Capítulo 10 – Antagônicos.
Eu havia acordado com o ovo atravessado nessa manhã. Eu tinha certeza, que, se alguém me torrasse a paciência hoje, eu chutaria o pau da barraca e provavelmente quase mataria alguém verbalmente. Só não fisicamente porque sou nova demais para ir à forca, e ainda não plantei uma árvore e nem namorei ninguém. Então... Sabe como é.
Me levantei já batendo com meu dedinho do pé na ponta da cama, o que me fez saltitar segurando o pé, resmungando e dando gemidos de dor. Eu estava com vontade de voltar a dormir e não acordar mais naquele dia. Sem falar que, o meu mau humor repentino significa que minhas regras estão vindo. Que ódio!, eu pensei. Tem vezes que eu odeio ser mulher.
Regras, é um deles.
Enfim, deixando esse assunto de lado... Depois de tomar um banho e me arrumar, fui até a sala da Sue. Meu serviço neste dia seria varrer o hall de visitas e de entrada, e depois a sala de jantar. Catei a primeira vassoura que vi e fui fazer meu trabalho. Fui primeiro, para a sala de jantar, onde todos os Cullen já se retiravam depois de tomar um bom café da manhã. Sorri para todos, e por um milagre, Rosalie retribuiu.
Jasper também. Senti algo estranho quando o vi dando um sorriso lindo para mim. Logo depois, Bella também sorriu e me deu um beijo no rosto. – Bom trabalho. – ela disse. Eu varri o local, depois Jessica apareceu sorridente e passou um pano na mesa, depois de tirar a toalha da mesma e os talheres e pratos sujos. Ajudei Angela, depois de varrer, a enxugar e lavar a louça, tirando que isso seria trabalho de Jessica. Até que meu mau humor não estava tão atiçado hoje.
Calmamente, segui até o hall de visitas, que estava, pra variar, vazio. Só tinha as poltronas, os sofás, a lareira e o grande tapete com pele de tigre – o que achei uma pena, um animal tão lindo ser morto apenas para fazer um tapete, que, querendo ou não, ficou lindo. E é muito, muito confortável.
Depois de varrer e dar uma geral no local, como passar pano em cima da lareira apagada, tirar o pó dos locais, limpar as longas janelas, e tirar um pouco de pó que havia em cima dos sofás, eu suspirei. Meu braço estava doendo como nunca. Mas eu ainda tinha que limpar o hall de entrada. Isso fez minha cabeça rodar por alguns segundos, só pensando que eu deveria limpar mais coisas.
Isso estava me matando.
Senti uma longa contorção. Regras. Estavam por vir. Provavelmente viriam no decorrer desta tarde, ou ao cair da noite. Eu estava me mordendo de raiva por causa disso. Gostaria de poder não ter regras. Devia ser algo que as mulheres ao nascer, pudessem escolher. Por que as mulheres tem que sofrer tanto?
Quer dizer, na hora de perder a pureza, as mulheres sofrem com a dor. Algumas, pelo menos. Na hora de ter um filho também. Não que eu tenha passado experiências como essas. Ainda, acho. Apesar de eu não pretender me casar ou ter filhos. E agora, a dor das regras vindo. Isso era torturante. Por que as mulheres tem de sofrer tanto, meu Deus?
É coisa da igreja católica. Só pode.
Fui até o hall de entrada, e eu não sabia por onde começar. Passar um pano, varrer...? Decidi passar um pano no chão primeiro. Molhei-o no balde com água já não muito limpinha, e contorci-o, para tirar o grande excesso de água e comecei a passar pelo chão. Estava um pouco úmida, mas garanto que o piso de mármore escuro ficaria bem mais bonito e brilhante por causa disso. Obrigado pelas técnicas domésticas, mamãe!
Depois, passando outro pano seco para secar mais rápido, varri. Não tinha tanta sujeira, depois claro, de ter passado o pano. Abri as janelas e deixei que o ar fresco da manhã de quarta-feira tomasse conta do local. Suspirei, aliviada. Agora eu teria de fazer mais coisas, certo?
Errado.
