Capítulo 10

Sobre Azevinho e Crianças

24 de Dezembro, Véspera de Natal

-Vamos logo, Draco! - Gina gritou, sua voz ecoando pelos corredores. Era estranho, estar na Mansão Malfoy, chamando por seu namorado.

Mas, ali estava ela. Se sentindo mais feliz do que já se sentira na vida. O dia amanhecera uma bela manhã, a neve que caia era pouca, mas bonita o suficiente para deixar um clima mágico de Natal. Ela jamais imaginara que em uma noite de azar, sua vida iria mudar completamente, para a melhor coisa que poderia ser. Então, ele apareceu descendo as escadas, e ela percebeu que sua vida mudara não por azar ou por sorte, mas por causa dele.

-Que foi?- ele perguntou erguendo uma sobrancelha- Por que está me olhando desse jeito?

Gina sacudiou a cabeça, tentando se concentrar no que tinha para dizer, e não nele.

-Tenho uma boa e uma má notícia.- ela sorriu.

-Diga primeiro a má.- ele respondeu, soando cansado.

-Por que não fazemos diferente dessa vez?- ela perguntou, se aproximando dele, e o beijando levemente.- Eu começo pela boa e você entende a má.

-O quê? O papai-noel caiu no jardim e vai ter que ficar hospedado aqui?- Draco perguntou ironico, e Gina revirou os olhos. Por uma estranha razão, ela adorava aquele jeito dele.

-Não. Depois de você, eu não hospedo mais nenhum papai-noel. - ela sorriu mais, animada.- Recebemos convites para o Natal! Desculpe, mas acho que vamos ter que ir.

-Ah, não.- ele disse, entendendo tudo, ao ver o sorriso de felicidade dela.- Não, não, não! A sua família não!

-Vai ser divertido, Draco.- ela respondeu, não desanimando nem um pouquinho.

-Vai? Que parte? A que seu irmão tenta arrancar minha cabeça com a guirlanda, ou a que sua mãe tenta me afogar no pudim?

-Como daria para afogar alguém no pudim?

-Foi para isso que você pediu desculpas então? Porque vamos passar nosso primeiro natal juntos, com eles?

-O que você acha?- então ela sorriu ainda mais- Vamos?!

-E eu tenho escolha?- ele perguntou, já sabendo a resposta.

-Absolutamente nenhuma.- ela respondeu, ainda sorrindo. E ele a olhou, sem conseguir se impedir de sorrir também.

Mais tarde naquele dia, eles aparataram na Toca. Do lado de fora, dava para ouvir a agitação do lado de dentro. Olhando em volta, toda a decoração, Draco percebeu que não ficaria surpreso se de repente duendes verdes e pequenos, vestindo roupas de sino, aparecessem e começassem a cantar músicas de natal. Aquele lugar estava mais decorado do que a própria loja que vendia decoração de natal.

-Vai dar tudo certo.- Gina o assegurou, arrumando a gola dele, um pouco nervosa também.

-Claro que vai. O que poderia dar errado?- ele perguntou sarcástico.

E quando a porta se abriu, um minuto depois, revelando a Sra. Weasley em um vestido de bonecos de neve bordados sobre o tecido verde e vermelho, muito conhecido de Gina ( Fora o mesmo que ela experimentara na loja, junto com Draco, no primeiro dia dele em sua casa.), eles sorriam o maior sorriso que suas mandíbulas permitiam.

-Olá, mamãe!- ela disse, abraçando a senhora.

-Gina, querida! Como está linda! - a Sra. Weasley exclamou, então se virou para Draco, que chorava tentando não rir do vestido dela, sem muito sucesso. A Sra. Weasley pareceu realmente surpresa por vê-lo ali. - Ah, olá. Seja bem vindo, entre por favor.

Surpreso pelo 'bem vindo', Draco entrou na Toca. Estava em uma grande sala, com uma mesa de aperitivos, guirlandas, uma gigantesca árvore de natal decorada com enfeites de verdade, e aqueles feitos por crianças, que toda a mãe tem. Uma parede estava coberta de cartões de natal, alguns com desenhos, outros com fotos, mas todos muito alegres e coloridos. Crianças corriam pela sala, brincando, por entre adultos que conversavam e riam. E pelo que Draco pode notar, metade deles era ruivo. A casa, transmitia uma sensação esquisita nele, a mesma que sentia na casa de Gina. Ali parecia um lar de verdade.

