Capítulo 10

Vampira se viu cara a cara com Pyro. Ela podia ouvir Mística gritando, Logan rosnando e também o som de zip que Pietro fazia ao manobrar em alta velocidade, mas não conseguia ver nada com exceção do adversário na frente dela. Ela poupou um segundo precioso na esperança de que Remy e Logan ficassem bem antes de se concentrar na sua própria luta. O máximo que ela poderia fazer pelos amigos agora era cuidar de si mesma.

Ela manobrou cautelosamente para trás, à espera do primeiro jato de fogo serpenteando em sua direção, saindo dos bocais alimentados por combustível montados nos pulsos do Pyro. Ele estava sorrindo, mas seus olhos estavam cautelosos enquanto observava seus movimentos. Provavelmente ele tem ordens para não me matar, Vampira pensou. Eu não tenho utilidade para a Mística se estiver morta. Com essa restrição, ele não poderia usar jatos de fogo para matá-la, apenas para machucá-la ou assustá-la. E Vampira podia lidar com a perspectiva de ser ferida e assustada.

Ela avançou contra o Pyro, em seguida rolando no chão quando ele enviou uma onda de chamas escaldantes para afastá-la. Por um breve segundo, ela sentiu o ar se tornando seco e extremamente quente ao seu redor, mas a sensação tinha desaparecido tão rapidamente quanto surgiu. Ela não sentiu quaisquer queimaduras; se isso significava que ela tinha escapado ilesa ou se significava que ela estava muito agitada pela adrenalina para sentir qualquer coisa, não poderia dizer com certeza. Ela voltou a ficar de pé e saltou para frente novamente. Pyro pulou para trás, e um dragão de fogo ergueu-se no espaço entre eles.

O dragão empinou a cabeça pontiaguda para trás, então se lançou contra ela. Vampira se jogou para o lado, pousou sobre as suas mãos, deu uma cambalhota, e ficou de pé novamente. O dragão deslizou para o espaço onde ela estava, fazendo-a girar e ficar de costas para o avião. O dragão investiu contra ela de novo, mas ela saltou ligeiramente para trás, de modo que a cabeça dele mergulhou no asfalto perto dos seus pés, deixando um círculo de fumaça no chão e um cheiro de asfalto queimado.

É como lutar contra Bobby na Sala de Perigo, ela percebeu quando o dragão ganhou forma novamente. Se ele continuar me fazendo brincar com suas projeções vai apenas me cansar antes mesmo que ele derrame uma gota de suor. Eu tenho que chegar até ele, onde meus poderes podem trabalhar. Vai ser ainda mais fácil do que com Bobby. O gelo é sólido. Fogo é apenas quente.

Com os olhos meio fechados, ela olhou contra a luz, cinzas e fumaça para conseguir localizar Pyro, parado de pé entre garras dianteiras do dragão. A cabeça do dragão tinha readquirido a forma, e estava pairando sobre ele. Pyro não estava muito longe. Era apenas a cabeça do dragão que fazia com que ela hesitasse...

São apenas queimaduras. Eu posso lidar com queimaduras.

Ela se atirou à frente, para dentro das chamas.

Com um movimento de sua mão, Pyro fez a cabeça do dragão desabar sobre ela, mas ela protegeu a cabeça e se lançou através do fogo. Ela sentiu suas roupas chamuscarem, mas as ignorou. Sobrecarregado com todo o seu equipamento, Pyro não poderia se esquivar dela suficientemente rápido. Sua palma da mão nua foi de encontro à bochecha dele e lá permaneceu.

O mar de fogo desapareceu. Até mesmo as chamas da sua camiseta se apagaram. Vampira viu oceanos de fogo em sua mente, viu um imenso deserto australiano, viu Magneto imponente, viu a sua própria imagem aturdida por causa de drogas...

Ela puxou a mão. Pyro caiu no chão, inconsciente.

