A fic por enquanto tá sem beta... Portanto, qualquer assassinato da língua portuguesa ocorrido no texto abaixo, o erro é meu e somente meu!


Nada disso me pertence. Sou a mera aventureira no mundo mágico que é a escrita


Não fazia ideia de quanto tempo eu fiquei ali parada dentro do carro. A tempestade de verão que finalmente caia sobre Chicago dava menção às minhas lágrimas que incessantemente escorriam pelo meu rosto desde que falara com Edward ao telefone. Ele foi breve, e pediu que eu permanecesse ali mesmo enquanto viria me buscar.

Nas poucas palavras que trocamos, não pude avaliar bem sua reação quanto ao resultado do teste; não sei se pela rapidez da conversa ou se pelo fato de não poder me concentrar em nada além da dor que aquela notícia me dera.

Nós esperamos por longos anos o momento certo. Havíamos planejado tantas coisas apenas para a chegada deste bebê. Contudo, o destino fora absurdamente cruel conosco ao nos enviar algo que não esperávamos; algo que destruía nossos sonhos e me machucava da pior maneira possível.

Por mais insegura que estivesse antes de engravidar, no momento que soube que carregava outra criança em meu ventre, passei a amar e esmerá-la mais do que tudo. Ansiava o momento em que a colocaria em meus braços e veria seu rostinho enrugado e doce; o fruto do amor que meu marido e eu sentíamos um pelo outro. No entanto, algo... alguém... decidira que o ser que meu útero resguardava seria incapaz, deficiente... defeituoso enfim.

Não era justo que isso acontecesse comigo! Eu não podia ser a melhor pessoa do mundo, mas tinha certeza de que nunca tinha feito algo ruim para ser castigada com algo tão cruel que envolvia um filho meu. Naquele instante, eu apenas queria descontar toda frustração, raiva e iniqüidade em qualquer coisa; achar um culpado por essa punição injusta e apenas lhe questionar; por quê?

Se houvesse a possibilidade de encontrar um culpado... Se tivesse a chance de inquirir ao destino, ao carma ou até mesmo à Deus qual era o motivo de nossa família ser acometida de tal situação... Entretanto, não existia maneira alguma de que isso pudesse minimamente acontecer, e assim, tudo o que me restava era derrubar lágrimas por não haver ninguém que eu pudesse culpar.

Ninguém, além de mim mesma.

Afinal de contas, era o meu útero que estava gerando alguém da maneira errada.

Assustei-me com as rápidas batidas na janela do carro, porém logo fiquei mais calma – na medida do possível – quando percebi que era Edward do lado de fora. Fui rápida ao destravar a porta, ansiando pelo conforto de seus braços. Se havia alguma pessoa no mundo que poderia compreender meu sofrimento naquele instante era ele.

Ele estava encharcado por conta da tempestade, fazendo com que o terno que usava molhasse o couro do banco do carro. Os fios acobreados de seu cabelo estavam escurecidos devido à chuva intensa e algumas mechas grudavam-se â testa. Seria uma visão linda, se não fosse a dor explicita em seus olhos marejados.

Estiquei-me pelo console e abracei da melhor forma que pude. Ele me trouxe da melhor maneira contra seu peito,onde murmurava sem parar.

– Eu sinto muito, amor. Sinto tanto...

Edward sempre fora o meu porto-seguro em qualquer momento que precisei de consolo, embora naquele momento ao ouvir sua própria voz embargada, eu só me sentia ainda mais desolada. Parecia que escutar aquelas palavras vindas dele, desse a triste conotação de que isso estava de verdade acontecendo conosco.

Tudo o que eu pude fazer foi chorar como há muito não fazia. Nunca em toda minha vida eu havia passado por algo remotamente parecido; e talvez devido a isso, não sabia como lidar com uma notícia como esta.

Até então sempre me considerei a mulher mais sortuda na face da Terra; eu cresci em um lar estável, tinha encontrado o homem da minha vida e juntos, tínhamos um filho inteligente e saudável. Nunca me ocorreu que eu poderia ser vítima de algo assim, e tampouco tinha noção se saberia lidar com algo que pudesse arruinar de vez todos meus planos.

– Vamos, Bella. Vamos para casa.

Ele acabou voltando para a chuva na medida em que eu pulava para o banco do passageiro. Nem sequer me passou pela cabeça como Edward chegara até o estacionamento do hospital. De fato, eu estava grata por ele ter vindo, pois de maneira alguma eu tinha condições de conduzir até em casa com tudo o que se passava em minha cabeça agora.

O silêncio entre nós dentro do Volvo era estranho, porém nenhum de nós o quebrou. Tudo o que se ouvia era o zumbido do motor e o som das pás do limpador trabalhando incessantemente contra o pára-brisa. Enquanto isso, me encolhi contra o banco, recostando minha cabeça contra a janela. Eu não tinha forças de encará-lo neste momento. Por mais que quisesse saber o que ele estava pensando, não era corajosa o suficiente para lhe questionar. Principalmente porque eu tinha com um receio enorme de que ele, de alguma forma, me considerasse culpada.

Edward estacionou na entrada da garagem e resmungou algo incompreensível para o portão eletrônico que insistiu em não abrir. Saiu do Volvo e se dirigiu até o pequeno painel eletrônico, e notei-o usando uma força desnecessária ao digitar o código de segurança.

