LEGENDA:

Itálico - pensamento

Negrito - sonho/lembrança

- Já de pé? – ouvi a voz dele, e acabei levantando a cabeça para encara-lo.

- Tive outra lembrança, não consegui voltar a dormir. – mexi os ombros – Vim escrever antes que os detalhes sumissem. – eu estava sentada no chão, usando a mesa de centro como apoio para escrever. Ele se sentou também, ficando de frente para o meu lado esquerdo, passando cada perna em um lado do meu corpo. Era uma posição um tanto quanto estranha, confesso, ter uma perna dele sob os meus joelhos e a outra apoiada na base da minha coluna. Feito isso, ele se inclinou em direção ao caderno e começou a ler o que eu havia escrito.

- Não terminei ainda. – falei. Ele apenas balançou a cabeça, confirmando que havia me ouvido, mas sem deixar de ler.

- Eu me lembro desse dia. – ele falou assim que terminou de ler – Eu não estava no meu melhor dia e descontei em você. – ele levantou a cabeça e olhou pra mim, só então percebi o quão perto estávamos. Olhe para os olhos, não para a boca! Me repreendi. Pare de olhar para a boca dele! Não adiantava, quanto mais eu me cobrava, mais olhava e ele percebeu isso – O que foi Kagome?

Me afastei um pouco e voltei minha atenção para o caderno. Merda! Como ele consegue fazer isso comigo? Sentia que estava corada e tentei, em vão, ignorar isso, mas parecia que ele sentia prazer em me deixar sem graça.

- Nada. – balancei a cabeça de um lado para o outro e voltei a escrever, pelo menos eu estava escrevendo, até Bankotsu beijar a minha nuca. Um arrepio correu pelo meu corpo e eu tentei controlar minhas reações – Me deixe escrever. – disse em um sussurro. Não sabia se era capaz de falar numa altura normal sem que minha voz saísse esganiçada.

Ele ignorou meu pedido, beijando a base do meu pescoço e depois meu ombro. Olhei para ele com o intuito de manda-lo parar, mas voltei a ficar sem reação quando nossos narizes se encostaram.

- Por que você faz isso comigo? – perguntei.

- Porque eu gosto de saber que mesmo depois de tantos anos, você ainda tem essas reações quando te toco. – ele sussurrou e depois me beijou.

...

- Kouga? – não acreditava que ele estava ali, atrás do balcão de uma das cafeterias próximas ao apartamento.

- Sim. – ele se virou e deu de cara comigo. Ele vestia jeans escuros, camisa social dobrada até os cotovelos e usava o tradicional rabo de cavalo – Kagome! – ele sorriu assim que me reconheceu, deu a volta e saiu de trás do balcão – Como está? – nos abraçamos.

- Bem e pronta para outra. – brinquei enquanto piscava.

- Não mesmo! Não brinque com isso. – ele balançou a cabeça negativamente, enfatizando suas palavras.

- E então, - apontei para onde ele estava a poucos minutos – emprego extra? – brinquei.

- Não necessariamente. – ele sorriu encabulado – a cafeteria é minha.

- Como? – me surpreendi com sua resposta. Ele sorriu e me puxou para uma das mesas desocupadas.

- Tenho ela faz quase dois anos, mas você tem uma bela desculpa para não se lembrar. – ele piscou e eu ri, corada.

- Então você vem pra cá depois das aulas?

- Na verdade, quem cuida disso aqui é Ayame, mas hoje ela não pode vir, então estou supervisionando as coisas.

- Ela está bem? – confesso que fiquei um pouco preocupada com a esposa dele.

- Só acordou com fortes enjoos. – levantei as duas sobrancelhas – Sim Ka, ela está grávida.

- Parabéns! – sorri de pura alegria. Me lembrava o quanto eles queriam uma criança, falavam disso desde o ensino médio.

- Obrigado. Finalmente, depois de todos esses anos, ela me convenceu.

- Que Kami-Sama ajude a dar tudo certo.

- Também espero.

Continuamos a conversar sobre nossas vidas, nossos companheiros, o que esperávamos que acontecesse no futuro e quais coisas que achávamos, na nossa adolescência, que iam acontecer mas não aconteceram e o inverso.

