My New Sun

Capítulo X- Desagradáveis novidades.

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Eu lembrava como costumava reclamar mentalmente das pequenas coisas do meu dia-a-dia, como por exemplo de algum mendigo na rua insistido por dinheiro, um salto quebrado, uma chuva que chegava na hora errada, um metrô lotado, muito frio, ou qualquer outra coisa que era completamente insignificante. E agora, todas essas coisas pareciam maravilhosas.

Dr Morrison não hesitou em falar todos os pormenores relacionados ao estado de saúde de Emily, e por mais que fosse bom saber sobre o que a minha filha tinha, eu ainda assim desejava que ela fosse um pouco mais gentil e sensível ao explicar as coisas. Não que em algum momento alguém nos tratou mal, era só que um pouco de cuidados com algumas palavras nunca eram demais.

Síndrome de choque tóxico, ou SCT, como alguns se referiam, era uma coisa assustadora, e meu corpo todo tremia só de lembrar que era exatamente aquilo a razão de eu estar com Emily em um hospital no momento. Causada por uma maldita bactéria, que só Deus sabia onde Emily havia conseguido, aquela doença se mostrava rápida e caso não tratada a tempo poderia se tornar pior que um pesadelo.

Segundo a pediatra, Emy havia tido sorte de receber o tratamento o mais rápido possível, mas ainda assim não tinha previsão de alta nem do que poderia acontecer durante o tratamento.

Ou seja, ela estava internada por tempo indeterminado, logo eu também.

O dia de sábado fora um verdadeiro transtorno para mim. Primeiro eu tive que ligar para minha chefe na creche, e da melhor maneira que consegui, expliquei a ela a situação que estava passando, e pedi que pudéssemos nos encontrar no escritório dela na segunda a tarde, para talvez eu ganhar umas férias ou algo do tipo, uma vez que eu não planejava deixar Emily sozinha no hospital.

Não eram nem nove da manhã quando meu celular tocou, e então a voz de Alice Brandon encheu meus ouvidos e causou uma pontada na minha cabeça. Céus, eu não havia dormido por nenhum segundo da noite de sexta para sábado, e no primeiro momento que eu tive para descansar de verdade naquela manhã, minha melhor amiga resolvera gritar comigo. Fazer Alice parar de falar e deixar-me explicar, foi uma luta, e eu só consegui o que queria porque Edward pegou o telefone da minha mão e falou com ela antes de mim.

Edward. Ele estava sendo um anjo, e estava sendo bem mais atencioso que eu esperava. Passando a madrugada comigo no hospital, e ficando com Emily enquanto eu passava em casa para pegar algumas coisas que eu precisaria durante a semana, ele estava mais que ajudando. Além de tudo o que já estava fazendo, Edward ainda tinha a gentileza de ficar comigo todo o tempo que precisava dele ao meu lado.

E era isso o que me assustava, eu estava precisando muito de alguém ao meu lado naquele momento, e ele estava tendo mais que uma chance de se aproximar, mais que uma chance de me fazer ficar dependente da presença dele.

Naquele momento, por exemplo, eu sentia meu corpo todo tremer e minha visão ficar turva de tantas lágrimas que eu chorava. Era quase impossível acreditar, e eu sentia que vivia um drama mexicano, pois chorar era tudo o que eu fazia nas ultimas horas.

Eram oito horas da noite de um sábado, e a essa hora Alice estava se preparando para sua apresentação. Eu sabia que ela desejava estar aqui comigo hoje, e também desejava fazer uma visita mais demorada e até mesmo passar um tempo com Emy para que eu pudesse descansar, mas aquele espetáculo era muito importante para ela, e ficar parada era a ultima de suas opções.

Edward, finalmente, havia saído há cerca de três horas, quando finalmente não resistiu mais ao cansaço e eu consegui fazer com que ele fosse para casa descansar, prometendo que ligaria caso fosse necessário.

E era incrível, mas eu tinha que admitir que minha mão estava soando e meus dedos coçavam tamanha era a vontade que tinha de discar o numero dele, implorando que viesse pelo menos segurar minha mão.

- Que é isso, Bella? Você não precisa de alguém ao seu lado, você é adulta e independente – Eu repeti meu mantra em voz alta, com a estúpida tentativa de fazer ele ter um pouco de efeito.