Como a chuva não havia dado trégua, eu receava que ela estivesse prestes a se transformar em uma tempestade de verão. Assim que o portão começou a se abrir, pulei de volta para o banco de motorista, e me concentrei na tarefa de estacionar o carro lá dentro. Quando consegui, sai do automóvel encarei Edward, que tentava tirar o terno ensopado grudado ao corpo.

– Mas que merda! – ele resmungou irritado.

Aquilo poderia ser cômico se não estivéssemos nesta situação. Eu poderia ter feito uma piadinha sem graça e ele rebateria com o dobro do sarcasmo. Contudo, a realidade era que eu percebi que suas próprias roupas eram a forma que ele havia encontrado para descontar a raiva e frustração que sentia.

– Edward, por favor, não...

Eu não sei o que ele viu em minha expressão, porém poucos segundos depois eu estava presa outra vez em seus braços. No entanto, notei que seu peito arquejava incontrolavelmente e que as gotas que molhavam o vão do meu pescoço não provinham somente da chuva.

Desde a morte dos seus pais, eu estava vendo Edward chorar outra vez.

E ali, juntos naquela garagem escura e abafada, nós nos entregamos a dor de ter todos os sonhos arruinados, ao saber que teríamos um filho excepcional.

[...]

– Mamãe?

Apesar da enorme dor de cabeça que eu sentia, abri meus olhos para ver o rostinho de Richie pairando sobre o meu. Seus olhos verdes me avaliavam com curiosidade e o pequeno vinco entre suas sobrancelhas demonstrava que também estava preocupado. Por mais difícil que fosse, lhe abri um sorriso, esperando que isto meio que o acalentasse um pouco;

– Você tá legal? – ele inquiriu, com uma expressão apreensiva.

Sentei na cama, puxando-o para o meu colo. – Sim, amorzinho. A mamãe está bem, mas só com um pouquinho de dor de cabeça. Como foi lá na casa dos gêmeos?

E foi só isso que bastou para que ele me contasse toda sua tarde de bagunça na casa dos amigos. E que me calhou muito bem, já que qualquer distração neste momento era mais do que bem-vinda. Então, se escutar meu filho falando sobre baseball, casa-de-árvores e bolos de lama era o único meio de não me lembrar do que havia acontecido no início da tarde, não ousaria reclamar em momento algum.

Relembrar o que havia acontecido era doloroso. Depois que Edward havia desabado na garagem, ele nos levou até o quarto, onde me fez tomar um calmante natural que pouco adiantou para minha situação. Deixou-me na cama e disse que iria tomar um banho, embora em momento algum ele tinha me olhado nos olhos, talvez por estar um pouco envergonhado por ter aparentado fraqueza ao chorar, algo que entendi como uma bobagem.

Nem sequer havíamos conversado corretamente sobre as conseqüências daquela descoberta em nossas vidas, porém antes que pudéssemos falar, acabei cedendo aos efeitos dos remédios, provavelmente por conta do cansaço emocional em que me encontrava.

E assim, o restante da tarde havia se passado, e a noite já se iniciara como constatei quando olhei de relance para o despertador no criado-mudo. Provavelmente, Edward tinha ido buscar nosso filho enquanto eu dormia, e ambos deveriam ter acabado de chegar, já que Richie permanecia com as mesmas roupas que eu havia lhe posto, no começo do dia.

Mas, mesmo que eu me esforçasse para parecer animada diante de todas as aventuras que ele me contava, não consegui enganá-lo por muito tempo. Por mais que eu assentisse e concordasse com tudo o que ele me dizia, Richie notou que havia algo de errado comigo. Ele sempre foi uma criança perceptiva demais e, não era pelo fato de ele ainda ser tão pequeno que tinha despercebido que alguma coisa me incomodava.

– O que foi, mamãe? Você tão estranha... Você viu meu irmãozinho hoje lá no hospital?

Imediatamente, travei sem saber o que dizer. Eu mesma ainda estava despreparada para lidar com a informação de que o bebê que crescia em meu ventre era portador da Síndrome de Down, quanto mais ter que explicar para alguém de seis anos que seu irmãozinho poderia nunca vir à nascer. Engoli em seco, buscando pensar em alguma maneira de lidar diante daquele impasse.

– Richard, eu não pedi para que você não incomodasse sua mãe?

Nos dois viramos nossa atenção para a porta a porta do quarto, onde Edward estava recostado contra o vão, Apesar de manter os braços cruzados sobre o peito, sua expressão era tranqüila. Para alguém que não o conhecesse tão bem quanto eu, poderia dizer que ele estava calmo, embora eu notava muito bem o seu olhar abatido e a confusão ainda maior nas mechas de seu cabelo, mostrando que ele havia passado as mãos por elas diversas vezes.

– Desculpa, papai. Eu só quis ver a mamãe, mas aí ela tava se mexendo e eu pensei que ela tava acordada... –, Richie balbuciou enquanto suas bochechas ganhavam um tom rosado.