- Quer que eu seja sincera? – ele confirmou – Eu não sei bem o que eu fiz durante todos esses anos. Eu nunca fui a melhor aluna, ou a melhor filha. Eu nem sei por que eu fiz esse curso! Mesmo eu amando isso, não tem futuro certo. Eu só sei que depois do acidente eu finalmente abri os meus olhos e percebi que eu não construí nada! Não fiz nada realmente produtivo, como você. – olhei para o estabelecimento – Isso é fruto do seu esforço. E você realizou o seu sonho de ser professor! Você sempre foi o melhor aluno, o cara popular da sala, e nem por isso menosprezava os outros.

- Alguém reparava muito em mim. – ele fez graça e eu corei.

- E tinha como não? O que eu quero dizer é que você tem algo para se orgulhar e eu? Nada. – me prendi em seus olhos, até que vi o sentimento de pena brotando deles – Não me olhe assim! Estou te falando isso para ser verdadeira, não para que você sinta pena de mim. – lhe dei um cutucão e ele riu.

- Não sinto pena de você. Ayame sempre foi ligada aos negócios, eu só a ajudei e ser professor sempre foi meu objetivo. Então, ter o que tenho e estar onde estou foi apenas o resultado do entendimento do que queria. Quem sabe agora que você percebeu isso não consegue achar o que realmente quer e corre atrás? – ele apoiou sua mão sobre a minha – Vamos lá Kagome! Nós somos jovens! Você deve ter 24 anos?

- 25.

- Grande diferença. – sua expressão de tédio me fez rir – Ache o seu desejo e vá atrás dele! Se precisar de ajuda, estarei aqui. Ou lá na escola. – ele piscou e eu sorri.

- Eu agradeço pelo chá, Kouga. – fiz uma pequena reverência assim que me levantei.

- Eu que agradeço, Kagome. – nos despedimos e eu saí da Cafeteria.

Decidi que aquele dia estava agradável demais para que eu simplesmente voltasse para casa e resolvi andar pelas ruas. Talvez eu vá a algum parque... Isso sempre renova as minhas forças.

...

Por conta da preparação para o festival Taimatsu Akashi, um dos principais festivais de fogo, as ruas estavam lentas. O fluxo de transportes e pessoas estava quase no mesmo ritmo. Crianças brincavam e pais tentavam acompanhar o ritmo deles.

- Ei Higurashi! – Suikotsu! Senti meu corpo gelar, mas continuei andando como se nada tivesse acontecido – Eu sei que você me ouviu. – apressei o passo e ouvi outras vozes. Muitas pessoas em volta. Passei a olhar para todas as possíveis rotas de fuga e virei em uma rua de mão única – Estou com tanta saudade de você, Hirugashi. Tanta que quero te apresentar para outros quatro amigos meus! – Merda! Precisa usar esse tom em uma clara ameaça? Passei a andar mais rapidamente, quando por fim o carro que eles estavam passou a andar ao meu lado. Dei meia volta e andei o mais depressa que pude – Vamos, ela está muito feliz por nos ver. – escutei as portas dos carros batendo e esse foi o meu sinal.

Sem pensar duas vezes, comecei a correr em meio à multidão.

Corri, tentando me misturar às pessoas. Minha mente fervilhava, parecia que meus pés sabiam exatamente o que fazer em uma situação como essa. Não demorando muito na mesma rua, entrando em ruas estreitas que nunca havia ido antes, rezando para que todas elas tivessem saídas e me surpreendendo com a forma que, mesmo vagamente, eu parecia reconhecê-las.

Estava tão agitada que não conseguia ouvir nada a não ser o meu coração pulsando em meus ouvidos e sentir meus pulmões ardendo pelo esforço. Não sei por quanto tempo corri, mas finalmente parei em um beco, me escondi atrás de uma caçamba de lixo. Tampei minha boca, me obrigando a regularizar minha respiração sem fazer muito barulho.

Escutei passos pelo beco e novamente o pânico tentou tomar conta do meu corpo. Olhei para cima e procurei por janelas ou qualquer dica de que havia pessoas por perto para me ajudar. Se eu gritar, será que alguém vai me ouvir? Voltei a prestar atenção nos passos, mas eles haviam parado. Mas...? Foi quando senti algo se movimentando próximo de mim. Quando virei por puro reflexo, alguém tampou minha boca.

