Capitulo 10: Marauder
James estava levando a bandeira Norte-Americana para ser colocada em seu mastro quando Sirius lhe fez um sinal.
- Não vai adiantar, Pontas – Sirius lhe estendeu a luneta – É o navio do Riddle, Death Queen, o Rainha da Morte.
- Tem certeza? – James empalideceu.
- Conheço de longe o navio do miserável. Bem, você devia estar satisfeito, já que não vamos ter de ir até o Caribe procurá-lo.
- Mas preferia enfrentá-lo em outras circunstâncias. Primeiro temos duas velas arruinadas e depois, uma mulher a bordo. – James sabia que se perdesse a batalha, Riddle faria barbaridades com Lílian, julgando que ela era a mulher do capitão.
- Pontas, colocaram a bandeira Jolly Red. - Remus se aproxima e comunica ao amigo
- É, de fato Riddle não vai nos deixar passar sem lutar. - Sirius sorriu de modo maroto.
- Soe o alarme, Aluado. Vamos à luta. – avisou o capitão.
- Encarrego-me do leme – Sirius se ofereceu – Se eu fosse você, Pontas, deixaria Riddle descobrir neste minuto que Marauder não morreu. Ele pode mudar de ideia e nos deixar seguir em paz. Até ele deve temer alguma coisa.
James procurou avaliar a sugestão. O que importava se Riddle descobrisse que Marauder e o Lobo do Mar eram a mesma pessoa? O preço pela cabeça de Marauder era quatro vezes a que ofereciam pelo Lobo do Mar.
- Se eu fizer isso, Lílian vai descobrir quem somos.
- Imagino que os tubarões não vão se importar com nossa identidade quando estiverem fazendo a sua refeição. E você já pode imaginar o que Riddle vai fazer com a sua mulher. Melhor cortarmos logo a cabeça da ruiva para lhe evitar uma dor muito maior depois.
Sirius estava certo, James pensou. Riddle não pouparia a vida de Lílian e faria barbaridade com ela antes de matá-la.
Levou um minuto olhando seus homens correndo pelo convés, eram bons marujos e alguns tinham família.
Observou Remus e Sirius e suspirou, seus amigos não mereciam morrer nas mãos de Riddle. Precisava proteger seus fiéis companheiros.
- Seja Marauder, Pontas. – Sirius exclamou impaciente.
James sabia que não tinha outra escolha. Seguiu mais uma vez para sua cabine. Abriu a porta e parou espantado diante do que viu.
Lílian segurava na mão a bandeira de Marauder.
- Por favor, capitão – ela murmurou com a voz trêmula – Me diga que ganhou esta bandeira derrotando o pior dos piratas.
Seria tão bom se James pudesse mentir. Marauder era um dos mais temidos piratas de todos os tempos. Somente Black Jack Sirius rivalizava com ele. Mas isso era coisa de seu passado.
Sem explicação, James tirou a bandeira das mãos de Lílian.
- O que vai fazer com ela? – Lílian perguntou
- Vou salvar os nossos pescoços. – E com esta simples frase, ele saiu da cabine e voltou ao convés.
Ooooooooooooooo
O coração de Lílian parecia querer sair do peito. O seu Lobo do Mar, seu nobre pirata e herói, nada mais era do que um pirata assassino. Um dos mais sanguinários piratas de todos os tempos.
- Ele é Marauder – ela murmurou baixinho, sentindo as pernas fraquejarem.
- Está tudo bem, Srta. Evans – Peter falou com naturalidade, ajudando-a a se sentar antes que caísse.
- Está tudo bem? – repetiu sem acreditar no que ouvia – Como está tudo bem? Tiago James Potter é um pirata sanguinário, assassino sem coração. – O olhos dela se arregalaram compreendendo finalmente a realidade - E você também é um pirata desse tipo, Peter, daí vem o nome Marauder, de Marotos, vocês... – Lílian estava branca.
- Mas não é como a senhorita julga – Peter defendeu-se, ruborizando.
Mas é claro que era.
"Meu Deus" , pensou Lílian assustada "Não estou a bordo do navio de um romântico herói que salva a vida de homens e que age somente por nobreza e caráter. Estou em um navio comandado por um assassino frio e impiedoso, um homem famoso por suas façanhas e crueldades."