Mas não teve, e meus dedos ainda coçavam ao sentirem as teclas do celular.

Emy de repente se mexeu, fazendo um baixo gemido escapar por seus lábios, que agora estavam rosados. Como um reflexo, deixei o celular cair sobre o estofado de couro e fiquei em pé em apenas um pulo, não demorando nem mesmo um segundo para alcançar ela. Minhas mãos trabalharam agilmente na tarefa de ajeitar os travesseiros e o lençol que a cobria, tendo certeza de que ela se sentia confortável onde estava.

Ela estava cansada, e eu também, a diferença era que para ela as coisas eram bem mais difíceis, e isso era o que mais me machucava.

Eram apenas dez e meia da manhã, eu havia acabado de chegar da ida até minha casa, mal tinha colocado as bolsas no pequeno armário que ficava ao lado do sofá quando uma enfermeira entrou no quarto. Era a hora do medicamento, e só depois de presenciar o que acontecera em seguida, eu tive um vislumbre do que seriam meus próximos dias.

Era torturante, e eu realmente me perguntava se machucava mais a mim ou Emily.

Ela gritou de dor, chorou, e implorou com todas as maneiras possíveis para que nunca mais fizessem aquilo. No entanto, nada poderia ter feito eu sentir mais aquela dor que ela sentia do que ver em seus olhos o que realmente ela sentia.

A sorte era que naquele momento eu não estava sozinha, e se eu estava tendo que suportar ver Emily sentir aquilo, Edward estava tendo que suportar ver nós duas sofrermos, e mesmo assim ele estava lá segurando minha mão e prometendo que ficaria tudo bem depois.

Eu não fazia a mínima idéia das razões dele de estar fazendo aquilo por mim, e no momento nem pensava na possibilidade de perguntar, pois a ultima coisa que eu queria no momento era perder o apoio que ele estava me dando. No entanto era realmente difícil não ponderar no que levava Edward a estar ao meu lado.

Passando minha mão pelo rosto de Emily, e constatei que ela não acordaria tão cedo, e então suspirei fundo, tentando fazendo alguma zoada baixa que me fizesse acreditar que não estava vivendo nenhum tipo de pesadelo. As enfermeiras haviam vindo há uma hora para fazer mais uma vez aquela medicação, dessa vez eu não tinha Edward, e por algum milagre eu havia conseguido segurar as lágrimas até aquele momento, não querendo que Emy me visse daquele jeito.

Ela agora dormia, e eu já imaginava que isso seria a única coisa que ela se sentiria inclinada a fazer enquanto estivesse internada.

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Ainda era um mistério para mim como aquilo poderia acontecer.

Primeiro vinha um calafrio no meu corpo, exatamente como o primeiro que senti há três anos. Depois aquele calafrio se transformava em um calor que fazia meu coração bater mais rápido, e ao mesmo tempo eu sentia o medo de falhar. E então, como resultado de todas as outras pequenas coisas que aconteciam simultaneamente, eu sentia meus lábios formarem um sorriso bobo.

Aquilo era causado mais de uma vez por dia, ou por minuto, talvez até mesmo quando eu dormia.

A primeira vez que eu me sentira daquele jeito foi em uma noite foi no final do mês de março. Estava ventando muito forte e fazendo barulhos que não me deixavam dormir, a minha mão tremia tamanho era meu nervosismo, e o pedaço de papel estava ficando úmido por causa da minha mão que soava. Eu havia acabado de criar coragem para abrir o exame de gravidez que eu fizera quatro dias antes, e após um minuto sem sentir nada, eu de repente estava amando uma coisinha que eu nem sequer conhecia.

E mais uma vez eu vivia aquele momento em que eu descobria que eu só conseguia sentir aquele imenso sentimento por aquela menininha que era só minha. Mesmo estando no lugar que eu mais odiava no mundo, e vendo ela deitada em uma cama de hospital ligada ao soro, eu ainda assim era capaz de sorrir.

Não que eu estivesse feliz, mas ela estava se sentindo melhor hoje, logo eu não queria a deixar preocupada, eu só queria confortá-la.

- E tão vovô chefe Swan vai pescar com eu – Emy falou passando a mão livre por seu rostinho afim de tirar uma mecha de cabelo que caia em seus olhos – Né mamãe?

