Deeeeeesculpem o update atrasado. Semana cheia.

Quem mandou review legal, recebeu o spoiler do próximo. Quem não quiser é só avisar no final da review, tá galera?

Ok, no próximo eu falo mais. ktkxbye


Apartamento Edward e Jasper.

Fazia meses desde que o contato com seu pai fora feito. Jasper não fazia questão de lidar com uma pessoa que queria apenas seu status social para elevar o seu próprio. O carinho que tinha por sua mãe era imensamente diferente do que tinha por seu pai. As barreiras de um amor fraterno foram erguidas em sua infância e Barry Hale não sentiu necessidade de quebrá-las. Mas hoje teria que tomar as rédeas da situação que poderia agravar a vida dessas duas pessoas.

- Alô? – Jasper respondeu a chamada com a voz engrolada de sono.

- Dormindo a essa hora da tarde, Jasper? – perguntou a voz três tons mais grave do outro lado da linha. Nada muito amigável, mas a antipatia não parecia familiar para o garoto que tinha sido despertado de seu sono.

- Estou de férias. – resmungou antes de sentar na cama. – Quem é?

- Não reconhece mais a voz do seu próprio pai?

Não tinha freqüência de ligar, a não ser por algum problema, mas dessa vez Jasper sabia no ato o motivo da ligação. Quando terminou a prova de calculo naquela tarde na faculdade, seu cérebro estava em ebulição. Não podia reprovar aquela matéria pela segunda vez. O aviso prévio de Barry havia sido claro e em um momento de pânico, fez Jasper recorrer a reitoria da faculdade e trancar a matéria antes do período acabar. Sem comentar com ninguém e ignorando o fardo que carregava sobre isso no peito, preferiu distrair a cabeça enquanto o boomerang com seus problemas disciplinares não voltavam em sua direção.

Quando a carta da faculdade lhe foi entregue em seu grande escritório, Barry sentiu a raiva que carregava vinte e quatro horas, do trabalho, esquentar seu pescoço e asfixiar seu ar compenetrado.

- Oi, Sr. Barry. Como vai o senhor?

- Não me enrole, Jasper Hale. Quero saber que merda você estava pensando quando trancou calculo! Logo a matéria que você reprovou no último semestre.

- E você quer a verdade, ou prefere que eu fale o que o senhor quer ouvir? – Barry não respondeu a lufada impaciente do outro lado da linha fez Jasper continuar sem consentimento. – Estou com matérias demais esse período e calculo não é uma das minhas prioridades, vou deixar para fazer quando estiver mais 'livre', justamente por já ter reprovado. Não quero receber ligações suas a cada período.

- Não brinca comigo, Jasper. Você tem futuro e sabe o que nós esperamos...

- Nós quem? Você e a sua empresa?

- Sim. Você tem uma empresa a ser herdada. Está tudo em seu nome, você é meu filho único. Eu te dei tudo sempre, dinheiro, carro, casa... tudo da melhor qualidade. O mínimo que eu espero de você é o retorno satisfatório e um diploma comprovando sua eficiência universitária. Você já recusou o estágio!

- Porque talvez eu não queira trabalhar com isso! – Jasper o cortou farto de ter sua vida luxuosa jogada em sua cara.

- E o que você quer, Jasper?! Diz, anda! Não vou viver para sempre! Eu sei o que é melhor para você, seu futuro está sendo dado de mãos beijadas, e você se recusa a receber! Não tem maturidade para assumir seus compromissos, nunca teve! Será que alguma vez na vida pode parar de vagabundagem e olhar para frente?

- De repente se parasse de me orientar, ou melhor, forçar a fazer o que o senhor sempre quis que eu fizesse, eu consiga lhe dizer um dia o que eu realmente quero. E no momento eu não quero ter essa discussão. Aproveite enquanto ainda lhe respeito. – seu tom era baixo, mas completamente furioso. Jasper não conseguia controlar o tremor irado em seu corpo.

- Pare de achar que sua vida é uma brincadeira! Leve pelo menos sua profissão a sério. Com isso, o resto vem com facilidade, e muitos não tem a oportunidade de ganhar isso sem esforço. A felicidade é uma conseqüência. – tentou persuadir com falsa experiência.

- Talvez eu queira ter que me esforçar para conseguir o que eu realmente quero. Porque mesmo com esse emprego 'glorioso' que o senhor tem, eu não vejo sua felicidade há anos. Quando o senhor não tinha esse cargo que o deixava trancafiado dentro da merda de um escritório o dia todo e veio feliz porque conseguiu uma televisão para casa pela primeira vez, exibindo à mamãe talvez eu tenha visto seu último sorriso sincero. – desabafou sentindo o peito doer depois de tanto tempo. O homem maduro agora ao telefone era apenas um jovem de vinte e três anos.

- Você não sabe o que está dizendo, Jasper. Arrume sua vida. Já tirei o carro de você, parar de pagar a faculdade e o apartamento, te mandar de volta para o Tennenssee não custa.

