N/A: cap musicado, como eu quase sempre faço! Link para download (ou ouvir online) no meu profile aqui do ffnet! :)


Capítulo 9 – E no final, tudo se acerta

Reino Unido, casa da família Weasley

- Que horas ela chega? – perguntou Artur, pela milésima vez aquele dia.

Molly, com toda a paciência que possuía depois de criar e educar sete filhos, respondeu:

- Ainda falta, querido.

Artur ficou em silêncio, sentado em uma das cadeiras da cozinha, enquanto Molly fazia a comida.

- Nossa filha amadureceu, não? – ele começou a falar, olhando para a parede à sua frente – já tem uma namorado, já possui uma carreira promissora, já toma as decisões da vida dela.

Molly ficou calada, pois sabia que seu marido estava desabafando. Ambos levaram um choque ao ler a carta da filha, mas sentiram muito orgulho ao vê-la na capa da revista. O conteúdo da carta, entretanto, os abateu de uma forma que não esperavam.

Como mãe, Molly sabia que precisava apoiar sua filha. Ficou surpresa, é verdade; achou que sua filha gostaria de voltar para a vida que tinha antes da guerra começar. Mas ao ler suas palavras, ao perceber a felicidade que havia nelas, logo se conformou. Se havia aprendido uma coisa com aquela guerra é que não poderia controlar seus filhos, eles precisavam tomar suas próprias decisões. Sofreu quando Rony viajava e não sabia seu paradeiro, e seus outros filhos lutavam em cada batalha, e só rezava para que todos ficassem bem. Agora que os possuía sãos e salvos, não gostaria de pensar em nenhuma forma de afastá-los. Apoiaria a escolha de Gina, mesmo que isso a deixasse com saudades. Afinal, sua filha também estava viva e feliz. Merecia ter a vida que escolheu, e não algo imposto a ela.

Olhou para o marido, que parecia desolado. Era um bom pai e um bom esposo, uma hora entenderia. Mas por Gina ser a única menina em meio a filhos homens, era um tanto difícil para ele desapegar-se dela.

Seus outros filhos tiveram reações parecidas; a carta havia chegado dois dias antes, pouco depois que Harry, Rony e Hermione partiram para os Estados Unidos e trazerem Gina. Só Fred e Jorge estavam em casa e, enquanto comemoravam ao ver Gina na capa da revista, ao lado de todo o time, tomaram um banho de água fria quando leram o conteúdo da carta. Foi pior ao abrirem a revista e verem a foto onde Gina estava com seu namorado.

- O que faremos com o canalha? – perguntou Fred.

- Podemos usar aquele pó que criamos – respondeu Jorge – todos os pelos dele irão cair e...

- Fred e Jorge – Molly os ameaçou – vocês não farão nada que deixará sua irmã triste, ouviram?

Os dois ficaram calados, e depois começaram a falar ao mesmo tempo:

- Mas mamãe, ela vai nos abandonar por causa desse cara!

- Ela vai ficar em outro continente!

Molly suspirou.

- Se ela fizer isso, será por escolha dela, e de mais ninguém. Vamos esperar ela voltar e recebê-la com muita felicidade. Esse é um assunto que ficará para depois, pois primeiro quero que sua irmã se sinta confortável ao voltar para casa.

Eles assentiram, entendendo.

- Podemos oferecer parceria em nossa loja para ela – falou Jorge, enquanto se retiravam.

- Talvez 10% seja suficiente para ela ficar conosco – completou Fred.

Molly permaneceu na sala, olhando para a carta da filha, pensativa. Precisava avisar seus outros filhos antes que Gina retornasse, pois não queria desavenças quando ela estivesse ali.

Carlinhos foi informado, e a reação foi parecida com a dos gêmeos.

- Mamãe, a senhora não pode deixar que ela troque nossa família por um homem!

- Carlinhos, não é isso que sua irmã escreveu – respondeu, secamente – ela vai seguir carreira no quadribol, e nós a apoiaremos.

- Tenho certeza que o namorado americano influenciou na decisão dela – ele falou, enfatizando a palavra "namorado" – não podemos deixá-la fazer isso!

- Meu filho, você decidiu treinar dragões mesmo quando me opus – ele ia falar algo, mas foi calado por um olhar severo – se sua irmã quer ficar onde está no próximo ano, tudo bem. Se quiser viajar o mundo jogando quadribol, também não vou me opor. Eu quero que ela esteja feliz, pois é isso que mais me importa quando se trata de meus filhos.

Carlinhos ficou calado, olhando para a carta.

- Tudo bem... Mas vou deixar um dragão separado, caso seja necessário – falou, antes de aparatar.

Percy foi o que teve a reação mais madura dos seis:

- A carreira de quadribol é um tanto quanto passageira, mas se a Gina acha que serve pra ela, e se é tão boa quando dizem, acho que vale a pena seguir.

Gui foi avisado em seguida, e limitou-se a poucos comentários.

- Bom, se ela está feliz, acho que devemos apoiá-la.

Molly lhe lançou um olhar de gratidão.

- Mas se esse cara for um babaca, eu mesmo cuido dele. – terminou, olhando para a foto da revista.

Era a mesma foto que Artur olhava agora, enquanto estava sentado na mesa da cozinha. Ele fora o último a saber, e parecia não ter se recuperado das notícias.

- Ela ainda é tão jovem, e já sabe o que quer da vida. – ele falava.

- Artur... – Molly sentou-se ao lado dele, segurando uma de suas mãos – nossa filha parece feliz. Nós vamos poder confirmar isso ao vê-la, mas não me resta dúvidas de que ela está feliz. Quando eu a vi pela lareira, ela parecia tão saudável usando um uniforme de quadribol!

Seu marido sorriu, ao imaginá-la assim.

- Vamos recebê-la hoje com todo o nosso amor. O que vai acontecer depois, pode ficar para depois. – completou a mulher – e quando conhecermos este rapaz, ficaremos aliviados de que ela estará em boas mãos, porque tenho certeza que minha filha é capaz de fazer boas escolhas.

Seu marido assentiu.

- Deve ser um bom rapaz. Podemos convidá-lo para um almoço de família.

Sua esposa assentiu.

- Agora, vamos nos arrumar, pois está quase na hora de irmos para o porto.

Levantaram-se, indo se trocar, ansiosos para reverem sua filha que não viam há um ano.


O navio estava quase chegando ao Reino Unido. Gina estava encostada na murada, observando a vista, relembrando-se de sua viagem de ida e de tudo o que aconteceu desde então.

Fora difícil despedir-se de suas amigas, mesmo sabendo que logo iria voltar. Elas choravam e se abraçavam, como se o mundo estivesse terminando naquele momento.

- Mande corujas pra gente! – falou Cady, entre lágrimas.

- E se tivermos que ir ao funeral do Draco, nós iremos. – disse Gwen, sob um olhar de desprezo das outras.

- Se cuide. – falou Maya, abraçando-a – quando retornar, treinaremos pra valer!

Sorrindo, Gina se despediu. Na porta do hotel, enquanto esperava por Harry, Rony e Hermione, Draco apareceu. Deu-lhe um beijo terno e a abraçou.

- Será por pouco tempo, prometo – disse ele – daqui a alguns dias nos veremos.

- Parece uma eternidade, levando em conta que nos vemos diariamente há quase um ano.

Ele sorriu.

- Nós aguentamos.

Dando um último beijo, se afastou, na hora em que Rony aparecia. Ele olhou calado para irmã e, virando as costas, seguiu para onde estaria a chave de portal que os levariam para a ilha, onde pegariam o navio para o Reino Unido.

Hermione apareceu, dando um sorriso de consolo, e seguiu caminho, Harry logo atrás. Ele parecia um pouco melhor do que antes, mas ficou calado o caminho inteiro.

No cruzeiro, enquanto estava com Hermione em uma cabine só para elas, conversaram:

- Seu irmão não falou uma palavra desde ontem, nem mesmo comigo – a morena comentou – acho que ele ainda está em choque.

- Vai passar – falou a ruiva – uma hora vai ter que passar.

Enquanto estava encostada na murada, pensando no que a aguardava pela frente, uma pessoa apareceu ao seu lado: seu irmão.

Ficaram em silêncio, observando o mar, quando ele resolveu falar.

- Você está diferente, Gina. Antes você parecia indefesa, mesmo quando lançava azarações de bicho papão. Agora você parece... Mais velha.

Gina permaneceu em silêncio, esperando.

- Olha... – ele tentou formular uma frase – eu sou seu irmão, o mais próximo de você por conta da idade. Mesmo querendo te controlar, eu não posso. Não estou dizendo que não vou tentar – ele parou – tá, não era isso que eu queria dizer.

Gina deu um risinho. Aquele era seu irmão, afinal. Ele continuou a falar:

- Eu só estou dizendo que... Mesmo que eu não apoie suas escolhas, não quer dizer que eu não apoie você. Vou ser sempre seu irmão, e vou ficar feliz ao te ver feliz. E se você acha que sua felicidade está com o, argh, Malfoy – ele falou o nome com certo nojo – eu só posso esperar que aquele imbecil não faça nada contra você, senão ele será uma doninha morta, e eu mesmo cuidarei disso.

- Eu sei – ela falou – e ele também sabe, não se preocupe. Afinal, ninguém pode mexer com os irmãos Weasley, certo?

Seu irmão deu um sorriso.

