CAPÍTULO 9
Edward's POV
- Quer sair? – perguntei enquanto levantávamos da mesa, depois de terminar o café da manhã. – Sem compromisso – me apressei a acrescentar. – Só dois amigos saindo juntos.
- Tudo bem – ela aceitou com um sorriso leve. – O que acha de irmos ao shopping? Ainda não comprei nenhum presente.
- Tudo bem.
- Vou só pegar minha bolsa e já desço – ela anunciou, subindo as escadas quase correndo.
Me encostei ao lado da porta de saída sorrindo como um bobo, feliz por estar mais perto de realizar meu sonho de finalmente ter Bella ao meu lado.
Eu era paciente. Muito. Podia esperar o quanto ela quisesse.
Por Bella, eu faria qualquer coisa.
Sorri quando a vi surgindo no topo das escadas, mas meu sorriso logo se transformou em preocupação quando vi que sua expressão já não era a mesma de quando ela subiu. O sorriso não estava mais ali, tudo que eu via no seu rosto era raiva. Muita.
- Bella, o que aconteceu? – perguntei preocupado, indo ao seu encontro enquanto ela descia as escadas correndo.
- Me deixa em paz, Edward! – ela praticamente gritou, batendo na minha mão quando eu toquei se braço, e então saiu correndo pela lateral direita das escadas, em direção ao fundo da casa.
Apenas um segundo se passou enquanto eu pensava se a seguia ou não. Mas é óbvio que eu fui atrás dela.
Seja lá o que tivesse acontecido no andar de cima, não tinha nada a ver comigo. E eu precisava saber o que a deixara daquele jeito em tão pouco tempo.
Corri atrás dela, mas mantive um pouco de distância, deixando que ela chegasse aonde quer que ela quisesse ir. Nosso caminho terminou na adega, que ficava no mesmo nível do porão, no subsolo da casa. Já tinha estado ali algumas vezes com Emmett, para pegar vinho para as freqüentes festas que os Swan davam, ou quando apenas queríamos ficar bêbados sem sermos encontrados.
E, pelo visto, era isso que Bella queria fazer.
Nem bem tinha fechado a porta atrás de mim e já a via tirando uma das garrafas do suporte, indo direto para um armário lateral onde eu sabia que havia vários utensílios, como jarras de vinho, taças e abridores. E foi um abridor que ela tirou lá de dentro, abrindo sua garrafa sem dificuldade.
Ignorando as taças, Bella começou a beber da garrafa mesmo, e foi nesse momento que eu resolvi me pronunciar, mesmo sabendo que ela tinha conhecimento da minha presença ali.
- Não faz isso, Bella – pedi, andando até ela e tentei tirar a garrafa da sua mão. Mas tudo que ganhei foi um novo tapa na mão.
- Sai daqui, Edward, por favor – ela pediu, recuando alguns passos e sentando em um dos barris que havia ali. – Quero ficar sozinha.
Eu não tentei me aproximar dela novamente, mas tampouco fui embora.
- O que aconteceu? – perguntei novamente, mantendo a voz calma, vendo-a voltando a beber direto da garrafa.
- Eu descobri que sou uma idiota. Só isso.
Não falei nada enquanto a via respirar fundo e enterrar o rosto na mão livre.
- Eu tento ser boazinha, sabe? Fazer as coisas do jeito certo, mas só me ferro – ela continuou, ainda com o rosto enterrado na mão.
- Por que você está falando isso? – perguntei, me atrevendo a andar alguns passos na sua direção, mas quando ela ergueu a cabeça me encarando com tanta raiva no olhar, eu parei.
Mas, de alguma forma, eu senti que aquela raiva não era direcionada a mim.
- Eu vi Emmett e Rose transando – ela falou de uma vez. – Passei na frente do quarto dela quando estava indo ao meu pegar minha bolsa e eles estavam na cama. E nem se deram ao trabalho de fechar a porta – ela completou antes de levar a garrafa à boca mais uma vez.
- Bella...
- Argh! Eu sou uma imbecil – ela gritou de repente. – Pedi para você esperar um tempo para ficarmos junto porque não queria magoá-la, mas olha só como o destino é cruel. Ela não teve um pingo de consideração por mim e foi logo transar com o meu irmão alguns minutos depois de terminarmos. Eu não sei quem é pior. Se ela por fazer isso comigo, o que a torna uma vadia... Mas eu sempre soube disso. Não sei por que estou surpresa.
- Você tem todo motivo para estar com raiva dela, Bella, mas...