- Faz o que você quiser. – resmungou e desligou o telefone.

A batida leve na porta chamou atenção do rapaz e se deparou com o amigo e companheiro de apartamento que parecia ter escutado alguma parte da conversa, a julgar por seu olhar solidário.

- Está tudo bem? – Jasper sacudiu a cabeça e voltou a olhar para o chão. – Quer conversar? – Edward se aproximou da cama.

- Senhor Barry Hale. – bufou. – Não quero me imaginar fazendo essa mesma merda com um filho meu, entendeu? Não quero ser igual a ele. Não vou ser.

- Você não é nem de perto parecido com ele, Jasper. – garantiu Edward vendo o desespero escurecer os olhos geralmente risonhos do amigo.

- Sua mãe passou aqui. – Jasper declarou depois de alguns minutos se acalmando.

- Aconteceu alguma coisa? – o coração de Edward disparou por alguns segundos.

- Edward, ela quer desmontar o quarto.

A leve taquicardia tremeu o corpo de Edward e um misto de negação e dor ocuparam seus olhos. Aquela delicada ferida que ainda estava aberta, ainda lhe era sensível. Uma dor assim não se vai rapidamente. Apenas um band aid não vai fazer parar de doer, ele já devia saber disso. E no fundo tinha consciência. O não tocar no assunto por muito tempo acarretava impactos maiores quando alguma pequena frase lhe espetava o corte.

- Quando? – Edward sussurrou fraco e grave, quase sem poder ser ouvido.

- Ela quer conversar com você primeiro. Passou muito rápido até, dizendo que tinha que almoçar com seu pai. – Edward assentiu compreendendo e foi saindo do quarto. – Edward...

Jasper chamou antes de ele sair pela porta novamente. Edward olhou por cima do ombro e o amigo sibilou um agradecimento, ao mesmo tempo em que os olhos preocupados lhe mostravam a disposição, como ele fizera há alguns minutos atrás com seu próprio problema. Ele sabia e concordou com a cabeça em um agradecimento silencioso. Tit for tat.

Após deixar o corpo entrar em colapso com o lençol frio da cama e descansar o celular em cima do estômago, Edward se deixou pensar na situação que se seguiria na mente machucada. Desmontar o quarto do filho era um direito que assistia a Esme, e ele não poderia fazer nada para impedi-la. Ele sabia que seria doloroso para ela, mas então porque se daria o trabalho? Porque remexer em um passado próximo, cutucando a ferida para que sangrasse de novo? Os pensamentos negativos e imaturos para aquela nova situação traziam toda uma rodada de sentimentos recentemente cobertos por uma película fina de dias de sol, praia e sorrisos, e ele já sentia a necessidade desesperada de acobertar tudo outra vez.

Lembrou da tarde que ganhou uma bicicleta nova e Anthony o ajudou a andar pela primeira vez. Tinha seu sete anos quando as rodinhas que auxiliavam foram para o lixo e o sorriso orgulhoso do irmão mais velho plantou em seu rosto.

Era Halloween, e a tarde de sol fraco permitiu que os dois garotos fossem para a rua brincar. O aro prata da roda da bicicleta fazia seu ciclo até o meio fio, onde Anthony já estava parado com seu presente de aniversário reluzente ao seu lado e o sorriso ansioso esperando o irmão menor. Mesmo com sendo comemoração aniversário de Anthony, todos ganhavam presentes naquela casa. Inclusive a pequena Rosalie e sua primeira Barbie.

Após algumas tentativas de equilíbrio e menos de um metro pedalado, o guidão da bicicleta virou, trazendo Edward ao chão ao lado da lata de lixo, coberta de folhas secas varridas. Anthony jogou sua bicicleta para o lado e correu em direção ao pequeno Edward, que tinha os olhos marejados e o lábio inferior projetado tremelicando de dor e frustração. Nunca conseguiria andar com a agilidade de Anthony – ele pensava repetidamente, até externar quando o irmão abaixou ao seu lado.

- Claro que vai! Você é meu irmão e tudo que eu aprender, vou te ensinar. – as promessas feitas na infância fizeram os olhos de Edward brilharem. Anthony era apenas três anos e alguns meses mais velho, mas a necessidade de proteção passava alguns anos a frente.

- Está ardendo! – ele resmungou mostrando o joelho ralado.

- E vai desistir de andar porque se machucou? – Edward não sabia a resposta, por isso aguardou o sábio conselho do irmão de dez anos. Anthony revirou os olhos e estalou a língua. – Não! A reposta é não! Para nada! Se você quiser realmente, tem que tentar, mesmo que termine só com a ponta do dedão a salvo.

E ajudou o pequeno a se levantar. O baixo astral havia ficado com as folhas perto do latão e o resto da tarde foi gasta sendo pedalada até a hora do jantar. Quando saíram para pegar doces a noite, Edward andava de pirata com uma faixa enrolada no joelho dando um toque de pura valentia ao seu personagem da noite.