– Tudo bem, amigão. – Edward respondeu, na medida em que adentrava lentamente no quarto. Ao se aproximar do nosso filho, ele bagunçou seu cabelo antes de colocar um beijo no topo da cabeça dele. – agora, porque você não vai tomar um banho, huh? Depois do jantar nos poderíamos jogar um pouquinho de Mario Kart..

No mesmo instante, Richie esqueceu qualquer preocupação comigo ou com o bebê. – Legal! – ele exclamou empolgado, seus olhos se iluminando apenas com a perspectiva de passar algum tempo brincando ao lado do seu pai.

Assim que ele havia saído do quarto, Edward sentou-se de frente para mim na cama. – Como você está? – ele questionou preocupado.

Dei de ombros, apesar de que indiferença era a última coisa que eu sentia naquele momento. – Você?

Ele se jogou de costas na cama e encarou o teto enquanto respondia. – Eu não sei... Eu ainda estou achando que irei acordar e ver que isso tudo foi só um pesadelo. – retrucou.

Encolhi-me ao seu lado, aninhando meu rosto em seu peito. – Eu me sinto do mesmo jeito. Não sei explicar direito, mas... isso não parece ser... real. De maneira nenhuma. – expliquei, sem conseguir impedir que algumas lágrimas acabassem rolando por minha face.

– Eu sei, Bella. Sinceramente, eu não sei como lidar com isso também. É como se nós tivéssemos tudo e de repente, alguém tivesse roubado nossa felicidade.

Tudo o que eu pude fazer era menear a cabeça em compreensão, Eu sabia que se eu tentasse falar mais alguma coisa, acabaria chorando outra vez, e isso era tudo o que eu menos queria neste momento.

Edward parecia tão abalado quanto eu. Não seria justo de minha parte que me deixar levar por minhas emoções quando ele mesmo também necessitava de conforto – muito embora eu mesma não fosse a fonte mais confiável para isso.

– Amanhã temos consulta com a Dra. Shelton, certo? – ele perguntou depois de um momento de silêncio.

Assenti outra vez. E mesmo que eu quisesse parecer forte por ele, não consegui disfarçar minhas inseguranças. – Você irá mesmo comigo, amanhã?

Senti seus lábios contra minha testa. – É claro que sim, amor. Nós vamos lidar com isso da melhor maneira possível.

Permanecemos assim por um tempo, até Richard voltar para o nosso quarto alegando que estava faminto. Somente a idéia de comer qualquer coisa fazia com que meu estômago embrulhasse. Inventei uma desculpa para fugir do jantar, porém Edward convenceu-me a comer, já que estava a muito tempo em jejum. Bastaram apenas duas frases para que ele me persuadisse para isso.

– Por favor, baby. Nós precisamos manter as aparências. Pelo bem de Richie.

E por conta deles, eu me obriguei a ingerir qualquer coisa, mesmo que o sanduiche natural parecesse mais três refeições completas para o meu organismo. Os meninos se contiveram com uma pizza congelada e refrigerante mesmo que no final da refeição, Richard retrucou um pouquinho que "as que entregam em casa" serem mais gostosas.

A presença de nosso filho foi a melhor coisa que poderia acontecer para nós dois. Seu jeito engraçado, o sorriso fácil e a contagiante alegria dele fez com que Edward e eu esquecêssemos momentaneamente tudo relacionado à gravidez. Somente Richie foi capaz de me fazer rir, depois de um dia tão tenebroso como aquele. Suas risadas enquanto brincava com o pai, foi o acalento que meu espírito precisava.

Todavia, o momento de levá-lo para cama tinha chegado rápido demais. Apesar de ser o período de férias dele, sua hora de dormir já havia passado e só eu saberiam qual seriam as conseqüências disto tanto no seu humor quanto na sua disciplina no dia seguinte. Com um beijo na face, Edward e eu havíamos lhe desejado boa noite, e magicamente, segundo depois Richard já estava dormindo profundamente.

Juntos, fomos para o nosso quarto e apesar das milhares de coisas para discutirmos sobre o que faríamos a partir de agora, ninguém ousou quebrar o silêncio. Afinal, nenhum sabia muito bem o que dizer para o outro. Ele foi até o closet enquanto eu segui para o banheiro, me preparar para dormir.

Já na bancada, não pude evitar analisar meu reflexo no espelho. Talvez não houvesse nada de tão diferente em minha aparência, mas eu percebia nitidamente todas as transformações; os pequenos sinais de que eu estava carregando alguém em meu ventre – e não falo pelo meu rosto inchado, o que provavelmente era culpa de todo o choro durante a tarde. Meus cabelos estavam mais oleosos que o normal, os seios maiores e a barriga, apesar da discreta proeminência, era rígida como pedra.

Era tudo tão confuso para mim! Parecia que fisicamente tudo estava dando certo, embora hoje eu tivesse descoberto que havia falhado em algum momento. Fiquei encarando minha imagem, como se ela tivesse a resposta para todas as minhas dúvidas. Como se aquela Bella espelhada à minha frente, pudesse me dizer o que fazer daqui para frente.

Perdida em minha própria concentração, não percebi Edward entrando no banheiro. Somente quando nossos olhos se encontraram pelo espelho, percebi como nossos semblantes eram parecidos naquele instante. Cheio de receios, apreensivos... vazios.

