Título: Witness threatened
Autor: Fernanda
Capítulo: 10
Temperance entrou sem bater na sala da Cam. Ela se assustou.
_ Dra. Brennan ! Pensei que estivesse em casa ! Não tinha ido embora há cerca de uma hora ?
_ Cam, preciso das minhas férias agora, tem algum problema ? - ela foi direto ao assunto.
A chefe notou os olhos vermelhos, sabia que ela tinha chorado, mas não comentou nada, se informaria com a Ângela depois.
_ Claro que não tem nenhum problema ! Vou providenciar. Aconteceu alguma coisa ?
_ Não, eu só quero descansar depois do depoimento no Tribunal, amanhã. Sabe como é, colocar a cabeça em ordem... – e colar um coração espedaçado, ela pensou, mas não disse mais nada.
_ Sem problemas, podemos ficar sem você. O que me diz de três semanas ?
_ Ótimo.
Temperance agradeceu e saiu, deixando Cam perdida em seus pensamentos.
_ Droga, Sully ! Você tem que encontrá-la ! – Booth estava nervoso. – Por favor !
_ Eu tentei, Booth ! Eu juro que tentei ! Ela não está em nenhum dos lugares que você me passou, e não atende o celular e nem o telefone do apartamento !
Sully andava de um lado ao outro do quarto, frustrado por não conseguir fazer o que o amigo lhe pedira. Booth tinha lhe contado o que a agente Perotta tinha feito e ele estava igualmente furioso. Já presenciara o quanto ela já tinha feito seu amigo sofrer no passado, com suas crises de ciúmes e sua pressão para que se casassem, até ela encontrar um ex e terminar tudo de um dia para o outro. Booth se sentiu culpado e frustrado por um bom tempo, se recusando a sair com qualquer garota que o amigo se oferecesse para lhe apresentar. Agora que Booth tinha realmente encontrado uma mulher que o merecesse, essa infeliz aparecia e estragava tudo.
_ O que eu vou fazer ... – Booth tentava se lembrar de mais algum lugar onde Temperance poderia estar.
De repente Sully parou de andar e sorriu.
_ E se eu for ao Tribunal amanhã, Booth ? Ela vai estar lá, não vai ?
_ Eu não sei o que faria sem você ! É claro que ela vai estar lá ! Só que eu vou fazer melhor, eu vou até lá !
_ Você não pode, Booth ! Não vai ter alta tão cedo, cara ! O médico foi bem claro, alta pra você só no final da próxima semana... E ele acha melhor você ficar na minha casa por uns tempos !
_ Você não entende, Sully ! Eu vi nos olhos dela a mágoa por achar que eu a estava traindo ! Eu não posso deixá-la pensar que eu voltei com a Payton !
Sully suspirou, de nada adiantava discutir com Booth, ele sabia que o amigo podia ser bem teimoso.
_ Tudo bem, se você insiste nessa loucura, pelo menos me deixa te levar. Você não pode dirigir com a perna desse jeito !
_ Eu agradeço muito, amigo !
_ Eu te pego amanhã, às 9:00 horas ?
_ Não, é melhor mais cedo. O médico faz a ronda da manhã às 9:00 h. Preciso estar longe daqui !
_ Ok ! Você é quem sabe ! Mas se disser a alguém que eu te ajudei, eu torço seu pescoço ! – o amigo ameaçou brincando.
_ Você e mais quantos, Sully ? – Booth provocou, sabendo que o amigo jamais ganharia dele numa briga.
_ Muito engraçadinho... – ele resmungou indo embora.
Booth recostou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. O dia ia ser muito longo, a espera para ver Temperance ia matá-lo aos poucos.
Temperance subiu no banco das testemunhas e depôs contra os membros da gangue, explicando todos os procedimentos forenses usados em todo o caso. Os demais membros de sua equipe também foram ouvidos.
O dia foi extremamente cansativo. Os jurados se reuniram diversas vezes, mas no fim do dia, por unanimidade, todos eles foram condenados.
