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Sakura e Hinata saíram pela manhã para fazer compras. Retornaram duas horas depois com as mãos cheias e prontas para o início das atividades. Preparam primeiro a sobremesa, depois limparam e arrumaram tudo dispondo os móveis de maneira que as pessoas transitassem livremente, mantendo apenas uma pequena mesa de cerejeira no centro da sala que serviria como bufê de frutas e frios.
Já era quase quatro horas da tarde quando terminaram tudo.
– Hinata, que tal se nós descansarmos um pouquinho? – Sakura se sentou no chão do corredor, não queria tirar nada do lugar. – Só uma cesta, depois que acordarmos salvamos nossa aparência.
– Para mim parece uma ótima ideia. – Hinata se sentou ao lado da amiga, massageou os pés e apoiou a cabeça no ombro de Sakura. – Não estou acostumada com isso.
– Mas fizemos um bom trabalho. – Sakura bateu de leve na perna dela animando-a. – A casa está linda e cheirosa.
– Hum-hum... – Hinata bocejou. – Será que nós podemos começar agora, acho que vou deitar aqui mesmo.
– Vem. – Sakura se levantou e ergueu Hinata junto. – Vamos para a cama. Vou colocar o celular para despertar em uma hora. – deixou a amiga no quarto dela. – Se você ainda estiver dormindo eu te acordo.
– Ok. – Hinata já estava embarcando no sono. – Você vai deitar também, não vai?! – disse com a voz mole de sono.
– Vou. Vou sim, não se preocupe. – Sakura fechou as cortinas. – Já estou indo.
Hinata ergueu a cabeça antes de ela sair do quarto. – Você parece uma mãe.
Sakura sorriu sem graça e anuiu com a cabeça.
– E será uma mãe maravilhosa. – murmurou Hinata antes de cair no sono.
Sakura deitou e por longos minutos permaneceu olhando para o teto. Em todos aqueles anos não se lembrava de alguém cuidando dela. Era sempre o inverso. Sempre cuidando de si mesma, da casa que não era nem mesmo bem vinda. Virou para o lado. Por que estava se atormentando agora? Desde que mudara para Tóquio tivera dias felizes e em paz, mas a criança rejeitada dentro dela ainda esperava algo que nunca teve. Suas lembranças vieram dançando em sua mente em espiral. Viu seu próprio rosto infantil molhado em lágrimas, os rostos desaprovadores de seus pais, o rosto de Naruto quando ainda era criança e com um sorriso enorme, o rosto de Tsundade, Hinata, Konohamaru e a última imagem antes de pegar no sono a fez sorrir sem sentir.
Ao ouvir o celular tocar uma hora depois, Sakura resmungou um palavrão e se arrastou para fora da cama. Não precisou acordar Hinata pois ouviu barulhos na casa e os seguiu encontrando a amiga na cozinha preparando chá e comendo biscoito.
– Aceita?
– Com certeza. – Sakura sentou-se. – Nem me lembro se comi alguma coisa hoje.
– Eu sei. – Hinata serviu duas xícaras. – Que tal se começarmos a nos torturar.
– É. Eu já ia dizer isso. – Sakura bebeu um pouco do chá.
– A que horas eles chegarão? – questionou a morena.
– Não sei. Ai Hinata. – Sakura esfregou os braços. – Que medo!
– Não seja boba. – Hinata riu. – Está tudo incrível. Já sabe o que vai vestir?
– Já sim.
– Então mãos à obra Sakura-chan. – Hinata largou a xícara na pia e bateu palmas para animar Sakura.
Já passava das sete horas quando elas terminaram de se arrumar. Sakura ligou o som numa altura agradável. A mesa de centro estava abastecida e o jantar estava servido na cozinha.
Sakura estava de cabelos soltos, vestido grego na cor verde, sandália romana sem salto e bracelete e brincos do mesmo motivo.
Hinata também usava o cabelo solto, saia tulipa vermelha cintura alta com cinto fino preto, blusa branca com listras verticais na mesma cor da saia e sandálias de salto preta.
– Bom... – Sakura se sentou ao lado de Hinata na sala e esfregou as mãos em sinal de nervosismo. – Confesso que estou nervosa.
