A viagem correu com alguma intensidade. Poucas palavras. Lucius mal falava com Draco, estava tenso e talvez Draco conseguisse identificar no seu rosto alguma preocupação. Draco também não falava. Tinha muita coisa a dizer mas achou que o melhor seria estar calado.

Rapidamente chegaram à Mansão Malfoy. Mal entrou em casa, Draco sentiu a mãe correr para a entrada para receber o seu filho.

- Draco, como estás? – disse, dando um beijo no rosto de Draco.

- Eu estou bem, mãe.

Poucos minutos mais tarde estavam na mesa, pai, mãe e filho a jantar. O ambiente estava tenso como na viagem de Hogwarts para a Mansão Malfoy. Narcisa tentou dizer qualquer coisa, mas rapidamente foi repreendida pelo olhar severo de Lucius. Dobby tremia sempre que servia alguma coisa à mesa. Apesar de ser algo normal no elfo, Draco não pôde deixar de reparar que hoje ele estava realmente estranho.

Quando acabaram de jantar, Lucius finalmente disse uma frase:

- Hoje vamos ter uma reunião importantíssima com o Senhor das Trevas, Draco.

- Pai, mas eu não…

- Eu espero bem que tu não faças nada que o desagrade. O Senhor das Trevas vai dar-te uma missão e tu vais cumpri-la.

Draco não falou, baixou a cabeça e fitou a comida que estava no prato. Ele nunca iria fazer nada que envolvesse magoar Hermione. Nunca. Jamais. Abanou com a cabeça repetidamente.

- Estamos entendidos? – perguntou Lucius com frieza na voz. – Olha para mim Draco!

Draco fitou o olhar de Lucius.

- Espero que tenha acabado tudo o que algum dia existiu entre ti e aquela sangue de lama…

- Sim, não te preocupes com isso. – disse Draco, devolvendo com rispidez na voz.

Lucius não lhe respondeu.

- Dobby, prepara-te! – disse Lucius num berro.

Em segundos estava Dobby na sala. Draco estranhou. Para quê que queria Lucius que Dobby estivesse pronto? Algo estranho se passava. Dobby olhou rapidamente para Draco e fez um sorriso triste.

A reunião iria ser numa casa abandonada que Voldemort tinha agora em sua posse. Inesperadamente, Lucius foi contactado através da marca negra. A reunião começaria dentro de instantes. Draco sentia-se nervoso, era uma sensação que se assemelhava a uma dor de estômago. O que queria Voldemort de Draco Malfoy? Subitamente lembrou-se do que Bellatrix lhe tinha dito. Só queria ver a cara de Draco quando o Lord lhe pedisse o que tinha a pedir. Sem dúvidas que tinha a ver com Hermione. E ele não queria fazer nada para magoá-la.

A família Malfoy foi a primeira a chegar à reunião. Bellatrix e Wormtail eram os únicos que já lá se encontravam. Draco ouviu um riso inoportuno vindo de Bellatrix. Como ele a odiava!

Minutos depois, juntaram-se também os pais de Crabbe e de Goyle e os da Pansy Parkinson. Draco era o único presente que frequentava Hogwarts. O Senhor das Trevas decidiu dar início à reunião.

- Bem, acho que já estamos cá todos. – ninguém falava, só se ouvia a voz desumana de Voldemort.

Draco reparou que as outras famílias olhavam estranhamente para Dobby, o elfo.

- Vocês agora perguntam-se o que faz aqui esta criatura – disse Voldemort, apontando para o elfo que estremeceu ao lado de Draco. – Acreditem que ele vai ser muito útil. Draco, eu quero que me faças uma coisa muito importante.

Bellatrix riu-se descaradamente no seu lugar. Mas quando viu o olhar ríspido de Voldemort parou e encarou seriamente Draco.

- A amiga do Potter, sabes? Aproxima-te dela.

Draco consentiu com a cabeça. Queria ter forças para dizer que não faria isso. Não ia trazer a Hermione como um isco, tal como Harry Potter previra.

- Tu, criatura, vais ter um papel importante.

Dobby gemeu.

- Depois eu falo contigo em particular – disse o Senhor das Trevas, olhando em particular para Draco. Com certeza Bellatrix lhe tinha contado sobre ele e Hermione. Não podia errar e dizer em frente dele o que queria que o elfo fizesse.