- Certo.

Gina virou-se, indo para o convés.

- Sabe, Rony... – ela parou – você parece mais maduro. Acho que a convivência com a Hermione está te fazendo bem.

- Ei! – Rony falou, indignado.

Rindo, Gina correu de volta à sua cabine, antes que seu irmão a alcançasse.

Quando o navio atracou, Molly e Artur Weasley já estavam no cais e, enquanto sua filha descia a rampa do navio, correram para abraçá-la.

- Ah, minha querida, é tão bom te ver! – dizia sua mãe.

- Também senti saudades, mamãe. – ela abraçou o pai – papai, o senhor emagreceu!

- Todo o estresse que passamos serviu para alguma coisa – disse ele, sorrindo – estou até com alguns músculos a mais. É muito bom tê-la de volta, Gina – disse, com os olhos brilhando.

Feliz em ver seus pais, voltaram para casa, onde seus outros irmãos já estavam esperando. Foi abraçada por todos antes mesmo de passar pela porta, tendo sida carregada para dentro.

- À artilheira da família! – falava Carlinhos, enquanto a jogava para o alto.

- Que será a jogadora mais famosa do mundo! – completou Gui, jogando novamente.

Gina ria, feliz em rever seus irmãos. Como sentiu saudades daquilo! Até mesmo Fleur, do qual não possuía muita intimidade, a abraçou, desejando boas-vindas.

Com todos os Weasley reunidos, jantaram em família no jardim, divertindo-se e brincando uns com os outros, enquanto conversavam amenidades. No final do jantar, Carlinhos foi o primeiro a puxar um assunto mais sério:

- Ficará até quando, irmã?

O assunto na mesa parecia ter sido encerrado, pois todos se calaram, atentos para sua resposta. Colocando seu talher se sobremesa de lado, Gina falou:

- Meu primeiro jogo é na última semana do mês, e eu ainda precisarei treinar. Pretendo ficar até alguns dias depois de meu aniversário.

- Mas isso só dá duas semanas! – exclamou Fred.

- Você ficou muito tempo fora, isso é muito pouco! – completou Jorge.

Todos começaram a falar ao mesmo tempo, e Gina suspirou.

- Pessoal – calaram-se quando recomeçou a falar – o quadribol é importante pra mim. Haverá olheiros em todos os jogos a partir de agora, se ganharmos, eu posso ser chamada antes mesmo de terminar meu sétimo ano. É algo grande, mas exige dedicação.

Depois de alguns segundos em silêncio, Carlinhos se pronunciou:

- Bom, se nossa irmãzinha quer ser a melhor jogadora do mundo, quem somos nós para impedirmos? – disse, sorrindo.

Agradecida, Gina sorriu, antes de continuar:

- Na verdade, eu nem sei se conseguirei continuar no colégio esse ano... – mas, foi interrompida por Molly.

- A diretora nos escreveu – ela falou – ela disse que você ainda terá sua bolsa e será mais do que bem vinda para terminar seus estudos lá – finalizou, com os olhos brilhando de lágrimas.

Emocionada, Gina não conseguiu fazer outra coisa senão sorrir, lembrando de que a diretora Wardoof estava presente quando falara com sua mãe.

- E seu namorado, Gina? – Fleur perguntou – ele virá quando?

Com o comentário de Fleur, todos se calaram novamente, e Rony começou a tossir. Levando um olhar severo da irmã, ele parou.

- Ele virá daqui a alguns dias – limitou-se a dizer.

- Bom, quando ele chegar, está convidado para um almoço – falou Molly, enquanto recolhia a louça – estamos loucos para conhecê-lo.

- Nem nos fale – disse Fred, olhando para a aliança que Gina usava em sua mão direita.

- Ele será muito bem recepcionado – completou Jorge.

Os gêmeos deram um sorriso malvado, e Gina lhes lançou um olhar de desprezo.

- Sejam bonzinhos. Se não for por ele, ao menos sejam por mim. Caso contrário, juro que nunca mais piso nessa casa, e estou falando sério.

Os gêmeos a olharam chocados, assim como todos os outros.

- Olhem, vocês são minha família e os amo demais – continuou Gina – mas está na hora de meus irmãos demonstrarem maturidade e provarem que me apoiam como pessoa, seja na minha vida pessoal ou profissional.

O clima ficou pesado, todos em silêncio. Artur resolveu se pronunciar:

- Minha filha demonstra maturidade a cada palavra, mostrando que o tempo que passou fora só serviu para ensiná-la a crescer – ele sorriu – que pai poderia desejar mais do que isso para um filho? Se está feliz, Gina, tenho certeza que seus irmãos a apoiarão, assim como eu e sua mãe.

Dando um sorriso agradecido, Gina falou:

- Obrigada, papai.

Harry, que estava na mesa durante todo o tempo, levantou-se. Estava magoado, mas jamais faria algo que pudesse machucar Gina. Ela estava feliz de uma forma que ele nunca havia visto antes, nem mesmo quando estavam juntos. Dando um sorriso para ela, pediu licença e retirou-se para dormir, sendo seguido pelos outros. O dia havia sido longo para todos, e o cansaço agora falava mais alto.

Antes de dormir, Gina escreveu uma carta para Draco contando da recepção, sabendo que ele só receberia quando chegasse ao continente. Ainda assim, sentiu-se melhor ao terminar, dando o envelope para que Pichi levasse à mansão Malfoy, e só adormecendo depois que a coruja havia sumido na noite.


- Olá, mamãe.

Draco estava parada no saguão de entrada da mansão. Cinco dias haviam se passado desde que se despedira de Gina, e só agora voltara para casa. Não avisou sua mãe, chegando de surpresa.

Ela estava parada de pé, perto das escadas, olhando para ele. Em um segundo, já o estava abraçando apertado.

- Ah, filho – disse ela – é muito bom vê-lo à salvo.

Draco correspondeu o abraço.

- Também é bom revê-la, mãe.

Ela afastou-se, passando a mão por seu rosto, o olhando por inteiro.

- Olhe pra você, está tão lindo! Parece um homem de verdade, não mais um rapaz.

Draco sorriu, sabendo que sua mãe falaria isso.

- Merlin, você deve estar cansado e precisando de um banho – disse ela, enquanto batia palmas e dois elfos domésticos apareciam – levem as malas de Draco para o quarto – e, virando-se para ele, completou – estarei te esperando na varanda para tomarmos um chá. Mas não tenha pressa, tome seu banho e relaxe.

Assentindo, Draco foi caminhando lentamente pela mansão. Percebeu que alguns objetos não mais estavam ali, possivelmente confiscado pelo Ministério da Magia por serem de magia negra. Parou no corredor e encarou uma foto: era de seu pai, com o mesmo ar arrogante de sempre. Era um costume familiar colocar fotos de todos os membros da família após seu falecimento com sua data de nascimento e morte escrita em uma plaquinha abaixo da moldura, e agora seu pai fazia parte desse corredor, acompanhado de muitos outros Malfoy.

- Queria que você visse minha vida agora – limitou-se a dizer, olhando dentro dos olhos frios de seu pai – o quanto eu sou melhor do que você.

Virando-se de costas, foi para seu quarto. Ele era decorado em cores escuras e com móveis de bom-gosto; os elfos o haviam limpado recentemente, esperando sua volta. Sentou-se na cama, pensando em Gina, o quanto queria revê-la. Cinco dias longe dela e já estava em desespero, mas teria que se acostumar. Quando as aulas dela retornassem, não teriam mais como se ver diariamente.

- Seu banho está pronto, Sr. Malfoy – disse uma elfa trajando um uniforme, fazendo uma mesura.

Assentindo e estranhando o traje da pequena criatura, Draco foi para o banheiro, onde o contato com a água morna o relaxou. Pensou na conversa que teria com sua mãe dali a pouco e achou melhor não adiar, terminando seu banho rapidamente.

Encontrou-a sentada à mesa da varanda principal, olhando para o jardim cheio de rosas bem cuidadas. Ela fez um gesto para que ele se sentasse. Enquanto enchia as xícaras com chá, ela começou a conversa:

- O funeral de seu pai foi há alguns dias atrás. Foi algo privado, só eu estava presente.

Draco assentiu, olhando para o horizonte.

- Como sabia onde eu estava? – perguntou, enquanto comia uma torrada.

- Severo havia me deixado uma carta contando de seu paradeiro, para que eu abrisse caso ele viesse a falecer – ela contou – não sabe a felicidade que senti ao saber que você esteve a salvo o tempo todo. Quando você sumiu, temi que algo ruim lhe tivesse acontecido.

- Desculpe.

- Foi melhor assim. – ela falou, bebericando o chá – vamos deixar os assuntos tristes de lado. Como está sua vida?

- Boa na verdade. De fato – ele deu um sorriso – muito melhor do que eu imaginei que um dia estaria.

Narcisa deu um sorriso.

- Eu imagino – disse ela, enquanto pegava uma carta que estava na cadeira ao lado – que uma senhorita tenha algo a ver com isso.

Draco retirou a carta da mão dela em um segundo. Não estava assinada por fora, mas reconheceu a caligrafia de Gina no seu endereço. Deu um sorriso enquanto rompia o lacre e ia o conteúdo.