- O capitão parou com esse tipo de pirataria anos atrás - Explicou Peter - Nem sabia que ainda guardava essa bandeira.
- Devo me sentir aliviada com isso?
- Mas a senhorita não entende que...
Sem esperar pela justificativa de Peter, Lílian foi atrás de James. Exigiria uma explicação. Queria ouvir dos próprios lábios dele a confissão de que era o Marauder.
" Como o lobo do mar pode ser um assassino?" , pensou ela
Chegando ao convés, parou. Os canhões tinham sido descobertos e estavam prontos para disparar. Muitos dos piratas do navio de James, estava se aprontando para a batalha, empunhando as espadas e carregando as pistolas. Estavam prontos para a luta.
- Pontas! – Sirius gritou – Quer ver a cara de Riddle?
Lílian observou Sirius estendendo a luneta para James.
O navio adversário estava agora bem próximo, Sirius virou-se e o sorriso que tinha nos lábios sumiu. Ele cutucou James e apontou para o lado em que Lílian estava.
James voltou-se e foi até ela.
- Sei o que você está pensando – ele foi dizendo – Posso ler em seu rosto.
- E o que eu estou pensando?
- Está me julgando antes de saber dos fatos.
- E quais são os fatos?
James suspirou, era a primeira vez que alguém lhe pedia para explicar as razões que o haviam feito agir como agira no passado.
- No momento, Riddle vai nos atacar. Sirius e eu já a alertamos sobre esse homem.
- Atirar! - Sirius berrou.
James puxou Lílian pelo braço procurando protegê-la. Um tiro do canhão explodiu bem perto do Black Wolf's. Uma onda enorme invadiu o navio molhando os homens.
- Atirar! – James gritou.
Aterrorizada, Lílian apenas olhava para James. Ele parecia estar gostando do que acontecia.
- Homens, revidar!
- Como pode estar se divertindo com essa luta? – Lílian sacudiu a cabeça em desespero.
- Vivo para isto. Faz-me sentir o dono do meu destino.
- Pois eu estou ficando doente – ela murmurou, temendo vomitar a qualquer momento.
- Desça logo, Lílian.
- E se o navio afundar? - perguntou ela . "Pelo menos aqui em cima há botes salva-vidas, enquanto lá embaixo..."
- Então se esconda atrás daqueles barris e não se mexa.
- Onde?
James mostrou-lhe o lugar e sorriu
- Não se preocupe. Tudo vai ficar bem.
- Claro, ficarei calma. Um louco está tentando nos afundar e Marauder me diz para não me preocupar. – Ela enfrentou o olha de James. – Diga-me, capitão pirata sanguinário, quando devo começar a me preocupar? Quando enxergar o branco dos olhos de Riddle? Ou quando os tubarões começarem a me rodear?
James sorriu.
- Diria que definitivamente deve começar a se preocupar quando os tubarões estiverem a sua volta.
- Adoro esse seu jeito de me confortar.
Ela era uma mulher valente, James pensou. Pena que não pudesse ficar mais tempo ali conversando, tinha um inimigo a derrotar.
Lílian o viu comandar a batalha. Tiros ressoavam e ela colocou as mãos nos ouvidos para protegê-los. O odor de pólvora invadiu o convés e fez com que seus olhos lacrimejassem.
Como pudera desejar que sua vida fosse cheia de aventuras? Subitamente os dias monótonos e seguros da sua vidinha sem graça lhe pareceram uma benção.
Mesmo assim, vendo James, ela percebeu que ele adorava o que fazia, era um líder natural e não temia a morte. Arregalou os olhos quando uma bala de canhão passou ali perto explodindo um dos barris próximo dela.
Sentia-se aterrorizada.
As explosões se repetiram e alguns piratas gritaram de satisfação ao ver os estragos que seus tiros estavam causando ao navio adversário.
Lílian observou James e um estranho sentimento a invadiu. Ele continuava a berrar ordens para Sirius, Remus e Peter. Seus cabelos esvoaçavam ao sabor do vento e ele segurava uma espada que brilhava.