- E ainda tem o meu querido irmão – ela continuou, me interrompendo, e eu suspirei, andando determinado até ela para tirar a garrafa da sua mão quando ela começou a gesticular com ela no ar. E dessa vez Bella permitiu que eu o fizesse, tão distraída que estava no seu desabafo. – Meu querido irmão, que todas essas semanas não poupou esforços para dar em cima da minha namorada. Meu querido e idolatrado irmão, que beijou a minha namorada... ex-namorada naquela boate, quando eu queria tanto te beijar, mas não podia porque era uma garota comprometida. Burra eu, não?
- Claro que não, Bella.
- Você é um bundão, Edward – ela resmungou, me puxando com as duas mãos pela gola da minha camisa. – Podia ter se esforçado mais para me conquistar. Poderia ter agido como o meu irmão filho da puta. E agora nós poderíamos estar transando como dois cachorros no cio.
- Quanto você bebeu dessa garrafa, Bella? – perguntei, olhando para a garrafa em minha mão, vendo que ela havia virado mais de um terço do líquido em apenas alguns minutos.
- Faz sexo comigo – ela pediu e sequer me deu tempo para reagir, me puxando com força até que meus lábios estavam sobre os seus.
Tentei me afastar, mas acabei cedendo ao beijo quando seus braços envolveram meu pescoço, me puxando mais para perto. Infiltrei minha língua em sua boca, sentindo o gosto do vinho tinto seco misturado ao seu próprio gosto, e me deixei levar pelo beijo, até que senti sua mão tentando abrir o botão da minha calça.
- Não. – Me afastei um pouco, interrompendo o beijo, mas ela me impediu de recuar mais, suas mãos firmemente presas ao cós da calça, ainda tentando abri-la. – Bella, não!
- Para quê esperar, Edward? – ela perguntou, tentando me puxar de volta quando eu comecei a recuar com mais firmeza. – Eu sei que você quer.
- Não assim.
- Duvido! – ela exclamou, soltando um riso sarcástico.
- Eu não...
- Vocês homens são todos iguais – ela murmurou, mais uma vez me interrompendo, mas sua voz foi aumentando mais e mais a medida que ela continuava. – Só querem saber de sexo e nada mais. Eu sei que você quer transar comigo, Edward. Eu lembro bem como você me agarrou na noite passada. Vai. Continua! Termina de fazer o que você tanto quer!
- Eu quero você, Bella. Não vou negar que eu te desejo, mas se um dia nós transarmos, vai ser porque nós dois queremos, e no momento certo.
- Eu quero. Você quer. Por que não agora?
- Porque não é o momento certo – respondi, tentando manter a calma. – Você está irritada com o que aconteceu. E se você está querendo transar agora, não é pelos motivos certos. E assim eu não quero.
Ela saiu do barril num pulo rápido e andou na minha direção, parecendo ainda mais determinada e irritada. E foi por muito pouco que eu não recuei.
- Eu. Quero. Transar. E quero transar agora. Você me ama, não ama?
- Mais do que você possa imaginar – respondi, levando uma mão ao seu rosto para afastar uma mecha que cobriu seus olhos.
- Então dá para fazer o favor de parar de bancar o bom moço? Dá para tirar essa roupa e fazer o que eu quero?
- Não é certo, Bella. Não assim. Não por esse motivo.
Um novo grito de frustração escapou de sua garganta e ela puxou a garrafa em minha mão com força, voltando para cima do barril.
- Você é um idiota, sabia? Um completo e total imbecil. Nunca vi um homem negar sexo a uma mulher que está se oferecendo tanto. Você é veado, por acaso?
Sorri de leve, não porque estava achando engraçado ela me xingando daquele jeito, mas porque eu estava me chamando pelos mesmos nomes em minha cabeça.
- Dificilmente eu poderia ser considerado veado, Bella.
- Mas é o que está parecendo – ela resmungou, voltando a beber do vinho.
Mas eu tirei a garrafa das suas mãos novamente antes que ela pudesse dar um segundo gole, e a coloquei num barril próximo, mas longe o suficiente da sua mão. Me aproximei dela, parando a sua frente.
- Eu sei, mas quando a raiva passar, você vai entender porque eu estou fazendo isso. Ou ao menos eu espero que você entenda – completei, sentindo uma leve aflição ao pensar que talvez ela ficasse ainda mais irritada por eu estar recusando-a. – Você está chateada com o seu irmão e com Rosalie, e tem todo motivo para isso, Bella. Não foi certo o que eles fizeram, mas, da mesma forma que eles erraram, você está indo pelo mesmo caminho. Afinal, foi você quem me pediu para não ir rápido demais.