– Ah! Eu também. – Hinata colocou as mãos sobre a barriga. – Meu estômago está dando nó.
– É fome. Come alguma coisa. – Sakura pegou uma uva e comeu. – Quem sabe passa.
Hinata fez uma cara de nojo e afundou no sofá.
Itachi estava com o carro estacionado em frente ao prédio de seu irmão esperando que os dois o acompanhasse.
– Bem que a gente podia ir a pé. – sugeriu Naruto ao se aproximar do carro de Itachi. – É perto daqui.
– Entra logo. – Sasuke ordenou dando-lhe um tapa na cabeça.
– Ei, para com isso. – Naruto reclamou e sentou no banco de trás.
– O que é isso? – Sasuke perguntou a Itachi pegando três caixas que estavam no banco do carona.
– Uma garrafa de vinho e um agrado para as moças. – Itachi o encarou e sorriu indulgente. – Eu tenho educação.
– Até parece. – debochou Sasuke. - Vamos logo.
– Sakura-chan vai encher o meu saco. – Naruto fez um bico de indignação pensado nos sermões da amiga sobre ser romântico.
– Por quê? – Itachi quis saber e deu partida no motor. – Me indica o caminho.
– Vira na primeira à direita, depois à direita novamente. – Naruto indicou o caminho enquanto respondia a pergunta. - Porque todo mundo que vai lá leva alguma coisa menos eu. Vira à esquerda depois à direita. – avistou o prédio. – Pode parar em frente àquele prédio de quatro andares com a fachada verde.
– Essa garota é bem interesseira. – Sasuke criticou tentando imaginar a figura.
– Não é não. – Naruto a defendeu. – Ela só gosta de tirar uma com a minha cara. – sorriu. – Ontem, Konohamaru apareceu com flores e ficou galanteando as duas. Ela não perdeu a oportunidade de me ridicularizar já que estou interessado na Hina-chan.
– Você é um cara de pau, Naruto. – disse Sasuke rindo e fazendo Itachi rir também. – A menina mal chegou à cidade e você já está dando em cima.
– Dando em cima nada. – o loiro apressou-se em esclarecer enquanto saiam do carro. – Eu gosto dela. Vai ser minha namorada.
– Então a aposta valeu a pena afinal? – perguntou Itachi pegando os embrulhos da mão de Sasuke, acionando o alarme do carro e avaliando a fachada do prédio.
– Valeu. E como valeu. – Naruto deu um sorrisinho malicioso que fez seus amigos retribuírem em puro entendimento de machos. – Vamos subir.
– Um lugar simples. – comentou Itachi ao chegarem ao último andar. – Porém é charmoso.
– Precisa ver o que elas fizeram lá dentro. – Naruto parou em frente à porta delas. – Parece mostruário de loja de tintas. – sorriu e bateu na porta.
No mesmo instante o celular de Sasuke tocou, pediu desculpas diante dos rostos franzidos de Naruto e Itachi e se afastou para atender.
Sakura levantou-se de sobressalto e com o coração acelerado ajeitou o cabelo e a roupa.
– Merda! Estou parecendo uma colegial. – Sakura censurou-se. – Vamos logo! – esbravejou com Hinata que permanecia sentada.
– Mas eu quero ficar aqui. – Hinata choramingou com a esperança de ser deixada de lado.
– Sem chance. – disse a cabelo rosa em tom cortante, foi até ela e pegou-lhe a mão fazendo-a levantar. – Estamos nessa juntas e somos adultas.
– Não me sinto nem um pouco adulta neste momento. – a morena murmurou já perto da porta.
Sakura sorriu para Hinata tentando passar confiança e abriu a porta. Olhou visivelmente surpresa para Naruto e para o moreno incrivelmente sexy que estava à espera. Um pequeno sorriso curvou os lábios de ambos os rapazes.
– Boa noite. Entrem por favor. – Sakura e Hinata se afastaram dando passagem.
– Boa noite para você também Sakura-chan. Hinata. – Naruto ficou ao lado da morena e capturou sua mão. – Esse é Uchiha Itachi.
