Capítulo 10 – O Baile do Slug - Parte II
"Certo, ela deve chegar daqui a pouco", pensou Draco, olhando para o relógio.
Mal completou seu pensamento, ouviu passos às suas costas e, ao virar-se, teve que se segurar para não soltar uma exclamação de surpresa.
Ali estava ela.
Com um vestido preto que realçava seu corpo, os cabelos presos em um coque maravilhoso e ela estava simplesmente...
"Ela não está nada!", uma voz berrou dentro da cabeça de Draco "Ela está parecendo uma coelha com maquiagem, só isso!"
"Er... Aqui estou!", fez ela, sem graça, e corando um pouquinho.
"Eu percebi, Weasley", disse ele, depois de pigarrear para ter controle sobre sua voz novamente.
Gina cruzou os braços e fechou a cara.
"Vamos logo, Malfoy", e seguiram em silêncio em direção à Torre da Sonserina, onde ocorreria a festa.
"Fala alguma coisa!", berrou uma voz na cabeça dela "Esse clima é irritante!"
"Você...", começou Draco, mas logo se reteve, percebendo que não sabia o que dizer "Você está bonita", falou ele, e quase sentiu-se corar, mas olhou para o outro lado, controlando-se.
Gina corou furiosamente, com a bochecha pinicando e ficando quase da cor dos cabelos.
"Bem... obrigada", falou ela "Você também não está nada mal..."
"É...", fez ele, pigarreou de novo "E... obrigado... é... obrigado por... ahn... você sabe...", fez ele, dando de ombros "...vir comigo e tudo..."
Aquilo estava tão estranho!
Gina ficou em silêncio.
"Então... você sabe dizer 'obrigado'?", perguntou, finalmente, quando já era possível ver as escadas que davam para a Torre.
Draco fitou-a, e irritou-se.
"Diferente da sua família, Weasley, a minha tem classe", falou ele, com calma.
Gina arregalou os olhos perante a resposta do garoto e irritou-se também.
Quase achara que ele estava tentando ser legal, no entanto, ele mostrara que fora só uma fachada.
"Idiota!", pensou, irritada.
"Minha família é muito mais educada do que a sua!", retrucou ela, irritada "Seu... idiota!"
Draco revirou os olhos.
"Não tem problema, Gininha... Eu tenho certeza que seus pais tentaram educar vocês, mas acho que depois do vigésimo filho eles simplesmente desistiram!"
"Nós somos em sete e você sabe disso!", retrucou ela, irritada.
"Dava até para fazer um time inteiro de Quadriboll com a sua família, Weasley", rebateu ele, enquanto subia as escadas.
"E daria para encher Azkaban inteira com os loucos homicidas da sua família, Draco Malfoy!", irritou-se ela, puxando-o pelo ante-braço para que ele parasse de subir as escadas e a fitasse.
Os dois olhos se encontraram e, instantaneamente, ambos recordaram-se da cena que ocorrera embaixo da mesa da biblioteca. Gina soltou-o rapidamente, quase como se ele fosse feito de água de esgoto.
"O que não deve ser muito longe da realidade", pensou ela, irritada.
"Malfoy...", começou ela, mas sua voz foi ligeiramente interrompida pela onda de raiva que ela estava sentindo "Malfoy, você é um estúpido!", diz ela, por fim.
Ele arregalou os olhos ao ver que ela estava girando sobre os calcanhares.
"Ela vai embora!", pensou, alarmado.
"Gina, espere", falou ele, no que julgou ser sua voz mais arrependida "Eu sinto muito..."
Gina hesitou, e voltou-se para ele.
Aliviado, ele acrescentou.
"Será que podemos ir para a festa agora?"
Ela fechou a cara.
"Qual é a importância dessa porcaria de festa, hein?", perguntou ela, estressada.
"Não tem importância...", mentiu ele, sem olhar para o rosto dele.
A ruiva hesitou, e depois deu de ombros.
