N/A: Os Personagens dessa estória não me pertencem. (exceto os originais.) Alguns personagens podem ter mudanças em suas personalidades. A estória a seguir possui cenas de violência e sexo, se não fica confortável lendo esse tipo de conteúdo, por favor não leia.

N/A²: Preferi deixar os codinomes "Tiger" (Tigre) e "Tempest" (Tempestade) em inglês mesmo, acho que fica mais original deixá-los assim já que a história se passa nos Estados Unidos.

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— Como assim? Talvez tenha realmente sido um suicídio, Edison. — Liv disse, com o coração na boca diante daquela notícia. Ela disse aquilo para Edison, mas a conversa que tivera com Alícia no banheiro da mansão dos Graham em Malibu, rondava sua cabeça.

— Liv, lembra-se daquele dia na mansão dela em Malibu? — Edison perguntou, e Liv percebeu que não era a única que havia lembrado daquele dia.

— Óbvio, aquela confusão toda com o governador. — ela respirou fundo antes de prosseguir. — Você acha que houve uma conspiração para que ela fosse "queimada"?

— Eu não acho, eu tenho a plena certeza de que foi isso, Liv.

— Como pode ter tanta certeza? A gente nem chegou a ir mais fundo nessa história toda.

— Ela me ligou ontem à noite, logo depois que te mandei aquela mensagem. Ela me pediu por socorro, disse que precisava de proteção ou que a matariam, ela dizia o tempo todo que eu precisava ajudá-la. — Edison falava rapidamente, sua voz trêmula. — Eu perguntei o que tinha acontecido e pedi que ela se encontrasse comigo aqui, mas ela não apareceu Liv. Uma pessoa que pede por ajuda e marca um encontro para tentar se proteger, não se mataria.

— Eu concordo — Liv deixou seu lado detetive aflorar, e soube que se entrasse naquela confusão poderia queimar a si mesmo, e pior ainda, queimar a candidatura de Fitz. É, ela ainda tinha que pensar nele. Mas ela sabia que não conseguiria dormir sem tomar alguma providência. — Façamos o seguinte, Ed. Eu estou morando na casa que era da minha avó materna, Elizabeth. Sabe onde é, não sabe?

— Sim, já fui lá com você — ele respondeu.

— Me encontre lá hoje a noite, por volta das onze horas. Pode ser?

— Claro.

— E Edison, tome cuidado — Liv falou, seu tom de voz era profundamente preocupado. — Se eles descobrirem que você e Alícia conversaram no telefone, vão querer investigar e podem te tornar o suspeito número um. — Liv olhou para os lados, e os seguranças que a seguia anteriormente, estavam vigiando à distância, então ela sentiu-se segura para continuar falando. — Eu vou dar um jeito de apagar os rastros dessa ligação, Ant. Vou apagar qualquer vestígio que possa te incriminar, mas preciso que mantenha o silêncio. E esse é o pedido mais sério que já te fiz, pois caso percebam que você sabe de alguma coisa que possa atrapalhar o plano, irão atrás de você. E então, você será o próximo da lista, Ant.

— Fique tranquila, manterei o silêncio e você será a única que saberá disso —Anthony falou, sua voz parecia mais calma. — Obrigado, Liv. Sei que não estamos bem, mas você é a única pessoa que confio para falar sobre isso.

— Infelizmente, não posso dizer o mesmo de você. Mas mesmo assim, não acredito que seria capaz de matar uma pessoa — Liv falou, temendo que no fundo pudesse acreditar o contrário. — Qualquer coisa, me ligue.

Liv levantou-se e voltou a caminhar em direção a garagem principal, mas antes que alcançasse o fim do corredor, sentiu sua mão sendo embalada por uma mão forte e quente. Ela olhou e seus olhos encontraram as órbitas azuis penetrantes de Fitzgerald.

— Posso almoçar com você? — ele perguntou, pegando Liv de surpresa.

Ela estava abalada com a notícia, mesmo não tendo nenhum contato profundo com Alícia, aquela morte havia mexido com os sentimentos dela, mas como falar sobre aquilo para Fitz? Ela meditou por um milésimo de segundo, antes de decidir não comentar sobre aquilo com ele.

— Liv? Tudo bem com você? — Liv assentiu, sorrindo fracamente.

— Só estou um pouco cansada — ela falou e então resolveu mudar o tópico. — Vamos alimentar os paparazzi? — Liv perguntou, sorrindo e tentando não pensar na morte de Alícia.

— Também — ele disse e sorriu.

