Carência & Frustração
Autora: Yuki no Hana
CapítuloIX: Discussões
Sakura sentia-se pesada e dolorida enquanto se remexia naquela cama. Tivera sonhos estranhos e difíceis de entender. Sua cabeça estava latejando e ela ainda não tinha coragem de abrir os olhos. Espreguiçou-se lentamente sentindo o lençol macio tocar sua pele nua.
Nua? Sakura abriu os olhos de uma vez e olhando de um lado para o outro percebeu-se num quarto diferente do seu. Na verdade ela também conhecia muito bem aquele quarto. Aquele era o quarto que dividira com Sasuke quando foram casados, e estava na cama... Fechou os olhos mais uma vez para clarear as idéias e então flashs da noite passada voltaram, estava tão confusa, com um misto de sentimentos diferentes a tomando, estava frágil e bebeu alem da conta...
Lembrou-se de ter beijado Sasuke... e... de ter ido pra cama com ele. Não que isso fosse algo impensável, mas ainda estava com raiva, e havia dormido com Itachi... Pôs a mão nas têmporas tentando amenizar as pontadas que latejavam sua mente fazendo ela se sentir pior do que já estava por ter dormido com Sasuke.
Lentamente se ergueu pelos cotovelos e agarrou o lençol cobrindo sua nudez. Pretendia sair sem ter que cruzar com ele, mas infelizmente foi impossível.
- Sakura. – a voz grossa e fria soou de um canto afastado, fazendo-a sentir um calafrio por sua espinha.
- Sasuke! - girou para ele quase pulando da cama. A rosa ficou fitando-o com os olhos arregalados por um tempo, O lençol cobrindo sua nudez, e de repente a noção do que compartilharam e o constrangimento a tomou. – Eu... vou me arrumar, saio em um minuto! – começou a recolher suas roupas do chão.
- Sakura... Há quanto tempo você fode com o Itachi. – o moreno deu um ultimo trago no seu cigarro e o jogou pela janela, levantou e foi até ela.
Ele estava ameaçadoramente frio e Sakura se encolheu em choque e medo. O que? Como ele sabia sobre ela e Itachi? Sakura deu um passo para trás.
- Do que... do que você está falando. – ela tentou desconversar, os olhos vagando discretamente pelo quarto, a porta do banheiro estava aberta, poderia ser uma boa rota de fuga.
- De que você esfregou na minha cara que me traía com meu irmão, vadia! – ele agarrou seus braços, as vírgulas girando no vermelho intenso dos olhos dele, fitando com sua raiva.
A mente de Sakura ficou pesada e confusa, imagens desconexa e embaralhadas, memórias íntimas suas com Itachi, seus risos, seus treinamentos, sua intimidade...
- SAIA DA MINHA MENTE! – gritou histérica empurrando-o com toda força que conseguiu. Em seu desespero, não percebeu que seu chakra concentrado estava ativado. Apenas se deu conta quando sua mente ficou lúcida novamente e Sasuke havia aberto um buraco de um cômodo ao outro.
Não ficou pra pensar muito, vestiu o que encontrou e sumiu dali. Precisava ficar sozinha e espairecer.
Não teve muito tempo de pensar, relaxar ou curtir um dia de ressaca. Apenas, ao chegar em casa, tomou um banho frio demorado, vestiu-se e foi para o hospital, com certeza um dia de trabalho ajudá-la-ia a não pensar no desastre ocorrido.
O dia no hospital estava sendo agitado, Sakura não se limitou a apenas ficar em sua sala como a chefia e pegar os casos mais importantes, decidiu ir junto da emergência e colocar ordem ali, seu humor e mente estavam alterados e ela precisava de algo para se focar.
- Porquinha... hoje você acordou com o humor "Amo meu trabalho". – Ino se aproximou da rosada e provocou-a. – Seu final de noite foi tão ruim assim?
- Você nem imagina... – Sakura suspirou – Vamos pra minha sala.
Ino se surpreendeu de realmente ter chegado ao ponto da questão, mas seguiu-a pacientemente até que entrassem em sua sala e a loira fechasse a porta atrás de si. Sakura começou a relatar superficialmente o que se lembrava e como Sasuke a acusou, com palavras cruéis e furiosas, dela estar traindo-o com Itachi.