Eu lhe sorri e concordei com a cabeça, não querendo falar uma palavra para não correr riscos.

Edward, que estava do outro lado da cama mantendo o maior sorriso que eu já vira em seu rosto, levantou o olhar para mim quando Emy fez o mesmo, e depois de eu me perder por alguns segundos em seus olhos verdes, ele fez algo com seu rosto que me fez acreditar que depois conversaríamos. Eu apenas concordei com um piscar de olhos.

- E quando foi que a senhorita Emy conversou com o vovô dela? – Edward perguntou, interpretando muito bem o papel animado que eu não conseguia.

Emily sorriu salientemente, antes de responder.

- Mamãe tava com medo ontem, e eu disse pa ela liga po vovô, ele sempe manda o medo embola.

- Sua mãe estava com medo de que? – Edward perguntou, olhando pra mim por baixo de seus cílios, tentando dar atenção a nós duas.

- Ela cholava ontem noite, e disse que tava com medo, mas eu não sei o que – Emy respondeu, parecendo de repente curiosa – Medo de que, mamãe?

Eu nunca pensei que aquele momento pudesse ocorrer.

Para falar a verdade eu acreditava que Emily estava dormindo profundamente quando eu finalmente me deitei no sofá de couro e comecei a chorar. Mas não, ela acordou por causa dos meus soluços e ficou apavorada por me ver chorando. Emy não se preocupou em descobrir as razões que me levaram a aquele estado, ela estava tão preocupada comigo que pediu que eu ligasse para meu pai, e assim que ele atendeu ela o pediu que me fizesse parar de chorar.

Charlie ainda não sabia que Emy havia sido internada, e só então eu lembrei que minha mãe também não sabia. Foi difícil convencer ele que as coisas estavam, ou pelo menos ficariam, bem. Eu pedi que ele ligasse para Renné e explicasse tudo, e só permitisse que ela me ligasse quando realmente estivesse a par da situação.

- Eu estava com medo de...

- Ela estava, certamente, com saudades de mim – Edward repente falou, dando um sorriso torto para aliviar a minha repentina tensão.

Eu não poderia dizer que estava com medo de perder Emily, isso a assustaria demais.

- Veldade? – Emy perguntou curiosa.

Eu lhe sorri e apenas concordei com a cabeça, dando logo em seguida um novo assunto para que conversassem.

A tarde de domingo se passou tão lentamente que eu já até poderia ter um retrato dos meus próximos dias. Ficar confinada em hospitais não me fazia bem, e eu já estava sufocada com o cheiro de álcool e até mesmo com o rosto de algumas enfermeiras, aliás, tinha uma delas que me causava uma estranha tentação ao assassinato, pois ela não só havia sido um pouco fria demais com Emily, ela estava claramente dando em cima de Edward na minha cara.

Não que eu me importasse com as pessoas dando em cima de Edward, mas algumas enfermeiras estavam fazendo isso na minha frente, sem nem sequer pensar no que eu e ele poderíamos ser. Não que ele e eu fossemos alguma coisa, mas mesmo assim ele estava agindo, no mínimo, como meu namorado.

O que era mais estranho, não era apenas as formas sensuais que algumas enfermeiras – e devo mencionar até mesmo pacientes e qualquer mulher que andasse naquele andar –estavam agindo na presença de Edward Masen, mas algumas mulheres chegavam a dar um sorrisinho muito tímido, quando não se dirigiam a ele pelo sobrenome Cullen, como se ele fosse alguma pessoa que elas conheciam.

- Oh, senhor Cullen, eu não sabia que o senhor estava aqui – Uma enfermeira jovem e de cabelos castanhos claros falou ao entrar no quarto após duas batidas quase surdas a porta. Alguma maneira em seu sorriso, e na maneira que seu cabelos estava penteado, não me deixava acreditar que o que ela acabava de dizer fosse verdade.

- Eu estarei aqui sempre que puder – Edward respondeu tentando ignorar a presença dela ao pegar minha mão sobre o corpo de Emy – Não pretendo deixar nenhuma dessas mocinhas sozinhas, não quando posso fazer companhia a elas.

- Claro – Ela sussurrou baixinho baixando o olhar para o chão. E então ela levantou seu rosto, deixando de olhar para Edward para fitar a mim. Alguma coisa em seus olhos azuis me assustou, e a maneira como me olhou causou um arrepio – Eu só vim ver se estava tudo bem com a senhorita Swan, e avisar que a medicação virá em meia hora.

