Sakura POV

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O ser humano é naturalmente um animal social que busca se conectar com outros seres, buscando a identidade de si mesmo em outros que lhe pareçam iguais. É assim que grupos se formam, que amizades duradouras se estabelecem e, ao mesmo tempo, amizades antigas se esmaecem como uma vela que lentamente se apaga.

Pessoas precisam de pessoas, de gente que lhes façam sentir como gente, daquele calor amistoso ou até mesmo da frieza e aversão, das coisas que apenas outros seres humanos podem causar a nós mesmos, como indivíduos.

Sentir-se confortável na presença dos amigos, de uma festa animada ou de uma confraternização calorosa é natural. Há pessoas que não perdem um encontro social, uma saída em grupo e que não dispensam a presença dos outros. Vivemos em família, nascemos em núcleos e convivemos com eles por toda a nossa vida, ainda que em algum momento nos separemos.

Essa separação acontece de diversas formas, não se pode prever se você deixará sua família por outro núcleo familiar – formado por você e talvez alguém que ame – ou por dividir apartamento com um completo desconhecido, ficar numa república estudantil, ou simplesmente morar sozinho.

E a mudança brusca que é causada por esse rompimento modifica a maneira como enxergamos a nós mesmos e o nosso convívio com as pessoas. Naturalmente somos seres sociais, mas e quando ficamos sozinhos? A nossa própria presença é suficiente para suprir a necessidade social? Conseguimos conviver com nossos próprios demônios? Ou simplesmente negamos nossa existência apática e nos escondemos atrás de pessoas e mais pessoas?

Todos ficamos sozinhos em algum momento. Seja por um dia, por um mês ou por um ano. Em algum momento você há de se ver solitário, o que muda é a forma como encaramos a solidão e como ela nos atinge.

E há aqueles que julgam a solidão como algo triste e vazio, como um fim numa caverna escura e úmida, sem vida. Entretanto esquecem que são nas cavernas mais escuras que se encontram as joias mais preciosas. A solidão não tem que ser triste e sozinha, estar só não significa estar vazio, apenas significa que você aprendeu a lidar consigo mesmo e entende suas necessidades de socialização.

No final, as pessoas solitárias são as pessoas que mais vivem, porque sabem valorizar a companhia de quem realmente importa.

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Gambatte' Naruto! — Eu gritava da arquibancada da quadra poliesportiva da escola. O festival escolar tinha começado com uma competição amistosa de atletismo entre os estudantes. Qualquer um podia se inscrever, mas a predominância foram dos praticantes de esportes.

Naruto estava na baia 4 vestido numa camisa vermelha que o identificava como da equipe de softball. A competição da vez era corrida de revezamento e o kouhai do loiro corria afoito com o bastão na mão, estava em segundo lugar.

Sasuke estava do meu lado, parecia extremamente distraído naquela manhã, o que não é muito usual. Ficava distante em alguns momentos e as vezes eu precisava repetir o que falava para que ele pudesse processar. Normalmente eu tentaria sondar e descobrir o que se passava naquela cabeça, entretanto o começo do festival escolar não criava momentos propícios para esse tipo de questionamento, e era melhor ver como ele se comportaria até o final do dia.

Ino estava sentada do meu outro lado. Seu uniforme composto de uma saia preta com duas listras finas na barra e blusa igualmente preta no estilo marinheira destoava completamente dos nossos uniformes coloridos. Além disso seu longo cabelo loiro e olhos intensos atraiam olhares de todos os alunos, afinal não era todo dia que uma aluna do colégio interno mais caro da cidade aparecia na nossa escola.

Apesar de receber olhares curiosos, Ino não era do tipo recatada ou tímida. Gritava comigo para que Naruto corresse ainda mais rápido. Tinha conseguido que o pai assinasse uma permissão para sair da colégio naquele dia e ir ver o festival, uma vez que Naruto tivesse se apresentado a Inoichi-san como seu namorado, a loira havia conseguido pontos com o pai e agora estava com crédito mais que positivo.

Aliás, tudo havia saído muito bem para Naruto e Ino. Ele foi até a casa dela, e apesar de muito nervoso, conseguiu dizer o que queria e finalmente entendeu que o pai de Ino não era o tipo de homem assustador que quer matar todos os namorados da filha, ele era apenas um pai bacana que sabia que a filha estava escondendo alguém e que gostou da iniciativa do rapaz de vir deixar claro que estava saindo com ela, ganhando pontos com ele também.

— Vai, vai, vai... — Ela repetia ansiosa com seus olhos azuis mirando o raio loiro que acabava de tomar o primeiro lugar e faltava poucos metros pra finalmente conseguir vencer, e é claro que venceu.

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Depois do momento de atletismo, eu e Ino fomos pros bastidores da apresentação teatral do clube de literatura. Sasuke tinha responsabilidades com o clube de ocultismo e teve que sair, se despedindo brevemente e dizendo para filmarem as minhas partes na peça porque ele não tinha interesse no resto.