- Mas o Sasuke é um cínico mesmo! – Ino estava chocada. – Acusar você de está-lo traindo quando ele não era nenhum santo! Se eu pudesse eu daria uns belos tapas nele! – chegava a ser cômico pra Sakura ver sua amiga mais indignada do que ela. – Mas Sakura... Você ama o Itachi? – ela a fitou complacente.
- Eu não sei... – Sakura confessou angustiada. – É diferente o que sinto por Itachi do que sentia pelo Sasuke. Não sei se é apenas uma grande admiração, com amizade, cumplicidade e uma boa química, ou se é o amor verdadeiro.
- Então... Você ainda ama o Sasuke. – Ino questionou mais confusa ainda.
- Não! Amor definitivamente não é o que eu sinto pelo Sasuke hoje em dia. – disso a rosada não tinha dúvidas. – Estou me sentindo suja, péssima, por ter me deixado dormir com o Sasuke ontem depois de ter terminado com o Itachi. Definitivamente o que eu sinto pelo Sasuke é algo completamente diferente de amor... e também não é raiva nem ódio, é algo mais com pena... – a rosada suspirou cansada.
- Esse mundo é tão complicado... E você é mais complicada ainda testuda! – a loira abraçou a amiga. – Seja la qual for a sua escolha, saiba que suas amigas te apoiarão.
As duas estavam relaxadas em seu momento quando ouviram uma comoção no corredor e saíram correndo da sala para ver o que era.
- Mas o que aconteceu aqui? – Ino questionou para uma enfermeira que trazia uma maca com um Izumo agonizando.
- Uchiha Sasuke acaba de fugir de Konoha! – a jovem apenas resumiu o acontecido e Ino e Sakura se entreolharam entendendo o que acontecera. Sasuke iria atrás de Itachi!
- Ino... Acalme a Hokage o máximo que conseguir. – elas começaram a correr já tomando seus postos. – Eu vou atrás de Sasuke. – Ino foi para um canto, e Sakura foi atrás de seu ex-marido enlouquecido.
Sakura seguia a trilha do chakra de Sasuke e cada vez ficava mais nervosa ao ver aonde ele ia, era como se ele quisesse ser seguido por ela, ele não escondia seu chakra, e o pior, ela sentia um arrepio na nuca, como se estivesse sendo observada.
Um corvo. Itachi. Sim, ele sabia que ela estava ali, será que ele deixara que Sasuke soubesse que ele estava por ali também? Tomara que só quisesse mostrar sua presença a ela, se Sasuke soubesse de sua presença ali as coisas seriam piores do que já estavam ou poderiam ficar.
Ele ia para sua cabana. Não! Ela não podia deixar ele acabar com o lugar onde ela havia sido tão feliz.
- Sasuke! – gritou já fazendo bushins e explodindo o chão em todas as direções para retardá-lo. – Pare e vamos conversar feito dois adultos!
- Sakura. Saia da minha frente. – o moreno estava em sua postura fria e mortal. – Volte para konoha.
- Não sem você! – ela não se deixou intimidar. – Não posso deixar você fazer isso, você irá morrer, está com três costelas quebradas, e suas omoplatas tão trincadas. – ela era uma médica e sabia dizer em cada expressão de dor, ou movimentos aonde ele estava ferido. – Seria suicídio.
- Como se você se importasse com meu bem estar Sakura. – ele cuspiu. – Você quer mais que eu morra para ficar com o seu amante! – ele tomou uma postura de luta também. – Agora saia da minha frente, não quero ter que matar você também.
- Tente então. – Sakura estreitou os olhos não saindo da frente. – Porque eu não vou deixar você passar daqui. Não vou ver os dois se matando apenas por um motivo tão pequeno, se quer ir por causa da sua ridícula vingança, então vá, até o curarei, mas então não precisa voltar a konoha. Agora, se o motivo for porque eu consegui me reerguer depois de levar tantas rasteiras de você eu não vou permitir você passar.