Por interesse, Itachi cumprimentou primeiro Hinata com uma saudação simples. Beijou-lhe rapidamente a mão e entregou-lhe um dos embrulhos. Concentrou toda a sua atenção na moça de cabelo peculiar.
– Então você é a famosa Sakura. – Itachi segurou a mão dela com intencional suavidade. Um toque caloroso e delicado. Ela parecia mesmo uma deusa. Não era alta, mas era esbelta, pele branca e suave, os olhos mais verdes que já vira, a boca atraente e cabelos genuinamente rosa. Era fantástica! – É um prazer conhecer vocês. – olhou para a morena e sorriu. Ela também era belíssima, mas certamente já tinha companhia. Seus olhos voltaram-se para Sakura e levou a mão dela aos lábios em um beijo deliberadamente lento e só então a soltou.
– O prazer é todinho nosso. – encantada Sakura recebeu os dois embrulhos que ele lhe ofereceu e agradeceu. Viu Naruto e Hinata se sentarem. Afastou-se da porta para deixar os embrulhos em cima do aparador próximo e retornou ficando atrás da porta com a mão na maçaneta. – Sasuke-kun não vem?
– Ele está atendendo um telefonema. – disse Itachi com uma carranca e ainda próximo a ela. – Ele às vezes é mal educado.
– Não tem problema. Vamos esperá-lo. Sente-se Itachi e fique à vontade. – a rosada indicou-lhe o sofá.
– Por enquanto, aqui está ótimo. – ele permaneceu próximo a ela.
– Naruto me disse que você é o chefe dele. – Sakura o observou com total admiração.
Itachi era um homem lindíssimo e apesar de nunca tê-lo visto, pareceu-lhe muito familiar. Era incrivelmente atraente com seus cabelos muito pretos e longos amarrados na nuca, os olhos tão negros quanto podia ser, alto e de porte atlético, uma cara de anjo cansado e muito, muito sedutor. Sem falar no timbre de voz que era demasiada deliciosa.
– Ah! É assim que ele se refere a mim? – o moreno olhou de relance para o casal e sorriu.
– De vez em quando. – Sakura elevou a voz para atrair a atenção de Naruto. – Aliás, você não trouxe nada para nós.
– Não falei. Já começou. – a risada suave de Hinata atraiu a atenção de Naruto. Ela estava tão bonita e cheirando maravilhosamente bem. – Eu adoro você. – sussurrou e beijou-lhe rapidamente.
Hinata derreteu como gelo no fogo e o ritmo cardíaco aumentou batendo contra suas costelas. Olhou apaixonada para aqueles incríveis olhos azuis e experimentou a excitação e o pavor ao mesmo tempo. Acariciou o rosto de Naruto e beijou seus lábios. Como podia estar apaixonada em tão pouco tempo?
Sakura e Itachi limitaram-se a conversar entre eles deixando o casal de lado. Sasuke se aproximou da porta e ouviu alguns murmúrios, olhou para dentro do apartamento e viu seu irmão em pé próximo à entrada, Naruto acompanhado de uma morena estranhamente familiar ao qual supôs ser a tal da Hinata.
Que maravilha! Pensou Hinata ao ver quem estava parado à porta. Sorriu discretamente e ouviu Naruto exclamar um até que enfim e se levantar para recebê-lo. Ela fez o mesmo.
Sakura saiu de trás da porta e todo o seu sistema entrou em choque. Sua respiração mudou o ritmo e seus olhos arregalaram-se de surpresa.
Os olhos de Sasuke fixaram-se nela. Fascinado, sentiu um ardor reverberar por todo o corpo. Era ela, e era muito além do que seus encontros fugazes haviam permitido apreciar. Surpreso e deliciado, ele correu os olhos por sua silhueta e o tesão lambeu seus sentidos provocando aquela dor gostosa que há muito não sentia, talvez nunca tivesse sentido antes. Graças a Deus que ela era uma gata exótica de estética longe das passarelas e revistas. Apesar de ele trabalhar com supermodelos, esse tipo de mulher já não lhe chamava atenção. Ela diferia agradavelmente, era pequena, cabelo curto e de corte simples provavelmente pela praticidade. Sabia que aquele corpo era saudável e bem torneado, a pele era clara e certamente macia dando-lhe um desejo febril de tocá-la. Ele a viu curvar sutilmente o pescoço para a esquerda e apertar os lábios em sinal de nervosismo. Ótimo! Deu toda atenção àquela boca que o fustigou com sorrisos e beijos remotos e seus olhos prenderam-se aos dela por alguns instantes até que ela quebrou o silêncio.