"Eu peguei o Pyro!" ela gritou, tanto para alertar Gambit e Logan quanto para abafar o apavorado sotaque australiano que estava pulando dentro da sua cabeça. "Eu peguei o Pyro!"

Outras vozes se levantaram agora... Dentes-de-Sabre e Magneto; Tempestade e Scott; Mística e Kitty; Kurt e Carol... Não, ela não iria ouvir aquela voz. Ela não iria!

Ela tentou fazer com que as chamas saíssem de suas mãos, mas nenhuma veio. "Eu preciso de algo para acender!" ela gritou para a batalha, para ninguém em específico.

"Voilà, chère!"

Ela se virou para ver Gambit dar um forte golpe no estômago do Mercúrio com seu bastão que refletia uma luz prateada advinda do Sol, e então puxou uma carta no bolso. Quando ele jogou-a no ar em direção a Vampira, a carta acendeu, deixando vestígios de fogo enquanto caia.

Ela absorveu a fogo dentro de sua alma, quis que ele tivesse uma nova forma, um novo tamanho... Quando ela estendeu as mãos longes uma da outra, as chamas se configuraram num arco de fogo, uma serpente... O fogo deslizou e se espalhou furiosamente através da luta, buscando um inimigo, tentando a todo custo evitar os amigos...

Tantas vozes em sua cabeça... Tão confuso… Ela não conseguia ver...

"Vampira, NÃO!"

Tarde demais. Uma esquecida espiral de fogo adentrou furtivamente pela porta aberta do avião, devorando qualquer coisa que encontrasse... E então as chamas chegaram até os massivos tanques de combustível...

Vampira sentiu a explosão através dos poderes de Pyro antes que ela tivesse ouvido ou visto alguma coisa. Em seguida, a explosão a atingiu como uma parede de tijolos, mesmo que fosse apenas o ar quente e ela foi levantada do chão... Pequenos pedaços de avião voaram ao redor dela, machucando sua pele... À medida que a força do golpe a jogava cada vez mais para longe, ela viu o precipício se projetar por baixo dela e então não havia mais nada, exceto a queda espetacular em direção ao mar...

E então algo mais cintilou na mente de Vampira.

De ponta cabeça, no meio da sua trajetória saindo da estrada e indo em direção ao mar faminto e imenso, ela se sentiu extremamente alegre. Ela amava estar no ar.

E ela decidiu parar de cair.

Por um longo, muito longo, incrivelmente longo segundo ela ficou suspensa, se apoiando em nada, com a cabeça apontando para o mar e seu cabelo pendurado loucamente longe de seu rosto. E ela não caiu.

O mundo parecia engraçado de cabeça para baixo. Os destroços do avião ainda estavam caindo em direção ao mar, como confete. Ela podia ver Mística, ainda agachada numa posição de combate, com o peito arfando enquanto lutava para recuperar o fôlego e com um corte triplo pingando sangue do seu ombro. Mercúrio estava olhando para Vampira suspensa, arregalando seus olhos de espanto. Gambit tinha deixado um deles roxos e tinha chamuscado alguns dos cabelos brancos de Pietro. Mercúrio tinha feito o lábio de Gambit sangrar, mas fora isso Remy parecia estar bem. Não havia nenhum sinal de Avalanche.

Logan jazia meio debaixo de um pedaço da fuselagem retorcida, suas garras ainda estendidas. Elas deixaram seis marcas ferozes no asfalto onde Logan as enterrara em uma tentativa de resistir à força da explosão. Ele tinha sido a pessoa mais próxima do avião quando ele explodiu. Vampira podia ver queimaduras causadas pelas chamas, sangue dos machucados causados pelos estilhaços e os ferimentos infligidos pela Mística espalhados por seu rosto e braços. Algo no fundo da mente da Vampira sabia que esta visão deveria perturbá-la, mas ela não conseguia sentir isso completamente. A coisa toda foi como um filme, ou uma cena da vida de outra pessoa.

