Conflitos interiores

O ruído típico da manhã acordou-a. Os seus olhos permaneceram fechados. As suas mãos encolheram-se junto ao peito. Megumi relembrou toda a cena do dia anterior. Uma criança pequena saia daquele dojo. Não teve coragem de chegar perto. Ficou ali imóvel, junto a uma casa da vizinhança, vendo as duas figuras desaparecerem na esquina.

A confusão estava instalada nos seus pensamentos. No dia anterior Sanosuke tinha estado no clínica e parecia-lhe aparentar a mesma idade de quando se conheceram, em outra era, em outro mundo. Tudo era confuso para si. Uma sensação muito estranha e muita coisa para assimilar…

Levantou o tronco sobre o futon e relembrou o encontro com o jovem. Ele sorria e a sua abordagem foi tão natural quando a encontrou na cozinha.

Ele também se lembra… Levantou-se e vestiu o kimono. As netas do doutor deveriam estar a chegar.

Escovou o cabelo em frente a um espelho, devagar e pensativa. Olhou por momentos a sua cara, passou a mão suavemente sobre a face. Estreitou os olhos, acabou de se lembrar se o doutor também tinha as mesmas memórias… Seria por isso que a acolheu em sua casa? As meninas não aparentavam qualquer memória. Foram muito receptivas com a sua estadia na clínica, mas isso se devia as suas personalidades, as crianças são normalmente afáveis e não iam mentir ou esconder se tivessem alguma recordação.

Saiu do seu quarto, olhou em volta e ao longe viu o doutor vestindo somente com tanga típica masculina, levantou um balde com água junto ao poço e entornou-o no alto da cabeça. Megumi fechou os olhos e expirou. Que bela visão logo de manhã… O médico sacudiu a cabeça e respirou com coragem depois do banho frio.

- Bom dia Megumi! – Saudou-a de longe

- Bom dia! – Megumi disse e virou as costas em direcção à cozinha

O médico de longe reparou no rosto apático da jovem que virou as costas aparentemente perdida em pensamentos

Parada junto da bancada os seus pensamentos estavam entupidos com tanta informação. Estava estagnada, o seu corpo não se mexia, queria preparar algo para a refeição mas os movimentos estavam presos.

Ouviu de repente a entrada das meninas que corriam em direcção a divisão. Virou e encontrou-as, ambas, sorrindo alegres enquanto perguntavam o que era a refeição. O reflexo da médica foi baixar-se lentamente e abrir os braços enquanto as meninas se aproximaram, ela apertou-as num abraço e suspirou.

- Megumi, o que tens?

A médica sorriu e passou as mãos sobre os cabelos delas – Tinha saudades vossas…

As meninas riram e a mais velha disse inocentemente que não havia razão para isso pois estiveram no dia anterior com ela.

A jovem sorriu e acenou com a cabeça em sinal de compreensão mas sem explicar o verdadeiro motivo.

O médico acabou por entrar na divisão e viu a médica com uma cara nostálgica.

- Hoje não precisa de preparar a refeição. Tive uma urgência cedo e acabei por preparar a refeição mais cedo! – Acenou para a mesa

Megumi olhou e viu a refeição já preparada. Entorpecida em pensamentos nem tinha reparado

Levantou-se a começou a refeição com as pequenas. Enquanto comia olhava o doutor com curiosidade

O homem reparou na insistência do olhar – Passa-se alguma coisa Megumi-san?

A moça acordou dos seus pensamentos, aparentemente sem fome baixou os pauzinhos e abriu a boca para responder. Na verdade as perguntas eram tantas que não sabia o que dizer. Como deveria abordar o assunto sem parecer ridícula? Ou não seria ridícula pois ele se lembrava de tudo também? Olhou as crianças um momento e direccionou a pergunta para ao homem

- Você se lembra de mim? Antes de me ver ontem?

O homem parou de comer e olhou-a. Fitou uns olhos que esperavam uma resposta. As meninas comiam entretidas sem prestar atenção à conversa.

- Não percebi… antes de ontem? Você não disse que tinha acabado de chegar a cidade?

A expressão na sua cara era de total incompreensão pela sua pergunta. A médica baixou o olhar.

- Parece que hoje está um pouco apática. Talvez seja melhor descansar, hoje parece ser um dia calmo aqui na clinica, aproveite o dia e descanse!

A jovem agradeceu. Levantou a loiça e dirigiu-se para a cozinha. Lavou em total silencio e lembrou-se de ir ao centro da cidade. Saiu da clinica com as meninas, uma de cada lado.