– Como vai Sasuke-kun. – Oh meu Deus! Em que fui me meter. Era o que pensava enquanto era sacudida pelos tremores.
– Boa noite. – Sasuke deu um paço à frente. Um sorriso lento iluminou os traços de sua boca. Ela tinha uma voz firme e doce e o fazia pensar em bebida à base de cerejas. – Desculpe o inconveniente.
O pulso de Sakura acelerou mais ainda e devolveu a ele o sorriso que lhe resultou impossível apagá-lo de sua boca. De repente se sentia incrivelmente contente.
– Não se preocupe. Entre. A casa é sua literalmente.
Sakura deu passagem e quase perdeu o fôlego ao ver o sorriso dele mais aberto. Sem contar que o timbre de sua voz era mais infernal que a de seu irmão. Suspirou algumas vezes tentando recuperar o controle enquanto fechava a porta, mas ao vê-lo novamente constatou que era uma batalha perdida. Ele era lindo de matar, alto e forte, um rosto magnífico, os cabelos tão pretos quanto os olhos e arrogantemente sexy. Ela precisava manter-se centrada, mas quem diria que suas brincadeiras inocentes a colocariam em um beco sem saída.
Apresentações feitas, Sakura abriu os presentes que Itachi lhe deu e agradeceu efusivamente pelos bombons e pelo vinho apesar de não entender absolutamente nada de qualidades vinícolas.
– E agora, o que eu faço? – ela perguntou a Itachi evitando olhar para Sasuke.
– Posso? – Itachi pegou a garrafa. – Vocês têm um saca-rolha e um recipiente com gelo?
– Tenho sim. Na cozinha. Vem. – ela gesticulou para Itachi e seguiu em direção à cozinha. – Vem também Sasuke-kun.
– O que ela tem? – quis saber Naruto assim que eles saíram da sala. – Será que não gostou deles?
– Não se preocupe. – Hinata se aconchegou a ele. – Ela só está tímida.
– A Sakura-chan?! – o loiro beijou o topo da cabeça de Hinata. – Isso é novidade. Vamos atrás deles.
Sakura sentia-se mais à vontade estando ocupada. Entregou a Itachi tudo o que ele solicitou aproveitando para apresentar a cozinha.
– Da próxima vez que vocês vierem aqui não serão visitas, mas hoje não. – ela pegou as taças da mão de Itachi. – Fique quietinho aí enquanto eu cuido de tudo. – o empurrou suavemente para a cadeira e pediu que ele se sentasse.
Sasuke estava recostado no balcão próximo a pia observando Sakura como uma águia. Bem que seu irmão podia virar fumaça. Viu Naruto e Hinata entrarem na cozinha e se sentarem. Precisava fazer alguma coisa urgente e ocorreu-lhe algo.
– Sakura. – Sasuke a chamou.
– Oi. – ela estava lutando para parecer à vontade, mas era impossível com aquela voz do pecado chamando por ela. Olhou para ele e suspirou discretamente. Jesus! Ele estava maravilhoso naquele jeito relaxado apoiando a bunda no balcão.
– Você poderia me mostrar o resto do apartamento? – pediu ele com um ar tão indiferente que era impossível acreditar que ele realmente quisesse ver alguma coisa.
– Claro, claro. – um pouco afobada e começando a tremer novamente, Sakura passou por ele que a seguiu para fora da cozinha. – Desculpe, eu sou um pouco desajeitada.
– Não tem problema. – eles voltaram para sala. Na verdade ele não estava interessado em decoração, tão pouco no imóvel. Só queria estar com ela longe dos outros. – É bem espaçosa. – respondeu a pergunta que ela fez sobre a sala.