— Se não me importunar, aceito sua companhia — Liv disse com um sorriso maroto e voltou a ir em direção à garagem, sendo guiada por Fitz. Assim que chegaram na mesma, apenas quatro agentes os seguiam como de costume. Vários carros pretos saíram da garagem e outros esperavam apenas a saída do carro com Fitz para segui-lo.

Liv caminhou até o carro presidencial, já que ela imaginou que ele fosse usá-lo. Mas ele puxou-lhe a mão gentilmente, e ela o olhou curiosa.

— Vamos usar outro, um tão seguro quanto o oficial, mas que nos dá mais discrição. — Liv o olhou e depois atentou-se a olhar em volta. Havia muitos carros ali, e Fitz entendeu o que passava na mente de Liv, por isso apontou para o carro que usariam.

— Achei que nosso relacionamento fosse o oposto de discreto — Liv falou com o tom ácido.

— É você está certa, mas até certo ponto — Fitz levantou uma sobrancelha, enquanto Liv caminhava até o outro carro.

— No que estou errada, senhor? Eu só vejo erros de sua parte.

— Cite um para mim, senhorita. Qual são os erros que tenho cometido? Preciso saber para que possa corrigi-los — Fitz disse e Liv pensou em como tudo aquilo estava errado, para começo de conversa. Mas o que realmente a havia irritado era o fato de que nem ela mesma ter percebido que ficaria "amarrada" a Fitz por tanto tempo e só ficara sabendo através do advogado e no fim das contas sentia que todo aquele plano não traria benefício algum para si.

— Pelo que vejo tudo tem sido pelo seu próprio interesse, por exemplo, porque não me contou sobre a parte de termos que ficar juntos por tanto tempo? Apesar de ter percebido que pode ser uma pessoa sociável, será muito difícil aturá-lo por tanto tempo — Liv falou e Fitz riu.

— Achei que fosse algo óbvio, Liv — Fitz falou enquanto um dos agentes secretos abria a porta para que eles entrasse, mas Fitz fez um sinal com os dedos para que todos os seguranças ali presente saíssem e eles assim fizeram, obedecendo-o prontamente. Fitz fechou a porta do carro, e encostou a mão espalmada na barriga de Liv e a empurrou contra o carro, fazendo-a sentir-se vulnerável. — Adoro essa sua mania de ser tão rude e ao mesmo tempo doce, Liv. Me deixa cada vez mais louco.

— Eu não sou doce — Liv disse, revirando os olhos.

— Eu não sei tanto sobre esse assunto — Fitz falou e aproximou os lábios do ouvido de Liv, e ela remexeu-se sentindo seu corpo reagindo a aproximação dele. — Você não me deixou sentir o gosto que escorre pelo meio de suas pernas….ainda.

— E não vai — Liv respondeu, empurrando-o com certa força que não surtiu efeito algum, sobre o corpo grande e musculoso de Fitz.

— Tem certeza? — ele disse, o sorriso presunçoso, sua marca registrada surgiu. Sua língua passou pelo pela orelha de Liv que deixou-se entregar por um instante. — E eu vou te fazer gemer muito meu nome antes de gozar por diversas vezes. Com meus dedos, com meus lábios, com a minha língua e com meu pau.

Liv colocou uma de suas mãos para trás, tentando achar a maçaneta da porta, tentando fugir do que ela mais queria naquele momento. Mas tudo parecia ir contra sua fuga, pois quando sentiu algo volumoso encontrando sua região pélvica foi como se só aquilo importasse, ela precisava senti-lo dentro dela com urgência.

A outra mão de Liv estava no ombro de Fitzgerald, por debaixo do terno alinhado, desde sua tentativa falha de afastá-lo, e ela cravou as unhas nele quando sentiu os dentes do presidente mordendo-lhe o lóbulo da orelha, antes de descer pelo pescoço, depositando beijos molhados e quentes por ali.

Ele subiu arrastando a língua pela pele exposta do pescoço dela, e aproximou-se da orelha dela novamente. A respiração ofegante dele ali, batendo contra sua pele era um afrodisíaco extra.

— Viu como você está louca? — ele falou, e Liv praguejou mentalmente o efeito que as palavras sujas dele causavam nela. — Pare de negar, carinho. Se entregue para mim.

E então ele afastou-se e segurou a mão de Liv que estava por cima da maçaneta, abrindo a porta do carro, ele puxou Liv pela cintura fazendo questão de encostar sua ereção em Liv quando a mesma estava de costas para ele.

