Pétalas de Fogo

Por Kath Klein

Capítulo X

Atenção: Capítulo estritamente para maiores de 18 anos.

Sakura parou na varanda observando o pai e Li lutando esgrima. Sorriu de leve, observando o semblante feliz do senhor. Os dois riam, enquanto lutavam. O mais jovem falou algo, ao que Fujitaka retrucou, ensinando-lhe da maneira correta. Li ouvia com atenção e seguia os conselhos do senhor. De alguma maneira, o jovem pirata estava substituindo, ou melhor, amenizando a ausência de Touya na vida do conselheiro imperial.

Ela não soube quanto tempo ficou admirando os dois, mas não se cansava. Reparou em como o marido tinha classe na luta. Realmente, não era nem de perto, a postura de um pirata ignorante. Ele tinha técnica, e começava a se aperfeiçoar ainda mais com os treinos com Fujitaka. Estava tornando-se cada vez mais nobre na frente dos outros, no entanto, para ela, ele sempre mostraria aquela faceta, violenta e abusada. Deixava sempre claro que ela havia se vendido para ele. Suspirou com pesar. Mas animou-se ao concluir que logo estaria livre dele e de todos. Seria dona de tudo aquilo que seus olhos estavam observando.

Syaoran desarmou novamente Fujitaka, fazendo a espada do senhor, voar de suas mãos e cair cravada no chão.

'Posso lhe ensinar tudo, mas continua a me ganhar.' O senhor falou sorrindo.

Li afastou a espada do sogro e o cumprimentou com respeito. 'Isso se deve ao fato de que sempre lutei para sobreviver, senhor. Como se minha vida estivesse sendo apostada. Por isso não me dou ao direito de perder.'

Fujitaka sorriu para ele com sinceridade. 'Eu entendo. Entretanto, não concordo com o que fez para subir de vida, mas espero que um dia venha a se tornar um homem verdadeiramente de bem.'

'Eu me tornarei. E devo isso ao senhor e sua filha.' Li falou pegando a espada de Fujitaka e entregando a ele.

'Apesar de tudo, acho que no final o melhor realmente foi casá-la com o senhor. Também não agüentava mais recusar polidamente pedidos pela mão dela.'

'Sakura é uma mulher belíssima. Imagino que lhe rendeu muito trabalho e muita diplomacia.' Li falou passando a mão pelos cabelos suados. O sol já estava a pico fazendo com que o dia estivesse quase insuportavelmente quente.

Fujitaka sorriu de forma doce lembrando-se da filha. 'Fiquei muito feliz por finalmente ela estar se comportando como um dama distinta, como sempre tentei educá-la.'

'O senhor me contou que ela nunca foi apreciadora das aulas de etiqueta, mas devo comentar que a festa que ela preparou estava perfeita, senhor Kinomoto.'

'Eu sei!' Concordou abrindo mais o sorriso. 'Aposto como Nadeshico está muito orgulhosa de nossa menina. Até aulas de etiqueta, ela está dando para as meninas Akito. Nem em meus devaneios ousei tanto.'

'Minha mãe não ficaria orgulhosa de mim apenas por causa de uma festa e de aulas, papai.' Sakura revelou-se de seu esconderijo onde acompanhara toda a conversa dos cavalheiros, que viraram-se para cumprimentá-la.

'Sua mãe era a nobre mais elegante que o império já viu. Confesso que não sei de onde tirou este espírito tão moderno.'

'Provavelmente do senhor, papai.' Ela falou beijando rapidamente a face do pai e sorrindo de forma marota. Depois, voltou-se para o marido. 'Acha que tem condições de lutar comigo, querido?'

Li sorriu de lado balançando a cabeça de leve. 'Mas é claro, minha senhora. Seu pai me contou que lhe ensinou a arte da esgrima desde pequena.'

'Sakura, ontem mesmo não se sentiu bem durante o passeio.' Kinomoto a advertiu.

'Não foi nada papai. Estava apenas indisposta.' Ela respondeu com um sorriso.

O senhor balançou a cabeça, vendo que nem tudo havia mudado em sua filha.

'Papai.' Ela o chamou, estendendo a mão esquerda, pedindo sua espada. Fujitaka entregou a arma afastando-se do casal, mas advertiu Li, a ser mais gentil com a filha. Sakura ignorou o pedido, para não se aborrecer. Cortou o ar dando alguns golpes livres, apenas para sentir o peso da arma e se adaptar melhor a ela. Li observou a jovem, quase fascinado. Nunca havia visto uma mulher, que soubesse manejar uma espada. Lembrou-se de quando conheceu a jovem, e sentiu um arrepio gostoso percorrer sua espinha. Naquela ocasião, quase havia perdido para ela, por ficar prestando mais atenção nos atributos físicos da jovem do que para seus golpes.

