Capitulo 10: Sentimentos

No capitulo anterior...

Pansy está noiva.— Blaise respondeu.

— Do Rony. — Jack completou, engolindo em seco.

— Mas passou a noite com Harry. — Dan deixou escapar.

— Como é que é? — Os três louros gritaram de uma só vez.

Pansy sorriu amarelo, e rezou para que Harry sobrevivesse à fúria dos irmãos.

Dava pra notar que os ânimos não eram muito bons no recinto.

Draco batia na porta do apartamento de Harry, como um lunático.

Jack estava encostado perto da porta, jogando alguns olhares que denunciavam seu desagrado com a situação.

Blaise andava de um lado para o outro.

E Dan, estava apenas ao lado de Pan, segurando sua mão.

— Como você pode estar tão calmo, Dan? — Blaise disparou irritado.

— Já fiz minha parte. Sinto-me vingado. — Dan lembrou-se da briga que tivera quando encontrara Harry e Pansy no quarto.

— Não sou a favor da violência, Draco. — Jack murmurou, e Pansy suspirou aliviada por saber do bom-senso do irmão.

— Não se meta, então. — Draco olhou para cada um, com os olhos em chama. Ele, definitivamente, estava mais que irado.

— O primeiro soco é meu. — Blaise se pronunciou pela primeira vez.

Draco apenas concordou com a cabeça.

— Vocês acham que estão em que século? — Pansy se irritou. — Não sou mais nenhuma mocinha pra vocês ficarem defendendo uma "virtude" que nem ao menos existe mais.

Draco deu um soco na porta.

— Você definitivamente não é uma boa pessoa, para acalmar ânimos. — Dan sussurrou no ouvido da irmã.

Pan revirou os olhos.

— Pare de besteiras, eu não fui forçada a nada. — Ela meteu-se entre Draco e a porta, pegou com ambas as mãos o rosto do irmão.

Ninguém nunca soube explicar como e o porquê, mas sempre fora assim. Draco e Pansy se entendiam apenas com um olhar. Era certo, que vez ou outra, brigavam. E ainda mais certo, que se conheciam demais. Draco nunca faria algo que machucasse Pan. E vice-versa.

— Por você, Pan. — Draco sorriu timidamente.

A porta foi aberta por uma morena, vestida apenas em um lençol. Blaise entrou em disparada pelo apartamento.

— O temperamental é o Blaise, Pan. — Jack disse enquanto seguia o irmão mais novo.

— Eu sei. Mas se fossem dois, Harry não teria chances. —Ela sorriu, se achando esperta.

Mas por dentro se perguntava quem seria a "vadiazinha".

Todos os irmãos entraram pelo apartamento e se depararam com Harry, saindo do banho, coberto apenas por uma toalha.

Pansy analisou a morena, com um olhar altivo, de cima a baixo. Antes de seguir os irmãos. A morena, estranhamente, sorriu. Mas a Malfoy ignorou, sendo corroída por um sentimento recente: o ciúme.

Ao chegar perto das várias cabeças louras, pôde perceber que Harry, estava no meio de uma "rodinha". E em sua cabeça, só se passava:

Como ele pudera dormir com outra se a beijara no mesmo dia?

Ela abriu espaço, afastando Dan e Blaise, que cercavam Harry pela frente. Ajeitou o punho direito, com carinho. E foi certeiro o soco que ela dera no meio do nariz de Harry.

— Ai, ai, ai. — Minha mão, lágrimas brotavam dos olhos dela. Não sabia se era de dor, pelo soco, ou por raiva da situação.

— Essa é minha irmã. — Blaise sorriu orgulhoso, vendo o Potter limpar com a mão, o sangue que escorria. — Podemos continuar amigos, Harry. — Ele abraçou-o. —Estava preocupado, não sabia como iríamos lidar com as coisas depois que eu te espancasse. Mas, Pan já resolveu tudo. Você sempre será o cara que apanhou da minha "irmãzinha".

Pansy não ouvira nem a metade do que Blaise dissera, puxou, bruscamente, sua mão que Dan massageava. — Vamos embora. — Não esperou ninguém. Apenas foi. Esbarrando com a mesma morena que encontrara na porta.

Não deixou por menos e passou como um foguete por ela, esbarrando, propositalmente, seu ombro no dela.

