Obrigada pelos comentários pessoal. Eles significam muito para mim.
Obs: tem uma fic no nyah chamada Isaac bella leiam pessoal a fic é muito boa.
CAPÍTULO X
Lorde cullen não demoraria a arrepender-se pela continuação do noivado, Bella conjeturou, sentada no coche — mantido na penumbra por causa das cortinas cerradas — em frente a Edward. Acompanhados por carmen, que não fazia o menor empenho em esconder a desaprovação, levavam Emmet para Londres. Lá, o jovem iria buscar os equipamentos que haviam sido encomendados e os uniformes que ele já experimentara em uma viagem anterior à cidade. Dali, embarcaria em um navio para a índia, onde receberia a patente.
Desde a saída da cidade Grafton Renforth naquela manhã, Emmet atormentava o barão com questões intermináveis sobre a vida regimental. Horas mais tarde, ele ainda não esgotara o assunto e Bella ficava cada vez mais aborrecida.
— Será bastante estranho dar ordens a praças com idade para serem meus pais.
— O melhor a fazer é deixar a maioria das ordens para o sargento — lorde Cullen avisou-o. — Na certa, ele não deverá lembrar-se de muitas coisas sobre as estratégias modernas. Não o deixe esquecer de que o comando é seu, Emmet, mas faça o possível para apoiá-lo, sobretudo na frente dos homens. Um sargento capaz tem sido o ponto de partida para muitos jovens oficiais.
Emmet anuiu com determinação.
— Entendi aonde milorde quer chegar. E quanto aos oficiais jovens?
Lorde Cullen parecia cansado. Bella sabia que ele estava acostumado a dormir durante o dia. E embora lhe agradasse ouvir a voz insinuante do noivo, cutucou o pé do irmão.
— Lorde Cullen tem sido muito paciente e respondeu a todas as perguntas. O que acha de dar-lhe um pouco de descanso?
Emmet não chegou a responder.
— Eu não me incomodo nem um pouco — Edward retrucou, balançando a cabeça. — Ajuda a passar o tempo. Gostaria que alguém tivesse me dado alguns conselhos, antes de eu ter partido para a luta.
Através do pequeno espaço do veículo, Edward fitou Bella com olhar profundo, embora se dirigisse a Emmet.
— Durante as refeições com os oficiais, sempre é melhor ouvir mais do que falar. Mantenha-se alerta e dê o melhor de si em qualquer atividade, mesmo que seja apenas uma partida de críquete. É como se conquista uma reputação confiável. Trate seus superiores com o respeito que gostaria de receber dos homens sob o seu comando, mas exponha sua opinião, se tiver algo a dizer.
Os conselhos eram sábios para um jovem que se preparava para embarcar na carreira militar. Bella esperava que Emmet os acatasse. E também não pôde deixar de refletir se a circunspeção natural de lorde Cullen não se teria arraigado posteriormente à sua experiência na cavalaria. Tal aspecto, que seria considerado uma virtude na vida militar, poderia ser um impedimento para os assuntos do coração.
Ele bem que poderia dar a Emmet uma advertência "fraterna" nesse sentido, antes da partida do jovem.
Emmet, extasiado, mirava lorde Cullen com a adoração devida a um herói.
Tenho sonhado com isso desde menino. E, agora que chegou a hora, parece que vou estourar de tanta ansiedade. Eu gostaria de ter adiado minha partida até o casamento. Assim, poderia conduzir minha irmã pela nave da igreja.
Bella imaginou-se vestida de rendas e sedas, com uma grinalda de flores de laranjeira enfeitando a touca, entrando na igreja de St. Owen apoiada no braço do irmão. O fato de lorde Cullen estar à sua espera no altar não a assustou como deveria.
Lorde Cullen, minha irmã será uma noiva linda, não é mesmo?
Na verdade, será — o barão respondeu em um murmúrio aveludado que lançou centelhas abrasadoras no íntimo de Bella.
E ela sentiu-se corar ao imaginar a mesma voz perturbadora pronunciando os votos matrimoniais.
