Vindicated

Sinopse: Ginny luta ao lado dos rebeldes contra o governo tirano, mas quando ela cai nas mãos do rei, conseguirá ela manter seus ideais?

Disclaimer: Os personagens dessa história pertencem à Warner Bros e à J. K. Rowling.

Sobre a Fic: Baseada na música She's a Rebel, Green Day; e Vindicated, Dashboard Confessional.


Capítulo 10 - The Corners of Your Lips

Quando Natalie acordou, o sol já estava alto. Ela pulou da cama e começou a se arrumar, perguntando-se se Ginny já estaria negociando com o Barão. Ela gostaria de ouvir a conversa.

Uma garota apareceu para ajudá-la e ela, por sorte, sabia de algumas coisas que chocaram Natalie. Draco Malfoy pedira a mão de Astoria em casamento, e Ginny assim que soubera fora conversar com o Barão.

"Quando? Eles estão conversando há muito tempo?" Perguntou ansiosa.

"Faz cerca de meia hora. Ela e os dois outros senhores que vieram com vocês entraram na sala do trono..."

"Leve-me lá. Por favor." A garota pareceu surpresa com o educado pedido e assentiu. Logo as duas desciam as escadas. Pararam em frente à porta dupla que levava à sala do trono, e um dos guardas pôs-se no caminho.

"Eu faço parte dessa negociação. Apenas dormi demais." Avisou Natalie.

"Desculpe, senhorita, mas temos ordens..."

"Eu vim com eles! Ginny precisa de mim, e você pode vir a estragar toda a negociação se não me deixar entrar AGORA!" Gritou, nervosa, sentindo a pulsação acelerar. Os dois guardas olharam-na surpresos, como se não acreditassem que alguém tão pequena e jovem conseguisse falar com tanta propriedade.

"Muito bem, mas se por acaso..."

"Eu não estou mentindo." Interpelou Natalie. O guarda franziu os lábios, mas abriu a porta.

Natalie respirou fundo, e entrou.

O lugar era amplo e arejado. O Barão estava sentado no trono, olhando para Ginny com uma expressão grave, enquanto ela falava.

"Ele pediu minha filha em casamento, Srta. Weasley. E Astoria aceitou. Não posso fazer acordos com vocês, quando estou entregando minha filha ao..."

"Então não entregue!" Cortou Collin, mordendo os lábios em seguida. O Barão suspirou, massageando as têmporas.

"Natalie, o que você está fazendo aqui?" Charlie foi o primeiro a notar a garota. Ginny se virou para os dois.

"Eu... pensei que fazia parte disso. O meu futuro também está sendo discutido aqui, e eu vim dizer a Ginny qual é a minha decisão sobre... aquilo." Ela falou o final mais baixinho.

Ginny olhou para o irmão, fulminando-o.

"Você disse que ela já havia tomado uma decisão, Charles. Que ela não queria se casar." Sibilou Ginny.

"É o certo." Falou Charles, desviando seu olhar de Natalie, que o fitava em choque.

"Você não tem o direito de decidir minha vida por mim!" Falou a garota, sentindo-se como uma marionete, a qual todos podiam manipular.

"Senhores, se vocês têm assuntos pessoais a discutir eu peço que o façam em outro lugar." Pediu o Barão, levantando-se.

Ginny voltou-se para ele, angustiada.

"Você não pode confiar na palavra de Draco Malfoy!"

"Suponho então que devo confiar na sua? Diga-me, Srta. Weasley, o que a diferencia do Sr. Malfoy, que me faria confiar tanto na Senhorita?" O Barão parecia genuinamente curioso.

Ginny abriu a boca para responder, mas não conseguiu juntar as palavras, pensando que, no dia anterior, estava "confraternizando" com o inimigo na sala de banhos do castelo.

Natalie, porém, adiantou-se, muito mais confiante do que se sentia.

"Vossa Majestade já deveria saber a resposta para isso." Desafiou, fazendo com que o Barão a olhasse com a sobrancelha erguida. "O Senhor mesmo sempre desconfiou e desaprovou as atitudes da dinastia Malfoy, mantendo-se imparcial, independente e distante do Reino da Inglaterra. Nunca simpatizou com eles, mas agora, contudo, entrega sua filha a um homem que pode muito bem matá-la depois que essa guerra passar." Despejou, sem tomar fôlego.