- Você o ama tanto assim Sakura? – ele parecia ressentido. – Morreria por ele?
- Não se trata de amar ou não. – agora ela ficava nervosa com o rumo da conversa. – Se trata de sangue derramado por um motivo tão pequeno. Agora vamos pra casa e vamos conversar. Por favor Sasuke, esse assunto é só nosso. – ela tentava usar da racionalidade.
Num piscar Sasuke estava na frente dela, ficaram se encarando, Sasuke com seus vermelhos imponentes e penetrantes e ela com seus verdes ansiosos e nervosos. Sem ela esperar ele segurou seu rosto e a beijou forte e apaixonadamente. A principio Sakura não teve reação tamanho seu susto, mas logo o segurou e se afastou.
- Pare! O que pensa que está fazendo? – Ela se afastou uma distancia segura se pondo em alerta. – Estamos separados! Você não pode sair me beijando quando quer!
- Ah você não reclamou ontem a noite quando se entregou completamente a mim. – seus dentes estavam serrados e a raiva o tomava novamente.
- Aquilo foi um erro! Eu estava bêbada. – se defendeu – Foi um erro que não acontecerá nunca mais. Agora! POR FAVOR, vamos voltar! – Sakura praticamente implorou, temia que Itachi aparecesse a qualquer segundo e o confronto fosse inevitável.
O moreno se aproximou novamente e ela se afastou, mas ele não se deu por vencido aproximou-se até a encurralar, pegou-a pelo braço e a puxou para ele.
- Não tirarei meus olhos de você nenhum segundo mais. Não deixarei que se aproxime dele novamente. – exigiu e desapareceram num sushin dali. Sakura não protestou, contudo a ultima coisa que viu antes de desaparecer foi um corvo alçando vôo.
- AFINAL O QUE DEU EM VOCÊ UCHIHA SASUKE? – a Hokage estava furiosa com uma pilha de papeis em sua mesa, uma taça de sakê e muitos anbus e jounnins por perto. Todos em alertas, realmente furiosos.
Sasuke quando voltara tivera uma recepção constrangedora e desconfiada, pagara seu tempo na prisão de Konoha e graças a Naruto e Kakashi conseguira recuperar sua imagem, mas claro, sempre tinham os mais desconfiados e esses sempre tinham o receio de que algum dia Sasuke fosse se rebelar novamente contra a vila.
- Peço perdão a Hokage e a Konoha e estou pronto para a minha punição. – foram suas únicas palavras solenes.
- Nenhum motivo por ter atacado seus companheiros e ter saído da vila sem permissão oficial? – a Hokage inquiriu.
- Nenhuma que possa dar oficialmente. – foi sua palavra final.
- Muito bem. - a Godaime suspirou resignada. – Duas semanas na solitária farão você controlar mais os seus nervos. – a mais velha fez sinal para que três ANBU's escoltassem Sasuke até a prisão. – Deixem-me a sós. – todos começaram a se retirar – Menos você Sakura. Ainda não terminei contigo.
A rosada apenas assentiu e esperou que sua shishou começasse a falar. Ela sabia o que iria acontecer, sua ex-professora iria querer saber o que estava acontecendo, e com razão. Nem ela imaginara que Sasuke agiria tão impulsivamente, nunca vira esse lado explosivo e impensado dele. Ele sempre fora comedido e indiferente, principalmente com relação a ela.
- Sakura, você pode me dizer o que diabos está acontecendo? – Tsunade deixou-se relaxar, pois com Sakura não precisava transparecer tanta formalidade.
- Como Sasuke disse shishou, não há nenhuma desculpa para o que aconteceu. – Sakura não queria ter que ter aquela conversa com sua mestra, não queria ter que mentir ou esconder nada para ela, Tsunade era como uma mãe para ela.
- Sakura, sabes que amo você como a uma filha, não quero que tenhamos uma conversa formal. – Tsunade encostou-se à mesa e pegou uma pequena garrafa de sakê que estava escondida em sua gaveta. – Quero saber por você Sakura, porque eu não a vejo ou ouço falar por Konoha por tantos meses, e porque um dos melhores shinobis de Konoha, que desde a sua separação estava apático e mais insuportavelmente frio que o normal, e do nada tem um ímpeto de fúria ferindo metade dos meus guardas das entradas! Izumo e Kotetsu ainda estão no hospital.
