Capítulo X - Acerto de contas
Os eventos que se seguiram aquela noite foram decisivos para o rumo da guerra. Entretanto, nem mesmo a morte de Dumbledore e a existência das Horcruxes foram capazes de desviar a atenção de Lupin por algum tempo. Nem mesmo o fato de que Harry agora estaria sozinho para procurá-las, o fazia esquecer por segundos os olhos castanhos de Mia.
O casamento de Gui seria um dia antes do seu encontro com Greyback, e foi com um olhar brilhante que ele encontrou sua figura no espelho, ajeitando o nó da gravata. O terno escuro caía impecavelmente sobre sua forma esguia e com satisfação deixou seus aposentos no Largo Grimauld para se reunir a família Weasley e os amigos na Toca.
A cerimônia foi simples, mas muito bonita e emocionante. Lupin olhava com carinho para o jovem parado a sua frente. Gui guardava várias cicatrizes em seu rosto do ataque de Fenrir, ainda não sabiam qual seria seu comportamento nas noites de lua cheia, mas sua noiva não desistira do casamento. Fleur e Gui formavam um lindo casal, era impossível não admirar a coragem dos dois. Lupin deu um longo suspiro, baixando os olhos para suas mãos, e lembrou-se de Mia. A imagem dela tomou o lugar de Fleur em seus pensamentos e ele se viu perguntando para si mesmo se teriam algum dia essa felicidade. Ela ficaria linda de noiva, com flores azuis espalhadas pelos cabelos escuros e o sorriso a brincar em seu rosto.
Seus olhos turvaram enquanto a cena se desenhava com pequenos detalhes na sua frente. Uma mão fina segurou a sua e Lupin viu seus sonhos serem varridos de sua mente, levantou os olhos encontrando os de Tonks. A moça sorriu-lhe afetuosamente, mas Lupin desviou seus olhos para o casal, não havia muito que pudesse fazer em relação aos sentimentos que Tonks sentia por ele, mas podia evitar alimentá-los com falsas esperanças.
Saiu cedo da festa e voltou sozinho para o Largo Grimauld. Adormeceu vendo Mia vestida de noiva.
A noite do dia seguinte chegou, trazendo consigo uma brilhante lua cheia no céu. Lupin havia tomado sua poção, não se transformaria em lobisomem contra sua vontade. Olhou o relógio na parede da cozinha, era quase meia-noite, foi até a sala e colocando a capa escura sobre os ombros, deixou o número 12.
Andou por algum tempo beirando a orla da floresta, seus pensamentos cruzavam sua mente como raios, e fechando a mão em torno da varinha dentro das vestes, deu o primeiro passo em direção a escuridão feita pelas árvores. Seus passos eram firmes e cadenciados, tomava cuidado para não ser visto, ou chamar atenção mais do que deveria.
Já havia uma meia hora que estava andando com o luar iluminou a clareira a sua frente. Lupin parou, desta vez para buscar todo auto-controle que tinha antes de entrar no meio da alcatéia que se aglomerava ao redor da clareira.
Não demonstrou pressa ou medo enquanto se dirigia ao centro da roda, sabia que era observado há muito tempo e que qualquer ato impensado poderia ser fatal. Sentiu os olhos de Greyback cravarem nele. Fenrir estava em sua posição de chefe, bem no meio círculo, com seu ar imponente e arredio. Lupin não o encarou, procurava por Mia.
Ao contrário do que geralmente acontecia, a alcatéia não se manifestou, cada passo que Lupin dava até Greyback as vozes se calavam. Os olhos de todos estavam agora voltados para o centro do círculo, enquanto Lupin se posicionava à frente do líder. Os dedos apertaram com força o pedaço de madeira entre eles. Greyback gesticulou rapidamente com as mãos fazendo calar um último murmúrio, e então falou:
- Eu lhes prometi um tempo de glória e fartura, um tempo em que não mais vivamos escondidos e mantidos sob as rígidas leis do Ministério da Magia. – os olhos dele brilharam na noite – É chegada a hora de nos organizarmos, como a família que somos, para que alcancemos esse bem maior. É chegada a hora em que lutaremos com o homem que provou estar ao nosso lado e lutar por nossos direitos, Lord Voldemort – um clamor surgiu entre os presentes e Lupin sentiu um frio percorre-lhe a espinha. Foram poucos que ele viu não entoarem o coro imposto por Greyback.
A alcatéia estava coesa para seguir um louco homicida, e ao seu lado Fenrir saboreava o momento de triunfo. Novamente ele levantou uma das mãos e mostrou os dente pontiagudos numa ameaça explícita e o silêncio se fez.
- Eu agradeço que confiem sua liderança à mim, e por saber o que esperam de um chefe, eu trouxe até aqui um membro de nossa estimada família que ousou se envolver com uma bruxa. – todos os olhos se viraram para a figura de Lupin, que sentiu seus músculos retesarem. – Não é segredo, para quase nenhum de nós como somos tratados por este tipo de gente, mas essa em especial é uma traidora de seu próprio povo! Uma traidora do homem que estará ao nosso lado nesta guerra! – finalizou o discurso olhando para o lado oposto a Lupin, onde diante dos olhos de todos, Mia surgiu trazida por dois homens que se afastaram em seguida.