- Mas eles foram rápido demais – ela murmurou e eu quase suspirei aliviado ao perceber que ela começava a se acalmar.
- Porque é assim que eles são. Mas você não é assim. Eu não sou assim. – Levei uma mão ao seu rosto novamente, dessa vez apenas porque queria tocar sua pele macia. – Falei que ia esperar pelo seu tempo e é o que eu vou fazer. Quando você me quiser, quando você realmente me quiser, pelos motivos certos, eu vou estar aqui.
Ela me encarou séria por alguns segundos – eu esperava que por estar absorvendo as minhas palavras, e não por estar pensando numa forma de testar mais meu limite –, e então inclinou seu corpo de leve para frente. Me aproximei ainda mais dela, permitindo que Bella repousasse a cabeça no meu peito, e a puxei mais para mim, abraçando-a.
Ficamos assim, em silêncio, por longos minutos, seus braços ao meu redor enquanto eu a abraçava de volta, acariciando seus cabelos macios.
- Desculpa por estar sendo tão difícil – ela murmurou, se afastando um pouco, apenas o suficiente para me encarar. – Eu não sou sempre assim, ok?
Sorri de leve para ela, acariciando seu rosto e a puxei para mim, cobrindo seus lábios com os meus num beijo suave.
- Obrigada por me agüentar – ela sussurrou, quando interrompi o beijo. – E obrigada por dizer não. Você realmente não é como os outros caras.
Antes que pudesse falar qualquer coisa, Bella já voltava a cobrir meus lábios, envolvendo meu pescoço com seus braços delicados. Minha mão se moveu quase como se tivesse vida própria, puxando-a pela cintura para mais perto de mim, enquanto a outra ia para a sua nuca, mantendo seu rosto colado ao meu.
E quando seus lábios entreabriram levemente, dando passagem para a minha língua, todo meu corpo gritou, pedindo por mais.
Apenas um beijo, e era como se eu estivesse em chamas. Nunca tinha me sentido assim com nenhuma outra mulher, até provar o sabor dos seus lábios na noite passada. Bella era a única capaz de me deixar assim.
Sua língua recebeu a minha, fazendo pressão como se estivesse numa dança de vai e vem.
Quando Bella entreabriu as pernas, permitindo que eu ficasse entre elas, nossos corpos ficaram completamente colados, tão unidos como se fossem um só. Mas ainda não parecia suficiente. Suas mãos desceram do meu pescoço, envolvendo meu corpo, suas unhas cravando nas minhas costas por cima da camisa, como se quisesse me trazer ainda mais para perto, mesmo isso sendo impossível.
Apesar de tê-la beijado com sofreguidão na noite passada, por muito pouco não indo além do beijo, esse estava diferente. Havia urgência, sim. Luxúria como nunca senti. Mas havia algo mais. Como se aquele beijo não servisse apenas para mostrar que desejávamos um ao outro. Era como se precisássemos daquilo para viver. No beijo, havia um desespero contido que me fazia sugar seus lábios com certa violência, ao mesmo tempo em que havia uma ternura quase palpável.
E eu percebia que Bella se sentia da mesma forma. Nas vezes em que eu tentei me afastar em busca de ar, ela levava uma mão à minha nuca, agarrando meus cabelos com força, me impedindo de me afastar. E quando sua mão permaneceu ali, desistindo de voltar às minhas costas, eu me senti incapaz de tentar recuar novamente. E não apenas porque ela me segurava com força, mas porque a forma como seus dedos agarravam meus cabelos era como se ela pudesse cair se eu recuasse. Como se eu fosse seu pilar e tudo que ela precisava no momento era daquele beijo. Do meu beijo.
Eu não sei quanto tempo ficamos ali. Podem ter sido apenas alguns minutos, podem ter sido horas. Não fazia diferença.
E apenas o que me fez interromper aquele beijo, foi a dormência dos meus lábios e a minha cabeça que começava a rodar pela falta de ar.
Afastei meus lábios dos seus, mas não me movi um centímetro sequer para longe dela, repousando minha testa na sua.
Minha respiração estava pesada, mas não tanto quanto a sua, e eu inspirei profundamente ao sentir seu hálito doce, ainda com um pouco do aroma do vinho, soprando no meu rosto.
- Caramba! – eu ofeguei, completamente sem ar. – Isso foi...