"Vamos, vai... Quanto mais cedo chegarmos, mais cedo podemos ir embora", disse ela, finalmente, subindo as escadas rapidamente e passando por ele sem lançar-lhe um único olhar.
Draco soltou o ar, aliviado.
"Pronto, Slughorn! Espero que esteja satisfeito, agora!", pensou, apressando-se para alcançar a ruiva.
XxXxX
Harry Potter estava desesperado. Sabia que aquilo nunca poderia acontecer. Aquilo não poderia voltar a dominar.
Ele não poderia e não queria amar.
Mas não queria amar uma única pessoa. Não queria amar Gina Weasley, não poderia nunca. Eles não poderiam ficar juntos. Não poderia levá-la para morte. Nunca.
Sorriu tristemente. Afinal, a quem ele queria enganar? Ele continuaria mentindo para si mesmo? Ele continuaria a olhando apenas como amiga?
Harry sabia que não. Sabia que não a olhava como se estivesse no primeiro ano. Não ficaria envergonhado se, no Dia dos Namorados, ela fizesse um cartão meloso para ele.
Deitou-se novamente.Deveria ir ao encontro de Gina? Deveria falar para ela esquecer o maldito professor e que, a partir de agora, ele a ensinaria? Deveria ir ao maldito baile que tanto detestava?
Sim, ele deveria.
Estaria novamente em busca da sua felicidade.
XxXxX
"Vamos cumprimentar o professor Slughorn!", apressou-se Draco, querendo se livrar do Baile o mais cedo possível.
"Mas... Por quê?", estranhou a garota.
"Ora... por... por...", Draco passou a mão nos cabelos, como se isso fosse ajudá-lo à criar uma desculpa "Por educação, claro! Ele é o anfitrião, não é? Depois, você me diz que os Weasleys tem classe... isso, Weasley, chama-se 'príncipio básico da educação'! Talvez você não precise só de ajuda com poções, não é?", perguntou ele, erguendo uma das sobrancelhas.
"Bom, já que eu não tenho princípios básicos de educação, talvez seja melhor você ir falar com ele sozinho!", resmungou a ruiva, dando de ombros e se afastando do loiro.
"Onde você vai?", perguntou ele, olhando em volta, mas, para sua sorte, ninguém parecia prestar muita atenção neles.
"Pegar um ponche, oras. Aliás, de que te importa? Me deixa em paz!", resmungou ela, livrando-se dele e caminhando para o meio da multidão.
Draco revirou os olhos e caminhou em direção ao professor que ao vê-lo, sorriu largo.
"Malfoy! Que surpresa!"
Draco deu um sorriso falso.
"É, né?", queria completar a frase com um palavrão, mas este ele conseguiu manter em seu pensamento.
"Onde está a adorável senhorita?"
"Quem?", perguntou Draco e, ao perceber o olhar do professor, deu de ombros "Ah, tá... Você deve estar se referindo à Weasley", resmungou o loiro.
"Sim, estou", respondeu o professor com outro sorriso "Ela tem melhorado em poções!"
"Claro que tem, eu a tenho ensinado...", gabou-se o rapaz.
"Certamente, senhor Malfoy. É realmente notável como ela melhorou. Devo parabenizá-lo, claro que ainda faltam três meses de aula, mas..."
"Certo, certo...", fez Draco, gesticulando que não era preciso mais falatório "Agora, se me dá licença, eu vou falar com... com a adorável senhorita!", deu as costas ao professor e saiu empurrando pessoas atrás de um chumaço ruivo.
Então, ele a encontra.
Rindo.
Conversando com ninguém menos do que... Harry Potter?
"Que porcaria é essa?", perguntou-se, em pensamentos.
XxXxX
Ela ria, mas o seu desespero aumentava a cada segundo.
O que ela faria se Harry soubesse que viera com... Draco Malfoy?
Tudo bem, que Gina sempre ansiara por ver um encontro desse tipo. Queria ver a cara de decepção de Harry ao ver que ela estava com um garoto muito, mas muito mais bonito que ele.
