Zeno estava relaxando tranquilamente sentado em uma das cadeiras dispostas em volta da mesa de jantar, localizada no centro da grande sala da mansão, bebendo uma taça de vinho, quando a porta se abre, entrando por ela Silva e Kikyo, seguidos por Vorakam e Gildarts.
- Ora, ora – Zeno se levanta – Obrigado por virem! E sejam bem vindos à residência Zoldyck! – diz o velho, fazendo um breve movimento de cabeça.
- Nós que agradecemos o convite! – Gildarts toma a frenta nas palavras, voz grossa e imponente, tom sério e misterioso. – Ficamos felizes quando nos deram a noticia que o jovem Killua havia retornado. Sinal de que os negócios vão aumentar.
- Sim, sim, claro. Aquele garoto tem realmente muito potencial! Tanto quanto o garoto de vocês, Freed. – Zeno é cauteloso com as palavras, como sempre - E, por falar nele, onde está o rapaz prodígio?
- Tinha umas bebidas sendo servidas na sala de estar – agora é Vorakam que responde - Bebeu umas quatro taças, perguntou onde estavam as garrafas e foi correndo buscar mais. Pode ser bom no que faz, mas um garoto será sempre um garoto – sua risada ecoa por toda a sala, enquanto ele se aproxima da mesa, puxando uma cadeira para se sentar.
- Onde está Killua? Seria educado se ele viesse cumprimentar os convidados, afinal. – Silva direciona a pergunta a Zeno, dando um breve olhar em volta.
Ao sinal de Kikyo, um mordomo aparece para servir bebida a todos.
- Charles, vá chamar Killua, sim? – Kikyo diz ao mordomo, quando ele termina de servir a todos – Vamos, sentem-se. Fiquem a vontade. Killua já vem. – dito isso, Kikyo olha para o mordomo, que faz um reverencia e sai do ambiente. Todos se sentam.
Freed chega em um cômodo com um balcão e algumas bebidas, mas ninguém ali para servi-lo. Então decide pegar ele mesmo. Porém, quando entra, vê alguém apoiado com os cotovelos na ponta do balcão, de costas, debruçado. Cada musculo seu está marcado em sua camisa, devido à posição do rapaz. Corpo perfeitamente definido. Entretanto, percebe que a camisa está ligeiramente larga na cintura, apesar de marcar bem os braços. Os longos cabelos escuros, penteados para trás, faz com que Freed reconheça Illumi. Illumi apoiava seu peso em apenas uma das pernas, com a outra apenas encostada no chão, joelho levemente dobrado. Illumi então troca a perna estendida, como que para jogar o peso do seu corpo para o outro lado, fazendo um suave movimento com o quadril. Freed só conseguia pensar em morder aquela pessoa. Morde-lo inteiro. Apalpa-lo e cheirar sua nuca, seu pescoço. Freed salivava.
-...então, quando mamãe chegar – Illumi conversava com uma criança que postava-se do lado de dentro do balcão, em cima de um banquinho, chacoalhando algo com as mão, como se estivesse preparando uma bebida, enquanto o ouvia atentamente – você deverá dizer isso a ela, ok? Estamos combi.. AIII! – Illumi tem o raciocínio interrompido quando alguém morde seu ombro. Pula para o lado, levando a mão até o ombro mordido – o que você pensa que está fazendo? – pergunta irritado, virando-se para o rapaz que está agora ao seu lado. Kalluto ri inocentemente, enquanto serve a bebida em dois copos.
- Desculpe, desculpe. Não resisti – Freed estava com ambas as mãos levantadas, como se rendido
- Ah. É você – a expressão de Illumi suaviza – posso saber o que um Dreyar faz por aqui?
- Quanta hostilidade – Freed faz uma cara de indignação – pois fique sabendo que fui convidado para dar um "olá" para seu irmãozinho. Não você, criança – diz se virando para Kalluto por um instante e olhando para as bebidas ali servidas – posso? – pergunta, apontando para um dos copos.
Kalluto balança sua cabeça positivamente. – Primeira vez que faço um drink. Illumi acaba de me ensinar – Freed pega a bebida e já começa a toma-la, enquanto presta atenção às palavras do garoto – não garanto muito. É... Diga se gostar... – o jovem desvia seu olhar.
Illumi vira os olhos enquanto pega o outro copo e o toma.