– Sei... – Sakura sorriu. – Você nem prestou atenção no que eu disse.
– Talvez...
– Vem. – Sakura deu-lhe as costas e olhou por cima do ombro. – Vamos ver o restante se você ainda estiver interessado é claro. – e voltou ao corredor.
– É claro. – murmurou ele admirando o movimento enlouquecedor daquele quadril.
– A cozinha você já conheceu. – disse ela ao passar pela porta do cômodo em questão e indo direto para a porta do final do corredor. - O banheiro. – abriu a porta e esperou que ele avaliasse. – Alguma chance do dono mandar instalar uma banheira? – olhou para ele esperançosa. Sasuke negou. – Não?! – fechou a porta. – Eu já sabia disso.
Sasuke apenas sorriu.
– Esse é o quarto da Hinata. – ela esperou que ele olhasse. – E esse é o meu. – abriu a única porta que ainda faltava. Por alguma razão, sentiu-se desconfortável. Diferente dos outros cômodos, Sasuke entrou no aposento dela.
– Por que vermelho? – perguntou ele ao reparar na parede de cabeceira do futon, reparou que as cortinas eram brancas com flores estampadas também em vermelho entre outros detalhes.
– Eu gosto de vermelho. – respondeu ela. – Combina com minha personalidade.
Sasuke desviou toda sua atenção para ela e a olhou fixamente nos olhos. Ele aproximou-se dela devagar prendendo-a em seu olhar. Sakura não compreendia como a atmosfera entre eles mudara tão drasticamente tornando-se quente e densa. Não conseguia desviar os olhos mesmo sentindo-se encurralada. Ele enroscou os dedos nos cabelos dela e a encurralou entre ele e a parede.
– Eu acho que rosa combina mais com você. – ele queria beijá-la, ela tinha um cheiro suave e singular, não era perfume, talvez fosse o cabelo ou a pele, mas era inebriante.
– Você nem me conhece e já está julgando pelo que vê. – ela abaixou o rosto um pouco decepcionada. A cor de seu cabelo era sempre um incômodo.
– Mas vou conhecer. – Sasuke suspendeu-lhe o rosto segurando o queixo. – Se você deixar. – escorregou os dedos pela mandíbula dela passando pelo pescoço em direção a nuca adentrando nos cabelos de maneira sedutora. – Em que pé nós estamos?
– Co-como?! – ela perguntou confusa. Os dedos dele acariciavam seu couro cabeludo. – O que quer dizer?
– Vamos continuar brincando ou você prefere que sejamos diretos. – questionou ele gravando cada detalhe daquele rosto.
Sakura entreabriu os lábios deixando a respiração passar, fechou os olhos por um momento tentando pensar. Seu sorriso foi surgindo lento e sensual. No fundo queria continuar a brincadeira. Não fora ela que começara?
– Eu gosto de brincar, mas acho que não poderá ser com você. – abriu os olhos e vibrou ao vê-lo tão sério. – Você já tem entretenimento o suficiente. – tentou se afastar.
– Espera! – praguejou frustrado ainda segurando-a. – Karin é só uma colega de trabalho.
– Tem certeza? – Sakura semicerrou os olhos como se duvidasse de suas palavras.
– Absoluta. – murmurou ele próximo a boca rosada sentindo sua respiração quente e acelerada.
– Se é assim... – disse ela no mesmo tom de voz que Sasuke usara, roçou os lábios nos dele e fugiu para o corredor. – Vem Sasuke-kun. Vamos jantar. – sorriu travessa quando seus olhos se encontraram e entrou na cozinha.
Sasuke apertou os dentes, mas os cantos de sua boca ergueram sorrateiramente.
Sakura ofereceu a sobremesa assim que todos se mostraram satisfeitos com a refeição principal. Serviu o sorvete com calda caseira de cereja e saboreou cada colherada.
Sasuke apreciava cada movimento dela e seu corpo fisgava de desejo toda vez que ela levava a colher à boca. Sakura parecia criança tomando sorvete, mesmo assim, o ato parecia-lhe muito sexual. Seu sangue esquentou mais um pouco quando a viu arrastar o indicador pelo prato e levá-lo à boca. Uff!