'Está preparado?' Ela perguntou com um sorriso irônico.

'Sempre.' Syaoran respondeu, levantando a arma na direção da jovem. Ela o atacou primeiro, e surpreendendo o rapaz, que não imaginava tamanha força de vontade para lutar. Sakura adorou ver o rosto de surpresa de Li, ainda mais, quando ele se protegeu de seus golpes de forma desengonçada, mostrando que estava em dificuldades. Afastou-se dele dando-se por satisfeita pela sua primeira seqüência de ataques.

'Está mais rápida.' Li comentou, endireitando-se e voltando à posição inicial.

'Naquela ocasião, havia lutado contra quase dez piratas, senhor. Óbvio que estava mais cansada e fraca.'

Fitaram-se de forma desafiadora, até Li tomar a iniciativa do ataque agora. Sakura defendeu-se deles bem, mas ficou tentada a segurar o cabo da arma com as duas mãos devido à força dos golpes do marido. Não agüentou muito, sendo forçada a realmente levar a mão direita até a arma, para que ela não voasse de suas mãos. Li afastou-se dela com um sorriso vitorioso nos lábios.

'Também está mais rápido...' Ela comentou, tentando relaxar os músculos dos ombros e voltar para a posição inicial. 'E mais forte.'

'Naquela ocasião, havia coisas mais interessantes para serem observadas.' Ele falou com um sorriso malicioso nos lábios, fazendo Sakura sentir as bochechas esquentarem. 'Além disso, não queria machucá-la de imediato. Não queria estragar um corpo tão bonito e tentador.'

Ela nem ao menos esperou-o posicionar-se para voltar a atacá-lo com raiva. Li afastava-se à medida que tentava se proteger dos ataques raivosos da esposa. 'Abusado.' Ela falou entre os dentes, pois sabia que o pai estava sentado na varanda, observando a luta. Tentou golpeá-lo, porém Li virou-se, evitando ser acertado e segurou o punho da jovem, puxando-a até bater com tudo contra o corpo suado dele. Sakura levantou a cabeça fitando-o de perto.

'Que tal uma aposta?'

Ela arregalou de leve os olhos. Li soltou seu punho para que ela se afastasse para ouvir o que tinha a dizer.

'Uma aposta? Que tipo de aposta?'

'Uma luta para valer. Percebo que a senhora é muito melhor do que eu imaginava, mas confesso que uma luta sem objetivo não é muito estimulante.'

'Está falando como um pirata.' Ela retrucou.

'Fazer o quê, se sou um.' Ele respondeu sorrindo. 'O primeiro que ferir de leve, ganhará.'

Sakura ergueu uma sobrancelha. 'Defina, ferir de leve.'

'Um arranhão, ou sei lá... um pequeno corte... coisa pouca, é claro.' Li falou com pouco caso. 'A não ser, que a senhora tenha medo de sangue, ou quem saiba seja daquelas que desmaiam.' Completou em tom debochado.

'Não seja ridículo. Sabes muito bem como luto. O que quer apostar?'

Li ficou um tempo pensativo, colocou uma das mãos no queixo, fitando a jovem esposa. 'O que gostaria que eu fizesse, se você ganhasse?'

'Desistisse desta besteira de vingança contra os Hiiraguizawa.' Ela falou na lata fitando-o nos olhos. 'Será que seria capaz disso?'

'É um prêmio um tanto quanto alto.' Li retrucou.

'É o meu prêmio.'

Li cerrou os olhos na esposa, que o encarava decidida.

'E o senhor? O que irá exigir que eu faça se ganhar? Mais uma festa com aquela?' Sakura falou rodando de leve a espada na mão esquerda.

'Terá que deitar-se comigo.' Ele respondeu fazendo a jovem ter uma crise de tosse, espirros e engasgos. Levou uma mão ao peito, tentando acalmar-se depois ouvir tamanho desaforo.

'Está brincando, não?' Sakura perguntou ainda tossindo.

Li aproximou-se dela deixando-a mais nervosa. 'Não. Se eu ganhar quero que esta noite durma em meu quarto, apesar de que dormir é a última coisa que eu deixarei a senhora fazer.' A voz dele era baixa e sensual, Sakura começou a suar, não poderia apostar sua honra numa besteira. E se perdesse? Não! Ela não ia perder. Era boa esgrimista e sabia disto, antes perdera, apenas porque estava machucada e cansada, mas numa luta justa de igual para igual com certeza ganharia.