- Muito bom. Meio forte, mas muito bom. Pode fazer mais disso? – diz Freed para a criança, empolgado.
Illumi termina o seu copo – Realmente acertou – Illumi afaga a cabeça do irmão com as mãos – Mas não precisa ficar servindo esse folgado. Não abuse da minha paciência, Freed – Illumi agora lança um olhar ameaçador para o rapaz.
Freed levanta uma sobrancelha e aproxima seu rosto do de Illumi, encarando-o. Seus narizes quase se tocam, mas Illumi não move um musculo sequer e nem muda de expressão. Nem tão alto, nem tão baixo, cabelos jogados e uma cicatriz no olho, combado com sua beleza, deixavam o jovem Freed com um estilo e charme próprios. Freed então bate com sua testa na testa de Illumi.
- É assim que você trata suas visitas? – Freed afasta-se e virasse para a criança – quer que eu te ensine um jeito diferente de fazer isso? – aponta para o copo.
Illumi afasta um pouco sua cabeça depois do impacto, levando sua mão até a testa. Faz uma cara de ponto de interrogação indescritível, piscando algumas vezes para conferir se aquilo acontecera mesmo. Então da de ombros e senta-se, puxando um banquinho que estava ali por perto.
- De morango agora – diz para o irmãozinho.
Freed também se senta, e começa a conversar com Kalluto, dando-o dicas de como aprimorar seus drinks.
Charles encontra Killua em um dos corredores.
- Jovem... Mestre...? – fica um pouco confuso ao ver seus trajes, mas não pergunta. Seria desrespeitoso demais da parte dele e Charles preferia não arriscar sua vida em algo tão trivial – Seus pais solicitam sua presença na sala de jantar imediatamente.
- Ah. Mas tem que ser agora? Preciso recuperar minha roupa! – reclama Killua
- Sr. Gildarts e Sr. Vorakam estão aqui. Todos estão a sua espera para que possamos servir o jantar. – diz Charles, em uma reverencia – Não se incomodarão com seus trajes. Vamos? – conclui, enquanto aponta o caminho.
- Hum. Meu quarto está longe demais. E vai saber onde Illumi está... – Killua olha para si mesmo, decepcionado, enquanto pensa no que fazer – Já sei! Me de sua jaqueta! – diz por fim, apontando para as vestes do mordomo.
Charles hesita, mas faz o ordenado. Ambos vão então até a sala de jantar.
Todos conversam socialmente, sentados, comendo alguns aperitivos e bebendo, quando Killua chega acompanhado do mordomo.
- Oh! Filho, querido! – Kikyo se levanta e vai ao seu encontro. Todos olham para o garoto recém chegado. – Aqui, venha! Sente-se conosco – Kikyo segura os ombros do filho e o conduz até a mesa.
- Seja bem vindo, filho – diz Silva
- Estávamos o aguardando, pequeno – Vorakam ergue uma taça de vinho, como que brindando com o vento. – achei que não estava encontrando o caminho de volta, depois de tanto tempo sem voltar para casa – ri sozinho com a piada – os negócios vão melhorar agora. Vamos comemorar!
Killua se senta ao lado de seu avô, Zeno. O mordomo o serve um copo de vinho. Killua faz menção de levantar sua mão para recusar, mas seu avô segura seu braço.
- Beba – diz Zeno, tão baixo que apenas Killua ouvia – não seja indelicado com nossos convidados. – seu avô o solta e pega sua taça, dando um gole. Killua obedece.
O que Freed não sabia era que Illumi prometera à Kalluto que provaria todos os 99 tipos de bebidas que ele faria para treinar. Nunca havia feito um drink antes, mas gostaria de aprender. E para isso precisava de alguém para provar e apontar o que estava errando, para que Kalluto se aprimorasse e pudesse fazer uma ótima bebida para seu pai em seu aniversario, que seria dali alguns dias. Illumi topou, em troca do irmãozinho parar de bisbilhota-lo e não contar nada do que viu à sua mãe, se não ela teria um outro ataque de nervos, e isso seria incômodo.
Mas Freed só queria de divertir. Estava de folga aquele dia, depois de tantas semanas ininterruptas de trabalho. Porém, depois de alguns vários drinks e muita conversa a toa de Freed com Kalluto, Illumi ouve vozes e uns barulhos estranhos no corredor. Ele então se levanta.
- Nii... Ainda não terminei de fazer todos! – diz Kalluto, choroso, quando vê que o irmão está prestes a sair.