— Ai. — A morena misteriosa gemeu, massageando o próprio ombro. Pansy sentiu-se vingada quando ouviu a " dor" da concorrente.

— Mione, você está bem? — Mesmo com o nariz, sangrando Harry foi em direção da tal morena.

Pansy que ouvira o tom preocupado dele. Bufou.

E saiu do apartamento quase derrubando a porta.


Gina era sistemática. Sua rotina diária consistia em tomar banho às seis e meia da manhã, após recolher o jornal e fazer café. Vestia-se, saía de casa as sete e quarenta e cinco e chegava ao escritório as sete e cinqüenta e cinco. Ligava o computador e iniciava o trabalho às oito horas em ponto. Sua vida era estruturada e previsível, de maneira exata, como desejava.

Naquela manhã, entretanto, ligou o chuveiro às seis. Não só se levantara mais cedo, como também tinha certeza de que haveria tempo suficiente para banhar-se e vestir-se antes de Draco acordar.

Apesar da insistência de Gina em revelar a verdade às tias, Draco aparecera na noite anterior, carregando uma mala, e instalou-se no quarto de hóspedes.

Virginia dormira pouco durante a noite.

A nova experiência iria alterar radicalmente seu cotidiano. Nunca havia morado com um homem. De certa forma, não morava realmente com Draco, repreendeu-se enquanto pegava o xampu.

Mas o boné de beisebol pendurado ao mancebo da entrada, a carteira de couro, as chaves do carro sobre o balcão da cozinha e o creme de barbear na pia do banheiro davam um toque inusitado a casa.

Despejou uma boa dose de xampu na mão e ensaboou os cabelos.

Durante a noite inteira, imaginou-o dormindo na cama de hóspedes. Somente uma parede os separava. Sentiu o coração disparar.

Draco Malfoy vivendo na casa de Virginia Weasley.

Sorriu.

O sorriso dissipou-se no instante em que inspirou um perfume diferente. Olhou o pote de xampu que pegara na prateleira do boxe e notou que não era o dela. Era dele.

Ele devia ter deixado o pote de plástico no banheiro quando desfez a mala. Gina se deu conta de que lavava os cabelos com o xampu dele. Parecia tão… pessoal. Íntimo, na verdade. Um arrepio percorreu-lhe a espinha. Inspirou a essência masculina e, rapidamente, enxaguou os cabelos.

Sentiu a espuma deslizar sobre as costas, coxas e pernas. Os seios tornaram-se túrgidos. Recordou com prazer a sensação de estar deitada sobre Draco quando acordara no sofá, e o beijo que recebera no escritório lhe pareceu ardente e sensual. Pensara naquele beijo a noite toda, o corpo viril pressionando o dela e o sabor dos lábios.

Tinha namorado algumas vezes. Logo, não era de todo inexperiente em relação aos homens. Em Nova York, sob a insistência das tias, saíra com vários rapazes, porém sem compromisso. Achava os beijos prazerosos, no entanto sua reação na época nem chegava aos pés do envolvimento emocional causado por Draco.

O experimento tinha sido devastador. Apesar de as emoções serem reais a Gina, para Draco nada significavam. Morar com ele, acordar seminua no sofá e ceder ao beijo não passara de uma representação, uma maneira despretensiosa de fazê-la relaxar, como ele próprio afirmara.

Ele demonstrava interesse em dar continuidade à farsa, mesmo assim, Gina não podia imaginar, nem por um segundo, que significava algo para ele. Afinal, estavam fingindo aquele compromisso.

O que dissera ele a Tom Riddle?

Virginia não vai a lugar algum. É valiosa demais para a construtora.

Se para mantê-la no cargo fosse necessário beijá-la de vez em quando, Draco Malfoy o faria.

A ruiva desligou o chuveiro, secou-se com a toalha, vestiu o roupão felpudo e penteou os cabelos. Ao abrir o armário para pegar o hidratante, hesitou quando divisou o creme de barbear sobre a pia. Fitou a porta fechada e depois, o creme. Não pôde resistir. Tinha de sentir o perfume. Tirou a tampa e inspirou. Embora a fragrância fosse distinta à do xampu, o aroma era cítrico também. Respirou fundo e, incapaz de conter a curiosidade, pôs um pouco de creme nos dedos. Diante do espelho, espalhou o creme sobre as faces, maravilhada com o frescor que sentiu na pele.