A sensação de nunca ter passado por ali e no entanto conhecer todas aquelas ruas, as praças, as casas era uma sensação boa mas aterrorizadora.

Os seus olhos percorriam algumas áreas da cidade … essa visão dava-lhe a sensação de angústia. Como sentia tanta saudade de um lugar por onde nunca tinha passado?

As meninas puxavam a suas mãos conforme iam atravessando as barracas de brinquedos e petiscos, sempre em funcionamento durante o ano.

Megumi estava envolta no meio de uma rua movimentada, ainda assim, sozinha em seus pensamentos.

Alguns minutos depois as meninas entraram em êxtase

- Sanosuke! – Disseram ao mesmo tempo

O rapaz, alto e moreno, vinha de frente ao encontro delas.

Largaram as mangas de Megumi e correram na direcção dele. Levantou as meninas e acarinhou-as como de costume. Megumi parou a alguns metros e ficou fitando a cena. No meio daqueles pensamentos olhou o rapaz como se fosse a primeira vez em 100 anos, ontem não se tinha dado conta mas aquela cara era-lhe conhecida como as suas mãos. Ele ria com elas enquanto a fita vermelha balançava ao vento. A sua estrutura era a mesma, alto e bem constituído exibia uma excelente forma física por baixo de um casaco e ligas que escondiam o peito definido.

Os seus olhos pararam exactamente nessa zona enquanto, sem se aperceber, Sanosuke deixou as meninas no chão e foi ao seu encontro

- Bom dia! Algo errado com o meu peito doutora?

A médica piscou e levantou os olhos na direcção dos dele. Embaraçada virou-lhe as costas

- Bom dia! Preciso falar contigo!

O rapaz sorriu e percebeu que algo tinha mudado. Saíram do meio da multidão e sentaram-se juntos nas proximidades.

As pessoas passeavam pacificamente envoltas no seu quotidiano. Sanosuke esperou pacientemente a abordagem da médica.

- O que se passa? Ontem acordei de um sonho que me pareceu durar anos, estou confusa e sinto-me angustiada…

Sanosuke sentou-se mais confortável. Continuou olhando o aglomerado de gente que preenchia aquela rua

- Não sei. O mesmo se passou comigo a alguns meses atras. Fiquei na mesma situação que tu. Depois de assimilar todas essas memórias fiquei mais calmo e tentei procurar soluções…

A jovem olhou-o

- Isto é aterrador… Que soluções?

Sanosuke cruzou os braços e olhou o chão, concentrado

- Procurei pelos nossos amigos…

- E então? – Perguntou ansiosa

- O doutor Gensai leva a mesma vida, a Tae tem o restaurante da família dela e o Tsukioka ficou por Edo desde que a nossa patrulha foi dizimada, contínua pela cidade fazendo trabalhos de investigação ocultados pelo jornalismo… A diferença é que nenhum deles tem qualquer memória como eu, ou tu…

- Ontem, depois de acordar, corri para o dojo Kamiya, a primeira pessoa que me lembrei de ir ver, ao chegar lá tudo o que levava em mente ruiu… A Kaoru é uma criança! – Megumi levantou o braço incrédula, esperando que Sano tivesse uma resposta para contradizer o que viu

- Aconteceu o mesmo comigo, passei por lá muitas semanas mas o dojo estava sempre vazio. Uma das vezes entrei quando senti ruidos. Escondi-me e esperei por algum movimento. Ouvi a voz de uma criança e uma mulher. Percebi que a menina de cabelos escuros se chama Kaoru. Consegui integrar-me na clinica do doutor Gensai, fiz algumas perguntas uns tempos depois mas ele disse que não conhecia esse dojo nem ninguém que lá vivia. – O rapaz fez uma careta de abatimento- Não encontrei o Yahiko e sempre tive esperança que Kenshin aparece-se…

Megumi olhava-o espantada. Afinal o que tinha visto ontem era verdade. Não uma alucinação…

- Que idade tens?

- Tenho 21. E tu?

A médica olhou-o, confusa com as idades.- 23 anos… - respondeu

Depois de algum tempo em silêncio Megumi arrebitou lembrando-se do que Sanosuke tinha dito

- Esperas que Kenshin apareça? Tens razão, ele…

- Sim, depois destas memórias voltarem percebi que o Battousai, um dos responsáveis pela restauração, é a mesma pessoa que… que em outros tempos? – Havia dificuldade em se expressarem de como se referir a uma memória, de um tempo ou história, passados, idos, mas que ambos se lembravam.

