Hogsmeade

Harry

Os dois olharam para mim sem entender muito. A última aula que eu havia tido com Dumbledore fora mais esclarecedora, em parte. Hermione fitava as chamas da lareira, os olhos achocolatados pareciam fora de foco. Rony estava do mesmo modo. E mesmo que para eles a revelação tivesse sido chocante, o que eles estavam sentindo não era nada comparado ao que eu estava sentindo.

- Sete?

Hermione perguntou novamente, os olhos castanhos deixando as chamas e me fitando com intensidade. Rony continuava a olhar para um ponto fixo do chão. Eu gesticulei para a garota e juntei as mãos.

- Possivelmente.

As respirações e o crepitar da madeira da lareira eram os únicos sons no ambiente. Eu permanecia em silêncio, esperando outra reação por parte dos dois, mas ambos estavam imersos em pensamentos. Rony foi o primeiro a falar.

- Eu realmente não sei a dimensão disso...

Hermione o olhou, dando de ombros e abrindo o último livro da pilha de livros que ela havia alugado na biblioteca depois que eu contei o que Dumbledore havia me dito. Eu poderia até sentir a preocupação dela. Eu não estava diferente. Ela olhou Rony com olhos desanimados e pela primeira vez eu vi que ela não tinha resposta para aquilo.

- Eu também não, Rony. Eu nem sabia que Horcruxes existiam!

Começou a passar as páginas lentamente do livro, a esperança diminuindo cada vez que seus olhos corriam por uma folha e não achava nada. Eu sabia que mesmo se ela lesse todos os livros da biblioteca de Hogwarts, ela não iria achar absolutamente nada relacionado à Horcruxes. Na memória de Tom Riddle, eu me lembrava perfeitamente que ele não tinha achado, por que agora teria algum material?

Meus pensamentos se confirmaram quando Hermione fechou o último livro, tombando a cabeça no encosto da poltrona de veludo, aceitando a derrota. Apenas alguns estudantes do segundo ano escreviam em seus pergaminhos, falando baixo como se estivessem cansados. Conversar sobre isso era seguro no Salão Comunal naquele momento.

- Dumbledore não disse nada em relação à localização das Horcruxes?

Eu neguei com a cabeça e Hermione suspirou, cansada. As horas passavam rapidamente, e nem mesmo o Quadribol animava nossas conversas pela noite. O que nos esperava era algo sombrio demais.

- Dumbledore me disse que ainda vai fazer algumas pesquisas para tentar descobrir isso.

Eu disse, me esquecendo do último tópico da conversa que eu tive com o diretor. Isso pareceu animar Rony. Hermione permanecia com a mesma fisionomia.

- Com certeza Dumbledore irá descobrir algo!

Ele falou, tentando animá-la, mas Hermione apenas soltou um muxoxo desanimado e se levantou, desejando boa noite a nós dois e subindo as escadas do dormitório feminino. Eu olhei para meu amigo, o assunto das Horcruxes armazenado na minha mente para dar lugar a outro assunto que estava me intrigando há tempos.

Rony estava muito diferente, e isso já durava dias. Eu poderia até palpitar que ele havia ficado estranho depois da detenção que Snape lhe dera, mas isso seria especular demais. Ele olhava para a lareira e sua expressão mudava constantemente. Eu consegui ver que ele relaxava, depois ficava tenso e com a testa vincada, e podia jurar que vi um pequeno e milimétrico sorriso nascer em seu rosto.

- Então... quem é ela?

Ele se assustou com minha pergunta repentina e eu sorri, o encorajando a falar. As orelhas dele ficaram vermelhas. Depois de perceber esse gesto característico, eu pude me confirmar de que havia acertado no chute. Rony estava interessado em alguém.

- Do que está falando? – ele perguntou.

Eu revirei os olhos e retirei meus óculos, passando as mãos pelos olhos e espantando o sono que insistia em ficar cada vez mais forte. Eu queria ter essa conversa com Rony há muito tempo, mas com Hermione por perto era praticamente impossível. Essa era a chance perfeita.