"Não que Malfoy seja mais bonito que Harry! Por Merlin."-pensou Gina.
Ela procurou o loiro, tentou fazer de uma maneira bem discreta, mas mesmo assim, Harry percebeu.
"Quem está procurando?"
"Ninguém, ninguém"-disse a ruiva, mas Harry desconfiou e disse:
"Seria o seu professor de Poções?"
Gina tossiu. Uma, duas, três vezes. Afinal, qual seria a sua resposta?
"Lógico que não!"-olhou para os lados, não lembrava de ninguém conhecido.Os nomes fugiam da sua cabeça.
"Ótimo."-disse Harry. Ele segurou a mão da garota e a levou para um canto mais reservado.
"Harry... o que você está fazendo!"-perguntou Gina, ela pode ver, pelo canto do olho que Draco Malfoy a achara. E que ele não parecia muito feliz.
"E por que ele estaria infeliz? Será que ele sente algo por mim?Seria isso?"
"O que eu devia ter feito a muito tempo."-disse, o garoto. Uma das mãos de Harry tocou o seu rosto,a outra enlaçou Gina pela cintura. Harry se aproximou,os narizes se tocaram, a ruiva por instinto fechou os olhos.Os lábios de Harry, nesse exato momento, estavam tocando os de Gina, mas o beijo de Harry não era...
"Oh, Merlin. Eu... eu não quero mais. Eu não gosto..."-os pensamentos estavam cada vez mais confusos e quando Gina abriu os olhos...
Viu Draco Malfoy a olhando. Com raiva.
Ele deu meia volta e se perdeu no meio da multidão e Gina, confusa, voltou-se para Harry:
"Sinto muito, Harry, mas... eu tenho que ir", disse, afastando-se do moreno.
"Gina", falou ele, puxando-a para si novamente, e fazendo-a se perder naqueles maravilhosos olhos verdes.
No entanto, não mais sentia borboletas em seu estômago e sentia como se algo não estivesse se encaixando direito.
"Harry, por favor", Gina só percebeu que falara ao ouvir sua voz pronunciando aquelas palavras "Depois nós conversamos, está bem?"
Harry hesitou e Gina livrou-se, caminhando rapidamente no meio da multidão, procurando por Draco Malfoy.
Ele estava muito enganado se achava que podia obrigá-la a vir para aquela porcaria de Baile para abandoná-la, assim, do nada.
Dane-se o que ele pensava.
Teria que ficar com ela até o fim.
Ou, pelo menos, por uns vinte minutos.
Ou...
Ou...
"Cadê aquele idiota?", perguntou-se Gina, em pensamentos.
Foi quando viu um vislumbre de uma cabeleira loira. Ela ergueu os olhos e viu que ele estava abrindo a porta e indo embora.
Apertou o passo e saiu atrás dele, encontrou-o no meio do corredor.
"Malfoy!", berrou, irritada.
Ele virou-se para ela, os olhos sombrios.
"O que é, Weasley?"
"'O que é'? Você ia me largar lá sozinha! Você praticamente me obrigou à vir e ia me largar lá, sozinha, contando as moscas, é isso?", irritou-se ela, empurrando-o com força contra uma porta de modo que ele não tivesse escapatória, iria ouvi-la.
"Você não estava exatamente sozinha, quando a deixei", resmungou ele "Não que eu me importe", acrescentou rapidamente.
"E não é o que você está pensando. O Harry me beijou!", tentou justificar-se Gina, depois, balançou a cabeça, irritada. Por que estava se justificando? "Não que seja da sua conta! E o ponto não é esse! Eu vim aqui com você! Quero dizer, não como um casal... Ah, que merda, Malfoy! Você entendeu! Você não pode me largar assim, estás bem?", irritou-se ela, soltando-o e cruzando os braços.
"Está irritada, Weasley?', divertiu-se Malfoy.
"Estou possessa, seu filho da mãe! Eu fiquei horas me arrum...", quase berrou, depois corou furiosamente, interrompendo-se.
