LE MUSKETTERS
BY DAMA 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aaron, Ducase, D'Arjan, Anjou, Danette, Vincent e a Fraternidade Red Eyes são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
n/a: Rating M
Capitulo 10: Um por todos e todos por um.
.I.
Com os cavalos descansados dispararam a correr, já não tinham mais tempo a perder por aquelas bandas. Poderiam estar sendo seguidos, os soldados de Vincent poderiam estar mais perto.
Um trovão retumbou no céu, nuvens negras começaram a formar-se sobre suas cabeças, a tensão entre o grupo era palpável.
Os cavalos não estavam mais sendo poupados, a corrida era desenfreada quase desesperada. Um raio iluminou o céu, não estavam nem no meio do dia e se chovesse agora iria atrasá-los demais, precisavam chegar pelo menos à cidade vizinha a Calais, precisavam apenas um pouco mais de tempo; Silvana pensou aflita.
Estalou as rédeas com um pouco mais de força sobre as costas do animal, o cavalo protestou em meio a um relincho aborrecido. Sentia o suor frio escorrer por suas costas e a tensão em seus músculos tornava qualquer movimento doloroso.
-Precisamos encontrar um abrigo; ela falou preocupada.
-Ainda não; Ducase respondeu.
-Logo irá chover; Shura alertou, preocupado com o tempo também.
-Mas não podemos parar agora; o italiano rebateu. –Eles estão atrás de nós, se pararmos seremos pegos;
-Vamos continuar; Aioros falou.
A velocidade dos animais aumentou tanto, que a terra erguia-se do chão, sendo marcada pelos cascos e ferraduras dos cavalos. O desespero os fazia olhar de esguelha para trás esperando ver os soldados aparecerem, mas para a surpresa de todos, os cavalos frearam quando algo a frente lhes chamou a atenção.
-Maldição; Ducase exasperou, puxando as rédeas do cavalo com força, fazendo o mesmo praticamente sentar-se sobre as patas traseiras para parar.
-Como eles chegaram à nossa frente? –Aioros falou surpreso.
-Não importa, vamos nos separar; Silvana falou puxando as rédeas do cavalo.
Iria seguir até Calais nem que fosse sozinha, deu a volta disparando pelo meio da floresta que ladeava a estrada.
-Silvana; Aioros chamou, porém quando ela não respondeu seguiu-a.
-Aioros; Shura chamou-o, mas foi ignorado.
-Vamos por aqui, vamos segurá-los aqui até eles se afastarem o suficiente; Ducase falou, segurando com firmeza as rédeas do cavalo, mantendo-se ereto sobre a cela.
-São muitos; Shura falou parando a seu lado, vendo os soldados de Vincent se aproximarem, quando reconheceram a insígnia dos mosqueteiros em suas túnicas.
-São trinta; Ducase falou.
-Só contei vinte; o mosqueteiro falou surpreso.
-Outros seguiram pela floresta atrás de Aioros e Silvana, não podemos ir atrás deles, sem acabar com esses aqui primeiro.
-Já que não tem outro jeito; ele falou dando de ombros.
Puxou o florete da bainha, ouvindo o tilintar da lamina ao tirá-la. Não seria uma batalha fácil, principalmente porque eram apenas dois contra muitos. Respirou fundo.
-Tudo por um amigo; Shura falou lembrando-se do perigo que Aioros e Silvana estavam correndo agora porque, poderiam não ser apenas dez atrás deles e sim, um alojamento todo, pronto para acabar com os dois em nome de Vincent.
-Um por todos e todos por um; Ducase falou, puxando as rédeas do cavalo com força, antes de desembainhar o florete e avançar contra os soldados, antecipando o choque entre ambos os lados.
.II.
Não estavam sozinhos, havia soldados que foram capazes de segui-los, precisavam despistá-los.
-Silvana, salte; Aioros falou emparelhando o cavalo com o dela.
-Ficou louco, não vou fazer isso; ela respondeu continuando a correr, ouviu o barulho de algo zumbindo próximo a sua orelha, mas puxou as rédeas do cavalo com força para a esquerda, quase jogando-o sobre Aioros que afastou-se a tempo de evitar o choque.
-Porque fez isso? –ele exasperou.