- Você sabe do que estou falando, Rony...

Conhecia perfeitamente meu amigo para ele me contestar. Ele sabia que eu não iria mudar de assunto enquanto ele não me desse as informações certas. Ele ajeitou seu corpo no sofá vermelho e olhou para a lareira, como se fosse confessar um pecado.

- Alguém...

Ele respondeu em um sussurro e pelo o que eu conhecia do meu amigo, ele não iria falar nada no momento. Revirei os olhos impaciente e resolvi tentar arrancar algo mais.

- E esse alguém tem nome?

Ele me olhou, as orelhas mais vermelhas do que antes, engoliu em seco e coçou os cabelos ruivos. Rony fez uma careta e abriu a boca gaguejando algo incoerente. Meus lábios tremeram, tentando conter um sorriso que queria sair.

- Para com isso, Rony! Você parece uma bicha!

Joguei a almofada de veludo nele e o acertei no ombro. Ele riu e revidou, mas a almofada quase caiu na lareira. Eu olhei para ele e ele olhou para mim, ambos ficando quietos repentinamente percebendo a merda que quase tinha acontecido, ele voltou a se acomodar no sofá. Os alunos do segundo ano olhavam para nós dois como se fôssemos dois idiotas brincando de guerra de almofadas, mas depois voltaram a atenção para os pergaminhos.

- Acho que você não vai querer saber quem é.

Meu primeiro pensamento foi que Rony estava saindo com Hermione, mas ao julgar que Hermione estava ocupada demais com estudos de N.I.E.M's e com pesquisas sobre Horcruxes, isso era quase impossível. E eu conhecendo bem os dois, perceberia no mesmo momento. Eu continuei a fitar Rony, determinado a arrancar o maldito nome da boca dele.

- Parkinson.

Ele disse baixo e eu pisquei algumas vezes os olhos, abrindo a boca de forma idiota, achando que havia escutado errado. Eu esperei Rony rir e jogar mais uma almofada em mim dizendo que estava apenas zombando da minha cara, mas ele não fez nada daquilo. Continuou fitando as chamas da lareira.

- Parkinson?

Repeti um pouco mais alto e Rony olhou a turma do segundo ano, como se temesse que os meninos descobrissem seu segredo. Ele voltou a olhar para mim e afirmou milimetricamente com a cabeça. Eu fiquei estático e sem palavras. Na certa eu nunca imaginaria que ele estava saindo com Parkinson. Mas não era tão mal, a julgar que ele havia saído com Lilá no mesmo ano, e ela sim, era insuportável. Eu também não podia dizer nada, afinal eu havia saído com Cho ano passado, que mostrou ser uma fonte de lágrimas.

- Está pensando em que?

Ele me perguntou e eu saí dos meus devaneios. Joguei-me no encosto do sofá, colocando as mãos por trás da cabeça e coçando o cabelo bagunçado.

- Em como somos desgraçados em relacionamentos.

Rony ficou um pouco mais vermelho, mas sua risada assustou até mesmo os meninos do segundo ano que escreviam no canto do salão. Eu ri junto com ele, pensando na tragédia que éramos. Poderíamos montar um time se nos juntássemos a Neville. Depois de minutos rindo de nós mesmos, ele respirou fundo e se levantou, eu ergui uma sobrancelha, dizendo para ele por meio desse gesto que a conversa não havia acabado. Rony gemeu e sentou-se novamente no sofá.

- Quando?

- Na detenção.

- Eu sabia!

Eu não estava louco afinal, ele andava aéreo desde que havia saído daquela maldita detenção, e agora todas as peças se juntavam, formando a resposta que eu queria.

- Bom... tirando o fato de que ela é uma sonserina nojenta... – pontuei.

Ele não demonstrou raiva, apenas deu de ombros.

- Não é nada sério... – ele disse de forma baixa.