- Sim, quem nunca ouviu falar dele… Afinal… Onde ele está?

- Não sei, talvez divagando pelo país… talvez ele não tenha qualquer memória. Há a probabilidade de nunca aparecer…

Impotência era a palavra que dominava Megumi. Seria um castigo? Relembrarem-se de memórias de uma família que outrora tiveram e agora, tudo tinha mudado, teriam de viver com essa "saudade"…

- O que vais fazer Sano?

O rapaz levantou a cabeça em direcção ao sol, de olhos fechados reflectiu – Vou continuar por aqui, certificar-me que não há perigo, e depois… depois talvez vá até ….

Megumi focou-se nas suas palavras. Tentou, com força lembrar-se o que estava relacionado com aquela possível vontade…

- Sayo?

Ele sorriu – Sim, quem sabe se os nossos destinos se poderão cruzar novamente…

Megumi recordou-se então, da história que outrora tinha ouvido. Não conheceu nenhuma dessas pessoas mas recordava-se que os seus amigos tinham estado meses afastados do dojo pois estavam travando uma batalha em uma das suas jornadas…

Megumi levantou-se bruscamente, chamou as meninas que brincavam nos arredores e cruzou os braços na sua frente.

- Continuas com ideias idiotas! – Atirou- Como podes pensar em romances agora?

Sano abriu os olhos e olhou-a com algum espanto

- A nossa prioridade seria procurar o máximo de pistas possíveis dos nossos amigos, procurar alguém que partilhe destas memórias, procurar…

Sano levantou-se e enfrentou-a sisudo – O que pensas que tenho andado a fazer durante estes meses? Achas que já não procurei por todo o lado, tentado obter informações? Queres ir até Quioto procurar o bando Oni? E depois? Quando lá chegares, vais dizer o que? Contar uma história mirabolante para todos se rirem de ti ou dizerem q estás louca? Achas que se eles não partilhassem das nossas memórias já não tinham vindo ter connosco, procurado por nós?

Megumi arqueou as sobrancelhas e percebeu o seu ponto. Tinha razão. Se ainda ninguém tinha vindo para os ver o melhor seria esperar e aguardar pela esperança que, algures, as memorias desses entes amigos voltassem.

- Sabes sequer se eles existem? Procurei pela família do Yahiko e não consegui saber nada. Ele existe? Já nasceu? Já morreu? – A tristeza no rosto de Sano era evidente ao lembrar-se da criança rebelde…

Todo o cenário era triste. Sano tinha razão e Megumi não teve palavras para lhe responder.

Sano levou as mãos para os bolsos e deu as costas à moça, antes de ir embora – Não te preocupes, as memórias dos bons podem voltar… As dos maus também! – O rosto de Megumi abriu-se em espanto, ainda não lhe tinha ocorrido isso - Mas já procurei por informações de Kanryo Takeda – Megumi tapou bruscamente a boca, como poderia não se ter lembrado daquele amaldiçoado nome antes? – Não te preocupes, até agora, não há nenhum registo dele, por isso estás a salvo de te meteres novamente em encrencas…

Megumi olhou-o de costas, ele tinha realmente lutado por saber do que se mantinha no envolvente actual. Lembrou-se dela e de toda a sua história antiga.

- Obrigada – Disse curvando-se ligeiramente

Sano virou-se e encarou-a – Por isso, acho que tenho direito a um "romance" seja onde e com quem for… até há próxima – Disse levantando a mão e desaparecendo entre a multidão na rua agitada.

Os seus pensamentos ficaram novamente turvos. A sensação de abandono assolou-a. Tanta gente há sua volta, tanto ruido que não significava nada no silêncio da solidão que começara a sentir. Que sentido tinham as suas memórias se já nada era como anteriormente?

Megumi chamou as meninas e sorriu levemente – Vamos para a clínica…

De mãos dadas ambas foram em direcção a casa, entorpecida Megumi era levada pelas crianças, perdida em pensamentos, sem se aperceber do caminho de volta…

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Os dias passaram, os dias, calmos, eram preenchidos com consultas e tratamentos a par com o Doutor Gensai. As vezes Megumi ficava fitando o velho como se esperasse que ele se lembrasse dela. O senhor notava o seu olhar e sorria. Megumi desviava o olhar e voltava a concentrar-se nos seus cuidados. A esperança de algum entrar pelo portão da frente, chamando o seu nome estava na sua cabeça a toda a hora. Não via Sanosuke desde aquele dia em que conversaram na cidade. A angústia era maior em pensar que ele tinha ido embora, para Osaka, sem ter passado ao menos para se despedir.