- Eu sei – ela murmurou.
Minha mente era um completo branco. Eu não conseguia pensar em nada, em fazer nada. Só sabia que eu não estava pronto para me afastar ainda.
E eu pensei que fosse desfalecer quando Bella inclinou sua cabeça para o lado, repousando seus lábios no meu pescoço. Um arrepio intenso percorreu meu corpo quando ela passou a me beijar ali, deslizando sua língua pela minha pele, mantendo sua mão firmemente presa à minha nuca.
Eu sabia que ela podia sentir o quanto eu estava excitado, graças aos nossos quadris que estavam completamente colados, assim como eu tinha certeza que ela sentiu quando eu comecei a ficar ainda mais rijo conforme seus beijos no meu pescoço se tornavam mais ousados.
Seus dentes agora faziam parte da equação para me deixar incapaz de raciocinar. Fui incapaz de conter um gemido quando ela levou uma mão à parte inferior das minhas costas, quase tocando minha bunda, colando ainda mais nossos quadris, ao mesmo tempo em que se ajustava melhor à minha frente, o movimento causando uma fricção deliciosa sobre o meu membro.
Gemi novamente, e foi a minha vez de me acomodar melhor entre suas pernas, repetindo o movimento e causando nova fricção.
Suas duas mãos agora estavam nos meus cabelos, e ela afastou o meu rosto para me encarar, sua respiração voltando a acelerar.
- Eu quero você, Edward – ela sussurrou sem rodeios. – Agora!
Gemi de frustração, fechando os olhos por um instante.
- Bella, não me tente de novo – implorei. – Eu não sou tão forte assim.
Tentei me afastar em busca de algum resquício de sanidade, mas Bella não permitiu, me segurando com ainda mais força.
- Não tem nada a ver com eles, Edward. Eu quero você pelo mesmo motivo que você me quer nesse momento – ela murmurou, e sua voz, apesar de arfante, estava firme, me deixando quase convencido de que ela falava a verdade.
- Como eu posso ter certeza que...
- Por favor, Edward – ela me interrompeu com a voz doce, beijando meus lábios de leve enquanto uma de suas mãos deixava meu rosto para descer pelo pescoço e peito, logo chegando ao cós da minha calça novamente. Mas quando eu pensei que ela tentaria abrir o botão como tinha feito antes, Bella me surpreendeu passando direto, tocando meu membro rijo sem pudor por cima da calça. – Eu sei que você quer.
- Porra! – grunhi por entre os dentes, tornando a fechar os olhos, apenas sentindo sua mão me tocando delicadamente.
- Você quer que eu pare? – ela perguntou e, mesmo de olhos fechados, eu podia distinguir o riso em sua voz.
- Não – foi tudo que eu consegui sussurrar quando seus dedos aumentaram a pressão em volta do meu membro. – Por favor, não para.
E Bella não parou.
Sua mão continuou me tocando, enquanto seus lábios voltavam a cobrir os meus. Era como nos meus sonhos, mas melhor. Muito melhor. Eu passara anos imaginando como seria finalmente tê-la nos meus braços, como seria seu toque, se seria suave ou possessivo, mas nada me preparara para a realidade.
Seu toque era firme, mas delicado ao mesmo tempo, como o toque de um anjo combinado com a promessa de um demônio.
- O que você quer que eu faça? – ela perguntou num sussurro em meu ouvido, levando um novo tremor ao meu corpo quando sua língua roçou o lóbulo.
- Isso mesmo que você está fazendo – murmurei em resposta, voltando a abrir meus olhos, e a encontrei com um sorriso travesso nos lábios. – Não para – pedi, encostando minha testa à sua.
- Não quer mais que isso? Não quer que eu te toque sem barreiras?
- Quero – concordei com a voz trêmula quando ela aumentou o ritmo dos movimentos.
- Fala. Fala o que você quer.
- Bella... Por favor.
Levei minhas mãos ao botão da calça e fiz menção de abri-la, mas Bella me deteve.
- Não. Eu faço isso – ela falou num tom que era quase como se me repreendesse por ser levado. – É só você mandar fazer e eu faço. Qualquer coisa.
Algo no seu tom indicava que ela não estava falando apenas sobre abrir a minha calça.
- Tira para mim, meu amor – pedi, beijando a ponta do seu nariz bem de leve.
- Acho que você consegue fazer melhor que isso, Edward – ela comentou rindo, mas levou as mãos ao botão da calça, rapidamente abrindo-o, dando o mesmo destino ao zíper. – O que eu faço agora? – Bella perguntou depois de deslizar a peça pelo meu quadril e coxas, deixando o tecido grosso se amontoar nos meus tornozelos.