Eu sorri para ele. Não importava a casa que a garota era, o que me incomodava era se ele mudaria por causa de Parkinson. Pelo o que eu conhecia da garota, ela era muito mesquinha e egocêntrica. Mas eu deixei esses pensamentos apenas para mim, se ele tivesse uma opinião formada, não seria a minha que iria fazê-lo mudar.

- Vem, vamos dormir.

Eu me levantei e ele me acompanhou. Joguei as almofadas que estavam no chão de volta para o sofá e acenei para os meninos do segundo ano. Começamos a subir a escada. Eu parei repentinamente e Rony parou atrás de mim.

- Merlin...

Coloquei a mão na boca, como se tivesse descoberto como destruir as Horcruxes. Rony me olhava sério, como se temesse que eu falasse algo mais de Voldemort.

- O que foi, Harry?

Eu olhei para ele e retirei a mão da boca.

- E se ela começar a te chamar de Uon-Uon?

Rony travou o maxilar e me deu um soco no braço, mas não conseguiu conter o riso.

- Cale a boca.

Continuamos a subir as escadas rindo e entramos no dormitório. Amanhã o dia seria cheio e Hermione estaria elétrica por mais pesquisas sobre Horcruxes.


Rony

Acordamos cedo no dia seguinte. Era sábado e para o alívio de toda Hogwarts, teríamos nossa primeira visita a Hogsmeade. Mesmo que a situação no mundo bruxo estivesse caótica, Dumbledore havia concordado que os alunos tinham direito de um pouco de ar fresco e descanso dos estudos.

Eu comia meu café da manhã, imerso em pensamentos. Olhei para Harry e Hermione e vi que meus amigos não estavam tão entusiasmados com a visita ao povoado. Engoli o resto do pão e pigarreei para chamar a atenção.

- Não querem ir? – perguntei.

Hermione voltou a olhar para mim, como se tivesse sendo içada de algum lugar e colocada de volta para a Terra. Harry não disse nada.

- Não sei... sinto que estamos perdendo tempo indo para Hogsmeade em vez de pesquisar mais sobre... aquilo...

Ela respondeu. Eu respirei fundo e olhei para Harry, que deu de ombros como se me dissesse que seria inútil tentar argumentar.

- Poderíamos visitar a Zonko's, Mione, beber uma cerveja amanteigada no Três Vassouras, e depois voltar. Não precisamos passar o dia lá.

Ela finalmente concordou com a cabeça e continuou a comer enquanto conversava com Ginny. Eu corri meus olhos pelo Salão Principal. Estava vazio; a maioria dos estudantes já tinha ido para Hogsmeade. Percorri cada mesa comprida da escola, tentando me convencer de que não era para procurar por ela, quando meus olhos automaticamente pousaram na mesa da Sonserina. Apenas alguns sonserinos comiam e conversavam animados, mas Pankinson não estava lá.

Eu terminei de engolir meu suco de abóbora e olhei para um grupo de alunos da Lufa-Lufa que saía fazendo um barulho estridente, uma mistura de gritos e conversas. Foi quando ela entrou no Salão Principal. Pankinson parou exatamente no meio do Salão, seus olhos extremamente negros percorriam cada mesa da escola igual eu havia feito antes. Ela vestia uma calça jeans muito justa no corpo, botas pretas de camurça e uma blusa branca de gola alta impecável. Não usava brincos, mas o colar com o pingente dourado reluzia sempre em seu colo. Estava com um cachecol vermelho em mãos. Seus olhos pararam quando ela me pegou olhando-a.

Um sorriso mínimo passou pelo seu rosto e eu vi Parkinson piscar, antes de caminhar em direção à mesa da Sonserina. Harry me olhava curioso e parecia fazer um esforço sobrenatural para não rir. Eu cocei a cabeça e me levantei da mesa. Harry e Hermione se levantaram também.

- Vamos?

Eles acenaram e minha irmã disse que ia mais tarde com Parvati. Eu espreguicei um pouco e Hermione começou a andar mais na frente. Harry aproveitou a chance e me cutucou. Eu me virei para meu amigo e ele se aproximou.