-Olá, Gina.- Arthur se aproximou da filha, a abraçando com carinho. Então, viu Draco parado a uma pequena distancia, olhando em volta parecendo muito contrariado.- O que ele faz aqui?

Mas, quando Gina abriu a boca para responder, sua mãe foi mais rápida.

-Eu não sei Arthur. Eu falei para ela ter cuidado com os encanadores, mas parece que ela não me ouviu!

Gina teria morrido de rir ali mesmo, se seu pai não tivesse perguntado confuso.

-Encanador?

-Uma longa história, pai.- ela respondeu, rapidamente.- Para encurta-la, aquele é Draco Malfoy. Ele salvou minha vida anteontem, e agora estamos juntos. Feliz Natal!

E tentou sair dali o mais depressa possível, mas sua mãe parecendo furiosa exclamou:

-Espere um minutinho aí, mocinha.- e Gina soube que aquele minutinho poderia durar bastante tempo.

Enquanto isso, Draco enfrentava seus próprios problemas.

-O que você faz aqui?- Rony perguntou, subtamente notando a presença do loiro. Draco não ficaria nem um pouco intimidado, se naquele momento Rony não estivesse cortando um pedaço do peru, e não estivesse apontando a faca em sua direção.

-Eu fui convidado, Weasley.- ele disse, respirando fundo para conter todas as ironias que queria dizer, por Gina.

-É mesmo? Por quem? Pelo anjo natalino?

-Pode-se dizer isso. - Draco respondeu sorrindo. Então resolveu explicar, quando Rony se tornou mais vermelho.- Sua irmã, me convidou.

-Gina, o que ela tem a ver com você?

-Muito eu diria.

-Só porque ela foi louca de salvar sua vida, não quer dizer que...

-Eu e ela estamos juntos.- Draco afirmou.

-O quê?!

Mas, desta vez não foi apenas Rony que pareceu surpreso. Na realidade toda a festa parecia. Em um canto, ele pode ver Harry Potter, que conversava com uma menina de olhos grandes e cinzentos, com uma expressão que parecia que acabara de rever o Lord das Trevas em pessoa. A imagem fez o loiro sorrir.

-Sim, juntos.- Draco continuou. Mas, ele se arrependeu de ter dito isso, um segundo depois, quando se viu cercado por cabeças vermelhas, preparadas para tirar suas entranhas pelo nariz. Draco nunca pensou que um grupo de ruivos, pudesse ser tão assustador.

-O que você quer dizer, estamos juntos?- um deles perguntou, um de cabelo cumprido e um brinco e várias cicatrizes no rosto.

-Eu...- Draco começou a dizer, mas foi interrompido.

-Qual são suas intenções com a Gina?- outro perguntou logo depois, um com grandes cicatrizes no braço.

-Eu...- ele tentou responder novamente, mas em vão.

-Que história é essa?- um dos gêmeos perguntou.

-Se eu...

-Você vai ficar longe dela!- Rony exclamou.

-Eu...

-O que está acontecendo?- Granger chegou na roda.

-Eles...

-O Malfoy está indo embora.- Rony continuou.

-Mas...

-E a Gina?- um de óculos perguntou perguntou.

-Ela enlouqueceu completamente!- o outro gêmeo disse, sacudindo a cabeça.

-Por que não está respondendo as perguntas?- o primeiro exigiu saber.

-EU A AMO, OK? - Draco gritou, finalmente, calando todos os outros. - Eu vim passar o natal com vocês, tentando não brigar, porque no natal ficamos com a pessoa que amamos. E eu amo a Gina, está bem assim?

-Está ótimo.- uma voz suave veio de um canto, e quando a roda se abriu, Draco pode ver uma sorridente Gina o olhando.

-Isso quer dizer que o Malfoy vai ficar? - Rony perguntou.

-Definitivamente.- Gina sorriu.

Com alguns protestos, os outros se afastaram, Hermione tendo que arrastar Rony.