A necessidade de sua válvula de escape era grande. Se sentia sufocado com lembranças doces. Sua mente parecia uma grande confusão quando as memórias de outrora se misturavam e novamente ele buscava pelo oxigênio puro que não o remetesse a pensamentos internos.

Já chegou em casa? – Ele mandou para o celular dela.

A demora por uma resposta deixou os olhos pesarem e se fecharem por um momento. Quando o aparelho vibrou sobre sua barriga exibindo o nome de Bella na tela, Edward limpou a garganta e respirou fundo antes de atender.

- Oi, bonito. – ela respondeu.

- Viu minha mensagem?

- Só vi agora. Estava jantando, depois conversei com meu pai.

- Contou a ele?

- Ele já suspeitava, acho. Resmungou algumas coisas, mas não disse nada. Desde que a gente brigou, ele tenta não falar muito das minhas decisões. Mas vai se comportar quando você vier aqui. – ambos suspiraram pelo fone, Edward colocou um dos braços atrás da cabeça no travesseiro e Bella se preocupou com a falta de reação do outro lado da linha – Estamos calados hoje? Está tudo bem?

- Está sim. Só estou cansado, acho.

- Ah, sim. Vai dormir então, descansa.

- Não. – ele se apressou em pedir. – Fala mais. Como vai ser no fim de semana?

Bella começou a contar de todas as mudanças de planos. Haveria um jantar com alguns amigos mais próximos em sua casa, - o qual ele estava mais que convidado – e depois Jane sairia para algum lugar. Edward não deu uma só palavra enquanto tentava prestar atenção no que ela dizia. Após todo o monólogo, ela sentiu um aperto apreensivo. Se perguntava se ele estaria arrependido, ou o que preocupava sua cabeça. Ela ainda não tinha presenciado esse Edward silencioso, por isso decidiu ser cautelosa.

- Edward... ainda está ai? – tentou brincar rindo receosa.

- Estou sim. Desculpa. Me distraí.

- Aconteceu alguma coisa?

- Estou com a cabeça cheia, só isso. – mesmo que não dissesse tudo, não conseguia mentir. Não para ela que não merecia. – Queria fazer pizza com você de novo.

Confessou se esforçando para dar um riso fraco no final lembrando da massa de pizza queimada no forno, quando tentaram fazer ao invés de pedir. Edward só queria despreocupá-la, fazendo-a falar para ocupar sua mente e substituir as lembranças.

- Acho que ainda devem ter pedaços de massa grudados no fundo do fogão. – riu mais aliviada. – Descansa um pouco, amanhã a gente se fala.

- Não quero dormir. – Edward não queria sonhar com lembranças.

- Awwn, que criança fofa! – ela brincou gargalhando. – Quer que eu te ponha para dormir, bebê?

- Até que essa não seria uma má idéia... – correspondeu sentindo o alívio imediato que aquela gargalhada do outro lado proporcionava.

- Mas é claro que não. Quem sabe outro dia? – então bocejou involuntariamente. – Você sabe que se precisar, eu vou estar aqui para você conversar, não sabe?

Aquela pergunta implicava em infinitas possibilidades. A tentação de tê-la a disposição para relaxar e ouvir sobre sua história, sabendo que ela tinha experiência o suficiente para compreender e talvez algumas palavras de conforto lhe pareceram tentadoras, porém por apenas breves segundos. Ele preferia não tocar no assunto. Não estava preparado para partilhar esse lado que lhe atormentava, não queria afastar a única pessoa que ainda não tinha conhecimento e olhares com pena circulando uma vez ou outra.

Bella se fez presente praticamente todos os dias naquele mês. Senão pessoalmente, por telefone. Não houve um único dia que Edward não havia escutado sua voz ou risada. Mesmo que não fossem reveladas as verdades doloridas, ela afastava as nuvens depressivas de sua cabeça sem nem perceber. Quando ela aparecia chateada ou irritada, ele se sentia útil e feliz em ajudar, aconselhar, ou simplesmente distrair. Porque assim, não precisaria pensar em seus próprios problemas. Achou uma forma de abstrair tudo que foi trazido de volta há minutos atrás quando Jasper lhe contou da breve visita de sua mãe.

- Eu sei. – ele suspirou fundo esfregando a ponta do indicador na ponta do nariz. – Não se preocupa comigo agora. Amanhã vai ficar tudo bem de novo.

- Tudo bem. – ela respeitaria seu espaço por agora. – O que vamos fazer amanhã? Algum lugar na sombra, por favor. Fiquei vermelha do sol de hoje.

- Imaginei. – ele riu. Deve ter ficado linda. Ele pintou a imagem de suas sardinhas agravadas pelo sol. – Um lugar na sombra então.

- Isso. Eu aproveito e conto do estágio, vou abrir meu e-mail para ver os detalhes agora e depois vou tomar um banho para dormir.

- Vai lá então, vou dormir também.

- Boa noite, bonito.

- Boa noite, linda. – e riram por alguns segundos antes de desligarem.


Desculpem pelo capítulo pequeno. Prometo que posto mais rápido o próximo! Revisem, por favor! ;*