– Nós vamos superar tudo isso, baby. – ele afirmou, vindo me abraçar pelos ombros, – Vamos passar por isso, como sempre: juntos.

Meneei a cabeça afirmativamente, enquanto me recostava ao seu peito. Seus dedos permaneceram acariciando a pele do meu braço, tentando passar a segurança que eu tanto precisava.

Permanecemos naquela posição por algum tempo, até que ele me arrastou até nossa cama. Enquanto esperava cair no sono, Edward continuou com seus afagos carinhosos em meus cabelos, pescoço e costas, sussurrando sempre palavras onde afirmava que tudo daria certo para nos dois no final. Aos poucos, todo o esgotamento daquele dia me sucumbir, e finalmente senti o estupor da inconsciência dominando minha mente.

Porém, antes de me entregar totalmente a letargia, não pude deixar de perceber um pequeno detalhe, que parecia fazer alguma diferença ali. Uma sensação agridoce me tomou quando me dei conta disto.

As mãos de Edward, que sempre foram ávidas para descansar sobre meu estômago desde quando ele soube que eu estava grávida, em momento algum, haviam tocado em minha barriga.

[...]

O dia seguinte foi uma loucura. A noite mal dormida devido aos pesadelos desconexos que me atormentaram fez com que eu ganhasse uma dor de cabeça insuportável ao longo do dia.

Eu ainda tinha esperanças de que quando acordasse, tudo não tivesse passado de um sonho muito ruim. Que o calendário me mostrasse que hoje ainda fosse Quinta-feira e que à tarde, quando fosse pegar o exame tudo não tivesse passado de um susto. No entanto, bastou apenas verificar a data no despertador para que eu tivesse que encarar a dura realidade outra vez.

Também não pude deixar de perceber o vazio ao meu lado na cama. Sem contar que os lençóis estavam quase da mesma maneira que na noite passada, um gesto atípico de Edward que costumava bagunçar todas as cobertas durante o sono. Aquilo era uma prova de que ele não havia passado muito tempo ao meu lado após eu ter adormecido.

Levantei-me e me arrumei para começar o dia, mas me mantinha intrigada pela ausência de Edward. Procurei-o no quarto de Richie, no seu escritório e na cozinha, porém não havia nenhum sinal dele em cômodo algum. Eu já estava começando a me preocupar quando pela minha visão periférica vi um movimento vindo da varanda.

Abri a porta devagar e encontrei Edward encarando um ponto fixo além do nosso quintal, ainda vestindo as mesma roupas de ontem a noite. Pela confusão ainda maior que eram seus cabelos e pelos círculos roxos proeminentes de suas olheiras, notei que ele havia passado a noite em claro. Contudo o que mais me surpreendeu naquela cena foi uma carteira de Malboro pela metade e cinzeiro lotado sobre o centro.

– Edward, o que você está fazendo? – perguntei estupidamente.

Momentaneamente, ele pareceu assustado quando me viu. Xingou algo baixinho e dispensou o cigarro ainda pela metade. – Desculpe – murmurou sem jeito –, não consegui dormir essa noite e eu estava... bem, você sabe... Acabei cedendo ao vício.

Na adolescência quando nos namorávamos, eu sabia que Edward, em seus plenos dezoito anos, havia fumado um cigarro ou outro, porém quando nos reencontramos em Chicago, descobri que aquilo havia se tornado um hábito comum para ele. Apesar de o odor me incomodar, era tola demais e nunca me atrevi a mudar esse costume dele, até porque eu mesma achava aquele ato sexy demais.

Ele meio que foi forçado a largar o vício quando eu fiquei grávida de Richie. Afinal de contas, nós vivíamos em um apartamento mínimo e qualquer inalação daquela fumaça tóxica poderia fazer mal ao bebê. Por isso, quão foi a minha surpresa ao vê-lo depois de tantos anos com um cigarro entre os lábios outra vez.

Encarei-o atônita por um momento sem saber ao certo o que dizer. Lógico, havia motivos de sobra para que ele voltasse a usar o cigarro como uma forma de amenizar sua ansiedade, entretanto aquela atitude dele me incomodou de uma forma que nem eu mesma saberia explicar exatamente o por quê.

– Desde quanto você está fumando? – inquiri receosa.

Eu não havia percebido o cheiro da nicotina impregnado nele, então provavelmente, era algo recente, contudo não pude deixar de questioná-lo sobre isso.

Ele deu de ombros. – Alguns dias, eu acho.

– Porque voltou, depois de tanto tempo?

– Eu precisava disso, Bella. Algo para extravasar. Alguns usam a bebida, outros o sexo... e eu voltei a fumar. Não é grande coisa.

Não pude deixar de rebater. – É sim, Edward! Principalmente quando você tem um filho que o tem como exemplo!

Ele riu, mas não havia humor algum – Como se eu fosse fazer isso na frente dele... Eu não sou nenhum idiota, Isabella.

– Ah não? Particularmente eu acho a maior idiotice do mundo você ter voltado a estragar seus pulmões com essa porcaria, só porque estamos com problemas!.

– Quer dizer então que só quem tem o direito de ficar mal por saber que terá um filho doente é você?, – Edward rebateu duramente. – Você pode ficar cabisbaixa e chorando a noite toda, enquanto eu não tenho o direito de fumar a porra de um cigarro?