Depois de uma pausa, durante a tarde, o doutor abordou a jovem com um pedido

Megumi arqueou as sobrancelhas com admiração – Vou ficar sozinha?

- Sim! Terei de me ausentar três dias para poder reabastecer a clínica de ervas medicinais. A sua ajuda seria preciosa para assegurar o seu funcionamento. Já mostrou mais que uma vez que é capaz tomar conta deste lugar!

Megumi semi cerrou os olhos – Mostrei? Quando? Se cheguei a apenas algumas semanas?

O médico, admirado com rispidez dela, abriu os braços sem perceber – Ora, desde que chegou, tem feito um óptimo trabalho, os seus conhecimentos são vastos, gosta de crianças e tem todo o gosto em continuar a aprender… Quem melhor?

A jovem olhava-o como se a sua resposta não fosse o suficiente ou o que esperava realmente ouvir…

- Sinto-me lisonjeada com a confiança que deposita em mim…

O médico sorriu e abandonou o cómodo. Dentro uma médica desconfiada relembrava as palavras do velho. Estaria ele a esconder algo ou simplesmente ela estava a ficar obcecada com a ideia de que não era possível ela e Sano serem os únicos portadores de memórias?

No dia seguinte o médico abandonou a clínica ao fim do dia. Megumi ficou na varanda olhando o céu que ameaçava com chuva. Vestiu o seu yukata e fechou a clínica. Em caso de urgência estaria alerta caso batessem na porta frontal. Sozinha pensou em começar a preparar uma refeição ligeira para de seguida descansar. A noite começava a cair e a escuridão começava a apagar a luz do dia. Preparou a água do furo, deixou roupas lavadas na sala de banho e iria acabar a refeição na cozinha.

Um ruído no portão frontal fê-la largar uma taça de barro e correr para a porta da frente. Quem seria aquela hora?

Com passadas largas, correu para a entrada. Assim que chegou encarou ama cara familiar

- Sanozuke… - O nome do rapaz saiu com um suspiro

O rapaz, com as mãos nos bolsos, sorriu ao perceber o alívio da jovem, os seus olhos sorriram igualmente com a visão. Enquanto Megumi relaxava junto a um dos pilares de madeira, depois dos passos apressados, mal notou a ligeira abertura que o seu yukata tinha, inocentemente, feito. Levantou a cabeça depois de algumas inspirações ofegantes e encarou o rapaz que continuava parado na sua frente, sorrindo com os olhos.

Aqueles olhos, castanhos, da cor da terra, que ela conhecia tão bem, olhavam-na com aparente divertimento.

Num segundo um flash de rubor subiu para sua cara, endireitou-se e tapou correctamente a parte do peito e da meia perna que ficaram a mostra. Envergonhada olhou-o e autoritária exigiu

- O que estás aqui a fazer?

O rapaz, continuou a sorrir e caminhou na sua direcção – O doutor pediu-me para ir passando por aqui, para me certificar que estas bem, se precisares de alguma coisa…

A médica ficou por momentos estagnada enquanto aqueles músculos, definidos e morenos vinham na sua direcção. Os seus olhos, por segundos pregados no peito e ombros do jovem, levantaram-se bruscamente para lhe responder

- Estou bem, não é preciso nada!

O rapaz notou um ligeiro embaraço em toda aquela situação. Não era comum Megumi mostrar qualquer emoção parecida, sempre de ideias fixas, nunca haviam trocado quaisquer outros momentos que pudessem suscitar…. Alguma aproximação entre si?

- Então se não te importares, eu gostava de tomar um banho e comer alguma coisa…

Incrédula levantou-lhe a mão – Como o esperado… Não tens uma casa?

- Tenho, mas não tem zona de banhos, o doutor costuma deixar-me usar a de sua casa…

A figura de Megumi ficou altiva e voltou as costas em direcção a cozinha – Podes usar a zona dos banhos, tens sorte, a água está quente porque eu também ia tomar banho. Vai primeiro e não demores…

O rapaz olhou-a até desaparecer depois de abrir o shoji de uma qualquer divisão. A moça continuava exactamente como toda a memória que tinha sobre ela. Altiva, arrogante e… sedutora.

