Capítulo 9
Era mais uma noite pacata no 12º Distrito Policial de Memphis. O Tenente Willian Durkein repousava sonolento sobre sua mesa repleta de papéis. O dia não tinha sido dos mais movimentados – algumas ligações sobre furtos, brigas domésticas, e um assalto a uma padaria no subúrbio. Estava tudo indo perfeitamente calmo e tranqüilo, até um bip começou a tocar. O tenente não deu muita atenção ao som, mas ele persistiu. Uma luz vermelha piscava no alto da parede a sua frente. Ele levantou os olhos, ainda entreabertos, até que um estalo deu-se em seu cérebro.
- Para a casa da senhora Bellamy, já!
O dia mal começara, e o Tenente já previa mais ação neste do que em qualquer outro dia que ele podia se lembrar. O acionamento do alarme Bellamy era algo a mais – o tipo de ação que ele sonhava em ter quando queria ser policial quando criança. Ele conhecia a Sra. Bellamy muito bem, e sabia que ela tinha uma valiosa coleção de jóias guardadas em sua casa. Ela mesma fora ao Distrito Policial pedir vigilância extra para sua casa, e a instalação de um alarme caro e revolucionário, que consistia num aparato simples: as jóias ficavam em uma caixa em cima de um pedestal; nesta caixa, um circuito elétrico. Este circuito era interrompido com o pressionamento de um botão, onde o peso das jóias dava conta disto. Quando o botão não estava pressionado, o circuito era fechado, emitindo um sinal diretamente para o Distrito, acionando o alarme. E agora este alarme fora acionado, e ele estava prestes a fazer uma prisão que ficaria sensacional em sua folha.
A casa foi cercada por três viaturas. Policiais nas saídas laterais e dos fundos, e na frente, o Tenente Willian entrava com mais três policiais. Quem quer que tenha tentado roubar as jóias da Sra. Bellamy não teria escapatória. Ele tocou a campainha da porta da frente – queria colocar em seu relatório que tocara a campainha três vezes, antes de forçar a porta. Quando ia tocar a campainha pela terceira vez, a porta se abriu. Uma linda mulher, em um negligiè preto transparente, que deixava pouco para a imaginação. Os cabelos estavam meio presos, e o rosto estava totalmente coberto por um creme verde escuro.
- Que diabos está acontecendo aqui?
O tenente engoliu em seco.
- Er..ahn..quem é você?
- Eu sou Suelen de Broglie. Sou hóspede da Sra. Bellamy Ela está na Europa.
- Eu sei disso. Ela nos avisou. Mas obviamente esqueceu de mencionar que teria um hóspede.
A mulher soltou uma risada irônica.
- Não é típico dela? Eu deveria ter imaginado. Mas por favor, você poderia dar um jeito neste barulho insuportável? Eu estava no meio do meu sono de beleza quando essa algazarra começou. Achei que algum ladrão poderia estar aqui. Estou sozinha, os criados foram dispensados.
- Bem... eu posso dar uma olhada?
- Claro, eu insisto!
A vistoria foi feita. Nada de suspeito foi encontrado, nenhum ladrão esgueirado pelos corredores escuros. Estava tudo limpo.
- Bem, deve ter sido um defeito no alarme – o Tenente Willian disse. – Você sabe, não é? Essas parafernálias de hoje em dia sempre dão defeito. Mandarei alguém aqui para verificar depois.
- Ah, muito obrigada.
- Bom, acho que não há mais nada pra fazer aqui, não é? Desculpe-me o incômodo, senhora Suelen.
- Incômodo? Imagine! Agradeço por ter vindo.
Ela realmente tem um corpo escultural. Como seria debaixo dessa coisa toda? , pensou Willian.
- Não há de que. Se precisar de algo, é só nos chamar.
- Com certeza o farei – ela deu um largo sorriso. Willian se sentiu excitado.
- Até mais senhorita Suelen.