- Está tudo bem aqui, e Emily parece bem melhor que ontem - Respondi o mais educadamente que conseguia.

- Claro – Ela deu um sorriso para Edward, dando um suspiro fundo como se quisesse dar ênfase ao seu peito, e então deu um passo para trás – Qualquer coisa, podem chamar por mim.

Eu e Edward concordamos com cabeça, e então eu senti a mão dele soltar a minha quando a porta se fechou depois que ela saiu. O momento de silêncio que se estendeu então, só foi quebrado quando Emily ligou a televisão usando o controle que estava ao seu alcance.

Uma parte de mim agradeceu que Emy não quisesse mais conversa, pois eu finalmente teria alguns minutos para conversar com alguém naquele dia.

Alice não havia aparecido hoje. Ela mandara uma mensagem dizendo que, após jantar em um restaurante chinês com Jasper na noite passada, ela acordara nessa manhã se sentindo mal o suficiente para não ter coragem de levantar da cama.

Edward se juntou a mim no sofá de couro, eu sentada de um lado e ele tão próximo que meus joelhos tocavam sua coxa. Mais uma vez ele havia pegado minha mão, e depois de começar a fazer círculos que me deixavam um pouco mais calma, finalmente olhou para mim e sorriu sabendo que algo passava em minha mente.

Céus, quando foi que a comunicação entre eu e Edward Cullen havia se tornando uma coisa tão fácil? Quando foi que a simples presença dele se tornara algo que fazia as coisas serem mais simples?

- O que você está pensando?

- Em várias coisas, mas a principal é que não me foge a observação de que todas as mulheres que chegam perto de você parecem se inclinar a mostrar... – Minha fala, porém, foi cortada por uma divertida e silenciosa gargalhada de Edward, que apertou minha mão em sinal de que eu não precisava terminar a falar.

- Você não precisa se preocupar com isso, Bella – Ele afirmou olhando em meus olhos – Aquilo que eu lhe disse no parque ainda vale, estou esperando a minha chance, e não pretendo encontrar distrações no caminho.

O parque. Eu lembrava com perfeita descrição ao que ele se referia. Céus, era difícil deixar de lado aquele momento, um tanto tenso, que vivi com Edward, e era mais difícil ainda tentar evitá-lo. O que era? Passávamos uma parte de nossos dias nos encontrando todas as noites, e eu realmente não sabia se queria me envolver com alguém romanticamente, principalmente com alguém que estava sendo tão importante na minha vida.

- Ok, acho que agora não é um bom momento para conversamos sobre isso – Ele falou me livrando daquele momento.

- É só que... é só que elas ficam dando em cima de você, sem ter a mínima vergonha, e algumas te chamam como se fossem intimas.

- Isso te incomoda? – Ele perguntou hesitante, conseguindo esconder o sorriso que seus olhos expressavam.

- Um pouco – Confessei, sentindo minhas bochechas ficarem quentes.

- Bom, isso é bom – Ele afirmou.

Seu dedo passou por meu rosto de uma maneira bastante carinhosa, e eu não consegui evitar a vontade de fechar meus olhos. De repente eu não estava satisfeita em ficar daquela maneira, eu simplesmente esqueci de qualquer coisa que me rodeava, e me joguei para ser colocado no abraço dele.

Edward não hesitou em confortar em seu peito, tendo certeza de que nossa posição era confortável para nós dois.

- Você lembra que eu queria conversar com você na sexta? – Ele de repente mudou de assunto.

- Sim, mas esqueci completamente disso, minha cabeça estava um pouco cheia.

- Eu acho que posso entender – Ele respondeu – Mas não acho que vou poder adiar mais ainda esse dia.

- Do que você está falando? – Perguntei, não deixando de sair do abraço que ele me dava.

Mas antão, qualquer chance de resposta vinda de Edward foi abolida quando mais uma vez alguém bateu a porta, não esperando uma resposta antes de abri-la.

Eu mal tive tempo de sair do braço de Edward, e o braço dele ainda estava na minha cintura quando meu corpo de repente ficou tenso e minha respiração deixou de existir, assim como as batidas do meu coração.

