CAPITULO NOVE

— Sim. Você é Emmet, o homem que salvou minha vida duas vezes. O homem a quem, caso eu fosse livre, entregaria meu coração.

Edward a fitou. Aquelas palavras singelas sufocaram sua raiva. Não viu-lhe o vestido grosseiro; reparou na postura orgulhosa. Isabella o encarava sem pestanejar, a verdade brilhando nos olhos e na voz. Os lábios, intu mescidos pelos beijos, chamaram-lhe a atenção.

"Conte a ela! É sua inimiga!", ordenou a si mesmo.

Isabella iria espernear, gritar e tentar fugir de novo. Mas, se ele permanecesse calado, ficaria ao seu lado sem discutir. Faltavam alguns dias para a viagem terminar, e ele não queria acordar com um punhal cravado nas costas.

Passou as mãos pelos cabelos, no gesto característico de quem quer aclarar as idéias. A proximidade de Isabella o perturbava e a paixão continuava intensa. Tolamente, viu-se pensando que tinha ciúme do afeto de Isabella por Emmet.

Isabella viu-o sumir na escuridão. O que dissera de er rado? Não, aquele homem nunca lhe daria amor. Só de sejava seu corpo. Era bom aprender a lição.

Foi sentindo sono. Encostou-se à parede, deixando lugar para Emmet na manta. Tinha certeza de que ele voltaria. Não por causa dela, mas por causa de Breac.

Aquele homem jamais deixaria seu cavalo. Pensando nis so, adormeceu.

Entre as sombras, por trás do fogo, Edward esperou que o sono a vencesse. Só então foi deitar-se a seu lado.

A abadia estava em silêncio antes do alvorecer. A aba dessa Ailis ergueu-se do banco de orações com um suspiro cansado. Deixou a mão escorregar da pesada cruz de ouro que envergava. Mas, pela primeira vez, não encon trou alívio ao tocá-la.

Estava muito perturbada com a notícia da descoberta de três cadáveres na floresta. O que mais a intrigava, porém, era a raiva demonstrada pela sobrinha Bridget e por Tanya. A maldade que haviam planejado fora ma lograda com a fuga de Isabella.

A esperança que invadira Ailis com a chegada de Brid get desaparecera rapidamente. Pensara que ela finalmen te iria aceitar sua oferta e passar o resto de seus dias na abadia, esquecendo o ódio e alcançando a paz. Mas Bridget, obcecada por vingança, não queria isso.

Pela primeira vez na vida, Ailis questionou o valor de suas preces. Não conseguira deter Edward e seu jura mento de sangue. Suas orações pareciam folhas mortas espalhadas pelo vento.

Rezava diariamente para que Edward acabasse com aquela guerra contra os MacKay. O belicoso sobrinho precisava de esposa, lar e filhos. Isso preencheria sua vida. Mas faria o que lhe tinha sido pedido por amor ao pai e ao clã. E por amor a Bridget.

Ailis não podia esquecer quanto os três sobrinhos ado ravam a irmã, que fora tão bonita. Nenhum deles con seguiria ser feliz enquanto ela clamasse por vingança.

Ailis compreendeu que a maldade de Bridget, incen tivada por Tanya, eliminava-lhe as esperanças de encon trar a paz. Temia que a sobrinha estivesse louca. Não havia como escapar do mundo e de seus demônios, mesmo dentro da abadia.

E Isabella? Ailis rezava para que tivesse conseguido es capar. As dúvidas a perseguiam para onde quer que se voltasse. Afinal, se suas preces fossem ouvidas, haveria mais derramamento de sangue. Uma vez que Liam re cuperasse a irmã, não teria mais medo e revidaria a violência perpetrada pelos Gunn.

Voltou a sentar-se no banco, sentindo uma dor no co ração. De mãos postas, rezou:

— Senhor, vós colocastes meus entes queridos em ca minhos perigosos. Apenas rogo que permitais que esco lham o caminho que lhes trouxer paz e alegria. Não sei aonde desejais chegar com tudo isso. Rogo que concedais forças a Isabella, pois, dentre todos, é a que mais precisa de vossa proteção.

Isabella acordou abalada por estranhos sonhos, dos quais não conseguia recordar-se bem. Enquanto ouvia o trinar dos passarinhos, lembrou-se da noite anterior.