- Dá próxima vez que ver a Parkinson, feche a boca.

Eu fiquei parado, apenas olhando Harry sorrir para mim, enquanto me puxava para apressarmos o passo até alcançar Hermione.


Pansy

Vi o ruivo sair junto com Potter e a sangue-ruim. Eu comia silenciosamente meu café da manhã. Sabia que hoje era dia de visita a Hogsmeade, e sinceramente eu não estava nem um pouco animada em ir para aquele lugar.

Eu não estava conversando com os meninos, e as garotas estavam tão animadas em irem à Madame Puddifoot,que eu fiquei enojada apenas em pensar em acompanhá-las até o povoado. Eu iria ficar relaxando no banheiro dos monitores, mas quando vi o Weasley sair pelo portão principal de Hogwarts e pegar a estrada para o povoado, me animei completamente.

Saí da mesa do café da manhã e caminhei em direção à saída do castelo. O frio me engolfou no mesmo momento e eu enrolei meu cachecol no pescoço, ficando mais aquecida. Mesmo que ainda tivesse mais roupas por debaixo da blusa de lã branca, a neve estava crítica.

- Indo para Hogsmeade, Pansy?

Eu escutei a voz familiar e me virei para fitar Blaise. O negro me olhava divertido, e parecia desprovido de companhia igual a mim. Eu acenei afirmativamente e ele se juntou a mim, caminhando ao meu lado silenciosamente.

- Malfoy estava fora de si naquele dia...

Ele começou a falar e eu apenas o olhei, levantando uma sobrancelha e dizendo com esse gesto para Blaise parar imediatamente o que tentava me dizer. Apenas a menção do nome do loiro fez meu estômago embrulhar e o sangue puro das minhas veias ferver.

Blaise se calou e continuou caminhando ao meu lado. Cerca de dez minutos depois, avistamos as primeiras casinhas do povoado de Hogsmeade. Merlin, eu ainda gostava daquele lugar, e mesmo que ele não tivesse o mesmo encanto de quando o mundo não estava em guerra, estava abarrotado de bruxos.

As paredes estavam quase que inteiramente cobertas por cartazes com fotos de Comensais da Morte. Eu sabia que Dumbledore havia colocado todos os professores em guarda pelo povoado, temendo um ataque.

Blaise me cutucou e eu olhei para o negro, ele era bem mais alto que eu. E não era feio. Os olhos pretos combinavam perfeitamente com sua pele e ele possuía um ar superior que não era afetado como o de Malfoy, como se o garoto soubesse que era superior a todos, e não pudesse fazer nada a respeito.

- Vai para onde? – ele perguntou.

Eu dei de ombros e ele sorriu para mim, os dentes brancos contrastando com sua pele morena. Eu gostava de homens assim. Mas infelizmente, ele não era quem eu procurava.

- Ainda não sei.

Alguns garotos da Sonserina passaram e Blaise me olhou, pedindo com um gesto de cabeça para que eu os acompanhasse. Eu fiz uma careta e disse para ele ir, que eu ficaria ainda vagando pelo povoado, mas não iria demorar. Ele voltou a sorrir e se juntou ao grupo, me deixando sozinha.

Eu respirei fundo, o ar gelado cortava minha garganta e entrei no Três Vassouras para comprar algo quente antes de me despedir de Hogsmeade. Estava abarrotado, canecas de cervejas amanteigadas voavam por todo o aposento, fazendo com que eu tivesse que me desviar. Xinguei algo quando esbarrei em alguém e me virei. Potter me fitava com os olhos verdes esmeraldas.

Fiz questão de não pedir desculpas e ele caminhou até uma mesa. Granger estava de costas para todo mundo, sentada na cadeira do lado esquerdo da mesa. Weasley e Potter estavam sentados de frente para ela, cada um com uma caneca de cerveja amanteigada. Ele engasgou quando me viu e voltou a colocar a caneca na mesa. Eu sorri e me virei, pedindo ao garçom um chocolate quente.