Normalmente teriam expulsado a loira dos bastidores porque, bem, eram só para os participantes do clube e organizadores, entretanto como eu era uma das personagens principais, exigi que Ino ficasse ali para me ajudar com a roupa e tudo mais. Naquele momento ela trançava meu cabelo numa trança reta com um laço vermelho no final.

Quando terminou, ela deu alguns passos para trás e me encarou com um ar de satisfação e diversão.

— Você é o príncipe mais lindo que eu já vi — E soltou uma risadinha ao zombar de mim, mexendo os ombros.

— Sou mesmo — Falei girando no próprio eixo, mostrando meu traje supostamente real. O pessoal do clube tinha buscado inspiração nos príncipes britânicos para elaborar minha fantasia, que havia sido feita sob medida. Ino balançou a cabeça divertida ao me ver ajoelhar na frente dela e tomar sua mão, parecendo um pedido de casamento.

— Você aceita comer pão de melão comigo depois da peça, senhorita? — Tentei deixar minha voz o mais grossa e nobre que consegui.

— Vou pensar no seu caso. — E piscou pra mim.

A peça tinha sido escrita por Lee inspirada num famoso Haiku. Seria apenas um breve ato e eu tinha pouquíssimas falas, então estava confortável com a atividade, além disso poucos alunos se interessavam nas atividades do clube de literatura, afinal todos achavam haiku um belo saco.

Quase todos.

Lee chegou vestido de princesa. Ino fez um esforço inimaginável para não rir, qualquer vento incerto a faria rolar no chão e gargalhar. Eu fiz minha melhor expressão profissional e continuei olhando meu senpai passar suas falas com um ar de grande astro.

— Tudo na ponta da língua, Sakura-chan? — Estava cheio daquilo que chamava de fogo da juventude. Eu realmente fiz um esforço pra não cair na gargalhada junto com Ino.

— Arrã — Foi o que eu consegui dizer sem rachar o bico — Tudo certo! — E prendi os lábios um no outro reprimindo a risada, falhando ao deixar escapar alguns ruídos. Ele não pareceu se importar e sorriu pra mim enquanto ia se posicionar.

Assim que virou-se eu esbarrei nos olhos de Ino e gargalhamos. Lee estava simplesmente ridículo. Eu votei para que nós nos vestíssemos com roupas típicas japonesas, porque estávamos interpretando um haiku e não um poema britânico, mas Lee insistiu que as vestes atípicas mostrariam que a intensidade da literatura transpassava culturas.

Ok então.

Mandei Ino pra plateia, mas antes que ela se mandasse um Uzumaki invadia o backstage com cabelo molhado e roupas limpas, dessa vez o uniforme escolar faltando algumas partes. Ele chegou sorrindo, colocou a mão nas costas de Ino, olhou naqueles olhos azuis e ela devolveu o olhar, e só então ele olhou para mim, demorou um segundo para entender e soltou um assobio.

— Mó gato. — E estava segurando uma gargalhada.

— É porque você não viu a minha princesa.

— Nossa, se você começar a rir alto na plateia... — Ino ameaçou encarando ele — Eu vou começar a rir também e isso não vai prestar. — Naruto parecia mais interessado.

— Façam isso então — Eu sorri.

A verdade é que eu não estava levando muito a sério o clube, mas estava sendo estranhamente divertido fazer parte daquilo. Lee era exagerado e coordenava todos como se fossemos soldados, mas ainda assim passar o tempo com os nerds da literatura sempre era bastante agradável e um ótimo passatempo.

— Né, já vai começar. Vão logo pra plateia. — Mandei ambos embora e fui para minha posição. O primeiro momento seria apenas com Lee.

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As cortinas se abriram, Rock Lee no centro do palco com uma luz dura e central sobre ele. Dei uma espiada na plateia ouvindo o ruído da risada coletiva, vi Ino e Naruto na primeira fila, os dois com os celulares apostos filmando todo o evento e quase morrendo de tanto rir, depois notei que o auditório estava com todas as cadeiras ocupadas e me surpreendi, tínhamos um bom público, bem maior do que o esperado.

Enquanto Lee corria de um lado para o outro fazendo sua parte, eu fui passando os olhos nas pessoas, vendo meus colegas de sala e kouhais, alguns professores que também se divertiam com a falta de habilidade interpretativa de Lee e por fim, Kakashi no canto do auditório, de braços cruzados.

Pisquei duas vezes em confusão.

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Kakashi?

Enfiei a mão no bolso catando meu celular, digitei rapidamente "Você não tinha que tá no trabalho?" e voltei a espiar, mirando ele. Se mexendo um pouco, ele colocou a mão no bolso e tirou o próprio telefone, eu podia apostar que estava rindo por baixo daquela máscara e ai olhei pro meu celular, ele estava digitando:

"Não perderia isso por nada nesse mundo."

Revirei os olhos divertida.

"E esqueceu de me falar que vinha?"

"Sim."

"Arrã."

Então de repente ouvi Lee dando a deixa para que eu entrasse no palco. Respirei fundo. Eu ia ser zoada pro resto da vida. Pensei abrindo os braços para Lee, que correu na minha direção meio desengonçado.