- Shiiiiii. – reconheci aqueles olhos e tentei me acalmar. Bankotsu me soltou, novamente pedindo para que eu ficasse em silêncio. Ele se sentou ao meu lado. Tentei falar, mas todas as vezes que abria a minha boca, ele apertava o meu joelho em um claro pedido de silêncio.

Ficamos um tempo ali, até que por fim ele se levantou e me ajudou a levantar.

- Como você sabia? – limpei a poeira do meu vestido e da minha jaqueta. Outono havia vindo com tudo nesse mês de outubro.

- Já falei que não te perco de vista. – saímos do beco, olhei para os lados.

- Não faço ideia de onde estou.

- Tem certeza? Parecia que você sabia exatamente o que estava fazendo. – ele começou a caminhar e eu o acompanhei.

- Instinto talvez. – mexi os ombros. Caminhamos em silêncio por um tempo, até que, quando chegamos à principal novamente, ele entrelaçou nossos dedos e passou a me guiar pela mão.

Por que isso parece tão certo? Olhei para nossas mãos.

- Teve uma tarde agradável na cafeteria? – ele me perguntou.

- Sim. Vi Kouga. Conversamos por um tempo, ele é sempre muito sociável e agradável. Fazia tempo que não nos víamos.

- Desde o festival cultural. – ouvi ele comentar. Parei. Como ele sabe disso? – O quê? – ele olhou preocupado para mim.

- Como você sabe que eu não o vejo desde o festival? – o encarei de forma séria.

- Pra quê tanto drama?

- Porque isso aconteceu antes de eu realmente te reencontrar, não teria como você saber disso. – tentei soltar nossas mãos, mas ele a segurou com mais força. Ele respirou fundo.

- Esse não é o momento para essa conversa.

- Sempre essa desculpa. – puxei bruscamente meu braço, me soltando dele – Quando as respostas virão? – ele passou a mão pelo cabelo.

- Assim que eu resolver tudo e você estiver segura.

- Como posso saber com o que ou com quem estou lidando se você me deixa às cegas? – ele não se pronunciou o que me deixou furiosa. Saí pisando duro, com a intenção de voltar para casa – Não me siga.

...

- Como estão as coisas filhota? – ouvi a voz de meu pai.

- Bem confusas. – ele fez carinho no topo da minha cabeça.

- Depois melhora, te garanto.

- Assim espero. – me levantei, lhe dei um beijo no rosto e segui para o meu quarto.

Agora eles resolveram atacar de frente... Mas por quê? Porque depois de tanto tempo e mesmo eu sem minhas memórias eles continuam insistindo nisso? Tomei um banho de banheira, tentando relaxar o estresse que havia passado e tentando colocar a cabeça no lugar.

Vi quando meu celular tocou, mas era uma mensagem de Sesshoumaru.

"Rin também ganhou um Daruma. O quê isso significa?"

Gelei por aquilo. O que eles querem dizer?

"Eu não faço ideia. Conseguiu descobrir alguma coisa sobre a Yakuza?"

"Nada concreto. Te aviso caso consiga algo realmente importante."

"Ok."

Ele não me enviou mais nada e eu voltei a me preocupar com os Darumas. Sabia que as duas pessoas que poderiam me dar respostas estavam meio indisponíveis no momento, então tive que recorrer à terceira.

...

- Kagome? – Miroku estranhou minha ligação – Está tudo bem?

- Tudo, preciso falar com você sobre a Youkai. Será que poderíamos nos encontrar? – ele ficou em silêncio por alguns segundos.

- Estou saindo para ir à farmácia comprar algumas coisas para as meninas, mas a que temos convênio fica próximo à estação Nagatasho. Consegue me encontrar lá em vinte minutos?

- Sim.

- Ok. – ele desligou o celular e eu me apressei para chegar lá a tempo.

...

- Olá senhorita Kagome, - ouvi a voz de Miroku – do que precisa?

- Rin e Kikyou receberam Darumas, o que isso significa?

- Hun... – ele pensou um pouco, enquanto olhava um pacote de fraldas – Normalmente são apenas lembretes de que essas pessoas estão sendo observadas. – ele voltou a olhar para mim – Não se preocupe, não é um aviso de morte, ou coisa parecida. – respirei um pouco, só um pouquinho, mais aliviada.