- Me toca – pedi, mais firme dessa vez. – Sem barreiras.
Bella esboçou um sorriso satisfeito e não perdeu tempo em descer minha cueca também, me pegando de surpresa. Terminei de tirar as peças, chutando tudo de qualquer jeito para o lado, junto com meus tênis, quando ela, sem nem esperar que eu me firmasse, já envolvia meu membro com seus dedos delicados.
Gemi por entre os dentes, tentando não fazer muito barulho, e repousei uma mão na sua coxa nua, precisando de apoio e necessitando tocá-la com urgência.
Voltei a colar nossos corpos, cobrindo seus lábios num beijo desesperado quando ela intensificou os movimentos. Com as mãos livres, percorri suas pernas expostas pelo short jeans curto e subi mais, chegando à sua camisa xadrez que eu não perdi tempo em desabotoar.
Como se estivesse se sentindo em desvantagem, Bella resmungou para eu tirar a minha também, depois que fiz a sua parar no chão ao lado da minha calça e tênis. Mas ainda assim, fiz o que ela pedia, e agora estava completamente nu. Bella, no entanto, continuava de short, camisa e botas.
Ela pareceu ter captado a minha indignação diante do seu estado coberto demais, porque sorriu de leve para mim, fazendo menção de erguer sua camisa branca.
- Quer que eu tire?
- Seria muito bom – respondi, tentando tirar suas botas, mas ela puxou o pé para longe. – O que foi?
- Me manda tirar a roupa.
Franzi o cenho, estranhando o seu tom de voz, quando a noite anterior me voltou à mente como se um flash pipocasse em minha frente. E nele eu via Bella respondendo à pergunta da brincadeira, dizendo que gostava de ser dominada.
Um sorriso foi surgindo aos poucos nos meus lábios, achando curiosa essa nova descoberta sobre Bella, mas adorando cada parte. Lentamente, tornei a me aproximar dela, prostrando uma mão em suas costas enquanto a outra deslizava sobre sua coxa, e inclinei meu rosto até que minha boca estivesse na altura do seu ouvido.
- Tira a roupa, Isabella – murmurei, no tom mais dominante que consegui empregar, sorrindo internamente ao senti-la estremecendo, e, quando eu me afastei, ela assentiu mordendo o lábio inferior, me encarando como se eu fosse... Bem, como se eu fosse seu dono.
Sem desviar os olhos dos meus, Bella pulou do barril e ficou em pé à minha frente, para só então começar a remover cada peça que a cobria, lentamente, me fazendo chegar ao ponto de salivar de expectativa. Pacientemente eu esperei, tendo que me obrigar a permanecer parado enquanto mais e mais peças iam se acumulando no chão da adega, até que Bella estava completamente nua. E agora, eu não me movia por simplesmente não conseguir.
Meus pés pareciam ter se cravado no chão de cimento, como se eu tivesse esquecido como fazia para andar. Tudo que eu conseguia fazer era percorrer seu corpo com o olhar, absorto nas curvas perfeitas, no quão macia sua pele parecia ser de longe. E no quanto o subir e descer dos seus seios, acompanhando sua respiração, tinha o poder de me hipnotizar.
- Você é tão linda – sussurrei, sem conseguir me conter. Sabia que a minha voz estava beirando a devoção, completamente esquecido da minha intenção de manter Bella submissa como ela gostava, mas não era algo que eu conseguisse controlar. – Tenho medo de piscar e você desaparecer.
- E por isso vai me deixar aqui esperando pelo seu toque até criar teias? – ela perguntou com uma sobrancelha arqueada, cruzando os braços sob os seios, fazendo-os parecerem maiores.
Não consegui deixar de rir, finalmente conseguindo esboçar alguma reação que não incluía a mim babando por ela, e aproveitei o embalo para tentar dar um passo em sua direção. Funcionou. Mais três passos e eu estava quase colado a ela, chegando a sentir o calor que emanava do seu corpo.
- Edward, me toque! – ela ordenou num tom firme, e eu franzi o cenho diante da inversão de papéis, mas fui incapaz de não obedecê-la.
Reverente, ergui uma mão em direção ao seu pescoço, tocando seu maxilar de leve com o polegar, e então desci mais, chegando ao seu colo, para só então cobrir um seio, sentindo a pele macia sob minha palma.