Sua última recordação de Emmet era de uma figura alta, ameaçadora, dizendo: "Sabe quem eu sou?"

Mas ele nada lhe revelara, e ela não insistira. Por que confessara que o amaria se fosse uma mulher livre? E as circunstâncias que os uniam? Emmet não gostara da declaração de amor. Isabella prometeu a si mesma não repetir o erro.

Estava encostada a ele, sentindo o calor de seu corpo. Ficou quieta, de olhos fechados, sentindo-se protegida. Mas os pensamentos a torturavam. Entregara-se às mãos daquele homem, certa de que ele a defenderia. Mas, na verdade, quem era Emmet? Certamente sabia da guerra entre seu clã e os Gunn, mas nada deixara transparecer. Apenas demonstrara descrença quanto à gravidez de Bridget. Por algum motivo, achara aquilo estranho.

Edward acordou e virou-se para Isabella, que fingia dor mir. Sentiu a mão forte acariciar seus cabelos com ter nura, mas não se moveu. Não ousava.

Ele acordara decidido a ter sempre em mente quem era aquela mulher: a irmã de seu inimigo, que não me recia bons tratos. Mesmo assim, imaginou como seria casar-se com ela.

Lembrou que Bridget também já fora bela e aquilo afastou-lhe a ternura. Jamais se deixara comandar pelas paixões. Entretanto, para seu desespero e raiva, não conseguia abafar os sentimentos por Isabella.

Ela ergueu as pálpebras e o fitou. Os olhos azuis pa reciam duas montanhas geladas em meio ao inverno. Que pensamentos deixavam-lhe o olhar tão sombrio? Isabella sentiu um braço circundar sua cintura como uma barra de ferro.

"Possua esse corpo e acabe com a loucura", ele ordenou a si mesmo, e curvou-se sobre o corpo feminino.

— Emmet, diga-me o que fiz de errado para você me olhar assim. Há ódio em seu olhar. Por quê?

As palavras pareciam sufocadas na garganta de Edward, que por fim falou, antes de cobrir a boca sensual com um beijo:

— Não é ódio o que sinto. Os corpos de um homem e de uma mulher podem dar muito prazer. Deixe-me mos trar isso a você. Deixe que eu receba e lhe dê prazer.

Tocou os seios intumescidos, aproximando os lábios.

— Seus beijos trazem loucura — sussurrou Isabella. — Uma loucura deliciosa.

Ela ouviu o próprio gemido. Contorcia-se sob o corpo viril, sem saber exatamente o que buscava. A única cer teza que tinha era a de que somente ele poderia acalmar o fogo que a queimava.

Edward beijou-lhe o bico do seio, fazendo-a agarrar-se a seus cabelos negros.

— Você vai possuir mais do que meu corpo, Emmet. Vai roubar meu coração, mas não o deseja!

Edward ergueu a cabeça. Isabella cruzou as mãos sobre os seios. Com voz rouca de desejo, perguntou:

— Nega que lhe dou prazer?

— Não. Mas ficaria envergonhada se me entregasse a você. Não poderia voltar para minha casa carregando um filho seu. Promete que isso não irá acontecer?

— Você diz ser uma jovem inocente e vem me falar de…

— Sou inocente, mas não ingênua. Muitas damas vão à abadia a fim de esconder a vergonha de dar à luz um filho ilegítimo. Se eu voltar para casa desonrada, de nada valerei para meu irmão. Minha esperança é me livrar dos Gunn desposando alguém de outro clã. Não posso permitir que Edward, o Selvagem, destrua a mim e a meu irmão. Não posso!

Ela chorava, mordendo os lábios.

— E se eu a fizesse minha?

— Poderia ajudar meu irmão?

Ele rolou para o lado, libertando-a do abraço. O corpo de Isabella doía pelo desejo insatisfeito, mas precisava ser forte e controlar-se.

— Emmet… você me perdoa?