-Estão atirando; Silvana avisou.
Avançavam cada vez mais rápido, mas desviar de árvores atrasava demais o tempo que eles variam num campo aberto, precisavam voltar a estrada de qualquer jeito.
-Eu tenho um plano; Aioros falou emparelhando com ela novamente em uma curva mais fechada que faziam.
-Eu também, você volta para Paris e eu vou pra Calais; ela avisou.
-Isso não é uma opção, milady; ele respondeu trincando os dentes. Essa não era uma boa hora para discutirem, porque ela tinha que insistir nisso.
-Faça como quiser, mas eu sigo as minhas regras a partir de agora, capitão; Silvana avisou sem fitá-lo. O movimento ágil do cavalo fazia com que ela mantivesse a postura ereta e confiante sobre o animal.
As rédeas estavam entrelaçadas fortemente em sua mão, que só não a marcava devido às luvas de couro. O chapéu já havia se soltado há muito tempo atrás e os longos cabelos castanhos já não estavam mais protegidos pelo lenço, provavelmente os soldados de Vincent sabiam que ela estava ali.
Emparelhou os cavalos novamente e antes que ela pudesse se afastar, soltou as rédeas do seu e saltou atrás dela.
-Mas o que-...; Silvana gritou quando os braços dele envolveram sua cintura e tiraram as rédeas da mão dela.
-Os despistaremos mais rápido em um cavalo só; ele falou aumentando a velocidade do animal que reduzira ao sentir o excesso de peso sobre seu lombo.
O outro cavalo ficou para trás, enquanto o outro corria ainda mais rápido desviando-se dos obstáculos, um raio cruzou o céu e quando menos esperavam gotas grossas de água começaram a cair sobre suas cabeças.
A tempestade desabou de repente, pegando a todos de surpresa. O cavalo derrapou em um barranco. Não tinha aonde se segurar, mas o braço do cavaleiro em torno de sua cintura a manteve sobre o cavalo.
-Vamos procurar um abrigo, eles não vão conseguir nos encontrar com esse tempo; Aioros falou dando graças aos céus por aquela chuva.
Segurou-a com mais força contra o peito, enquanto forçava seus olhos a enxergarem através da água. Mesmo com dificuldade conseguiu ver uma caverna não muito longe. Estavam bem dentro da floresta agora e possivelmente longe da estrada, conseguiriam ficar ali no mínimo até a chuva parar, mas assim que isso acontecesse teriam de partir o mais rápido possível.
Depois de chegarem em Calais, poderia respirar com mais tranqüilidade.
.III.
Andavam de um lado para outro, os principais mosqueteiros do rei haviam desaparecido do nada e ninguém os havia visto deixar a cidade. Vincent havia marcado seu casamento para dali a dois dias e a noiva misteriosamente desaparecera.
Precisavam tomar uma atitude e logo, o velho cardeal agora era o menor de todos os problemas; ele pensou franzindo o cenho.
-O que vamos fazer Shaka? –Aldebaran indagou, sentado confortavelmente numa cadeira estofada.
-Precisamos de um plano para retardar o tempo de Vincent; Lancaster falou preocupado. Porém sua preocupação não se resumia apenas ao Duque e sim a D'Arjan, não sabia o que havia acontecido com ela nem se haviam chegado a casa de Ducase.
Deveria ter ido junto com ela em vez de ter mandado Shura em seu lugar, mas que droga; ele pensou irritado.
-Do tipo? –Guilherme indagou em tom petulante, ainda não engolindo aquela história de que ele e Shaka sabiam sobre o fato de Dionísio ser uma mulher no final das contas.
-Estão todos aqui? –uma voz conhecida chamou-lhes a atenção.
Todos os mosqueteiros que se encontravam ali voltaram-se em direção a porta, deparando-se com um jovem de melenas lilases, com finos fios dourados, vestindo a elegante túnica negra e o chapéu de abas largas com uma pluma branca numa das extremidades.
-Mú; Kanon falou surpreso ao ver o antigo companheiro ali, depois de tanto tempo.
Só se viam em eventos sediados no palácio, o que eram raros ultimamente, mas desde que ele deixara o posto de mosqueteiro para ser o conselheiro real, ele acabara por se afastar um pouco dos velhos amigos.
