Olá :D
É tarde, mas sei lá, to acordada, então vou postar, ué.
Obrigada pelos coments e follows!
Cosette, Naraku doidão _ Verão mais dele, esperem só x_X Obrigada pelo comentário!
B. Fagion, sua fic é lekaw, tenho que ir lá dar uma espiada de novo ;D Valeu por comentar (Y)
Callope, oi :3 Espero que goste do capítulo, e obrigada por comentar. Sango e Miroku se enrolam pra caramba D:
Pra quem quiser me add pra falar sobre fanfics ou biscoitos:
Usem com moderação ;D
Enjoy.
Ternura
Thirteenth Key
Capítulo Dez – Dor
"Saber que você me ama não faz com que doa menos o fato de saber que esse amor não se compara ao que você sente por ele. Mas mais do que a dor, me incomoda o fato de perceber que não vai doer para sempre, que um dia voltaremos a ser amigos, e o tempo que dedicamos a amar um ao outro vai parecer um sonho distante. –Sesshoumaru"
Como profetizado por Sesshoumaru, Rin acordou com uma ressaca gigantesca. Nunca fora forte para álcool, mas pior do que isto, também nunca estivera totalmente disposta a abrir mão dele.
Enquanto duravam, os efeitos de um bom porre podiam ajudar muito, quando se tratava de esquecimento.
Ela queria esquecer muitas coisas e muitas pessoas, mas sobretudo ela queria esquecer de quem já tinha sido forçada a ser, e do que já tinha tido que fazer.
Ela queria esquecer-se de Kinoshita Rin.
Mesmo que fosse a irmã de Kouga, ela carregava outro nome, que trazia junto lembranças ruins te um tempo que já tinha se passado. Rin não chegava a ter problemas com alcoolismo, mas a freqüência com que usava de métodos mal-vistos pela sociedade na tentativa infame de esquecer o passado era grande.
Ela tinha vinte anos, e já tinha um diploma, porque sua inteligência era acima da média, mas seus problemas também.
Ao entrar na faculdade, na qual se formara com dois anos de estudo, não esperava grandes coisas do futuro. Sabia que tinha uma família pela qual fora rejeitada e que seu irmão mais velho seria um cirurgião brilhante, além de pesquisador famoso. Quando conheceu Kagome, tornou-se rapidamente amiga desta por um motivo simples.
Ambas eram deslocadas.
O apoio mútuo e o respeito que elas cultivaram uma pela outra tornaram a amizade quase imprescindível para a sobrevivência naquele lugar hostil que insistiam em chamar de faculdade, mas agora, morando juntas no lugar do qual Kagome saíra cinco anos antes, Rin sentia-se novamente perdida. Percebia que a amiga tinha uma vida boa antes de conhecê-la, apesar do modo como deixara as coisas ao partir. Ela não tinha nada esperando no lugar de onde saíra.
Rin levantou-se, ignorando o latejar insistente na cabeça, e enfiou-se debaixo do chuveiro antes de tentar lembrar de qualquer coisa mais. Quinze minutos depois, enrolada numa toalha, ela desceu as escadas até a cozinha.
-Já não conversamos sobre você se vestir antes de sair do quarto, Rin? –perguntou Kagome, que comia uma torrada, sentada de frente para Inuyasha, que a observava com curiosidade e um sorriso simpático.
-Sim, e também já conversamos sobre trazer homens para casa. –disse Rin, tendo o bom senso de corar diante do namorado de Kagome. –Vou subir e me vestir, já que temos um convidado.
Quando ela saiu, Inuyasha voltou a falar, desta vez com Kagome.
-Estamos indo rápido demais?
-Não. –disse Kagome. –Estamos recuperando o tempo perdido.
Ela sorriu, e o coração dele ficou repentinamente leve. Vinham conversando muito desde a volta dela e o confronto na casa de Sango. Havia muitas dúvidas, muitas lacunas de tempo a se preencher. Kagome contou a ele abertamente tudo o que acontecera com ela desde a partida, assim como Inuyasha contou o que tinha mudado ali.
Falar do acidente de Sango apresentou uma nova pessoa a Kagome, e mesmo não sabendo quem ele era, a garota passou a odiar profundamente Naraku.
-Miroku vai enfrentá-lo em breve... –disse Inuyasha, ouvindo os passos de Rin nas escadas. Desta vez, ela estava completamente vestida, numa camisa azul escura e elegante cobrindo parcialmente uma calça preta.
Rin sentou-se e pescou uma torrada no prato de Kagome.
-Sobre o que estamos falando?
-Sobre o passado. E o presente. –disse Kagome, suspirando. –Você ainda não entende muito bem, não é?