- Volto logo. Não deixe ele beber tudo, está bem? – Illumi direciona um gentil sorriso ao irmãozinho.
- Deixa esse chato – diz Freed, já ligeiramente embriagado – Por que não tentamos misturar aquele rosa com aquele verde agora? – aponta para bebidas aleatórias dispostas no bar ali montado – vamos ver se fica melhor do que aquele marrom que fizemos antes! – Kalluto se anima com a ideia.
Illumi sai do ambiente. Poucos passos depois, ainda no corredor, tem uma visão que preferia não ter tido: Seu pai pressionando sua mãe na parede, beijando-a ferozmente, apalpando-a as partes. Suas faixas estavam quase todas desfeitas e seu vestido semi-caído. Eles se esfregavam como se fosse os únicos presentes em toda a casa. Illumi julga que isso seria efeito de toda a bebida que acabara de ingerir, então espalma sua mão do lado dos olhos, para tampa-los de sua visão. Passa por eles como se não existissem e segue rumo à sala de jantar. A sala está vazia, com copos vazios sobre a mesa e pratos com restos de alimentos, como se uma refeição tivesse acabado de ocorrer ali. Havia um mordomo retirando os pratos.
- Ei, quem estava aqui? – pergunta Illumi.
- Seus pais, Vorakam Dreyar, Gildarts Dreyar, mestre Killua, Millu... – Charles começa a pontuar, reverenciando, mas é interrompido por Illumi, que levanta uma de suas mãos em sinal de silencio.
- Onde está Killua? – pergunta então, secamente.
- Todos se dirigiram ao salão após o jantar – dita essas palavras, Illumi sai rapidamente. O mordomo olha confuso, mas da de ombro e continua seu serviço.
Illumi escuta uma musica suave vinda do salão. Ao entrar se depara com um dos Dreyar em pé, conversando com Zeno, Milluki sentado em uma poltrona, jogando um vídeo game portátil e o outro convidado bebendo algo enquanto observa Killua tocar uma musica no piano.
Illumi pega uma taça e se serve de vinho. Em seguida se aproxima do piano, por trás de Killua, cumprimentando Gildarts de leve com a cabeça. Para atrás do irmão, esperando que termine a musica.
Killua termina. Gildarts bate palmas algumas vezes.
-Muito bom, jovem! Muito bom! – Gildarts cumprimenta-o
- Obrigad... – Killua se vira e perde a fala ao deparar-se com o irmão.
Illumi puxa Killua, colocando-o de pé, e puxando para segui-lo.
- Pra que a pressa? - Gildarts segura o braço de Illumi. – Agora que estamos começando a nos divertir?
Illumi ignora e puxa seu braço com força, se soltando do Dreyar, saindo do ambiente e levando Killua junto.
- Zeno – Gildarts chama – seu neto tem permissão para ficar bêbado?
Zeno olha a tempo de ver Illumi e Killua saindo apressadamente - Deixe eles, deixe eles. – volta então a conversar com Vorakam. Gildarts vira os olhos e junta-se a eles.
Sonho?
- Ei... Eii... O que você está fazendo? Eu estava ocupado lá sabia? – Killua reclama, mas Illumi ignora.
Illumi abre uma das portas da casa e joga Killua para dentro do comodo, fechando a porta e trancando-a.
- I... llu... mi...! – chama Killua – não me ignora! – soca as costas do irmão, que está de costas – e você pegou a minha camisa! – Killua tira a jaqueta do mordomo – tem noção do quanto isto é incomodo? – diz, apontando para si mesmo.
Illumi da um riso afado. Realmente, seus trajes eram curtos demais para o irmão. Em seguida, segura o rosto do irmão com uma das mãos, o levanta até que fique na ponta dos pés, abaixa, aproximando seu rosto o máximo possível sem que tenha um contato e cheira.
- Kill – começa Illumi – andou bebendo? – ergue uma das sobrancelhas, enquanto indaga o irmão.
Killua faz um bico em resposta ao aperto – Você também! Não pode falar nada. – desvia o olhar para longe, fugindo do olhar repressivo de Illumi.
- Acho que isso é meu. - Illumi tira a camisa de Killua, soltando-o.
Killua da um passo para trás, assustado com a mudança repentina de atitude do irmão. Entretanto havia algo no chão que Killua não tinha visto, tropeçando para trás, rumo ao chão. Porém, antes que Killua caia, Illumi o puxa, levantando-o.