-Como vão? –o mosqueteiro indagou retirando o chapéu com um movimento gracioso.
-Bem, e você? –Aldebaran indagou curioso com a repentina aparição dele ali.
-Bem, mas preciso falar com vocês sobre algo importante; ele continuou aproximando-se de maneira imponente, dominando o ambiente com sua presença.
-O que esta acontecendo Mú? –Shaka indagou, mas parou ao ver que ele era seguido por outro mosqueteiro. –Anjou?
-Paris esta sob estado de alerta agora, Vincent declarou guerra contra o rei; o conselheiro falou.
-Aldebaran, reúna todos no pátio agora; Shaka mandou, enquanto cada mosqueteiro levantava-se rapidamente. –Pensei que ele fosse esperar Silvana ser trazida de volta; ele falou surpreso.
-Ele ia, mas acho que já chegou aos ouvidos dele sobre a morte dos trinta e cinco soldados dele na estrada de Melbourne e dos outros quarenta que certamente Ducase iria matar quando encontrá-los no caminho de Calais; Anjou falou com um olhar irado fixo no italiano.
-E D'Arjan? –Lancaster perguntou preocupado, ignorando o olhar envenenado de Firenze.
-Está bem e longe daqui; Anjou respondeu em tom frio, voltando-se para o italiano. –Depois que isso acabar, vou arrancar o seu couro de tal forma, que você não vai ter nem voz pra gritar "Ai"; ele avisou deixando o mosqueteiro pálido. –Agora vocês, mexam-se de uma vez, temos um bastardo para matar; o mosqueteiro completou dando as costas aos demais e indo até o pátio atrás de Aldebaran.
-Onde você encontrou essa figura, Mú? –Kanon indagou surpreso, vendo o olhar calmo do conselheiro cosmo se já esperasse por essa reação de Anjou.
-Nas melhores famílias; ele respondeu de maneira enigmática. –Mas agora, precisamos agir... Kamus e Milo já foram resgatar Saga e Dohko, mas é possível que precisem de reforços, precisamos que alguém vá a Melbourne para ajudá-los;
-...; todos assentiram e começaram a preparar o plano que iriam executar dali para frente.
-É bom tê-lo de volta; Kanon comentou se aproximando.
-Uma vez mosqueteiro; o conselheiro falou sorrindo ao apertar a mão que lhe era estendida amigavelmente.
-Sempre mosqueteiro; o geminiano falou. –É tão grave assim o que Vincent planeja?
-Bem pior do que podíamos imaginar, chegou um mensageiro de Roma dizendo que ele conseguiu uma licença especial diretamente com o conselho papal. Hyoga tentou retardar as coisas aqui, mas Vincent se antecipou. Se ele conseguir casar com lady Kiriakos, vamos estar perdidos; ele falou com olhar sombrio.
-Não entendo Mú, porque justamente ela. Existem outras tantas damas espalhadas por Paris; Kanon falou confuso.
-É uma longa história, mas quando puder eu conto, por hora apenas confie em mim; Mú pediu antes de se afastar para falar com Shaka.
.IV.
Foram pegos desprevenidos pela tempestade e agora haviam se separado de Shura e Ducase. Por sorte encontraram aquela caverna seca e razoavelmente habitável, onde pudessem ficar até o tempo se estabilizar.
-Vou procurar alguma coisa seca que possamos queimar; Aioros avisou.
Antes que pudesse falar, o mosqueteiro já havia saído. Droga! O que ele queria, que ficasse se lamentando pelo que aconteceu? Não gostava da vida dupla que tinha, ou melhor, gostava da vida que Simon levava e não se arrependia.
Queria apenas que Aioros entendesse que o que fizera não fora apenas uma travessura de menina e sim, que se sentia livre de sua própria vida medíocre dessa forma.
Ducase estava certo, haveria um momento que Simon teria de deixar de existir, mas não agora, nem mesmo por aquele sentimento bobo que a fazia desejar a aprovação de Aioros para a forma como levava sua vida.
-o-o-o-o-o-
Socou o tronco da árvore mais próxima com força. Bufou irritado, sentindo vontade de gritar. O que ela queria afinal? Congratulações pelo risco que correra durante dois anos?