-Não entendo absolutamente nada. –disse Rin. –Mas acho que é justo ficar um tanto perdida, já que eu não estava aqui desde o começo.
-Vamos apresentá-la a Sango e Miroku em breve. –disse Inuyasha. –Acho que agora que Kagome voltou, talvez nós possamos reviver o que morreu quando ela se foi.E, além disso, você pode ser uma criança, mas sempre há espaço para mais um.
-Não sou criança. –disse Rin. –Tenho vinte anos.
-Criança. –sussurrou Inuyasha, quando ela lhe mostrou a língua.
-Me chame como quiser. –disse ela, suspirando e revirando os olhos. –Mas passei por maus bocados também. Você não é o único a sofrer nesse mundo, orelhudo.
Eles riram.
A conversa durou ainda um bom tempo, e enveredou por caminhos perigosos. Quando Inuyasha perguntou de onde ela vinha, Rin desviou-se rapidamente do assunto, e mesmo que a mudança tivesse sido sutil, ele percebeu que aquele era um assunto sobre o qual ela não falaria a não ser que sentisse confiança absoluta nele.
Decidindo que podia esperar, ele relaxou e sorriu novamente.
Começava a gostar da amiga de Kagome.
*
Miroku já não seguia seus impulsos há muito tempo, mas aquele foi de algum forma irrefreável. Ele esbravejou contra sua inaptidão e pressa, até mesmo contra sua inteligência, que citou mentalmente ser inexistente, mas mesmo assim estava ali.
Eram seis da tarde, e enquanto Kagome e Inuyasha dividiam um sofá com a extrovertida e misteriosa Rin, ele estava sentado nos degraus da entrada da casa de Sango. Sabia, obviamente, que Sesshoumaru só chegaria em algumas horas, mas a amiga estaria ali em poucos minutos. Ao vê-la virar a esquina, manobrando habilidosamente a cadeira de rodas, acompanhada de perto por uma mulher de cabelos tão louros que seriam facilmente confundidos com branco, ele se sentiu desconfortável.
O que diria a ela não era algo que estranhos pudessem ouvir.
Sendo sincero, ele admitiria que preferia que nem mesmo Sango o ouvisse, mas eram coisas que ele realmente precisava confessar.
Ao vê-lo, o sorriso dela se abriu ainda mais. Virando-se para a amiga, ela disse-lhe algo que causou uma confusão momentânea e um sorriso logo depois, e com um aceno a mulher se foi.
Aproximando-se rapidamente, Sango dirigiu-lhe um olhar curioso.
-Olá, Miroku. –cumprimentou-o, o sorriso ainda nos lábios.
Ele sorriu também, um tanto desconfortável, o que não passou despercebido por ela.
-Olá, Sango. Queria conversar com você.
Ela concordou e subiu pela rampa que ficava ao lado da escada. A porta da frente era larga e a fechadura era um pouco mais baixa que o normal. Sango destrancou a porta e logo estavam na sala.
-Quer um café? –perguntou ela. –Sei que esse não é exatamente seu horário mais ativo. Deve estar com sono.
Ele não estava, mas aceitou o café mesmo assim. Ter algo para fazer com as mãos seria bom naquele momento.
-Eu sei que já faz muito tempo, Sango. Sei que já faz tempo demais. Sei que Kagome voltou e tudo parece estar melhorando, então provavelmente o que eu tenho a dizer vai machucar a nós dois, e por extensão, nossos amigos... Mas ainda acho melhor dizer tudo agora do que me calar por mais tempo.
Ela parou de mexer no café, largou a colher cuidadosamente sobre a mesa e deixou junto a xícara. Tinha a impressão de que acabaria fazendo algo estúpido como derrubar a bebida ou lançá-la contra Miroku antes do fim da conversa.
-O que aconteceu? –perguntou, tão calmamente que assustou a si mesma.
-Vou correr contra Naraku no final desse mês. Vou ganhar, e vou fazer com ele o que quero fazer desde que ele a colocou nessa cadeira. Depois disso, vou voltar aqui, e se você me quiser, eu vou ficar.
Sango ficou em silêncio por alguns instantes, e ele aceitou aquilo como um sinal para continuar.
-Quando eu a vi no hospital, logo depois do acidente, eu soube que nunca conseguiria viver sabendo que ele continuava lá fora. A polícia não faria absolutamente nada contra ele, e contar que você estava envolvida numa corrida ilegal era absolutamente impensável. Então, eu resolvi que o superaria no que ele fazia de melhor, de maneira que ninguém se pusesse entre nós quando eu fosse me vingar. –ele foi até ela a se abaixou, deixando os rostos na mesma altura. –Naquela noite, eu te beijei, Sango, e aquilo vem me corroendo desde então. O que eu senti... Você sentiu também?