Suas palavras apesar de machucarem, despertaram também raiva. – Pelo menos chorar não é algo estúpido como inalar esse veneno. – antes entrar na cozinha, eu completei – E me desculpe se minhas lágrimas lhe incomodaram tanto. Eu só queria o apoio do meu marido.

Bati a porta com força desnecessária quando voltei para dentro. Odiava que meus canais lacrimais tivessem ligação direta com qualquer alteração em meu humor. Portanto, tentei a todo custo não chorar outra vez, querendo estupidamente não demonstrar quão fraca eu era.

Não imaginei que Edward fosse agir tão estupidamente comigo, principalmente depois do que nós havíamos passado ontem. Hoje teríamos mais uma consulta com a obstetra, onde iríamos decidir o que fazer daqui para frente, Minha mente estava um turbilhão de receios, sem saber ao certo o que pensar. Portanto, eu contava com meu marido e que juntos decidiríamos umas das coisas mais importantes de nossas vidas. Em hipótese alguma imaginei que as primeiras horas daquele dia iniciariam com uma discussão estúpida, que não nos levaria a lugar algum.

Escutei a porta voltando a se abrir, mas me recusei a virar o rosto para encará-lo. Talvez porque a mágoa fosse evidente, ou porque era orgulhosa demais para que ele me visse quase chorando outra vez.

Mesmo de costas, eu podia sentir as ondas de sua raiva direcionadas a mim. Ele não falou absolutamente nada enquanto atravessava a cozinha, indo em direção ao seu escritório, onde permaneceu o restante do tempo.

Uma ótima maneira de se começar justo este dia.

Também fui soberba demais e não quis dar o braço a torcer indo falar com ele. Durante o restante do dia, segui minha rotina da melhor maneira que pude. Com toda a bagunça emocional de ontem, eu tinha deixado de lado algumas coisas relativas à casa, por isso, me aprofundei nessas tarefas.

Já nem sabia mais se Edward iria comigo até a médica, mas de antemão já tinha acertado os últimos detalhes com a babá de Richie. Em hipótese alguma eu deixaria que a tensão que se estendeu ao longo daquela manhã entre nós dois afetasse de alguma forma o meu filho.

Cedo demais, havia chegado a hora de me arrumar para a nova consulta com a Dra Shelton. Minhas dúvidas e indecisão pareceram aumentar exponencialmente na medida em me arrumava diante do espelho. Somente alguns minutos me separavam da enxurrada de emoções que provavelmente eu sentiria outra vez quando chegasse àquele consultório.

Eu estava quase terminando de arrumar a bagunça que era o meu cabelo, quando Edward pareceu à porta do nosso quarto, aparentando estar ainda mais exausto. Apesar de ter tomado um banho e trocado de roupa, sua barba permanecia por fazer e seu cabelo parecia uma bagunça ainda maior do que aquela que vira no começo do dia.

Depois de passar algum tempo protelando, ele começou. – Baby, me desculpe. Eu não quis dizer aquilo com você. – como eu permaneci calada, ele continuou – Acho que não estou sabendo lidar muito bem com isso e...

– E por acaso você acha que eu sei, Edward? – interrompi seu discurso, finalmente me virando para fita-lo. – Acha que é fácil saber que meu filho é doente e que eu não posso fazer absolutamente nada por ele?

– Eu me sinto da mesma forma, Bella.

Tentei acalmar meus nervos ao respirar fundo. Ambos estávamos na mesma situação, porém ao invés de nos unimos tínhamos arrumado uma briga que não nos levaria a lugar algum. Por mais que me irritasse com suas atitudes, tentei levar em conta que Edward precisava também descarregar toda a frustração que o atingia também.

– Olha Edward, – comecei devagar, tentando soar mais centrada possível. – Eu não quero brigar com você justo hoje. Nós temos várias coisas mais importantes para discutirmos.

– Eu concordo plenamente. – ele enfatizou

– Ótimo. – comentei ao terminar de prender meu cabelo em uma trança. – Você vai comigo?

Seus olhos faiscaram com algo que parecia ser aquela irritação outra vez – É óbvio que sim.

– Então apresse-se. Ou você vai mesmo para algum lugar com o cabelo deste jeito.

Apesar de tudo, o meu comentário bobo o fez sorrir um pouco, mesmo que não tenha alcançado seus olhos. Foi rápido ao escolher algo para vestir e tentar domar um pouco as mechas rebeldes, mesmo que isso não tivesse surtindo efeito.

Antes de sairmos do quarto e seguir em diante com nossos planos, Edward me surpreendeu ao segurar minha mão e me puxar para um abraço.

– Me desculpe, amor. Eu não queria que você descobrisse que eu voltei com o cigarro, principalmente hoje. É tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que... – ele suspirou alto, como se procurasse as palavras certas para dizer –, talvez eu tenha usado isso como válvula de escape. Você tem toda razão em estar decepcionada comigo.

– Não estou decepcionada, Edward. Surpresa, sim, mas eu acho que te entendo. Enfim, nós dois não contávamos com isso em nossos planos.

Ele me abraçou mais forte contra seu peito,– Mas isso não muda nada, baby. Nós vamos dá um jeito nisso. Juntos.

