E todos que estão aguardando, preparem-se... Cosmos explodindo à vista! Qual será o primeiro a dar mostras de seu poder? Uma dica? Ah, ele é tudo de bom (Saory-San que o diga...)!
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Capítulo X - E todos os destinos irão se encontrar?
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Parte I - E mesmo o Padre Eterno
Quando terminou o relato, Sheila tinha os olhos vermelhos e a voz falha, não conseguia mais controlar. No outro quarto, Jéssy ficou um tempo em silêncio, processando as últimas informações, tentando ordenar as suas idéias.
-Eu me lembro de ter visto algo sobre essa história... – ela falou, por fim – Foi tema de algumas reportagens na TV.
Sheila nada disse, mas sentia-se aliviada por ter contado a alguém a sua história. Tanto tempo guardando aquilo para si a estava deixando louca.
Então o barulho do trinco da porta sendo aberto chamou sua atenção e ela viu Vincent entrar pelo quarto acompanhado de um criado, que deixou uma pilha de toalhas limpas sobre a cama.
-Achei que gostaria de um banho quente depois de tudo o que aconteceu... – ele disse, entre sorrisos – E de uma troca de roupa também.
Sob os olhares furiosos da jovem, o rapaz deixou o vestido preto sobre uma poltrona.
-Voltarei em duas horas para te buscar, esteja pronta.
-Buscar? Para quê?
-Um jantar especial... Sei que irá gostar.
Furiosa pela impertinência do rapaz, Sheila começou a xingá-lo de tudo quanto jeito que conhecia. Vincent limitou-se a sorrir e trancou novamente a porta, deixando-a sozinha.
A jovem levantou o olhar por sobre a cama e viu o vestido e as toalhas limpas. E considerou, não sabia como, que talvez não fosse uma idéia ruim um bom banho quente.
No outro quarto, Jéssy ouviu a tudo que Vincent havia dito e também a reação da amiga. Quis dizer alguma coisa, mas de repente, começou a sentir os olhos pesarem e a cabeça pender. Estava com sono, era isso?
Levantando-se do chão, ela se sentou na cama e em pouco tempo dormia, agarrada a um dos travesseiros.
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-Cavaleiros de Atena? – perguntou Samara, incrédula – Vocês são cavaleiros de Atena?
Aioria assentiu, ajudado por Saga e Shura que já estavam por ali, na cozinha. Balançando a cabeça, a garota pegou o bule e serviu uma dose extra de café, que bebeu de uma vez.
-Vocês esperam que eu acredite nessa história? Quer dizer, é estranho, surreal, sei lá! Eu nem sei o que dizer...
-Samara, olhe para mim... – Aioria pediu e ela desviou o olhar da xícara para ele – Veja isso e você não poderá mais duvidar de nada do que eu disse.
O leonino fechou os olhos, se concentrando. Então uma aura dourada envolveu seu corpo, diante dos olhos arregalados de Samara. Suspirando, meio resignados, Saga e Shura fizeram o mesmo.
-Então... Então se vocês são cavaleiros... O velocino... É mesmo verdadeiro?
-Com toda certeza, Samara. – respondeu Shura, servindo-se ele de café.
-Ah, meu Deus... As meninas estão lascadas...
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-Você sentiu isso? – questionou Aquiles à Lars, no portão de entrada da casa.
O rapaz assentiu, com uma expressão muito séria no rosto. Maldita Atena, seus cavaleiros estavam alertas e com as garotas!
-Vamos dar a volta pela mureta e pensar em como faremos... Não podemos nos arriscar com esses idiotas aí dentro!
-Em quantos serão?
-Pelo menos três, eu percebi seus cosmos. Mas não se preocupe, eu tenho uma idéia de como vamos fazer para tirá-los desta casa...
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A varanda aberta no quarto deixava a brisa entrar com calma e leveza. Revirando-se na cama, Silvana deixou o cobertor escorregar para o chão e continuou a dormir, com um sorriso nos lábios.
Não percebeu que a brisa começava a se tornar mais forte e impetuosa, fazendo com que as cortinas voassem com tudo para dentro do quarto.
