu, rindo um pouco. O que era um mal sinal, claro "Lily, Lily, Lily. É a noite temática do mês hoje naquela perto de Notting Hill"
Eu pisquei os olhos, quase me permitindo gemer quando me lembrei da última vez que tinha ido a uma dessas noites. Fora há uns quase três meses, e a coisa mais clara que tinha na minha mente naquela noite era um cara e eu vomitando em uma cama depois de beber litros de saquê.
"Tequila por metade do preço, Lily"
"Está me tentando"
Adoro tequila.
"É isso que eu quero" ela soltou uma risada e se levantou, me piscando o olho esquerdo enquanto abria a porta "Vamos lá. Um pouco de álcool e talvez você realmente faça o 'my precious' no..."
"Qual a única chance de você não querer ir?" eu interrompi, começando a me mover para segui-la. Era mesmo uma escolha difícil; cama com sono ou almoço com fome "O Black não querer?"
Ela riu, alto dessa vez.
"Eu nunca deixaria de fazer alguma coisa que eu quero por um homem, Lily. Além do quê, de qualquer jeito eu saio ganhando" disse, e eu fiquei entre o acreditar nela pela primeira ou pela segunda frase "Se ele for, posso beber enquanto temos as preliminares – ou, quem sabe, mais – no canto da boate, se ele não for eu bebo e arrumo sexo com outro cara e, se ele tentar me convencer a ficar, tenho vinte centímetros e alguma coisa para me fazer esquecer da tequila"
Eu ri também, alto, sem me importar que algum deles escutasse o riso. Segui-a pelo corredor e a peguei pelo braço como nos tempos de escola – aqueles, em que fofocávamos sobre como aquela nova garota estava com a tendência do verão passado e como o astro do futebol fora escroto ao filmar a primeira vez daquela virgem recatada – de novo pensando em como seria foda conseguir ter o pensamento tão claro quanto o dela.
Apesar de que, claro, eu achava que ela torcia pela parte dos vinte e tanto centímetros.
J/L
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J/L
"Essa sua editora é a primeira pessoa que eu encontro tão eficiente quanto a minha secretária" Lily comentou, jogando as chaves do meu apartamento, as da minha moto e meu novo cartão de crédito na bancada que separava a sala da cozinha "Como você conseguiu isso num sábado?"
"Profissão. Jornalistas nunca podem ficar sem qualquer casa, transporte ou dinheiro" o que era, de certa forma, verdade para o News. O jornal tinha um contrato de urgência com o Banco Central de Londres¹ para que repórteres não ficassem sem cartão em uma viagem a trabalho – e todo o resto da redação, incluindo colunistas, ia junto nessa porque qualquer um poderia ter que substituir um repórter qualquer dia desses – e não corressem o risco de não conseguir entrevista por falta de dinheiro para um táxi, e Marnie era mesmo a melhor editora para conseguir nos devolver as chaves de casa para conseguirmos alcançar nosso computador e mandar a matérias e o meio de transporte para perseguirmos entrevistas até o fim "Sempre tem o lado bom da profissão"
Ela riu, sentando-se em um daqueles baços altos que a amiga fazia questão de renovar sempre que tinha uma idéia de design melhor que a anterior.
"Eu gostaria de escrever como você" disse, apoiando a cabeça na mão "Deus sabe como eu gostaria de ser irônica de um jeito foda"
"Deus sabe como eu gostaria de ser paciente" retruquei, rindo um pouco, guardando tudo no bolso da calça "Quem sabe, assim, eu não agüentaria aquela minha priminha chata de dois anos e meio que só sabe me chamar para ver Barney?"
"Crianças são adoráveis"
"Desde que sejam minhas"
"Eu penso exatamente o contrário"
Eu ri, decidindo-me por ir até a bancada e ficar do lado contrário ao dela. Ela mordeu o lábio inferior, divertida e sapeca, e sorriu, o corpo se inclinando na direção do meu.
Hmm, ela era deliciosa.
"Isso é uma discussão?" perguntei, sorrindo, meus lábios pegando os seus para desfazer seu movimento e poder beijá-la quando quisesse "Porque, você sabe, dizem que discussões podem ser resolvidas maravilhosamente bem na cama"
Ela riu, o pescoço alvo caindo para trás em um gesto espontâneo, os fios vermelhos soltos do coque caindo em seu rosto. Eu abri meu sorriso ao me inclinar um pouco mais para ela e lhe tocar a pele com a boca, minha mão correndo para a dela e entrelaçando nossos dedos para impedi-la de sair de perto "Um convite?"
"Não sou cara de convites" discordei, rindo um pouco, afastando o banco e só aceitando me afastar dela por meio segundo para que pudesse me aproximar ainda mais. Sua reação foi imediata; suas pernas se abriram para que meu corpo coubesse entre elas e suas mãos foram parar em meu pescoço, o rosto subindo para ir de encontro ao meu "Sou de dizer 'vamos logo' ao mesmo tempo em que começo a..."
"... me excitar" e eu já adorava essa falta de pudor e esse excesso de libido dela, os sussurros combinados com o meu enquanto seu corpo fazia tudo o que eu queria em sincronia com o meu. Não era diferente de toda garota que já conhecera, mas era definitivamente muito mais que uma garota de boate que servia para uma noite só e nada mais "Qualquer complemento dessa sua frase aí serve para isso"
Eu sorri, minhas mãos correndo por suas pernas até parar em suas coxas e pegá-la no colo. Seus cotovelos se apoiaram em meus ombros e seus dedos se enfiaram em meu cabelo, o corpo no meu me deixando com o controle parcial da situação ao levá-la pelo corredor para o caminho do quarto que eu já sabia de cor.