Ela contava de sua recepção pela família, que seu irmão Rony, apesar da reação inicial, parecia ter entendido o relacionamento deles, apesar de tê-lo ameaçado de morte. Que sua família estava disposta a conhecê-lo e só precisavam marcar a data para o almoço. Despedia-se dizendo o quanto o amava e que já estava com saudades, querendo muito revê-lo.

Ainda sorrindo, dobrou a carta e a guardou no bolso.

- Espero que a senhora não tenha dado uma de enxerida e lido a carta – comentou Draco, enquanto bebia seu chá.

- Lógico que não, eu possuo modos! – falou sua mãe, indignada – mas confesso que fiquei curiosa com a letra feminina no envelope.

Silêncio. Narcisa estava curiosa, mas Draco não falava nada. Perguntou:

- Ela é bonita?

Como Draco ainda assim não respondeu, tentou de novo.

- Já tiveram relações sexuais?

- Mamãe! – Draco exclamou, exasperado.

- Ora, você é um homem, é normal que já tenha tido. Só espero que tenham se precavido, não estou preparada para ser avó.

- Eu não vou ter esse tipo de conversa com a senhora – disse Draco, entre os dentes.

Sorrindo, Narcisa falou:

- Então me conte algo sobre ela. Você está feliz?

Com um sorriso involuntário no rosto só de pensar na ruiva, Draco respondeu.

- Estou. Ela... – ele olhou para a xícara à sua frente – ela sabe de tudo sobre mim. Todo o meu passado. E não se importa.

Os olhos de Narcisa de arregalaram por um momento, mas depois ela relaxou.

- Isso é bom.

- Sim – ele continuou – ela me faz esquecer que minha família é amaldiçoada.

- Talvez seja hora de deixarmos tudo isso no passado – disse Narcisa – eu mesma estou me esforçando para isso. Abri uma instituição de caridade e costumo passar lá o dia inteiro ajudando pessoas. Até mesmo aderi ao movimento de apoio aos elfos; todos os que estão em nossa casa são libertos, utilizam uniformes e ganham salário semanal.

Foi a vez de Draco arregalar os olhos.

- Não me olhe dessa forma, Draco. Sem seu pai eu me sinto sozinha, preciso me dedicar a algo. Na instituição de caridade tenho contato com muitas crianças que perderam seus pais durante a guerra, e me dedicar em ajudá-las a superar esse trauma me distrai de minha solidão. E, cá entre nós, os elfos ficam melhor em uniformes do que nos trapos que costumavam usar.

- A senhora ainda é nova, poderia casar-se de novo – comentou.

- E aguentar outro homem arrogante reclamando de quantos sapatos eu tenho? Não, obrigada. – Draco riu – eu amei seu pai até o último momento, Draco, mas é um alívio não viver mais sob aquela pressão que envolvia nossa família. Pela primeira vez em muito tempo me sinto leve.

Draco assentiu. Entendia perfeitamente o que sua mãe estava sentindo.

- Então, quando irei conhecê-la? - perguntou Narcisa – você não pode deixar de me apresentá-la.

- Em breve. – ele falou – primeiro sou eu quem tenho que conhecer a família dela, e possivelmente ser morto por seus irmãos – disse, um tanto assustado.

- Eu terei que ir até os Estados Unidos? Não sei se estou preparada para uma viagem longa.

- Ah não, na verdade, ela é do Reino Unido. Também estava fugindo da guerra, foi assim que nos encontramos.

- Se ela é da sua idade, vocês já se conheciam de Hogwarts.

- Pode-se dizer que sim. Mas não tínhamos muita intimidade. E a senhora meio que já conhece também – ele falou com cautela – ao menos, conhece a família dela.

Narcisa parou para pensar.

- A única garota que me recordo agora é a menina dos Parkinson, mas ela esteve durante a guerra.

- Hum, ela não era uma sonserina... – começou Draco, tomando coragem, falou – seu nome é Virginia Weasley.

Sua mãe ficou parada, com a xícara a caminho da boca, enquanto olhava pra ele. Depois de alguns segundos, ela depositou calmamente o objeto na mesa, cruzou as mãos e falou:

- Bom, isso é uma... Surpresa – ela olhou para a paisagem – a família dela foi de grande ajuda ao término da guerra, disso tenho certeza. Mas não sabia que a filha deles estava fora do país.

- Os pais dela a enviaram para o exterior, na esperança de que terminasse os estudos, já que Hogwarts iria fechar – completou o loiro.

E Draco continuou a contar; para sua mãe, não conseguia manter segredos, então, contou do navio, de como salvou Gina, depois de como passaram a se encontrar diariamente e do que sentia quando estava perto dela; o medo de que ela o odiasse quando soubesse de seu passado, e a forma como ela reagiu quando contou. De como estavam juntos desde então, dos planos que tinha para seu futuro, de abrir uma empresa com Blaise, e de como ela queria ser uma artilheira famosa.

Já estava anoitecendo quando ele terminou, e os elfos já os haviam chamado para o jantar, que estava posto à mesa.

No caminho para o salão, Narcisa enlaçou seu braço com o do filho, falando:

- Fico feliz por você, meu filho. Você provou que pode ser melhor do que o que lhe foi feito durante sua vida, e buscou sua própria felicidade. Estou orgulhosa.

- Obrigado, mãe.

- E, se essa garota é importante pra você, então eu não verei problemas. Só espero que ela corresponda o seu sentimento com a mesma força.

- Eu tenho certeza que corresponde – finalizou o loiro, enquanto puxava a cadeira para sua mãe se sentar e tomava o seu lugar à mesa.

Após o jantar, Draco escreveu uma carta para Gina, pedindo para que o encontrasse no Beco Diagonal dia seguinte pela manhã. Como era fim de semana, seria melhor para conhecer a família dela. Não sentia medo, mas sim, receio de que algo desse errado e isso entristecesse sua namorada. Faria de tudo para que ela ficasse feliz, nem que isso significasse ter que ter uma conversa agradável com cada um dos membros da família Weasley.


Gina estava jantando com seus pais e Rony, quando uma bela coruja negra entrou pela janela e lhe entregou uma carta. Fez carinho nela, enquanto seu irmão a olhava de soslaio.

- Do seu namorado? – perguntou sua mãe, enquanto ela desembrulhava a carta.

- Ele quer me encontrar amanhã! – disse, sorrindo, enquanto lia o conteúdo – pediu para encontrá-lo no Beco Diagonal e pergunta se o almoço poderia ser amanhã mesmo.

- Bom, não vejo problemas com isso – comentou Molly.

- Será bom conhecê-lo logo – assentiu Artur.

- Ótimo! Vou responder pra ele que está confirmado! Avisem aos meus irmãos enquanto isso! – falou Gina, enquanto saía correndo para seu quarto levando a coruja junto, onde tinha pergaminho e pena para responder.

Mal via a hora de reencontrá-lo! Havia falado sério quando disse que alguns dias parecia muito tempo. Estava ansiosa para abraçá-lo e beijá-lo, para ter certeza que tudo o que viveu nos Estados Unidos não fora um sonho.

Quando retornava para a sala, encontrou Rony no caminho.

- Espero que me ajude amanhã – pediu.

Rony assentiu.

- Farei o possível para não voar no pescoço dele, acho que tentar segurar o Carlinhos não vai ser um esforço muito maior.

Rindo, Gina voltou para a cozinha, onde conversou com sua mãe sobre quais comidas seriam feitas no dia seguinte. Queria tudo perfeito para quando conhecessem seu namorado, e se esforçaria para que tudo desse certo.

Mal conseguiu dormir aquela noite, tamanha a ansiedade. Levantou cedo e se arrumou, tomando o café da manhã correndo.

- Já está saindo? – perguntou Molly, enquanto ela lançava pó-de-flú na lareira.

- Já! – disse animada, gritando "beco diagonal".

Sua mãe abanou a cabeça, sorrindo. Sua filha transbordava felicidade e só podia agradecer a esse rapaz por isso. Mal podia esperar pra conhecê-lo...

Gina ia andando pelo Beco Diagonal enquanto tiravam a fuligem de sua roupa. Não queria perder um minuto antes de reencontrar Draco e tão logo terminou, o avistou parado em frente à uma loja. Ele a viu no mesmo momento e ela correu, se jogando nos braços dele e o beijando.

- Como eu senti sua falta – disse ele, enquanto a beijava.

- Eu também senti a sua – falou, entre um beijo e outro.

Passearam de mãos dadas pelo Beco Diagonal enquanto conversavam sobre seus dias desde que voltaram. Não havia um momento mais completo do que quando estavam juntos; era como se não existisse mais nada em volta deles.

- O que é essa sacola em suas mãos? – perguntou Gina, depois de um tempo andando.

- A sobremesa para o almoço. É regra de etiqueta que um convidado, ao visitar alguém pela primeira vez, leve alguma coisa.

- Você está mesmo tentando impressionar, não? – falou, sorrindo, recebendo outro sorriso de volta.

- Pode-se dizer que sim.

Ficaram sentados em um banquinho afastado, trocando carícias e juras de amor, até dar horário para que fossem ao almoço. Como Draco já sabia aparatar, iriam direto para a colina próxima do jardim dos Weasley, onde estariam os esperando para iniciar o almoço.

- Preparado? – perguntou Gina, ansiosa.

- Mais do que nunca. – respondeu com firmeza, apertando suas mãos e aparatando em seguida.


- Eles ainda não chegaram? – perguntou Carlinhos, beliscando algo na cozinha.