-Quem disse que ter uma família era fácil?- Gina riu, quando Draco se aproximou dela.

-Se você souber, me avise que quebro a cara do mentiroso.- Draco sacudiu a cabeça, sorrindo de volta.

A poucos metros de distancia, Fred e Jorge sussurravam para Rony.

-Não se preocupe, temos um plano.

-O quê?- o ruivo perguntou curioso.- A Gina não vai nos deixar chegar perto do Malfoy.

-Nós não, mas as crianças sim.- Fred sorriu maldosamente.- Jorge, você por acaso tem alguns nuques aí?

-Vocês vão chantagear as crianças?- Rony perguntou surpreso.

-Não, mas elas vão ganhar bem por cada coisa que fizerem.- Fred sorriu ainda mais.

O resto da noite passou em relativa calma. Draco se acomodou bem na Toca, com Gina, se aventurando a conversar com o Sr. Weasley. A conversa fora boa, mas algumas coisas pareciam não estar dando definitivamente certo para ele, apesar dos irmãos de Gina se manterem calmos e distantes.

Uma criança passara ao seu lado, trombando sem querer com o braço de Gina, que derrubou vinho em Draco. Por alguma razão, as luzes de natal ficaram presas em sua blusa, e ele acabou arrastando toda a decoração com ele, quando tentou se aproximar de Gina. Ele sem querer quebrou o brinquedo de uma das crianças, quando ela pediu para ele segurar o brinquedo um pouco, deixando a criança em prantos, de tal modo que os gêmeos tiveram que dar dinheiro para ela, para que parasse de chorar. Um vidro de tinta também caiu no pé de Draco, quando ele se aproximou de um bebê que pintava no chão; ele derrubara um prato de comida, quando tentou ajudar a Sra. Weasley na cozinha, quando tropeçou em uma criança escondida em um canto; e sem querer soltou um palavrão na frente do Sr. Weasley, e de algumas crianças, quando uma delas vomitou nele.

-Aqueles demoninhos parecem que me odeia.- ele sussurrou a Gina, um tempo depois.

-São só crianças, Draco.- ela respondeu, mesmo assim olhando desconfiada para Fred e Jorge.

Estavam todos esperando a meia-noite, para começarem a abrir os presentes, e desejar feliz natal a todos. Como em unissílabo, todos contaram os segundos, e exatamente à meia noite, começou a maior demonstração de carinho, que Draco já vira. Não que ele fizesse parte daquilo, geralmente as pessoas apenas murmuravam algo para ele, sacudindo sua mão. Mas, em volta todos se abraçavam e festejavam juntos. Aquilo pareceu enche-lo de uma quente alegria. Principalmente quando uma garotinha, de cabelos ruivos e rebeldes, filha do Weasley e da Granger como ele descobrira, se aproximou o abraçando.

-Feliz Natal, tio Draco.- ela murmurou.

-Feliz Natal, Rose. - ele respondeu tocado.

Gina então se aproximou dele, sorrindo.

-Feliz Natal, Draco.

-Feliz Natal, Gina.

E eles se abraçaram felizes.

-O que é isso?- ela perguntou, apenas um segundo depois. Em suas mãos havia uma papel escrito 'Chute o Idiota! E ganhe um presente!'.- Quem grudou isso nas suas costas?- ela perguntou, parecendo furiosa.

-Não sei.- ele respondeu confuso.- Ninguém me abraçou, exceto a Rose e...

-Rose?- Gina perguntou, fumegando de raiva.- Rony! Eu vou mata-lo!

-Hum, tenho uma idéia melhor.- Draco respondeu olhando para cima. E esperando um momento em que ambos ficassem bem a vista do ruivo, beijou Gina embaixo do azevinho.

Rony sentiu-se tremer de raiva. Mas, os dois estavam ocupados demais para perceber. Sem dúvida, aquele natal estava saindo melhor do que o esperado.

N/A- Desculpem ter demorado tanto! E MILLLLLLLLLLLL desculpas não responder os comentários. É que a coisa tá feia aqui! Além de eu estar sem tempo, tá trovejando aqui do lado! Comentem de qualquer jeito! E ah... ainda tem o epílogo! Beijos para todos, Madam Tessa !