Ela se posicionou de maneira correta, com a cabeça para cima, e mesmo que não houvesse nada em que se apoiar, ela colocou uma perna por baixo de si, deixando a outra pendurada como se ela estivesse sentada no parapeito da sua varanda. Ela se sentia completamente segura. Não estava sentada, apoiada ou encostada em absolutamente nada, e ela se sentiu tão segura e confortável como se estivesse numa cama na Mansão. O vento bateu nas franjas do seu cabelo e os fez dançar ao redor do seu rosto.

Eu estou viva. Ela começou a respirar novamente. Mais do que viva. Eu estou voando.

Então ela começou a rir. Todo o céu enorme e inimaginável era seu playground. Ela era tão livre como uma nuvem, livre como um raio, livre como as próprias estrelas. Outra voz em sua cabeça estava rindo com ela, mas ela não se importava. Estava feliz por ter alguém para compartilhar isso, essa incrível sensação de voar.

Ela girou ao redor, como se estivesse pendurada em uma corda no ginásio Mansão, só que não havia uma corda para limitar seus movimentos agora. Depois, de cabeça, ela foi acelerando em direção a terra.

Mercúrio estava olhando para ela, mas no momento em que ela se lançou em sua direção, de repente, ele lembrou-se de que tinha pés e disparou na estrada com velocidade máxima. Vampira manteve o ritmo com ele facilmente; não havia gravidade para retardá-la agora. Ele poderia ter sido capaz de superá-la e se desviar dela, mas em seu pânico, ele seguiu em linha reta, tentando se distanciar dela como ele se distanciava de tudo mais que já havia perseguido-o.

Vampira o pegou por baixo dos braços... Ele não pesava quase nada; ela poderia ter transformado suas costelas em pó sem fazer muita força... E então levantou-o no ar. As pernas dele ainda estavam fazendo o movimento de corrida, atuando quase como uma hélice, desestabilizando o padrão de voo dela. Ela ajustou seu curso para compensar isso e voou em um amplo arco sobre o mar. O vento passou a cantar em seu cabelo no momento em que ela mergulhou. A emoção foi incrível. Apenas Pietro, contorcendo-se e gritando preso no aperto dela, parecia sentir medo.

Ela se estabilizou por cima da superfície do oceano, mergulhando Pietro na água gelada até a altura da cintura. Um 'V' de espuma branca passou a resplandecer atrás deles. Ela diminuiu a velocidade e o derrubou, deixando-o cair na água com um barulho e o ouviu amaldiçoar enquanto lutava para fazer seu caminho até a praia.

Ela voltou para cima, no nível da estrada, rindo, rolando no ar como se estivesse brincando em uma piscina. Ela podia sentir o ar quente subir em espirais em torno dos destroços do avião queimando. Logan ainda estava ao lado dele, inconsciente, mas as marcas de suas feridas já estavam começando a desaparecer. Mística estava olhando para ela com uma expressão de triunfo arrebatador. Mas Remy estava sorrindo para ela, e rindo. Ele começou a correr embaixo dela, levantando um braço para cima na direção dela, como se ele pudesse tocar o sol.

"La voilà, ma chère! Allez, allez, allez!"

Vampira mergulhou e o pegou, com um braço em volta da sua cintura e com o braço dele ao redor de seus ombros. Com ele rindo ao lado dela, ela disparou para cima, rápido o suficiente para pegar o azul do céu em sua mão livre. Então ela girou, dançando, fazendo Remy se agarrar nela com os dois braços para não se soltar do giro e despencar em queda livre, os dois rindo e gritando de alegria, sabendo que não havia nada em todo o mundo mais bonito, mais grandioso do que isso.

"VAMPIRA!" Mística gritou. Vampira olhou para baixo aborrecida, muito mais interessada em brincar com seus novos poderes do que ouvir qualquer coisa que a Mística pudesse ter para dizer. "Sua mente está danificada. Você ainda não pode lidar com os poderes que eu te dei. Se não colocarmos isso sob controle, a tensão vai te matar. Vem comigo. Eu sou a única que pode te ajudar agora."