- Draco, tu amanhã regressas para Hogwarts e eu quero que te aproximes da Granger.

Draco estremeceu e contorceu o rosto em sofrimento.

No dia seguinte, Draco regressou a Hogwarts e encarou Hermione. Não podia perdê-la. Mas não queria aproximar-se dela. Queria tudo menos que Hermione saísse magoada. Se ao menos soubesse o que Dobby tinha que fazer. Apesar de Dobby servir a família Malfoy ele também ajudava em Hogwarts na cozinha. Talvez o encontrasse antes dele cumprir a sua missão. O Senhor das Trevas não lhe tinha dado uma missão em concreto, apenas teria de se aproximar de Hermione.

As aulas de Poções e Defesa Contra as Artes Negras em que os Slytherin e os Gryffindor estavam em conjunto tinham-se tornado um autêntico massacre. O olhar magoado de Hermione fazia-lhe arder o coração. Ron e Harry olhavam-no com fúria, embora isso não o magoasse como Hermione, fazia sentir-se culpado por alguma vez ter estado com Hermione. Pansy parecia que agora ficava as aulas todas a suspirar por Draco. Já não havia paciência.

O dilema em que Draco se encontrava fê-lo perder a vontade de viver. Não podia permitir que Hermione saísse magoada. Mas como faria isso? O poder que Voldemort tinha era realmente inquestionável.

Tinha passado menos de uma semana quando Draco recebeu uma carta a dizer que iria passar o fim-de-semana a casa. Mais uma vez, Lucius Malfoy foi buscá-lo a Hogwarts e com autorização do director ele saiu. Sábado passou-se e ninguém comentou nada sobre a missão "estúpida" que Draco tinha.

- Filho, tu não nos desiludas. – disse Narcisa, segurando os ombros de Draco.

- Ele não me deu nenhuma missão em especial, mãe.

- Tens de te aproximar da sangue de lama.

- Não lhe chames isso, mãe! – disse Draco exaltado.

- Tu ficaste mesmo apaixonado por… ela? – perguntou a mãe confusa, mas com alguma compreensão maternal.

Draco baixou a cabeça.

- Vejo que sim, Draco. Mas nunca irei perceber porquê. Tinhas a Parkinson que é de boas famílias…

- Eu não gosto da Parkinson! – disse Draco rispidamente.

Estava farto que lhe tentassem arranjar uma namorada que eles queriam e não uma namorada que ele quisesse.

- Tudo bem. Já percebi. – disse Narcisa calmamente. – Vais sair magoado de qualquer das formas… - continuou Narcisa com uma dor visível no rosto.

- O que queres dizer com isso? A Hermione vai sair magoada, não vai?

Narcisa respirou fundo. O silêncio da mãe fez com que ele sustivesse a respiração.

- Mãe, por favor. – disse, agarrando as mãos de Narcisa. – Promete-me que não vão fazer mal a Hermione. Promete-me!

- Não posso fazer isso, Draco. – disse Narcisa com lágrimas nos olhos. – Eu só te quero ter vivo e feliz, filho.

- Eu só vou ser feliz com a Hermione. – disse Draco simplesmente, largando as mãos da mãe.

Narcisa voltou a pegar nas mãos de Draco.

- Eu prometo que farei tudo para ela não sair magoada se tu cumprires o que o Senhor das Trevas quer.

Draco abanou afirmativamente com a cabeça.

-DHR-

Hermione, depois de muito pensar no assunto e de encarar umas poucas vezes Draco, decidiu que era altura de falar com Harry e Ron. O director da escola também teria de ser informado. Com um toque na varinha fez a sua mala. Olhou durante vários segundos para o seu quarto. Tantas memórias, tantas alegrias, tantas tristezas e sobretudo tanta dor. Nem com o afastamento de Hogwarts ela poderia esquecer tudo. Suspirou e com uma última despedida com o olhar saiu rumo à torre dos Gryffindor. Ia ser tão difícil explicar a Harry e Ron que não existiam motivos para ficar. Mas eles teriam de compreender. Estava quase a entrar no corredor que dava acesso à torre dos Gryffindor quando foi interrompida por uma mão, fina e comprida. Hermione depois de fitar a mão que estava sobre o seu braço, olhou para trás e viu Dobby.

- Dobby?