Emmet, pare de dizer bobagens — Bella ficou envergonhada com os elogios. — Além disso, não pode ficar na Inglaterra até a volta de tio Tyler, não é? Se o tio cismar, sabe muito bem o que poderá fazer para impedi-lo de viajar para a índia. Algumas vezes é melhor desculpar-se depois do que pedir permissão antes.
Bella fitou lorde Cullen com severidade. Na sua opinião, era ele quem deveria sofrer as conseqüências da ira do tio Tyler.
Quanto tempo ainda falta para chegarmos a Londres? Carmen interrompeu-os com um resmungo mal-humorado. — O trajeto fica ainda mais longo quando não se pode nem mesmo olhar pela janela para verificar a localização. Bella recriminou-se por ter opinião idêntica.
— Carmen, a insistência em acompanhar-nos foi sua. Eu poderia ter trazido Jane ou Violet.
Carmen murmurou qualquer coisa mal audível sobre a absoluta impropriedade de uma dama de companhia ser mais jovem do que sua senhora. Ela deixou implícito acreditar na possibilidade de lorde Cullen entregar-se a orgias tanto com Bella quanto com uma jovem criada, durante o trajeto para aquela cidade corrompida.
Se Carmen pudesse imaginar a pouca atração que lorde Cullen sentia pela noiva!
Alertado pelas lamúrias de Carmen, lorde Cullen consultou o relógio de bolso.
— Deveremos parar em uma hora para tomar um chá. Dito isso, milorde recostou-se no assento e cerrou as pálpebras. Na certa, para escapar do olhar faiscante de Carmen e das perguntas cansativas de Emmet.
Só não conseguiu fugir da contemplação de Bella. Enquanto os olhos verdes e penetrantes estavam fechados, ela sentiu segurança para observá-lo à vontade, sem ter de ficar preocupada como ele iria interpretar seu interesse.
Já não tinha receio de lorde Cullen... pelo menos não sob o mesmo prisma anterior. O afastamento de milorde depois de tê-la permitido aproximar-se dele para observar as estrelas foi responsável por um tipo diferente de cautela. Para segurança de seu coração, Bella estava consciente de que deveria manter a distância emocional de Edward Cullen.
Mas o propósito tornava-se bem difícil de ser executado por causa da generosidade dele para com Emmet e das atenções sem-fim em relação a ela. E nem adiantaram as inúmeras advertências que fizera a si mesma de que a postura de noivo solícito nada mais era do que uma nova vestimenta que milorde adotara por necessidade.
As idas a Londres, motivadas pelo engajamento de Emmet Swan na vida militar, deram a Edward a certeza de que acertara em esconder-se na região rural.
Em Grafton Renfort, os habitantes acabaram se acostumando com a sua máscara. No decorrer de suas saídas esporádicas ao lado da srta. Swan notava que um menor número de pessoas olhava-o com espanto.
Em Londres, era objeto de muita curiosidade.
Eles passaram o dia, entre a chegada à cidade e a partida de Emmet, visitando alfaiates e sapateiros, coletando as roupas tropicais que haviam mandado fazer. Em cada estabelecimento comercial que entravam, Edward teve de reunir coragem para enfrentar os escandalizados murmúrios que o seguiam.
Seria imaginação ou ele atraía maior interesse quando Bella o acompanhava? Devia ser o contraste chocante entre a beleza divina e uma aparência sinistra.
Ao voltarem ao Hotel Clarendon carregados com pacotes, Edward estava a ponto de estourar de tanta dor de cabeça. Tinha a impressão de que um torniquete lhe comprimia as têmporas, aumentando o aperto a cada minuto.
— Podemos trocar de roupa e marcar um encontro daqui a uma hora para jantar? — Bella perguntou, enquanto estavam no corredor observando os porteiros do hotel carregarem os novos pertences de Emmet. — Não posso afirmar que Londres me deixou muito impressionada, mas a comida aqui é maravilhosa.