"Eu preferiria morrer assim do que permitir que você me toque de novo," Vampira respondeu. Um canto distante da sua mente se preocupou com como sua voz tinha soado diferente, mas uma vez que ela havia concordado verdadeiramente com tudo que havia sido dito, não se importou muito.

"Pare de ser teimosa," Mística ordenou. Ela estendeu a mão. "Vem comigo. Agora mesmo, Vampira".

Vampira sentiu seu temperamento ferver por dentro. Ela mergulhou em direção Mística, mas parou a três metros dela, apenas próximo o suficiente do chão para deixar Remy deslizar para baixo. "Fique longe de mim, se você sabe o que é bom para você, Mística." Era difícil ter medo de um ser que não podia voar.

Os olhos de Mística se encheram com um cálculo frio por um momento, estudando o conjunto formado pela mandíbula proeminente da Vampira, pelo desafio em seus olhos e pelo sorriso perigoso do rapaz próximo à sua direita. E ela se transformou. Sua pele azul tornou-se pálida, seu cabelo vermelho deu lugar a uma longa cascata de ouro. Antes que alguém pudesse se mover, Carol Danvers estava diante deles, encarando Vampira com acusação feroz nos olhos.

"Você está me matando, Vampira! Você está me matando!"

Algo dentro da cabeça da Vampira explodiu com dor. Duas Carol Danvers gritaram com raiva e medo, uma fora e um dentro de si. Ela prendeu sua cabeça latejante entre as mãos nuas e gritou- um grito áspero e duro de agonia que ela conhecia dos seus pesadelos. O barulho que ela fez foi tão alto e tão horrível que por um momento ele abafou todas as outras vozes. Ela pôde pensar claramente por um breve segundo, e naquele segundo, ela soube que a mulher de pé diante dela não era ela mesma, não era Carol, mas sim uma mentira ambulante que não tinha o direito de torturá-la nunca mais.

Ela voou para frente e projetou o punho diretamente para rosto da Mística.

Então diversas coisas aconteceram muito rápido. Primeiro, Mística voou 5 metros e aterrissou na grama do outro lado da estrada. No momento em que ela bateu no chão, já estava de volta em sua forma verdadeira, que ficou imóvel onde caiu. Segundo, a mente Mística atingiu Vampira com a força de uma marreta, cheio de amargura e cálculo premeditado. Terceiro, Vampira sentiu seu corpo se dissolver em torno dela, uma sensação fluída e nauseante, e quando essa sensação parou ela sabia que não era quem havia sido. Cabelos loiros dançavam ao redor do seu rosto.

"Vampira!" Remy agarrou-a pelas mangas e as puxou para chamar sua atenção, mas ele não era de nem perto forte o suficiente para obrigá-la a colocar os pés no chão."Está tudo bem. São só os poderes da Mística. Você pode usá-los. Reviens. Volte à sua forma. Volte, agora."

Ela tentou, mas nesse momento ela não tinha certeza de onde ela deveria voltar. Vampira... O nome era dela, mas ao mesmo tempo não era. Lembrou-se de uma menina, uma adolescente do Mississipi, que poderia ter sido ela...Não havia como ter certeza. Ela havia transformado seu corpo e voltado à forma adequada, uma mulher adulta loira, de olhos azuis... Não, isso não estava certo.

"Você é a Vampira. Do Instituto Xavier. Você freqüenta a escola de Bayville e salva o mundo nos fins de semana. Esta outra pessoa não é você. Não desista. Você sabe quem você é. Volte e você vai poder ir para casa"

Ela tentou de novo, ficou confusa, retornou para onde ela tinha começado. Não, isso tinha de estar certo... Essa forma parecia tão familiar. Mas a voz de uma menina sulista estava gritando dentro de sua mente, desesperada para escapar e ir para casa -

E então havia Logan. O rosto dele estava manchado com sangue seco e ele estava mancando um pouco, rosnando para os últimos vestígios de dor em seu corpo recém-curado, mas ele estava lá. E ele estava furioso.