"E quem é você, garotinha, para falar com um Rei dessa maneira?" Perguntou o Barão, mas não parecia irritado, apenas impressionado e curioso com a atitude da jovem.

Respirou fundo, ciente de que todos os olhares estavam sobre ela.

"Meu nome é Natalie Mcdonald, sou filha de Lucius Malfoy e Eleonora Mcdonald. E, se os rebeldes ganharem essa guerra, serei a nova Rainha da Inglaterra. E o senhor, se ficar ao nosso lado...

"Natalie, não." Ela ouviu Charlie sussurrar, mas ignorou-o.

"Ganhará total independência da Inglaterra, e Gales será reconhecido como um reino amigo, a ser protegido de ataques estrangeiros, conquanto mantenha sua lealdade." Ela fez uma reverência, antes de voltar a olhá-lo, com o queixo erguido.

O Barão estava realmente surpreso. Voltou-se para Ginny.

"É essa sua oferta, Srta. Weasley? Em troca de ajuda, dará total independência a Gales?"

Ginny estava olhando pasmada para Natalie, orgulhosa com a atitude da garota.

"Ahhn... sim! É o que nós temos a oferecer. É como Natalie disse, alteza: os Malfoy nunca lhe deram razões para que confiassem neles, nós, contudo, nunca lhe demos razões para não confiar. Estamos lutando por mudanças, e elas não virão se agirmos como os atuais governantes."

"Tenho certeza que suas intenções são as melhores agora, Ginevra, mas já ouvi muitas histórias em que os próprios revolucionários tornam-se ditadores piores do que aqueles a quem derrubaram."

Charlie, que estivera observando Natalie com um grande sorriso, adiantou-se um passo.

"Todos nós aqui, Barão, perdemos pessoas muito importantes. Ginny e eu perdemos nossos pais e irmãos, assim como Collin, e Natalie, perdeu a mãe, e essas mortes estão todas nas mãos dos Malfoy. Fomos criados com valores de honestidade, lealdade, união e justiça, e se qualquer um de nós for seduzido pelo poder, os outros estarão por perto, para lembrá-lo de nossas origens." Falou, firme.

O Barão assentiu, solene, e sentou-se novamente em seu trono.

"Eu preciso pensar. Eu estarei no próximo combate, o qual sinto que será a derradeiro, e vocês então saberão qual foi a minha decisão. Minha hospitalidade acaba aqui, senhores. Façam boa viagem, preparem-se, e nos vemos no campo de batalha."

Não havia mais nada para falar, então os quatro deixaram o Rei sozinho. Partiriam de Gales o quanto antes.


Draco estava indo falar com o Barão, para acertar os detalhes do acordo (sabia que Ginny estivera conversando com ele, e esperava que a ruiva não o tivesse feito mudar de idéia), quando esbarrou com Tonks em um corredor.

"Draco." Ela cumprimentou, e parecia mais séria e tensa do que ele jamais vira.

"Nymphadora." Ele usou o primeiro nome apenas por implicância, e estranhou ela ter-se mantido séria, olhando-o como se tivesse algo muito importante a dizer. "O que houve?"

Ela respirou fundo, desviando o olhar por um momento.

"Estou mudando de lado."


"Você foi incrível!" Charlie pegou Natalie e a girou no ar, assim que saíram da sala do trono. A garota riu, corada.

"Foi você." Ela sorriu, colocando a ponta dos dedos nas bochechas do ruivo. "Deu-me coragem."

Ginny sorriu ao ver os dois se beijarem, e puxou Collin.

"Eles nos alcançam." Falou, e os dois começaram a caminhar. "Preciso admitir que fiquei admirada, por mais que eu esperasse isso dela, porém não agora... ela é tão nova."

"Apenas três anos mais nova que nós dois, Ginny. Não é tão nova assim; e ela nos ouviu conversar sobre nossos planos diversas vezes, apenas os sintetizou e modificou um pouco."

"É... foi melhor assim. Não há nenhuma garantia, mas..." Ginny se calou ao ouvir vozes no corredor no qual estavam prestes a virar. Colocou a mão sobre o peito de Collin, impedindo-o de avançar.