O garçom me entregou o pedido e eu paguei pelo copo e pela bebida, saindo do lugar cheio e respirando aliviada quando meus pulmões inalaram ar fresco. Caminhei em direção a um banco e me sentei, bebendo meu chocolate quente calmamente enquanto pensava.

E se os Comensais voltassem a atacar por aqui? Será que a guerra seria declarada abertamente? Eu estremeci com a ideia. Mesmo entendendo o lado de Você-Sabe-Quem, eu não era tola o suficiente em tomar nenhum partido. Eu era neutra, e isso era a decisão mais inteligente que se podia tomar. E eu tinha meus motivos...

A porta do Três Vassouras se abriu e o Trio de Ouro saiu, rindo e conversando. Potter estava com a mão no ombro de Granger e o ruivo não parecia incomodado com o gesto como antes ficava. Ele me olhou, mas não fez nenhum gesto para mim. Eu coloquei o copo na boca, tomando mais um gole do meu chocolate quente. Potter me olhou e gesticulou algo para o ruivo, apressando o passo sem que Granger percebesse que seu amigo havia ficado para trás.

Ele começou a andar na minha direção no mesmo momento que eu tomava o último gole que restara no copo e acenava com a varinha para diminuí-lo e colocá-lo na bolsa. O Weasley estava sem graça e parou na minha frente com as mãos no bolso.

Os cabelos vermelhos fogo contrastavam com a neve exagerada do lugar, os lábios vermelhos combinavam perfeitamente com o cabelo. Eu tive que me segurar para não passar minha mão pelos fios ruivos.

- Sozinha?

Ele perguntou relutante e eu apenas sorri para ele, sem responder nada. Ele olhou para o céu nublado, o azul da íris ficando mais claro com esse gesto.

- Vai voltar para o castelo, Weasley?

Ele se assustou quando percebeu que eu estava próxima a ele, e, para falar a verdade, nem eu percebera que havia me aproximado, mas ele me puxava como se fosse um imã. Eu apenas percebi nossa proximidade quando ele abaixou a cabeça novamente e respondeu.

- Sim. Está frio e eu preciso fazer algumas coisas...

O hálito quente bateu no meu rosto, fazendo cócegas. Ele franziu o nariz como se tivesse o coçando e ia se virar, mas eu o peguei pelo braço. Antes que o ruivo pudesse reagir, enlacei-o pelo pescoço e colei meus lábios nos seus macios.

Ele não perdeu tempo, sua mão segurou minha cintura, apertando fortemente e arrancando um gemido meu enquanto sua língua entrava na minha boca e sua outra mão puxava meu cabelo.

Ficamos nos beijando por segundos, até a sanidade entrar na minha mente e eu perceber que estávamos em Hogsmeade e que qualquer aluno de Hogwarts que estivesse passando na rua, poderia nos ver. Finalizei o beijo enquanto minha mão espalmou seu peito forte. Ele ainda estava perigosamente perto e eu tive que juntar todas as minhas forças para afastá-lo.

- Aqui não, Weasley.

- Você que me beijou.

Eu quase o matei por ter falado isso. Era mais que óbvio que eu o havia beijado, e eu odiava pensar na minha fraqueza súbita. Ele se aproximou novamente e eu fiz um pouco mais de força em seu peito.

- Aqui não.

- Onde?

Pensei por alguns segundos, mas não achei uma resposta satisfatória. O banheiro dos monitores era frio demais se eu quisesse repetir o que havia feito. E essa ideia não me saía da cabeça. Foi o ruivo que falou primeiro.

- Me encontre no Salão Principal à noite. Às dez horas. Tudo bem?

Antes que eu pudesse responder, ele me beliscou na bochecha e saiu rapidamente, correndo para alcançar os amigos. Eu fiquei estática com o gesto de carinho por parte dele. A pele que seu dedo havia tocado estava formigando e eu passei a mão no lugar, sentindo meu rosto esquentar. Eu odiava gestos carinhosos. Tranquei meu maxilar e depois de minutos comecei a andar para voltar para o castelo.