- opa, opa – solta Killua, enquanto segura no irmão para equilibra-se.
- Seu corpo é fraco para o álcool, não? – diz Illumi, olhando para o garoto.
Killua levanta sua cabeça e mostra-lhe a língua, fechando os olhos. Illumi se espanta com a atitude, mas abaixa sua cabeça e morde a língua do rapaz. Killua afasta, assustado, mas Illumi da uma risada suave e aproxima-se novamente.
- Temos assuntos pendentes, lembra? – Illumi levanta Killua e coloca-o na cama, se colocando em cima do rapaz.
- Espera, espera... – Killua empurra o irmão – e Kalluto?
- Já dei um jeito nele – Illumi agora beija o irmão sem parar, dando uma pausa apenas para retirar a camisa de si. Entretanto, durante esta pausa, Killua arrasta-se para a beira da cama.
- Não – 'o que estou fazendo?' Killua se levanta e vai em direção a porta.
- Kill – Illumi se senta na cama – Você não ama seu irmão? – pergunta, dessa vez tão serio e triste, que fez Killua parar e olhar para ele.
- As vezes, desistir e ir embora também é uma prova de amor. Amor próprio – Killua se vira novamente e vai até a porta. Coloca sua mão na maçaneta. Porem não tem vontade de gira-la.
- Não se vá de novo – Illumi o abraça por trás.
Killua fecha os olhos com força e aperta a maçaneta entre seus dedos. 'Eu não posso me abrir. Eu sempre me machuco, toda vez.' Killua fica completamente confuso.
Illumi apoia sua mão sobre a mão do irmão que aperta a maçaneta, fazendo-o suavizar o aperto aos poucos, até soltar. Beija a cabeça de Killua, vira-o para si e abaixa, beijando-lhe então os lábios. Killua está completamente sem reação. Illumi segura sua mão e o conduz até perto da cama. Illumi senta-se.
- Sente-se aqui – Diz Illumi, batendo de leve em sua coxa. Killua se senta, com o olhar baixo.
- Eu penso em você cada dia. É complicado para que eu, um assassino, diga isso, mas quebrei a principal regra dos Zoldycks. E acho que você também o fez – Illumi levanta a cabeça de Killua para encara-lo
- Mas somos irmãos – Killua se nega – e homens!
- Kill... – Illumi balança a cabeça negativamente – quando você se foi, nenhuma de minhas missões fazia mais sentido. Porque você não estaria em casa para que eu contasse sobre meu sucesso. Eu não poderia mais ensina-lo e ajuda-lo. Quando se foi, descobri que isso era tudo o que importava para mim. Não ligo para nada além disso.
- Illumi – apesar de ter chamado pelo nome do irmão, Killua não sabia ao certo o que dizer. Ele estava constantemente vermelho, então não distinguia-se se era aquilo efeito do álcool ou não, entretanto, agora, ele estava com certeza mais vermelho que antes.
Illumi beija seus lábios novamente, mas desta vez Killua responde com um beijo. Entretanto, mal o beijo começa, Killua cai para trás, ficando agora deitado na cama. Illumi ri.
- Você está bêbado, pequenino – Illumi se deita ao seu lado e, agora, sussurra em seu ouvido – você me ama?
- Não! – Killua, que via o teto girar sobre si, vira seu rosto na direção oposta ao irmão, claramente fazendo birra.
Illumi coloca uma de suas mãos dentro da calça do garoto, abaixando-a suavemente. Postasse então sobre o rapaz e, com a outra mão, vira o rosto do jovem de volta, para olha-lo no fundo dos olhos. Aproxima seus lábios e, quando estão quase se encostando, Illumi para a aproximação.
- Kil... Você me ama? - pergunta novamente.
Dessa vez, após alguns instantes de silencio, Killua passa seus braços em volta do irmão, apoiando suas mãos nas costas de Illumi. Ali, daquele jeito, Killua se sentira incapaz.
- Oni-san... – Killua se limita a responder, fazendo com que Illumi esboce um sorriso antes de beija-lo ternamente. Killua finalmente se entrega por completo, mesmo com a estranha sensação de que se arrependeria assim que o efeito do álcool passasse. Entretanto, não tinha mais nada a perder. 'Que seja...' foi seu pensamento final.