Os dois pararam para escutar, pois reconheciam as vozes. Malfoy e Tonks.

"Estou mudando de lado." A voz de Tonks soou firme, e os dois se entreolharam surpresos. Collin deixou o queixo pender levemente para baixo.

Então Ginny estivera certa sobre Tonks todo aquele tempo.

"Do que você está falando, Nymphadora? Você não pode mudar de lado!" Exclamou Malfoy, um pouco alto demais. "Somos primos, somos da mesma família, crescemos juntos, e agora me diz que vai ficar contra mim nessa guerra?"

"Desculpe, Draco." Falou Tonks, e fez menção de continuar seu caminho, mas Malfoy a segurou.

"Eu não vou deixar você fazer isso sem nem ao menos dar-me um motivo convincente." Ele falou, fitando-a intensamente nos olhos.

"Eu não consegui matá-lo." Falou baixo.

"Você se envolveu com ele. Grande coisa, não o mate, estou retirando a ordem, não precisa mudar de lado por causa disso." Malfoy revirou os olhos, incomodado.

Tonks puxou o braço.

"Não! Eu não vou mais espioná-los, e não vou mais matar ninguém por ordens suas."

"Então vai lutar contra mim? Por causa daquele rebeldezinho irritante?"

Os tons de vozes já estavam alterados, e Collin tentou avançar para interromper a briga, mas Ginny o segurou, balançando a cabeça.

"VOCÊ ME MANDOU MATÁ-LO! Como se sentiria se eu estivesse no seu lugar e ordenasse que matasse Ginevra?"

"Não ponha Ginevra nesse assunto, não tem nada a ver com ela!"

"É claro que tem! Você quer Collin morto para deixá-la vulnerável! Qual seria o outro motivo? Mas quer saber? Se você não consegue conquistar uma mulher sem que precise acorrentá-la..."

Tonks não conseguiu terminar a frase, e tudo que Collin e Ginny ouviram foi o som de um tapa estalado. Collin entrou no corredor e puxou Malfoy, socando-o no rosto antes que ele tivesse tempo para pensar em se defender. Ginny amparou Tonks, que estava apoiada na parede, segurando a bochecha.

"Não toque nela, desgraçado!" Gritou Collin.

Malfoy sentiu-se tão fora de si por aquele rebelde estar sempre no seu caminho que avançou para cima dele, mas Ginny se colocou na frente dele, defendendo o soco já direcionado e o empurrando contra a parede. Os dois se encararam, e ela olhou-o com o mesmo ódio que vira queimar em seus olhos castanhos nas primeiras vezes em que a visitara na prisão.

"E pensar que eu acreditei em você." Ela sussurrou, e havia tristeza e dor naquelas palavras. "Eu sou mesmo uma idiota." Balançou a cabeça, olhando para baixo, antes de voltar a encará-lo. "Vá lá, e firme seu casamento. Eu mandarei minhas condolências à Astoria, quando ela estiver atada a um homem como você pelo resto da vida."

Ela o soltou, olhando para Collin e Tonks.

"Ginevra..." Começou Draco num tom sério e grave. Estava tudo ruindo. "Eu não estava mentindo."

"Nos vemos no campo de batalha, Malfoy." Ela murmurou, e os três começaram a se afastar. Tonks olhou-o uma última vez, com culpa em suas íris violetas.

Quando eles sumiram de vista, Draco socou a parede, não se importando com o sangue que escorreu de seu punho, ou com a ardência queimando a carne exposta.


Estavam se preparando para partir, selando os cavalos, quando Tonks se aproximou. Não falaram com ela depois do episódio, foram apenas para seus quartos, pegar alguns pertences, antes de partir.

"Eu não sei se tenho o direito de pedir para ir com vocês." Falou, olhando para Collin, mas ele a ignorou.

Sentia-se traído. Depois de todas as conversas que haviam tido, todas as histórias que ela contara. Inventara. Não sabia quem era Tonks. O que sentia, talvez fosse também uma mentira.

Ginny olhou para Tonks. Ela poderia ter matado Collin, mas não o fez. Gostava realmente dele; conseguia ver isso agora nos olhos dela, mesmo que ainda fosse um sentimento tímido, que precisa se firmar. Porém, fora o suficiente para que ela passasse para o lado deles.