- Como você sabe disso tudo? – as palavras saíram da minha boca antes que eu controlasse.

- Meu pai era o braço direito de Naraku antes de você. – me espantei pela informação e por ele dizer o nome dele com tanta facilidade – Cresci aprendendo muita coisa sobre a Youkai, mas por insistência do meu pai nunca entrei. – ele colocou uma lata de leite em pó na cesta que carregava – Me surpreendi bastante quando você ocupou o lugar dele.

- Mas eu achava que o seu pai era auxiliar executivo!

- Bom, de certo ponto de vista, ele era. Naraku trata a Youkai como uma empresa.

- E, pelo que me lembro, seu pai morreu decorrente de embolia, por conta da trombose.

- Essa foi uma das causas. Mas acredito que meu pai não era tão necessário assim, já que três meses depois você entrou. – ele seguiu para o caixa e eu fiquei parada no corredor. O pai de Miroku foi assassinado, indiretamente, por minha causa! – Não fique com essa cara, Ka. Meu pai sabia muito bem no que estava se metendo, então não invente nada de estúpido, ok?

- Uhun. – balancei a cabeça confirmando.

- Venha. – comecei a segui-lo – Vou te deixar em casa.

- Certa vez você me falou que existiam outros quatro como você, já posso saber a resposta ou vou continuar quebrando a cabeça para descobrir sozinha? – perguntei assim que entramos no carro dele.

- Pense bem Ka. Você sabe a metade dessa resposta... Se eu sou um deles, quem são os outros? - ouvi suas palavras, mas continuei calada – Nada? Sinceramente, Ka! – ele riu um pouco e voltou a ficar sério – Quando você desconfiar de alguma resposta, me avise. Aí sim você estará pronta para saber.

- Duas são meio obvias, Bankotsu e você, mas e os outros?

- Parabéns, você já tem 2/5 da resposta. – revirei os olhos por conta da resposta dele.

...

Miroku me deixou no Templo e seguiu para casa. Encontrei meu pai e Souta acordados, assistindo luta livre, os cumprimentei e segui direto para o meu quarto. Darumas são lembretes... Mas por que as duas, em questão, estão sendo vigiadas? Por que não eu, ou até mesmo Sango? Porque ela é esposa de Miroku, que era filho do braço direito de Naraku... Se bem que vigiada eu já sinto que sou. Perseguida então... Ri sem humor e bati a porta do guarda-roupa com um pouco mais de força do que o necessário. Não faz sentido! Segui para o banheiro e comecei o ritual de preparação para dormir no automático. Eu tenho que ter deixado alguma coisa para me dar dicas de como decifrar o pendrive e descobrir de onde a bendita chave é! Tentei fechar a gaveta da escova de cabelo, mas ela agarrou e não fechou. Forcei ela mais um pouco e nada. Merda! Só pra me irritar. Por fim consegui fechar.

Voltei para o quarto e sentei na cama em posição de buda. Uma chave, um pendrive, um celular e um caderno. Pensei em todos os itens encontrados e tentei conecta-los de alguma forma. Bufei. Me levantei, indo até minha mochila e pegando os dois cadernos, juntamente com os outros itens e o notebook. Coloquei tudo em cima da cama, conectei o pendrive no notebook e, enquanto esperava que algo acontecesse, abri os cadernos e peguei o celular. E se eu ligasse para o mesmo número que me ligou? Procurei no registro de chamadas, encontrando o que procurava. Respirei fundo e apertei a rediscagem.

Um toque. Nada.

Dois toques. Nada.

Três toques. Nada.

Isso foi uma ideia muito idiota. Pensei, carrancuda comigo mesma.

Quatro toques. Nada.

É óbvio que ninguém vai me atender! Tirei o aparelho de perto da orelha, desliguei e o coloquei novamente em cima da cama. Parabéns Kagome! Qual é a próxima ideia brilhante? Descobrir onde a Youkai fica e encarar Naraku frente a frente? Rolei os olhos por causa dos meus pensamentos insanos. Foi então que reparei que o pendrive havia aberto uma janela e pedia login e senha.