'Está com medo?' Li perguntou com um sorriso malicioso nos lábios.

'Eu não tenho medo do senhor.' Ela respondeu. 'Porém esta luta será limpa. Nada de golpes com as mãos ou manobras desonestas. Será que é capaz de lutar desta maneira?'

'É claro. Seu pai será um ótimo juiz.' Disse, chamando o senhor com um leve gesto. Fujitaka aproximou-se dos jovens. 'O senhor poderia fazer as vezes de um juiz, senhor Kinomoto?'

'Pensei que estavam apenas divertindo-se?'

'E estamos papai. Mas queremos apenas que o senhor arbitre uma luta justa entre nós.'

Kinomoto deu de ombros concordando. Sakura e Li voltaram às posições iniciais e encararam-se de forma sarcástica, talvez pelos dois acharem que já tinham ganho a disputa sem nem ao menos ela ter começado.

Cumprimentaram-se de forma polida e ficaram em posição de espera até o senhor Kinomoto dar o sinal de início.

'Comecem.'

Sakura, como sempre, foi a primeira a atacar, até pelo seu temperamento mais explosivo e ansioso. Estava com medo de perder a aposta e sua honra, com isso, sentia-se mais audaciosa e confiante. Li defendeu-se dos ataques e evitou ser atingido por muito pouco no rosto. Chegou a imaginar que tinha perdido e levou a mão até o rosto, apenas para confirmar que não havia sangue, pois a espada de Sakura passara a milímetros de sua pele. Teria que ter muito mais cuidado com ela, pois a jovem era canhota dificultando a defesa, deixando-o numa posição desconfortável. Já havia duelado contra canhotos, mas sabendo que poderia usar golpes baixos, como chutes e rasteiras. Tinha que começar a atacar a jovem ou acabaria perdendo. Isso seria muita humilhação.

Franziu a testa, apertando mais forte o cabo da arma e avançando sobre ela. Sakura arregalou de leve os olhos, sendo obrigada a dar alguns passos para trás, evitando ser atingida. Os golpes de Li eram seqüenciais mostrando uma técnica que ela desconhecia. Começava a se arrepender de ter aceitado a aposta, mas agora não tinha como voltar atrás. Reparou que ele tinha dificuldade quando ela atacava de forma rápida pela esquerda. Sorriu de lado avançado enquanto levantava a espada para atacá-lo.

Fujitaka mal conseguia acompanhar o movimento dos dois, que eram rápidos e precisos. Não imaginava que a filha lutasse tão bem ou que o genro tivesse uma técnica tão apurada. Conforme o tempo passava, ambos, cansados e irritados pelo empate que se sustentava durante toda a luta, começaram a ser mais agressivos, simplesmente desfazendo o teatro de que estavam ali numa luta "amigável".

Numa manobra mais ousada, Sakura acabou conseguindo atingir o braço esquerdo de Li. Sorriu de pura felicidade, ao ver a pequena mancha de sangue se formar na camisa branca e suada do marido. Deu um passo para trás, mal controlando o sorriso de superioridade, no entanto não entendeu o sorriso largo de Li para ela. O idiota provavelmente nem percebera que fora ferido.

'Eu venci.' Ela declarou abaixando a arma.

Kinomoto deu um passo parando entre os dois. 'Houve um empate.' O senhor declarou para desapontamento dos dois.

'Mas como?!' Ambos gritaram, finalmente quebrando o contato visual e fitando o senhor.

'Sakura foi ferida na mão direita, e Yamato está com um ferimento no braço esquerdo, perto do ombro.' O senhor declarou. Sakura levantou a mão, olhando desesperada para o filete de sangue que saía do pequeno corte, enquanto Li virou o rosto observando o ferimento no braço e não acreditando que ele estava ali.

'Eu a feri primeiro!' Li declarou fitando o sogro.

'Não! Fui eu!' Sakura gritou dando um passo para frente para aproximar-se do pai.

O senhor olhou de um para o outro não entendendo aquele nervosismo todo. 'Os dois feriram-se ao mesmo tempo. Tenho certeza.'

'Isso... é impossível...' Sakura soltou revoltada.

'Como isso aconteceu?' Li estava desnorteado por ter empatado com uma mulher. Logo com uma mulher? A vitória estava nas mãos dele, como pode ser tão lento e idiota para deixar-se empatar numa luta? Se seus subordinados desconfiassem, disso seria motivo de chacota pela vida inteira.