O Juiz informou a todos os presentes que, dali a poucos meses, alguns daqueles homens passariam por outro julgamento, o de tentativa de assassinato contra a Antropóloga Forense responsável pelo caso, a Dra. Temperance Brennan e o agente especial do FBI, Seeley Booth, que no momento se encontrava no Hospital, devido aos graves ferimentos que sofrera na tentativa de protegê-la. Todos sentiram-se penalizados e olharam para ela. Temperance fechou os olhos à menção do nome dele. O Juiz dispensou a todos.
Ela se levantou e foi se encontrar com Ângela. Precisava se despedir da amiga e depois ir para casa. Ela ainda ia terminar de arrumar sua mala. Seu vôo para Cancun estava marcado para a manhã do dia seguinte, suas merecidas férias a aguardavam. Teria tempo para relaxar e tentar esquecer os últimos acontecimentos de sua vida.
Quando saiu do Tribunal sentia sua cabeça começando a doer. Sentia o começo de mais uma de suas enxaquecas. Passara o dia com o estômago embrulhado e nem tinha conseguido almoçar, apesar da insistência dos amigos. Ela se aproximou de seu carro e seu coração quase parou ao ver Booth. Ele estava em pé, encostado em seu carro, uma das pernas enfaixada e uma muleta ao seu lado. Ela mal acreditava no que estava vendo, pelos seus cálculos ele ainda deveria estar no hospital.
Booth a viu se aproximar e prendeu a respiração. Ela estava linda, usando um blazer azul escuro sobre uma saia levemente rodada e saltos altos. Mas ele notou seu olhar triste e a testa franzida. Provavelmente não tinha ficado feliz em vê-lo.
Temperance se aproximou devagar.
_ Oi. – ele disse simplesmente.
_ Você devia estar no Hospital, Booth ! – ela apenas o repreendeu.
_ Sully me ajudou a fugir de lá. Eu precisava falar com você... E já que você não atendeu a nenhum dos meus telefonemas, não tive outra escolha, não é?
_ Quer que eu me sinta culpada ?
Booth suspirou.
_ Não. Eu só preciso que me escute ! Podemos conversar em algum lugar ? Sua casa, talvez...
Temperance pensou um pouco, não podia levá-lo para sua casa, ele veria uma de suas malas pronta na entrada do apartamento. Ele não podia saber de sua viagem, ou talvez tentasse fazê-la mudar de idéia. E com a dor de cabeça piorando, tudo o que ela não queria era uma discussão.
_ Não, é melhor eu levá-lo pra sua casa. Você nem devia estar de pé !
_ Fiquei aqui o dia todo... Minha idéia era alcançá-la pela manhã, antes que entrasse, mas me atrasei tentando escapar dos médicos. Sully queria esperar pra me levar, mas eu não deixei. Imaginei que pra você me ouvir eu teria que apelar... – ele tentou sorrir.
_ Você é louco... – ela disse e sorriu.
Ela abriu a porta e o ajudou a entrar no carro. Seguiram direto para o apartamento dele.
Booth abriu a porta do apartamento e a convidou para entrar.
_ Desculpe pela poeira, mas eu estive fora por tanto tempo... – ele disse enquanto fechava a porta e a levava até o sofá.
_ Você não tem uma empregada ? – ela perguntou por curiosidade.
_ Com o que eu ganho no FBI ? Você só pode estar brincando !
_ Desculpe... Não quis parecer arrogante... – ela se sentou no sofá.
_ Hei, eu estou brincando ! Eu tenho uma faxineira que vem uma vez por semana.
Temperance fechou os olhos e levou as mãos à têmpora, ele percebeu. Booth se aproximou, sentando-se com cuidado junto dela no sofá, tomando cuidado para apoiar a perna operada.
_ O que foi ? Está com dor de cabeça ? – ele perguntou baixinho começando a massageá-la no local.
Ela continuou de olhos fechados.
_ Hum...isso é muito bom...
Booth sorriu. Precisavam conversar, mas ela precisava relaxar primeiro. Ele sussurrou em seu ouvido.
_ Apenas relaxe, está bem ?
Ela balançou a cabeça concordando e encostou-se ao sofá, de olhos fechados. Booth prosseguiu com a massagem, mas de repente eles ouviram um barulho da porta se abrindo e a loira dos pesadelos de Temperance apareceu na sala.
_ O que está acontecendo aqui ? – Payton Perotta perguntou balançando um molho de chaves nas mãos e olhando para o casal no sofá.
Continua...