- Não faço idéia, Tsunade-sama. – Sakura tentou desconversar – Todos em Konoha sabem que eu e Sasuke estamos separados. Nem eu, nem ele temos algo com a vida um do outro agora.
- Não foi isso que escutei. – Tsunade estreitou seus olhos para a pupila analisando suas reações. – Escutei muito bem que você e Sasuke saíram acompanhados por konoha ontem a noite, e pareciam que estavam retomando a antiga relação. Agora diga-me, se isso é verdade, porque estão brigando e não se amando como deveriam?
- Shishou... – Sakura não conseguia mentir para a mulher que a conhecia melhor que ninguém. – Eu fiz algo impulsivo ontem... Algo que me arrependo muito e tenho vergonha de lhe dizer – e isso era verdade, dormir com seu ex-marido e ainda humilhar-lhe revelando seu romance em meio de tal ato, não era algo que ela sentia orgulho de confessar. – Acontece, que depois do que aconteceu... – Sakura tentou moldar a palavras para que Tsunade não percebesse a profundidade do que estava. – Sasuke e eu brigamos novamente, não há mai volta shishou. E Sasuke não aceitou isso muito bem... Gomennasai – sua mesura foi profunda, como se pedisse perdão por todos os seus erros, seus e de Sasuke.
- Baka... – Tsunade suspirou cansada, ela sabia que Sakura não lhe contara toda a verdade, conhecia aquela menina mais que ela mesma. – Não precisa ser tão formal comigo, não vou dar-lhe palmadas no bumbum apenas porque dormiu com alguém e se arrependeu depois – puxou a rosada para um abraço caloroso. – Pode contar comigo sempre que precisar, menina. – confessou calorosa ao ouvido da mais jovem. – Vou sempre te apoiar. Sempre.
- Shishou... – a rosada se emocionou sentindo-se frágil e necessitada daquele carinho e ombro. – Arigatou. – Sakura tentou segurar o choro e se afastou. – Vou voltar para o hospital agora, aquilo deve estar um bagunça com todos os acontecimentos. – Sakura abraçou sua eterna shishou e foi embora dali.
Nessas duas semanas Sakura tomara uma decisão definitiva. Não deixaria mais aquela situação continuar se não nunca mais teria paz de espírito, queria se desvincular perante a lei do nome Uchiha e assim deixar Sasuke livre dela, para que ambos pudessem reconstruir suas vidas. Ele tinha o direito de achar alguém que lhe desses seus filhos, e ela tinha o direito de ser feliz!
Então, assim que Sasuke saiu da solitária ela já tinha conversado com seu advogado e conseguira os papéis para um divórcio amigável, agora só faltava o mais difícil, a assinatura de Sasuke.
Não que ela esperasse uma reação apaixonada dele não querer a separação porque a amava loucamente, e sim pelo seu orgulho ferido, a sensação que ele tinha de posse. Sasuke tinha muito orgulho de seu nome Uchiha, e uma mulher pedindo separação dele mancharia sua honra.
Estava ansiosa esperando pelo momento, mandara um menino ir até o distrito avisá-lo de que queria conversar com Sasuke. A qualquer segundo ele chegaria e tudo estaria terminado. Definitivamente. A por um momento, ao pensar nisso, nele dando as costas para ela pela ultima vez sentiu seu peito se apertando numa angústia, que quase a fez chorar, por sorte a campainha tocou despertando-a de seus pensamentos. Pacientemente ela foi abrir a porta, ela sabia quem estaria ali.
- Sasuke. – Sakura cumprimentou o moreno alto que estava banhado, perfumado e arrumado de um jeito que deixaria qualquer mulher de pernas bambas. – Por favor, entre.
- Sakura. – ele acenou levemente a cabeça e entrou, contudo, assim que a rosada fechou a porta atrás de si o moreno avançou sobre ela, imprensando-a na parede e lhe dando um beijo quente e apaixonado que ele sabia que a faria derreter em seus braços.