"VAMPIRA!" ele rugiu, com uma voz que podia ser ouvida ao longo da Sala de Perigo cheio de mutantes adolescente fora de controle. "Coloque o seu próprio rosto AGORA e me diga o que diabos você pensa no que está fazendo!"

E treinamento dela se fez valer. Ela obedeceu sem pensar, sua mente e seu corpo sabiam que, quando Logan usava aquele tom de voz, sua vida dependia da obediência imediata. Vampira sentiu seu corpo vacilar, estremecer e tomar uma nova forma; ela reconheceu aquela aparência como sendo a forma natural dela. Uma voz em sua cabeça começou a gritar e embora ela soubesse que não era a voz dela, causava agonia da mesma forma. Ela caiu no chão e a solidez desconcertante do solo enviou um choque por suas pernas e costas. Seus joelhos se dobraram. Remy a pegou.

Ela sentiu o chão se espalhando ao longo de suas costas e encontrou-se olhando para o imenso céu azul. Era tão longe... Ela não podia alcançá-lo... O chão estava puxando-a como um ímã, pressionando seu corpo contra o solo... Ela estava sufocada, esmagada, enterrada sob milhas e milhas de ar... E Carol não parava de gritar... E de chorar, Carol estava chorando e Vampira não podia confortá-la -

"Fica com a gente, Vampira," Logan ordenou; a força e o carinho quase tangíveis em sua voz a ajudou a manter a respiração. "Quem ela absorveu?"

"Pyro e Mística," disse Remy. "E eu, ontem."

"Quem ela absorveu que está fazendo ela voar?"

"Ma foi, eu não sei. Ela está tendo pesadelos com uma mulher loira que estava morrendo, mas não eu não sai de perto dela desde que ela caiu daquele avião e ela não tocou ninguém com exceção de nós três."

Carol. Vampira podia dizer a eles tudo o que precisavam saber sobre Carol - onde ela nasceu, como ela adquiriu seus poderes, seu número de telefone, seu molho de salada favorito - mas ela mal podia respirar por causa da gravidade, mal podia pensar por causa do grito. Escuridão se pressionou em torno das bordas do seu campo de visão como se ela estivesse se afogando e tudo o que ela sabia ser real fugiu dela, deixando-a sozinha com a mente frenética e opressora de Carol Susan Danvers -


"Vampira?" Gambit demandou. "Vampira, fala comigo!"

Logan pegou o celular do bolso de sua jaqueta e o abriu. "Hank, traga o jato aqui. Temos que levar a Vampira até o Professor agora. Estamos na estrada costeira, a cerca de vinte e cinco quilômetros de distancia da Mansão. É só procurar uma cratera fumegante na estrada." Ele colocou a mão sob o nariz da Vampira enquanto desligava o telefone. "Ela ainda está respirando, apesar dos pesares." Ele olhou para a estrada, ao sul, na direção oposta a Mansão. "Minha moto," ele murmurou para si mesmo.

"Eu vou pegar," Gambit ofereceu.

"Sim. Claro que vai."

"É isso ou você me deixa aqui com a Vampira enquanto vai você mesmo pegar a moto. Qual dos dois você vai arriscar que eu roube?"

Logan o examinou com os olhos apertados, tentando detectar uma mentira. "Se eu te entregar a chave, onde a minha bicicleta vai estar em uma hora?"

"Na frente do Instituto Xavier, sem um arranhão."

"E o que você pode me dar para me garantir que isso vai mesmo acontecer?"

Gambit fez um gesto em direção da inconsciente Vampira. "Você já tem sua garantia. Eu não vou deixá-la até que ela esteja segura"

Logan rosnou e pescou a chave do bolso. "Eu vou te caçar até os confins da terra se você estiver mentindo."

"Se eu estivesse mentindo, já teria ido embora com sua moto."