"Não tem." Falou Ginny, mas sorriu fraco em seguida. "Estaremos de olho em você. Vamos!" Montou em seu cavalo, e os outros fizeram o mesmo.

Tonks assentiu, montando também, seguindo-os mais atrás, afastada. Sabia que ainda não era o momento para tentar uma aproximação mais amigável; precisava recuperar a confiança de todos.

Olhou para Natalie; ela lhe sorriu amigável, fazendo-a sorrir em retorno, mais calma.


Um mês depois...

"Eu não acredito que estamos mesmo aqui! E por que eles nos receberam tão bem? E onde você aprendeu Irlandês? Hermione? Você está ouvindo o que eu estou falando?" Perguntou Ron, assim que entraram no castelo do Rei da Irlanda.

Todos tratavam Hermione como se a conhecessem, falavam com ela, surpresos e animados, e ela retribuía os cumprimentos. E Ron começou a se lembrar de todas as conversas que tiveram enquanto viajavam sozinhos para o Norte. Sobre ter fugido de casa, cansada do super protecionismo do pai; sobre não ser reconhecida como gostaria, sendo tratada apenas como uma princesinha inocente, para não dizer burra; sobre querer fazer algo maior e mais importante do que dançar em bailes; sobre não querer servir apenas para casar e fazer alianças.

Ron obviamente entendeu que ela era da nobreza, mesmo que ela não dissesse isso com todas as letras. Mas ele não esperava que ela fosse uma nobre irlandesa. E tampouco tão importante para que o Rei os chamasse a sua presença tão logo colocassem os pés naquele lugar.

"Estou sim, Ron." Ela suspirou. "Você já deve ter percebido que eu sou irlandesa. Por isso nos receberam tão bem." Ela sorriu, quando os guardas abriram a porta da sala do Rei.

O lugar era mais rústico que os castelos da Inglaterra. As paredes menos lisas, o piso mais escuro, enfeites diferentes nas paredes. Quando eles entraram, o Rei desceu os degraus em frente ao trono e caminhou até Hermione, abraçando-a como se esperasse por aquilo há muito tempo.

"Filha, senti tanta sua falta." Ele falou, com a voz embargada.

Ron arregalou os olhos. Só podiam estar brincando.


Dois meses depois...

Fazia três meses desde que haviam deixado Gales, e muita coisa acontecera. Muita preparação, regada pelo clima de guerra iminente. Os dois exércitos se preparavam e avolumavam. Os rebeldes estavam claramente em desvantagem, contando apenas com seu próprio exército e o de Riddle, contra o resto da Inglaterra, por mais que alguns Cônsules, todos de pequenas propriedades, contudo, se mantivessem imparciais.

Não era bom, mas não havia alternativas. Draco Malfoy estava de casamento marcado com Astoria, formalmente anunciado alguns dias depois que deixaram Gales. O Barão, entretanto, estipulara que a data deveria ser marcada depois que a confusão política terminasse.

O que era estranho, pois Malfoy poderia voltar atrás em sua palavra, depois de já haver recebido a ajuda de Gales, mesmo que não fosse uma atitude vantajosa, visto que as defesas estariam fracas e criar novos inimigos logo depois de uma guerra, não era algo muito inteligente.

Pequenas batalhas aconteciam nas fronteiras, aumentando a cada dia o clima de tensão. Era chegada a hora. Precisavam marchar em direção ao Coração da Inglaterra e acabar com aquilo de uma vez por todas.

Ginny sentou na varanda e abriu a carta que recebera de Albus. Ele estivera passando-lhe informações sobre as atitudes que Malfoy vinha tomando. Ele estava criando uma espécie de ditadura no país, obrigando todos os Cônsules mais ricos, e servidos de exércitos, a batalhar, e os que negavam oferecer dinheiro, terras e homens, eram depostos e mortos. Todos os suprimentos dos camponeses, como comida, bebidas, roupas, estavam sendo saqueados para suprir o exército, e famílias estavam morrendo de fome. Estava pior do que antes; e a escravidão também aumentara.