Ali, na porta do quarto de Emily, usando um vestido justo e uma jaqueta de coura preta, estava a pessoa que eu menos desejava e esperava rever na minha vida. Ela tinha uma expressão que eu não conseguiria decifrar nem se realmente a conhecesse, e alguma maneira como ela cravou os olhos em mim deixou tudo em absoluto silêncio, mas foi somente quando ela olhou para Emily que as coisas realmente ficaram claras para mim.

- O que a senhora está fazendo aqui? – Perguntei antes de pronunciar qualquer outra coisa. Minha voz estava demonstrando uma raiva que até pouco não existia, e eu de repente estava em pé.

Ela finalmente deu um sorriso, vendo minha grosseira como um convite para entrar no quarto e fechar a porta atrás de si. Edward levantou-se ao meu lado, e eu senti seus dedos hesitarem ao tocar minha cintura, não tendo certeza se deveria me segurar.

- Então quer dizer que os jornais não estavam errados – Ela respondeu. Céus, nem a voz estava diferente. Seus passos, abafados por seus sapatos de marca, eram em direção a cama de Emily, logo eu estava fazendo a mesma coisa que ela, mas bem mais rápido.

- O que a senhora quer aqui? – Perguntei novamente, ignorando por completo sua pergunta. Eu já estava ao lado de Emily, que por sua vez assistia a cena um pouco confusa, deixando de lado a televisão ligada.

- Ora Isabella, você costumava ser mais educada comigo e com os outros antigamente. Parece que sua gravidez mudou as coisas – Ela respondeu quando finalmente alcançou a cama. Dando um sorriso para Emily, que eu tinha que admitir ser muito gentil, ela tocou o rosto da minha filha com a ponta dos dedos, e então olhou para mim – Não vai apresentar-me a minha querida e única...

- Edward, você pode ficar com Emily enquanto eu converso com ela lá fora? Por favor – Perguntei não deixando que Margaret Philips terminasse sua fala. Ela sorriu com minha astucia, mas não tentou terminar sua frase.

- Claro – Edward respondeu um pouco confuso – Pode ir sem se preocupar, e Emy vamos procurar algo de interessante na televisão para assistir, não Emy?

Emily concordou com a cabeça, assustada com a situação.

- Mamãe vai lá fora rapidinho, ok? Se comporta com o Edward, promete?

- Poumete – Ela respondeu com a voz em sussurro alto suficiente para todos ouvirmos. Céus, como eu queria que Margaret não escutasse a doçura de Emily.

- Ok, eu já volto.

Eu dei um beijo na testa morna de Emily antes de sair da sala. Margaret hesitou alguns minutos antes de seguir a indicação que fiz em direção a porta, e foi somente quando ela se afastou de Emily que eu sai do lado da minha filha.

- Você tem certeza que devo deixar você sozinha com ela? – Edward perguntou quando passei por ele.

- Ela é a avó de Emily, a mãe de James – Expliquei baixo, para que só ele escutasse – Eu não faço a mínima idéia do que ela está fazendo aqui, ou de como soube que eu estava aqui com Emily, mas estou louca para descobrir. Você realmente pode ficar com Emy por enquanto?

- Claro, só tente não arrumar brigas – Ele brincou.

Eu não consegui evitar um sorriso por causa de Edward. Ele não esperou que eu saísse do quarto para distrair Emily, e eu me senti aliviada por ter ele ao meu lado naquele momento.

Margaret já estava a caminho da varanda do hospital, o que estava bem vazio a aquela hora, e eu suspirei fundo antes de segui-la.

O que diabos ela fazia ali ainda era um mistério para mim. Não fazia o menor sentindo no fato dela me procurar, aliás, a mensagem de que eu e minha filha não éramos bem vinda nem mesmo no mesmo país que ela foi bem clara quando recebi um cheque para pagar um aborto.

- O que você quer? – Perguntei quando me certifiquei que estávamos sozinhas.

- Eu vim ver se as noticias que estavam em revistas e jornais eram verdadeiras ou mentiras. E você não sabe o quão surpresa fiquei quando entrei naquele quarto e vi que era verdade.

- Do que você está falando? – Perguntei dando um suspiro sarcástico.

Ela rolou os olhos parecendo indiferente a minha curiosidade.

- Eu pensei que você tivesse feito o aborto.