Ela estava tonta, completamente desnorteada enquanto ele a guiava para dentro do carro e chamava os seguranças de volta pelo nome. Assim que ele adentrou no carro um dos agentes, entrou também na parte da frente.

— Tiger e Tempest estão seguros — disse um agente do serviço secreto e Liv percebeu que já tinha ganhado um codinome. Os codinomes há muto tempo não eram mais utilizados para a segurança, mas sim para facilitar a comunicação e também por costume.

Fitz apertou um botão e a divisória entre a parte da frente e a do carona subiu, deixando Liv e Fitz com total privacidade. Ele a olhou sério e seus olhos tempestuosos, indo de azuis para o grafite, oscilando conforme o que parecia estar em sua mente.

— Tenho um codinome? — Liv disse tentando amenizar o clima sedutor e envolvente que permeava o carro e o espaço que eles ocupavam no banco do mesmo.

— Normalmente você escolheria, mas fiz questão de decidir por você — Fitz respondeu — "Tempest" me parece ser perfeito para você, que é tão agitada e raivosa quanto uma tempestade.

— Acabou de me dizer que sou doce, Fitz. Me parece contraditório.

— Você possui dois lados, minha querida. Dois lados completamente opostos dentro de si, e eles se complementam, criando a identidade única que você tem — Fitz falou, deixando Liv sem palavras inicialmente, mas elas surgiram rapidamente quando Olivia se deu conta de que ele também era exatamente assim.

— Interessante observação. — Olivia disse, percebendo que no fim das contas eles tinham muito em comum. — Talvez eu tenha reparado em você mais do que tenha imaginado, Liv — ele disse e ela sorriu, pela primeira vez não sabia muito o que dizer para ele, talvez fosse a aproximação exagerada ou as palavras sujas dele antes de entrarem dentro do carro.

Sua mente viajou no sonho erótico que tivera, e depois nas palavras dele. Enquanto o silêncio reinava dentro do carro, a mente de Liv berrava para que ela deixasse todo o orgulho de lado e simplesmente se jogasse nos braços fortes de Fitz, mas por outro lado lembrava-se de que se tratava dos braços do presidente mais frio que já tivera notícia.

Ele mesmo disse que não se apaixonava mais. Mas ela não queria se apaixonar, queria?

Não. Longe disso. Ela queria o mesmo que ele tanto desejava e quem sabe curar aquele desejo ardente que tomava conta de seu corpo cada vez que mencionava o nome dele.

— Eu esqueci de comentar, ou na verdade...omiti algo — Fitz falou e Liv o olhou atenta. — Eu precisava passar em um compromisso antes de irmos almoçar juntos.

— Qual compromisso?

— Sabe a reforma do Centro Esportivo Infantil? — Liv assentiu. — A inauguração é hoje, para ser mais específico vai ser agora, e é para lá que estamos indo. Eu espero que não se importe.

— Faz tempo que não o vejo participando de inaugurações — Liv comentou.

— Cyrus insistiu logo depois que você saiu da sala se reuniões — ele suspirou. — Aquele velho me irrita às vezes.

— Mas é um amigo muito leal.

— Isso é verdade. Eu confio minha vida naquele homem — ele ajeitou a gravata, e no fim das contas continuou um pouco torta, mas Liv não comentou. — É difícil achar alguém para confiar no meio político, sabe?

— Sei bem disso. As vezes não podemos confiar nem mesmo na própria família — Liv comentou com certo pesar na voz. — E sobre a inauguração, eu vou adorar acompanhá-lo — Liv sorrira de forma simpática. — Além do mais, terá bastante jornalista por lá para registrar nossa presença.

— Como um casal de verdade. Eles precisam perceber que você vai ser a melhor primeira-dama que eles poderiam desejar — Fitz sorriu e piscou. — Só eles precisam disso, porque eu não tenho dúvidas de que escolhi a melhor.

O carro parou, e quando Fitz ia saindo do carro, ela segurou seu braço e ele a olhou confuso, provavelmente esperando que ela dissesse algo, mas ela apontou para a gravata, ajeitou a mesma rapidamente e depois simplesmente se aproximou. Colocou sua mão no rosto dele e depositou um beijo rápido, porém caloroso nos lábios dele.

A expressão dele era ainda de confusão, e misturava-se com a surpresa pela atitude de Liv, que sorriu. A porta do carro foi aberta por um dos agentes secretos.

— Um beijo de boa sorte, senhor presidente — ela disse, e tentou passar tranquilidade para ele, como se aquilo fosse algo normal. Mas no fundo sabia que ele esperaria uma explicação melhor daquele pequeno momento. — Acho melhor ir. Estão esperando por você.