E foi ela quem me beijou, sem esperar por nenhum gesto meu ou por nenhuma dica minha. E foi ela quem continuou a me empurrar em direção à cama, apertando meus ombros o suficiente para que eu caísse e ela terminasse por ficar por cima de mim. E foi ela quem segurou meus punhos contra o colchão e usou de seu peso para me manter embaixo, os fios ruivos escorregando por seus ombros enquanto seu rosto baixava em direção ao meu.
E teria sido ela – porque eu realmente gostava de mulheres na cama que fossem mais que continuação dos atos dos homens, como se não tivessem vontade própria e só quisessem satisfazer o outro – a tirar meu casaco antes de voltar a me empurrar, e ela a escorregar a boca por meu corpo até chegar em minha calça e brincar de me provocar até que eu chamasse seu nome. Seria ela a baixar minha cueca e a pegar meu membro na mão – sem precisar de nenhuma indireta do tipo – antes de colocá-lo na boca, os olhos se voltando para cima para que pudesse me ver gemendo por ela.
Só não foi porque o telefone do quarto dela tocou.
"Não" eu murmurei, segurando sua cintura quando ela se separou do meu beijo com um sorriso no rosto de 'tenho que atender'. Se eu não fosse James Potter, seria praticamente um pedido para... hmm, desanimar "Não é importante. Provavelmente, só Sirius e Marlene que esqueceram a chave e..."
"...Estão do lado de fora, morrendo de vontade de entrar por algum motivo" ela completou, divertida, mordendo minha bochecha antes de pender seu corpo para o lado e pegar o aparelho "Lene?"
Eu poderia ter suspirado e me afastado da cama para esperá-la terminar de conversar. Poderia tê-la empurrado e saído do quarto como um filho da puta que só queria sexo – e estaria mentindo se não dissesse que já fora desses caras que se achavam o máximo ao fugir para a sacada de um apartamento enquanto fumava – ou, então, saído pelo apartamento sem me preocupar em ser discreto só porque não gostara da garota na cama.
Mas era Lily e, nessa semana, eu já descobrira que ela respondia de uma maneira completamente diferente das outras londrinas que conhecera.
"Não, a gente tá na cozinha" ela piscou o olho para mim, brincalhona, os dedos arranhando minha nuca exatamente quando eu comecei a me inclinar para tocar seu pescoço com a boca "Quer dizer, eu estou. Ele está na sala, já na época de se aproveitar da televisão alheia e..."
"Que maldade" murmurei em seu ouvido, sorrindo contra seu lóbulo, empurrando-a pela cintura para que invertêssemos as posições. Sempre ficava mais fácil quando eu tinha total acesso ao seu corpo "Ela nunca mais vai querer que eu venha aqui"
Ela não me respondeu, a sobrancelha se arqueando quando eu terminei de deitá-la. Seu corpo chegou a forçar contra o meu – como se até soubesse que eu não estava afim de perdê-la para um telefone – e a fazer outra pequena força para que eu não conseguisse prensá-la no colchão, mas a resistência acabou assim que deslizei meus dedos por sua barriga por cima da blusa de dormir.
"O que eu sei ser contraditório com o que você tá fazendo agora" eu sussurrei em seu ouvido de novo, apertando sua cintura antes de alcançar o fim de sua blusa e puxá-la para cima. Só a escutei balbuciar uma resposta – alguma coisa como 'Não, não, não, não sei se vou' – antes de ter que ceder e levantar um braço à minha nuca "Vamos, desligue o telefone"
Ela, de novo, não disse uma palavra para mim, mas eu senti, de seus lábios, seus olhos fecharem enquanto seu corpo cedia mais uma vez embaixo do meu.
"Não, Lene" eu a ouvi dizer, a voz meio baixa e numa última tentativa de não baixar de vez. Era realmente como ela deixara nas entrelinhas há poucos minutos; eu não precisava de muito para excitá-la "Eu só... ele não... pára, James!"
Eu ri em seu pescoço, levantando um pouco o corpo para tirar sua blusa. Quando ela não cedeu, eu quase dei de ombros; pendi meu corpo para trás e desabotoei sua calça jeans, rindo baixo quando tive que fazer um pouco mais de força para conseguir levantar suas pernas.
"Eu estou realmente tentando... não, Lene, era só..." eu não prestei mais atenção no que ela falava, deixando o jeans no chão ao lado da cama ao voltar a me inclinar em sua direção "É claro que ele está comigo. Do outro lado da sala, vendo TV e..."
"Ela sabe que eu estou com você"
"Claro que não" ela me respondeu, teimosa, a voz saindo meio que naqueles gritos sussurrados "Não seja convencido"
Eu sorri, minha vez de ficar mudo, voltando a me aproximar dela. Lily, claro, não me deu atenção de primeira, mas depois de alguns beijos e mordiscadas em qualquer parte de sua pele ela voltou a ceder e a se acomodar embaixo do meu corpo, os olhos verdes voltando a se fechar.