- Eu deixei bem claro que não faria aquilo.

- Eu tive esperanças que você mudasse de idéia.

- Bom, eu não mudei, se era isso o que você queria ver, estar feito, agora pode ir embora.

- E você acha que eu vou embora agora? De jeito algum, eu acabo de conhecer a minha neta, que eu tenho que admitir ser adorável. Quantos anos ela tem? Dois no máximo, quase três eu devo arriscar... – Margaret falou colocando os dedos sobre a boca.

- O que você quer, senhora Philips – Perguntei, já um pouco irritada por estar perdendo meu tempo com ela – Se a senhora não se importa, a minha filha está internada e eu não gosto de deixar ela sozinha, mesmo com alguém que confio.

Margaret rolou os olhos e suspirou fundo.

- Eu realmente não acreditava que você tivesse levado a gravidez adiante, pensei que tivesse feito um aborto. Mas então, para a minha completa surpresa, ontem de tarde estava estampando em todas as capas de revistas e jornais que descobriram quem era a nova namoradinha de Edward Cullen, e que por acaso a filha da tal mulher havia sido admitida no Lennox durante a madrugada de sábado. Você não sabe a minha surpresa quando vejo o seu nome escrito em todas as paginas de revista, e logo embaixo o nome Emily Swan, uma garotinha de dois anos e sete meses de vida, a garotinha que fora vista varias vezes com Edward, e com a mãe dela... Você não imagina minha surpresa quando minhas contas foram feitas...

Do que ela estava falando?

- Ela é minha neta, e você não se deu nem ao trabalho de me avisar que ela nascera – Margaret falou, de repente controlando uma expressão de raiva, não sendo tão boa em seu controle quanto a voz.

- Do que você está falando? Você foi a pessoa que me deu um cheque para fazer a droga de um aborto, e deixou mais que claro que eu nunca mais deveria aparecer na sua vida ou de qualquer pessoa de sua família.

- Isso não a impedia de me procurar para avisar que Emily Swan, ou melhor, Philips, havia nascido. Era um direito meu saber, assim como o de James.

- Em primeiro lugar, Emily nunca vai ser uma Philips. Em segundo lugar, eu não consigo entender a senhora. Quando eu lhe contei sobre a minha grvaidez, você mandou que eu me livrasse do ''feto'', e depois pediu que eu me afastasse...

- E eu realmente acreditei que você faria isso.

- Eu deixei claro que aborto era a ultima das opções que eu teria – Respondi.

- Agora eu consigo ver isso...

- Pela ultima vez, o que a senhora quer?

- Eu quero a minha neta. Se você decidiu que a teria, tudo bem. Você já tirou ela de mim e minha família por dois agradáveis anos dela, eu não estou disposta...

- Ohohohoh – Eu falei fazendo um sinal para que ela parasse, ao mesmo tempo que negava algo com a cabeça – Emily não vai a lugar algum, e muito menos vai chegar perto da senhora.

- Ela é minha neta, e eu tenho meus direito.

- Bom, ela minha filha e está registrada no meu nome, e o pai dela é ''desconhecido'', logo a senhora não tem direito algum sobre ela.

A minha resposta a deixou sem reação, talvez surpresa por minha revidada rápida.

- Você acha mesmo que vim para cá desarmada? Swan, eu pesquisei por cada passo de sua vida desde a ultima vez que nos vimos, e acredite em uma coisa, o meu dinheiro foi suficiente para saber detalhes que fariam qualquer juiz tirar Emily de você em um piscar de olhos, e dar a guarda dela a mim...

- Você não faria uma coisa dessas – Falei.

- Você duvida? – O sorriso em seu rosto congelou meu coração, e eu queria voar sobre e arrancar cada pedaço daquele cabelo.

- Ela minha filha, você não tem o direito de chegar perto dela. Céus, você nem sequer queria que ela nascesse, e de repente aparece querendo ela pra você? O que você vai ganhar com isso? Por que simplesmente não me deixa em paz? Céus, o que a senhora quer?

- Eu quero a minha neta.

- Eu não vou permitir que você chegue perto dela, e vou negar qualquer parentesco que Emily possa ter contra a senhora.

- Então acho que um exame de DNA vai ser feito em breve – Ela respondeu sorrindo torto a sua maneira desdenhosa.