Ele ergueu meu rosto e me beijou docemente nos lábios. Apesar da brevidade do toque, bastou somente isso para que, pelo menos naquele instante, eu pudesse encontrar o acalento que tanto ansiava.

Ao descemos, nos despedimos de Richie que parecia um tanto irritado por ter que ficar em casa. Edward me puxou até a garagem e eu tremi quando relembrei das cenas que ocorreram ali na tarde anterior. Forcei-me em seguir adiante, sem deixar transparecer a ele o meu desconforto,

Apesar do trajeto tranqüilo, não houve muitas conversas entre nós dois. Ambos não estavamos com humor para encher o silêncio com conversas fúteis quando havia algo mais enorme para ser considerado, e assim, cada um permaneceu com suas próprias reflexões a cerca do que faríamos.

Talvez essa fosse uma atitude errada, levando em conta que teríamos que tomar qualquer decisão em conjunto, contudo, eu ainda estava temerosa que Edward começasse a me culpar de alguma forma pelo que havia acontecido com nosso bebê. Por mais tolo que esse tipo de pensamento pudesse parecer, não conseguia evitar meu receio quanto a isso.

Quando Edward estacionou em frente ao hospital, ele não abriu a porta de imediato como de costume. Ele voltou-se levemente em minha direção e puxou uma das minhas mãos que permanecia em meu colo.

– Bella? –, assim que mi virei para fita-lo, ele continuou – Eu não faço idéia do que teremos que fazer agora, mas... quero que você saiba que estaremos sempre juntos, não importa o quê.

Tudo o que eu consegui fazer foi menear minha cabeça afirmativamente, sem consegui segurar uma solitária lágrima que rolou pela minha face. Em resposta, ele me sorriu tristonho e se inclinou levemente sobre o console para beijar minha testa. Depois disso, partimos finalmente para a consulta, receosos e sem termos noção do que poderia vir a partir dali.

Esperar até sermos atendidos foi doloroso para mim. A sala de espera daquela obstetra era o retrato da felicidade com todas aquelas futuras-mamães exibindo orgulhosas suas barrigas não importa quão avançadas fossem as gravidezes. Por mais egoísta que fosse, eu não pude deixar de sentir inveja por elas, afinal, pelo visto nem uma delas teve o azar de ter um filho cujo o futuro era incerto. Atrevia-me a dizer que até a minha própria gestação era incerta.

Ao sermos finalmente chamados, Edward e eu seguimos de mãos dadas até a sala. Mal parecia que no começo da semana nós dois estivemos ali em circunstâncias completamente diferentes, onde esperávamos apenas que pudéssemos sair dali com boas noticias e a primeira imagem do nosso bebê.

A médica nos olhou com uma expressão contemplativa quando entramos no consultório. – Sinceramente, eu gostaria de poder lhes dizer algo reconfortante, mas creio que não existam palavras para isso.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Edward falou – Sinceramente, eu não entendo, doutora. Eu andei pesquisando sobre isso e vi que essa... coisa... ocorre quando os pais têm idades avançadas. Então, porque justo conosco? Bella nem sequer tem 30 anos... porque?

Eu não sei se fiquei mais surpresa pelo questionamento repentino de Edward ou pelo fato de ele ter pesquisado sobre a Síndrome de Down. Eu meio que me senti estúpida por não ter feito algo parecido ao preferir me afundar em minha amargura.

– Não existe nada comprovado quanto a isso, Sr. Masen. É obvio que alguns estudos mostram que pais com idade superior a 35 anos, têm mais chances de terem um bebê Down. Mas isso é muito relativo, há casos exatamente como o de vocês, que possuem a faixa etária corresponde justamente com o índice de menor risco,

– Ah, tudo bem então, Nós dois fomos os azarados, certo? – rebateu ele com humor-negro.

Apesar das palavras críticas de Edward, a Dr, Shelton não se deixou abater. – Isso depende de que exatamente você classifica como azar. Como eu falei anteriormente, o bebê pode ter um desenvolvimento normal e...

– Essa gravidez não é normal doutora. É um erro genético. E até onde eu sei, retardo mental, problemas cardíacos e ataques epiléticos não podem ser considerados algo comum.

– Eu sei que você deve ter encontrado uma enxurrada de informações relevantes, embora nem todas as crianças portadoras possuam exatamente todas estas características. – a médica explicou pacientemente, – É assustador, eu sei, mas com acompanhamento, estas crianças podem se desenvolver como qualquer outra.

Edward rebateu, firme em suas palavras – Eu não creio tanto nisso. Sem contar que alguns não sobrevivem sequer ao primeiro ano. No final das contas, é apenas um desgaste para os pais que pode acabar sendo em vão.

Eu queria poder falar alguma coisa, porém a forma enlevada que os dois debatiam o tema fez com que eu me calasse, Ambos eram tão firmes em suas próprias convicções que seria fascinante de se assistir – caso isso não envolvesse a minha própria gravidez.

Depois de respirar profundamente, a Dr. Shelton continuou – Pelo visto, vocês já têm a opinião formada do que pretendem fazer. Querem fazer isso ainda hoje? Por que será necessário prepararmos a sala e que assinem o termo responsabilidade.