Ela até que demoraria a ceder de vez. Suspiraria na conversa, gemeria depois disso – e tentaria esconder o gemido deixando o aparelho cair no travesseiro – antes de apertar o botão de desligar sem uma palavra de despedida. Deixaria o telefone de lado – eu nem saberia onde, inebriado por seus movimentos naturalmente provocantes de resposta involuntária – e sussurraria algo como 'Merda, você não presta' antes de tentar retomar o controle e não conseguir.
Porque tão delicioso quanto ser comandado é comandar. E eu estava doido por isso.
J/L
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J/L
"O que vocês estavam falando?" James perguntou, parecendo meio preguiçoso ao se endireitar para que eu coubesse melhor em seu abraço. Eu dava toda razão para ele; o sono natural de depois do almoço somado com o de depois do sexo era realmente poderoso "Alguma coisa sobre ir a uma conferência chata e você não querer ir para ficar comigo?"
Eu soltei um riso baixo contra seu pescoço, pegando o lençol para nos cobrir melhor e nos proteger do pequeno frio que fazia ali.
"Noite de tequila" murmurei, beijando seu pescoço e entrando mais em seu abraço. Quente, quente, quente "Em uma boate qualquer, que..."
"... faz aquelas noites meio que temáticas. Fui na vodka" ele completou, e eu fiquei entre levantar meu rosto e ver o sorriso que achava estar em seu rosto e entre me acomodar ainda mais na temperatura agradável de seu corpo "Você estava lá...?"
Neguei com a cabeça, divertida, bocejando antes de resolver não responder para que a conversa morresse e nós pudéssemos dormir um no outro. Ele, de imediato, não acatou; soltou uma risada ainda baixa e me cutucou provocativamente com o indicador, a pele de minha barriga cedendo e me fazendo levantar o rosto e morder seu queixo em repreensão.
"Gosta de tequila?" ele me perguntou, mordendo o lábio inferior em um gesto exageradamente exagerado – com toda a hipérbole que realmente era – como que para deixar claro de vez as suas segundas intenções "Acho que ainda me deve uma dança, em uma mesa..."
Eu mordi seu lábio inferior dessa vez, desfazendo seu mordiscar.
"... com seu cabelo de um lado do ombro, seus braços se apertando na frente dos seus peitos para que eles fiquem ainda maiores" seu indicador fora parar em meu seio esquerdo agora, beliscando-o enquanto beijava de um jeito brincalhão minha boca "Arrumando uma gravata de algum lugar, passando-a por meu pescoço, me puxando em direção ao..."
"Isso é uma fantasia sexual?"
"Fantasia sexual, para mim, deixa de ser fantasia assim que acontece" ele negou, sorrindo. E sorrindo seu sorriso de canto, aquele que eu achava mais sexy e do qual realmente começava a gostar "E, bom, você começou. Quem sabe eu não te dou um vestido um pouco mais resistente para você completar o trabalho dessa vez"
"Eu estava bêbada, James"
"Um eufemismo para 'não vai acontecer de novo'?"
"Por aí"
"É só eu te embebedar, nesse caso" ele brincou, piscando-me o olho quase esverdeado "Do jeito que você é fraquinha, dou duas doses de tequila para que você resolva ficar um pouco mais saidinha. Quatro e já está fazendo um strip no canto – porque não, eu não quero que você suba naquele de frente para todo mundo como se você não tivesse um cara perfeito com quem dormir – e talvez com umas cinco já pense em ir para um beco como ontem. Quem sabe, com sete, realmente enfatize a idéia de transar na calçada e ser presa por atentado ao pudor e..."
"E eu não consegui descobrir como nós conseguimos não fazer isso" brinquei de volta, voltando a baixar meu rosto. Me aconcheguei de novo nele, respirando seu cheiro, provando de seu calor, me aproveitando de tudo nele para encontrar o lugar ideal para dormir um pouquinho "Podemos tentar hoje"
"Depois de terminarmos minha fantasia" eu o senti sorrindo "Boa tarde, dorminhoca"
Eu fiquei quieta para pegar no sono, um sorriso silencioso em meu rosto que, eu tinha certeza, se manteria mesmo depois que eu dormisse de vez.
J/L
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J/L
Uma ida ao motel para pagar e pegar o celular de Lily – e uma aproveitada no quarto de novo – um banho a dois no meu apartamento e duas discussões sobre irmos de moto ou não depois, lá estávamos nós quatro sentando na mesa mais próxima do bar que conseguimos encontrar. Não que isso fosse uma coisa exatamente boa – quase meia noite, e todas as pessoas que já deveriam ter saído de casa caso quisessem aproveitar o sábado já estavam com duas gotas de álcool a mais no sangue – mas todos nós pensávamos a longo prazo e projetávamos a realidade de que nós quatro estaríamos na mesma situação em menos de dez minutos
Ficar um pouco bêbado hoje não poderia trazer conseqüências mais extremas que uma tatuagem conjunta.
"Vou para o bar" Lily disse para ninguém em especial, deixando o sobretudo na mesa dessa vez. Seu vestido era de um tom meio perolado e tinha o mesmo decote que ela usava praticamente sempre, e que por conseqüência deixava as palavras marcadas em sua pele aparecerem na luz fraca da boate "Alguém quer uma dose?"