- Não! Sasuke! – Sakura o empurrou e se afastou arfante – Não foi pra isso que te chamei aqui! – argumentou incrédula. – Sente-se. – apontou o sofá. Ela iria ser uma boa anfitriã, oferecer-lhe algo para beber, mas preferiu que tudo terminasse o quanto antes.
Ele se sentou e ela o acompanhou sentando na outra cadeira, ao lado do sofá. Ficaram um tempo calados, encarando a pasta fechada, até que Sakura tomou coragem e pegou-a e começou o que queria dizer.
- Bom Sasuke. Estamos separados já há um bom tempo, nós não nos víamos há meses, há tanto tempo que nem sei o que acontecia em sua vida, como eu tenho outra vida agora. – era palpável a tensão na sala, os músculos de Sasuke se contraindo e os dentes trincando. Seria esperto não tocar no nome de Itachi. – Enquanto esteve recluso, conversei com meu advogado e ele concordou comigo que será melhor para ambos se fizermos isso tudo amigavelmente. – Sakura tirou um papel da pasta e entregou para ele.
- Não vou ler isso. – Sasuke jogou os papeis na mesa como se estivesse enojado. – Não vou assinar nenhum divórcio Sakura!
- Sasuke... por favor... – Sakura já esperava por uma recusa, mas não costumava tentar né. – Sejamos razoáveis, nosso casamento foi um desastre. Será melhor para nós dois...
- Fale por si mesma! – o moreno estava tentando controlar sua fúria. Ele não deixaria ela ficar livre dele pra correr pros braços do Itachi, mas o principal, ele não deixaria aquele mulher escapar de seus dedos novamente, aquele tempo todo havia sido um inferno sem ela. Ela era a luz da sua existência sombria, sem ela, ele era um nada apenas consumido pelo ódio e ressentimento. – Quero você de volta, Sakura. – Ele puxou-a para o seu colo – Volta pra mim Sakura, volte pra nossa casa... pra nossa vida... – ele sussurrou em seu ouvido, apertando-a contra ele, grudando seus corpos... – Vamos esquecer tudo... Itachi... a traição... Vamos recomeçar...
- Pare! – Sakura o empurrou indignada saindo de seu colo e de perto dele. – Como ousa dizer que eu o traí? Você é cínico de mais Uchiha Sasuke! Quem me traía, dia após dia com qualquer vadia de konoha? – ela não queria ter que remoer água passadas mas não deixaria passar agora. – Eu aturei muitas coisas de você Sasuke, mas aquela humilhação foi demais, até para a tola e irritante que eu era!
- Não foi assim... Eu nunca... – Ele queria se defender, mas como dizer... como confessar algo tão humilhante? – Eu nunca a traí de fato! Não como você fez com o Itachi!
- Você pode não ter consumado o ato, mas sabe-se la quantas mulheres você procurou... quantas beijou... quantas apalpou... quantas desejou! – Sakura jogou toda aquela angustia na cara dele – Sim, Sasuke... eu sempre soube do seu... problema...
- Você sabia... – ele suspirou passando as mãos pelos cabelos num ato de nervosismo. – Se sabia porque não me disse nada?
- PORQUE EU QUERIA QUE VOCÊ TIVESSE ME CONTADO! – gritou. – Queria que meu marido tivesse confiado em mim... tivesse vindo procurar a mim para que resolvêssemos juntos como os casais normais fazem, e não ter descoberto por outra médica que meu marido preferiu procurar ajuda com outro profissional quando tinha a esposa médica pronta de braços aberto para da-lo apoio sempre que ele precisasse!
- VOCÊ NÃO ENTENDE! – revidou com os olhos girando em vermelho, então suspirou e voltou em pretos. – Não entende a humilhação, a vergonha que é pra um homem, que é pra mim saber que se é... impotente – vomitou com raiva as ultimas palavras. – Chegar em casa todas as noites, desejando ardentemente a sua mulher, querendo consolo em seus braços e não ter o controle do seu próprio corpo! O quão frustrante e angustiante vê-la insatisfeita e frustrada e eu não poder fazer nada pra satisfazer a minha mulher! O quanto era duro tentar... e tentar todas as vezes com você e não ver mudança... ver a decepção em seu rosto... – Ele suspirou angustiado.