Fujitaka colocou as mãos no ombro de cada um, com um sorriso satisfeito. 'Lutaram de forma belíssima! Sinto-me privilegiado por ter assistido e ter sido o juiz.'

Sakura e Li observaram seus ferimentos, ainda não acreditando que eles existiam. Depois se encararam, sem saber o que dizer um ao outro.

'Um empate faz com que nenhum ganhe nada.' Li disse por fim, mas abriu um sorriso maroto.

Sakura confirmou com a cabeça. 'Acho que sim. Se nenhum ganhou, então os dois não recebem os prêmios.' Concluiu finalmente relaxando. Não conseguira desta vez, fazer Li afastar-se dos Hiiraguizawa, mas haveria outros caminhos para isso.

'Ah, então apostaram!' Fujitaka exclamou entusiasmado. 'Agora sei por que lutavam com tanto entusiasmo!'

'Apenas para tornar a aposta mais interessante, senhor Kinomoto.' Li esclareceu sorrindo.

'Mas estão enganados numa coisa, meus jovens, num empate os dois ganham. O que querem que tenham apostado, está apostado. O empate não quer dizer que há dois perdedores e sim que há dois vencedores.' Fujitaka falou com um sorriso nos lábios.

Sakura e Li ficaram em silêncio fitando o senhor, depois encararam-se.

'Isso não é certo, papai.' Sakura retrucou sorrindo sem graça. 'Se houve um empate, então não há vencedor.'

'Nada disso! Como eu sou o juiz, defino isso. Sendo assim, o que é que tenham apostado, deverá ser cumprido.' Fujitaka falou de forma séria. 'Este calor está me matando.' Reclamou abanando-se e caminhando em direção à casa. O casal observou o senhor afastando-se, em silêncio. Nenhum tinha coragem de falar alguma coisa. Um vento mais forte bateu nos corpos suados pela luta que acabaram de travar, refrescando-os, porém não aliviando a sensação amarga na boca de ambos.

Li cravou a espada com força no chão, soltando um palavrão. Tinha apostado alto demais por uma mulher, mas imaginou que tivesse a luta ganha, como poderia agora desistir de seus planos? Dos planos que havia traçado por anos.

'Eu não vou desistir da minha vingança.' Ele falou de forma raivosa.

'E eu não vou me deitar com o senhor.' Sakura retrucou virando-se para ele.

'Ótimo! Então nenhum irá exigir e cumprir o que apostamos.'

'Isso.' Sakura falou tentando se recompor. 'Como eu já disse, prefiro deitar-me com um cavalo do que com o senhor.'

'Perfeito!' Ele soltou de forma nervosa e sarcástica.

Sakura bufou um pouco antes de caminhar com os passos pesados até a residência e deixar Li sozinho. O rapaz passou uma das mãos na cabeleira suada e rebelde pensando que havia feito uma besteira, apostando sua vida naquela luta. Era claro que começava a desejar demais aquela mulher, mas nunca pensou que seria capaz de cometer tamanha burrada. A única coisa que ainda tinha na vida era a sua palavra, e agora nem isso, já que se recusara a cumpri-la.

*~*~*

'Senhora.' O mordomo aproximou-se chamando sua patroa. Sakura tirou os olhos do livro que estava lendo e fitou o ancião parado agora a sua frente.

'Sim, Kuoto.'

'O senhor Hiraguizawa encontra-se no salão a sua espera.'

Sakura fechou o livro soltando um longo suspiro. Li e seu pai haviam saído pela manhã sem lhe dizer aonde iriam, mas provavelmente à cidade, para o senhor encontrar um mensageiro que pudesse enviar uma carta para o imperador. A jovem levantou-se, irritada pela presença do inglês. 'Diga que logo irei descer ao encontro dele.'

Kuoto curvou-se e retirou-se do escritório onde estava a patroa. Sakura caminhou até a estante e guardou o livro que pertencia à coleção do marido. Sorriu de lado, passando de leve os dedos pelos livros que pertenciam a Li. Fechou os olhos, lembrando-se do abraço apertado que ele lhe dera poucos dias atrás. Foi uma das sensações mais maravilhosa que havia sentido na vida. O cheiro de Li era embriagante. Levou uma das mãos até os lábios e sorriu. Gostaria de sentir os lábios quentes do pirata novamente devorando sua boca. Começou a sentir um formigamento gostoso em seu ventre.

Abriu os olhos olhando para frente e fechando o sorriso. Estava ficando cada vez mais envolvida com aquele homem. Tinha consciência de sua atração por ele. Syaoran era tudo o que a fascinava. A pele bronzeada, o corpo perfeito, o cheiro másculo. Não duvidava que se houvesse uma oportunidade, ela se entregaria a ele.