Comecei a folear os dois cadernos em busca de algo que poderia servir como pista ou dica, mas nada me pareceu útil o bastante. Pense Kagome, pense! Qual seria o seu login em uma organização como essa? Fiquei alguns minutos deitada, encarando o teto e a única coisa que se repedia na minha mente eram as palavras de Bankotsu. Naraku trata a Youkai como uma organização, uma empresa. Cada um possui seu cargo, deveres e responsabilidades correspondentes ao mesmo. Lá, todos são necessários, mas ninguém é insubstituível.

Sentei. Há várias formas de categorizar funcionários. Peguei o caderno de anotações e comecei a rabiscar nomes. Por exemplo, pode ser por número de entrada, e-mail, cargo ou por documentação. Listei possíveis nomes, meus e-mails e os números de documentos. Só consigo pensar nessas categorias! Deve ter algo mais... Voltei para os cadernos e passei mais tempo procurando alguma dica por eles. Li aqueles números aleatoriamente, ainda sem entender nada do que eles significavam, e me lembrei de um pedaço de memória que havia recuperado. Diplomata! Folheei até achar o que procurava e reli, tentando lembrar de mais detalhes.

Vamos Kagome! Fechei os olhos com força. Você digitou algo para fechar a tela, provavelmente uma senha e, se Kami-Sama me ajudar, espero que seja a mesma para ter acesso por aqui. Passei a cena novamente na cabeça, principalmente o início, quando eu digitava algo para fechar a janela. Lembra, lembra!

Pensei o máximo que consegui, mas nada aconteceu. Guardei as coisas, frustrada comigo mesma e deitei. Não consegui dormir, pensando em várias coisas que eu achava que havia feito, baseando-me no que tinha lembrado. Eu tinha um cargo burocrático, quase não ia a campo, era braço direito de Naraku e o ajudava nas negociações. Virei de bruços e abracei o travesseiro. Como as pessoas não nos reconheciam nas ruas? Como eu consegui esconder isso da minha família e amigos? E por que raios eu trabalhava em um estúdio?!

...

Senti o impacto de algo macio, porém consistente o bastante para fazer com que o meu nariz ficasse dolorido, em meu rosto e acordei no susto. Vamos ignorar a parte que eu acordei gritando. Olhei em volta, mas não consegui achar o culpado. Vi meu travesseiro no chão. Então essa foi a arma. Pensei carrancuda.

- Só assim para você acordar. – gelei ao ouvir uma voz masculina vinda do banheiro. Franzi a testa e olhei para os dois lados. Pronto, agora ferrou de vez! Estou ouvindo vozes – Não, você não está maluca. Corrigindo, não tão maluca. E não, eu não leio mentes, antes que você me pergunte.

Gelei. Ok, tem alguém no meu banheiro. Me levantei, alcançando meu travesseiro, e segui em passos lentos até aonde achava que a pessoa estava.

- Sério mesmo? Com medo de mim? – ouvi uma curta risada e esperei minha respiração se regularizar antes de abrir a porta – Ande logo Dama, não tenho o dia todo.

- Você? – perguntei assim que abri a porta e me deparei com um rapaz, de aparência mais nova que a minha, porém familiar, sentado na beirada da banheira como se fosse uma coisa bem normal ficar sentado ali, enquanto espera ser encontrado.

- Me reconhece? – ele inclinou levemente a cabeça.

- Você me parece familiar, mas não sei exatamente o porquê.

- Você me ligou, desesperadamente, diga-se de passagem, e eu vim. Agora me diga, o que havia de tão importante a ser dito para ter me ligado às duas da manhã? – continuei olhando fixamente pra ele, encaixando as peças.

- Você é o cara que eu vi no porta-retrato, junto com Bankotsu! – fechei os olhos com força – Embaixador. Esse era o seu cargo. – abri os olhos e ele sorria para mim.

- Porta-retrato?

- Há uma parede cheia deles no meu apartamento e você está em um deles. – pensei em me aproximar, porém me limitei a mudar o peso de perna - Além do mais, me desculpe por não te reconhecer realmente, mas perdi minha memória recente.

- Hun... Ban me contou isso. – franzi a testa e o encarei. Jakotsu. Meu irmão.

- Jakotsu. – sussurrei.