– Não gostou do sorvete Sasuke-kun? - a voz de Sakura o despertou de seu transe.
– Está ótimo. – ele olhou para o seu prato e notou que mal havia tocado no doce, levou uma colherada à boca, viu o sorrisinho de Itachi e o fuzilou com o olhar.
– Mentiroso. Não tem problema se não quiser. – Sakura deixou o prato de lado. – Amanhã vou ter que correr uns 10 km. Comi demais.
– Acho que vou te acompanhar. – Hinata fez uma careta só de pensar no esforço. – Vai ser duro seguir o seu pique.
– Que nada. – Sakura sacudiu a mão em desdém. – A gente começa devagar. – reparou que todos haviam terminado. – Vamos para a sala.
Um pouco zonza por causa do vinho e começando a sentir-se cansada, Sakura tirou as sandálias e deitou a cabeça no encosto do sofá mantendo os olhos fechados. Naruto e Hinata se aconchegaram na chaise.
Itachi havia percebido o interesse de seu irmão em Sakura desde o momento em que chegaram. Só para provocá-lo sentou ao lado dela e a fez apoiar a cabeça em seu ombro. Sakura não resistiu.
– Você tem um cheiro tão gostoso. – Itachi sussurrou e riu ao ouvi-la ronronar e entrelaçar o braço ao dele. – Vá se deitar Sakura. Você está dormindo em pé.
– Eu... Estou bem. – disse com a voz meio pastosa. – Só quero ficar aqui mais um pouquinho. Você é tão fofo.
Sasuke rangeu os dentes. Queria estrangular seu irmão. Itachi sorriu provocando-o.
– Diga-me Sakura. Por que quis ser médica? – perguntou o Uchiha mais velho.
– É uma história comprida e acho que não consigo contar ela direito hoje. – disse Sakura com os olhos ainda fechados curtindo a companhia de Itachi. Ela estava se esforçando para não ficar intimidada com a presença de Sasuke e o único modo era seguir a corrente.
– E que tal se você e Hinata passarem o próximo final de semana na minha casa e então pode me contar. – Itachi convidou com toda a simplicidade do mundo como se fossem velhos conhecidos.
– Não sei... – Sakura titubeou e olhou de esguelha para Sasuke.
– É uma ótima ideia Sakura-chan. Aceita Hina-chan. Minha mãe quer conhecer vocês.
– Sua mãe?! – surpreendida, Hinata o encarou sentindo um friozinho subir-lhe pela espinha.
– Aceita vai, por favor. – insistiu Naruto.
– Por mim tudo bem se não estivermos de plantão. – concordou Sakura tentando contar os dias de trabalho, mas sem sucesso.
– Nossa folga é sexta e sábado. Trabalhamos no domingo à noite. – esclareceu Hinata e viu esperança nos olhos de Naruto. – Tudo bem. De acordo.
– Ótimo. Então está combinado. – Itachi pegou a mão de Sakura e beijou. – Leve-me até a porta. – os dois se levantaram. – Já vou indo.
– Está cedo Itachi. Fica mais um pouco. – pediu Sakura, mas acompanhou-o até a porta ainda de mãos dadas.
– Outra hora. – Itachi tocou a ponta do nariz dela com carinho. – Obrigado. Estava tudo delicioso. – beijou cada lado de seu rosto e abriu a porta. – Boa noite.
– Boa noite. Tchau!
– Acho melhor nós irmos também Naruto. – sugeriu Sasuke e se levantou.
Naruto se despediu de sua amada com um beijo apaixonado enquanto Sasuke e Sakura permaneceram próximos à porta, eles se encaram sem trocar qualquer palavra.
Os rapazes se despediram de Sakura beijando-a no rosto. Quando Sasuke se despediu, ele beijou propositalmente no canto da boca de Sakura que sentiu um friozinho na barriga e sorriu débil. Ela fechou a porta e viu o sorrisinho de Hinata ao se aproximar dela.
– Que noite em senhorita. – disse Hinata toda risonha.
– Nem me fale... – Sakura falou com ar sonhador e foi para o banheiro decidida a tomar um bom banho e cair na cama logo em seguida.
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