Franziu a testa. 'Não estou apaixonada.' Falou para si mesma, e sabia que poderia ser verdade. Talvez realmente não estivesse apaixonada por um pirata rude e assassino, mas estava fascinada pelas sensações que ele despertava nela. Balançou a cabeça tentando não pensar nisto. Saiu do cômodo e caminhou pelo corredor, mas os pensamentos ainda estavam em sua mente. Parou em frente a um grande espelho e fitou-se. Agora estava sem nenhuma marca das agressões que sofrera há pouco mais de um mês. Estava novamente perfeita. Arrumou um cacho que caía sofre a face, ainda fitando-se fixamente. Ela sabia que provocava sensações parecidas com as que sentia no marido. Sabia também que atraia as atenções masculinas por sua beleza.

No seu rosto desenhou-se um sorriso maldoso e até mesmo lascivo, pensando no que Li poderia fazer a uma mulher. Não era ingênua em não perceber como as mulheres o assediavam. Provavelmente ele já havia tornado várias das damas que conhecera na festa, em suas amantes.

Estufou o peito, ajeitando o decote, e virou-se para descer a escadaria para encontrar-se com o falso amigo do esposo.

'Está encantadora como sempre, minha senhora.' Eriol soltou observando-a descer elegantemente a escada.

'E o senhor sempre galante.' Ela falou estendendo a delicada mão para que ele a beijasse. E assim ele fez, demoradamente e sem desviar os olhos das belas esmeraldas que o encantavam cada vez mais.

'Infelizmente meu marido não se encontra.' Sakura falou caminhando em direção ao sofá e oferecendo a ele outro acento.

'É realmente uma pena. Soube também que seu pai não se encontra.'

'Isto mesmo.' Ela virou-se para um criado. 'Por favor, traga um refresco para nós.'

Eriol abriu um enorme sorriso sentando-se a frente da bela dama. 'Fico feliz que posso compartilhar alguns maravilhosos minutos, em companhia da dama mais distinta e bela desta cidade.'

Sakura riu falsamente com o elogio, no fundo não gostava de elogios masculinos. Talvez por isso sentia-se tão atraída pelo marido, ele nunca lhe fez um elogio, quando comentou de sua beleza foi de forma grosseira, e cheio de erotismo. 'Não sei nem mais como agradecer tantos elogios. Mas devo lembrá-lo que a dama mais bela desta cidade é com certeza sua esposa.'

Eriol mexeu-se, incomodado com a lembrança de Sakura sobre a existência de sua esposa. Àquela hora o que menos queria, era lembrar-se que Tomoyo existia. Sakura sorriu de forma zombeteira vendo a expressão do rosto do inglês.

'Soube que irá dar aulas para as meninas Akito.' Falou numa clara tentativa de mudar o rumo da conversa. Sakura percebeu isto.

'Sim. Darei aulas de etiqueta.'

'Tenho certeza que nenhuma dama é mais qualificada a fazer isso do que a senhora.'

'Senhor Hiraguizawa, faremos um trato, eu não lembro que o senhor é casado se o senhor parar de me elogiar o tempo todo.'

O nobre arregalou os olhos fitando a jovem. Ela era incrível. Parecia uma deusa grega e tinha uma personalidade incrivelmente atraente. O rapaz sorriu concordando com a cabeça.

Uma criada aproximou-se com uma bandeja com o refresco. O nobre casal serviu-se. Sakura mordeu de leve os lábios observando o rapaz a sua frente. 'Senhor Hiraguizawa, diga-me apenas uma coisa...'

'Tudo que quiser minha bela senhora.'

'Na festa o senhor me disse durante a dança...'

'A senhora dança magnificamente, senhora.' Interrompeu-a, irritando a jovem que tentou disfarçar.

'Continuando...' Ela fingiu que não ouviu. 'O senhor me disse que sua esposa era noiva de uma pessoa que enganou a todos vocês, não?'

O rapaz franziu a testa observando a jovem.

'Apenas fiquei curiosa. O senhor me parece uma pessoa muito esperta e perspicaz para ser enganado. Além disso, estimo muito sua esposa, gostaria de saber quem a enganou para evitar o contato com esta pessoa detestável.' Usou como desculpa, mal controlando sua curiosidade.

Eriol deixou o copo com refresco pela metade e jogou-se para trás soltando um longo suspiro. 'Senhora, não se preocupe. Esta pessoa que fez tanto mau a mim e minha esposa já está morto com a graça de Deus.'

'Morto?' Ela arregalou os olhos de leve.