— Gina? Você já terminou?

Assustada, ela derrubou o vidro de creme na pia.

— Tudo bem?

— Só mais um minuto — ela pediu.

Pegou o creme, tampou-o e recolocou sobre a pia.

Com o coração em disparada, agarrou a toalha e limpou o rosto. Respirou fundo três vezes, amarrou o roupão e abriu a porta.

Draco encontrava-se apoiado no batente da porta, sem camisa. Ficou sem ar ao divisar o torso musculoso. Os cabelos estavam despenteados, e a barba começava a crescer. Era a imagem viva do homem com o qual todas as mulheres sonhavam. Ela sentiu os joelhos enfraquecerem.

— Você está bem? A voz grave e profunda pareceu acariciá-la.

— Estou. Não esperava vê-lo acordado tão cedo.

Draco bocejou.

— Nem eu.

Àquela hora da manhã, à porta do banheiro, qualquer pessoa acreditaria que formavam um casal. Porém, não eram um casal. Somente amigos, e uma estreita amizade poderia atrapalhar a relação que se desenvolvia entre eles, caso continuassem a trabalhar juntos.

Draco Malfoy só podia ser seu patrão. O empregador. Nada mais.

— Já terminei meu banho — ela o informou. — Fique à vontade.

Ela deu um passo à frente, esperando que ele recuasse. Draco não o fez. Permaneceu imóvel.

— Por que não deixa seus cabelos assim? — ele perguntou.

Espantada com a pergunta, ela tocou a ponta dos cabelos.

— Molhados?

— Não, embora eu goste do visual. Quero dizer, soltos. São cabelos muito bonitos.

— Obrigada.

Ela engoliu em seco quando Draco tocou-lhe a face. Traçou a curva do queixo e franziu a testa.

Draco recuou para ela passar.

— Posso me servir de café? — perguntou quando ela precipitou-se pelo corredor.

— Sirva-se à vontade — ela retrucou ao chegar a seu quarto.

Fechou a porta e jogou-se sobre a cama.

Duas semanas. Após quatorze dias, suas tias iriam embora, e ela e Draco poriam um fim naquele tormento.

Mas duvidava de que conseguisse sobreviver por tanto tempo.

Tocou o queixo, a pele ainda estava quente.

Duas semanas pareciam uma eternidade...


— Terminei a análise do projeto, enviei o primeiro relatório a Walker e fiz três cópias dos certificados de segurança para o sr. Riddle. Também mandei um fax a Dan. Creio que deva verificar a atualização referente ao pedido do sr. Riddle. Não é tão substancial quanto à última, mas você precisa estar a par das modificações…

Draco encontrava-se sentado à mesa e olhava os papéis que Virginia pusera a sua frente. Não conseguia prestar atenção ao detalhado relato.

Vestida com as roupas usuais, os cabelos presos na nuca e os óculos na ponta do nariz, ela estava em pé diante da escrivaninha. Depois de uma semana morando e trabalhando com ela, Draco imaginara a princípio que conviver ao lado de uma mulher apenas o enlouqueceria.

Enganara-se.

Mas, não deveria colocá-la sob tais perspectivas, Draco censurou-se. Talvez a parte de "partilhar a mesma cama" estivesse em sua mente, porém, não passaria de um pensamento imaginário.

Ela era sua secretária e assim deveria continuar.

Fingir que estavam noivos e dormir na casa dela não eram atitudes convencionais, no entanto, o desespero às vezes requeria medidas extraordinárias. Se, para ela permanecer na Construtora Malfoy, precisasse dormir no quarto de hóspedes e compartilhar o mesmo banheiro, Draco cumpriria a promessa até o fim, pelo bem da empresa! Tratava-se de pequenas e interessantes concessões, apenas.

Na primeira manhã, quando a vira sair do banheiro naquele roupão felpudo, com os cabelos soltos e a pele rosada, a ruiva surgira como uma visão interessante.

Draco ficara realmente tentado a provar de novo aqueles lábios.

Porém, após o beijo "experimental" no escritório, não queria arriscar. Se ultrapassasse os limites, a perderia, e isso não poderia acontecer. Ela era mais importante que seus impulsos libidinosos.