Ela simplesmente não tinha noção do perigo que passou. Alguém poderia ter descoberto, ou melhor, alguém sem escrúpulos e sabe-se lá o que poderia ter acontecido a ela.
Encostou-se em uma árvore, deixando a água da chuva molhar seu corpo e quem sabe, aliviar sua alma. Talvez assim pudesse voltar à caverna sem fazer nenhuma besteira.
Shura e Ducase já deveriam estar em Calais, enquanto eles, estavam perdidos em algum ponto no meio do caminho.
Encontrou em baixo das copas altas das árvores, algumas raízes sobressalentes que estavam secadas, juntou-as rapidamente e tirou a túnica negra, envolvendo-as entre o tecido para não molharem enquanto voltava.
Só esperava que os amigos estivessem em segurança e que soubessem o que fazer para lidar com tudo aquilo, porque ele, para falar o bem da verdade, não sabia; Aioros pensou encontrando a entrada que antes de sair, cobrira com galhos de árvore, para que pudessem se proteger do vento e também de qualquer um que por ventura pudesse passar por ali àquela hora.
Suspirou pesadamente ao entrar e encontrá-la num canto longe do cavalo, encolhida com as roupas coladas sobre o corpo. Engoliu em seco, sentindo a garganta subitamente secar e recriminou-se por estar sentindo sua razão fraquejar diante da visão que tinha diante de si.
Ainda se sentia traído, ela não confiara em si para contar a verdade, se não fosse pelo comentário de Shura jamais teria ligado os pontos e descoberto que Simon era Silvana e que o irmão gêmeo, jamais existiu.
Mas nem isso aplacava o calor que sentia ao tê-la tão perto, não como no chalé de Ducase, mas o suficiente para pedir aos deuses para que sua razão e auto-controle não fraquejassem justamente agora.
-Cheguei; ele avisou, chamando-lhe a atenção.
Evitou que seus olhares se encontrassem, sabendo que se fizesse isso, estaria dando chance ao azar. Jogou as raízes secadas no chão entre eles, como se para definir algumas barreiras, antes de fazer o possível para criar uma fogueira naquele lugar tão frio e escuro.
Silvana mantinha-se silenciosa, com os orbes voltados para a saída e única entrada. O que ela estava tramando agora? –o mosqueteiro se perguntou, enquanto retirava a camisa branca e a torcia para tirar o excesso de água.
O fogo iluminou a volta de ambos, aquecendo o lugar frio com sua luminosidade bem vinda.
-Assim que parar de chover você pode voltar a Paris; Silvana começou, chamando-lhe a atenção. Ela falou evitando olha-lo, principalmente quando o mosqueteiro retirou as botas, deixando-as próximas ao fogo para secarem mais rápido.
-Como?
-Daqui eu sigo sozinha a Calais; a jovem continuou ignorando a pergunta. –Se encontrar Ducase e Anjou no caminho, agradeça-lhes por mim, por favor; ela completou.
-Não esta pensando mesmo que vou deixá-la seguir viajar sozinha, está? –ele indagou indignado.
-Você não manda em mim; Silvana rebateu com os orbes estreitos de maneira perigosa.
-Você esta sob minha proteção e não vai a lugar algum sem mim; Aioros exasperou. Céus como podia ser tão teimosa e ao mesmo tempo tão irresistível; ele pensou desesperado.
-Isso pode ser questionável;
-Como?
-Você pode voltar e dizer que eu morri. A responsabilidade que você acha ter acaba e ninguém mais vai me procurar... Simples assim; Silvana respondeu.
Observou-a atentamente, seria um plano simples e fácil de executar, mas é claro, se não houvesse uma pequena falha.
-E o corpo? –Aioros indagou.
-O que? –ela indagou voltando-se para ele.
-Vão querer saber do corpo, seus pais certamente vai querer velar um;
-Duvido muito, por isso é relevante; Silvana respondeu dando de ombros.
-Isso é insano; o mosqueteiro resmungou.
-E você me cansa. Se não quer usar essa história não a use, mas eu vou para Calais e você volta para Paris;
-Não vou para Paris;
-Para onde então? –ela indagou, tentando não parecer interessada.