Havia quase dito que tinha se arrumado para ele?
Havia realmente demonstrado que ele ir embora e a deixar lá sozinha a chateava?
"Quer saber, Malfoy? Vá embora! Vá e nunca mais cruze a minha frente, OK? Eu estou cansada dessas suas loucuras sem sentido! Do nada, você quis a porcaria do Baile, depois, desiste e vai embora sem nem mesmo me avisar, eu poderia estar lá até agora te procurando, sabia?", irritou-se a ruiva "Bom, se me dá licença, vou lá ficar com o Harry, já que, pelo menos, ele me respeita" e estava se afastando, quando Malfoy puxou-a de vota.
Gina sentiu as costas batendo com suavidade contra a porta, onde ante Malfoy estava se apoiando e sentiu o cheiro de perfume que a pele dele emanava.
"NÃÃÃÃO!", uma voz no subconsciente de Gina berrou, mas ela mal conseguiu se mover.
Por que, diabos, ele estava fazendo aquilo?
Mas ele era tão... tão... os olhos dele estavam brilhando tanto que...
Diabos!
Como era possível uma coisa dessas?
Há cinco minutos atrás, ela queria que ele morresse, e agora, ele estava pressionando-a contra uma porta e ela estava sentindo como se milhões de borboletas estivessem voando em seu estômago.
"Malfoy, o que diab...?"
No entanto, ao invés de dignar-se à responder, o sonserino aproximou-se ainda mais, os narizes roçando, uma das mãos na cintura da Gina, fazendo com que ela engolisse em seco.
Não era alucinação.
Era ele mesmo!
Agora, o loiro estava inclinando levemente a cabeça, perante uma ruiva perplexa que, por instinto, Gina fechou os olhos e deixou que seus lábios roçassem com leveza, mas então, seus ouvidos captaram algo:
"EU VOU MATAR AQUELA RUIVA!"
O coração de Gina deu um salto e, para seu horror, Malfoy abriu os olhos e afastou um pouco o rosto e, pela sua expressão, também devia ter ouvido o berro.
"RONY! ME ESPERA! EU TAMBÉM QUERO PARTICIPAR DO ASSASSINATO!", era a voz de Hermione.
Gina arregalou os olhos.
Sua mão, trêmula, encontrou a maçaneta. Girou-a e, para seu alívio, a porta estava destrancada.
"Vai ter que servir!", pensou a ruiva, em pânico.
"Malfoy, por aqui!", disse ela, puxando-o pela gola da blusa para dentro do aposento.
Fechou a porta com força às suas costas.
"O que foi aquilo?", perguntou ele, e Gina arrepiou-se ao perceber que eles estavam terrivelmente perto um do outro.
"Sai de perto de mim, Malfoy!", esbravejou ela, agora que sua sanidade voltara à sua mente.
"Não dá!", irritou-se ele "Esse lugar é minúsculo!"
"Impossível!", indignou-se a ruiva "Onde nós estamos?"
A respiração de Draco deu uma falhada, indignada, e depois, ela pode sentir a irritação dele.
"Virgínia, nós estamos no armário de vassouras!", irritou-se ele.
Por que ele estava bravo?
Como, possivelmente, ela saberia onde eram as coisas, se aquela era a Torre dele?
Resolvendo por dar uma espiada no corredor, Gina colocou a mão na maçaneta e tentou girá-la.
Travada.
"Er... Malfoy?", disse, relutante.
"Hum", fez ele, e Gin percebeu novamente que ele estava próximo.
"Acho...", limpou a garganta "Acho que estamos trancados"
Continua...
N/A: Aqui é a Gii!
Mew, esse foi um dos melhores capítulos para se escrever!
Que cena mais fofa, hein?
E que grande que ficou o cap! 6 PÁGINAS!
Desculpem a demora, mas eu e a Anaa nos desencontramos muito, mas o capítulo valeu a pena, não valeu?
Muito bom, fala sério! XD
Gente, por favor, reviews, OK?
Amamos vocês!
Gii