Começou a se perguntar se não era culpada em parte por aquilo, afinal, se não tivesse continuado aquela guerra. Se tivesse desistido logo depois da morte do pai e irmãos, como Charlie lhe dissera para fazer, nada daquilo estaria acontecendo. Ou pelo menos estaria acontecendo em menores proporções.

Era loucura! Iam todos morrer. Como conseguiriam vencer com tão menos homens?

Harry contara que Ron e Hermione haviam partido para a Irlanda, buscando por ajuda, mas até então, não haviam mandado noticiais. Talvez estivessem até mesmo mortos, encurralados em alguma armadilha, pensou, sentindo a garganta se contrair.

"Ginny..." ela ouviu a voz de Harry.

Já não mantinha nenhuma relação com Harry, que não uma amizade distante. Sentia-se culpada, e não conseguia ficar perto dele por muito tempo. Pôde ver como isso o magoara, pois desde que eram muito novos, sempre foram próximos. Ele a amava, e Ginny o amava também, mas não era um amor inflado pela paixão. Não da parte dela; não desde que conhecera Malfoy.

Desviou o olhar, culpando-se por seus pensamentos sempre acabarem em Malfoy quando Harry estava por perto. Ele não merecia ser enganado, por isso se afastara; porque Harry, mais do que ninguém, merecia alguém que o amasse de corpo e alma. Algo que ela já não era capaz de oferecer.

"Você acha que é loucura, Harry? Que vamos todos morrer?" Perguntou tristemente, encarando a carta gravada com a letra cursiva e ondulada de Albus.

"Não sei, Ginny." Admitiu o moreno. "Mas estaremos fazendo a coisa certa. Ao menos tentamos... você conseguiria passar o resto da sua vida parada, apenas olhando, sem tomar nenhuma atitude?" Ele sentou-se ao lado da ruiva, com um olhar distante.

Ginny soltou uma risada sem-humor pelo nariz.

"Não. Nunca." Admitiu, repassando tudo que havia acontecido nos últimos meses. De certa forma, aquilo a fazia sentir-se viva. E se fosse morrer, ao menos morreria com aquele sentimento queimando dentro de si, dizendo-lhe que estava continuando o que seu pai começara.

E se vencessem, poderiam arrumar toda aquela bagunça.

"Não perca as esperanças agora." Falou Harry, apertando de leve a mão de Ginny, antes de se levantar, dar um beijo na testa dela e ir ajudar com as últimas revisões, antes que começassem a marcha, no dia seguinte.

Não, ela não iria perder. Não agora.


"Os rebeldes estão preparando a marcha." Avisou Blaise, pondo-se em frente a Draco, que estava apoiado sobre uma mesa, analisando um mapa.

"Ótimo. O barão provavelmente já deve estar de sobreaviso. Há dias estava para acontecer." Malfoy endireitou o corpo. "Prepare os exércitos."

Blaise assentiu, e deixou a sala.

Draco sentou-se e tamborilou os dedos sobre a mesa, pensativo. Já haviam ganhado outra vez dos rebeldes, há mais de dois anos, e sem ajuda de fora. Era evidente que venceriam novamente, mas Ginevra insistia naquilo.

Sentiu-se frustrado, por não conseguira tirá-la de sua mente em nenhum momento desde que ela o encurralara contra a parede, com as íris castanhas brilhando daquela forma machucada, traída e furiosa. Na verdade, não a tirara de sua mente desde que a vira pela primeira vez.

Sabia que ela o odiaria cada vez mais, conforme ficava sabendo sobre seus meios para vencer aquela guerra, e dizimar de uma vez por todas todos que se apunham ao seu governo.

E se por um lado queria gritar que não se importava, por outro, saber que ela nunca o perdoaria angustiava-o e tirava-lhe o sono. Esse era ele, tomando o mesmo caminho que seu pai, como seu pai esperaria, e se ela era contra isso, ele não poderia fazer nada, a não ser...

A não ser o quê? O que faria se descobrisse que ela morrera naquela última batalha? Poderia se perdoar? Poderia seguir normalmente com sua vida ao descobrir que matara a mulher que amava?

Amor.