— Pesada demais para a minha digestão. — A sra. Carmen franziu o nariz. — Só usam molhos franceses. Além disso, preciso arrumar a bagagem do sr. Emmet com muito cuidado, o que levará boa parte da noite.
Decidida, Carmen dirigiu-se ao quarto de Emmet, não sem antes fazer um pedido por sobre o ombro.
— Por favor, peça para mim um bule com chá e um prato com carne fria. E sem molho!
Por um instante a dor de cabeça de Edward cedeu, enquanto trocava olhares exasperados com os Swan. Em seguida, as pontadas voltaram, piores do que antes.
— Lamento, mas terei de recusar. O barulho dos talheres e a luz brilhante do salão de jantar seria muito além do que eu poderia suportar. Isso sem mencionar os olhares curiosos. Senhorita, aproveite o último jantar a sós com seu irmão antes da partida. Apenas a família.
— Mas o senhor faz parte da família — Emmet protestou —, ou melhor, logo fará parte dela. Venha conosco, milorde. Tenho pelo menos uma dúzia de perguntas para lhe fazer.
Bella fitou o irmão com o cenho franzido.
— Emmet, não canse mais milorde! Será tão difícil entender que já o aborreceu à exaustão?
A simpatia de Bella irritou Edward, e nem ele mesmo acreditou no que disse a seguir.
— Se não se importam, poderíamos jantar em meu quarto.
— Uma ideia genial! — Emmet deu um grito. Bella hesitou.
— Tem certeza? Não o incomodaríamos?
Edward sacudiu devagar a cabeça, que latejava de maneira cruel.
— De modo algum. Como Emmet já disse, em breve farei Parte da sua família.
— Então, está bem. — Bella não parecia inteiramente convencida. — Mande avisar-nos quando estiver pronto.
Estaria ficando louco?, Edward considerou a hipótese ao entrar no quarto e chamar um criado para pedir o jantar. Aquela noite ele precisava de escuridão, privacidade e silêncio. Um pano frio na testa e talvez um cálice de conhaque para aliviar a dor.
O conhaque poderia ser uma boa idéia em qualquer caso, Edward concluiu, e serviu-se de uma dose maior do que a costumeira. Medicinal. Depois de haver trocado de roupa e do primeiro prato ter sido servido em uma mesinha ao lado da janela, o barão começou a experimentar um certo alívio.
Para sua surpresa, a dor de cabeça continuou a diminuir depois que os Swans chegaram. Ao ouvi-los relatar as reminiscências dos tempos de infância na índia, Edward foi vagarosa e irremediavelmente atraído para o seu círculo mágico.
Aqueles tempos tinham sido mais difíceis para os dois irmãos do que para ele. Depois de terem ficado órfãos na mais tenra idade, acabaram sendo enviados a uma terra distante, estranha e fria, para receber a caridade de parentes. Mas a experiência não parecia tê-los amargurado. Edward suspeitou de que Bella se empenhara muito em proteger e apoiar o irmão mais novo durante aqueles anos todos.
Naquela altura, enquanto os três comiam, bebiam e conversavam, Bella fitava o rapaz com afeição e orgulho nos olhos expressivos. E sem deixá-lo perceber que em seu sorriso suave havia traços de preocupação e tristeza.
— Preciso ir para a cama — Bella comentou, um pouco depois —, ou Carmen virá procurar por mim. E, certamente, fará um estardalhaço.
Edward levantou-se da cadeira, sem muito equilíbrio. Além do conhaque, tomara vinho com a refeição. Ao levar Bella até a porta, evitou olhar para o lado, para não imaginá-la deitada na cama.
— Vamos, Emmet? — ela chamou. — Amanhã teremos de acordar cedo.
Emmet bocejou.
— Vou ficar mais um pouco.
— Pois eu acho que não deveria — Bella aconselhou o irmão. — Lorde Cullen também precisa descansar. Depois do seu embarque, teremos de fazer uma longa viagem para casa.
Emmet levou a mão ao peito.