— Claro — ele disse, com a expressão ainda meio perdida saiu do carro e estendeu a mão para que Liv saísse do carro, ela aceitou a mão estendida, agarrando-se a ela e apoiando na mesma enquanto saía do carro.

As câmeras pipocaram seus flashes diante dos olhos de ambos, e Liv abriu um sorriso alegre para todos ali presentes, Fitz acenava para todos, surpreendendo Liv e com certeza os demais presentes ali com toda aquela simpatia gratuita. Aquela seria uma notícia nos jornais: "Presidente sorri e acena para seus eleitores.", e Liv sabia que venderia muito, pois a mudança de comportamento de Fitz era algo realmente recorrente em muitos jornais.

Liv observou de longe todo o trabalho de Fitz, cumprimentando com eleitores, conversando com crianças e adolescentes que não acreditavam em um futuro promissor se não fosse os sonhos de serem atletas. Liv sorria de forma verdadeira ao ver aquilo tudo, pois sabia que aquele Centro Esportivo alimentava os sonhos de uma futura geração, aliás aquele era um motivo pelo qual gostava tanto da política de Fitz, ele se preocupava de verdade com as coisas que aparentemente pareciam pequenas ou bobas, mas que faziam toda a diferença.

Ao fim do discurso, ele foi em direção ao local em que Liv estava, mas no meio do caminho foi interrompido por alguns jornalistas.

— Senhor presidente, uma palavrinha aqui, por favor — uma repórter pediu e ele assentiu, com sua expressão inalterada, firme como sempre. — No fim da semana teremos uma nova pesquisa, e fontes afirmam que o senhor pode subir na mesma, pois tem mostrado uma versão fresca e renovada de si. Ao que deve essa reviravolta?

— Eu devo isso aos bons ventos que me trouxeram uma boa inspiração — ele olhou para Liv, e os repórteres perceberam o pequeno gesto. —E também devo isso à vontade de trabalhar duro no que sempre almejei. Foram anos perseguindo esse sonho, assim como essas crianças e adolescentes que estão aqui hoje, a diferença é que meu sonho se tornou realidade e agora é a hora de realizar os sonhos de outras pessoas — Fitz olhou para a câmera e um olhar terno surgiu em seu rosto. — E eu sei que agora muitas pessoas sonham com saúde, educação, mais trabalhos, um país bem melhor. Eu tenho trabalhado muito para alcançar isso, mas acredito que ainda há muito para ser feito e é por isso que preciso de mais quatro anos, o trabalho que comecei não pode parar.

— Ele é um ótimo ator, não é? — a voz de Rubi fez com que Liv parasse de admirar as palavras de Fitzgerald.

— Não acho que esteja atuando. Pelo menos não o tempo todo — ela tentou ignorar a presença irritante de Rubi. Liv se perguntava de onde ela tinha surgido.

— Ai, por favor. Não vai me dizer que é ingênua de acreditar em tudo que ele está dizendo, e olhe bem para aquela cara que ele está fazendo, tudo ensaiado — Rubi disse, parecendo se sentir importante ao falar. — Não se esqueça de que trabalho com as relações-públicas do presidente, queridinha. Eu ensino a ele como falar, como se comportar.

— Então eu devo te avisar que tem feito seu trabalho muito mal nos últimos anos — Liv respondera, fazendo com que Rubi virasse para ela com um olhar mortal.

— Me desculpe? Acho que não entendi — Rubi falou, sentindo-se ofendida.

— O comportamento do presidente nunca foi tão horrível desde a sua chegada na Casa Branca, senhorita Johnson — Liv falou sem um pingo de receio.

— Ah, claro. E você acha que vai transformar Fitz? — Rubi respondeu venenosa. — Você mal chegou na Casa Branca e está sendo claramente usada pelo Fitz, não tem muitos motivos para se sentir melhor do que eu. Aliás, se eu não fosse uma boa funcionária, já teriam me demitido, não acha?

— Você não pode negar seu fracasso, senhorita Johnson. As pesquisas da corrida eleitoral não mentem — Rubi engoliu em seco, Liv percebi que ela estava louca para falar, mas Liv a interrompeu antes mesmo que ela tentasse rebater. — E por favor, de hoje em diante me trate com o mínimo de respeito. Dentro em breve eu serei a primeira-dama, e não fica bem uma funcionária da Casa Branca me tratando com "queridinha" ou pelo nome, não acha? Coloque-se no seu lugar.