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Parte II - Que nunca foi lá
Descendo as escadas rapidamente, Kamus foi até a cozinha e encontrou os amigos tomando café junto com Samara, que ainda terminava de processar as últimas informações recebidas.
-Ele também é? – perguntou a Aioria, que apenas assentiu.
-Sou o quê?
-Deixa para lá, é uma longa história... – Saga amenizou, bebendo de seu café – O que é isso em suas mãos?
-Algumas pistas sobre o possível paradeiro das garotas e do velocino. Será que a senhorita poderia traduzir o que está escrito, eu não entendo português.
Samara pegou as folhas que o aquariano lhe estendia e leu, uma por uma.
-São as fichas dos convidados que estavam na vernissage... Espere um momento... – ela franziu o cenho e logo em seguida soltou um grunhido de insatisfação.
-O que foi?
-Este cara aqui, Shura... Vincent Le Blanc! È o cara que estava dançando com a Sheila na festa e a levou naquele carro preto quando roubaram o museu!
-O que mais existe sobre ele na ficha?
-Aqui diz que ele é curador de arte grega do museu do Louvre... – foi a vez de Kamus soltar um resmungo – E tem um endereço grego aqui, fora da cidade.
Samara apontou o endereço no papel. Os cavaleiros e entreolharam, será que era válido? Uma troca rápida de olhares e resmungos e tudo estava decidido.
-Saga, vamos averiguar esse endereço, ver se descobrimos alguma coisa. – Kamus falou e o geminiano concordou – Shura e Aioria, vocês ficarão por aqui, não sabemos se alguém pode tentar alguma coisa contra as meninas.
-Certo, mas vê se não vão querer fazer todo serviço sozinhos e acabarem se metendo em encrencas!
Os dois cavaleiros lançaram um olhar entrecortado para Aioria, que se encolheu na cadeira. Depois, dando de ombros, partiram da casa. Precisavam ser rápidos.
-Maravilha... Pelo menos com dois deles não precisaremos nos preocupar... – comentou Aquiles consigo mesmo, sorrindo.
Saiu de seu esconderijo e contou alguns minutos. Àquela altura, Lars já devia ter feito ter feito seu serviço. Era a sua vez de entrar em ação.
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-Vocês acham que eles vão conseguir alguma pista do paradeiro das meninas? – perguntou Samara, arrumando a mesa da cozinha, ajudada por Aioria.
-Claro que vão, você só precisa confiar neles.
Shura, meio indiferente à conversa dos dois, estava brincando com as pontas da toalha de mesa quando sentiu uma brisa insistente invadir a casa pela varanda da sala e chegar até a cozinha. Um vento que logo começou a ganhar mais corpo, chegando ao ponto de bater a porta do cômodo com tudo.
-Nossa, que foi isso? – gritou Samara, tomando um susto.
De repente, Shura deu um pulo, a cadeira caiu com tudo no chão. "Silvana!", foi seu pensamento antes de sair desembestado da cozinha em direção aos quartos da casa.
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As cortinas da varanda invadiam o quarto, o vento era tanto que vários porta retratos e enfeites caíram no chão, fazendo um estardalhaço. Mas, estranhamente, Silvana ainda dormia. Não viu quando uma sombra esguia se formou na entrada da varanda.
Caminhou até a cama, em silêncio. Sorrindo meio de lado, Lars fitou por alguns segundos o rosto sereno da garota ao dormir. Que sonhos estaria tendo? Prendendo os cabelos que se soltavam de seu rabo de cavalo, ele pegou Silvana no colo e se voltou para a varanda.
-Vamos dar um passeio, minha querida... – disse, saltando da varanda para o vazio.
Bem nesse momento, Shura ia entrando pelo quarto. E viu quando o rapaz saltou para fora da varanda, levando Silvana nos braços.
-Silvana!
Correndo para a mureta, ele viu a silhueta se afastar em direção ao cabo. Respirando fundo, saltou também.
Aquele idiota que não se atrevesse a machucar Silvana!