— Prometo não ficar com seu futuro marido na farra até altas horas.
Bella fitou Edward.
— Não o deixe tomar conta da situação. Obrigada por convidar-nos esta noite. Foi muito mais aconchegante do que se tivéssemos jantando no restaurante do hotel.
— O prazer foi todo meu — Edward respondeu, fitando-a no fundo dos olhos castanhos.
— Estou de costas — Emmet avisou-os, sentado à mesa. — Se quiserem, fiquem à vontade para trocar um beijo de boa-noite.
Deveriam? Com um olhar significativo e um erguer de sobrancelhas, Edward perguntou a Bella.
Ele admitiu que não deveria fazê-lo. No estado em que se encontrava, não tinha certeza se poderia parar. Nem mesmo com o irmão de Bella sentado a poucos metros de distância.
Ela mordeu o lábio para evitar um sorriso acanhado e foi até a entrada, sacudindo a cabeça.
Bella estaria lembrada da afirmação idiota feita por ele de que não seria necessário tornar a beijá-la? Muito desapontado, Edward abriu a porta.
— Durma bem, minha querida. Eu a verei pela manhã.
— Boa noite — Bella sussurrou ao passar por ele. Edward observou-a caminhar pelo corredor até o quarto que ela dividia com a sra. Carmen.
Da mesa, Emmet ergueu uma garrafa quase vazia de vinho.
— Vamos repartir o que sobrou? Edward suspirou aos fechar a porta.
— Não se incomode. Pode terminá-lo.
Enquanto Edward voltava a seu lugar, Emmet serviu-se e esvaziou o copo em um só gole.
— Ah! Acho que vai demorar muito até eu poder experimentar outra vez um vinho desta qualidade.
— Está arrependido da sua decisão, Emmet? O garoto sacudiu a cabeça com energia.
— Nem um pouco. Eu fiquei aqui para fazer-lhe uma pergunta.
— Ah, sim?
— Sobre Bella. — Emmet Swan apoiou o cotovelo na mesa e o queixo na palma da mão. — Ela tem um coração muito terno e é muito sensível. Bella sempre tomou conta de mim, e veja só que injustiça. Agora que cheguei a uma idade em que poderia cuidar de minha irmã, estou de partida para o outro lado do mundo.
Recostado no assento da cadeira, Edward anuiu, distraído. Lembrou-se de que Bella dissera gostar mais do conde do que de qualquer pessoa no mundo, exceto do irmão. Pobrezinha, logo ela perderia ambos.
Emmet Swan suspirou com o exagero de quem bebera demais.
— Milorde cuidará dela, não é mesmo? Quando soube que estavam noivos, achei que formariam um par muito estranho. Mas agora vejo que terão um casamento harmónico. Uma jovem como Bella precisa de um homem forte para protegê-la, mesmo que ele tenha de ser rude às vezes.
As palavras do garoto surpreenderam Edward. Ainda não lhe ocorrera que teria alguma coisa mais para oferecer a Bella, além da fortuna e de um título, ambos sem nenhuma significância para ela.
— Fique sossegado, meu rapaz. Farei o impossível para que nada de mal aconteça a Bella. — O pensamento de que alguém pudesse prejudicá-la despertou-lhe os antigos instintos de luta.
— Desculpe, milorde. Sei que se empenhará nisso. — Emmet levantou-se. — Bobagem minha falar-lhe sobre o assunto. — Deu uma risada de embriaguez. — É óbvio comprovar que milorde é tão louco por Bella quanto ela é pelo senhor.
Felizmente, Emmet Swan não esperou uma resposta. Edward não conseguiria encontrar nenhum comentário plausível.
A sua mente confusa avisava-o de que pouco dormiria naquela noite. Nem mesmo tinha certeza de qual trecho das palavras bem-intencionadas de Emmet haviam-no alarmado mais. Que Bella pensava nele de maneira romântica ou que ele poderia nutrir sentimentos análogos por ela?
Ou que suas emoções, qualquer uma delas, por Bella eram evidentes?