Sakura estava pálida e assustada, podia jurar que nunca vira um desabafo tão profundo e angustiado vindo de Sasuke. Ele nunca se abrira desse jeito para ela e isso a tinha assustado. E também entristecido, porque só mostrava o quanto os dois não se conheciam quando estavam juntos.
- Antes de Shizune me procurar – Sakura estava com a voz embargada -, eu me sentia impotente por não conseguir fazer meu marido me desejar, sentir atração por mim. Eu me sentia menos atraente, menos desejável, menos mulher... – suas mãos foram a boca para conter o soluço angustiado. – Gomem por não ter entendido o quão desesperado você estava... mas eu queria tanto que você tivesse se aberto comigo naqueles tempos...
- Era mais fácil para mim falhar com uma qualquer na rua... do que decepcioná-la novamente Sakura... – ele nem tinha mais coragem de encará-la.
- Eu posso imaginar... – sim ela entendi, mas isso não queria dizer que era fácil de esquecer. Por meses havia se torturado com imagens de Sasuke nos braços de alguma qualquer vulgar. – Mas isso só prova uma coisa Sasuke... O quanto somos incompatíveis.
- Não! Não somos! – ele se virou e foi até ela abraçando-a. – Sempre tivemos uma química maravilhosa, sempre nos amávamos com extrema paixão. – ele queria dizer com amor, mas era como se fosse difícil dizer tais palavras, ele sentia, sabia que a amava, mas era como se dizer a palavra amor fosse deixá-lo mais fraco, baixar uma barreira que havia imposto sobre si para não se ferir nunca mais.
- Apenas na cama Sasuke. – ela não se desvencilhou dos seus braços. – Naquela época eu era tola e cega para admitir, mas hoje penso com clareza, fora da cama nós éramos praticamente desconhecidos.
- Não...
- É verdade! – afastou-se apenas o suficiente para encará-lo nos olhos. – Nunca sentávamos e tínhamos um diálogo, é irônico, mas essa é a primeira vez que falamos sobre nosso relacionamento. Nunca me elogiou, nunca elogiou a casa, eu pude perceber que era praticamente mais um bibelô daqui. Da sua vida. Apenas a mulher que você escolheu pra gerar os seus herdeiros! – a constatação daquilo ainda a doía. E o pior era que ele desviara o olhar. Ele desviara o olhar! Ele não negaria!
- Sakura... preciso explicar... – ele estava perdendo o controle de tudo.
- Explicar o que Sasuke? Que você escolheu a mulher mais conveniente para você, para que fosse a mãe perfeita para os seus filhos. A tola, prestativa e apaixonada Sakura que sempre faria tudo sem reclamar e seria a mãe perfeita para seus filhos!
- Não fale como se ter nossos filhos fosse um fardo!
- ENTÃO PORQUE NUNCA CONVERSAMOS SOBRE A MORTE DO NOSSO BEBÊ? – aquilo estava a tanto tempo guardado. Tanto tempo enraizado que chegava a doer seu peito agora.
- EU NÃO QUERO FALAR SOBRE ISSO! – Sasuke se afastou tapando os ouvidos.
- POIS EU QUERO! EU PRECISO FALAR! PRECISO DESABAFAR, PORQUE MEU MARIDO ME TRATAVA FEITO UMA BONEQUINHA QUEBRÁVEL... E QUANDO NOSSO BEBÊ MORREU... QUANDO EU MAIS PRECISAVA DO SEU APOIO E CARINHO VOCÊ ME OLHOU DECEPCIONADO E SE AFASTOU! PORQUE NO FINAL DAS CONTAS EU NÃO FORA UMA BOA ESCOLHA PARA PARIR OS PERFEITOS BEBÊS UCHIHAS, NÃO É! – gritou amargurada.