Eu de repente não sabia mais o que fazer. Parecia tudo acontecia ao mesmo tempo, e eu não tinha mais certeza se odiava aquela Margaret Philips que claramente viera ao mundo para fazer minha vida ser um inferno, ou se odiava a medica que fizera o diagnostico errado de Emily.

- Se você fizer isso, eu vou procurar James e contar tudo a ele – Falei, usando a ultima ameaça que podia inventar. James sempre tivera uma relação rebelde com os pais, saber daquilo seria algo que deixaria Margaret em uma posição que ela não queria estar.

De repente ela sorriu ainda mais desdenhosa, colocando a mão em sua bolsa de marca antes de me responder.

- Eu planejava fazer isso hoje mesmo, então não precisa se preocupar em procurar por meu filho – Ela respondeu, tirando uma revista de dentro de sua bolsa grande – Eu trouxe isso só pra você. Tenho que admitir que você soube escolher bem o seu novo golpe do baú, queridinha, mas não acho que Edward Cullen continuará correndo atrás de você depois que souber que tipo de mulher você é. Acho que nos vemos logo em breve, e espero que Emily já saiba quem sou, quando eu voltar.

Margaret colocou a revista em minha mão antes de caminhar até o hall de elevadores. Eu observei como seus sapatos batiam contra o chão branco do hospital, tendo certeza de que ela não faria o caminho até o quarto de Emily. Meu coração ainda batia desregulamente, e eu me preparava para correr e trancar a porta, se fosse necessário.

Enquanto eu e ela esperávamos que o elevador chegasse, minha mente trabalhava em mil e uma idéias. Eu ainda não entendia o que se passava na cabeça daquela mulher, e no que a levara a mudar todo o jogo e de repente querer Emily em sua vida, e na de James também. Mas ainda assim eu me preocupava em inventar coisas a fazer.

Se Emily não estivesse internada, eu certamente estaria arrumando minhas coisas para ir embora para Forks, mas isso era uma opção descartada. Eu ainda poderia chamar meu pai, e ele me ajudaria em tudo o que eu precisasse. Fora isso, eu poderia pedir que Alice falasse com Jasper, e assim eu teria um bom advogado me orientando no que fazer.

Céus, eu nunca desejei tanto terminar meu curso de direito. Se eu pelo menos tivesse mais noção do que me esperava...

E então ela entrou no elevado, chamando minha atenção com uma aceno de adeus. O piscar de olhos me deu era um aviso de que não demoraríamos a nos ver, e isso me deixava mais apreensiva.

Eu precisava falar com James antes que ela tivesse essa chance, mas eu não sabia onde ele poderia estar.

De repente eu me tornei ciente da revista em minhas mãos, e as palavras dela sobre Edward me acordaram para outras duvidas que agora martelavam em minha mente. Respirando fundo, e esperando uma resposta para minhas curiosidades, eu desdobrei a revistas em minha mão, e olhei para a capa.

Edward estava ali, com Emily em seus braços e eu bem ao seu lado, entrando no hospital com expressões preocupadas no rosto. Embaixo, em uma caixinha pequena, aparecia uma outra foto de Edward com Emily em um dia claro, os dois brincando de algo enquanto eu estava de costas. Algumas palavras se destacavam na capa, e foi aquilo que me deixou espantada.

''O ator, Edward Cullen, finalmente tem sua namorada identificada, assim como a menina que está sempre com ele nas ultimas semanas. Isabella Swan é a nova paixão de Edward, e Emily Swan, filha de Isabella, parece ser algo novo nos tantos relacionamentos de Edward''. Era o que dizia a nota em palavras amarelas.

''As paixões de Edward Cullen'', era a grande manchete da revista.

Fim do Capítulo.


Mil e um perdões por demorar tanto a postar.

Eu realmente gostaria de explicar tudo agora, mas eu realmente não posso, pois estou clandestinamente postando esse capítulo (meus pais acreditam que eu durmo).

Bom, a aparição da avó da Emy é uma coisa que vai ficar misteriosa, e só depois descobriremos o que levou a ela a aparecer assim. O James aparece no próximo capítulo? Provavelmente...

E o Edward? bom, vamos ver como a Bella vai reagir...

Mil perdões pode demorar, de verdade...

Beijos e até mais.