Logan lhe atirou a chave. "Ela está no ponto onde vocês dois deixaram a estrada. Pegue a auto estrada. É mais rápido."

Gambit já tinha ido.


Logan o observou partir, lutando contra o desejo de persegui-lo e socá-lo. O temor pela sua motocicleta se apertava ao redor do seu coração. Ele forçou os olhos para baixo, onde Vampira estava no asfalto. Ela ainda estava respirando.

O telefone estava para fora do bolso de novo. "Nick, eu achei o seu avião. Não se faça de estúpido comigo – o avião espião que a Mística roubou. Ela está aqui, também, desmaiada... pelo menos por enquanto. E..." Ele hesitou por um momento, debatendo sobre qual número que ele deveria escolher. Ele finalmente decidiu, "um dos Acólitos do Magneto. Basta vir até a costa sul de Bayville até ver a fumaça. Não restou muito do avião, mas é assim que as coisas aconteceram. Considere isso como outro favor que você me deve."

Ele desligou o telefone e o enfiou no bolso, em seguida checando Vampira novamente. "Agüenta aí, guria," ele disse a ela, tirando a franja branca do rosto dela. "A ajuda está chegando. Só agüente mais um pouco."

A moto estava exatamente onde Logan tinha dito que estaria. Era uma coisa linda: velocidade e poder encarnados. Gambit começou a se arrepender de ter prometido não roubá-la. No entanto, quando ele colocou o capacete e ligou o motor, ele se virou para o norte.


A moto atingiu cem quilômetros por hora sem o menor gemido de protesto. Gambit acelerou até que o motor começou a gritar. Ele atravessou Bayville, desviando dos carros por centímetros, ignorando os gritos de protesto que eclodiram enquanto ele passava. À medida que ele cobria os quilômetros entre a cidade e a mansão, ele ouviu o X-Jato levantando vôo acima. O jato girou sobre o oceano - provavelmente para obter um bom ângulo em sua baía de pouso, onde quer que fosse. Gambit surgiu cantando pneus até desacelerar do lado de fora do portão da Mansão e então bateu com o punho no botão do intercomunicador.

A voz vagamente familiar de uma garota apareceu através do interfone. "Sim?"

"É o Gambit. Abra o portão."

"Gambit?" a voz perguntou. "O Gambit do Magneto?"

"É o Gambit com a moto do Wolverine. Eu prometi para ele que ia trazer de volta."

O silêncio reinou por um longo momento do outro lado do interfone.


No instante em que o X-Jato parou de se movimentar, a rampa de desembarque se abaixou. Logan saltou da extremidade dela com Vampira mantida firmemente em seus braços. Na base da rampa, como ele havia esperado e confiado, estava Kurt.

Ele empurrou Vampira nos braços de seu irmão. Kurt cambaleou um pouco sob o peso, mas isso pouco importava, porque assim que Logan a soltou, os dois estudantes desapareceram em uma nuvem de fumaça sulfúrica.

Kurt estava no escritório do Professor antes da Vampira ter a chance de bater no chão. Devido a um bom planejamento, ela bateu no sofá ao invés disso. O Professor já estava ao seu lado, os dedos juntos em forma de sino, no gesto que ele fazia quando estava concentrado.

Obrigado, Kurt, o professor falou telepaticamente para ele, mas seus olhos já estavam focados no rosto Vampira. Kurt levou um segundo a mais para olhar Vampira, para ver suas roupas amarrotadas, suas bochechas sujas, seus olhos se movendo inquietos sob as pálpebras, seus membros se contraindo aleatoriamente como se ela estivesse com dor. Então ele teleportou para o corredor, sabendo, como todos os outros na Mansão sabiam, que agora não havia mais nada que ele pudesse fazer senão esperar.


Gambit estava com as duas mãos em cima do muro e já estava se preparando para pular quando o interfone voltou à vida novamente. "Nós estamos mandando alguém para -"

"Deixa ele entrar, Ruiva," a voz do Logan disse do fundo. "Ele é o menor dos nossos problemas."