'Ele pagou pelo seu crime. Morreu na prisão.'

Prisão? 'Acredite, senhorita, já vivi dez anos nas mãos da morte e ela não me levou. Não sou bem vindo no inferno ou no céu.' As palavras do marido ecoaram em sua mente. Será que era disso que ele estava falando? Ela sabia muito bem como eram as prisões e que quem lá entrava nunca mais saía.

'Prisão?' Repetiu com os olhos arregalados.

Eriol balançou a mão direita desviando os olhos dela. 'Não vamos falar daquele infeliz. Deve estar no inferno agora.'

'Em que prisão?'

O homem encarou-a com o cedro franzido. 'Por que o interesse, senhora?'

Ela levantou-se rapidamente tentando pensar numa desculpa. 'Simples interesse. Sou uma mulher curiosa senhor.' Voltou-se para ele sorrindo sedutoramente. 'Deveria saber disto.'

Eriol sorriu de lado levantando-se e parando a frente da jovem. Sakura engoliu a seco, mas teria que manter-se firme e não afastar-se dele, precisava saber de tudo sobre Li. Tinha que saber.

'Em que prisão, senhor?' Repetiu com a voz baixa, sabendo que isso despertaria a libido do inglês.

Eriol levantou a mão tocando de leve o braço da jovem e sentindo a textura macia de pele daquela mulher. O perfume que ela emanava, era delicioso, embriagante. Sakura arregalou os olhos vendo que ele aproximava-se mais, não sabia direito o que fazer. Estava numa posição comprometedora, mas a sua maldita curiosidade fazia com que continuasse naquele jogo perigoso.

'Syaoran foi levado...'

Sakura sentiu sua respiração parar quando o inglês falou o nome verdadeiro do marido, ao mesmo tempo em que o rosto dele aproximava-se do seu.

'... ele foi levado para...'

'Sakura.' A voz do pai fez a jovem empurrar o rapaz que estava pronto para beijá-la. Estava tão próxima para descobrir alguma coisa a mais de Syaoran, que arriscara-se demais. Olhou para a porta onde seu pai e marido se aproximavam. Rezou para todos os deuses para que não tivessem visto a cena.

Li tinha os olhos fixos nela, provavelmente estava lívida pelo susto. Olhou para o pai e abriu um sorriso caminhando até ele. Tinha que disfarçar. 'Que bom que chegaram. O senhor Hiraguizawa estava aguardando-os.'

O senhor deu um beijo na testa da jovem. 'Isso é ótimo. Estava querendo muito tratar com o senhor.' Ele falou com a voz séria e o olhar duro para o rapaz. Virou-se para o genro. 'Será que me permitiria usar seu escritório por alguns minutos, Yamato?'

Li finalmente desviou os olhos de Eriol e fitou o genro. 'Claro, meu sogro.'

'Gostaria que estivesse presente também. Sei que está cansado e...'

'Não se preocupe. Vamos.' Ele falou caminhando em direção ao escritório e abrindo a porta para que os dois nobres passassem.

Fujitaka olhou para a filha. 'Peço que não permita que sejamos interrompidos.'

'Como quiser, papai.' Ela falou observando os três entrando no cômodo e trancando a porta. Correu, colando o rosto na madeira para tentar ouvir alguma coisa, porém diferente das outras vezes, o tom deles era baixo. Não tinha como conseguir ouvir. Soltou um suspiro frustrado.

*~*~*

Sakura estava sentada na banqueta da penteadeira, enquanto Meilyn prendia seus longos fios de cabelo numa grossa trança, quando o quarto foi invadido por Li.

'Saia.' Ordenou para a empregada que olhou assustada para ele. 'Agora.'

Sakura assentiu com a cabeça e a criada caminhou até a porta que Li mantinha aberta apenas para que ela passasse. Assim que Meilyn cruzou, ele a fechou com força trancando-a e fitando a esposa.

'O que quer de mim?' Ela perguntou levantando-se e encarando o marido. Ele avançou até ela levantando a mão, pronto para agredi-la. Sakura gritou encolhendo-se e abaixando o rosto. A agressão não veio, no entanto sentiu quando ele a segurou pelos braços com força e a jogou na cama debruçando-se sobre ela enquanto tentava tirar sua camisola.

'Está louco?' Ela perguntou desesperada, debatendo-se, tentando afastá-lo.

Ele parou e a pegou novamente pelos braços, levantando-a para que ela o fitasse a milímetros do seu rosto. 'Louco? Eu? Você não passa de uma vadia! Pensa que eu sou um idiota? Pensa que eu não sei o que estava acontecendo entre você e Eriol, quando eu e seu pai não estávamos aqui?'