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Parte III - Olhando aquele inferno
Frio. Procurou pelas cobertas, mas não encontrou nenhuma. Mas que coisa, aquele quarto não era tão frio assim! Resmungando, Silvana virou-se de lado e estranhou que o colchão estivesse tão duro e pinicando em algumas partes.
Abriu os olhos, tentando entender o que estava acontecendo e tomou um susto. Que lugar era aquele? E o que estava fazendo deitada na grama? Levantou-se até ficar sentada, abraçando o próprio corpo. Como fora parar ali?
-Ah, finalmente a minha bela adormecida acordou... Pena que não foi com um beijo meu.
Virou-se na direção da voz e viu Lars sentando em uma pedra, seus olhos cinza brilhando de excitação. Ele a observava de cima a baixo, a garota sentiu-se mal com isso.
-Que lugar é esse? – conseguiu perguntar, colocando-se de pé.
-Estamos no Cabo Sunion. Bonito aqui, não?
-O que quer comigo? E onde estão minhas amigas?
-Não precisa se preocupar com elas, estão sendo muito bem cuidadas... – Lars respondeu, deixando seu posto na pedra e aproximando-se de Silvana – Quanto ao que quero contigo... Nem desconfia?
Foi apenas um puxão e Silvana sentiu seu corpo colar ao de Lars. Tentou afastá-lo, mas quem disse que tinha forças para tanto, ele era mais forte que si. Com uma cara de desagrado, ela viu o rosto do rapaz se aproximar, ele estava quase tocando seus lábios em um beijo quando...
-Solte-a agora mesmo ou se arrependa pelo resto de sua vida!
-Shura! – ela exclamou, ao vislumbrar a silhueta do cavaleiro atrás de Lars.
Seus olhos negros eram pura raiva e seu cosmo já ascendia pelo Cabo. Resmungando, Lars virou-se para ele, mas ainda sem soltar Silvana.
-Escuta aqui, Atena não ensinou seus cavaleiros a não se meterem aonde não são chamados?
-E você não sabe enfrentar um inimigo sem estar escondido atrás de uma garota?
Furiosos com a insinuação de Shura, Lars agarrou o braço de Silvana e, com um movimento brusco, ela foi parar no chão. Shura cerrou os punhos, pronto para atacar. O outro apenas riu.
-Veremos quem é o mais forte, cavaleiro de Atena...
Fechou os olhos e respirou fundo. Então uma brisa se formou no ambiente, fazendo com seus cabelos se soltassem de vez e esvoaçassem por seu rosto e ombros. A brisa foi aumentando de tamanho, até que explodiu em uma corrente de ar extremamente forte quando Lars abriu os olhos.
-Não vai conseguir escapar de mim, cavaleiro de Atena! – ele gritou, abrindo os olhos, que de cinza tornaram-se brancos, quase transparentes.
Pedras, grama e areia começaram a voar pelo Cabo, Silvana teve dificuldades para conseguir chegar até uma coluna e se esconder atrás ela, tentando se segurar. A corrente de ar empurrava Shura para o precipício do Cabo, mas era óbvio que Lars não se livraria tão facilmente assim dele.
Ascendeu seu cosmo até a aura dourada envolver-lhe todo o corpo, encarando o homem à sua frente. Ah, como se arrependeria por ter tentado fazer mal à garota. Confiante, ergueu o braço direito e ele reluziu em dourado, como a lâmina de uma espada afiada.
-Então você é o cavaleiro de Capricórnio, Shura...
-Se conhece a história de Atena e seus cavaleiros, então sabe o que vai te acontecer quando eu desferir meu golpe!
-Claro que sei... Por isso mesmo duvido que Excalibur será capaz de me tocar ou ferir...
-Cale a boca, seu miserável!
Shura avançou sobre Lars, a lâmina de Excalibur brilhando com intensidade. Mas, antes que pudesse se aproximar de seu oponente, uma rajada de vento o lançou longe, acabando por bater contra uma coluna de pedras.
-Não passa de um verme, Shura de Capricórnio... E o único destino para um verme é a morte...