- Já devem estar vindo – sua mãe respondeu, enquanto levava a panela para a mesa, sendo seguida por ele. Todos os seus filhos já estavam sentados aguardando, assim como Hermione, Fleur e Harry, que já faziam parte da família.

Molly olhou para Harry, que parecia ligeiramente desolado. Sentiu pena, mas se sua filha havia escolhido outro, não poderiam fazer nada. Ninguém pode mandar no coração.

Ouviram um estampido, indicando uma aparatação próxima. Ansiosos, todos olharam em direção à colina, vendo um casal de mãos dadas se aproximando. À medida que chegavam perto, todos prestavam atenção ao rapaz, tentando ver suas feições.

Quando se aproximaram o suficiente, Carlinhos falou:

- Aquele não é o filho de Lúcio Malfoy?

Seus irmãos ficaram em choque, olhando o namorado de sua irmã. Parando a alguns metros de onde estavam, Gina os apresentou:

- Draco, esta é minha família: minha mãe, Molly, meu pai Artur, meus irmãos Rony, Fred e Jorge você já conhece, assim como a Hermione e Harry – ela ia apontando cada um, sabendo que no final Draco não lembraria o nome de ninguém – aquele é o Gui e sua esposa Fleur, Percy, e o que está com cara de minotauro é o Carlinhos. Pessoal, este é o Draco.

Gina não falou o sobrenome propositalmente, evitando dar ênfase. Sua família reconheceria, é claro, mas era bom evitar.

Todos ficaram em silêncio, e até mesmo Fleur parecia surpresa. Ela havia lutado na guerra, recordava-se de Lúcio Malfoy. Draco quebrou o silêncio:

- Boa tarde a todos – ele falou, levantou a sacola – Sra. Weasley é um prazer conhecê-la, e, se me permite, eu trouxe a sobremesa para depois do almoço.

Recobrando-se do choque, Molly aproximou-se, pegando das mãos dele, enquanto falava:

- Obrigada querido, seja bem vindo. Porque não se sentam?

Ela olhou de soslaio pra Gina, esperando ver algo, mas via aquele mesmo olhar feliz de mais cedo, agora um tanto apreensivo. Então não era nenhuma brincadeira, era real. Que Merlin os ajudasse, pois aquele almoço daria em confusão. E ela já havia começado:

- Eu não vou sentar à mesa com um filho de comensal! – disse Fred.

- O que passou pela sua cabeça, Gina? Ele te enfeitiçou? – perguntou Jorge.

Gina soltou o ar, e olhou para Hermione e seu irmão, na espera de um apoio. Hermione tomou a frente:

- Por que não conversamos enquanto comemos? Estou com muita fome! – disse ela, bem alto, dando um risinho sem graça, o que não ajudou em nada.

Artur Weasley, que até então estava em choque, tentava raciocinar. Precisava ser racional por sua filha, pois ainda havia outros seis homens com instintos assassinos no lugar.

- Então, você é o namorado dela – disse com firmeza, se aproximando e parando em frente aos dois – porque acha que devemos abrir nossas portas para você?

Draco o olhou nos olhos, antes de responder com voz firme.

- Porque os filhos nem sempre seguem os passos dos seus pais, ou eu não estaria aqui, disposto a ser morto durante um almoço.

Passaram um momento se encarando, e Gina olhava de um para outro. Que Merlin permitisse que ao menos seu pai a entendesse! Era o primeiro, faltaria mais cinco, pois Rony já estava ciente.

Assentindo com a cabeça, Artur liberou a passagem, caminhando para a mesa.

- Sentem-se e vamos comer – ordenou a seus filhos que, contrariados, sentaram-se, sempre encarando Draco.

O loiro puxou a cadeira para que Gina sentasse, tomando um lugar ao lado dela. Hermione e Rony estavam sentados de um lado e a Sra. Weasley sentaria do outro, mantendo-o protegido de um ataque direto.

Molly voltou com a sobremesa em uma travessa: um suculento pudim de chocolate.

- Seus elfos fizeram, Malfoy? – perguntou Fred, com escárnio.

- Na verdade, sim – comentou Draco – incrível como depois de libertos eles fazem o trabalho melhor do que antes.

- Ah, seus elfos são libertos? – perguntou Hermione, surpresa.

Ele assentiu com a cabeça.

- Sim, minha mãe acha que uniformes são mais atrativos do que as roupas que costumavam usar. Ela também paga salários semanais.

Os olhos de Hermione brilharam.

- Eu sabia que o F.A.L.E. iria atingir a população em algum momento!

Os ruivos à sua volta a olhavam estarrecidos por ela estar falando com ele.

- Sua mãe também abriu uma instituição de caridade, não foi? – perguntou Gina, tentando melhorar a impressão dele para sua família.

- Sim, para ajudar as pessoas a recuperarem-se depois da guerra, em especial crianças órfãs. Depois da morte de meu pai, ela quer se dedicar a algo construtivo.

- Ah, sinto muito por isso. – disse a Sra. Weasley enquanto se sentava.

- Eu não sinto, é melhor assim – falou Draco, dando-lhe um pequeno sorriso.

Contrariando tudo, Molly achou que ele parecia um bom rapaz. Estava ali, no meio de toda a sua família e de seus filhos que o odiavam, apenas por causa de Gina. Ele merecia mérito pela coragem.

Artur começou a se servir em silêncio, sendo imitado pelos outros. Para evitar gracinhas dos gêmeos, Gina colocou o prato de Draco, pois estava acostumada com as invenções dele.

- Agora minha irmã é sua escrava, Malfoy? – perguntou Carlinhos, fazendo com que Gina revirasse os olhos, enquanto servia o próprio prato.

Começaram a comer, ainda em silêncio. O clima era de tensão; Draco sentia vários pares de olhos em cima dele, mas procurou ignorar, concentrando-se em sua refeição. Artur pigarreou, tentando começar uma conversa:

- Então... Draco – ele parecia ter se esforçado para dizer o primeiro nome, e Gina o olhou agradecida – você não esteve na guerra?

- Não – o loiro falou – eu parti no mesmo navio que a Gina, com o intuito de fugir de todo o caos. Quando se possui um pai como o que eu tinha, a melhor opção é a fuga.

Artur assentiu, tendo um vislumbre de como ele e Gina estavam namorando. Continuou com o que parecia ser um interrogatório, sendo observado por toda a família:

- Acabou de se formar , certo? – Draco assentiu – quais são os seus planos?

- Estarei começando um curso de férias para administração de empresas esse verão – começou o loiro, enquanto cortava a comida em seu prato – e estou na espera de meus NIEMs para fazer meu pedido de integração ao corpo discente da Academia de Preparadores de Poções.

- Eu já ouvi falar nessa academia – comentou Hermione – é uma das melhores do mundo, e é extremamente difícil de entrar.

- Sim – assentiu Draco. Gina imaginou o esforço que ele estava fazendo para manter uma conversa com Hermione – o primeiro requisito é nota máxima em alguns dos NIEMs, para depois ser feito os testes próprios da instituição.

Ele deu uma garfada, engolindo a comida antes de continuar a falar.

- Uma vez que eu entre, quero concluir meu curso e abrir minha própria empresa de poções com ênfase na área médica. Um amigo quer realizar parceria, para que a empresa seja de poções e feitiços, mas ainda não chegamos a um consenso de onde será nossa sede.

Artur o olhou surpreso, assim como Molly. O rapaz à sua frente já tinha o futuro definido, e falava com toda a calma sobre isso. Foram interrompidos por Gui:

- E o que vai fazer se minha irmã for artilheira profissional, Malfoy? Ela vai estar viajando o mundo todo.

Draco sorriu, olhando para Gina.

- Vou abrir uma filial em cada cidade que ela jogar – respondeu, fazendo Gina abrir um sorriso de orelha à orelha.

O momento seria lindo, se Carlinhos não tivesse batido na mesa.

- Isso é ridículo!

- Carlinhos! – falou sua mãe, mas ele a cortou.

- Não mãe, eu falo sério, isso é ridículo! Não acredito que estamos sentados numa mesa com esse filho de comensal, discutindo o namoro dele com minha irmã! Eu não vou per...

Um raio de luz o acertou. Seu corpo de imobilizou, deixando apenas seus olhos se mexendo.

- Rony! – ralhou Artur.

- O que? É melhor assim – disse ele, mais calmo, segurando a varinha – só dessa forma que eu consegui ouvir a notícia e ter tempo de pensar na escolha da minha irmã. Depois percebi que, se isso a faz feliz, eu tenho que aceitar, independente de estar contente ou não.

Gina o olhava surpresa e emocionada, e todos os outros o encaravam chocados. Percy se pronunciou:

- Se até o Rony consegue ter uma atitude madura, não vejo porque todos os outros não poderiam ter.

- Espera... – Jorge falou – você já sabia? – disse, dirigindo-se a Rony.

- Nós o encontramos ainda nos Estados Unidos – Harry resolveu falar – acho que o intuito era que ao menos nós estivéssemos cientes, caso tivéssemos que impedir uma briga.

Ficaram em silêncio, e Draco olhou para Molly, elogiando:

- Sua comida estava excelente, Sra. Weasley.

- Obrigada, querido – agradeceu, ligeiramente tensa – por que não comemos a sobremesa?