'Não aconteceu nada!' Ela gritou, tentando ainda fazê-lo soltá-la. O que ouviu foi uma risada sarcástica de Syaoran.

'Vadia.' Ofendeu-a novamente jogando-a de costas na cama, e voltando a tentar tirar-lhe a roupa. Sakura o empurrou com força conseguindo livrar-se dele, rolou na cama caindo no chão, mas rapidamente levantou-se. Correu até a porta, mas a encontrou trancada. Olhou para Li que já havia se recuperado do chute que ela lhe deu e olhava-a com fúria. Correu até a porta que separava seu quarto com do esposo, sabendo que ela estaria aberta. Entrou no quarto do marido, e olhou para os lados, com certeza encontraria uma arma ali, encontrou-a em cima do criado mudo, pena que era branca, esperava encontrar uma de fogo. Voltou-se para trás com o punhal à frente. Li parou vendo a esposa com a arma em punho.

'Não teria coragem de ferir seu próprio marido, não é?' Ele perguntou com a voz zombeteira.

'Tente.' Desafiou-o.

Li sorriu de lado caminhando pelo quarto. Tirou a camisa por completo e a jogou num canto.

'O que pretende fazer?' Ela perguntou arregalando os olhos vendo-o tirar as botas e as jogar pelo quarto.

'Não acho justo apenas Eriol aproveitar seus atributos. Eu é que sou seu marido.'

'Um marido falso! Está me ofendendo, pirata.' Falou entre os dentes com os olhos furiosos. Porém arregalou os olhos vendo-o tirar as calças. 'Está louco?'

Li levantou o rosto e sorriu de lado. 'Não quero perder tempo.'

A jovem de olhos verdes apertou mais forte o punhal que tinha nas mãos, virou o rosto rapidamente observando a porta do quarto. Syaoran reparou nisto, assim que ela correu decidida até a porta para finalmente fugir do quarto, correu também, parando a frente dela e fitando a esposa, que deu dois passos para trás sem saber agora o que fazer.

'Deixe-me!'

'Deixá-la? Nosso acordo dizia claramente para me respeitar como seu marido e o que você faz?'

'Eu não fiz nada!' Gritou novamente olhando para o quarto, começava a ficar tentada a pular a janela. Não! Havia lutado contra dois, Li não seria páreo para ela. Encarou-o destemida.

'Acha que sou idiota como seu pai que acredita que a pobre filhinha foi violentada por um pirata malfeitor?'

'Foi isso que quase aconteceu.' Replicou caminhando lentamente para trás mas tinha os olhos em Li, pensando na melhor estratégia para se defender.

Syaoran sorriu de forma maldosa. 'Se não estivesse naquele estado lastimável realmente seria interessante fazê-la minha. Mas isso nós concertaremos agora.' Começou a aproximar-se da jovem. 'Está mais bela e mais tentadora que naquele dia.'

'Afaste-se de mim!' Gritou avançando sobre ele para feri-lo, Li arregalou os olhos dando um passo para o lado e assim sendo atingido apenas de raspão, pegou o punho de Sakura que segurava a arma e o apertou de tal forma que fez com que a jovem gritasse, ao mesmo tempo que soltava a arma. Com raiva por ter sido machucado, Li a jogou com força na cama.

Sakura não se deu por vencida, quando o sentiu novamente sobre si, levantou o joelho atingindo as partes baixas do rapaz, que trincou os dentes de raiva e dor, mas não soltou-a. 'Faça isso novamente e eu juro que quebro o seu pescoço. Agora, fique quieta.'

Sakura levantou os braços tocando o peito de Li e o afastando-o até que pudesse ver a face do marido. Encararam-se em silêncio, Li parou de tentar tirar a camisola já rasgada da jovem.

Syaoran sentiu o peito fisgar ao ver duas lágrimas fugirem do canto dos olhos de esmeralda. O que estava acontecendo com ele? Por Deus, estava pronto para violentá-la como um bandidinho de nada. Aquele não era ele, era verdade que não possuía muito senso de honra como antes, mas nunca forçou uma mulher, era o caçula de uma família constituída apenas de mulheres, odiaria e mataria o homem que tentasse algo parecido com uma de suas irmãs. Estava tão envolvido por aquela mulher, que se sentia completamente enlouquecido de ciúmes ao vê-la com Eriol.

'Eu não tenho nada com Hiiraguizawa.' Sakura repetiu com a voz baixa sem desviar os olhos de Syaoran. 'Acredite em mim.'