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— Ó linda princesa — Eu tive consciência que não estava conseguindo falar direito, segurando a vontade de rir não apenas pelo nervosismo mas também por saber que Kakashi estaria com aquela expressão cínica. E também por Lee, que estava engraçado por si só.

A peça continuou comigo dizendo algo sobre o vento trazê-la para mim e Lee respondendo coisas sentimentais e melancólicas. Acabamos com ele desfalecendo em meus braços e eu encarando a plateia – ou melhor, encarando Kakashi – com um ar de quem poderia sumir da face da terra naquele instante.

As cortinas se fecharam em meio a palmas, depois abriram novamente e nós agradecemos a plateia. Ino e Naruto bolavam em meio a risos e numa mimica barata falaram para que eu os encontrasse lá fora.

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Voltamos para os bastidores, todo o clube estava ali feliz pelo sucesso e Lee parabenizou a todos. Tirei meu casaco real e fiquei com a camiseta branca que vesti por dentro, permanecendo com as calças reais, coloquei a sapatilha escolar e enfiei as coisas numa mochila que tinha trazido quando Iruka-sensei aparece com Kakashi no meio da bagunça.

Nossos olhos se encontraram divertidos, eu mordi a bochecha na tentativa de não rir e senti inveja da máscara que ele usava que escondia aquela expressão sacana.

— Turma, o Kakashi-sensei veio ver a nossa peça e tem algumas palavras para nos dizer. — Iruka-sensei introduzia.

— Foi uma apresentação muito... — Pareciam lhe faltar palavras — interessante. Haikus são naturalmente complicados de se entender e a interpretação de vocês foi muito honesta. Talvez se tivessem mais sensibilidade na atuação pudessem ter levados eu público a um nível mais íntimo. — Lee parecia querer chorar com aquelas palavras — Continuem assim, estão num bom caminho.

Todos agradeceram a Kakashi e lentamente foram saindo. Ele continuou ali papeando com Iruka-sensei e eu fui me aproximando de fininho.

— Sakura — Ele me chamou como se tivesse acabado de me ver, mentindo descaradamente na cara do outro — Iruka-sensei está um pouco ocupado com o festival e não pode andar comigo por ai. Que tal você ser a minha guia hoje, hã? — Nós olhamos com divertimento de quem está compartilhando de uma piada interna.

— Claro, Kakashi — Falei e o mesmo fez sinal, me lembrando do — ...sensei — Botei pra fora antes que o outro percebesse.

— Isso é ótimo, Sakura — Meu professor sorriu agradecido — Fico te devendo essa.

Você não me deve nada, Iruka-sensei.

— Hai — E sorri de volta, vendo-o sair.

Virei para Kakashi e ele virou para mim. O local estaria vazio senão fosse pela equipe técnica removendo alguns cabos, mas estavam distantes demais para escutar nossa conversa.

— Essa coisa de namorar escondido é estranhamente divertida — Enfiou a mão nos bolsos e assumiu uma postura relaxada.

Namorar, é? — Eu não ia deixar passar. Cruzei os braços com uma sobrancelha arqueada. Ele olhou para o gesto se demorando um pouco a olhar meus olhos. Desafiamos um ao outro por um segundo e depois cedi. — Bem, agora é a hora que você elogia a minha atuação. — Ele maneou a cabeça como se estivesse relutante com o comentário e eu revirei os olhos em divertimento.

— Um talento nato — Comentou por fim com a voz embargada em ironia enquanto eu fazia minha melhor expressão de ofendida, e antes mesmo que eu pudesse retrucar, o eco do meu nome chegava aos nossos ouvidos. Viramos na direção de onde o som era mais forte, Naruto e Ino vinham na nossa direção.

— Sakura-chan! — Pipocava o loiro com um ar animado. O casal havia se cansado de esperar lá fora, imaginei, enquanto via a face de Naruto perder o ar animado e ganhar uma expressão engraçada, de quem não sabe muito bem como agir. — Kakashi-sensei — Cumprimentou tentando manter o tom animado.

Ah — Ino soltou observando o homem do meu lado. Nada discreta, seus olhos miraram-lhe a cabeça e desceram até seus sapatos, em seguida me lançou um olhar de relance que eu julguei sendo de uma breve aprovação. Soltei uma risada contida quando vi Kakashi pouco se importar em ser avaliado.

— Kakashi, você deve lembrar do Naruto, né? — Eu não esperava realmente uma resposta. Kakashi enfiou as mãos nos bolsos e confirmou silenciosamente e o cumprimentou, então eu logo continuei — Essa é Yamanaka Ino, ela não estuda aqui — Expliquei o óbvio — Ino, esse é Hatake Kakashi.

— Posso chamar você de Kakashi ou devo manter uma formalidade? — E a pergunta tão clara deixava bem explicito que ela sabia de meu relacionamento com ele.

— Kakashi está bom — Manteve o tom casual sem parecer se importar com o fato.

— Ótimo, porque ia ser muito esquisito ficar te chamando de Hatake-san quando você tá saindo com minha amiga — Eu senti o sangue esquentar nas bochechas e Naruto provavelmente compartilhou do meu breve constrangimento porque ficou passando os dedos no nariz como quem quer esconder o rosto.