Gina foi a primeira a se servir, assim como Draco. Quatro de seus irmãos não se mexeram do seu lugar, um deles por estar paralisado até o momento. Hermione deu um cutucão em Harry e Rony, para que eles também se servissem. Molly e Artur, para dar o exemplo, também repetiram o gesto, assim como Percy. Quando Fleur estava se servindo, Gui exclamou seu nome.

- Não estou fazendo nada de errado – disse ela – além de engordar alguns quilos com essa sobremesa maravilhosa. Fique com as suas rixas de família enquanto me delicio.

Gui ficou a olhando chocada, e Gina a olhou com admiração; Fleur, mais do que as outras pessoas, sabia o que era estar com alguém por amor, independente de sua aparência física ou até mesmo o nome, como era seu caso.

Depois da atitude de Fleur, a contragosto, Gui serviu-se. Molly lançou um olhar intimidante para Fred e Jorge, que se serviram fazendo caretas.

- Deve ter pedaços de humanos no pudim – falou Fred.

- Ou de elfos – completou Jorge.

- Chega vocês dois! – disse Molly, firmemente – mais um comentário maldoso sobre qualquer coisa a respeito do namorado da sua irmã e eu irei amaldiçoá-los por uma geração!

Os gêmeos a olharam assustados, depois baixaram a cabeça. Carlinhos olhava a tudo paralisado, e Molly finalizou o feitiço.

- Sirva-se.

Obedecendo a mãe, Carlinhos se serviu, recusando-se a olhar na direção de Draco. Comiam em silêncio, e Molly tentou puxar o assunto:

- Sua mãe já sabe do namoro? – perguntou à Draco.

- Ah, sim, e está ansiosa para conhecer a Gina – respondeu ele, sorrindo – está muito feliz que eu esteja namorando uma garota de família, e não uma qualquer, nas palavras dela.

Os olhos de Molly se encheram de orgulho.

- Mas é claro, minha filha foi muito bem educada, embora não possa dizer o mesmo dos meninos – falou, lançando um olhar raivoso para onde seus filhos estavam sentados – ela está convidada para o aniversário de Gina, e nos sentiremos honrados em recebê-la.

Até Gina arregalou os olhos para sua mãe.

- Ela adorará a notícia, tenho certeza – falou Draco, com um sorriso cordial.

Ao término da refeição, todos se levantaram, cada um de seus irmãos aparatando sem se despedir.

- Sinto muito por isso, Gi – disse Hermione, a abraçando – mas uma hora eles entenderão.

- Espero que sim – respondeu a ruiva, enquanto sua amiga aparatava.

Harry deu um sorriso de consolação para ela, fazendo o mesmo em seguida.

Até mesmo Fleur deu-lhe um abraço, sussurrando em seu ouvido:

- Deixe o Gui comigo, eu posso convencê-lo. – disse, ainda com seu sotaque francês.

E, sorrindo, aparatou.

- Por que você não mostra a propriedade para ele, Gina? – perguntou Molly, enquanto recolhia a louça com a varinha.

Assentindo, Gina tirou Draco de lá, quase correndo, arrastando-o pela mão até os limites da colina.

- Que almoço – comentou o loiro – achei que não iríamos chegar até a sobremesa.

Gina soltou um suspiro.

- Por que eu tenho que ter irmãos tão cabeças-duras? – falou, desolada.

- Relaxa, amor – disse o loiro, enquanto a abraçava – até que não foi tão ruim assim. Ninguém saiu ferido, pelo menos.

Dando um sorriso fraco, Gina teve que concordar. Seus pais procuraram manter a calma durante a refeição, apesar de estarem tão surpresos quanto todos.

Se beijaram e, nesse momento, Gina esqueceu-se de todo o resto.

- Por que tudo tem que ser tão perfeito quando estou com você? – ela perguntou, enquanto passava a mão por seu rosto.

- Porque eu sou perfeito – falou, dando um sorriso arrogante e fazendo Gina rir.

- Era uma pergunta retórica!

- Ah, desculpe, achei que precisava dizer o óbvio.

Eles riram e se beijaram, felizes que, mesmo que as coisas não tenham saído como o planejado, eles ainda tinham um ao outro. E era isso que importava.


- Que dia – falou Artur, encostado no batente da porta.

- Ele me pareceu um bom rapaz – Molly comentou, enquanto guardava os pratos no armário.

Artur, a olhou incrédulo.

- Molly, eu tive que me controlar para não agir como os meninos. Ele é o filho de um comensal, por Merlin!

- Mas ele não é e nem foi um – respondeu, dando ênfase nas palavras – e se não tirarmos isso de nossas cabeças, só vamos deixar nossa filha infeliz com nossas atitudes.

Artur soltou o ar.

- Tem razão. Ela... Parecia tão feliz ao lado dele, que era impossível não perceber.

- Ele parece ser um bom rapaz, Artur – falou, aproximando-se dele – foi educado, gentil e mostrou que estava aqui pela Gina e por mais ninguém. Teve coragem de aparecer aqui só pra dizer que era o namorado dela.

- E ponha coragem nisso – disse Artur, rindo – Carlinhos estava quase pulando em cima dele.

Molly soltou uma risadinha.

- Nós temos filhos que são preocupados com a irmã, nada mais natural. Mas precisamos apoiá-la; se ela o escolheu, é porque é um bom garoto, e porque a faz feliz. Se é assim, não podemos fazer mais nada.

Artur assentiu, sorrindo para a mulher.

- Você é uma mãe incrível.

Ela assentiu, sorrindo de volta.

- E você, o melhor pai de todos.


Draco e Gina ficaram passeando pela propriedade durante toda a tarde, antes de finalmente se despedirem, com a promessa de que ela visitaria a mansão Malfoy no dia seguinte, para um almoço com Narcisa.

- Ainda tenho medo de que sua mãe não goste de mim – ela falou, o abraçando.

- Ela já gosta de você, Gi – disse ele – esse almoço será mera formalidade, prometo.

Assentindo, deu-lhe um beijo de despedida, vendo-o aparatar em seguida. Voltou para sua casa, encontrando seus pais na sala.

- Draco já foi? – perguntou Molly.

- Já – respondeu, sentando-se no sofá – e amanhã terei que conhecer a mãe dele, a socialite Narcisa Malfoy. Que Merlin me ajude, precisarei estar usando minhas melhores roupas.

Artur deu um risinho.

- Ela vai gostar de você querida.

- Draco diz a mesma coisa – sacudiu a cabeça – mas ainda estou apreensiva.

- Ele gosta mesmo de você – falou Molly, olhando para o semblante feliz de sua filha.

Gina corou um pouco, concordando.

- Só espero que na minha festa de aniversário meus irmãos sejam mais compreensivos.

- Eles vão entender, filha, só dê um tempo a eles – Artur a consolou – se até Rony conseguiu, acredito que eles também vão.

Gina deu um risinho.

- Obrigada, papai. – ela levantou-se – vou tomar um banho e dormir. Foi um dia cheio.

Despedindo-se, foi para seu quarto. Adormeceu preparando-se mentalmente para conhecer Narcisa Malfoy no dia seguinte.


-Você está linda – disse Draco, que apareceu para buscá-la pela manhã.

Gina colocou um vestido novo, branco, que lhe dava um ar inocente. Corando um pouco, ela agradeceu.

- Pronta?

Assentindo, ele aparatou com ela para os portões da mansão. Ela se surpreendeu; sabia que a família Malfoy era rica, mas aquela mansão de três andares parecia exagero. Ao passarem pelas grades, uma carruagem movida à mágica apareceu, e Draco ajudou-a a subir. Enquanto iam passando pelos jardins, o loiro ia apontando a direção e dizendo onde ficava cada coisa na propriedade: o lago, a piscina, a quadra de quadribol... Os olhos de Gina estavam arregalados quando desceram na entrada principal.

A porta foi aberta por uma elfa, vestindo um uniforme. Draco estava falando a verdade; eram todos libertos e utilizavam uniformes. Foram levados até um escritório, encontrando Narcisa sentada atrás de uma mesa, lendo alguns documentos. Estava vestida elegantemente em um terno, e Gina surpreendeu-se com sua beleza, aparentando ser jovem demais para ter um filho da idade de Draco.

- Ah, vocês chegaram! – Narcisa prontamente se levantou, dando à volta à mesa e indo até Gina, abraçando-a.

Surpresa, Gina retornou o abraço, meio envergonhada.

- É tão bom conhecê-la! Gina, certo? – a ruiva assentiu – que bom que chegou, vou pedir para Lenny colocar a mesa.

Bateu palmas e um elfo doméstico apareceu. Após as instruções, foram caminhando até o salão de jantar, que possuía uma mesa enorme com mais de vinte cadeiras. Narcisa falava sobre seu trabalho na instituição de caridade, e como aquilo lhe tomava seu tempo. Ao sentarem-se, Narcisa parou de falar.

- Chega de falar de mim, às vezes até eu acho que tagarelo demais. Por que não me conta um pouco sobre você?

Gina sentia-se um tanto tímida desde que chegou, mas foi simpática, contando que ainda estava no colégio e iria se formar. Ao ser indagada sobre seus planos para o futuro, contou sobre a possibilidade de ser artilheira profissional.

- Isso é ótimo querida, esporte sempre é bom para manter-se em forma. Só tome cuidado se quiser ser mãe; uma goles na barriga poderá causar um estrago indesejável.