Liv sorriu fracamente antes de se afastar, deixando Rubi com cara de quem tinha levado um tapa na cara. Ela odiou ter que tratar alguém daquela maneira, pois sabia que era algo horrível, mas sabia também que se não colocasse Rubi no lugar dela, teria que lidar com algo pior no futuro e Olivia já possuía problemas demais para ter que lidar com os acessos de inveja e ciúmes de Rubi pelo presidente.

Liv aproximou-se do carro presidencial e um agente do serviço secreto abriu a porta para que ela entrasse no carro, vários repórteres tentaram ultrapassar a barreira formada pelos agentes que a protegiam, mas não tiveram muito sucesso e ela conseguiu entrar no carro sem precisar lidar com as perguntas sobre ela e o seu relacionamento com Fitz. Aliás, aquele era realmente o assunto do momento.

"Quando se conheceram?"

"Onde se conheceram?"

"Quando começaram a se relacionar?"

"Pretendem se casar?"

Perguntas que ela e Fitz haviam ensaiado na Casa Branca, perguntas que teriam respostas falsas, mas seriam por um bem maior. A porta que havia acabado de ser fechada, foi aberta novamente e Fitzgerald se despediu das pessoas ali perto antes de entrar no carro.

— Pronto? — Liv perguntou sorridente e Fitz negou com a cabeça enquanto a porta fechava. — O que falta para irmos comer? Sinceramente, estou faminta.

Liv calou-se, não porque queria, mas sim, porque sua boca estava colada à boca de Fitz que a puxou e a beijou sem cerimônias. Liv não reagiu contra, apenas aceitou o beijo de bom grado. Embrenhou os dedos pelos cabelos deliciosamente macios de Fitz e deixou-se levar pela vontade que a possuía por completo.

O carro começou a movimentar pelas ruas da cidade, e Fitz separou os lábios dos de Liv por um segundo, apertou um botão e falou com calma, ainda com os olhos fixos em Liv que esperava pelo próximo movimento dele.

— Nos leve ao restaurante "Rose's Luxury", por favor — Fitz pediu decidido antes de soltar o botão e olhar para Liv. — Onde nós paramos?

— Acho que estava me dando um beijo de agradecimento — Liv sorriu antes de puxá-lo pela gravata e colar sua boca na dele, voltando a beijá-lo com intensidade. Ela estava na chuva e tinha dito que iria se molhar, não era? Então, que fosse por completo. Até porque apesar de ser presunçoso e irritante na maior parte do tempo, ele continuava sendo gostoso.

— Agradecimento? — Fitz interrompeu o beijo e perguntou, incerto do que aquilo significava.

— Por se reeleger. Essa eleição é sua, senhor presidente — Liv disse com ar seguro. — Agora poderia se calar antes que eu me arrependa?

— É você quem manda, Olivia.

Fitz calou-se e a puxou pela cintura para seu colo, ela colocou uma perna de cada lado de seu corpo, e eles voltaram a se beijar com devoção completa. Os dedos de Fitz acariciavam os cabelos de Liv, depois escorreram pelo pescoço dela, onde ele resolveu passar os lábios, a língua e os dentes.

Liv mordeu o lábio inferior de Fitz e o olhou nos olhos.

— Você está me confundindo, Liv.

— Eu poderia dizer o mesmo para você. Anda confundindo o que é certo ou errado. Isso que estamos fazendo me parece completamente antiético, porém me parece ser a coisa mais certa a se fazer.

— Não vejo nada de errado, nós somos um casal, não é? Isso é o que casais fazem — Fitz disse, um sorriso de quem está fazendo algo errado surgiu no rosto dele e arrancou um sorriso de Liv. — E você me disse que não é boa em seguir regras, e eu preciso confessar que não sou sempre muito ético. E já me posicionei quanto ao que acho disso tudo, Liv. Por mim já teríamos lidado com esse fogo líquido que corre em nossas veias, mas a decisão é sua.

— somos um casal fora do convencional, Fitz. Somos um casal no papel, passar isso para o físico é uma decisão bem perigosa. Como já disse, meu corpo diz que sim, mas minha razão grita que não.

— Maldita razão, essa sua — Fitz riu e fez a menção de se afastar e colocar Liv de volta ao seu lado, mas ela não se moveu.

— Mas sabe, acho que posso usar mais desses beijos como uma espécie de pesquisa — Liv falou, sua voz aveludada pareceu causar algum tipo de reação em Fitz que apertou sua cintura com ambas as mãos de maneira firme.

Fitzgerald nem mesmo respondeu.