— Beleza — Cortei o assunto antes que Ino começasse a tagarelar — Que horas abre a casa mal assombrada do Sasuke?

E com isso, Naruto me respondeu brevemente que seria perto do horário de almoço. Ino sugeriu que pudéssemos andar por ai juntos e ver as barracas de comida, e particularmente eu não teria nenhum problema com isso mas achei que seria esquisito ver Kakashi nos seguindo por ai, principalmente porque aquele pátio cheio de alunos não era o ambiente mais confortável para ele.

Desse jeito deixamos o casal para trás e fomos andar pela escola calmamente. Os alunos nos olhavam ali e aqui, talvez tentando imaginar porque nós parecíamos mais íntimos do que se esperaria de um professor visitante e um aluno, ou talvez fosse porque Kakashi era uma espécie de novidade, afinal mesmo aqueles que tiveram aula com ele não se lembravam do homem.

Continuamos andando sem prestar atenção em muita coisa, aproveitando o momento em conjunto até que ele anunciasse que iria embora, afinal ainda tinha uma aula para dar e não podia chegar muito atrasado. Segui ele até a entrada da escola e descobri que ele tinha estacionado fora da escola, resolvi leva-lo até o carro, afinal não nos veríamos muito aquela semana.

— Ainda bem que não tem ninguém na rua. Iam me achar uma maluca com essa calça. — E puxei minha camiseta branca querendo cobrir o máximo daquela calça cafona do figurino que eu usei. Kakashi encarou a vestimenta por um momento e eu o vi rir discretamente.

— Tenho a impressão de que você ficaria ótima com qualquer coisa que resolvesse usar — Revelou me fazendo ficar um pouco vermelha, mas só um pouco. Ele olhou vagarosamente para os lados, conferindo a rua, e então abaixou a máscara para me dar um beijo leve. Eu coloquei minhas mãos em seu rosto e senti os pelos do princípio de uma barba espetarem minha mão, menos na região onde tinha uma cicatriz.

— Hey, você vai me falar como conseguiu isso? — Apontei para o rosto dele e ele arqueou uma sobrancelha.

— A máscara?

— A cicatriz.

Ah... — E maneou a cabeça brevemente, como se de repente a mente dele quisesse ir em algum lugar mais distante. — É uma longa história — Disse com o olhar distante e deu uma pausa pensativa. — Eu te conto outra hora, pode ser?

— Claro — Não foi difícil notar que era algum tipo de assunto delicado. Eu nunca havia perguntando sobre ela diretamente, apostava que deveria ser algum acidente na infância. De todo jeito não seria naquele momento que eu teria minha resposta, e tudo bem. — Quando você achar melhor.

— Combinado. — Encerrou o assunto mantendo a máscara abaixada displicentemente, chegando mais perto de mim. — Agora me fale uma coisa.

— Sim..? — Sorri vendo a aproximação suave.

— Quais são seus planos pra o seu aniversário? Tá perto, não é?

— É, sim... Ino disse que vai me levar em algum lugar agitado. — E conhecendo a Yamanaka, provavelmente seria uma boate no centro. — Antes disso eu devo apagar as velas com meu pai e os meninos. Tava pensando em passar na sua casa antes de ser arrastada pela Ino.

— Você não sabe pra onde ela vai te levar? — Arqueou a sobrancelha.

— É uma surpresa. — Ele continuou com o ar interrogativo, obviamente insatisfeito com a resposta — Ok, deve ser uma boate, ela vai querer me fazer dançar e beber até me acabar.

— E vocês vão sozinhas?

— Talvez. — Dei os ombros. Eu não saia muito com a Ino para esses lugares porque precisava de uma identidade falsa, algo que eu tinha mas não me sentia exatamente bem usando, ao contrário da loira que vivia farrando com as amigas do internato. — Você pode ir, se quiser. — Sugeri com certa expectativa. Kakashi não parecia o tipo que andava em boates.

— Acho que vou passar essa. — E sustentou um sorriso de desculpas, maneei a cabeça fingindo decepção — Mas faça o seguinte: Não precisa passar lá em casa, vá comemorar com seu pai e amigos. — Arqueei uma sobrancelha e antes que eu retrucasse ele continuou — Se acabe de dançar na boate e não beba muito, abuse do bolo ao invés. — Sorriu pra mim e voltou a falar gesticulando macio, explicando as coisas — Dai você acorda no outro dia, se recupera de uma possível ressaca e reserva a noite do sábado para mim e a madrugada do domingo também.

— O que você quer fazer que vai durar a noite toda? — Perguntei e não pude evitar a malicia na voz, eu não achava que Kakashi estava me levando pro abate, mas o fato é que a minha cabeça não parava de se perguntar o que ele queria fazer que duraria a noite toda?

— Surpresa.

Aquele sorrisinho que ele sustentava me deixava ansiosa. Encarei aqueles olhos negros que pareciam impacientes e combinado com aquela proximidade..

— Está tentando me seduzir? — Mantive a malícia divertida na voz, com uma sobrancelha angulando um ar de desafio em meu rosto, ele soltou um riso contido.