- Alice. – ele disse, atrás de mim. Senti um arrepio ao ouvir sua voz aveludada e já imaginei quem seria. Jasper.
- Sim? – perguntei, virando-me para ele. Ele sorriu de forma gentil, o que me agradou. Eu me sentia tão calma perto dele. Eu gostava de ficar perto dele. Talvez fosse apenas pela sensação boa que ele me transmitia. Mas isso não vem ao caso.
- Gostaria de dar uma volta? – ele perguntou com olhos curiosos.
- Eu tenho que trabalhar, Jasper. – suspirei, chateada comigo mesma. Imagina se o mau humor bate naquela hora? – E suas mudanças de humor estão me deixando louca. É sério.
- Louca? – ele tinha um tom divertido no rosto. – Louca? Mas você já não é, Alice?
O sangue me subiu. Controle-se Mary Alice. Controle-se. Foco no seu trabalho, não dê bola para esse louro desgraçado e branquelo, meu subconsciente berrava para mim. Mas eu não estava agüentando. Meu pulso estava louco, querendo esticar-se para trás e meter um murro na cara dele. Mas tinha grande chance de eu acabar sendo presa ou ir para forca por tentar quase matar uma pessoa da família real. E eu não quero isso.
- Olha – comecei – Vou fingir que não escutei isso, certo? – e dei um sorriso falso.
- Tudo bem. Então. – ele disse, sorrindo. – Quer dar uma volta? – e seu hálito frio bateu no meu rosto, fazendo-me rodar novamente. Uma palavra: desgraçado. Meu humor qualquer hora iria explodir de raiva e eu PROVAVELMENTE acertaria uma na cara dele. Ah, se ia. Eu não estava me agüentando.
- Eu tenho que falar com a Sue e... – mas eu fui interrompida. – Eu já falei com a Sue. – ele disse, confiante e vitorioso. Ok. Perdi.
- Tudo bem, então. – falei, emburrada.
Ele sorriu novamente, e me arrastou, literalmente para fora do castelo. Fomos andar pelos grandes campos das terras dos Cullen, onde eu costumava andar com a Penny, antes de ele voltar. Agora nem ando muito, com medo de acabar fazendo alguma besteira e cair em cima dele. Não quero levar outra bronca e ainda por cima, sobrar para o Mike, que é um garoto tão gentil. Isso dá até raiva, às vezes.
Conversamos sobre várias coisas: começamos com o clima. Estava nublado, pra variar. Ele disse que gostava de chuva e frio, e eu falei que odiava. Depois, partimos para comida. Eu falei que adorava coisas doces, e ele disse que odiava.
- Eu gosto de andar de cavalo. – falei.
- Prefiro carruagem. Não irrita tanto. – ele riu.
Revirei os olhos.
- Oh. – ele disse. – Eu gosto de passar as noites em claro. É divertido.
- Eu odeio. – e rosnei. – Odeio não dormir muito. Eu fico irritada e o mau humor me consome.
Ele riu novamente, de forma baixa. Provavelmente tirando um sarrinho da minha cara, mas isso não ia ficar assim. Eu ainda meteria uma no meio da cara dele. – Eu gosto de cães. – falei, sorrindo e me lembrando do cãozinho vira lata que eu tive quando era pequena. Ele se chamava Barney. E eu gostava dele.
Barney era sapeca e vivia aprontando, até que um dia, morreu por causa da idade. Era velho demais, e não se agüentava mais em pé.
Jasper estremeceu. – Ugh. Odeio. – ele fez uma careta e franziu o nariz. – Eles... São... Fedidos. – ele disse por fim, botando a língua para fora.
Eu ri. As caras e bocas que ele fazia eram engraçadas. Ele olhou para mim, rindo.
- Eu reparei. Somos antagônicos. – ele disse.
- Anta... O quê? – desculpe Jasper, a minha ignorância não permite que eu entenda palavras difíceis.
- Antagônicos. O oposto de cada um. – ele sorriu. – Por exemplo, fogo e gelo, cão e gato, quente e frio. Onde um está, o outro não pode estar. Se não, gera um conflito.
- Acha que já teríamos nos matado, então? – perguntei segurando o riso.