Tiago James Potter, era ainda mais maravilhoso do que ela descrevera naquele artigo. Não era o pirata que povoara seus sonhos. Este era um homem de verdade com seus próprias ideais. Um homem poderoso...
" ... e perigoso" , pensou Lílian
Lílian percebeu que ele se aproximava naquele momento, sentiu a boca seca e as pernas bambas.
- Fico feliz que tenha sobrevivido, Srta. Evans.
Apesar de tudo que tinha acontecido, ela riu.
- Não tinha certeza de que conseguiria sair desta com vida – Lílian estendeu a mão e tocou em um pequeno ferimento no rosto de James. Alguns estilhaços o atingiram.
James engoliu em seco ao sentir aquela mão delicada tocando sua pele. Alguma coisa aconteceu dentro dele. Algo que não conseguia definir. Ele a desejava. Agora, neste instante, com o sabor da vitória ainda fazendo o seu sangue correr mais depressa. Queria celebrar sua conquista com uma ainda maior.
Antes que pudesse se controlar, ele inclinou-se e a beijou com ardor.
Lílian hesitou apenas um momento antes de retribuir o beijo. James sentiu o sabor doce e inocente daqueles lábios. A ruiva tinha de ser sua. De um modo ou de outro, ele a teria em seus braços.
Ooooooooooooooo
- Riddle está morto!
Ao grito de Sirius, James virou-se surpreso.
- O quê!?
Sirius apontou para o Death Queen e um membro dos marujos do Black Wolf's, levantava um corpo e mostrava para James e Sirius.
- Ele deve ter morrido durante a luta – Sirius concluiu. – Suponho que não vou precisar cortar a garganta da Srta. Evans para protegê-la do impiedoso Riddle. Mas ela continua uma ameaça para nós Pontas. E agora mais ainda.
- Eu lhe garanto que Lílian não vai contar a nossa história.
- Ah, decidiu cortar-lhe a língua e as mãos, assim ela não vai poder falar e escrever?
- Nada disso – James sorriu – Tenho uma idéia melhor.
Lílian sentiu um arrepio ao escutar o tom de voz de James. Será que ele seria capaz de matá-la? Observou-o atentamente e concluiu que seria mais seguro andar sobre uma prancha do que estar sozinha com o capitão Potter.
- Almofadinhas – James exclamou – Você passa a comandar o Death Queen e levamos o Black Wolf's para o porto. Precisamos fazer alguns concertos urgentes antes que ele possa continuar cruzando estes mares.
Sirius exibiu um sorriso maldoso e olhou para o navio que acabaram de capturar.
- Justamente o que eu precisava, um bom navio pirata, com uma tripulação também pirata.
- Procure se lembrar que Black Jack Sirius enfrentou Marauder... e perdeu. A última notícia que ouvimos dele é que boiava no oceano.
- Você consegue ver graça em tudo. Está bem, não vou voltar a velha vida. Agora sou um fazendeiro bem sucedido e ajuizado.
- Ótimo, a última coisa que você precisa é que relatem ao governo Norte-Americano ou Inglês que você ainda está vivo e na ativa. – James virou-se para Remus – prepare-se para navegar, Aluado. Nosso próximo porto é o da ilha de Santa Maria.
James virou-se para Lílian, precisavam conversar.
- Vamos à cabine. Temos alguns assuntos importantes a discutir.
Entraram na cabine e Lílian procurou aparentar uma calma que estava longe de sentir. Quando James fechou a porta com força ela tremeu levemente.
- Ainda está bravo por causa das cortinas? – ela ousou perguntar.
James fez um gesto negativo com a cabeça.
- Agora – ele começou a falar sobressaltando-a – Vou fazer uma coisa que nunca fiz antes.
- Pelas histórias que ouvi, capitão, não há absolutamente nada, que Marauder não tenha feito. Chegaram a me contar que comia criancinhas no café da manhã.
- Se não parar de falar bobagens, eu a entrego a minha tripulação para que se divirtam com a senhorita. E sei o que está pensando agora.
- Que você é um pirata cruel que agora tem que me matar? – ela perguntou antes de pensar melhor no que estava dizendo.
