Disclaimer: Saint Seiya e seus personagens são propriedade de Kurumada, Toei, etc. E por favor, ignorem as alterações e inconsistências que apareçam nas mitologias usadas, é que eu vou mudar algumas coisas mesmo XD

Capítulo 15 – O Gweledydd

A noite passou e os meninos ficaram na casa de Miro, atendendo ao convite de seus anfitriões. De manhã eles se preparavam para partir novamente, mas tiveram que mudar seus planos, pois Dechtire descobrira, ao ir até o vilarejo próximo, que alguns soldados de Markhein estiveram por aquela região indagando pelo paradeiro dos invasores da fortaleza de seu mestre. Ferdiad também estava preocupado e os dois adultos concordaram que seria melhor esconder os garotos por alguns dias até que tudo se acalmasse e a vigilância sobre a região diminuísse, assim eles poderiam partir despercebidos.

E assim os dias foram passando. Miro, apesar de preocupado com seus novos amigos, estava feliz por estes terem de ficar mais tempo que o previsto em sua casa. Pois obviamente, pensava o menino, estava fora de cogitação ele próprio acompanhar os outros na viagem. Não que tivesse medo, não tinha mesmo, mas não poderia deixar sua família. Então sabia que só lhe restaria se entristecer quando os amigos partissem, provavelmente para não voltar mais.

Miro sentia seu coração apertar toda vez que vinha à sua mente o pensamento de que talvez nunca mais visse Camus. O garoto havia se afeiçoado muito ao jovem elfo de cabelos verdes que, apesar de parecer frio e distante em um primeiro momento, era na verdade uma pessoa muito atenciosa e gentil, embora não o demonstrasse muito. Sempre ouvira dizer que os elfos eram extremamente belos, mas ao ver o rosto de Camus pensou que aquela beleza superava qualquer descrição que uma pessoa fosse capaz de fazer. Apesar de manter sua postura distante, Miro sentia que o elfo também não lhe era indiferente, e isso já o alegrava.

Camus, por sua vez, também estava gostando muito de Miro e chegou a se alegrar um pouco com a necessidade de adiarem a partida. Mas evitava demonstrar o que sentia, pois percebeu que o outro garoto se importava muito com ele e sabia que logo teria de ir embora. Claro que Miro não poderia abandonar sua família para acompanhá-los, então era melhor não demonstrar sentimentos agora, para evitar que Miro sofresse. Talvez um dia, se tudo desse certo, poderia voltar aquele vilarejo e procurar pelo outro garoto. E se tudo desse errado, Miro talvez o esquecesse algum dia.

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No meio da madrugada Shaka se aproximou da cama onde Mu dormia, ajeitou as cobertas do elfo e deu-lhe um beijo na testa. Quando se virou, Mu o segurou e puxou-o para que deitasse em sua cama um pouco. Shaka ficava um pouco envergonhado quando o namorado fazia isso, mas, ao olhar para os amigos no quarto e ver que todos dormiam, aceitou o convite e deitou-se ao lado do elfo, que se aconchegou junto ao loiro e passou um braço ao seu redor.

Shaka parecia perdido em seus pensamentos, quando ouviu a voz de Mu baixa, quase num sussurro:

- Acho que se ficarmos aqui por muito tempo, iremos prejudicá-los. Talvez já estejam todos em perigo até! E o senhor Ferdiad está escondendo alguma coisa de nós, mas eu não consigo ler a mente dele para descobrir o que é, não sei porque...

- Eu percebi que ele não contou muita coisa, mesmo a família dele não parece saber algumas coisas a seu respeito – Shaka alisava os cabelos lavanda do elfo pensativo – Mas acho que os servos do feiticeiro devem saber que estamos nessa região e a família do Miro não quer dizer nada para não nos preocuparmos. Mas mesmo assim, é melhor irmos embora o mais cedo possível.

- Eu também acho – disse Mu – mas vai ser uma pena ter que ir embora assim. Camus vai ficar triste. Ele está gostando muito do Miro.

- Eu percebi. E o Miro também parece gostar muito dele. Vai ser uma pena mesmo.

Os dois ficaram quietos por alguns instantes, imersos em um silêncio pesaroso, até que Shaka perguntou:

- E você conseguiu falar com seu irmão outra vez?

- Muito brevemente. Eu tenho andado sem a concentração adequada nos últimos tempos e eu continuo sentindo aquela força estranha atrapalhando, só que agora...É diferente. Mas enfim, ele conseguiu me dizer que o feitiço parou de agir sobre sua aldeia, mesmo que não tenha se revertido.

- Então como todo mundo ficou?