"Eu vou com você" eu disse, levantando um pouco do tom de voz para que ela me escutasse por cima da voz da Fergie ou similar "Trazemos logo duas bandejas"
"Tá brincando?" ela me perguntou, aproveitando que eu abria caminho entre as pessoas para seguir sem ter que tropeçar em um monte de gente. Depois de um tempo, senti sua mão segurar na barra da minha calça, os passos quase se embolando com os meus quando ela acelerou "Eu vou tomar duas dozes. Não quero correr o risco de aparecer o domingo com meu cabelo pintado de preto e com dois piercings em lugares - como você disse...? - proibidos do corpo"
Eu ri alto.
"Nunca se tem lugares proibidos, ruiva" discordei, alcançando o balcão meio segundo antes dela. Lado a lado, olhamos de canto para o outro, eu com um sorriso divertido ao imaginar um dos possíveis lugares e ela com uma sobrancelha arqueada em um gesto de descrença "Todos são válidos"
E eu achava que eram, de verdade. Principalmente porque, por qualquer que fosse a concepção de lugar proibido – cheguei um dia a ficar com uma garota que acreditava piamente que o umbigo era um lugar proibido porque tinha alguma coisa a ver com futuros filhos e lugares sagrados para as religiões. Se não fossem as curvas escondidas por aquela saia longa, eu provavelmente nunca chegaria perto dela – seria extremamente delicioso tentar descobrir onde estaria o piercing.
Eu gostava de brincar de procurar.
"Para o corpo feminino e masculino?" ela me perguntou, ainda com o tom quase cético "Não pode falar algo que não sirva para as duas opções"
"Você não pode achar que eu faria um piercing"
"Até ontem, eu não poderia adivinhar que eu faria uma tatuagem dizendo que homens de óculos são maravilhosos em sexo oral"
Eu ri.
"Bom argumento, ruiva" cedi, divertido, inclinando-me para lhe dar um beijo leve na boca e, finalmente, me virar par o barman que olhava para a gente. Pedi as duas rodadas de tequila – que significavam uns vinte daqueles copos pequenos, mais que suficiente para que todos nós ficássemos minimamente bêbados – antes de me voltar para ela novamente "Só acho que, se soubesse um pouco mais de você, poderia achar que você é o tipo de pessoa que faria isso"
"Eu não preciso conhecer você para saber que você é o tipo de pessoa que faria uma tatuagem em uma noite bêbada por Londres" ela retrucou, me fazendo sorrir um pouco por desejar ter a mesma certeza que ela ao falar sobre qualquer um das suas manias. Ela continuava sendo mais que surpreendente para mim – e um exemplo dessa surpresa era ela não ter falado nada sobre tirar as palavras marcadas em seu braço ou não. Caso fosse qualquer outra garota (e eu realmente tinha experiência nesse assunto) só conseguiria falar nisso para que percebesse o 'quanto-estávamos-ligados' e o quanto deveríamos passar logo para a próxima fase do relacionamento – e uma incógnita ao passar de 'psicóloga certinha' para 'infratora da lei' em menos de três horas "Não que eu esteja te analisando, mas depois de um tempo as características mais marcantes das pessoas acabam por saltar aos meus olhos e... estou me justificando?"
"Perto disso" eu ri e terminei por sorrir, piscando um olho para ela "Acho que não vou precisar de tanta bebida quanto eu pensava"
Ela quase fez uma careta.
"Não ache que eu vou me entregar fácil dessa vez" disse, se desapoiando quando pegou pelo canto de olho a chegada das doses "Sem convites para apartamento, sem tatuagens comprometedoras e sem sexo desesperado de madrugada pelas ruas londrinas até eu estar sete vezes acima do limite permitido"
"Não acho que vá demorar tanto assim" provoquei de volta, equilibrando as doses e seguindo-a pelo mesmo caminho que fizemos para chegar "Vamos fazer outra aposta ou eu tenho que me contentar com uma vitória ainda não paga?"
Ela não me respondeu, mas eu sabia que ela sorria mesmo antes dela escorregar pelo banco da mesa até o lado da amiga e me deixar ver o mordiscar leve que ela fazia em seu lábio inferior. Levantou os olhos para mim com um brilho de diversão, os fios ruivos quase chegando a manchar o verde no movimento de cabeça que ela fez para me olhar melhor.
Não seria tão fácil ganhar essa.
J/L
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J/L
Só uns quatro copinhos daquele e eu já estava alterada o suficiente para rir de qualquer coisa estúpida – como o DJ do lugar, que fazia aqueles gestos exagerados de acompanhar a música. Poderia ser até normal, não fosse e ter se animado até não poder mais ao som da Katy Perry e seus pavões² – e para me sentir quase triste por coisas tão banais quanto um cara levando um fora de uma garota ou vice versa. Marlene ainda estava mais do que sóbria – e eu só não dizia que isso era resultado de anos e anos bebendo o máximo que conseguia porque aquilo não tinha muito a ver com prática e porque eu não estava muito atrás dela -, Sirius rindo de um jeito extremamente consciente das minhas tentativas estúpidas de falar espanhol e James me olhando com um pouco de superioridade ao perceber que eu já pendia para a ebriedade.
Se eu continuasse desse jeito, provavelmente teria que pagar outra aposta para ele. Mas, apesar de não estar ainda naquela fase de ser incapaz de recusar mais um drink, eu só queria não beber tão rápido quanto eu bebia – quer dizer, eu queria estar com um pouco de consciência para conseguir manter uma discussão coerente com o Sirius sobre ser 'arriba, abajo, al centro e...' tanto faz – e aproveitar o máximo daquilo tudo.