"Logan! Seu rosto! Isso é seu sangue?"

"Não só meu. Só abra o portão."

Os portões finalmente se recolheram. Gambit girou para voltar para a moto, ligou o motor e arrancou para dentro dos terrenos da Mansão no momento em que o portão desobstruiu seu caminho. Ele se desviou para o caminho que levava a garagem e se deteve em frente aos degraus de entrada.

A ruiva alta e escultural que ele lembrava vagamente de ter visto em combate saiu pela porta da frente para encontrá-lo. "Gambit? Eu sou Jean". Ela apertou sua mão e pegou o capacete.

"Onde está a Vampira?" ele perguntou.

"Eles acabaram de levá-la até o Professor. Pode... Pode ser que se passe um tempo antes de sabermos qualquer coisa. Por favor, entre." Sem lhe dar muita chance para protestar, ela o tomou pelo braço e o levou para dentro da casa.

O comandante de campo deles, o teleportador e a melhor amiga de cabelos castanhos da Vampira estavam todos pairando no hall de entrada. Eles estavam olhando para ele com violenta desconfiança, inclusive o Ciclope, que conseguia olhar feio mesmo através dos seus óculos escuros. Gambit enfiou a mão no bolso e tocou as cartas dentro dele, pronto para energizá-las e jogá-las no instante em que os outros mutantes fizessem um movimento contra ele.

"Pessoal, vocês conhecem o Gambit", disse Jean, seu determinado tom educado desafiando qualquer um deles a causar problemas. "Gambit, estes são Scott, Kurt, e Kitty".

"Enchanté."

"Será que alguém pode me explicar por que nós deixamos ele entrar na Mansão?" Ciclope demandou.

"Ele está ajudando a Vampira," Jean anunciado. "Logan disse isso. Bom, ele pensou isso."

"Então o que aconteceu com ela?" perguntou Kurt.

"Eu não tenho certeza," admitiu Gambit. "Ela não tinha certeza. Algo a ver com imagens desconexas e um monte de marcas de agulhas em seu braço."

"Seja o que for, o Professor vai consertar", disse Jean acalmando-os. "Gambit, você é bem-vindo para ficar até que nós saibamos de alguma coisa. Mas pode levar um tempo, então você pode tomar um banho e comer algo enquanto isso, se você quiser. Vou lhe mostrar onde está tudo."

Ela se dirigiu até a escadaria principal. Gambit a seguiu, ainda alerta para mais X-Men hostis à espreita nas esquinas.

"Você é quase do tamanho de Scott," Jean observou. "Você pode pegar algumas coisas dele para se trocar. Só um segundo." Ela entrou em uma das portas, em seguida surgiu segurando uma trouxa de roupas dobradas. "O banheiro dos meninos é o segundo a partir do final. Há toalhas e tudo mais lá dentro. Tenha cuidado... A água fica meio quente demais. Se você colocar suas coisas na rampa da lavanderia, eu vou garantir que elas sejam lavadas e secas para você."

"Merci. Sua hospitalidade é muito apreciada, senhorita."

"Você ajudou a Vampira quando nós não podíamos", disse Jean. "Isso garantiu a você muito mais gratidão do que um banho quente pode retribuir."

"Se você acha isso, obviamente não sabe o quão precioso um banho quente pode ser", disse Gambit, um sorriso curvando o canto da sua boca.

Jean sorriu e então franziu a testa enquanto seus olhos perdiam o foco. "Desculpe-me, por favor," ela murmurou, virando-se. "O Professor precisa de mim."


Ma foi: juro; pela minha honra.


N/T: Aee, depois de um tempo considerável, eis aqui mais um capítulo! Ufa! =)

Eu queria agradecer a todas, especialmente aquelas meninas que não tem perfil no ff. Não posso responder as reviews de vocês, mas leio todas com carinho e agradeço de verdade, cada uma delas.