Sua pele arrepiou ao meu toque, seus mamilos ficando ainda mais túmidos. Como se atraída por um imã, minha boca logo se apossou do outro seio, enquanto eu continuava estimulando o outro com a mão. As mãos de Bella se dirigiram à minha nuca, segurando minha cabeça com força no lugar, enquanto da sua boca escapavam gemidos e lamúrias, às vezes deixando meu nome ser ouvido.
- Edward – ela gemeu, agora tentando puxar minha cabeça para cima, afastando-a dos seus seios, mas eu não estava pronto para parar ainda. – Edward! – Bella chamou com mais firmeza dessa vez, apesar do seu tom arfante, agora puxando minha cabeça pelos cabelos. Quando nossos olhares estavam na mesma altura, ela respirou fundo e assumiu uma expressão quase controlada. – Desce mais um pouco com essa boca.
Eu quase ri do seu tom. Era como se ela quisesse ordenar que eu fizesse o que ela queria, ao mesmo tempo em que implorava. Bella definitivamente não estava acostumada a dominar.
Afastei algumas mechas de cabelo com as duas mãos, deixando seu rosto livre, e mantive minhas mãos paradas ao lado do seu rosto, encarando-a determinado.
- Você vai ter que implorar para que eu faça isso – devolvi, diferente dela conseguindo ser constante na ordem.
Eu não estava acostumado em assumir uma postura tão dominante, mas se era assim que Bella gostava, então eu faria. Por Bella, eu faria qualquer coisa.
Mais uma vez ela arfou e seu corpo estremeceu, seu olhar brilhando intensamente.
- Por favor, Edward – ela implorou, deslizando suas mãos pelos meus braços a partir das minhas mãos que continuavam ao lado do seu rosto. – Por favor. Eu faço qualquer coisa.
- Primeiro você vai ter que me dar o que acha que merece receber – sussurrei, só então soltando seu rosto e contornei seu corpo, parando às suas costas. Ousando talvez até mais do que deveria, deslizei uma mão pelas suas costas, chegando à sua nádega. Mas, ao invés de apertá-la apenas para sentir sua textura, tudo que eu fiz foi desferir um tapa suave, ouvindo um fraco "slapt" ecoando na adega. Quando pensei que talvez tivesse ido longe demais, me empolgando mais do que deveria na minha posição de dominador, Bella me surpreendeu com um arfar alto, seguido de um gemido estrangulado, e suas pernas chegaram a estremecer, como se ameaçassem ceder sob o seu peso.
Meu membro reagiu diante daquela reação, pulando feliz como se quisesse ser o próximo a causar aquela reação nela. Como se ele quisesse ter uma mão para bater na sua outra nádega.
- Bella – chamei, me recostando no barril onde antes ela tinha estado sentada. Quando ela me olhou por sobre o ombro, foi um movimento suave, mal movendo o corpo como se tivesse medo de ser repreendida. – Venha aqui.
Devagar, ela ficou de frente para mim, andando meio trôpega em minha direção, até parar à minha frente.
- Você sabe o que tem que fazer para merecer o que tanto quer – falei, cruzando os braços sobre o peito, encarando-a com a expressão que eu tentei deixar algo próximo a "sou seu único dono". – Faça!
Bella não titubeou em obedecer, se ajoelhando imediatamente entre as minhas pernas, pegando logo meu membro com a sua mão, guiando-o em seguida à sua boca pequena e rosada.
Sorte minha que ela estava muito concentrada no que fazia, ou teria visto minha postura de chefão ir para o ralo. Meus braços caíram pesadamente ao lado do meu corpo e eu tive que apoiar as mãos no barril às minhas costas para não cair. Um "porra" escapou entre os meus dentes, num som que mais parecia um rosnado, quando ela colocou quase tudo dentro da boca, para então tirar lentamente, só para colocar dentro novamente, dessa vez deixando ainda menos de fora.
Minha cabeça tombou para trás, completamente perdido no prazer, mas assim que eu vi a burrada que estava fazendo, voltei a cabeça para frente, cravando meus olhos em seus movimentos. De jeito nenhum iria perder aquele espetáculo.
Bella me chupava com uma maestria que eu sabia que não demoraria a me fazer gozar. Mas me obriguei a me controlar, apesar disso causar tanta dor quanto prazer. Eu apenas não queria que acabasse assim tão rápido.
- Você... já fez por merecer – murmurei, puxando-a para cima por um braço, e me abaixei rapidamente para pegar minha camisa no chão, estendendo-a sobre o barril de madeira. – Sente!