Gina corou fortemente, e Draco exclamou um "mãe!".

Narcisa olhava inocentemente.

- Ora, toda mulher pensa em ter sua família um dia.

O teor da conversa deixava Gina sem graça. Era lógico que ela pensava nisso, mas ela e Draco nunca falaram em casamento antes, e não queria se adiantar. Mas sonhava com o dia que estariam casados, morando juntos e com os filhos correndo pelo quintal.

Parando para pensar, antes ela havia imaginado-se em uma casa parecida com a de sua família; vendo a mansão em que Draco morava, duvidava que ele iria querer fugir daquele estilo. Ficou tentando ver-se morando em uma mansão daquelas, e aquilo lhe deu uma vontade incrível de rir.

Com medo de estragar o almoço, concentrou-se na conversa com Narcisa, que estava bem agradável. Draco evitava fazer intervenções, deixando que as duas conversassem o máximo que podiam.

Ao término do almoço, Narcisa levantou-se, pedindo desculpas.

-Terei que ir à instituição agora, só voltarei mais tarde. Se não estiver mais aqui, querida, digo desde já que foi bom conhecê-la. Draco, leve-a por um passeio pela mansão; tenho certeza que ela adorará nosso bosque, é excelente para piqueniques.

Despedindo-se, aparatou.

Olhando para a expressão abobada de Gina, Draco riu.

- Você precisa ver sua expressão cada vez que falamos sobre algo da mansão, amor. É cômica.

Desfazendo-se da surpresa, Gina dirigiu-se a ele.

- Não posso evitar, nunca vi nada igual. Caramba, Draco, você viveu assim a vida inteira?

- Bom, sim – disse ele, enquanto iam andando pelos corredores – é só que, com meu pai aqui, não era tão divertido.

Gina assentiu, imaginando o que ele não deveria ter passado em sua infância. Pararam de andar em frente à uma porta no segundo andar.

- Onde estamos? – perguntou ela.

- Ah, eu queria te trazer aqui desde que voltei de viagem – disse ele, abrindo para que ela entrasse.

Ao adentrar, percebeu que encontrava-se em uma pequena sala de recepção, com um sofá e uma mesinha; mais distante, havia o quarto principal, com uma cama de dossel enorme decorada em azul.

- Eu estava esperando minha mãe sair porque, apesar de ela não ligar, eu imaginei que você poderia ficar constrangida – disse ele, fechando a porta atrás de si, e falando no ouvido de Gina – queria muito ter um momento a sós com você.

A voz de Draco em seu ouvido fez um arrepio percorrer sua espinha. Ele a virou de frente para ele, e o olhar que lhe dava fazia algo revirar em seu baixo ventre, como se ele pudesse ver dentro dela.

Sem esperar mais um segundo, Draco a puxou para ele, dando um beijo voraz, enquanto ia levando-a em direção à cama. Apoiavam-se nas paredes pelo caminho, enquanto Draco tentava tirar o vestido de Gina, e ela abria o fecho de sua calça.

Sentia saudades do toque do loiro em seu corpo, da maneira como ele beijava cada pedaço de sua pele. De como ele a fazia sentir queimando, sempre desejando mais. O puxava mais forte, desejando tanto quanto ele aquele momento. Ele levantou-a e ela prendeu suas pernas ao seu redor, enquanto era carregada para cama, onde a depositou e a beijou apaixonadamente.

Aproveitaram aquele momento como se fosse o primeiro, pois não sabiam quando teriam novamente. Algum tempo depois, quando estavam deitados, tentando acalmar a respiração, Gina conseguiu dizer:

- Te amo.

Sorrindo, Draco respondeu:

- Eu também te amo.

Após um banho, passearam pela mansão, e Gina ficava cada vez mais surpresa com a beleza do lugar. Todas as plantas eram bem cuidadas, e toda a decoração era leve e da cor clara, dando um ar de paraíso. Tudo estava sempre muito limpo e arrumado.

Durante todo o passeio, Draco contava fatos de sua infância.

- Blaise e eu adorávamos brincar na piscina durante o verão, vendo quem conseguia prender a respiração mais tempo. Em uma das vezes ele desmaiou, enquanto tentava bater meu recorde.

Gina riu.

- Por falar nele, ele retornou ao Reino Unido?

- Sim, disse que tem coisas a resolver com a família. Mas também quer continuar pelos Estados Unidos. Acho que ele e a Gwen estão juntos pra valer.

- Como a gente. – disse Gina.

- Não – Draco negou – nós somos muito mais do que eles.

Gina levantou a sobrancelha.

- Por que? Nos amamos mais? – perguntou ela.

- Somos mais bonitos. – disse Draco, e os dois riram, continuando o passeio.

- É tão... estranho – comentou ela, enquanto passavam na beira do lago – você trabalhou durante meses para a dona Olivia, quando possuía tanto dinheiro em seu cofre...

- Eu não tinha acesso a esse dinheiro naquela época – falou – mas não me arrependo de ter trabalhado com ela; foi de grande utilidade na decisão de minha carreira.

Gina o olhou admirada; sabia que ele tinha feito tudo por ela, e não conseguia deixar de sentir orgulho e admiração pela atitude do loiro.

Ele a deixou na porta de casa no início da noite, cumprimentando o Sr. e a Sra. Weasley durante a visita. Despediu-se, aparatando para a mansão.


Os dias se passaram, e Gina estava extremamente feliz. Quando não estava na mansão Malfoy, Draco estava na casa dela, e passeavam o dia inteiro pelas colinas. Ele até a ajudava em tarefas domésticas, como desgnomizar o jardim.

Draco gostava de malhar, uma forma que sempre teve para aliviar o estresse, mesmo quando fazia parte de seu treinamento. Seus músculos eram bem definidos e, quando ele tirava a blusa por causa do suor durante a desgnomização, Gina sentia seu corpo inteiro esquentar, e arranjava alguma desculpa para levá-lo aos pomares, onde poderiam ter algum momento a sós com o loiro sem ninguém por perto. Ele costumava brincar dizendo que ela o raptava nesses momentos, mas adorava quando isso acontecia.

- Sabe, isso pode ser qualificado como estupro – disse ele entre beijos, numa das vezes que aconteceu.

- Ah, cale a boca – respondeu Gina, enquanto o pressionava em uma árvore e abria o fecho de sua calça.

Definitivamente, o loiro adorava aqueles momentos.

Gostava de jantar com sua família todas as noites, pois era algo de que ela sentia falta. Fred e Jorge voltaram a falar com ela, embora não comentassem nada sobre seu namoro. Optaram por fingir que não acontecia. Gina não os culpava; ao menos, estavam falando com ela.

Chegou o dia do aniversário de Gina. Uma pequena festa seria dada, onde poderia rever seus antigos amigos de Hogwarts. Estava alegre e excitada pela expectativa; apesar de Draco dizer que suas amigas de Northshore eram muito mais normais do que os de Hogwarts, Gina gostava deles.

Ao anoitecer, os convidados foram chegando. Draco já estava lá desde cedo, ajudando na montagem. Seus irmãos também e, apesar de não trocarem uma palavra, ajudaram Draco na colocação dos enfeites e faixas de parabéns.

O loiro havia ido para casa se trocar e ainda não tinha chegado. Os primeiros a aparecerem foram Colin e Luna, que correram para abraçá-la.

- Que saudades! – diziam quando a abraçavam forte.

Neville apareceu em seguida, junto de Simas e Dino. Tonks e Lupin apareceram depois, e Gina soube que Tonks estava grávida. Hermione e Harry já haviam chegado, por isso, só faltava seu namorado. Não parava de olhar à volta enquanto conversava com seus amigos, o que não passou despercebido pelos amigos.

- O que você está procurando, Gina? – perguntou Colin, depois de ela dar mais uma olhada para os lados – ainda falta alguém?

Gina assentiu, sorrindo.

- Sim, meu namorado.

Os amigos olharam para ela, surpresos. Dino e Simas olharam à volta para ter certeza de que Harry já se encontrava na festa.

- Eu não sabia que você estava namorando, Gina – comentou Neville – é algum americano?

Ela riu.

- Acho que todo mundo pensa isso porque eu estava na América. Mas, não, ele é daqui. Vocês o conhecem de Hogwarts. Só espero que o tratem bem.

- Se você gosta dele, nós trataremos – disse Luna, que continuava com a mesma expressão avoada de sempre.

Agradecendo, Gina viu uma pessoa aproximando-se do portão e foi até lá para recepcioná-la.

Narcisa chegara sozinha, com um embrulho nas mãos. Estava vestida de forma mais simples, porém, muito bonita.

- Parabéns, querida – disse, entregando o embrulho e a abraçando-a – Draco disse que já está a caminho.

Sorrindo, Gina apresentou-a à sua mãe, e logo as duas passaram a conversar. Voltando para onde estavam os amigos, eles a olhavam sem entender.

- Quem é aquela mulher? – perguntou Colin.

- A mãe do meu... Ah, ele chegou!

Ela foi quase saltitando até o portão, onde recebeu duas pessoas.

- Parabéns, ruiva! – disse Blaise, enquanto a abraçava e lhe entregava um pacote.

- Que bom que veio, Blaise – disse ela, contente.

Olhou para Draco, pra quem sempre guardava o último momento. Ele sempre costumava dizer que as melhores coisas sempre são deixadas por último, por isso, sempre fazia esse gesto.

