CAPÍTULO DEZ
Ela já havia se convencido de que estava enganada quando chegou até a porta. Edward não era capaz de amar nin guém; jamais se permitiria amar alguém.
Muito menos ela.
Mas se ele não a amava, por que então lhe dissera que poderia permanecer casada com ele, se acreditava que ela estava esperando o filho de outro homem?
— Já não era sem tempo — disse Jacob quando Bella finalmente abriu a porta.
Ele estava com a aparência habitual, com um terno es curo e uma camisa azul clara, e uma gravata listrada azul marinha.
— O que você quis dizer com...
— Você se importaria de me acompanhar até a sala, Jacob ? — pediu Bella , praticamente ordenando. — Eu não estou acostumada a conversar no corredor para todo mundo ouvir.
Ele a olhou com uma expressão de desagrado.
— Se você não tivesse me deixado esperando aqui fora por dez minutos...
— Não foi nem perto disso...
— Você...
— Eu aceitaria o convite de Bella se fosse você, Jacob — disse Edward , zangado, da porta da sala. — Garanto que o meu convite seria muito menos gentil!
Jacob se virou para encarar o outro homem, estreitando os olhos.
— Eu deveria ter adivinhado! Você passou a noite aqui, Cullen ? — provocou ele antes de sorrir para Bella de for ma zombeteira.
Bella sentiu-se empalidecer, depois de ter enxergado Jacob sob uma ótica muito diferente na noite anterior.
— Se eu passei ou não a noite com a minha esposa, isso não é da sua conta! — disse Edward a Jacob enquanto se aproximava de Bella num gesto protetor, lhe tocando o braço com delicadeza. — Por que não passamos todos para o outro cômodo e tentamos ter uma conversa civilizada? — disse ele ao sentir que Bella estava tremendo.
Aquele tipo de cena não podia fazer bem a ela nas condi ções atuais. A presença dele ali certamente estava piorando ainda mais as coisas, reconheceu com pesar, sabendo tam bém que não poderia estar em nenhum outro lugar. Só queria estar onde Bella estivesse dali em diante...
— Conversa civilizada? — repetiu Black com desdém, caminhando até a sala. — Você tornou isso completamente impossível quando comprou o controle da minha empresa!
— Da empresa da sua família — corrigiu Edward, sem soltar o braço de Bella .
— Sim, da minha família — disse Jacob . — E agora é você quem manda por lá!
Ela olhou para ambos, frustrada, antes de se afastar de Edward e sentar-se em uma das poltronas.
Tudo o que ela havia querido naquela manhã fora acertar as coisas com Jacob antes de deixar Nova York a fim de voltar para a Inglaterra, e ficar longe dos dois. Em vez disso, porém, ambos estavam no apartamento dela discutindo em tons furiosos! Uma discussão inevitável, ela sabia. Mas eles bem que poderiam ter escolhido outro lugar para tal!
Edward enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans.
— E se não for eu? — desafiou ele.
— Se não for você o quê? — respondeu Jacob .
— Se não for eu quem está mandando por lá — disse Edward.
Bella olhou para ele, aturdida, entendendo tão pouco quanto Jacob .
— Está me dizendo que, apesar de deter o controle acio nário da Black Cosmetics, você não pretende presidir a em presa? — perguntou ele, cético.
Edward lançou um olhar de zombaria para o outro homem.
— Não, eu não estou dizendo nada disso...
— Eu não pensei mesmo que estivesse! — esbravejou Jacob .
— Black , se você soubesse conduzir a sua empresa, vocês jamais teriam enfrentado as dificuldades pelas quais passaram há alguns anos...
— Nós já superamos isso — disse Jacob , se defendendo.
— Só porque venderam 49% de suas ações e então contra taram Bella para ser o novo rosto da empresa — provocou Edward . — Seu pai fez a empresa crescer, mas desde que ele se aposentou, há cinco anos, e o deixou na gerência, ela vem afundando cada vez mais...
— Isso é mentira! — gritou Jacob .
— É a mais pura verdade — insistiu Edward com cal ma. — Você pode ser o filho mais velho e o herdeiro de Billy Black , mas certamente não deveria ter sido você o irmão à frente da Black Cosmetics nesses últimos cinco anos.
— Você acha que Seth, meu irmão mais novo, teria se saído melhor?
— De acordo com as minhas pesquisas, sim — garantiu Edward com severidade. — Suponho que você ainda não tenha falado com ele esta manhã — acrescentou.
— Com Seth? — perguntou Jacob , surpreso. — E por que eu deveria?
Sim, por que ele deveria? Bella se perguntou, hipnoti zada por aquela conversa que prosseguia como se ela não estivesse ali. Até as últimas poucas semanas, só havia conhecido um Jacob mais sofisticado e encantador que ele exibia ao mun do. Depois de testemunhar o comportamento dele na noite anterior, porém, assim como hoje de manhã, sabia que ele não era nada daquilo. Jacob mais parecia um fanfarrão comple tamente dominado por um Edward bem mais controlado.
Os dois homens eram muito diferentes na aparência tam bém, mas Bella sempre soubera a quem preferia!
Embora Edward sempre tivesse se recusado a acreditar nisso.
Será que ele ainda achava...?
A conversa que tivera com ele antes de abrir a porta para Jacob parecia implicar em outra coisa.
— Eu tomei café com Seth hoje de manhã — disse Edward a ambos. — Tivemos uma reunião muito interessan te, e eu acredito que da próxima vez em que falar com ele, você vai descobrir que ele agora detém mais do que 51% das ações da Black Cosmetics e que, como acionista ma joritário, tem o direito de conduzir a empresa como bem lhe aprouver.