E lá estava a obediência inabalada, seu corpo reagindo à minha ordem instintivamente.
Puxei-a pelas pernas para a ponta do barril, obrigando-a a apoiar as mãos no espaço livre às suas costas, inclinando seu corpo levemente para trás, de forma a não perder o equilíbrio. O movimento só serviu para deixar seus seios empinados, e eu não perdi tempo em abocanhar um a um.
Mas não dediquei tanto tempo quanto queria aos dois, tamanha era a urgência que eu tinha em lhe dar o mesmo prazer que ela tinha me proporcionado.
Porém, assim que cheguei ao seu umbigo, eu parei, olhando para cima para encontrar seus olhos.
- Peça – ordenei, lembrando de assumir a postura que ela queria.
E Bella não me decepcionou.
- Me chupa – ela implorou, mordendo o lábio inferior logo em seguida.
Ela sendo assim tão boazinha e se comportando tão bem... Como eu poderia lhe negar uma recompensa?
Desci de uma vez para o seu sexo, ouvindo-a soltar um som de surpresa e prazer com a minha pressa, mas logo a seguir, tudo que eu ouvi foram gemidos.
Minha boca devorava seus lábios com urgência, sentindo seu gosto doce em minha língua, sugando todo mel que ela poderia me oferecer. Tudo ali era meu e eu tomaria para mim.
Eu nunca tinha sentido tanto prazer fazendo sexo oral em alguém antes. Mas em Bella, chupá-la tinha a capacidade de me deixar ainda mais duro, e suas reações só intensificavam isso. Quando meus dentes roçaram seu clitóris, ela soltou um pequeno grito de prazer, sua mão logo em seguida agarrando meus cabelos com tanta força que eu cheguei a pensar que ficaria careca em breve. Mas quando seu corpo começou a estremecer, denunciando o orgasmo que não tardaria a chegar, me forcei a parar de brincar com o seu ponto mais sensível, voltando a subir com os beijos pelo seu ventre, e logo chegava aos seus seios novamente.
Era a nossa primeira vez, e eu só permitiria que ela gozasse comigo dentro dela.
Sem pressa, ainda chupando seus seios, me ajustei melhor entre suas pernas, e apenas quando estava posicionado em sua entrada, ergui o rosto para encará-la.
E eu nem precisei falar nada. Bella já sabia o que fazer.
- Por favor, Edward. Faz amor comigo.
Amor.
Aquela simples palavra me paralisou por um instante. Eu amava Bella. Não era só sexo para mim. Apesar de estar me comportando como um bruto, como ela queria, isso não mudava o que eu sentia por ela. Eu amava aquela mulher em meus braços e precisava fazer com que ela percebesse isso em cada um dos meus gestos. Faria isso do meu jeito, de agora em diante. Ao menos por alguns minutos.
Minha mão que antes estava no seu quadril, se dirigiu à sua nuca, puxando seu rosto para perto do meu, até que nossos lábios estivessem colados.
Devagar, usando todos os meus músculos para refrear meus impulsos mais selvagens, me deixei deslizar para dentro dela, sentindo centímetro por centímetro me recebendo com um calor que chegava a queimar.
Suguei seu lábio inferior ao mesmo tempo em que a preenchia por completo e me deixei ficar ali por alguns segundos, parado, apenas sentindo-a.
Encostei minha testa à sua novamente, respirando com dificuldade, vendo-a no mesmo estado, e só saí desse meu estado de letargia quando seu sexo se contraiu ao redor do meu membro, como se exigisse por atenção. E, novamente, quando Bella pedia, tudo que eu podia fazer era obedecer.
Comecei os movimentos lentamente, saindo por completo, voltando para dentro dela em seguida, só para tornar a sair e entrar de novo. Repeti o movimento devagar por alguns minutos, até que a urgência voltou aos nossos corpos, e lentidão não era mais algo aceito ali.
A mão que antes estava em sua cintura, se firmou em seu quadril, e eu passei a me mover cada vez mais rápido dentro dela, cobrindo seus lábios num beijo sôfrego, que não durou muito quando nós dois tivemos que buscar por ar.
Agora me movia tão rápido que o barril embaixo de nós começou a ranger, e eu temi que ele se espatifasse a qualquer momento.
Antes que isso pudesse acontecer, puxei Bella de cima dele, saindo rapidamente de dentro dela, enquanto a posicionava de costas para mim.
- Apoie as mãos no barril – ordenei, voltando à postura de líder, sabendo que isso a deixaria ainda mais excitada.