O abraçando, deu-lhe um beijo como se não se vissem há dias, quando havia se despedido algumas poucas horas atrás.

- Parem com essa indecência e vamos para a festa – disse Blaise brincando, enquanto Gina ria, e dava as mãos para Draco.

Ao chegar perto dos seus amigos, percebeu que Colin e Luna olhavam surpresos, e Neville, Simas e Dino tinham as varinhas em mãos.

- Abaixem essas varinhas – disse Gina, desolada. Seria sempre assim...?

- O que esses dois sonserinos fazem aqui? – perguntou Dino, ainda com varinha em punho.

- Pessoal, esse é Draco meu namorado – falou Gina – e Blaise, amigo em comum.

- E aí – disseram Blaise e Draco juntos, sem entonação na voz.

Os outros olharam surpresos, para os dois, sem saber o que dizer. Luna, com seu tom avoado, foi a primeira a falar:

- Bem vindos.

Olhando para a corvinal como se estivesse vendo um alienígena, Draco abanou a cabeça, dirigindo-se à Gina:

- Minha mãe já chegou? – recebendo uma resposta afirmativa, falou – vou falar com ela, já volto.

- E eu, vou atacar os doces – disse Blaise, sorrindo enquanto ia até a mesa do bolo.

Gina ficou sozinha com seus amigos, que ainda a olhavam chocados. Quando um deles ia falar algo, ela os cortou:

- Podem parar. Se for para falar que estou louca ou perguntar se estou enfeitiçada, parem por aí – disse secamente – já está um inferno com meus irmãos, não preciso que meus amigos hajam da mesma forma.

Eles engoliram em seco. Colin foi o primeiro a se pronunciar:

- Desculpa, Gina. É só que... É um choque.

Gina sorriu para eles.

- Com o tempo, se acostumam. Até meus pais não ligam mais.

Eles olharam para a Sra. Weasley, que conversava animada com Narcisa Malfoy.

- Suponho que sim. – disse Neville, ainda com um olhar surpreso na face. Draco voltou pouco depois, abraçando Gina por trás e dando-lhe um beijo de causar inveja, enquanto seus amigos olhavam embasbacados.

- Quer ver meu presente? – disse ele, animado. Parecia falar com ela como se não houvesse ninguém por perto, apesar de os amigos de Gina ainda olharem boquiabertos para o casal.

- O que você comprou? – perguntou a ruiva, curiosa. Havia dito para ele que não queria nada caro, para que não gastasse dinheiro.

- Feche os olhos – ela o olhou desconfiada – se não fechar, não vai receber.

Passando as mãos pelos olhos dela, Draco fez um sinal afirmativo para Blaise, que estava próximo ao portão. O moreno saiu e voltou alguns instantes depois levitando uma caixa enorme, maior que uma pessoa. As pessoas exclamavam de surpresa quando viam, e Gina começou a se remexer.

- O que é? Eu quero ver!

Draco deu uma risada. Quando Blaise depositou a caixa na frente dela, retirou as mãos. Gina olhou surpresa para o embrulho enorme.

- Mas o que é...? – começou a perguntar, mas ele negou com a cabeça.

- Puxe o laço – o loiro falou.

Sem esperar, Gina puxou, fazendo com que a caixa desmontasse no meio de uma fumaça e vozes conhecidas fossem ouvidas.

- Direto dos Estados Unidos...

- Do colégio mais famoso da costa leste...

- Para o aniversário de nossa amiga...

- Alunas de Northshore! – gritaram Maya, Cady e Gwen juntas, saindo do embrulho usando chapéus de festa e assoprando apitos.

- Parabéns! – disseram elas, uma a uma, enquanto abraçavam Gina.

- Como vocês chegaram aqui? – perguntou Gina, ainda surpresa – vocês disseram que não teriam como vir me visitar!

- Ah, mas o seu namorado chato nos convenceu – disse Maya, olhando para Draco.

- Pagou nossas passagens de ida e volta para que aparecêssemos aqui dentro de um embrulho – contou Cady.

Gina olhou para Draco, chocada. Ele sorria de forma inocente, como se não tivesse nada com aquilo.

- Então, quem é quem? – perguntou Gwen, olhando à sua volta – precisa nos apresentar aos outros.

- Claro! – disse Gina, após recuperar-se do susto inicial. Apresentou-as a seus pais, que pareciam tão surpresos quanto ela com o presente de Draco, depois a seus irmãos, e por último para seus amigos.

- Fiquem conversando com eles, enquanto eu agradeço pelo meu presente – disse Gina a Maya, afastando-se para falar com Draco.

Ao chegar perto, parou em frente a Draco, que a olhava na espera de algo.

- Obrigada, apesar de eu ter te dito que não queria que gastasse dinheiro em presentes – disse, vendo um sorriso se abrir na face de Draco.

- Eu não gastei diretamente – falou, com ar inocente.

- Como você sabia que o que eu mais queria é que elas estivessem aqui? – perguntou.

- Porque eu te conheço – disse ele, enlaçando-a pela cintura – e porque não consegui pensar em nada melhor para te dar.

Gina riu, enquanto puxava-o para um beijo. Aquela noite estava tão perfeita! E, enquanto beijava Draco, não viu quando Blaise abriu o portão para mais três rapazes, que entraram carregando instrumentos. Só percebeu quando ouviu uma nota sendo tocada na guitarra.

Olhou à sua volta e viu que Blaise e outros rapazes afinavam instrumentos; já havia uma bateria montada, assim como um teclado.

Olhou do palco improvisado para Draco, e ele limitou-se a falar.

- Seu presente ainda não acabou, ruiva.

Afastando-se, foi para onde estava a banda, sendo observado por todos os presentes com surpresa. Até mesmo Narcisa não esperava.

Suas amigas aproximaram-se de Gina.

- Ele sempre te dá um presente assim, né? – comentou Maya.

- Eu não me importaria de receber uma música em todas as datas comemorativas – comentou Cady.

Gina olhava com os olhos brilhando de emoção, enquanto Draco terminava de colocar um pedestal com um microfone.

- Boa noite, senhoras e senhores – disse ele, em seu ar arrogante, com sua voz sendo ouvida por todo o terreno – apresento agora uma música escrita para minha namorada, como forma de presente de aniversário. Espero que apreciem e, se não gostarem, quem se importa? O presente é para ela, não para vocês.

Gina riu, enquanto suas amigas gargalhavam. Os outros convidados estavam chocados demais para terem alguma reação. Olhando em volta, Gina viu que Hermione e Fleur prestavam atenção, enquanto os outros só... Olhavam, sem saber o que esperar.

A música começou, o teclado sendo tocado. Quando a voz de Draco começou a ressoar, os olhos dos presentes se arregalaram ainda mais e alguns ficaram boquiabertos.

I'd walk a thousand miles to you

(Eu andaria milhares de milhas para você)

If I had no other way

(Se não houvesse outra forma)

And tell you how I feel

(E te dizer como meu sinto)

If I could find the words to say

(Se eu conseguir encontrar as palavras para dizer)

Draco dizia tudo olhando diretamente para Gina, segurando o microfone com uma mão, gesticulando com a outra quando podia.

I'd build you up a temple

(Eu lhe construiria um templo)

Keep you safe inside

(Para manter você segura dentro)

When everything's upon you

(Quando tudo estiver em cima de você)

It will be you place to hide

(Será o seu lugar para se esconder)

And now with you I know

(E agora, com você eu sei)

Sometimes the very thing you run from

(Algumas vezes, aquilo do que você mais foge)

Is that thing you need the most

(É aquilo que você mais precisa)

Segurando o microfone com as duas mãos, cantou o refrão, suas emoções sendo sentidas por Gina em cada palavra cantada.

You know I'd die for you

(Você sabe que eu morreria por você)

These words I swear are true

(Essas palavras que juro são verdade)

Just when I'd given up

(Bem quando eu tinha desistido)

You showed me the meaning of love

(Você me mostrou o significado do amor)

There's nothing I won't do

(Não há nada que eu não farei)

I'd steal all the stars for you

(Eu roubaria todas as estrelas para você)

Just when I'd had enough

(Bem quando eu tinha o suficiente)

You showed me the meaning of love

(Você me mostrou o significado do amor)

Of love

(Do amor)

Olhou em volta, vendo sua mãe com lágrimas nos olhos, assim como Narcisa. As duas pareciam ser muito emocionais. Luna se balançava ao ritmo da música sorrindo, como se não se importasse com quem estava cantando.

I crossed all seven oceans

(Eu cruzei todos os sete oceanos)

And I fought a hundred wars

(E lutei centenas de guerras)

But through the sea of faces

(Mas através do mar de faces)

It was fate that brought me yours

(Foi o destino que me trouxe a sua)

I built these walls around me

(Eu construí essas paredes ao meu redor)

My heart safe inside

(Meu coração seguro dentro)

But your wave crashed upon me

(Mas sua onda caiu em cima de mim)

What was lost you helped me find

(O que estava perdido, você me ajudou a achar)

Once bittersweet and lonely

(Uma vez amargo e solitário)

Now I feel alive

(Agora eu me sinto vivo)

Seus irmãos estavam parados, chocados demais para se mexer, apenas observando, assim como seus amigos de Hogwarts. Seu pai observava tudo com um sorriso doce nos lábios, contente que sua filha tinha, sim, feito uma boa escolha.