Sango apertou os braços da cadeira, recusando-se a desviar os olhos dele, e negando com todas as forças qualquer lágrima que quisesse cair.
-Naquela noite, quando eu percebi que não tinha mais os movimentos das pernas... –sussurrou ela. –Depois que você foi embora, eu pensei durante muito tempo, Miroku. E decidi uma coisa que me machucou por dentro como nada mais em todo o tempo que se passou desde então. Eu decidi que nunca ficaria com você novamente.
O rosto chocado que ele mostrou então fez com que uma lágrima escorresse pelos olhos dela.
-Se você me culpa pelo acidente, porque então continuou sendo minha amiga todo esse tempo? –sussurrou ele, enterrando o mais fundo que podia a raiva que começava a se formar.
-Eu não o culpo, Miroku... –disse ela, limpando rapidamente a lágrima que caiu. –Eu também pensei naquele beijo, e provavelmente não senti o que você sentiu. Provavelmente senti muito mais, porque eu já te amava quando aconteceu. E foi esse o motivo da minha decisão. Eu nunca te forçaria a me olhar todos os dias, Miroku, vendo o que eu me tornei e se culpando por isso. Se você tivesse mostrado interesse em ficar comigo quando eu saí do hospital, eu teria me afastado, porque eu sabia que nunca conseguiria ter a certeza de que você ficava comigo por amor, e não por culpa.
Ele também chorava agora.
-Mas você se afastou. E meu coração se partiu, mas eu sobrevivi, assim como sobrevivi à fisioterapia, e sobrevivo até hoje. Você se afastou, e eu não o culpei, porque isso me tirou a obrigação de me afastar, quando você tentasse se aproximar por culpa. Eu nunca obrigaria alguém a viver comigo sob esse tipo de chantagem emocional, sabendo que ir embora me deixaria sozinha. Eu nunca dependeria de ninguém sabendo que essa pessoa, em algum momento, se forçaria a ficar apenas para me poupar a vergonha de não conseguir fazer nada sozinha.
-Sesshoumaru... –começou ele, levantando-se e dando-lhe as costas. –E quanto a ele?
-É diferente. –sussurrou ela.
-Porque ele dorme com você? –perguntou Miroku, e arrependeu-se no mesmo instante.
Mas o estrago estava feito, e Sango agora chorava não apenas de dor, mas também de raiva.
-Você acha que o que temos é sexo? –a raiva pulsava, misturada a mais completa dor. –Você acha que eu não tentei me livrar dele de todas as maneiras possíveis? Eu tentei convencê-lo de que não daria certo, por tanto tempo e de tantas maneiras que você não conseguiria imaginar! –ela beirava a mais pura loucura, o rosto molhado e vermelho, a voz quase um grito do mais puro sofrimento. –Mas ele ficou, ultrapassou cada um dos obstáculos que eu coloquei à sua frente, ignorou cada um dos meus argumentos! E então, quando eu me cansei de lutar contra o sentimento que ele me oferecia, quando comecei a amá-lo também, ele não tentou me tornar dependente dele, ao contrário, me forçou a fazer fisioterapia e tomar remédios. Me forçou a depender apenas de mim mesma.
Miroku estava calado agora, além de qualquer argumento. De longe, Sesshoumaru parecia tão frio, tão controlado, que tinha sido fácil ver Sango como dependente do médico. Vendo-a defendê-lo com tanta garra, agora, fazia com que ele se sentisse estranhamente tolo, e doía.
-Você acha que o fato de eu dormir com ele me fez dependente, Miroku? –perguntou ela, o asco tão presente na voz que o fez estremecer. –Acha que eu comprei a presença dele com meu corpo?
-Não! –ele encontrou sua voz então, e ajoelhou-se diante dela, procurando novamente seus olhos. –Eu nunca pensaria isso, nunca!
-Quero você fora daqui. –disse ela, virando o rosto, recusando-se a ver e aceitar a culpa nos olhos vívidos dele. Aqueles olhos que a encantavam com tanta freqüência na adolescência. –Agora.
Sentindo-se subitamente derrotado, recusando-se a aceitar a cena que se desenrolara como uma realidade tão brutal, Miroku levantou-se.
-Eu vou voltar. –disse ele.
-Não volte. –disse ela. –Poupe a nós dois de mais um fiasco como o que aconteceu agora. Não é certo tentar forçar o destino a ser como você quer, Miroku. O que poderíamos ter sido acabou naquele acidente.
-Você sabe que é mentira. –respondeu ele, caminhando lentamente em direção à porta. –Nos vemos por aí, Sango.