Sanosuke esfregava todo o seu corpo como que hipnotizado, com movimentos circulares e lentos ele não conseguia apagar da breve memória, os olhos negros, profundos, encaixados numa bela cara…

Entrou no furo quando sentiu uma porta bater

Megumi abrira a porta com força enquanto arfava e um leve rubor apareceu na sua cara

O rapaz, levantou ligeiramente a cabeça enquanto os seus ombros, dobrados fora do furo o mantinham fora de água

Megumi rolou os olhos sobre o seu pescoço, a fraca luz das velas dava mais ênfase aos músculos do seu pescoço, do maxilar forte e definido, a cara bronzeada, com os cabelos molhados só aumentava as feições bonitas do homem que ali se banhava.

Surpreso levantou o rosto e encarou-a a alguns metros

Megumi sentiu-se explodir e amaldiçoou-se por se sentir presa, nas palavras e pensamentos

O rapaz arqueou as sobrancelhas com espanto – O que queres?

Megumi ganhou novamente consciência – Esqueci-me completamente das minhas roupas aqui – Olhou, com um esticão, para o banquinho onde realmente tinha deixado à poucos momentos as suas vestes

Sanozuke segui-o o seu olhar e depois voltou-se novamente para ela – Se vais tomar banho de seguida porque não deixar onde estão?

Megumi sentiu alguma ira crescendo dentro de si, não queria parecer alguém importante para lhe dizer a verdade. Conhecendo-o como conhecia era bem provável que aquele mandrião andasse a mexer na sua roupa interior

Como se ele lhe lesse os pensamentos respondeu

- Não reparei sequer que as tuas roupas estavam aí. Descansa, não sou assim tão pervertido para lhes mexer… - Enquanto soltou a resposta para o ar, fechou os olhos e voltou a sua cabeça novamente apoiada sobre o furo, no meio dos ombros esticados e relaxados.

- Além disso deves achar que nunca vi roupas interiores de mulher…- soltou ainda de olhos fechados enquanto a sua boca fez um arco num sorriso que pareceu a Megumi estar a gozar consigo

Megumi percebeu a sua indiferença e suspirou levemente. Com a rapidez que abriu a porta, voltou, igualmente a fecha-la… Do lado de fora, colocou a mão no peito e passou as costas da outra mão pela testa. O calor que sentia, não sabia se era da casa de banho se da visão que teve. Envergonhada consigo mesma repudiou esses pensamentos e insultou-se por ter um comportamento tão infantil. Teria sido melhor não ter invadido a casa de banho ao invés de fazer uma fita por causa de umas vestes.

Os seus pensamentos não foram mais longe que isso, a porta abriu-se com um baque de rapidez, um pulo de susto fez o corpo de Megumi virar-se rapidamente quase em pânico. Na sua frente, o jovem que estava no interior, apoiava-se nu na ombreira, pingando e olhando-a

- Estive a pensar, porque esperares que eu acabe se podemos entrar os dois na água?

O coração de Megumi parou de bater, enquanto os seus olhos percorriam as gotas de água que corriam por aquela pele macia e bronzeada. Somente quando os seus olhos pararam na boca do jovem, que sorria maliciosamente, caiu em si

Antes que pudesse sequer levantar a mão e bater-lhe perante tal atrevimento Megumi sentiu um braço, forte e firme, rondar a sua cintura, levantou-a do chão, sem qualquer esforço e levou-a, vestida e rígida na direcção do furo, onde os dois mergulharam.

Completamente incrédula a médica caiu em si, depois de sentir a água em sua volta, romper o tecido até a sua pele, enquanto um corpo forte e grande a envolvia a toda a volta. O choque assolou-a de maneira que parecia se ter esquecido sair debaixo de água para respirar. Levantou o rosto e inspirou sofridamente. Assim que se conseguiu equilibrar puxou o yukata que agora, transparente e colado ao corpo exibia as formas femininas tão agradáveis aos olhos na sua frente.

Encontrou Sanozuke, olhando-a divertido, apoiado do lado de fora com os braços esculpidos e gotas de agua que pareciam diamantes caídos na pele. As pernas dele estavam à sua volta, duras e confiantes. Viu-se encurralada entre aquele corpo, imponente e desinibido, que divertidamente a encarava com diversão face ao seu embaraço.

Megumi, por segundos, sentiu-se perdida

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Nota: Olá! Como infelizmente estive parada na minha actividade algum tempo surgiu-me a ideia de escrever mais um capítulo. Espero que gostem, se a continuarem a seguir. Algumas mensagens de apoio foram importantes tal como os reviews da Valeska Waski e .Aguia que definitivamente adorei ler. Obrigada pelo apoio. Mudei também classificação para M, se continuar, eventualmente isto vai "aquecer". Espero que gostem, fico a espera de todas as opiniões. Beijo