— Mas eu já não seduzi? — Retrucou com o rosto mais perto do meu. Murmurei em confirmação a pergunta antes de encostar meus lábios nos dele que me beijava lentamente, com certa demora e vagarosidade de movimentos sua língua se fazia presente, procurando a minha. Mantive o ritmo sentindo uma certa ânsia vindo a partir de sua mão depositada confortavelmente em minha cintura, me rendendo ao deleite daquele beijo preguiçoso, e percebendo que meu corpo reagia bem ele foi se afastando.

Eu o queria mais, queria mais do seu calor em mim. O trouxe de volta pra mim e dessa vez o corpo dele encostou no meu por completo, a mão em minha cintura escorregava para as minhas costas, me pressionando brevemente contra ele, me segurando naquela posição íntima enquanto ele me beijava mais profundamente.

E nisso, ele escapou dos meus lábios beijando meu pescoço ainda preguiçosamente, me arrancando um arfar enquanto um arrepio me subia, até que sua boca encostou no meu ouvido provocando as mais diversas sensações.

— Vai passar a noite comigo? — Perguntou com a boca na minha pele.

— Arrã — Respondi rápido querendo que ele voltasse ao que estava fazendo, mas ai ele me deu um beijo meigo no pescoço e eu sabia que ele iria parar.

— Então você passa as oito lá em casa? — Perguntou ainda bem perto de mim, eu ainda podia puxá-lo de volta e capturar sua boca.

— Arrã — Falei de novo querendo me atirar nele e desconfiava que ele estava se divertindo com a minha reação.

— Certo — Ele disse com a fala mansa, me dando um beijo leve nos lábios — Vá confortável, vou te levar num lugar e vamos passar algum tempo na estrada.

O que?

— Hã? — Perguntei acordando do torpor. Estrada? Ele ia me levar pra algum tipo de trilha noturna por acaso? — Vai ser uma trilha ou algo assim? — Ele estava se divertindo.

— Falei que é uma surpresa. — E me beijou na bochecha antes de voltar a uma distância segura — Mas não, não é uma trilha. Aliás, quem faz trilha a noite? — Eu dei os ombros mostrando que não era esse o ponto — Olha, o lugar onde eu quero te levar é um pouco longe, ainda vamos estar na cidade, mas na área rural — Informou enquanto eu espremia os olhos numa expressão confusa — Por isso você pode até ir de pijama se quiser.

— Pijama? — Eu dei uma risada — Vamos dormir com umas vacas?

— Você não gosta de vacas?

— Não é essa a questão. — Falei me divertindo. Onde será que ele iria me levar? — Essa excursão rural é meu presente de aniversário? — E passei a mão nos cabelos, organizando alguns fios.

— A excursão rural não, mas vamos encontrar o seu presente por ali — E sorriu todo misterioso, curtindo a curiosidade e confusão que estavam evidentes no meu olhar. — Confia em mim, vai ser legal.

— Okay. — Passei o peso do corpo pra uma perna, pensativa — Só fiquei curiosa, sério. — Ele continuou sorrindo e eu também estava adorando aquele Kakashi ansioso — O sábado é seu, e a madrugada do domingo também.

— Ótimo! — E se curvou para me beijar rápido sob a máscara. — Acho que não vamos nos ver até lá, então divirta-se, meu bem. Qualquer coisa você me liga.

Então nos despedimos, eu esperei o carro sair do lugar para voltar à escola. Ainda conseguia sentir a presença dele e do seu cheiro em mim, e minha cabeça girava ao redor daquela surpresa rural. Fiquei pensando se ele iria me dar um cavalo de presente, talvez um boi nelore, ou fossemos fazer um ritual de oferenda à deusa. Não fazia ideia do porque tinha que ser a noite e nem porque eu deveria ir de pijama, mas não podia negar que estava gostando da ideia de um presente inusitado vindo de Kakashi, algo realmente especial.

Só esperava que não fosse uma vaca.

Passei pelo pátio e subi para o primeiro andar, a casa mal assombrada tinha sido feita na sala do clube de música, porque tinha mais espaço. Cheguei na porta e logo encontrei o casal de loiros conversando casualmente, pareciam estar se divertindo. Ino me notou um pouco depois e acenou, Naruto me deu aquele sorriso de boas-vindas que eu tanto amava.

— Ele já foi? — Perguntou quando estávamos próximos

— Sim. Não vamos nos ver essa semana, então só veio pra me ver passar vergonha. — Respondi dando os ombros — Foi muito esquisito a gente junto?

— Não mesmo, ele é gostoso. — Ino falou em um tom mais baixo, cumplice. Eu ri olhando para Naruto mais atrás, garantindo que ele não tinha ouvido — Mas acho que ele se sentiu esquisito com a gente lá.

— É. — Falei dando os ombros. Eventualmente ele ia ter que se acostumar com meus amigos, e eu com os dele, apesar de que tínhamos combinado que não iriamos ter esse tipo de relacionamento. Pelo menos não até ele começar a chamar isso de namoro. — Mas e a minha apresentação, ó doce princesa? — Ino desatou a rir, puxou Naruto para perto e ambos começaram a zombar de mim em conjunto.