Bella ofegou.
Quer dizer que a reunião à qual Edward havia se re ferido fora com Seth Black , o irmão mais novo de Jacob ...?
O rosto bonito de Black se fechou, zangado.
— Eu não acredito — disse ele finalmente. — Seth não teria dinheiro suficiente para isso.
Bella percebeu, pelo sorriso autoconfiante de Edward , que ele estava dizendo a verdade.
— Oh, mas ele não comprou as ações de mim — disse Edward, cheio de ironia. — Eu vou passá-las a ele esta tarde em troca da liberação do contrato de Bella .
— Você... Isso foi extremamente arrogante da sua parte, Edward! — disse Bella ofegante, sem acreditar no que tinha ouvido.
— Você não me deixou acabar, Isabella — disse ele. — Seth concordará em liberá-la somente se você assim o de sejar — completou.
— E por que eu ia querer fazer uma coisa dessas? — per guntou ela, franzindo a testa.
— Porque está grávida — salientou Edward. — Como você imagina continuar trabalhando quando estiver com sete ou oito meses de gravidez?
— Acho que sou eu quem deve decidir isso!
— Você está grávida? — interrompeu Jacob . — Foi por isso que você desmaiou ontem à noite? — perguntou ele, olhando para ela com exasperação.
— Foi por isso que ela desmaiou ontem à noite — esclare ceu Edward, sabendo que Bella não havia compreendido que ele queria apenas lhe dar a possibilidade de ser livre, conforme ela desejara há cinco semanas...
— Eu não acredito nisso! — disse Jacob , balançando a cabeça, e começando a caminhar impaciente. — Isto é simplesmente inacreditável — murmurou ele. — Você a engravidou de propósito? — perguntou, acusando Edward. — Estava tão determinado a reconquistá-la que de cidiu engravidá-la para ter o que queria? — disse ele com desprezo.
Bella enrubesceu.
— Não seja ridículo, Jacob ...
— Você fez isso, não foi? — disse Jacob olhando para Edward com ódio.
— Jacob , não seja tão...
— Deixe-o falar, Isabella — interrompeu Edward, permanecendo imóvel enquanto fitava o outro homem com os olhos semicerrados.
— Por que está tão seguro de que o bebê é meu?
— E de quem mais seria? Isabella é tão pudica que deveria entrar para um convento! Mas creio que eles não aceitam freiras grávidas... O que você está fazendo? — disse ele, quando Edward o agarrou pela camisa, quase levantando-o do chão. — Tire as mãos de mim, Cullen !
Soltar aquele homem era a última coisa que Edward ti nha vontade de fazer no momento em que a verdade nua e crua se abatia sobre ele com toda a força. Uma verdade que Bella sempre insistira em repetir, mas na qual ele havia se recusado a acreditar! Acreditara mais na palavra daquele homem do que na da esposa, e acreditara imediatamente que ela e Black tinham um caso.
Tudo não passava de uma mentira!
Mentira da qual Black parecia ter se esquecido comple tamente durante a raiva.
— Você mentiu para mim, Black ! — denunciou Edward, empurrando-o longe. — Por que me disse que você e Isabella estavam tendo um caso?
— O que você disse a ele? — perguntou Bella , olhando incrédula para Jerome.
— Eu disse que nós dois estávamos vivendo um louco e impetuoso caso de amor que havia fugido do nosso controle — zombou Jacob —, e que você só estava hesitando em vir para Nova York comigo porque não queria magoá-lo!
— Mas... Mas por que você fez uma coisa dessas? — per guntou Isabella , atordoada, completamente abalada por aque la revelação.
Ao menos aquilo explicava a recusa obstinada de Edward em acreditar nela. Ele devia ter ficado arrasado, achando que ela só estava com ele por pena. Para um homem como Edward, que não acreditava no amor, aquela devia ter sido a pior das humilhações...
Jacob deu de ombros, não parecendo estar nem um pou co arrependido.
— Porque vender 49% das ações da Black Cosmetics não foi o suficiente para salvar a empresa. Eu precisava de algo mais, algo maior. Foi então que tive a idéia de usar o belo rosto da modelo internacional Isabella Swan como o novo rosto da Black Cosmetics. Mas tive que tirar o brutamontes do seu marido do caminho primeiro!
Bella não hesitou em esbofetear o rosto duro de Jerome, com os olhos ardendo de raiva. Ele se virou com uma expressão de escárnio, levando a mão até o rosto que havia ficado vermelho com rapidez.
— Vocês dois parecem ter perdido o fio da meada em al gum ponto — resmungou ele. — A pergunta que realmente deveriam se fazer não é por que menti sobre o romance com Isabella , mas sim por que Cullen acreditou em mim tão fa cilmente...
O fato de que ele estava certo só deixou Edward ainda mais zangado.
— Vá embora, Jacob — gritou ele, pálido, com os olhos escurecidos e assombrados. — Vá embora agora mesmo, an tes que eu ceda à tentação e faça com você o que realmente quero fazer! — acrescentou antes de se virar e enxergar ape nas Isabella .
Agora ele tinha consciência exata do que fizera, e sabia também que ela jamais seria capaz de perdoá-lo, graças à maneira como ele havia duvidado dela.
E por que deveria?
Ele dera ouvidos a Jacob e acreditara na palavra de um homem que não significava nada, em detrimento da palavra da mulher que era tudo na vida dele...
amanha, ultimo capitulo ;(