- Tecnicamente... – ele riu e eu segui com ele. Que assunto era aquele? Hilário.
Até que paramos de andar no grande campo do castelo. Ele estava de cabeça baixa e seu sorriso desapareceu. Ele levantou a cabeça, olhando para mim. Curiosamente, eu pude ver a dor em seus olhos. O que tinha acontecido?
- Alice, nós... – ele mordeu o lábio inferior. – Nós não podemos ser amigos. – aquilo foi como a espada do Rei Arthur atravessando meu corpo. Como assim? – Eu vivo em um mundo completamente diferente de você. Eu sou perigoso demais para você.
Eu dei um riso nervoso. – OK. O que você é? O padre da Igreja Católica disfarçado? – falei, encarando-o agoniada, mas a ironia tomou conta de minhas palavras.
- Eu sou algo pior. – ele em encarou, sério.
- Oh! – exclamei. – É o papa, então? – bufei. Estava tudo tão bem! Por que tudo tinha que piorar daquela forma? – Você não é perigoso. Eu sei disso. Fale sério, homem!
Ele botou os cabelos para trás, com apenas um gesto com as mãos. – Alice, isso é sério, eu...
- Você não quer. – acusei, por fim.
- O quê? – ele perguntou confuso.
- Você não quer se despedir ou se afastar. Seja lá raios o que você estiver fazendo. – botei uma mão na minha cintura e outra em meus cabelos. – Eu vejo, claramente, a dor em seus olhos e em suas palavras, Jasper. Você não quer. – afirmei, fechando os olhos. Ele suspirou. Agora estava nervoso: - OK. Eu não quero. Apenas acho que se você fosse inteligente, não se aproximaria em um raio de dez metros de mim. – ele agora pareceu calmo.
- Vamos fingir que eu não sou uma pessoa inteligente. – o sarcasmo tomou conta. – Aliás, estamos convivendo sob o mesmo castelo, Jasper. Você está a apenas um andar longe de mim. São o quê? Três metros? – bufei. – E quando que eu fui inteligente?
- Quando você se afastou de mim. – ele acusou.
- Eu pensei que você me odiasse. Jasper, se eu fosse inteligente, eu não seria um ímã para problemas, ou qualquer coisa do tipo. Eu não cairia de Penny, como aconteceu naquele dia.
- Você tem um problema perigosamente mortal na sua frente.
- Chega! – bati pé. – Você é o quê, afinal? Não é um padre, ou papa, um maníaca estuprador e muito menos aqueles gordos com pelanca na barriga e usa um, capuz preto com dois furos nos olhos e no nariz, que leva as pessoas condenadas para a guilhotina ou forca! Que diabos de ser perigoso você é?!
Sua boca perfeita se contorceu em um sorriso sacana. – Adivinhe.
Fim do capítulo 10.
AWNNNNNNNNNNNN. Momentos Bella x Edward tomaram conta de mim nesse capítulo. Desculpem-me a demora para postar. Acredito que eu vá demorar mais alguns dias por causa das provas, e minhas notas estão viradas na Alice mau humor. -n Não sei se eu vá voltar a postar nesta semana, ou até a metade da semana que vem, talvez. Semanas de provas, além do mais, tenho que estudar, e MUITO! Saca? 8D Então, espero que tenham gostado desse capítulo, apesar do lixinho que ficou. Vão ter melhores, prometo.
Enfim, to sem tempinho para responder as reviews de novo, desculpe! É que vão levar meu computador para arrumar em alguns minutos, já estão preparando o do meu pai no escritório ao lado. Daí PANZ! Meu pc tá velhinho e muito lerdo, migs. Então, apenas deixo agradecimentos de coração. Amei todas as reviews que recebi ok? Agradeço de coração à:
Lilith Mah Cullen, Lety Snape2, Raffa '-', Bellah, Mah Rathbone, Tiapastelera, Maluh Potter Cullen, Alice Elfa Cullen (aliás, sem problemas amor! Amei a review! hahaha. *-*) e Annabella. Obrigado, MEEEEEESMO!
Beijos e boa semana, amores. Espero que tenham passado o feriadão bem, hihi.
Mel.