Ele passou pela porta, e surpreendeu-se a ver Sesshoumaru ali. Os dois cruzaram a soleira de lado recusando-se a reconhecer a presença do outro. Miroku se foi, e o médico entrou.
Sango olhou-o direto nos olhos, e preparou-se para o segundo round.
-Ouvi a conversa. –disse ele, mortalmente sério. –Me desculpe por isso.
-Não se desculpe. –disse ela. –Conheço você bem o suficiente para saber que ouviu algo que o incomodou, ou então não teria ficado com essa cara.
Sesshoumaru sentou-se de frente para ela, e sua voz soou tão suave que por um instante ela pensou que talvez ainda houvesse possibilidade de salvar ao menos aquele relacionamento.
-Você não precisa de mim, nem ao menos um pouco? –perguntou ele.
E, de repente, toda a esperança se foi.
-Eu não falei isso. –sussurrou ela.
-É, mas deixou subentendido. –disse ele. –Acho que vai ser sempre assim, não é, Sango? Eu amo você, amo mesmo, e tentei não me incomodar por saber do seu passado com Miroku. Não pense que eu não sabia, porque eu tinha conhecimento disso desde antes do acidente. Foi esse o motivo de eu ir estudar fora, acho. Queria que você fosse feliz sem ter que se importar com sentimentos tolos de uma pessoa que não amava.
Ela enterrou o rosto nas mãos, incapaz de continuar discutindo. Sentia-se fraca, triste, e acima de tudo, cansada.
-Mas então eu voltei, e você estava sozinha. Tão absolutamente sozinha, Sango. Inuyasha me falou que Miroku estava metendo-se em encrencas por aí, e eu senti raiva dele por não perceber o quando você precisava de alguém naquele momento. Mas então pensei... Ora, era minha chance. E eu a agarrei com todas as forças. Lutei por você, para ficar ao seu lado. –ele continuava falando, expondo cada um de seus pensamentos, mesmo que o rosto fosse uma máscara de indiferença. –E agora, eu descubro que todo o meu esforço não significou absolutamente nada para você.
-Não é verdade... –disse ela, erguendo o rosto para vê-lo. –Você ouviu o que eu disse. Eu te amo, Sesshoumaru.
-Você me ama, mas não quer depender de mim. –disse ele. –E não pense que eu falo no sentido literal, Sango. Não seria estúpido a ponto de lhe pedir que dependesse de mim para cozinhar, ir ao banheiro, lavar roupas. Sei que seria o mesmo que lhe pedir para abrir mão de uma vida. O que eu queria, de verdade mesmo, é que você se permitisse depende de mim emocionalmente, como eu dependo de você.
-Eu...
-Não, eu não terminei. –interrompeu-a, levantando-se. –Você se casaria comigo, Sango? Tenho pensado nisso há algum tempo, mas acho que não há melhor momento para perguntar isso do que agora, já que expus o que penso e sinto de maneira tão clara.
Ela ficou calada então, e pela primeira vez em todo o relacionamento deles ele lhe dirigiu um sorriso que ela nuca tina visto em seus lábios. Um sorriso cheio de sarcasmo.
-É, acho que isso responde à minha pergunta. –E ele saiu então, deixando-a sozinha.
Ao ouvir o barulho do motor de um carro, Sango deu-se conta do que tinha acontecido.
-Sesshoumaru! –ela chamou, mas ele não a ouviu. Nunca soube se teria voltado se a ouvisse, mas naquele momento ele escutava apenas o barulho do carro e de seus pensamentos confusos.
Num movimento rápido, ela empurrou a cadeira pelo cômodo, tentando chegar à porta, chamá-lo novamente. Quando ouviu o carro dar a partida, Sango empurrou a roda com mais força, e sua mão escorregou.
Não sentiu o tombo. Quando seu tronco foi para frente, quando seu corpo se desequilibrou e foi de encontro ao chão, ela continuou chamando.
Passou-se algum tempo antes que a dor chegasse, física, lembrando-a de que, mesmo que não usasse as pernas, o resto do corpo ainda estava ali. O braço doía, latejava com força. O rosto estava comprimido contra o carpete, e ela chorou então.
Não de dor. A dor, naquele momento, foi um alívio. Ela chorou porque, pela primeira vez desde a partida de Kagome, ela se sentia completamente perdida. Encolhendo-se no chão, Sango empurrou para longe a cadeira. Não queria precisar dela. Não queria precisar de nada. De ninguém. Ela abraçou-se então, como fizera na noite da partida de sua melhor amiga, porque assim como naquela ocasião, não tinha quem o fizesse por ela.
E, tão tranqüilizante quando a morte, veio o sono. Fechando os olhos, Sango mergulhou na inconsciência.
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