Me mostraram fotos, vídeos, gifs e as mais diversas mídias que já estavam circulando nos grupos da escola. Garanto que os kouhais que ainda não me conheciam agora me idolatravam como o mais novo meme do momento. Foi no meio da imitação de Naruto desfalecendo nos braços da namorada como em minha última cena que Shino abriu as portas da sala e anunciou que a casa mal assombrada estava aberta.

Pagamos uns ienes para entrar e vimos uma decoração macabra que simulava paredes de pedras acinzentadas com teias de aranha, panos rasgados, silhuetas de arvores mortas e ervas daninhas. Eles tinham conseguido uma máquina de gelo seco que espalhava fumaça nos nossos pés, e haviam colocado papel celofane na lâmpada branca para deixar a luz incendiar em vermelho, deixando o ambiente escuro e macabro.

A casa mal assombrada era uma espécie de corredor confuso, onde o visitante ia seguindo e eventualmente poderia sofrer um infarto ao se assustar seja com uma projeção repentina de um vampiro violento matando sua vítima em flash psicodélicos, ou pelo repentino barulho de uma ave rasgando o céu, assustada com algum terror que invadia o espaço.

Eu tinha que dizer: aquilo tudo estava muito bem feito. Todos os efeitos, as luzes, os sons... Eles tinham trabalhado bastante para fazer daquilo uma casa de orgulho.

Nós três íamos caminhando lentamente. Ino ia entre Naruto e eu, ninguém estava realmente com medo, mas inevitavelmente nossos sentidos estavam mais aguçados, esperando qualquer tipo de coisa que nos pudesse causar uma reação de susto.

De repente, vejo na minha frente uma projeção se iniciar junto dum alto ruído agudo de garras arranhando um vidro. Naruto parava por reflexo, fazendo nós duas paramos também. Nesse tempo, sinto algo me agarrar com uma risada malévola e me levantar com facilidade. Solto um grito, Ino solta um grito por tabela colocando as mãos no rosto e Naruto solta outro grito, se recompondo e puxando Ino para trás, tentando entender o que estava acontecendo. Eu começo a sacudir as pernas e mexer os ombros para me soltar sentindo algo peludo me prender com força e depois ir vacilando a medida que ia... rindo?

A coisa que me pegou começava a rir e nisso eu consegui me soltar, viramos todos para ver um espécie de Chewbacca zumbi tirar a própria cabeça e se revelar nada mais nada menos que Uchiha Sasuke. Ele gargalhava.

— Vocês precisavam ver a cara de vocês! — Ele dizia entre risos na luz vermelha — Valeu muito a pena vestir essa porcaria.

— Ah seu filho de uma... — Naruto falou com a mão no peito — Já ia começar a te surrar.

— Quase me mata de susto! — Soltou Ino como se ainda estivesse se recuperando, mas ganhando um ar de divertimento.

— Mas eu te mato, Uchiha — Falei socando ele no ombro — agarrava o Naruto desse jeito! — A reclamação veio com uma longa risada de Sasuke da qual eu não partilhei, ainda estava com o coração palpitando descompassadamente. Ele me deu um sorriso cínico chegando perto de mim.

— Tá vendo o que um nerd esquisito é capaz de fazer? — Ah, então era essa sua vingançazinha maldita. Revirei os olhos recuperando um pouco do bom humor e partilhando as risadas de Naruto e Ino.

Naruto não perdeu tempo e o acusou de mentir. Sasuke tinha dito que ficaria no controle dos efeitos especiais, ou seja, controle do áudio, luz e recursos eletrônicos da casa, mas ali estava ele fantasiado e nos atacando no meio do passeio, e ai ele explicou que o aluno que faria o Chewbacca zumbi havia faltado sobrando pra ele fazer o papel.

Ficamos conversando ali sob a luz vermelha sem perceber que estávamos atrapalhando o fluxo de visitantes e que Sasuke não estava cumprindo com o papel de assustar geral, foi então que a figura de um Shino muito irritado apareceu e nos chutou para fora do lugar, obrigando o Uchiha a fazer seu trabalho. Combinamos de nos encontrar na arquibancada quando ele terminasse.

Sem muito o que fazer até a hora que Sasuke seria liberado, nós fomos perambular pelo lugar, compramos guloseimas que os alunos estavam vendendo e acabamos na arquibancada muito antes do horário combinado. Começamos a trocar comida como se fosse cartas de um jogo, era algo comum para mim e Naruto, que dividíamos nossos lanches todos os dias junto com Sasuke, mas a sua substituição não gerava nenhum desconforto nessa tradição.

Era surpreendente o modo com que Ino facilmente se colocara nessa relação à três (ou a quatro), porque no fundo ela sabia que, ainda que eu e Naruto tivéssemos firmado nossos sentimentos um pelo outro com amor fraterno, a nossa relação pouco iria mudar. Ainda dormiríamos um na casa do outro, eu usaria as roupas dele e ele teria uma gaveta com roupas e objetos pessoais meu em seu guarda-roupas.