Lars aproximava-se a passos lentos, a ventania que o acompanhava impedia Shura de ficar em pé. Levantou os olhos e viu o inimigo a poucos passos, com um ar de superioridade que o irritava profundamente.
-É patético um homem que se diz tão poderoso mal conseguir ficar de pé... – disse, puxando o cavaleiro pela gola de sua camisa, até que Shura ficou quase de sua altura.
-Patético é você não ter percebido minha verdadeira intenção...
Lars arqueou uma sobrancelha, mas não teve tempo de atinar com nada: um soco certeiro de Shura o fez soltá-lo com tudo ele voar para trás, caindo sobre as pedras onde antes estivera sentado.
A ventania diminuiu de tamanho, até quase virar uma brisa novamente. Caminhando até as pedras, Shura já ascendia seu cosmo, pronto a atacar com sua Excalibur quando um grito chamou sua atenção.
-Shura! – Silvana o chamou, trêmula. E servindo como um escudo humano para Lars.
-E agora, o que vai fazer, cavaleiro de Atena? – ele questionou, divertido – Se me atacar, vai acabar retalhando a bela mocinha em perigo.
Shura praguejou, e agora, o que faria? Abaixou seu braço, tentando encontrar uma saída. E percebeu que Lars e Silvana estavam muito próximos do abismo, que dava diretamente para o mar de Atenas.
Tremendo, de frio, de medo e o que mais fosse, Silvana não conseguia tirar os olhos de Shura, esperando uma reação do rapaz. Foi quando ouviu uma voz que parecia lhe falar ao ouvido, mas que vinha de sua própria mente.
"Você confia em mim, Silvana?"
"Shu-Shura?"
"Confia ou não?"
Encarando o cavaleiro, ela acenou de maneira afirmativa com a cabeça. E um sorriso se esboçou no rosto do espanhol.
"Então feche os olhos e não os abra por nada deste mundo... Entendeu?".
Suspirando, Silvana obedeceu e ficou na expectativa pelo que iria acontecer. Não viu que Shura erguia novamente o braço, pronto a desferir seu golpe.
-Ficou maluco, cavaleiro? Vai me atacar e correr o risco de ferir a garota?
-E quem disse que vou atacá-lo, embora seu destino a partir deste momento seja o inferno... Excalibur!
A lâmina afiada da espada sagrada cortou o ar com um zunido e encontrou seu objetivo aos pés de Lars. Um forte estrondo pôde ser ouvido e logo as pedras e colunas do cabo começaram a cair.
Um grito de desespero e Silvana sentiu os braços de Lars a soltarem, assim como seu próprio corpo perder o apoio e entrar em uma queda livre vertiginosa. Não sabia como aquilo acabaria, mas mantinha os olhos fechados. Era preciso confiar em Shura.
Caiu com tudo na água, sentindo que era sugada para baixo. Tentou lutar contra a corrente, buscando a superfície, precisava de ar. Então uma aura quente e confortante a envolveu e um braço a enlaçou pela cintura, puxando-a para cima.
-Abra os olhos, Silvana... – a voz grave de Shura pediu e ela os abriu, dando de cara com o espanhol a lhe sorrir.
Estavam no mar, próximos a encosta do Cabo, de onde podia-se ver que um desmoronamento acabara de acontecer. Tremendo de frio, ela abraçou Shura, aliviada.
-Vamos sair daqui, precisamos voltar para sua casa.
Enlaçando Silvana, Shura nadou até uma praia próxima. E com uma sensação de que aquele tinha sido o menor de todos os problemas.
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A banheira, cheia de espuma, era relaxante e deliciosa. Com a cabeça encostada na borda, Sheila banhava-se demoradamente. E tentava entender porque seu corpo não obedecia a sua ordem mental de parar com aquela palhaçada e voltar para o quarto.
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Sil! O que achou, menina? Gostou? Ai, que tudo, o Shura é demais... E isso foi só um "aperitivo"!
No próximo capítulo, o Leão Dourado mostrará as suas garras... Não percam!