- Em uma espécie de torpor, acho. E parece que a sombra que pairava sobre a cidade dos elfos enfraqueceu, mas mesmo assim eu ainda estou muito preocupado. Parece que tem algo ruim prestes a acontecer...

Shaka olhava para Mu com uma expressão preocupada, percebendo a aflição que o elfo sentia. Este então virou o rosto para o outro lado e disse tristemente:

- Eu queria não ficar vendo só um monte de desgraças. Daqui a pouco você vai começar a pensar que nem os outros elfos e vai se afastar de mim, porque parece que eu só atraio catástrofes. Foi só eu entrar na sua vida para começarem esses problemas todos e...

- Não diga besteiras! – interrompeu Shaka rispidamente. O loiro tocou o rosto do outro garoto, virando-o delicadamente para si e o beijou demoradamente. Ao separarem-se, falou:

- Nada disso é culpa sua, não fique pensando bobagem. Eu jamais pensaria que você é amaldiçoado ou qualquer coisa assim. E mesmo que você fosse eu não te deixaria sozinho, porque eu te amo muito. Eu suportaria qualquer coisa, faria qualquer sacrifício para ficar ao seu lado, Mu.

O elfo abraçou Shaka com força, e este percebeu algumas lágrimas escorrendo pelo rosto que tanto adorava. Beijou o amado com intensidade. Shaka puxou o elfo por cima de si e deixou que suas mãos percorressem as costas de Mu. O elfo começou a beijar-lhe o pescoço languidamente e deixou que seus dedos brincassem com a pele pálida do loiro por baixo da túnica que este usava. Os dois continuaram trocando carícias até que algo estalou na mente de Mu: seus amigos estavam dormindo ali perto e poderiam acordar a qualquer momento!

- Me desculpe anjo, eu...eu não... – Mu havia se afastado, muito vermelho.

- Eu sei, foi culpa minha também... – disse Shaka com a respiração pesada.

Os dois se encararam extremamente encabulados durante algum tempo, até que Mu disse, timidamente:

- Não é que eu não...queira...você sabe, não é...

- Eu sei mas... – Shaka estava vermelhíssimo – não é uma hora muito boa, ainda mais com tudo isso acontecendo...

- Mas você poderia dormir aqui comigo. Eu...gosto de ficar junto com você. – o elfo pediu.

Shaka sorriu (ainda encabulado) e deitou-se novamente. Um puxou-o para perto de si, abraçando-o, e os dois, assim, adormeceram após algum tempo.

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Camus acordou cedo na manhã seguinte. Não conseguiu deixar de se sentir um tanto melancólico ao ver Shaka e o príncipe dormindo abraçados. Sabia que não havia chances de deixar de estar sozinho algum dia. Olhava para a cama de Miro, mas não demonstrava o que sentia. Manteria-se frio e impassível para não preocupar os demais. Afinal, ele próprio tinha que ser a fortaleza daquele grupo, pois os amigos eram tão impulsivos e passionais em alguns momentos...

O elfo de cabelos verdes levantou-se e foi para a cozinha, e lá encontrou Miro com sua priminha Étáin e seu pai. A garotinha pulou no colo de Camus alegremente, e este não pode deixar de sorrir. Logo os outros garotos também vieram tomar café, e tudo parecia estar tranqüilo, até que Dechtire entrou e disse, desesperada:

- Estão vindo atrás dos meninos, Ferdiad! De algum jeito, descobriram que eles estão aqui! Parece que estão procurando em todas as casas do vilarejo, vão acabar chegando aqui também! E agora?

Com exceção de Ferdiad, que estava pensativo, todos na casa estavam em pânico. Os meninos se recriminavam por terem exposto a família de Miro ao perigo. Jamais deveriam ter aceitado ficar ali, foi o que os quatro pensaram. A mãe de Miro estava preocupadíssima, Étáin chorava e o garoto estava sem reação, infeliz porque os amigos teriam que ir embora. Ferdiad então disse, após pensar durante algum tempo:

- Miro, meu filho, acha que consegue manejar um navio só com a ajuda dos meninos?

Todos lançaram olhares interrogativos para o velho. Miro respondeu:

- Não seu, pai, acho que seria difícil mas...Com algum esforço nós conseguimos – de repente o garoto se deu conta do que estava dizendo e exclamou – mas o que o senhor está planejando? Não posso ir embora e largar o senhor, a mamãe e a Étáin aqui!

- É verdade, senhor, seria muito arriscado ele vir conosco – disse Camus preocupado – Vocês já estão correndo perigo por terem nos dado abrigo durante esse tempo.