Se pensar a cada minuto na mesma pessoa. Em seus lábios, e beijos, e gostos, e palavras. Em seus gestos, e olhares, e cores, e olhos. Se perder o sono, sonhando com possibilidade e alternativas para que acabasse junto com essa pessoa. Se desejar ter essa pessoa perto de si de forma tão desesperadora era estar apaixonado. Era sentir amor. Então era o que sentia, e apenas a falta de Ginevra o fez perceber isso.

Quando já a perdera.

Quando estavam definitivamente em lados opostos.

Quando seu orgulho fora mais forte.

Quando era matar ou morrer. Matar, ou morrer por quem se ama.

Levantou-se e pegou sua espada. Estava na hora de decidir seu destino.


Natalie estava sentada na cama, afiando uma espada. Já era tarde da noite, mas ela esperava que os Weasley mudassem de idéia e a deixassem ir para a batalha também. Passara os últimos três meses treinando com a ajuda de Charlie. Queria ajudar, sentia-se preparada, mas eles insistiam que ela era muito nova. O que era uma hipocrisia! Ginny participara de batalhas com menos de dezessete!

O protecionismo maior vinha de Charlie, e ela se arrependeu de não ter trancado a porta quando ruivo entrou sem aviso e a viu afiando a lâmina.

"Natalie!" Ele exclamou e foi até a cama, tirando a espada das mãos da garota.

"Mas..." Ela tentou esticar o braço para pegar de volta, mas ele tocou a espada pela janela. "Charlie!" Exclamou, indignada.

Ele se sentou na cama, pegando as mãos de Natalie, escondendo-as entre as suas.

"Natalie, já conversamos sobre isso..." Ele falou, calmo e afetuoso, de um jeito que sempre a desarmava. "Se você for, eu estarei todo o tempo preocupado com você..."

"Mas eu sei me cuidar, você me ensinou tudo..."

"Sei que sabe! Não estou dizendo que não consegue, mas, por favor, eu não quero arriscar perdê-la." Ele beijou a palma da mão da garota.

"Mas eu posso? Eu posso arriscar perdê-lo?" Natalie desviou o olhar, sentindo os olhos marejarem. Tentara se manter firme todo o tempo, mas pensar que no dia seguinte Charlie partiria, e talvez pra nunca mais voltar, era doloroso demais.

"Você não vai me perder." Ele falou, aproximando-se e abraçando-a, selando os lábios de ambos. Natalie fechou os olhos e deixou que o calor, a proteção e o carinho dele envolvê-la e acalmá-la. Queria tanto estar ao lado dele, na vitória ou na derrota, não importava, queria apenas estar com ele. Sempre.

Ele aprofundou o beijo, deitando-a na cama, e Natalie puxou-o mais contra si, sentindo uma necessidade imensa de agarrar-se a ele, e jamais soltá-lo. Precisava dele, precisava senti-lo, precisava que ele a tocasse, e amasse, e a fizesse sua.

Com as mãos trêmulas, mas decididas, começou a se livrar da camisa dele. Ele quebrou o beijo e olhou-a.

"Natalie..."

"Eu quero isso." Falou, antes que as lágrimas escorressem pelas bochechas. "Se você não voltar..." A voz lhe faltou, e Charlie beijou as lágrimas. "Se você não voltar, eu terei esse momento, para sempre."

Ele a fitou por um momento e, sem dizer mais nada, ajoelhou-se na cama para tirar a camisa, revelando o abdômen bem trabalho que ela já sentira por cima da roupa. Ajoelhou-se também e beijou-o, provando com mais intensidade o calor que se desprendia da pele do ruivo.

Ele começou a desabotoar lentamente a blusa larga que Natalie usava, até que ela escorregasse pelos braços, assim como depois o tecido que envolvia os seios. Ele desviou o olhar para olhar o busto nu, e Natalie corou, colocando os braços sobre os seios. Charlie sorriu e pegou os pulsos finos, puxando as mãos dela para seus ombros.

Voltou a beijá-la, enquanto os corpos se tocavam sem o impedimento das roupas. Natalie gemeu baixinho ao sentir a pressão do tórax de Charlie em seus seios, e ele desceu os lábios para seu pescoço, como se para dar total liberdade para que ela continuasse suspirando, arfante.