Naquele instante, não me permiti mais ficar calada. – Que procedimentos?

A médica me encarou confusa – Os procedimentos para o aborto, Bella. Não é isso que você quer?

Aquelas me palavras me pegaram de surpresa. Era isso mesmo que eu queria?

Virei-me para Edward, mas ele me fitava tão confuso quanto a Dr. Shelton. O vinco entre suas sobrancelhas que havia se firmado ali desde ontem, pareceu aumentar a medida que ele me olhava de volta. – O que houve, baby?

– Pelo visto, vocês não conversaram sobre isso entre si, certo?

Nenhum de nós respondeu aquela pergunta. Simplesmente continuamos a nos olhar, tentando adivinhar o que havia na mente do outro.

Ela nos encarou categoricamente. – Vocês deveriam saber que está é uma decisão irreversível. Que precisa ser bastante repensada, até porque envolve muito do psicológico de vocês. – com último olhar repreensivo, ela afirmou, – Antes de qualquer coisa, vocês deveriam ter conversado.

Senti minhas bochechas esquentando, enquanto Edward, como qualquer outro bom advogado, tentava se justificar. – Não foi fácil para nós, doutora. Saber que o filho que você tanto esperava é doente, não é algo que seja fácil de encarar. Sem contar que foram menos de 24h para que tomássemos qualquer decisão...

– Isabella, você gostaria de falar alguma coisa.

Engoli em seco, me sentindo uma garotinha que tinha acabado de ser flagrada fazendo algo errado. – Eu me sinto... confusa com tudo isso.

Dr. Shelton se recostou a cadeira e entrelaçou os dedos, pousando-os em seu colo. – Eu posso imaginar o quanto é difícil encarar uma situação como esta. Porém, eu necessito que vocês conversem sobre todas as hipóteses que têm em mãos. Dialoguem, avaliem os receios um do outro antes de tomarem qualquer decisão. Ambos precisam ficar unidos quanto a isso.

Edward não aparentou resignação ou qualquer coisa nesse sentido. Na verdade, ele só parecia estar tão derrotado quanto eu. Nós havíamos apenas sido estúpidos demais para chegarmos ao consultório sem termos conversado absolutamente nada anteriormente. Acho que ele pressupunha que minha opinião sobre o aborto já estava formada, entretanto, havia tantas coisas para se considerar primeiro.

Eu não era idiota. Talvez, a atitude mais sensata a se fazer seria mesmo desisti daquela gravidez. Mas, só de imaginar um filho meu sendo retirado do meu corpo com meu consentimento... Por mais que estivesse carregando um ser ermo, sem possibilidade alguma de desenvolvimento, sentia uma dor apenas com a idéia de não abrigá-lo mais em meu ventre.

– Nós ainda temos tempo para falar sobre isso, certo? – meu marido questionou, – Alguns dias não fará tanta diferença se por acaso nós decidirmos sobre... bem... . – ele abaixou a voz, mas as meias palavras foram suficientes para que eu compreendesse

A médica permaneceu séria enquanto respondia. – Não Edward. Lógico, que se você decidirem mesmo pelo aborto, o melhor será realizá-lo antes da 20ª semana, para que não haja nenhuma complicação.

Eu queria ter forças para expressar minha opinião e expor meus anseios, todavia, o nó preso em minha garganta impedia que eu comentasse qualquer coisa. Eu tinha medo de acabar chorando do mesmo jeito que tinha acontecido na tarde anterior.

– Eu separei algum material que tinha arquivado sobre a Síndrome de Down. Pelo que vejo, vocês ainda possuem dúvidas sobre o assunto, especialmente você, Isabella. – ela puxou algumas revistas e vários informativos de uma das gavetas de sua mesa. – Creio que uma lida neste material valeria à pena antes de optarem por qualquer coisa.

Peguei o material das mãos da médica e perguntei. – Quando é que devo ligar dizendo qual foi nossa decisão?

– Na verdade, vocês têm livre arbítrio quanto a isso. Logicamente, o quanto antes resolverem, melhor. Além desses informativos, eu poderia sugerir um psicólogo especializado em crianças especiais e...

Edward a interrompeu abruptamente. – Não é necessário, doutora. Creio que essas revistas e a Internet sejam mais do que suficiente para nós.

Ela deu de ombros levemente, – Tudo bem, – se voltando especificamente para mim, ela acrescentou. – só não esqueça nesse meio tempo, Isabella, de continuar com as vitaminas pré-natais e com o calmante que lhe receitei quando achar necessário.

Assenti levemente, – Eu irei, doutora.

Nós saímos do consultório com a promessa que teríamos nossa decisão até o final da próxima semana; acho que tempo suficiente para refletir sem causar efeitos colaterais caso eu viesse...

Só de imaginar essa possibilidade, meu peito se apertada insanamente. Depois de semanas de tanta felicidade, me imaginando outra vez com um recém-nascido em meu colo, era difícil demais aceitar que tudo isso não passou de um desejo; um sonho o qual não poderia mais ser realizado.

O silêncio durante a viagem de volta era insuportável. A tensão no carro era obvia, contudo nem um de nós dois ousou falar qualquer coisa. Permanecemos cada um preso em suas próprias reflexões, sem coragem para perguntar qual era a opinião do outro – apesar de já ter uma vaga idéia do qual era o desejo do meu marido.