'Como quer que eu acredite nisto? Ele estava quase a beijando.' Ele falou com ressentimento.

'Eu não permitiria.'

'Não se faça de sonsa... se eu e seu...'

'Acha que sinto algo por um nobre fresco e repugnante como Hiiraguizawa?'

Li sorriu de lado. 'Você é uma nobre...'

'Que deseja você como uma idiota.'

Syaoran arregalou os olhos sem deixar de fitar a esposa. Franziu a testa logo em seguida olhando-a incrédulo. 'Acha que consegue me manipular assim, senhora? Acha que eu acredito em suas palavras?'

'Nem mesmo eu acredito nelas... Como acha que me sinto, sabendo que me comporto como uma esposa idiota, que morre de ciúmes de sua antiga paixão?'

'Tomoyo...'

'Afaste-se dela.' Sakura ordenou com o rosto duro. 'Se quer que eu me afaste de Hiiraguizawa, exijo o mesmo de você.'

'Acha que está em condições de me exigir alguma coisa, senhora?'

'Estou. Estou exigindo o meu direito de esposa agora.'

'Tem certeza?' Perguntou com a voz rouca ao ouvido da jovem que mordeu o lábio inferior de prazer. Ela realmente tinha enlouquecido, sentia tanto prazer e tanta vontade de que ele a beijasse novamente, que parecia que todo o pudor que por anos, fora treinada a ter, havia desaparecido como névoa. Na ponta de seus dedos, sentia a pele quente de Li. Tinha certeza que ele tinha o mesmo desejo por ela, o pirata já tinha sido muito claro em relação a isto, quando lhe lançou a perigosa protosta há alguns dias. Levantou o rosto, fazendo os lábios quase se tocarem e entre eles, ela pode sentir o hálito gostoso do rapaz. Começou a sentir aquele maldito formigamento novamente em seu ventre. Ela o odiava, mas simplesmente sentia-se como uma abelha atraída pelo mel que ele possuía. Beijaram-se com paixão, desejo, loucura. Sakura o empurrou para o lado, ficando sentada nas coxas do rapaz e inclinou o corpo para poder beijar o contorno do rosto, sentir a aspereza da barba por fazer do marido, abaixou beijando seu pescoço, alcançando o nódulo da orelha onde ora beijava, ora mordiscava.

Li fechou os olhos apenas sentindo-se levado, não só pelo desejo que aquela mulher despertava nele, mas as emoções que invadiam seu corpo. Lembrava-se da sua primeira noite com uma mulher e sentia-se agora ansioso e nervoso na mesma proporção, como se fosse possível, ao sentir as carícias de Sakura. Ela só poderia ser um demônio que veio unicamente para enlouquecê-lo, fazê-lo esquecer de tudo que não fosse ela.

Sakura levantou o rosto e vendo-o abrir devagar os olhos. 'Te quero. ' sussurrou. Syaoran sentiu um arrepio percorrer toda a sua espinha. Não esperou mais, segurando a nuca de Sakura, a puxou com força, alcançando seus lábios e beijando-a desesperadamente. Rolou na cama, ficando agora por cima dela e retirou finalmente sua camisola, deixando-a completamente nua. Seus lábios desceram da boca para o queixo, pescoço, colo, alcançando finalmente os seios macios e pequenos. Suas mãos tocavam o corpo dela, sentindo a pele sedosa em suas mãos calejadas.

Sakura gemeu alto quando ele mordiscou seus seios, aumentando seu desejo. Suas mãos seguraram os cabelos grossos do esposo, puxando-os. Ela sorriu de puro prazer, ao sentir o corpo quente daquele homem sobre o seu tocando-a, explorando-a. Logo sentiu-o abrindo suas pernas para acomodar-se entre elas. Abriu os olhos e fitou o rosto de Syaoran. Ele tinha o rosto sério enquanto acomodava-se da melhor maneira, para finalmente possuí-la. Seus olhos estavam cravados nas duas belas esmeraldas. A jovem arregalou os olhos quando sentiu finalmente ele penetrando-a. Agarrou-se nos lençóis da cama, soltando de seus lábios um gemido de dor e prazer.

Syaoran sentiu-se satisfeito, com um orgulho quase animal por saber naquele momento que estava sendo o primeiro. O primeiro e o único, não dividiria aquela mulher com mais ninguém. Se Eriol voltasse a se aproximar dela, ele o mataria de uma vez.

Continua.

Notas da Autora:

Quero agradecer minha querida revisora Rô e a todos que enviaram e-mails e reviews sobre esta estória.

Beijos a todos

Kath