Kate os observou sair pelo imenso portão da casa e entrar na viatura. Quando eles saíram de vista, ela tirou todo aquele creme do rosto, tirou a camisola da Sra. Bellamy e tornou a vestir a roupa preta de antes. Saiu pelos fundos da casa, assim como Sawyer dissera, e pulou o muro. A casa dos Whitney estava às escuras, e nenhuma alma viva passava pela rua. Tomou todo o cuidado para não ser vista, e se escondeu atrás de um arbrusto para trocar de roupa. Na sacola, um vestido rosa com um laço roxo na altura da cintura, e um par de sapatos bege. Ele me paga por isso, pensou Kate.
Só quando estava a caminho da esquina combinada com Sawyer que ela se deu conta do que fizera. Foi como se sua mente tivesse entrado em parafuso no momento em que ouviu o alarme, mas algum instinto dentro de si falou mais alto; ela agiu sem pensar. Retirou rapidamente a roupa que estava, meteu a cara no primeiro creme que ela viu na frente e procurou por uma camisola no gurada-roupas. Foi a coisa mais audaciosa que ela já tencionara fazer na vida. Por um momento tudo estava perdido - ela se viu sendo presa, sua vida acabando em uma prisão feminina cheia de podridão e assédio. Mas no instante seguinte ela pensou na coisa toda como se fosse nascida para aquilo – nascida para o crime. Aquilo a excitava e a amedrontava.
Ao chegar na esquina, ela avistou um robusto Ford F-3 preto. Ele não podia ter escolhido um carro menos chamativo?. Sentiu-se aliviada ao perceber que ele aguardava dentro do carro. De uma maneira alheia ao seu querer, ele lhe trazia uma espécia de segurança que ela jamais sentiu na vida. Como se, se naquele momento ele não estivesse ali, a tivesse abandonado, o mundo dela ruiría.
- E ai, deu tudo certo? – ele perguntou aflito, no momento em que ela entrou no carro.
- No começo sim. Depois deu tudo errado. Mas graças a minha astúcia, voltou a dar tudo certo novamente.
- Como assim? – ela lhe lançou um olhar divertido.
- Nada, Sawyer.
- Mas você tá com as jóias?
- Sim. Mas e agora, o que a gente faz com elas? – ele ainda a ficou olhando, como se não ouvisse o que ela estava falando. – Sawyer?
- Bem... eu tenho um esquema. Mas é arriscado.
- Arriscado por que? – ele se ajeitou no banco do carro, virando-se para ela.
- Porque.. Porque vamos ter que passar essas jóias para frente. Vender para alguém que vá desfazê-las e vender as pedras separadamente. Mas eu só conheço um cara que faz isso. E ele é perigoso.
- Perigoso como?
- Digamos que ele não seria o cara que eu confiaria.
- Você não conhece mais ninguém?
- Não. E vender essas jóias em qualquer lugar seria arriscado demais.
- Bom, de qualquer jeito vai ser arriscado, não vai?
- Mais ou menos. Se fizermos tudo como o cara quer, ele não apresenta perigo. Já vender isso numa loja, bem... Essas jóias são raras. A velha pode espalhar por aí como elas são, e então..você entende, não é?
Ela não entendia, e o argumento lhe parecia pífio. Mas aceitou.
- Tudo bem. Você garante que é seguro?
- Sim, vai dar tudo certo.
- Quando vamos encontrar esse cara?
- Amanhã à noite, em um lugar perto daqui. Nós vendemos as jóias para ele, dividimos a grana, e pronto.
- Só isso?
- Só.
- E enquanto isso a gente...? – ele sorriu malicioso.
- Nós podemos fazer o que você quiser, doçura. – ela revirou os olhos.
- Não era disso que eu estava falando.
Ele sorriu em entendimento; gostaria de relamnete saber o que ela estava pensando. Ele realmente poderia fazér várias coisas com ela, as quais ela quisessse ou mandasse. Mas ele sabia que ela não queria fazer nada disso – não por vontade própria. Ele queria desesperadamente se despedir dela, falar um adeus, ou um a gente se vê, e poder aproveitar cada segundo restante; queria aquilo mais que tudo. Não era algo que ele tivesse planejado ou pensado, ele simplesmente estava sentindo. A simples idéia de que no outro dia, a este mesmo horário, ela já não estaria mais com ele, o atormentava. E o atormentava mais ainda o que ele teria que fazer.