Apenas quando Edward virou a esquina da rua em que morávamos, ele ousou falar alguma coisa.

– Mais tarde, depois que o Richie estiver na cama,– ele começou – eu acho que devemos conversar.

Eu sabia que isso era necessário, mas não pude evitar a forma ensandecida que meu coração trovejou em meu peito.

– Tudo bem. – foi tudo o que eu consegui balbuciar.

– Vamos tentar ser racionais e analisar a situação por todos os ângulos. Avaliar os prós e os contras, nos baseando nessas revistas e nas pesquisas que eu fiz ontem de madrugada. E então, decidimos.

Eu não sei o que aconteceu comigo, mas aquelas palavras me fizeram explodir.

– Ah, é claro Sr. Praticidade! Como se tudo fosse absolutamente fácil, não é?

Edward ficou momentaneamente abismado com minha reação. – Baby... eu sei que é complicado, mas é exatamente assim que precisamos ser.

– Analisando a situação? Baseando nos dados? Droga, Edward nós estamos falando de uma gravidez complicada, não de um dos seus casos!

Edward parou bruscamente na entrada da nossa garagem e voltou-se para mim com seus olhos inflamados de raiva.

– Por acaso, acha que isso é simples para mim, Isabella? Você sabe mais do que ninguém o quanto eu queria outro filho!

– Não importa, Edward! Nós estamos falando de alguém inocente aqui.

– É... Alguém nem sequer pode raciocinar direito!

Antes que o choque por aquelas palavras me tomasse por completo, Edward continuou. – Olha Bella, aqui não é nem hora nem local para discutirmos isso. Vamos lá para dentro. Richie é nossa prioridade agora. E ele está esperando por nós.

Com isso, ele pegou todo o material que havíamos recebido na consulta do porta-luvas, abriu a porta e pulou do carro com rapidez, e ao fechá-la de volta, o barulho fez com que eu me assustasse. Edward caminhou decidido até à porta, onde nosso filho o esperava ansioso.

Eu não sabia o que pensar em relação ao comentário taxativo de Edward; Alguém nem sequer pode raciocinar direito. Como mãe,era difícil associar meu filho a alguém que não poderia pensar, brincar, desenvolver... viver, enfim. Era como se ainda houvesse esperança em mim de que aquele serzinho crescendo em meu ventre pudesse ser normal.

Mas os testes comprovaram tudo. Meu bebê seria alguém que iria requerer cuidados e atenção pelo resto de sua vida. Vida que, dependendo de outros fatores, poderia até nem ser tão longa assim. Nosso futuro, caso eu decidisse manter essa gestação, poderia ser incerto, recheado de visitas à hospitais, especialistas... Todo um desgaste em busca de um mero conforto, já que cura para Síndrome de Down era algo impossível.

Do carro, eu assisti Edward colocando Richard no colo, comentando alguma coisa que o fez sorrir. Ao vê-lo tão cheio de mimos com nosso pequeno, era impossível imaginar que ele tinha acabado de fazer aquele comentário sobre o nosso outro bebê.

Suspirei pesadamente, afim de amenizar a dor de cabeça que já se intensificava. Eu precisava ser forte e fazer exatamente o que Edward havia feito. Eu precisava esquecer tudo isso por ora, pelo meu próprio bem. Afinal, meu marido mesmo havia enfatizado diversas vezes que Richie não poderia ser prejudicado com essa situação.

Caminhei devagar, afim de que melhorar meu humor por conta de Richard. Ele não merecia ver que seus pais estavam tensos e apreensivos. Cheguei a conclusão Da mesma forma que Edward nunca fumaria na frente do nosso filho, eu também não deveria ficar cabisbaixa ou melancólica. Afinal, não podia jogar toda responsabilidade em meu marido; eu também era um exemplo para Richie.

Quando cheguei ao hall de entrada da casa, algo no canto chamou minha atenção. Aproximei-me e só então eu pude notar qual era o verdadeiro significado por trás daquelas palavras de Edward:

Os folhetos e as revista sobre a Síndrome de Down que recebemos, estavam jogados na pequena lixeira perto do closet. Nem sequer havia se dado ao trabalho de guardar tudo aquilo para que lêssemos mais tarde.

As risadas altas dos dois vindo da sala de estar provocou um arrepio em minha espinha.

"Richie é nossa prioridade agora"

Com lágrimas nos olhos, eu dei por mim que o bebê que estava em meu ventre já não significava absolutamente nada para o meu marido.


Olá pessoas!

Gente, eu fiquei feliz demais e extremamente surpresa com cada uma das reviews de vocês no capitulo anterior! Me deixaram muito feliz, de verdade. Ver a opinião de vocês – positiva ou não – em relação a gravidez de uma criança excepcional faz com que eu me motive ainda mais para escrever cada vez mais.

Espero que a o longo dessa fic, nós possamos quebrar juntas os tantos paradigmas que existem em relação a SD.!

Sem muito pra falar, porque eu ainda tenho duas fics pra betar e um bônus pra escrever! Ohmedeuohdeuohmeudeu...

Um ótimo inicio de mês para todas nós!