Tinha de parar de analisá-la como mulher, precisava estar sempre ciente disso para o bom andamento dos negócios. Durante o período de trabalho, tomou a precaução de manter-se longe dela, permanecia mais tempo que o necessário nas construções.

Mas à noite tinha de voltar a casa dela. Para manter as aparências, óbvio, já que as tias a visitavam com frequência. Ele não queria levantar suspeitas baseadas em suas longas ausências, e, temendo cair em contradição por causa de algum comentário, ele evitava contato e conversas mais íntimas com as tias.

Quando Muriel e Ariel não estavam por perto, tinha a nítida impressão de que Gina também o evitava.

Espantou os devaneios e tentou concentrar-se na voz suave e melodiosa de sua suposta noiva.

—… um ajuste arquitetônico na fachada da entrada principal — ela explicava. — Em vez de colunas, ele decidiu que arcos e curvas despertam mais interesse…

Sem dúvida, curvas eram mais interessantes, Draco concordou e fitou-a.

Estaria ela usando aquele sutiã sexy que ele vira na primeira noite?

Se quiser, posso encomendar em cores diferentes para você escolher — ela disse.

— O quê? — A tinta impermeável que o Sr. Riddle pediu. — Ela encarou-o através das grossas lentes. — Para a fonte do jardim. Draco precisava manter a mente no trabalho e esquecer as roupas íntimas da ruiva.

— Certo. Encomende outras cores. As que você preferir.

— As que eu preferir?

— Isso mesmo. Você resolve.

— Está bem. Mandarei entregá-las ao Sr. Riddle antes de ele inspecionar a obra, na próxima semana.

— Perfeito… — Draco fez uma pausa. — Inspecionar a obra?

— Você vai buscar o Sr. Riddle e seu filho, no aeroporto terça-feira às duas da tarde. Em seguida os conduzirá à obra para uma inspeção. Ficarão hospedados no Colonial West Inn. E reservei uma mesa para às seis horas da tarde no restaurante Sanderson's.

Intrigada, Gina aproximou-se dele e verificou a agenda sobre a mesa.

— Não anotei os compromissos? Na última semana estivera tão entretido com Gina e as tias que se esquecera da visita de Tom. Riddle cancelava e remarcava suas visitas com a mesma regularidade que mudava estruturas de projetos, e a obra em questão já estava com dois meses de atraso.

Draco não conhecia o filho de Tom, que tinha o mesmo nome que o pai, mas supunha ser tão maçante quanto o pai. Não tinha a menor disposição de passar uma tarde e uma noite com os dois homens.

No entanto, Tom Riddle era um dos mais ricos empreendedores da Europa e era o maior cliente da Construtora Malfoy. Se o homem queria jantar, sua vontade seria atendida.

— Veja. — Gina inclinou-se e indicou a agenda. — Duas horas: aeroporto. Tom Riddle e o filho. Jantar as seis.

Quando o aroma de flores silvestres o envolveu, sentiu-se entorpecido e imaginou se ela usava aquela fragrância pelo corpo. Se Gina fosse outra mulher, Draco descobriria no ato.

Arrancaria aquele casaco, desabotoaria a blusa de seda, a deitaria sobre a mesa e então… Conteve-se antes que a fantasia se prolongasse.

Mais uma vez lembrou-se de que ela não era uma mulher qualquer.

Era Virginia.


N/as: ai meninas, ficamos tão felizes com os reviews de vcs! Que não poderiamos deixar de soltar logo um novo cap!

Queremos agradecer a: Schaala ( esse também é um cap pequeno, mas os dois próximos serão maiores e cheios de emoção) HinaLyka ( kkkk! é esse o espírito da fic, a inversão de papéis... E eu sempre quis usar o termo em uma fic: "possui-la sobre a escrivaninha". Queremos também usar: jogou-a na parede e a chamou de lagartixa!", mas acho que ainda não encontrei um bom contexto, kkk! Somos meio louquinhas! Valeu mesmo pelo review), Kandra ( muito obrigada pelo seu entusiasmo ao ler! O cap nem demorou) Bah Malfoy Black ( que satisfação saber que você está gostando da nossa fic! A Pansy mesmo que cuidou do Harry, YO! Quem ele pensa que é pra já tá com outra? kkk Espero que tenha gostado desse também)

Brigada a todas

E please, continuem comentando!

Bjos