Estava sentada no colo dele, com as pernas uma de cada lado do corpo, enquanto ele a abraçava e beijava o pescoço. Conseguia sentir a ereção dele entre as pernas, fazendo-a se arrepiar ainda mais. As mãos grandes e ásperas deslizavam por suas costas, e ele a deitou, encontrando sua boca novamente, a língua fazendo movimentos sensuais e precisos, deixando-a ainda mais desorientada, enquanto ele subia a mão, passando por sua barriga lisinha, até envolver um dos seios, massageando-o. Gemeu baixinho, sentindo todo o corpo tremer e esquentar. Passava as mãos pelos braços musculosos dele e pelos ombros fortes.

Ele se acomodou entre suas pernas, e mesmo com ambos ainda vestidos da cintura para baixo, ela sentiu sua excitação e o nervosismo crescerem ainda mais.

"Eu te quero tanto..." Ele murmurou perto do ouvido de Natalie, fazendo-a morder o lábio, enquanto ele descia os beijos para os seios.

Colocou as mãos nos cabelos ruivos, agarrando-os, quando ele chupou um dos seios, dedicando-se bem a ele antes de partir para o outro. A respiração acelerava mais a cada minuto, e não conseguia impedir os gemidos. Ele colocou as mãos em suas costas e puxou-a mais contra sua boca.

"Charlie... prometa que não vai me deixar." Pediu, apesar de saber que era estúpido. Naquele momento, contudo, precisava daquelas palavras. Mesmo sabendo que não havia garantias, precisava ouvir.

Ele subiu de novo e beijou-a na boca, em um beijo forte e intenso.

"Eu prometo..." Falou, olhando-a nos olhos. Natalie colocou a ponta dos dedos no rosto do ruivo, como se tentasse gravar cada pedacinho, cada ínfima marca de expressão, cada defeito que apenas deixava-o ainda mais bonito.

"Eu sou para sempre sua." Falou, e ele voltou a beijá-la com ainda mais paixão, suas peles ardendo, pedindo por mais. Ele se levantou apenas para tirar as calças. Natalie olhou-o e voltou a morder os lábios. Ele era lindo, e queria-o tanto ecom tanta urgência. Deixou que ele segurasse a barra de suas calças e as puxasse lentamente para baixo.

Ele se posicionou entre as pernas de Natalie e voltou a beijá-la, com carinho, deixando-a relaxada, acariciando-a para que o corpo dela o aceitasse por completo. Tocou-a em seu ponto mais sensível fazendo-a gemer baixinho, e colocou um dedo, e depois outro, deixando com que ela se acostumasse com aquele tipo de contato. Mexeu os dedos, até que ela gemesse e arqueasse o quadril.

Tirou os dedos e se esforçou para ir devagar. Seus olhos se encontraram e observou-a enquanto a penetrava, sentindo a barreira natural do corpo dela se romper. Ela soltou um lamento dolorido.

"Vai passar." Beijou-a nos lábios. "Confia em mim."

"Eu confio." Ela disse, abraçando-o, e enlaçando sua cintura com as pernas.

Passou a mover-se lentamente, até que a expressão de dor sumisse do rosto dela, até que ela pudesse sentir ao menos uma mínima parte de todo o prazer que ela o estava proporcionando. Gemeu no ouvido dela quando ela arqueou o quadril, instigando-o a ir mais rápido.

Entrou mais fundo, com mais força e velocidade, e sorriu ao vê-la fechar os olhos e suspirar, e murmurar seu nome. E beijou-a, porque a amava tanto, e era indescritivelmente bom dar prazer à mulher que amava.

Os corpos se moveram juntos, tornando-se brilhosos pelo suor que brotava de suas peles. E alcançaram o ápice, unidos, várias vezes naquela noite, entre beijos, e murmúrios, suspiros e juras de amor.

Abraçou-a quando caiu exausto ao lado dela, vendo-a, graças à fraca luz que escasseava a cada segundo mais do lampião, fechar os olhos, sonolenta.

"Eu te amo." Sussurrou, beijando-a na nuca, sem saber se ela o ouvira antes de cair no sono.

Não importava.


Beijaram-se antes que partissem. Ela odiava ter que se despedir dele; sentia um aperto enorme no peito.

"Se nós perdermos, já sabe o que fazer." Disse o ruivo, abraçando-a com se doesse mantê-la longe de si. Natalie assentiu, respirando fundo.