Pelo menos não com palavras, apenas uniu seus lábios aos de Liv novamente enquanto as pessoas que estavam de fora daquele pequeno espaço, nem imaginavam a entrega que acontecia ali dentro. De alguma forma, Liv sabia que aquele seria o ponto de ignição.

Eles poderiam até ter se beijado dentro do carro anteriormente, mas aqueles beijos que estavam dando era algo que ambos desejaram. Não havia jogo de poder ali, talvez um jogo de sedução, mas aquele era um jogo delicioso de ser jogado, principalmente quando jogado por duas pessoas tão decididas.

Aquele era o tipo de jogo em que qualquer um dos "competidores" saíam ganhando, e no final das contas, a ideia de um vencedor, era só uma desculpa.

Liv conhecia as regras do jogo. E sabia que um pouco de diversão não poderia fazer mal a ninguém.

Liv e Fitz foram liberados de ter que voltar para a Casa Branca, Rubi alegou uma dor horrível de cabeça e falou que ambos estavam muito bem preparados, não precisavam treinar mais. Liv sabia o que havia causado a dor de cabeça nela, isso é, se ela estava realmente com dor de cabeça e aquilo não fosse uma desculpa esfarrapada.

Logo depois de almoçarem juntos, e causar um certo alvoroço no restaurante, tanto do lado de dentro quanto de fora, Fitz resolveu que acompanharia Liv até a nova casa dela.

— Eu não acho que isso seja uma boa ideia — Liv disse.

— Porque não? Se for questão de segurança, não precisa se preocupar, pois não sei se reparou mas tenho quatro carros do serviço secreto me acompanhando em qualquer lugar que eu vá.

— E quanto aos repórteres? Eles parecem estar loucos por notícias sobre nosso relacionamento, Fitz. Principalmente depois de eu ter aparecido hoje em um evento oficial com você.

— Não é isso que queríamos? Alimentar as notícias de que somos um casal? Um namorado, ou melhor, um noivo pode visitar a casa da noiva de forma aberta, não pode?

— Se você diz que não tem problema. Mas devo deixar claro que não darei o que você quer Fitz, nós nos beijamos e pronto. Não vou transar com você.

— Eu já entendi, Olivia — Fitz disse, assentindo.

— Fitzgerald, não se faça de ofendido — Liv revirou os olhos.

— Não estou me fazendo de ofendido. Essa não era minha intenção, carinho. Nem mesmo descerei do carro, se é assim que deseja — Fitz disse com um sorriso sincero estampado nos lábios. — Estou te dando espaço, Liv. Eu acredito que no fim vai ser minha — ele piscou e pediu para que parassem o carro, e então o carro parou de movimentar, parando em frente a enorme mansão que Liv Havia herdado da avó.

Fitz aproximou-se de Liv e deu-lhe um beijo profundo e escaldante, deixando-a em fôlego quando separaram os lábios.

— Até amanhã, Liv. Espero que esteja preparada — Fitz sorriu e então mordeu o lábio dela, passando a língua de forma carinhosa sobre o lábio inferior da garota, apenas para atiçá-la ainda mais.

— Espero o mesmo de você, Fitz — Liv disse ao abraçá-lo, seus dentes arranharam a orelha dele de forma instigante. Ela saiu do carro sob o olhar penetrante dos olhos azuis de Fitz que devorava cada pedaço de seu corpo, fazendo com que ela se sentisse desnuda.

Liv adentrou a casa que agora era o local em que chamaria de lar, pelo menos até se casar com Fitz, e os empregados a esperavam na sala para recebê-la. Liv sorriu docemente ao vê-los.

— Assim que avisou que viria embora, pedi que todos viessem te receber — Abby sorria para Liv com carinho. — Achei que gostaria de ser bem recepcionada na sua nova casa.

— Obrigada pelo carinho — Liv disse e abraçou os empregados que conhecia de longa data, alguns a viram crescer enquanto ela frequentava a casa da avó. Um dos pedidos de sua avó no testamento era manter os antigos empregados, algo que Liv nem mesmo cogitaria agir de forma contrária.

Logo depois da recepção calorosa, ela subiu para seu quarto.

Ela tinha um quarto só dela na mansão da avó, e decidira ficar ali, não queria ficar no quarto que fora da avó, talvez reformasse e transformasse em outro quarto, mas definitivamente não invadiria aquele espaço que fora da sua avó. Seria no mínimo estranho.

Liv pegou seu celular descartável dentro da bolsa, o celular que ela usava apenas para emergências e digitou um número que ela sabia decorado. O número pertencia a alguém que daria para ela as respostas que ela precisava sobre o que esteve rondando sua mente em vários momentos daquele dia.