- Digamos que não acertou de todo, Srta. Evans . O que precisamos conversar é sobre aquilo que a senhorita escutou e ver se entendeu onde está a verdade.
- Escutei que o homem que eu pensava ser um herói pirata é apenas um assassino e ladrão e que não tem respeito algum pela vida humana e...
James a agarrou pelos braços e teve vontade de sacudi-la.
- Não tem ideia das coisas que eu vi – ele disse, a voz soando cortante como uma faca – Fui um pirata cruel, mas isso foi há muito tempo. Não nego nem me desculpo por isso. Era um jovem desesperado, uma combinação perigosa. Queria o sangue dos ingleses e de todos os meus inimigos.
- E foi o que levou a fazer o que fez.
- Sim
Lílian sentiu uma pontada no coração. Ele não negara, era de fato Marauder.
Ainda assim, queria que ele tivesse negado. Que dissesse que nunca tinha ferido um inocente. Que era, sim, o herói que imaginara.
- Você matou pessoas inocentes?
- Só as que se colocaram em meu caminho.
Com essa sentença, James aniquilava qualquer esperança que Lílian ainda tivesse.
" Douglas estava certo, eu sou uma sonhadora, nenhum homem poderia ser tão honrado como os heróis que eu descrevia em minhas histórias", ela pensou amargurada.
Seu sonho morria naquele instante.
- Meu Deus, você é um monstro – ela murmurou.
- Não. Sou apenas um homem que vendeu sua alma em troca de uma vingança.
Inesperadamente, Lílian sentiu um desejo enorme de confortá-lo. Ali estava um homem atormentado pelo passado, e que lamentava esse passado, isso ela percebia claramente.
A brisa agitou os cabelos negros de James, mesmo agora, depois de uma batalha ele estava lindo, mais ainda porque parecia vulnerável.
- Não me orgulho do que fiz, Lílian . Mas quero que entende que nunca levantei a bandeira vermelha. Nunca matei um homem que não pudesse se defender.
- Mas não foi isso que escutei sobre Marauder.
James apertou os lábios e seu olhar revelava o seu desgosto.
- Acredite no que quiser. Não vou me responsabilizar pelas mentiras que andaram falando.
Lílian não sabia o que pensar. Mil emoções a deixavam confusa e desapontada, mas algo não fazia sentido. Sirius podia ser um pirata frio e implacável, Já James...
Ele não levantara um dedo contra ela.
Poderia ter matado toda a tripulação de Riddle e não o fizera.
Tinha salvado Hagrid de uma vida de escravidão, isso sem contar os piratas que havia libertado dos navios ingleses.
Como um homem podia ser capaz de atos tão bondosos e ao mesmo tempo, ser um pirata perigoso?
- Como Marauder transformou-se em Lobo do Mar? – ela perguntou.
- Está é uma longa história.
- James... – Era a primeira vez que Lílian o chamava pelo seu nome.
- Lílian – ele murmurou – Não me faça magoar você.
Lílian olhava para as próprias mãos, não conseguindo encará-lo.
- Se escrever um artigo revelando a minha história, não prejudicará somente a mim, mas toda a minha gente. – puxou-a para os seus braços e o prazer de seus corpos estarem tão próximos perturbou-o.
Ela era linda e suas curvas provocantes. Se pudesse ter um gênio atendendo a um pedido seu, ele desejaria ser um homem diferente. Um homem que pudesse ter uma mulher como Lílian. Mas arruinara todas as chances de ter uma vida assim.
- Dê-me uma boa razão e eu não escrevo o meu artigo – ela murmurou.
- Faria isso?
- Se eu entender o que o levou a ter uma vida assim.
James afastou-se de Lílian e voltou a olhar o oceano.
- Não pretendia ser um pirata, Lílian. Quero que saiba disso. Mas fui vendido a Marinha Inglesa e lá sofri tanto que você não pode nem imaginar. Procurei juntar dinheiro para pagar investigadores para que encontrassem minha irmã, mas meu dinheiro nunca bastava.
Lílian sentiu o coração doer de agonia ao ver a expressão do rosto de James.
- Um dia – ele continuou – o navio onde eu estava foi atacado por Black Jack Sirius.