You know I'd die for you

(Você sabe que eu morreria por você)

These words I swear are true

(Essas palavras que juro são verdade)

Just when I'd given up

(Bem quando eu tinha desistido)

You showed me the meaning of love

(Você me mostrou o significado do amor)

There's nothing I won't do

(Não há nada que eu não farei)

I'd steal all the stars for you

(Eu roubaria todas as estrelas para você)

Just when I'd had enough

(Bem quando eu tinha o suficiente)

You showed me the meaning of love

(Você me mostrou o significado do amor)

Suas amigas a empurraram em direção ao palco, e ela foi andando sorrindo, com lágrimas de felicidade em seu rosto.

I've opened my eyes

(Eu abri os meus olhos)

Let me in your light

(Deixe-me na sua luz)

I've run out of time

(Eu fico sem o tempo)

You keep me hanging on

(Você me mantém aprisionado)

You keep me hanging on

(Você me mantém aprisionado)

Parou bem em frente a ele, que olhava para baixo para continuar encarando-a, já que o palco improvisado era encima de uma das mesas. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas o sorriso não deixava seu rosto, enquanto ouvia os versos.

You know I'd die for you

(Você sabe que eu morreria por você)

These words I swear are true

(Essas palavras que juro são verdade)

Just when I'd given up

(Bem quando eu tinha desistido)

You showed me the meaning of love

(Você me mostrou o significado do amor)

There's nothing I won't do

(Não há nada que eu não farei)

I'd steal all the stars for you

(Eu roubaria todas as estrelas para você)

Just when I'd had enough

(Bem quando eu tinha o suficiente)

You showed me the meaning of love

(Você me mostrou o significado do amor)

Of love

(Do amor)

Ele se agachou, colocando seu olhar quase na altura do dela, antes de dizer a última frase da música.

Of love

(Do amor)

Colocando o microfone de lado, inclinou-se, encostando levemente seu lábios nos dela. Mas Gina não queria só isso. Puxou-o pelo colarinho para aprofundar o beijo, causando o desequilíbrio do loiro e o fazendo cair por cima dela.

As pessoas exclamaram aproximando-se, preocupados que eles tivessem se machucado. Mas os dois riam; Draco havia caído apoiando-se com os braços ao redor de Gina, evitando machucá-la. Enquanto riam, Gina o abraçou, finalmente o beijando-o. Não se importava que sua família inteira estivesse olhando, só queria que o loiro soubesse o quanto o amava. E se ele era capaz de fazer uma declaração na frente de tanta gente, por que ela não? Afastando suas bocas, disse bem alto:

- Eu te amo!

E Draco respondeu baixo, olhando em seus olhos, para que só ela ouvisse, mas quem estava próximo podia ler em seus lábios:

- Eu também te amo.

Narcisa e Molly, que olhavam a cena emocionadas, olharam uma para a outra, sorrindo.

- Seu filho é incrível – Moly conseguiu dizer, recebendo um sinal negativo de Narcisa.

- Não. Os nossos filhos são incríveis – disse a loira, voltando a olhar o casal.

E aquela noite foi a mais perfeita de todas para Gina. Suas amigas aproximaram-se, ajudando-os a levantar-se, enquanto Blaise ligava a caixa de som com músicas para animar a festa. Ela foi puxada por suas amigas, que iam dançando e a giravam junto. Blaise e Draco juntaram-se, e os dois casais ficaram dançando com as amigas, que logo puxaram dois rapazes da banda para acompanhá-las. Luna puxou Neville, realizando uma dança estranha, fazendo com que a ruiva risse ao ver os amigos.

Colin, que passava por perto, deu um aceno para o casal, comentando:

- Bela voz, Malfoy.

O loiro assentiu, e Gina poderia gritar de felicidade por seus amigos estarem aceitando seu namorado, independente de quem ele fosse.

Sentados em uma mesa mais afastada, estava Gui, Fleur e Carlinhos.

- Só um homem muito apaixonado pode cantar desse jeito – disse Fleur, que havia se emocionado com os versos cantados.

Os dois irmãos se olharam, e soltaram um suspiro juntos. Era uma batalha perdida, afinal. Quando Draco afastou-se das pessoas, indo pegar uma bebida, Carlinhos aproximou-se e estendeu a mão.

Olhando desconfiado, Draco colocou seu copo na mesa e estendeu a mão também.

O aperto do irmão era forte, mas nada que o loiro não aguentasse.

- Se magoar minha irmão de alguma forma, eu o matarei. – disse Carlinhos, mas havia um sorriso em seu rosto.

Com um olhar confiante, Draco só respondeu:

- Anotado.

Gui também se aproximou, estendendo a mão.

- Bem vindo à família Weasley, Malfoy. – falou, enquanto apertava sua mão.

Os gêmeos apareceram logo em seguida, repetindo o gesto. Porém, deram risadinhas ao final do aperto. Com cara de tédio, Draco retirou uma película de plástico da mão que utilizou no aperto, fazendo os dois o olharem incrédulos.

- Sua irmã me avisou dos seus truques – disse ele, de forma arrogante.

- Estraga prazeres – falou Jorge, dando as costas e afastando-se.

- Ela sempre estraga nossas brincadeiras! – completou Fred, seguindo o irmão. Gui e Carlinhos, que ainda estavam próximos, gargalharam ao ver a cena.

- Ao menos ele já aprendeu a lidar com a família – falou Gui, olhando para o loiro se afastar com um meio sorriso no rosto.

Narcisa estava conversando com um dos integrantes da banda, e Draco aproximou-se.

- Mãe, o que a senhora está fazendo?

- Oh, nada querido, só vendo algumas possibilidades – falou, dando um aceno para o rapaz, que se afastava – já que eu não tenho muito o que fazer, pensei em ser empresária de vocês.

- Mãe – Draco falou, olhando nos olhos dela – nós não vamos seguir carreira musical, tá? Faço isso apenas pela Gina.

Narcisa continuou sorrindo, enquanto dava um tapinha no ombro de Draco.

- Veremos – disse ela, afastando-se e indo falar com Molly.

Draco soltou o ar. Sua mãe conseguia ser mais teimosa do que ele. Olhou em volta e viu Gina acenando, e logo esqueceu-se de tudo ao abraçá-la.

Harry estava parado distante, encostado em uma das mesas com uma bebida nas mãos. Rony aproximou-se, encostando do seu lado. Ficaram em silêncio, antes do ruivo comentar:

- É... Você perdeu para um par de músicas melosas.

Harry sorriu.

- Eu sei. – ele assentiu – e eu não consigo cantar nem no chuveiro, logo, não tenho chances.

Seu amigo deu-lhe um leve soco no braço.

- As coisas vão se acertar pra você, cara.

Harry só sorriu de volta, sabendo que seus amigos lhe desejavam o melhor.

A festa de Gina chegava ao final. Se antes dela os Weasley tinham suas dúvidas em relação a Draco, agora pareciam estar convencidos de que Gina estava feliz ao lado dele. Aceitando a derrota, seus irmãos brincavam com ela como antes de conhecer o loiro. Seus pais estavam felizes em ver sua filha sorrindo daquela forma, e até mesmo seus amigos pararam de olhar desconfiados para o loiro. Aceitaram que ele era o motivo dela estar feliz, que não importava o sobrenome Malfoy, pois o loiro que ali viam em nada tinha haver com o que conheceram em Hogwarts.

As velas foram sopradas, os presentes abertos e o bolo cortado. Gina estava tão contente que tinha certeza que suas bochechas doeriam dia seguinte, de tanto que sorria. Draco não saía de seu lado, e ela o arrastava junto a cada passo que dava. Aos poucos, seus amigos foram se despedindo. Maya e Cady passariam a noite, mas Gwen iria com Blaise, prometendo voltar dia seguinte.

O jardim já estava vazio, e Draco passeava com Gina no meio da bagunça que havia ficado após a festa. Uma lua azul brilhava no céu, cintilante.

- Obrigada – disse Gina, parando e o abraçando – foi o melhor aniversário de todos, graças a você.

- Minha função é fazê-la feliz – disse ele, acariciando suas costas – e se eu não conseguir cumprir isso, seus irmãos podem manter as ameaças de morte.

Gina deu um risinho e o olhou, perdendo-se nos seus olhos cor de chumbo, tão prateados com o luar.

- Nunca vou me separar de você.

- Nem eu de você.

- Você pode... – ela parou, dando um sorriso tímido – pode cantar aquela música de novo? Só pra mim?

Assentindo com um sorriso no rosto, Draco cantou a música novamente, sussurrando a letra em seu ouvido e fazendo com que Gina esquecesse do mundo à sua volta. Os dois dançaram lentamente, mal mexendo seus corpos, guardando aquele momento em suas mentes.

Ficaram ali por um bom tempo depois de todos irem dormir, antes de se despedirem e Gina voltar para um quarto abarrotado com Maya e Cady dormindo esparramadas nos colchões improvisados no chão.

Ainda sorrindo, deitou-se, sabendo que manteria aquele sorriso durante toda a noite.

**fim do capítulo 9**


N/A: Aeeew! Mais um capítulo! Fiz esse bem grande, o que acharam?

Estou atualizando com pressa, desculpe por não dizer muito! Prometo q em breve trarei mais explicações!

Bjinhos!