— Huck? — Liv falou assim que ouviu a voz do outro lado da linha. — Sou eu. Preciso que consiga um relatório de autópsia — Liv sabia que não podia dar nomes, e "Huck" era o apelido daquele homem que sempre conseguia tudo que Liv precisava. Ela não entendia como, mas ele sabia que era ela quem falava, não importava qual celular usasse, ele a reconhecia pela voz e aquilo levava Liv a crer que ele tinha sido altamente treinado. Talvez fosse do serviço secreto ou algo do tipo.

Ela o conhecera quando cometeu o maior erro de sua vida alguns anos antes, sua avó a apresentou a aquele homem e desde então ele lhe ajudava com qualquer coisa que ela precisasse, depois depositava o dinheiro, sempre em uma conta diferente. Nunca vira o rosto de Huck, a apresentação que tivera com ele foi por telefone, mas ela não precisava ver o rosto dele para confiar cegamente naquele homem que a protegera tantas vezes. Qualquer trabalho atribuído a Huck era resolvido em questão de horas.

— Nome do autopsiado e data da morte? — a voz inexpressiva, chegou aos ouvidos de Liv.

— Alícia Hayes, seu corpo foi encontrado na manhã de hoje.

— Mando para aquele e-mail de sempre ou te ligo, fleur? — Huck perguntou, chamando-a pelo apelido francês que sua avó sempre usava com ela e era assim que Huck a chamava desde sempre.

— Me ligue, não posso dar bobeira com meu e-mail.

— Sem problemas. Mais alguma coisa?

— Preciso que acesse o celular da Alícia e apague qualquer rastro de Edison Daves, olhe inclusive o e-mail dela. Investigue as câmeras do apartamento da Alícia aqui em Washington também, me passe os nomes das pessoas que estiveram por lá. Soube que essa gravação está nos arquivos da polícia para investigação — Liv pediu. — Alguma previsão para a entrega do serviço?

— A limpeza será feita agora mesmo. O resto te passo em algumas horas.

— Incluindo o preço?

— Sim — Huck disse com a voz grave, ele deu um riso raspado. — Conhece bastante o procedimento.

— Depois de tantos anos, seria uma vergonha se não conhecesse. Obrigada.

— Sempre ao dispor, Fleur.

Desligaram logo em seguida e Liv sentiu seu coração disparado. As lembranças vindo com força em sua cabeça, voltando aos seus dezenove anos. Uma fase rebelde que durara seis meses, uma fuga para a França com Jake.

E aquilo resultou em algo que mudara a vida de Liv para sempre. Talvez fosse difícil confiar em alguém depois do que passara com o ex-namorado em que confiava tanto. O que ele havia feito com ela era algo que nada no mundo conseguiria apagar, nem mesmo Huck, que com maestria resolveu tudo com discrição. Ele apagou qualquer vestígio do estrago que poderia ter se tornado algo muito maior, algo que poderia ter destruído a sua vida, seus planos e sua tão sonhada carreira política.

Ela pensava se conseguiria contar aquilo para alguém algum dia.

As únicas pessoas que sabiam era sua avó, que havia levado aquela história para o túmulo dois anos antes, e Huck, que devido ao total profissionalismo, não abriria a boca.

— Liv? — algumas batidas na porta chamaram a atenção dela.

— Oi, Abby. Entre — Liv falou ao reconhecer a voz da amiga.

— Pensei que estaria no banho.

— Estava resolvendo uma situação delicada — Liv falou e sorriu pela feição da amiga.

— Hum, acho que nem vou perguntar sobre isso, porque sinto não obter resposta.

— Não é algo meu, Abby. É de Edison, um problema dos grandes.

— Achei que não estava conversando com ele.

— Não estou, mas história toda me deixou intrigada, sabe? Eu estou indo mais fundo porque a coisa toda acabou interessando a mim.

— Liv, toma cuidado. Tenho medo quando você se mete nas confusões dos outros, é sério — Abby falou com a voz vacilante. — Exatamente por isso nem te pergunto o que é, porque sei que vou querer te obrigar a não se meter nessas confusões alheias e não vou obter muito sucesso.

— Você me conhece muito bem, meu Deus! — Liv se deixou rir, amenizando um pouco o clima tenso. — Vou tomar um banho rápido. Se Edison chegar, peça que ele me espere.

Abby assentiu e Liv seguiu para o banheiro que estava todo organizado. Era como se os anos não tivessem passado, e ela desejou por um instante que a avó estivesse viva para ouvir a enrascada em que estava se metendo daquela vez.