Em momento algum Ino impôs algum limite, ao invés disso ela simplesmente se colocou ali junto de nós, se inserindo como parte dessa célula. Eu nunca pensei profundamente se ela teria algum tipo de dificuldade para se relacionar com Naruto por conta desse relacionamento que incluía Sasuke. Lidar com a nossa constante presença não parecia ser nenhum sacrifício pra ela, talvez porque nos conhecesse de outros carnavais, ainda que Sasuke não lhe fosse tão íntimo quando eu era.

Ver Ino ali, gargalhando conosco, se divertindo e papeando naturalmente me fazia pensar sobre Kakashi e sua interação contida com aqueles dois. Tínhamos combinado um relacionamento leve e sem amigos, mas as coisas simplesmente aconteceram e ele não pareceu se importar nenhum pouco, beirando a indiferença.

Não que eu quisesse Kakashi daquela maneira, sentado numa arquibancada compartilhando comida enquanto falava qualquer besteira sobre qualquer coisa com quatro adolescentes, mas a pergunta é como ele faria parte de minha vida sem fazer parte disto? Isto é, se de fato ele fosse fazer parte a longo prazo da minha vida.

...

Percebi que estava mantendo o olhar fixo em algo na paisagem, sem de fato enxergar nada, perdida nas incertezas que Kakashi representava. Estávamos juntos a algum tempinho e nunca falamos sobre o que tínhamos, mas agora, de repente, ele estava usando o termo namorar, que ia de encontro com a instancia que havíamos estabelecido sobre manter isso leve e entre nós dois. Afinal, namorar significa algum tipo de laço firme e definido, mas porque então eu me sentia mergulhar em águas tortuosas?

O que eu não estava percebendo?

A expressão na face dele de quando estávamos a sós mais cedo invadiu minha mente, estava confiante, relaxado, também havia vindo para o festival apenas para me ver, eu tinha certeza disso porque Kakashi não sairia do trabalho pra ver uma peça numa escola de ensino médio, e aparentemente tinha planejado uma surpresa de aniversário... A ficha foi caindo lentamente.

Kakashi estava tentando.

De verdade, ele estava fazendo um esforço.

Eu estava lá curvada na arquibancada, com os cotovelos nos joelhos, a cabeça apoiada numa mão enquanto desenhava minha boca com os dedos, distraída ao olhar para qualquer coisa a minha frente, pensando nas possibilidades, pensando em fazer parte da vida dele e dele fazer parte da minha vida, com meus amigos, família.. Com direito a tudo.

De repente sinto algo pousar na minha cabeça, desperto do devaneio olhando para o lado, para os dois loiros enquanto levava a mão a cabeça, puxando um camarão do cabelo.

— Vão cagar — Falei divertida enfiando o camarão na boca. Era nojento? Bem... Pelo menos estava gostoso.

— Né, você tá ai com essa cara de bobona olhando pra o nada... — Naruto reclamou segurando outro camarão — Se ficar pensando no Kakashi-sensei quando estiver com a gente eu vou ficar jogando camarão em você! — Ameaçou evidenciando a comida na mão antes de colocar na boca.

— Sua mãe não te ensinou a não brincar com a comida?

— Mas você comeu, então tá tudo certo. — Revirei os olhos com um sorriso irritante que eu não conseguia esconder.

— Me dá um dango ai — E enfiei a mão na marmita da Ino, que colocou a mão em cima da minha bloqueando meu movimento.

— Só se você obrigar o Naruto a sair com a gente no seu aniversário.

— O namorado é teu. — Falei bem petulante e ela me olhou com falsa raiva — Além disso alguém tem que tomar conta do Sasuke.

— Eu tomo conta do Sasuke! — Naruto gritou rapidamente.

— Então quem vai dar carona pra gente? — Ela choramingou enquanto eu puxava a mão da marmita triunfante, coloquei dois na boca e comecei a mastigar enquanto ela de repente pareceu ter uma ideia — Kakashi pode ir com a gente!

— Eu já chamei, ele disse que não vai — Falei com a boca cheia.

— Sakura-chan, seu pai não te ensinou a fechar a boca pra comer? — Joguei um dango em Naruto e ele esquivou.

— Ué, porque ele não vai? É seu aniversário, vocês não vão passar juntos?

— Kakashi-sensei é muito velho pra balada. — Naruto intervém só pra tentar me irritar, eu reviro os olhos em divertimento com o comentário, e ele ri.

— Ele pediu pra passar a noite toda comigo no dia seguinte. — Comentei casualmente percebendo que não tinha mais comida na minha marmita — Vocês comeram tudo? — Naruto não respondeu por motivos de choque. Ficou me encarando enquanto Ino me olhava com malicia.

— Que safada! — Soltou de repente e eu entendi: ela estava achando que ele ia me levar pro abate. A verdade é que eu achava que nosso relacionamento ainda estava muito no início, e dado ao seu começo levemente conturbado devido à resistência de Kakashi em aceitar nossa diferença de idade, eu achava que ele não iria me tocar dessa forma nem tão cedo, e tudo bem! Eu daria tempo e espaço para ele entender que quando ele quiser eu também vou querer.

