Capítulo 10: Vida.

A noite passada havia sido perturbada o suficiente. Não sabia o que tinha acontecido exatamente... Deve ter feito um feitiço pra se soltar, nunca deixei nenhuma bruxa escapar, e ainda por cima eu a amarrei duas vezes, impossível meu nó ter se desfeito...

A menos que eu tenha errado o nó... Não, não. Nunca. Isso era totalmente intangível. Mas mesmo assim, aquela culpa escondida estava sondando meus pensamentos e me causando inquietações. A culpa aumentava só de pensar na possibilidade de que eu teria inconscientemente de propósito errado o nó. Uma tentativa frustrada e me livrar do problema, mas garantir a vida daquela que fazia meu sangue esquentar e correr depressa por todo o corpo.

Quanto mais tentava me convencer de que ela era uma bruxa, mais duvidava de mim mesmo, e com medo. A imagem inocente e pura dela não condizia com a de uma bruxa. Sua falta de chama no olhar, sua falta de experiência mostrada através do toque delicado de seus dedos finos e delicados. Suas palavras doces, sua conversa amigável, seu olhar adocicado, seu jeito prolixo de me fazer pensar coisas que nunca havia pensado antes. Mas o que me convencia do contrário era aquele fogo descomunal que sentia. Aquele... tesão incontrolável com seu beijo enfeitiçado, aqueles pequenos olhares lascivos que brotavam ao sentir meu sexo pressionar o seu. Aquela sua voz aveludada gemendo loucamente ao sentir minha língua passear pelo seu corpo.

Mas seria aquela noite real? Nada vi, o que me deixava mais intrigado, mas tudo o que senti foi extremamente... Magnânimo. Talvez por isso fosse mentira, já que não sei se pode existir na vida real prazer igual a aquele que senti. Mas eu senti, e tinha certeza disso. E era nisso que eu iria me apoiar.

Não podia ficar pensando que aquilo foi uma mera viagem de meu corpo sedento de vontade, um verdadeiro tarado por tocar aquela pele macia, por lamber aquela mulher com gosto de licor. Devia aquilo ser mais uma de suas bruxarias, e para que elas me atingissem, viva ela estava, isso era certo já.

Sendo assim, resolvi que iria procurá-la. Agora meu papel se inverteria novamente. Não seria mais a serpente, nem a maçã, seria eu o próprio deus que vai até Eva para castigá-la. Por mais que eu quisesse me colocar no lugar de deus, eu já sabia que o que cabia a mim era apenas o papel de Adão, seduzido e perdido pelos encantos de Eva.

Era a primeira vez que isso me acontecia. Sentia-me um fraco, um fracassado, e tinha nojo de mim mesmo. Tanto odiei as bruxas por terem acabado com a minha família e destruído meu irmão, e agora... Agora meus desejos mais profundos eram de encontrar aquela mulher, mas não para matá-la como já fiz inúmeras vezes. Queria encontrá-la para comer junto a ela a maçã amaldiçoada. Mesmo que não fosse isso que eu estava predisposto a fazer.

O querer não é poder. O que eu queria era esquecer da minha família, de meu irmão, e de minha vida até aquele momento. E me entregar de cabeça a aquela bruxa. Pela primeira vez em muitos anos minha vida monótona e sem sentimentos ganhava cor com a presença dela. Cor vermelha... Não, rosa. Não! Já sei, cereja. Mas esquecer não é possível. Ignorar não é fácil. E engolir o meu orgulho e meu eu machucado não era uma opção. Restava-me apenas acabar com aquela que me tirava os pensamentos, me roubava as noites vazias, me enchia de vida.

~ {Bom pessoal, como esse capítulo é bem curto, e vocês me alegraram bastante com as reviews, postei ele no tempo normal, que é de uma semana. Fico feliz de todos colocarem suas opiniões sobre o curso da história. Gosto de ouvir opiniões, e de idéias a respeito da trama. Sakura é bruxa ou não? Viva ou morta?} ~

NO PRÓXIMO CAPÍTULO:

Mas mesmo assim, aquela culpa escondida estava sondando meus pensamentos e me causando inquietações. A culpa aumentava só de pensar na possibilidade de que eu teria inconscientemente de propósito errado o nó.

Não percam o próximo capítulo de A maçã da bruxa!Capítulo 11: Lágrimas de sangue.