Era mesmo divertido, e principalmente porque James e Sirius começavam a contar algumas coisas mega engraçadas de quando eles eram mais novos. O episódio de dormir com a professora de James não fora uma exceção; quando mais novos, aos onze, eles se enfiaram no boxe quebrado do banheiro das líderes de torcida e as espiavam tomando banho até que foram descobertos pela irmã de uma delas, que começou a chantageá-los para conseguir roubar livros da biblioteca. Aos treze, eles entraram num clube de strippers e, depois de aproveitarem o show, resolveram roubar dois dos ornamentos para colocar na bolsa de um professor que eles odiavam e, assim, conseguir que ele fosse demitido da escola. Aos dezesseis, quando foram morar sozinhos e juntos, tiveram que começar a trabalhar do jeito que conseguiam não apenas para pagar as contas, mas as festas. Aos vinte, trancaram a faculdade por um período e foram dar uma de mochileiros pelo continente depois de realizarem o sonho de dormir com prostitutas francesas.
E tinha mais, eu podia apostar. Mas estava na minha vez e na de Marlene.
"Eu não consigo pensar em nada demais perto do que vocês dois fizeram" escutei Marlene dizer, e eu tive que sorrir um pouquinho ao meio que discordar. Tudo bem, era verdade; mas nós também nos escondemos no vestiário do time de futebol com respectivos garotos para conseguirmos transar sem que nossos pais soubessem, e tivemos que arrombar a sala dos professores para corrigir as nossas respostas em uma prova ao mesmo tempo que trocávamos a de uma garota chamada Marylin. Entramos também na sala do diretor e refizemos nosso histórico escolar – e, claro, eu acho que isso ajudou na minha entrevista com o cara da faculdade* - depois que fomos descritas como insubordinadas por sermos duas das idealizadoras de uma festa na piscina "Ainda não realizei meu sonho de transar no palácio de Buckinghan com o príncipe Willian"
"Você ainda não parou com isso?" eu perguntei, piscando, tentando realmente me decidir se aquela era mesmo Marlene falando. Quer dizer, quando mais novas e mais bêbadas, ela me confessara exatamente isso, mas eu achei que fosse coisa de adolescente que sonhava em sentar na mesma cadeira que Diana depois que Charles morresse e desse lugar ao primogênito "Você tinha uns... dezoito anos quando me confessou isso?"
"Acho que sim" ela concordou, pegando mais uma dose de tequila da mesa. As primeiras já haviam acabado, e essas eram as trazidas por Sirius há cerca de dez minutos "Foi na mesma época que você confessou ter a fantasia de transar num capô de um carro em frente a Versailles'
Eu ri, me lembrando de ter dito isso esparramada do chão da casa de um dos garotos do time de futebol depois de uma festa. Estávamos em uma daquelas rodinhas adolescentes de 'verdade ou conseqüência' ainda no começo – no final, eram só as conseqüências. Pesadas, claro, porque tudo era divertido e 'passageiro-mas-para-sempre' aos dezoito anos – e eu tive que responder para uma garota meu sonho sexual mais maluco e fora de propósito.
O que não foi de todo ruim, porque meio que consegui em frente a uma mansão em Notting Hill.
"Só pode ser a adrenalina de ser presa" Sirius brincou, piscando-me um olho azul acinzentado. Era de um tom lindo, raro, mas eu ainda tinha a impressão de que ver os olhos de James esverdearem na cama – e isso era só uma metonímia, porque podia ser em qualquer lugar – seria melhor do que nada "Mais ou menos quando eu destruí a moto daquele... qual o nome?"
"Alguma-coisa Jefferson" James respondeu, divertido, também pegando mais uma dose. Definitivamente mais sóbrio que eu, tive que observar "A diferença é que você foi preso"
"Por duas horas"
"Mas foi preso" James deu de ombros, devolvendo o copo vazio à mesa "Vocês já foram?"
"Não"
"Mas quase"
"Shh, isso é segredo, Lene!"
Ela não poderia contar que ela tivera que me ajudar a arrombar a porta de um cara por causa de um vídeo caseiro.
"Ei" James argumentou, o indicador empurrando um daqueles copinhos para mim "Combinamos 'sem-segredos'"
"Não combinamos, não" discordei "Está tentando me confundir porque meus valores estão meio abalados"
"Eu não faria isso"
"E está tentando me embebedar para que eu solte minha língua"
"Quê isso" ele riu "Não faria isso com você"
Eu apontei para o drink como se fosse a prova de um crime.
"Talvez"
"E , pela sinceridade, ele merece que você tome" Marlene disse, mas não me fez olhar para ela simplesmente porque eu queria manter o olhar "Talvez merecesse a história inteira se tivesse admitido desde o começo, mas..."
"Ah, vamos lá" era a voz de Sirius agora "Ele merece a história inteira por não ter pensado em mentir uma segunda vez"
"Ele não deveria ter pensado em mentir nem na primeira"
"Vocês acham que são as únicas que mentem?"
"Acho que estamos a ponto de nos embebedar, e quando isso acontece é melhor deixar escapar tudo logo do que..."
Mas eu não ouvia mais. Aceitei o sorriso de desafio de James e resolvi pegar mais da tequila, entornando três dos copinhos e tentando não fazer uma careta muito grande quando eu terminei.
Impossível.