- Mas ele não o matou. Por quê?
- Não sei, Sirius me disse que eu poderia ficar como membro de sua tripulação.
- E você concordou.
- Não pude recusar, no começo, Lily, eu pensava como você. Achava os piratas repugnantes.
- E o que o fez mudar de idéia?
- As fortunas que eles ganhavam atacando navios. Não pude resistir. Em menos de seis meses eu tinha dinheiro suficiente para comprar o meu próprio navio.
- E se tornou Marauder.
- O terror dos mares – ele disse, com um leve sorriso – Aí comecei a atacar os navios de Robert Malfoy, o homem que me vendera aos britânicos e que sumira com minha irmã. Para mim, não havia pecado em roubar os navios daquele canalha.
- Remus me contou o que Malfoy fez com a sua irmã.
O olhar de James revelava toda a angustia que estava sentindo.
- Nem pode imaginar como ela estava quando a encontrei. Rezo para que você nunca passe por nada assim.
Lílian tocou de leve o rosto de James.
- Fui atrás dos navios ingleses, também. Sei que devia ter pensado que aqueles homens também tinham família, no entanto, estava apenas pensando no sofrimento de Alice. E ela não resistiu muito tempo. Morreu em meus braços.
- E o que o levou a deixar de ser o Marauder.
- Eu já havia destruído Malfoy financeiramente. Minha raiva e ódio haviam diminuído e eu queria ter outra vida. Assim, durante uma batalha, decidi enterrar o Marauder e me ofereci a confraria dos Piratas, para combater todos aqueles que querem fazer de nós prisioneiros.
James silenciou por alguns momentos. As lembranças o emocionavam.
- É irônico, mas no fim eu continuei fazendo as mesmas coisas, só que os lucros de nossas batalhas, dividimos com a confraria.
- Mas eu pensei...
- Você é uma sonhadora Lílian, A realidade é diferente das histórias que escreve. A única diferença entre Marauder e o Lobo do Mar, é o que o Lobo do Mar, não tem a sede de vingança de Marauder, e é claro, Marauder ganhava mais dinheiro, já que não era necessário dividir.
- Um pirata não deixa sobreviventes – Lílian falou.
- Escute-me – James acariciou de leve os lábios de Lílian - nenhum homem pode ser como os que você cria. Não sou como você imaginou que o Lobo do Mar seria. Lamento.
Por um instante, Lílian sentiu que James se enganava. Diante dela, mais do que nunca, estava o Lobo do Mar como ela idealizara. Um homem perturbado por seu passado e procurando por...
Paz?
Redenção?
Não sabia bem o que James procurava, mas sabia que aquele que um dia fora um pirata cruel, havia se transformado em um pirata diferente, um herói, amante da verdade e justiça.
- O que quer da vida James? – ela perguntou – Quer continuar atacando navios em busca de riquezas ou há algo mais que você deseja?
- Só consigo me imaginar ao lado dos marotos.
Lílian não conseguiu deixar de sorrir, admirava a amizade dos quatro.
- E você Lílian? O que você quer do futuro?
O sorriso sumiu. Além de escrever, havia somente uma coisa que lhe parecia importante. Algo impossível, porém.
- Sempre quis ter um filho – ela confessou.
- E por que não se casou?
- Quem se casaria comigo? – O tom da voz de Lílian era um pouco amargo. – Com essas minhas ideias modernas, que homem vai querer se casar comigo?
James sorriu gentilmente para ela. Qualquer homem de bom senso desejaria ter uma mulher como Lílian Evans.
Mas não podia dizer isso em voz alta, porque daria a ela falsas esperanças. Afinal, ela era uma sonhadora, e fantasiaria com uma vida apaixonante. Uma vida que ele não tinha o direito de levar.
Já tinha cometido o erro de se casar uma vez. Não repetiria esse erro novamente. Mesmo assim acariciou o rosto de Lílian desejando que as coisas fossem diferentes.
- Tenho sua palavra de que não vai escrever o artigo? Nunca vai revelar a minha identidade?
- Somente se me prometer uma coisa.
- O que?
- Quero subir no ponto mais alto do mastro, no lugar de onde seu pirata avista os navios ao longe.