— Ih, tira o cavalo da chuva... — Falei balançando a cabeça — Ele vai me levar pra algum lugar, disse que é surpresa. Aliás, eu vou dizer pro meu pai que vou dormir na sua casa, ok? — Comentei rapidamente.

— Sem problemas! — Ela sorriu — Porque eu vou dormir na sua também. — E piscou pra mim.

— Sua safada! — Acusei e ela riu. Naruto ficou brevemente corado.

— Né, Sakura-chan, e quando você vai contar ao Sasuke? — Perguntou de repente com uma sobrancelha arqueada.

É... Sasuke ainda não sabia e eu também não tinha nenhuma previsão de contar a ele. Eu não queria contar a ele.

— Não sei — Falei dando os ombros desejando ter comida pra colocar na boca.

— Ele veio falar comigo esses dias — Revelou ficando sério. Ino se resignou. — Eu to com a Ino, e pra ele, você tá disponível. — Era engraçado falar dessas coisas tão abertamente com a loira ali bem do lado. Era algo que até então era um tabu, mas que depois de nossa conversa sincera, não parecia mais ser necessário manter meias palavras.

— Ou seja, ele foi te perguntar se eu estava livre.

— É. Eu disse que por mim tudo bem vocês ficarem juntos, mas como eu sabia que você tá com o Kakashi-sensei, eu disse pra ele ir com calma, porque eu posso estar saindo fora, mas não significa que você não sente nada por mim. — Eu sentia os olhos de Ino sobre mim, medindo minha reação aquelas palavras. Ela era sempre tão cautelosa... Suspirei.

— Não sei como contar pra ele.

— É melhor contar de uma vez, porque se ele descobrir sozinho... — Deu uma pausa como se esperasse as palavras serem absorvidas — Ele não é burro, vai perceber que você tá de boas com a Ino e eu juntos.

— Ele vai me odiar.

— Ele vai te odiar se você não contar.

Fiquei fixada naqueles olhos azuis brilhantes, que sérios me contavam aquilo que eu já sabia. Eu não sabia como dizer ao Sasuke. Eu tinha certeza que queria estar com Kakashi ainda que as coisas não estivessem tão claras com relação ao moreno, eu sabia com que eu queria estar. E sim, Sasuke tinha o direito de saber o que estava acontecendo, mas... O Uchiha é difícil, muitas vezes birrento.

Eu sabia que era egoísmo meu não contar, porque eu queria evitar um problema. Queria evitar um drama desnecessário porque eu estava passando por um momento bom, um momento que eu queria aproveitar o máximo possível, e pra isso eu precisava excluir Sasuke desse momento.

É duro e eu senti vergonha disso.

— Depois do meu aniversário eu conto. — Decidi recebendo um olhar de apoio vindo de Ino com um olhar de orgulho vindo de Naruto.

— Ok, então morreu o assunto, porque ele tá chegando logo ali.

E é, Sasuke vinha com uma camiseta branca como a minha destoando da composição com a calça da farda. Ele era lindo, um colírio para os olhos, com certeza. Tinha uma legião de fãs na escola, as kouhais faziam fila para ter um pouco da atenção dele, mas ele só tinha olhos pra mim.

— Já comeram tudo? — Perguntou sentando do meu lado e olhou para a marmita vazia na minha perna — Pra onde vai toda essa comida, Sakura? — Revirei os olhos pra ele, recebendo um sorriso de canto.

— Você não merece ganhar comida.

— Eu te dou meus dangos se você for com sair com a gente no aniversário da Sakura. — Propôs Ino cortando o papo mole. Naruto começou a gesticular atrás dela, fazendo sinal para ele recusar. Os olhos negros fizeram seu caminho até os meus e se demoraram por um pequeno momento.

— Combinado. — E pegou a marmita de Ino.

— Carona garantida! — Comentou ela no meu ouvido e eu ri.

— Então vamos dormir geral na minha casa — Esse foi Naruto abusado — Eu não vou levar cada um em casa de madrugada. E vamos voltar quando eu quiser!

— Vamos voltar quando a Sakura quiser — Ino corrigiu imediatamente — Afinal é o aniversário dela.

Pois é, era o meu aniversário.

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Haruno Sakura faz aniversário e o que vocês acham que vai dar? A) TRETA B) TRETA C) TRETA

Ahahahaha não se preocupe, eu vou ser boazinha.

Capítulo dessa semana cheio de diálogos e conexões. Próximo capítulo vai ser absurdamente enorme, então vai demorar. (EU VOU FAZER A PARTE DA SAKURA + AMIGOS, SAKURA + KAKASHI, E SAKURA + SURPRESAS)

Pergunta séria para o futuro da fic: Hoje ela é rated T, ou seja não tem conteúdo sexual explicito, porém se vocês quiserem eu posso mudar pra M, e ai podemos ter conteúdo maduro, então se manifestem via review para eu saber o que fazer nos próximos capítulos (geral agora achando que kakashi vai levar ela pro abate, quando na verdade sou eu que vou levar o kakashi pro abate)

Bem, é isso ai gente! Voltamos com atualizações o mais breve possível (olha que eu to até impressionada que to atualizando ela semanalmente.)

Beijos, Loreyu!