"Que bom que eu sei que você pode ser mais bonita que isso" ele brincou, o quê risonho ainda no rosto enquanto se levantava e vinha até mim. O que sobrara da mini-discussão de Marlene e Sirius desaparecera ali, com o toque firme de sua mão em meu ombro e os movimentos dispersantes de seu polegar "Vem, vamos sair daqui"
Eu pensei em dizer que não, eu não iria sair dali só para provar a ele que eu poderia beber tudo o que quisesse que aquela história não iria sair de mim. Poderia dizer que não e utilizar a velha e coerente desculpa dos bêbados que sempre pedem por um último gole, e poderia dizer que de jeito nenhum eu iria embora sem acabar aquilo dali.
Mas seu toque era firme demais.
"Para onde?"
Mas eu não me importava. Só queria ele, e o desejo viera tão espontânea e surpreendentemente que eu não ligava para lugar algum.
J/L
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J/L
"Tem tempos que eu não venho ao lado de fora de qualquer boate" Lily disse sentando na beirada de um dos chafarizes que tinha ali. Como era a noite da tequila, ela teve que afastar dois ou três daqueles chapéus mexicanos para tocar a água "Me trouxe aqui para respirar ar fresco?"
"Claro que não" respondi, sentando-me ao lado dela "Essa teoria é puro placebo**"'
"Ele quase funciona nas melhores coisas" ela tentou, se endireitando um pouco para olhar para mim mais de frente ao mesmo tempo em que conseguia se abraçar. Devido ao frio, nós dois éramos os únicos ali "Mas talvez seja por isso que eu nunca tenha melhorado de verdade"
"É uma teoria" eu respondi, divertido, desviando meus olhos dos dela para olhar ao redor. Não tinha nada de extraordinário ali; jardinzinhos espalhados entre os caminhos de tijolo antigo para relembrar Vitória e dois lugares não identificados – eu não sei mesmo explicar o que seriam aquelas combinações de cadeiras acolchoadas e protótipos de camas para pigmeus que deveriam servir para lugares mais privativos para casais de 1,50 somados – molhados devido à chuva de mais cedo, e mesmo que tivesse algo realmente interessante e surpreendente eu voltaria a olhar para Lily.
Ela estava linda.
"Mas ainda não me disse o que quer me trazendo aqui" ela disse, molhando as pontinhas dos dedos e, divertidamente, tacando umas poucas gotas de água em mim "Transar? Acho que estamos sozinhos"
"Não estávamos sozinhos ontem, ruiva. Posso apostar que fomos assistidos pela janela por algum adolescente sem vida social que só tem a imagem da Megan Fox em uma moto como companhia" retruquei, revidando também as gotas de água. Ela recuou, rindo, e encheu a mão dessa vez "Podemos estar em alguma página na internet agora"
Minha vez de encher a mão, embora tenha jogado um pouco mais fraco.
"Perco três quartos dos meus pacientes"
"Ganho três quartos do Reino Unido"
Ela riu.
"Eu deveria saber que era um plano para ganhar mais leitores" mais um pouco de água, e da próxima vez eu já poderia vê-la entrando no chafariz para ter mais munição "Sua próxima coluna tem alguma coisa a ver com 'como-levar-uma-psicóloga-cara-de-uma-boate-a-sexo-desesperado-na-rua-em-sete-dias'?"
"Nunca se tem uma fórmula para isso, ruiva" eu tive que desviar de um jato particularmente grande dessa vez, terminando por me levantar e me colocar à sua frente "Vocês, mulheres, são totalmente diferentes"
"Claro que não" ela levantou o olhar e me espirrou água de novo, fazendo quase um malabarismo com o corpo para que eu recebesse a maior quantidade possível "Sempre queremos carinho e atenção além de sexo prazeroso e... um moooooonte de coisas"
Eu sorri, estendendo minha mão para ela. Ela pegou e se levantou, quase cambaleando, soltando uma risada contra meu peito enquanto me abraçava pela cintura.
"Mas você tem que esquecer isso, porque eu provavelmente não diria nada parecido em estado normal" Lily riu mais um pouco, me apertando um pouco mais "Tequilas sempre me deixam desse jeito"
"Pedindo por carinho e atenção?"
"Depois de sexo selvagem"
"No capô de um carro em Versailles?"
"Ou em orgias de apartamento assim que fui emancipada aos dezesseis"
Eu tive que rir.
"E quem sou eu para negar tequila?" perguntei, brincalhão, me afastando dela o suficiente para que pudesse beijá-la. E seu beijo veio, cálido, forte, presente, e com um gosto delicioso.
Não, eu não negaria algumas doses a mais.***
J/L
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J/L
Caímos na cama, de lado por nós dois querermos ficar por cima e nenhum de nós conseguir, rindo contra a boca do outro e me fazendo morder seu lábio inferior em represália ao uso de sua força para conseguir o que queria. Ele prensava meus punhos com as mãos e meu corpo com as pernas, o rosto se inclinando na direção do meu e não encontrando nenhuma resistência da minha parte para me beijar.
E seu beijo era delicioso.
"Eu não vou deixar você mandar agora" murmurei contra seus lábios, sorrindo enquanto tentava me livrar de seu aperto "Mandou na rua – tudo bem, não acho que eu tivesse outra opção porque eu não poderia mandar em você estando apoiada em uma parede -, em tudo o que eu me lembro do hotel, hoje lá em casa, hoje lá naquelas mini camas da boate e..."
"Você ficou por cima no táxi"
"A gente não transou de verdade no táxi, lembra?"
Ele riu.
