Capítulo 10
Josh chegou perto de Sara, que dava idéia de fugir dele. Ele esticou o braço, apoiando-o na parede, interceptando a rota de fuga da moça.
- Eu preciso conversar com você, Sara, não fuja de mim.
Sara virou-se para ele. Parecia impaciente.
- Não estou fugindo de você! O que temos de conversar ainda? – Retrucou Sara, que desde que soube do relacionamento sem sentido, dele e Kim, arrefecera muito o entusiasmo em relação ao ex-namorado.
- Muita coisa! Achei maravilhoso encontrar você, Sara!
- Também gostei de te encontrar!Mas já foi e acabou!
Aquela resposta foi decepcionante, para Josh. Ele não escondeu isso dela.
- Almocemos amanhã, na lanchonete do campus.
- Certo! Desde que almocemos ao ar livre!
- Tudo bem! – Disse Josh suspirando.
A polícia chegou e Sara levou o Capitão Jones e seus homens, até onde estava Grissom. O capitão ficou entusiasmado por conhecê-lo, enfim, pessoalmente.
- Sua fama o precede Dr. Grissom.
- Ora!... – Retrucou Grissom, modestamente.
O coração de Sara voltou a saltar, quando ele tropeçou nas palavras e encabulou. Esse era, sem dúvida, um dos motivos que a levaram a se apaixonar por ele. Essa modéstia toda, que o fazia assemelhar-se a um menino, só conseguia evidenciar, a grande mente, que ele tinha.
Apesar de conhecê-lo, ela ficou surpresa quando ele pediu para ajudar os peritos nas investigações, da morte do professor Hermann. Sinceramente, ela achava que a participação dele, naquele caso, estaria encerrada assim que o Capitão Jones chegasse.
- Tem certeza, Gil? Há muito tempo, você está afastado!
- Tenho! Posso estar um pouco enferrujado, mas, não estou morto ainda, Sara!
E assim, quando os peritos da polícia de Boston entraram em ação, Grissom estava no meio deles. Disse de suas suspeitas sobre ser um homicídio, lembrou aos homens da retirada de material sob as unhas.
- Por que? Está tudo no lugar, não parece ter havido luta! – Observou o capitão.
- Ah não? E o que são essas marcas no chão? O piso está todo arranhado nessa parte, como se sapatos tivessem se arrastado no chão!
Os homens fotografaram o local indicado por Grissom.
- Achei um fio de cabelo! – Gritou um deles. - É de mulher!
Antes de pô-lo num saquinho, Grissom deu uma olhada nele: era da cor e do comprimento de Sara. O coração dele se apertou: "não, não era possível que fosse Sara. Ela estava dançando comigo, quando ouvimos o tiro!", lembrou com alívio.
Sara estava olhando da porta para o morto, pensando que tinha algo errado naquela cena. Fechou os olhos e tentou lembrar-se. De repente, o rosto dela iluminou-se, ela chamou Grissom.
- Sabia que tinha algo errado, mas não conseguia lembrar o quê... Finalmente me lembrei; o professor Hermann era canhoto! E olhe, o braço dele que está segurando a arma... É O DIREITO!
Grissom olhou do professor para Sara, perguntou se ela tinha certeza. Ela olhou-o meio atravessado e respondeu meio brava:
- Ora Grissom, sei que isto é sério; pode mudar tudo! Não sou nenhuma idiota! É o meu trabalho, esqueceu?
Sara voltou ao salão, enquanto Grissom pediu aos peritos, teste de vestígios de pólvora, nas duas mãos, pois acabara de descobrir que a vítima era canhota.
- Temos um homicídio, em lugar de um suicídio.
- Como você tem certeza disso? – Perguntou um sujeito magrinho, a um estupefato Grissom, que achou a pergunta muito idiota.
- Ora, tal seria alguém para se matar, se dá um tiro no peito, o que é pouco provável, usando a mão esquerda e depois muda para a direita. Ora, faça-me o favor!
Com essa, o rapaz calou-se e se encolheu de tal forma, que nem parecia estar mais lá. No salão, o pessoal estava sendo interrogado. Num canto Louise explicava a Sara:
- Nosso baile acabou! Não há mais clima para dança. Lewis me levará para casa. Vocês vão também?
- Sim, vou chamar Gil para irmos embora. Suponho que a comemoração esteja encerrada...
- De maneira nenhuma, amiga! Amanhã o dia será livre, como estava previsto. – Retrucou Louise com energia. – Na quinta, retomaremos com o Piquenique no campus!
Sara estava duvidando que esse fosse o comportamento mais correto, a se tomar. Louise pareceu adivinhar seu pensamento, pois completou.
- Escute, eu não sou insensível! Gostava e respeitava o Professor Hermann. Mas a vida continua... E ademais, respeito também quem veio de longe para essa reunião. Só como exemplo, Lana veio de Nova Jersey; Kim de Nova York; você e Grissom de Las Vegas; Josh da Califórnia, etc.
Sara foi andando e pensando se a amiga tinha ou não razão. Foi buscar o marido, que já se despedia do capitão Jones. OS dois se apertavam as mãos.
- Assim que os resultados estiverem prontos, entro em contato com o senhor!
- Já tem o meu endereço,capitão! Estou no aguardo!
- Vamos, Gil? – Perguntou Sara.
No curto trajeto de automóvel, até a casa de Louise, eles foram falando sobre os acontecimentos. Era bom poder conversar sobre outra coisa e deixar de lado, o seu próprio assunto. Era mais confortável assim.
- Louise acha melhor para todos, se os programas da reunião forem cumpridos!
Grissom detectou uma má vontade, por parte da esposa.
- Isso lhe desagrada, querida? – Perguntou pegando as mãos dela.
- Francamente, não sei o que pensar: por um lado, creio que ela tem razão; por outro, acho um desrespeito ao Prof. Hermann. O que você acha, Gil?
- Bem, creio que Louise tem razão. Devemos satisfações aos vivos. Os mortos estão mortos e já não se importam com essas coisas! O verdadeiro luto fica dentro de cada um: nas lembranças, pensamentos e sentimentos. É uma coisa do interior; por fora a vida continua.
Já saindo do carro, Sara ajuntou.
- Queria ver as coisas simples como você, Gil!Tudo seria bem mais fácil..
.- Eu não vejo as coisas nem simples, nem compostas, mas como elas se apresentam, Sara. Eu cuido para não complicá-las.
Mais tarde, no quarto, enquanto se trocavam para dormir, continuavam a conversar.
- Gil, você acha que eu sou uma pessoa complicada? – Perguntou, Sara, de repente.