-Você ainda não entendeu kiria; ele falou deixando-a furiosa com o tom calmo que usava agora. –Ou nós dois voltamos para Paris ou vamos juntos para Calais;
-Não pode!
-Tente me impedir; ele desafiou.
Mas cometeu o grave erro de não averiguar a localização de seu próprio florete. Lembrava-se de tê-los deixado perto do cavalo, mas arrependeu-se amargamente por não ter conferido, agora duas laminas prateadas estavam apontadas em sua direção.
Já a vira usar um florete antes e sabia do que ela era capaz, por mais que jamais fosse admitir isso em voz alta.
-Um mosqueteiro não fere um companheiro; ele falou tentando ganhar tempo enquanto se levantava.
-Como você disse, não sou um mosqueteiro, então não há problemas em jogar com novas regras;
-Não faça nada que se arrependa depois; Aioros avisou frustrando, pego pela teia que ele mesmo armara.
-Duvido que isso seja possível, já que não passou de uma menina fútil que não tem noção da realidade da vida. Acho que nada poderia me causar algum arrependimento, pelo menos não sob sua perspectiva lógica; Silvana desdenhou.
As chamas da fogueira iluminaram a jovem completamente, os cabelos castanhos caiam até o meio das costas e a camisa branca delineava perfeitamente as curvas esguias e o contorno dos seios. O florete de cabo dourado cintilou em suas mãos, refletindo em seus olhos o brilho perigoso da lamina. Tão linda quanto letal. Jamais deveria tê-la subestimado.
-Talvez eu tenha me enganado; Aioros falou cauteloso. Não sabia o que ela iria fazer, mas para prevenir, preferiu esperar seus próximos movimentos.
-Você, o todo poderoso Aioros, se enganou? –ela falou ainda mais sarcástica.
-Sou um humano, posso errar como qualquer um; ele falou ficando serio.
-Jura? –a jovem rebateu com falsa incredulidade. –Mas não é assim que você vem agindo ultimamente, ou melhor, você vem bancando o Zeus Onipotente desde que descobriu quem eu era, mas isso não importa porque eu mesma vou garantir que você volte a Paris e me deixe em paz;
-Eu acho que não; Aioros falou pegando-a desprevenida. Deu-lhe uma rasteira, fazendo-a perder o equilíbrio e um florete escapou de suas mãos, quando ela caiu no chão.
Em resposta a isso, segurou o outro e avançou contra ele tentando se levantar, mas a mão dele segurou fortemente seu pulso, impedindo-a de se mover. Com um movimento rápido conseguiu jogá-lo para o lado e avançou, disposta a causar-lhe um belo estrago.
Era obrigado a admitir agora, que ela era uma caixinha de surpresas. Não sabia quem havia treinado ela, embora ela houvesse dito que era Kamus, não acreditava, mas sabia que quem quer que fosse, fizera um bom trabalho.
-Pare com isso; Aioros falou se defendendo de um soco.
-Você pediu por isso; Silvana vociferou erguendo o joelho para acertar-lhe em seu ponto mais sensível, mas ele conseguiu se esquivar, evitando o pior.
-Você é atrevida demais, kiriaEssa é uma boa característica para um mosqueteiro; ele falou com os obres verdes enegrecendo, enquanto a mão deslizava pelo joelho da jovem, indo deter-se na lateral da coxa dela.
Ofegou, surpresa com o movimento inusitado, principalmente ao sentir o corpo dele colando-se ao seu. Ainda tinha as mãos presas ao chão, mas segurava o florete, mesmo que não pudesse movê-lo. Não sabia o que fazer, mas tinha de sair dali.
-Se tivesse nascido homem, poderia ser um mosqueteiro sem ter de agüentar idiotas machistas como você me enchendo; Silvana rebateu.
-Se você tivesse nascido homem, o mundo perderia uma bela mulher; Aioros sussurrou com os lábios a milímetros de tocarem os seus.
-O que? –ela falou com a voz tremula.
-Eu avisei que não era um santo, muito menos cego, aguapemou; ele sussurrou enrouquecido tocando-lhe os lábios.
-Aioros; Silvana sussurrou tentando se esquivar, mas a última resistência caiu por terra quando seus lábios se encontraram.