"Porque você não quis" disse, o rosto pendendo para o lado "Era vergonha do motorista?"
"Claro que não" e não era mesmo. O álcool da tequila ainda estava mais do que presente no meu corpo, e eu só consegui negar ali porque pensei em como seria difícil me separar dele depois dos quinze minutos que demoraríamos para chegar em casa "Expectativas são sempre boas"
"Está querendo me dizer que está mais excitada agora?" ele me perguntou, sorrindo, o tom de voz provocante ao se aproximar e arrastar a boca por minha bochecha até afastar alguns fios de meu ouvido "Eu já tinha que forçar minha imaginação para imaginar como você poderia gemer mais do que naquele banco de trás do carro"
Eu não respondi, fechando meus olhos e arqueando o corpo na direção do seu quando senti seus dentes no lóbulo da minha orelha. Era uma mordiscada leve, quase carinhosa, e junto com o carinho de seus polegares ao desfazer um pouco do aperto em todo meu corpo me fez suspirar em mais que desejo sexual.
Eu desejava, agora mais que nunca, conhecer mais lados dele do que o sexo despreocupado na cama.
"Você pode ver como eu vou gemer mais alto"
"Se não for abafado por mim" ele murmurou de volta, deslizando as mãos para a minha cintura. Com um pouco de força, me puxou para cima, apoiando minha cabeça no final da cama enquanto seus olhos escorregavam pelo meu corpo, sem pudor; primeiro meu colo quase exposto pelo vestido estar torto, depois pela minha cintura delineada pelo tecido, e depois pelo o que ele conseguia ver das minhas pernas que o prendiam perto de mim "Você é mesmo linda"
Eu não respondi mais uma vez, estendendo minhas mãos para que pudesse tirar sua blusa. Corri os dedos pelos contornos dos seus músculos – eu realmente tinha que perguntar como ele conseguia aquele corpo sem uma academia ou algo assim – até o limite de sua calça, olhando para ele depois de baixar meus olhos e acompanhar meus próprios movimentos em sua pele. O verde em seus olhos brilhava como toda vez que ficava excitado, seus fios negros displicentes caíam em sua testa e os contornos de seus rostos se moviam para o meu, a boca se entreabrindo antes mesmo de chegar à minha.
"Sexy" ele continuou, e eu tive que dar um jeito de apertar sua cintura ainda mais entre minhas pernas enquanto apertava seus ombros e deslizava as mãos por suas costas "Deliciosa"
Eu gemi, só me separando dele para que pudesse tirar meu vestido. De novo, ele me olhou sem pudor, um beijo leve em minha boca antes de descer para meu soutien, os olhos fechando ao tocar o limite do tecido de renda com a boca e ao brincar com a alça entre os dedos.
"Demais"
E, de novo, eu suspirei por mais que lascívial. Queria conhecer seus gestos, seu jeito de acordar, seus tipos de bocejo, até onde ia a paixão pelo futebol e até onde ele iria pela amizade com o Sirius e até onde ele iria num relacionamento até descobrir que não dava mais. Queria descobrir os desafios da sua vida profissional, o que o levou a escolher o jornalismo e a coluna e não a reportagem, como ele chegou ao News e como conseguira uma carreira tão promissora no mercado mais competitivo da Europa. Queria saber o que ele fazia no tempo livre, que programas de TV gostava de assistir e que esportes gostava de praticar.
Eu quis tudo ali.
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(e eu fecho com ela para que o James possa contar suas opiniões no próximo capítulo XD)
(sim, eu sei que não teve muita ação nesse – acho que só a cena do telefone com a Lene, a insinuação de sexo no boate e a descrição fraquinha da cena imediatamente acima – mas eu queria mesmo destacar o lado emocional dos dois, as loucuras de sexta à noite, a interação Sirius/Marlene com James/Lily e adiantar o andamento da fic a partir do próximo capítulo. Mas o próximo vem com mais sexo eeeeee com mais conversas com mais que indiretas sexuais ;D)
¹isso é verdade. By Wikipédia XD
²a música é 'Peacock', um trocadilho entre 'pavão' e o órgão sexual masculino.
* é o modelo de algumas faculdades da Inglaterra. Mais ou menos como nos Estados Unidos, para quem vê/lê Gossip Girl
** Revista Superinteressante dos sonhos
*** vocês pegaram as entrelinhas? As doses a mais eram - tchantchantchantchan – o carinho e a atenção que a Lily tinha falado
Sim, sim, sim. Eu sei que estou atrasada. Uma semana, para ser exata – e, para os leitores de FL e Heróis e para aqueles (tenho a esperança de que pelo menos dois homens leiam também XD) que esperavam logo a versão da Marlene e do Sirius, tenho que dizer que também vou atrasar pelo menos outra semana -, e uma semana totalmente infernal para mim.