"Devo montar num cavalo e seguir para a vila ao sul, e pedir abrigo para a Sra. Figgs." Ela recitou, com a voz baixa e abatida. Algumas semanas antes eles foram até a vila e conversaram com algumas pessoas, até encontrarem a Sra. Figgs, que afirmou que não se importaria de abrigar Natalie, se fosse necessário.

"Eu não posso perder você." Charlie sussurrou no ouvido da garota.

Natalie sentiu os olhos umedecerem, e a garganta se contrair pelos soluços que arriscavam escapar.

"É você que está indo para uma guerra, seu idiota." Reclamou com a voz chorosa. Charlie soltou uma risadinha baixa e se inclinou para beijá-la.

Um beijo doce, com pingos de desespero e saudades.

"Eu te amo." Ele murmurou, tendo a certeza que agora ela o escutava, antes de soltá-la e subir no cavalo.

E eles partiram, deixando-a para trás.

"Eu também te amo." Murmurou, sentindo o vento fresco ondular seus cabelos castanho-cacheados e acariciar sua pele pálida, e deixou que uma lágrima enfim manchasse seu rosto preocupado.


A batalha iria acontecer em uma extensa planície, situada entre as Terras ao Sul, o Coração da Inglaterra, e Gales. Conforme se aproximavam, podiam visualizar a camada negra de soldados escondendo o verde da grama.

Tonks se aproximou de Collin, emparelhando o cavalo ao seu lado. Ele a evitara durante todo aquele tempo, mas precisava falar com ele, antes que a batalha começasse.

"Collin... Collin, olha para mim." Pediu.

Ele suspirou e olhou-a, sem o sorriso que a encantara quando o conhecera.

"O que foi, Tonks?" Ele perguntou, cansado, lutando contra o brilho dos olhos violeta. Mesmo evitando-a, não conseguira parar de pensar nela, e queria poder dizer que não estava assustado com a possibilidade de perdê-la nas próximas horas.

Não ia pedir desculpas de novo, pensou Tonks. Ele precisava parar de agir como se ela o tivesse apunhalado pelas costas, porque era mentira! Ela trocara de lado por causa dele, e então, ele a ignorava.

Era simplesmente... errado!

Colou a lateral do cavalo no dele, e puxou-o pela nuca, beijando-o. Um beijo rápido, que, porém, despertou uma onda forte de diferentes emoções em ambos.

"Tente não morrer." Murmurou contra os lábios dele, e instigou o cavalo para que andasse mais rápido, deixando o loiro para trás.

Collin não conseguiu evitar o sorriso.

"Concentre-se soldado." Brincou Ginny, ao seu lado, antes de olhar para frente, séria. "Chegou a hora."


Nota da autora: Esse era para ser o último capítulo, mas eu resolvi dividi-lo em dois. De novo, repito, vou tentar atualizar até domingo. ;)

Obrigada às lindas que comentaram capítulo passado: AB Feta, Tati Black, Gaabii (eu imaginei que fosse, huhauhau, mas também não quis dar fora, imagina se não era xD Draco enfim se descobriu apaixonado, estava demorando. Charlie/Natalie é uma coisa fofa, adoro escrever sobre os dois. n_n Beijos linda =*), Thaty (Eu tenho uma paixãozinha pelo Collin, não consigo matá-lo, hihi! Beeeijos!), Lari SL, Helena Malfoy, maryannharvelle, Ginny Danae Malfoy, Nathy Zevzik, Nathasha (Aeew, sabe que você foi uma das únicas a reclamar da atitude do Draco? Eu estava estranhando, será que todas as leitoras estão tão apaixonadas por ele? LOL Tonks é gente boa xD É, eu tento não fazer a Ginny muito Mary Sue, ao menos não MUITO, huhauahau! Beijos flor), 'Deiisoca, Senhorita Ka (Eu tb não, será que ele se redime? Gostou das cenas C/N? Bjs), Vira-Tempo, Natyss, poke (Owwwn, lufei com essa review :D Draco tem seu lado bom e mau brigando o tempo todo :B Ai, que bom, eu tb gosto da Tonks! Beijão flor *aperta* Espero que tenha gostado desse cap. tb ;D)

Xoxo.