- Mas já se lembrou de mim? – ele riu e se levantou. Continuei parada e me surpreendi quando ele me abraçou – Não me dê um susto como esse, ok?! Meu pobre coração não aguentaria ficar sem a minha cunhadinha preferida. – soltei o travesseiro e o abracei de volta. Eu não me sentia acuada ou desconfortável, não sabia explicar o motivo.

- Por que você estava aqui dentro?

- Foi só pra fazer suspense. – ele riu e piscou para mim – Mas agora me diga, o que houve?

- Acho melhor você ver. – segurei sua mão, mostrei as coisas que havia achado e lhe expliquei minhas dúvidas. Ele sentou na cama, conectando o pendrive no notebook e olhando fixamente para a chave.

- Bom, você sempre foi cheia de mistérios, mas acho que alguns eu posso te ajudar. – eu sentei ao seu lado – Se for o mesmo da Youkai, é esse aqui. – ele escreveu 'herdeira' no campo do login – Agora senha é com você. – ele colocou o notebook em meu colo e eu olhei fixamente para a tela.

- Não consigo lembrar. – bufei de frustração. Ele bagunçou o meu cabelo.

- Não se preocupe cunhadinha, uma hora você lembra. Quanto a isso aqui – ele levantou a chave –, é da sua sala na Youkai. – ele segurou minha mão e colocou a chave no centro dela – Não a perca, ok?! – balancei a cabeça confirmando – Quanto ao caderno, não posso te ajudar, isso era coisa sua. E o celular, bom, você sabe para que um celular serve, certo? – ele cruzou os braços e piscou para mim. Corei, franzi a testa e estreitei os olhos. Está me chamando de idiota? Cara de pau! Ele riu e me deu um beijo na testa.

- Tenho que ir, já vai ficar claro o bastante pra eles me verem. – ele se levantou e seguiu para a janela, só então reparei que o sol começava a nascer agora – Quando precisar de mim, me ligue. Mas não faça isso com muita frequência, ok?! Tenho vida própria querida, não posso ficar ao seu dispor. – ele sorriu enquanto piscava e depois me mandou um beijo. Saiu pela janela como se sai por uma porta.

Pouco tempo depois ouvi batidas na porta.

- Querida? – meu pai abriu apenas uma fresta – Está tudo bem? Pensei ter ouvido você conversando com alguém. Pense Kagome, pense! Olhei para o notebook.

- Perdão papai, acordei cedo e estava assistindo a vídeos no Youtube. Não sabia que estava tão alto. – ainda bem que o fato de eu estar corada por estar mentindo para ele, poderia ser facilmente confundido por vergonha por tê-lo acordado.

- Tudo bem, só abaixe o volume, por favor. Sua mãe me enxotou da cama para vim ver você. – ele sorriu torto e eu o acompanhei. Balancei a cabeça confirmando.

- Pode deixar. – ele piscou pra mim e fechou a porta. Olhei para a tela e a senha ainda esperava para ser digitada. 'Herdeira'. Bankotsu disse que esse era o nome com o qual os Youkais me conheciam inicialmente. Mas qual era a senha?

Olá pessoas!

Esse capítulo, foi meio difícil de ser feito por motivos de: já tenho o 11 e o12 prontos, então montar uma conexão entr esses foi bem complicadinho. Espero que não tenha ficado muito confuso. ^^'

- Yogoto : kkkk Orfão é a denominação que os 'estagiários' recebem dentro da Youkai. Todos os que entram, e não tem cargo definido são chamados assim. Só depois que passam a atender pela sua função. Bankotsu e Jakotsu chegaram como 'Orfãos' e depois passaram a atender como 'Realizador' e 'Embaixador'. Quanto ao Shippou, ele já apareceu! Kkkk É um dos colegas de sala do Souta e um dos "porquinhos" da Kagome (juntamente com o Koraku e o Souta). Espero que tenha te ajudado a entender um pouco mais e desembolado sua mente kkkk

*Momento Jhully Youtuber*

Sei que mereço ser chicoteada, xingada e outras coisinhas por ter demorado tanto, mas será que mereço piedade? Hein, hein...? #Pleaseee

P.s.1: Erros? Me avisem! Aí corrijo e tudo fica lindo! :*

P.s.2: Quando vem o próximo? Quando eu acrescentar os acontecimentos do capítulo de hoje no outro. :D

Até a próxima ;*

#Beijos