Ela não encarava nenhum dos presentes, mantendo seu olhar preso nas suas mãos. Tinha receio de encontrar os doces olhos de Remus e traí-lo mais do que já o fizera ao se expor daquela maneira. No momento seguinte, um dos anciões se colocou ao lado de Lupin, enquanto Fenrir tomou o rosto dela entre os dedos e a fez olhar a sua volta.
- Esta mulher é acusada de traição, e se sair daqui com vida poderá revelar nossos segredos aos seus amigos. Para ela não há defesa, nem leis que a beneficiem dentro dessa alcatéia – e virando-se para Lupin continuou: - Entretanto, nosso irmão tem o direito de se defender e provar que sua ligação com ela é inócua a nosso povo.
Os olhos de Lupin caíram sobre Mia, os cabelos castanhos estavam desgrenhados sobre os ombros e a roupa rasgada. Seu estado geral era de total desolamento. O ancião cochichou qualquer coisa ao ouvido de Lupin, e este negou com a cabeça, fazendo-o voltar a sua posição no círculo. Ele renunciara a sua defesa através do julgamento da alcatéia, iria para o embate corporal com o líder. Um sorriso de satisfação crispou os lábios de Greyback, antes que falasse:
- A sentença da srta. Mary é a morte. – sua voz soava vitoriosa – E como líder, serei eu seu carrasco. – os dentes agora estavam arreganhados em direção a Mia e vários uivos foram ouvidos a sua volta em assentimento.
Mia se virou para encará-lo e tudo o que via eram os pêlos avermelhados começando a cobrir-lhe o corpo, os olhos escureceram e as mãos tornaram-se garras. Ela deu um passo para trás ante a visão do enorme lobisomem, mas não havia para onde fugir, todos tinham se colocado de pé e esperavam o destino da traidora.
Greyback deu um passo em direção a Mia, mas o lobo cinzento se colocou entre os dois. Seus instintos de bicho aflorados ao máximo, detectando tudo o que acontecia ao seu redor. Lupin encarou Mia por segundos, surpreso, e depois virou para atacar Greyback, mais determinado do que antes.
Os dentes de Lupin se arreganharam numa clara ameaça a Fenrir, e sem esperar mais qualquer movimento de seu adversário pulou sobre ele. Os dois lobos se embolaram pelo chão, grunhidos eram ouvidos a todo instante, frutos das mordidas deferidas de um sobre o outro. Depois de alguns minutos Lupin conseguiu se livrar das garras de Greyback e saiu em direção a parte escura da floresta com ele e mais metade da alcatéia ao seu encalço. O grupo que ficou se acercou de Mia.
Os olhos dela não desviavam da direção que vira Lupin pegar, e seu coração acelerou como se fosse explodir. O ar pesava ao redor de todos, os homens e mulheres ao seu lado estavam atônitos, eram uivos e guinchos ouvidos a todo instante. De repente Mia sentiu uma dor fina percorre-lhe todo o corpo e caiu de joelhos sobre o chão de terra. Seus olhos se encheram de lágrimas antes de perder totalmente os sentidos.
O grupo que havia saído retornou, apreensivo. A alcatéia deliberou, por minutos que pareciam horas até decidirem como deveriam proceder, e o que parecia mais velho de todos, retirou um punhal de dentro das vestes e andou até o corpo caído de Mia. A Lâmina afiada cortou o ar, brilhando a luz da lua, mas parou no instante em que o lobo cinzento surgiu da escuridão, trôpego e ferido. O velho o encarou, vendo-o se transformar novamente em homem, o punhal ainda suspenso no ar apontado para Mia, e ouviu dizer:
- Não pode matá-la... – a voz saia entrecortada pela respiração ruidosa, enquanto ele se aproximava de Mia, e completou arfando: – Ela está grávida. Tem o direito de permanecer viva até a criança nascer... E eu exijo esse direito! – o velho o fitou e assentiu ligeiramente com a cabeça, guardando o punhal.
Lupin tomou o corpo de Mia nos braços, acarinhando-o. Aos poucos ela recobrou a consciência, sentindo o calor dos lábios e das mãos de Remus, e abriu os olhos. Ele lhe deu um pálido sorriso, sussurrando: - Você está segura agora, Greyback está morto.
Os olhos dela piscaram várias vezes antes de seus lábios tocarem os dele, apaixonados.
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N/A: Agradeço à todas pela paciência comigo e pelas reviews maravilhosas!!! Amos vcs de coração!!! Obrigada pelo carinho que tem por mim e que, com certeza, acreditem, é recíproco! Betinha fofa que bom te ter de volta!!! Te amo demais, xeruuuuuuuuuuuuuu, Shey... Bjos enormes em vcs... O próximo caps eh o último... Entaum ateh lah!