Os outros meninos também iam argumentar que não tinha cabimento enviar Miro naquela missão arriscada junto com eles, mas Ferdiad voltou-se para o filho e falou:

- Se você preza tanto a sua família, então você vai. Você precisa ajuda-los agora. Você viu o que aconteceu com Étáin, e coisas assim vão continuar acontecendo enquanto o feiticeiro estiver agindo livremente.Eu sei que esses meninos não vieram parar aqui por acaso. Era o seu destino se encontrar com eles. E você pode ajuda-los, Miro, eu sei disso.

- Mas e vocês... – o garoto ia começar a falar, mas sua mãe o interrompeu:

- Nós ficaremos bem, querido, não se preocupe. Só quero que tenha cuidado. – A mulher abraçou o filho com força e depois perguntou ao marido:

- Então finalmente vai nos dizer onde está o famoso Matholwich?

- Afundou faz muito tempo – respondeu Ferdiad com um meio sorriso – mas não se preocupem, eles terão um navio muito melhor. Meninos, eu lhes darei de presente o melhor navio do mundo, o Gweledydd.

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Miro guiou os outros garotos até a região que seu pai havia indicado como sendo o esconderijo do tal navio. Era uma região um pouco isolada da praia da qual o vilarejo ficava próximo, onde haviam muitas rochas e, de acordo com Ferdiad, o navio estava ali, escondido em uma caverna alagada.

O garoto não tinha muita certeza de que conseguiriam fugir de barco, mas estava disposto a se esforçar. Não podia permitir que nada ruim acontecesse com Camus. Seria inaceitável! E era importante proteger seus outros amigos também. E, segundo seu pai, aquele navio seria o melhor meio para fugirem e também encontrarem a casa de Scatha rapidamente.

Chegaram à caverna e a atravessaram nadando. Enfim encontraram o navio. Não era exatamente grande, mas parecia imponente mesmo assim. Miro o achou estranho, diferente de outras embarcações que já havia visto, pois aquela tinha uma cor estranha, que parecia bronze, com um brilho diferente. Todos embarcaram e Miro orientou sobre os procedimentos necessários para a partida. O navio começou a se mover e logo estavam fora da caverna, em direção ao alto-mar.

- Tem algo estranho aqui... – disse Miro pensativo.

- O que é estranho, senhor Miro? – perguntou Camus.

- Já pedi para não me chamar de senhor, não é? – o garoto sorria e, apontando para uma bancada repleta de alavancas explicou –olhe esses equipamentos aqui, geralmente não tem em navios, não sei para que servem.

- Talvez fosse melhor testar enquanto ainda estamos perto da costa. Seu pai havia dito que o funcionamento desse navio era um pouco diferente daqueles que você conhece...

- Acho que é melhor mesmo.

Miro começou a experimentar as alavancas para descobrir a função de cada uma quando, subitamente a embarcação fez algo inesperado: começou a levantar vôo. Shaka, Mu e Aioria que estavam no convés entraram correndo espantados na cabine onde Miro e Camus estavam.

- Como é que pode? Isso não devia acontecer, não é? – Aioria disse confuso. Shaka então respondeu

- Bem, eu vi o senhor Ferdiad comentando que "encontrou" o navio durante uma viagem, então deve ser quase como um artefato mágico.

- Deve ser isso mesmo, Shaka. Meu pai tem umas histórias tão estranhas. Mas pelo menos isso facilita a nossa vida. – Miro parecia satisfeito e já estava pegando o jeito de como manejar o barco quando Mu, que parecia um tanto distante, falou:

- Tem alguém vindo atrás de nós. Está chegando perto.

- Não é possível, como podem estar nos seguindo? Nos estamos voando, não tem como! – disse Aioria.

- Não sei como, mas estão nos seguindo e vão nos atacar – Mu afirmou.

- Você não tem idéia de como vão... – Shaka ia dizendo, mas não conseguiu terminar a frase pois nesse momento tudo tremeu, como se algo houvesse se chocado contra o navio.

Todos correram para fora, tentando descobrir qual a origem do impacto. Foi então que viram. Voando em seu encalço havia um dragão gigantesco e, os elfos puderam ver com sua visão aguçada, uma mulher muito bonita que estava sobre o animal parecia controlá-lo. A mulher então gritou:

- Escutem bem, bando de ratos! Não adianta fugir pois vou acabar com vocês! Irão se arrepender pelo que fizeram ao meu irmão!

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Olá para quem está lendo!

Então é isso, capítulo 15 on, não achei que fosse chegar tão longe! \o/ Espero que tenha ficado bom, se bem que me deu vontade de jogar Final Fantasy XD. Mas barcos que voam são mencionados na mitologia céltica, então acho que não tem problema...

Espero que gostem, ficou meio comprido desta vez, mas eu achei melhor fazer um capítulo maior de uma vez só.

Abraços para todos que estiverem lendo, e muito obrigada por acompanharem a história!

Lyta