Mas lembrou-se de quando sua avó disse que ela era forte, e que ela podia lidar com os problemas.

Foi com essa lembrança que Liv entrou no banho, tomando para si uma força que acreditava ter. Logo depois do banho, vestiu-se rapidamente com um moletom e uma calça quentinha, a única coisa que precisava era de uma boa xícara de chocolate quente, ou talvez vinho fosse melhor.

Mas seus planos ficariam para mais tarde naquele dia, pois Edison havia chegado e a esperava na sala de sua nova casa. Ele estava lindo como sempre,com um terno ajustado ao seu corpo musculoso e um cheiro incrivel exalando por seus poros isso tudo acompanhado pelo sorriso perfeitamente alinhado.

— Oi, Liv. — cumprimentou Liv sem-jeito, seu sorriso tornou-se tímido.

— Oi, Edison. — Liv não sorriu de volta, apenas apontou para o sofá, pedindo que ele se sentasse e então sentou-se ao lado dele. — Vamos resolver essa situação, mas preciso que você tenha dinheiro preparado. Você sabe que sempre resolvo qualquer situação, mas não sou eu quem faço o trabalho sujo.

— Eu sei, é aquele cara que você sempre liga — Edison respondeu.

— Exato. É ele quem vai apagar todos os traços de ligação que possa haver no celular de Alícia. Aliás, preciso saber se é só isso que te liga a Alícia, Edison.

— É sim, Liv.

— Certo. Você não precisa ficar aqui, poderia ter me falado pelo celular, mas lembrei que seria muito perigoso, já que você não tem um celular descartável.

— É, acho que preciso de um — Edison disse dando um riso forçado. — Liv, sobre esse lance com o presidente.

— Por favor, Edison. Não me faça arrepender de querer te ajudar.

— Não, Liv. Longe disso — Ed aproximou-se de Liv e segurou sua mão. — Eu não menti sobre gostar de você e temo pela sua segurança.

— Não precisa temer por mim, sou bem grandinha, Edison. Sei me cuidar.

— Eu sei disso, mas você não sabe onde está se metendo.

— Todos ficam me dizendo isso. Alícia inclusive me disse a mesma coisa.

— Exatamente! E veja o que aconteceu com ela.

— Ninguém fará nada comigo, Edison. Ela era uma burra, não usava o cérebro com frequência, preferia usar os peitos.

— Não confiaria muito nisso, Liv.

— Sabe Edison, do jeito que você fala, me leva a acreditar que sabe de alguma coisa — Liv falou com um tom de desconfiança.

— Eu não sei, Liv. Mas sinto que há algo de muito podre aí, espero que não fique cavando isso e que só me ajude. Você sabe que se ficar mexendo demais nisso, eles podem querer te eliminar também.

— Quem seria "eles"? Eu só queria saber isso. Porque nós sabemos que se ela foi mesmo assassinada, alguém muito profissional fez o serviço e por trás desse assassino há alguém com muito dinheiro, porque nós sabemos que sempre tem e me leva a tentar entender o que motivaria isso — Liv pensava muitas coisas, várias teorias surgindo ali em sua mente, mas nenhuma fazia muito sentido. Antes que Edison dissesse qualquer coisa, ela prosseguiu. — Mas fique tranquilo. Não vou investigar nada, só passei o pedido para livrar sua pele, nada mais.

Liv mentira descaradamente para Ed, ela tinha todo direito de duvidar da idoneidade dele. E ela nunca deixaria aquilo do jeito que estava, se Alícia tivesse realmente sido assassinada, iria até o fim e descobriria quem teria feito aquilo.

— Promete?

— Claro. Eu prometo — uma promessa de política, ou seja, que nunca seria cumprida. — Enfim, preciso descansar, amanhã terei um dia cheio. Te ligo assim que tiver resolvido tudo.

— Claro. E se precisar de mim, me ligue. Eu me preocupo com você — Liv o olhou com ironia.

— Preocupe-se com você mesmo, Edison. Eu não preciso de babá.

Liv se levantou e pediu para que a empregada acompanhasse Edison até a saída.

Logo depois, subiu para seu quarto, jogando-se na cama e apesar de todos os problemas e confusões que insistiam em permear seu dia deixando sua mente sempre a mil por hora, ela adormeceu sem precisar nem mesmo de uma xícara de chocolate quente ou várias taças de um bom vinho.

Talvez seu corpo e seu subconsciente soubessem que a tempestade viria forte demais, talvez estivesse buscando energias para driblar tudo o que ainda viria pela frente.