— Não há nada a perdoar. Não vou possuir uma mu lher contra sua vontade. — Fez uma pausa antes de perguntar: — É a segurança de seu irmão que a faz proteger a virgindade? E eu que pensava que era o medo do que o chefe dos Gunn poderia lhe fazer…

— Em parte é verdade. Não vou arriscar sua vida sabendo que Edward pode nos encontrar e achar que não sou mais pura. Não sei por que esse homem quer me atingir; não me conhece e, mesmo assim, não quer me libertar de um compromisso que nossos pais arranjaram. Não faz sentido. Meu pai e o dele estão mortos, ele acuou meu irmão, dilapidou a fortuna de meu clã. Do que mais deseja se vingar? Já não pagamos o suficiente? Será que você pode me responder por que Edward ainda não está satisfeito? Bridget não quis voltar para meu irmão, mas James não se recusou a recebê-la de volta.

Edward parecia enlouquecer. Deveria contar a ela sobre o juramento que fizera ao pai?

Como o silêncio persistisse, Isabella sentiu uma garra de terror apertar seu peito. Perguntou, com voz embargada:

— Você conhece o chefe dos Gunn? É por isso que não responde?

Edward apertou o pulso de Isabella com força.

— Sim, eu o conheço muito bem.

— Largue-me! Você foi enviado por aquele demônio para…

— Não fui enviado por ninguém! E pare de se debater!

Isabella sentiu um gosto amargo na boca.

— Você me traiu. Planejava me entregar ao selvagem que estupra e mata!

— Ele não é um assassino. Só mata os inimigos em lutas leais. E não é estuprador.

— Largue-me! Sabe-se tanto a respeito de Edward, devem ser muito amigos. Ou parentes. Insiste em dizer que me deseja para depois me entregar ao homem que quer me matar? Eu imploro, Emmet, deixe-me partir!

Edward a soltou e levantou-se.

— Temos muito chão pela frente, hoje.

Não havia piedade ou paixão em seu olhar. Isabella le vantou-se, trêmula, sabendo que fizera mal em demons trar medo.

— Quanto tempo me resta até que você me entregue a Edward?

— Eu jamais disse que faria isso.

Encaminhou-se para o bosque, e ela se refugiou por trás da parede em ruínas. Sua esperança morrera. Será que Emmet pertencia ao clã dos Gunn? O que poderia lhe oferecer para que ele a libertasse?

— Não adianta se esconder, Isabella.

— Não me escondi.

Ela viu que Breac já estava selado. Emmet dobrara a manta e a pendurara na sela.

— Estou esperando, e não sou muito paciente — disse ele.

Isabella ergueu o queixo.

— Espero que o diabo carregue sua alma, por ter sido tão mentiroso!

— Não será possível. O diabo já possui minha alma. Agora, venha.

Isabella relanceou os olhos para a mão estendida, mas não se mexeu. Procurou pelo punhal na cintura e não o encontrou. Ergueu a cabeça e o encarou.

— Minha arma…

— Está a salvo comigo. — E retirou o punhal cravejado da bolsa de couro.

— Pena que não pensei em cortar sua garganta há mais tempo — disse ela friamente.

— Vou me certificar de que isso não aconteça. Agora, venha. O dia já raiou.

O sol ainda não estava alto, e a terra mostrava-se fria sob seus pés descalços. Isabella entrou em pânico. Que escolha tinha? Se tentasse correr, ele a pegaria facilmen te. Por outro lado, cada vez mais se aproximavam do lar dos MacKay.

Edward deu um passo em sua direção.

— Estou indo — disse ela, com ar de desafio.

Mas permitiu, docilmente, que ele a depusesse sobre a sela. Isabella tomou seu lugar sobre a montaria, sem nada dizer quando Seana afastou o corpo o mais possível.

— Segure-se bem. Não quero que caia e se machuque.

Assim dizendo, depositou um beijo em sua orelha.

— Não cairei, mas vou fugir de você.

Edward passou um braço pela cintura fina, apertando-a contra o peito, e jurou que nunca, jamais a deixaria fugir.


Então o que vcs acharam do cap? Curtinho eu sei mais. Kkkkkkkkkkk

E querendo responder a uns recados passados sobre a falta de recados nos caps... Gente eu só poste no sábado, pois eu tenho faculdade todos os dias e, sim, se eu quisesse eu teria tempo para postar duas vezes por semana, mas acho que também como leitora aficionada de fics a espera sempre compensa...

E desde o inicio de TODAS as fic que posto deixo bem claro que sempre serão atualizadas nos sábados pois tenho mais tempo para rever se esta tudo bem...

Espero que tenham gostado do cap gente...

Ate sabado que vem ;)