Estremeceu, ouvindo um gemido involuntário escapar de seus lábios, ao sentir os dele movendo-se sobre os seus e a língua ávida e úmida se apossar de sua boca, com movimentos possessivos e excitantes.
Ainda estava com raiva dele pela forma com que ele vinha lhe tratando, mas o que sentia parecia mais forte, aterrorizantemente mais forte.
Os braços delgados envolveram seu pescoço em sinal de rendição. Sorriu entre os lábios da jovem, enquanto uma das mãos acariciava-lhe os cabelos cacheados.
-Lavanda; ele sussurrou, sentindo a fragrância emanada pelas madeixas castanhas embriagar-lhe os sentidos.
Esse deveria ser o momento em que a razão voltava, antes que se arrependessem, mas a voz da razão parecia um grito no escuro agora.
-Esta na hora de pararmos de brigar, kiria; ele sussurrou deixando uma das mãos descer até a cintura da jovem, acariciando-lhe suavemente por sobre o tecido da camisa.
-Você tem mais a ganhar do que eu; Silvana rebateu, pensando numa forma de recuperar a razão e fugir dali, mas estremeceu ao sentir a mãos quente do mosqueteiro deslizar por baixo da camisa branca, tocando a pele gelada, molhada pela chuva.
-Não estamos aqui para medir forças, aguapemou; ele sussurrou carinhosamente.
-É difícil de acreditar; ela rebateu corando furiosamente ao senti-lo tocar-lhe um dos seios. Um franco gemido escapou de seus lábios quando seu ventre roçou o dele. O calor em seu corpo intensificou-se como uma chama ardente.
-Deixe-me amá-la, kiria; ele sussurrou.
Não queria mais pensar se era ou não um mosqueteiro, se Shion colocaria sua cabeça a premio se soubesse o que acontecera entre eles. A única coisa que não podia deixar, era que ela saísse de sua vida. Precisava fazê-la entender que algo mais forte os unira, não fora apenas o acaso, daquele encontro repentino próximo a Notre Dame.
Queria que ela entendesse o porquê ficara furioso ao saber do disfarce de mosqueteiro e acima de tudo, que ela parasse de usar isso como escudo para esconder aquilo que ambos sabiam ser tangível entre eles.
Até compreendia seus motivos para querer independência, mas nem por isso iria mudar sua decisão, com relação a partir com ela ou levá-la de volta. Não iriam se separar mais, mas tinha pouco tempo para convencê-la disso agora.
Tomou-lhe os lábios num beijo intenso e atordoante, apagando da mente dela qualquer sombra de duvida que ameaçava pairar sobre eles.
Afastou-se ouvindo um murmúrio de protesto, sem desviar os olhos dela, ajoelhou-se a seu lado, tirando-lhe as botas e as meias. Ouviu-a ofegar, quando suas mãos subiram, passando por trás dos joelhos, contornando-lhe a coxa antes de deter-se sobre o cós da calça.
Viu a face alva corar quando puxou o cordão de couro que a mantinha presa e logo em seguia, fê-la deslizar pelas pernas delgadas lentamente. Quando seus olhares se encontraram, viu-se refletido no brilho intenso que emanava dos orbes castanhos.
Afastou-se, livrando-se rapidamente das próprias roupas, antes de envolvê-la entre os braços. Seus lábios buscaram os dela, afoitos e ansiosos.
A única barreira que o impedia de senti-la completamente junto a seu corpo era a combinação de malha e a camisa branca, completamente colada ao corpo dela.
Aquilo era loucura. Onde estava a Silvana racional quando se precisava dela? Com certeza bem longe dali; ela concluiu, estremecendo quando os lábios quentes do mosqueteiro desceram pelo pescoço, indo até a altura do ombro, afastando por conseqüência a gola da camisa, completamente aberta agora.
Incapaz de resistir aos próprios anseios, deixou os dedos desatarem os últimos fios da camisa, expondo completamente a pele alva as chamas bruxuleantes da fogueira, que dava um brilho dourado a tez acetinada.
O que estava prestes a acontecer era irrevogável. Que mudaria o rumo da vida dela e dele para sempre.
Continua...
Agora falta pouco, mais dois capítulos no máximo, entretanto preparem-se para fortes emoções, porque a saga de Le Musketeers esta longe do fim... XD