Prova de recuperação de Filosofia. Trabalho cansativo e exaustivo – tivemos que montar um vídeo em que eu era a mulher que só trabalhava na fábrica porque tinha um caso com o dono, a Pumpkin Bells, que ficou realmente irresistível com bigodinho à lá Poirot XD – sobre a mais valia de Marx aliada à Revolução Industrial. Testes de matemática sobre trigonometria – fácil, até. Desculpem a modéstia, mas as exatas são comigo mesmo XD – e um texto de quinze páginas de Biologia para que se encontrassem dez erros sobre as concepções criacionistas, lamarckistas e darwinistas. Guerra aberta contra meu irmão – ele teve a audácia de mexer no meu e-mail e de desaparecer com a minha folha em que estavam os nomes dos capítulos e para quem eles seriam dedicados. Mas não se preocupem, estou pesquisando em tudo quanto é lugar que posso e pretendo colocar uma lista sobre isso no próximo capítulo, então peço antecipadamente que não fiquem muito chateadas comigo se eu esquecer de alguém :/ - depois que eu escondi uma parte provavelmente essencial de sua guitarra. Briga com meu pai porque ele não quer me dar a autorização necessária para fazer uma viagem de cruzeiro com meu namorado. Estresse total em tudo quanto é lugar porque praticamente todas as pessoas que eu conheço estão prestando vestibular. Até eu estou começando a ficar nervosa com o tempo injusto do ENEM.
É, ter uma vida dupla não é fácil ;)
Mas, como eu já andei dizendo para alguma de vocês – ou, talvez, eu tenha dito aqui mesmo. Sei lá, minha cabeça tá a mil XD – tudo vai melhorar depois do dia 5 de dezembro. E, a partir daí, quem sabe eu não consiga postar de uma em uma semana, e quem sabe eu não consiga postar também meus milhares e milhares de projetos cujos esboços feitos na aula de filosofia – hmm, quem sabe essa é a razão por eu estar de recuperação? XD – não conseguem ser passados para um computador e/ou revisados.
Dias melhores virão XD
Agora, claro, eu queria dedicar esse capítulo à Li, uma das leitoras que me inspiraram a começar a responder mesmo às sem-conta – sem termo pejorativo, claro XD – e a primeira que me pediu pela tequila. Junto com a dedicação vem, óbvio, o pedido de desculpas – sim, eu demorei. Mas por todas as razões acima, e espero que me entenda *carinha de esperança* - e o pedido de qualquer mensagem escrito 'Sim, Souhait/Nathália, eu te perdôo por demorar mais que uma semana'.
*carinha dupla de esperança*
E também seria adorável se tooooooooodas vocês, leitoras lindas – sem a menor tentativa de suborno XD – fizessem o mesmo.
*carinha tripla de esperança*
Respostas às leitoras sem conta:
- Nathália Gonzáles – Think I gotta thank you in English too XD Although I'm a little sad because you do not like House, I'm pretty happy for your review ;)
- Nathália – Eu sou da opinião de que todos poderiam ir rápido se fizessem tudo o que querem. A infelicidade é que isso nem sempre acontece ;)
- Li – sim, sim, sim; e loucuras não são deliciosas? Assim como espero ter ficado esse capítulo para você ;) Desculpe, mais uma vez.
- B . a – acho que nesse capítulo – principalmente quando eles estão na cama depois do sexo na casa da Lily – isso fica mais claro. E, depois do próximo capítulo, quando a fic começar a andar mais rápido, o relacionamento começa de verdade ;D
- Samantha – e isso é delicioso ;D
De mais, agradecimentos às já respondidas Sally Ride (não se preocupe, sei como ninguém como é isso XD); Meguxa (para comentar minimamente cada parte da sua review eu precisaria de três parágrafos XD. Mas já viu minha mensagem?); Mrs Nah Potter (você é a única vítima do meu irmão lembrada por mim. Tudo bem com você?); Nah Potter (ahhh, veja minha mensagem e me responda...!); Dm Tayashi (e essa parte foi inspirada em vida real ;D); Alexa McAvoy (vi sua PM, prometo lê-la assim que conseguir outro tempo em um lugar com internet e baixá-la para responder nas aulas de filosofia. Você faz delas úteis!); Mila Pink (ahh, eu já te disse do last night...? Memória ainda ruim por aqui); MR27 (ahhh, tantas coisas que eu gostaria de comentar por aqui...!); Karol Wheezy (e os detalhes não são maravilhosos?); 28 Lily (estereótipos nem sempre são bons, e me apoiei nisso. Além disso, sugestão anotada...!); Justine Sunderson (e ser sexy não é o melhor); Sophie Ev. Potter (muuuuuuuchas gracias...!) e Sakura - Diggory (estranho eles roubando? Espere, niña, espere XD)
E de resto, espero que entendam meus problemas fora-fanfiction ;D Beeeeeeeijos *-*
PS: e, então, caso vocês queiram saber, eu fiquei grávida no vídeo e fui expulsa pelo meu marido. Sabe-se lá como, já que naquela época não se tinha comprovação de infertilidade e nem exame de DNA, mas acho que todos entendem uma licença poética.
PPS: estava com meu namorado no carro dele no condomínio em que meu pai mora. O vigia viu, chamou meu pai – eu não deveria estar ali. Dormindo no quarto, embaixo das cobertas e sonhando com algo parecido com o clip de California Gurls – que chamou dois policiais que disseram que ele, de dezoito anos, não pode namorar a Nathália aqui, de quinze. Hmm, meu pai só não o acusou de estupro ou algo assim porque meu irmão pediu XD
Apesar de tudo, ele não é de todo mau ;)
PPPS: tem uma figura de linguagem aí. Aos aventureiros que arriscam – e com a dica de que está na cena da Lily se aconchegando no James, implícita – qual é? Intertextualidade é tudo XD
PPPPS: repararam que nesse capítulo eu comecei a trabalhar o passado da Lene melhor? No próximo, ou no próximo do próximo, é do Sirius com maior detalhes *-*