- CALE-SE! – o barulho do tapa ressoou pela sala, e a rosada levou a mão ao rosto atingido ainda em choque por ele tela esbofeteado. – Gomem! – puxou-a e apertou entre seus braços para que não fugisse – Perdão... é que você consegue me tirar do sério. – escondeu-se entre a curva do pescoço dela para que tanto ele quanto ela pudessem acalmar seus ânimos. – Não foi por isso. – começou. – Não vou escoder... o motivo pelo qual nos casamos, foi esse. – ele podia senti-la tremer em seus braços e os soluços que prendia se tornaram um choro agora. – Mas não foi por achá-la inadequada ou indigna que me afastei... por Kami! Eu me acostumei a você Sakura... eu me apaixonei... e aquele bebê... era nosso filho, nosso tão esperado e amado filho... quando ele morreu, fiquei devastado, precisava ficar sozinho... Eu... eu não sei como me abrir sobre o que penso... – confessou do fundo da sua alma. – Me perdoe... Sakura... Eu me apaixonei por você... Esses meses separados, foram uma tortura... um martírio, eu não sou uma pessoa boa sem você...
Sakura chorava copiosamente já. Ela sabia que aquele era o motivo, mas ouvir a constatação de seus próprios lábios era doloroso demais. E todas as suas palavras, ela queria tanto que eles tivessem tido essa conversa a muito tempo atrás...
- Eu queria tanto que você tivesse me dito tudo isso há tanto tempo Sasuke... – talvez tivesse sido tudo diferente, ela talvez não tivesse conhecido Itachi, e talvez tivesse até perdoado seus deslizes... – Agora é tarde demais...
- Não diga isso... – Sasuke encostou sua testa a dela – Me de uma chance Sakura. – ele praticamente implorava. – Me de uma chance pra fazê-la feliz, agora eu tenho certeza que dará certo... – ele acariciou carinhosamente suas bochechas e limpou suas lágrimas, com calma se inclinou e uniu seus lábios aos dela num beijo calmo e gentil. Consolador.
E Sakura não o repeliu, precisava, não, precisavam daquele consolo mútuo pelos tempos de silencio, de angustias, de desencontros, frustrações e decepções. Enlaçou seus braços ao redor do pescoço dele e Sasuke, tomando aquilo como um consentimento passou seu braço sob os joelhos da mulher e a carregou até o quarto pondo-a na cama.
- Sasuke... – ela suspirou, por um momento já retomando um pouco da lucidez. – Não posso... não podemos... não é certo... – ela o criticara tanto, e não seria certo dormir com Sasuke estando tão confusa com seus sentimentos como estava, depois de todo aquele desabafo, algo revolucionara em seu coração e ela estava mais confusa ainda.
- Tudo bem... – ele acalentou seus cabelos e deitou-se ao seu lado – Não vou fazer nada Sakura, só quero ficar abraçado de você, por favor, não me empurre agora. – abraçou-a forte aconchegando-se junto dela – preciso apenas sentir que você está comigo... precisamos desse momento... Nosso filho... Nosso filho morreu... – e pela primeira vez, ele deixou que alguém o visse chorar. Ele que considerara isso como um ato de fraqueza, agora deixava suas emoções o consolarem.
- Sasuke... você... – Sakura pensou em falar algo, mas preferiu se calar, nunca o vira tão frágil, tão humano... Mal reconhecia esse Sasuke do que sempre se recordava. Ele a consolara e agora ele o consolava... – Estou aqui Sasuke... serei sua amiga... – no momento isso era o máximo que poderia dar.
Antes de acalentá-lo novamente, Sakura fitou a mesa na sala que dava para se ver do quarto, os papéis não assinados ali... e agora... nem ela sabia se seriam assinados por ela...
Pois é gente...eu sei que não está muito grande o capítulo, mas C&F começou como uma fic que não tionha muito padrão no tamanho deles, eles simplismente relatam partes dos acontecimentos em cada um...e nessa fase foi curta, mas creio que bem explicativa xD
ACHO QUE SEREI APEDREJADA...e talvez alguns até virem Time Sasuke xD
Estou pronta para o linxamento xD
beijos e até a proximaaa =D
Bebel ^_^V
PS: Vou responder os Reviews e depois editarei aki! =D