E Bella prontamente obedeceu.
Inclinei seu corpo um pouco para frente e só então voltei a me posicionar na sua entrada, penetrando-a de uma vez agora. Retomei o mesmo ritmo de antes, entrando e saindo tão rápido quanto era possível.
Olhando para sua bunda assim empinada, branquinha e tão disponível, não consegui me conter. Deslizando a mão lentamente por sua pele macia, antes de erguê-la e então baixá-la com força, dando outro tapa em sua nádega, dessa vez um pouco mais forte.
Seu gemido alto levou um sorriso aos meus lábios e eu fiz uma nota mental para usar esse fetiche de Bella em outra oportunidade. Porque, no momento, eu estava perto demais de gozar para conseguir pensar em outra coisa que não fosse no prazer que estava sentindo.
O corpo de Bella voltou a ser dominado por tremores, e dessa vez eu não impedi que seu orgasmo chegasse, tendo apenas que me controlar para não gozar dentro dela, sem a porra da camisinha que tinha esquecido no meu quarto.
- Edward! – ela gritou no meio de um gemido, seu corpo agora estremecendo tão fortemente que fazia o barril vibrar sob suas mãos igualmente trêmulas. A segurei forte pelo quadril, dando uma última e potente estocada, sentindo seu sexo me apertando com tanta força que chegava a causar dor.
Seu corpo começou a relaxar depois de alguns segundos e só então eu saí de dentro dela.
- Não se mova – ordenei quando ela tentou se erguer, e imediatamente seu corpo ficou rígido.
Levei uma mão ao meu membro, sentindo o líquido de Bella lubrificando-o completamente, e comecei a me masturbar, com pressa de vir logo. Não levou nem meio minuto e eu já gozava como nunca, jatos longos e fortes derramando sobre as nádegas rosadas – uma mais que a outra, graças ao meu tapa.
Foi a minha vez de relaxar depois que o último jato era liberado, meu peito apoiado em suas costas suadas por alguns instantes.
Suspirando, ergui meu corpo novamente, trazendo o de Bella junto, e a girei, de forma a ficar de frente para mim. Afastando uma mecha que havia grudado em seu rosto suado, cobri seus lábios com os meus num beijo lento e delicado. O corpo de Bella parecia ter perdido as forças, mas ela conseguiu envolver meu pescoço com seus braços, infiltrando suas mãos nos meus cabelos, enquanto eu a mantinha em pé com uma mão rodeando sua cintura.
- Eu amo você, Bella – murmurei contra a sua boca. – Mais que tudo. Sempre vou amar.
- Eu sei – ela murmurou de volta, antes de voltar a me beijar, mais intensa do que eu estava sendo antes.
"Eu sei." Nenhum "eu também te amo" ou ao menos um "eu me sinto assim também", como falavam as pessoas que tinham medo de dizer as palavras, mas eu não me importava. Sabia que Bella tinha me amado há um tempo, e sabia que ela não se sentia mais assim. Mas eu tinha esperado oito anos para ficar com ela e tinha conseguido. Bella era minha agora. Tinha conseguido fazê-la terminar um namoro que pensara ser o meu fim. Tinha conseguido fazê-la admitir que me queria. E disso ao "eu amo você para sempre" era só um passo. Um passo longo e que teria que ser dado com calma, mas se tinha uma coisa que tinha, e de sobra, era paciência.
Acho que no caminho eu seria chamado de idiota, bundão, bobão, veado e todos esses adjetivos que Bella tinha me chamado hoje. O que eu posso fazer se fico assim quando estou apaixonado? Pode não ser o tipo de amor convencional, mas desde quando o meu relacionamento com ela poderia ser chamado de comum? Desde quando, sendo mais amplo, qualquer amor pode ser chamado assim. Amor é amor e pronto. Vai além de qualquer diferença, seja de sexo, raça, idade ou o que for. Vai até mesmo além dos limites da razão. Porque é com o coração que se ama e não com a mente. E eu amava aquela mulher submissa em meus braços.
Faria tudo no seu tempo. Seria dominante. Realizaria seu fetiche de tapas com mais prazer do que deveria. Porque eu sabia, no fundo, no fundo, que nunca seria o dominante completamente, estando com Bella. Porque, com ela, eu sempre seria o submisso. Faria o que ela quisesse, como sempre tinha sido.
Aquele era o meu jeito de amar. Era o meu tipo de amor. Certo ou errado, era meu.
FIM
